18 - Tudo proceda por princípios de fé, com ilimitada confiança nos auxílios do Céu e sentimento indestrutível de gratidão ao Senhor e somente a Ele, tanto na abundância como na carestia, lembrados sempre de que "sufficit diei malitia sua!” a cada dia basta a sua aflição". (L 76). SÃO JOSE MARELLO
Marcos 8,14-21
Naquele tempo, 14os discípulos tinham se esquecido de
levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. 15Então Jesus os
advertiu: “Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o
fermento de Herodes”.
16Os discípulos diziam entre si: “É
porque não temos pão”. 17Mas Jesus percebeu e perguntou-lhes: “Por
que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis e nem compreendeis? Vós
tendes o coração endurecido? 18Tendo olhos, não vedes, e tendo
ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais 19de quando reparti cinco pães
para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?”
Eles responderam: “Doze”. 20Jesus
perguntou: E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos
vós recolhestes cheios de pedaços? Eles responderam: “Sete”. 21Jesus
disse: “E ainda não compreendeis?”
O texto
de Marcos lido hoje contém uma dupla advertência de Jesus aos seus discípulos:
guardar-se do fermento dos fariseus e de Herodes. Na Bíblia o fermento tem um
significado ambíguo.
Trata-se
evidentemente de algo bom, uma substância sem a qual não se pode preparar o
pão. Assim aparece, com um significado bom na parábola do fermento (Mt 13, 33 e
paralelos). Mas o fermento pode também significar a corrupção do pecado, como
no texto lido hoje e em outras passagens (1Cor 5,6-8).
O fermento ou a malícia dos fariseus era a hipocrisia legalista. Julgavam-se
perfeitos e desprezavam os outros que não seguiam suas regras. Pretendiam que
Deus fosse obrigado a reconhecer suas boas obras, feitas mais por interesse do
que por verdadeira piedade, e muito menos por amor aos irmãos.
O fermento
de Herodes era o despotismo com que governava seu povo. Ele tinha repartido o
reino de Herodes, o Grande (seu pai), em duas províncias: a Galiléia e a
Peréia. Manteve-se no poder desde o ano
Um terceiro aspecto do texto de Marcos que hoje lemos é o da incompreensão dos
discípulos: Jesus lhes fala do fermento dos fariseus e de Herodes e eles pensam
que não trazem consigo pães na barca. Jesus recorda-lhes o acontecimento da
multiplicação dos pães. Eles não devem estar preocupados em ajuntar provisões.
É para não se contaminar com a hipocrisia dos fariseus e não serem vítimas da
astúcia despótica de Herodes Antipas.
Marcos
apresenta Jesus na barca com seus discípulos, que não entendem os milagres
realizados. Só tinham um pão com eles no barco. Esta frase não é primitiva uma
vez que Mateus 16,5 não a conhece e porque está em contradição com o v. 16, no
qual o próprio Marcos diz claramente que os apóstolos não tinham nenhum pão.
Mas cabe aqui pensar que, antecipando-se já à interpretação de João 6,26-27,
Marcos pensa, no v. 14b, no pão simbólico, que é o próprio Jesus.
Os
discípulos temem ficar sem provisões, e se esquecem de que tinham com eles o
pão por excelência. Assim se compreende a discussão que se segue, na qual Jesus
procura fazê-los compreender quem é ele.
Os
discípulos devem estar atentos para não se deixar contagiar por aquele fermento
da incompreensão e incredulidade que os rodeia. Sua escolha como depositários
do mistério do reino de Deus não os torna invulneráveis à cegueira a seu redor.
Jesus os
adverte sobre o perigo que correm, procurando levá-los a refletir mediante
sucessivas repreensões. Têm que abrir seu coração e reconhecer com os olhos da
fé a verdadeira identidade de quem, na multiplicação dos pães, se revelou como
o pastor messiânico e o portador da salvação definitiva.
Jesus
alerta o grupo dos discípulos sobre o plano que os fariseus e os herodianos
estão tramando contra ele. Jesus sabe que o projeto do Reino que ele veio
pregando de cidade em cidade, está incomodando os líderes do poder religioso e
político de Jerusalém. Por isso Jesus diz ao grupo de seus amigos que se cuidem
do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes, pois esses dois fermentos
podem corromper a massa.
Também,
nós, vinte séculos depois, corremos o perigo de nos tornarmos como os fariseus,
de crermos que somos bons, de impor nossas normas aos pequenos e aos humildes,
de tratar despoticamente os que vêm até nós. Deste fermento que contamina é que
devemos nos guardar. E o Senhor nos alimentará abundantemente com sua Palavra e
com seu pão de vida.
Frente à
chamada de atenção feita por Jesus, seus apóstolos não lhe dão atenção, pois
estão preocupados com a falta de alimento e dessa forma distorcem a mensagem de
alerta que o Mestre estava dando. O pão não é o problema fundamental.
Sempre que
ele faltou houve alguma maneira de consegui-lo para matar a fome do grupo e da
multidão faminta. Jesus desejava que seus seguidores caíssem na conta do complô
que estavam preparando contra ele.
Para
abraçar a causa de Jesus, ou seja, para assumir o projeto do Reino, a
perseguição é uma das realidades que acompanham todos aqueles que assumem com
radicalidade a obra libertadora iniciada pelo Mestre. Os poderosos sempre
estarão descontentes com as propostas de humanizar esta história e de
equilibrar este mundo desequilibrado pelo egoísmo institucionalizado.
A missão é
difícil, mas devemos ser capazes de continuá-la para tornar possível o Reinado
de Deus em nosso mundo. A utopia do Reino continua nos interpelando e chamando
para que nos desinstalemos e deixemos de lado as seguranças que nos impedem de
por-nos a caminho para viver como Jesus viveu.
A Igreja
tem um compromisso com o Reino de Deus. Nós que somos membros da Igreja somos
chamados a combater com nosso próprio testemunho o poder de domínio e instaurar
em nosso mundo uma realidade alternativa, mesmo que nos persigam e caluniem.
Reflexão Apostólica:
O
evangelho de Marcos, de maneira mais acentuada, insiste em registrar que os
discípulos de Jesus não chegaram a compreender claramente a sua novidade
durante os anos de convívio com ele.
Nesta
narrativa vemos os discípulos repreendidos severamente. Jesus adverte os
discípulos contra a doutrina (fermento) dos fariseus e dos herodianos. Eles
queriam um messias poderoso que se manifestasse com sinais portentosos.
Jesus abre
os olhos dos discípulos sobre o fermento dos fariseus e de Herodes: a
desconfiança, a falta de fé e a falsidade. Eles não entendiam bem das coisas
espirituais e pensavam que Jesus estava se referindo ao pão, alimento material.
No
entanto, Jesus replica: “Por que discutis sobre falta de pão? Ainda não
entendeis nem compreendeis? Tendes o coração endurecido?” Porém, eles não
compreendiam do que Jesus estava falando porque não O escutavam com o coração.
Mesmo
depois dos milagres da multiplicação dos pães eles continuavam inseguros quanto
á sua sobrevivência. Jesus se referia aos milagres dos pães quando dos 5 pães
divididos para 5.000 pessoas – sobraram 12 cestos; dos 7 pães repartidos para
4.000 pessoas, sobraram 7 cestos. Sete é o número da perfeição; doze é o número
da abrangência.
O poder de
Deus não tem limites, no entanto, nós temos a tendência de nos apegar com o
pouco que temos e com aquilo que nós conseguimos ver e tocar, por isso, só
acreditamos no que está sob o nosso controle. Esquecemos do poder misterioso de
Deus.
Quantas
coisas maravilhosas já aconteceram na nossa vida e nós, às vezes nos apegamos à
situação do momento e desconfiamos de que Ele, o Senhor, tem poder para fazer
por nós muito mais do que imaginamos. O fermento dos fariseus era a
desconfiança, a falta de fé e a falsidade.
Assim
também nós podemos estar vivendo: “tendo olhos, nós não vemos e tendo ouvidos,
nós não ouvimos”. Temos também, como os fariseus o coração endurecido porque
somos limitados e não queremos enxergar mais além das aparências, das nossas
necessidades materiais e emergenciais. Não enxergamos o poder que Deus tem para
providenciar tudo de que precisamos na nossa vida.
A pergunta
do evangelho também pode ser dirigida a nós, como aos discípulos; nós temos
mais ou menos familiaridade com Jesus: com sua palavra, com sua maneira de agir
e com sua pregação, inclusive temos compartilhado não somente uma ou duas vezes
o Pão, mas muitas e, contudo, não entendemos Jesus nem a advertência que faz,
talvez moralizamos e cremos que o fermento dos fariseus se refere a coisas
espirituais, não compreendemos que Ele nos ama e que nos chama a uma nova vida.
Às vezes, ante suas advertências e exigências, nós vamos pelas beiradas, não
chagamos ao centro do assunto, a dureza de nossa mente e do coração para
entender o estilo típico de Jesus faz repetir hoje essa pergunta: Ainda não
entenderam? E o que é que tínhamos que entender? Algo simples e claro que
estamos falando nos últimos dias nos evangelhos, o amor incondicional de Deus,
sua pedagogia, sua ternura e a absoluta liberdade com que nos quer para que
vivamos essas relações com ele e com os outros.
Entender inclusive que os momentos difíceis e penosos são momentos para nos
aproximar de Deus e construir comunidade. E entender que somos chamados a à
generosidade para com os necessitados, a controlar nossos impulsos de inveja e
egoísmo. Definitivamente temos que entender o chamado para construir uma vida
mais feliz e justa.
Qual é o
pão que você precisa para alimentar a sua vida? Quem pode dá-lo? – Há
sinceridade na sua oração a Deus? Você tem medo de passar necessidades no
futuro? Você acredita na providência de Deus?
Propósito:
Pai, reforça minha fé na tua providência paterna que se
manifestou de tantos modos em minha vida, e livra-me de colocar minha esperança
nas coisas deste mundo.
Dia 18
Não se
deixe derrotar em nenhuma circunstância.
Tanto a
vitória como a derrota dependem do modo como as situações são encaradas.
Por isso,
caminhe sempre adiante, com a coragem e a força de Deus.
Somente os
que não desistem na metade do caminho conseguem alcançar a vitória.
Desânimo,
jamais. Derrotas, jamais.
Com Deus,
tudo é possível!
Que as
derrotas da vida jamais o entristeçam.
Lute, hoje
e sempre, pois só assim será um vencedor.
“Quem nos
separará do amor de Cristo?
Tribulação,
angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada? Pois está escrito: ´Por tua
causa somos entregues à morte, o dia todo; fomos tidos como ovelhas destinadas
ao matadouro`.
Mas, em
tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou.” (Rm
8,35-37).
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