31 agosto - Se Gregório VII, filho de um pobre fabricante de barris, conseguiu revolucionar o mundo e fundar uma civilização nova sobre as ruínas do barbarismo, foi porque sentia o poder da "combinação" diária com o seu Deus, razão pela qual se tornava, de simples que era, homem de uma têmpera divina. (L 9 ). São Jose Marello
Evangelho (Lc 14,1.7-14)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
1Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um
dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 7Jesus notou como os convidados
escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola:
8“Quando
tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar.
Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, 9e o dono da casa, que convidou
os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e
irás ocupar o último lugar.
10Mas,
quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar
quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma
honra para ti diante de todos os convidados. 11Porque quem se eleva, será humilhado e quem
se humilha, será elevado”.
12E disse
também a quem o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não
convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos
ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua
recompensa. 13Pelo
contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos,
os cegos. 14Então
tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa
na ressurreição dos justos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Reflexão para o 22º domingo do Tempo Comum - Lucas 14, 1.7-14
(Ano C) 31 agosto 2025
A liturgia
deste vigésimo segundo domingo do tempo comum continua a nos situar no contexto
do longo caminho de Jesus, acompanhado de seus discípulos e discípulas, em
direção à cidade de Jerusalém, onde consumará a sua missão com a paixão, morte
e ressurreição. Como temos insistido ao longo dos últimos domingos, esse
caminho é um itinerário catequético e uma metáfora da vida da comunidade cristã
e do discipulado, sobretudo; é uma criação de Lucas, que selecionou os mais
importantes ensinamentos de Jesus e distribuiu-os nesta longa seção narrativa
(cf. Lc 9 – 19). Por isso, não consiste apenas no ato de caminhar, mas no
ensinamento dos valores do Reino de Deus, sendo que Jesus é o próprio Reino em
pessoa, de modo que tais valores se manifestam na sua maneira de agir diante
das mais diversas situações. Enquanto caminhava, Jesus se servia dos fatos do
cotidiano para instruir o povo e formar seus discípulos e discípulas.
O trecho escolhido
para a liturgia de hoje – Lc 14,1.7-14 – apresenta Jesus numa refeição festiva
do sábado, na casa de um fariseu. A refeição, para todas as culturas antigas,
possuía um valor sagrado; na cultura judaica era, acima de tudo, um momento de
memória e rendimento de graças a Deus por suas obras em favor de Israel, ao
longo da história. No mundo greco-romano, que Lucas conhecia tão bem, a
refeição era também ocasião de ensino e aprendizado, através dos diálogos
travados entre os comensais, de modo que o banquete se tornou um elemento
importante para a filosofia grega, considerado, inclusive, um gênero literário
próprio. Neste texto, Lucas procura sintetizar as duas perspectivas. Por sinal,
é exatamente Lucas o evangelista que mais apresenta Jesus sendo convidado e
aceitando convites para participar de refeições, utilizando, assim, o banquete
como ocasião de ensinamento (cf. Lc 5,29-39; 7,36-50; 11,37-54; 19,5-6), além
das refeições pascais de antes e depois da ressurreição (cf. Lc 22,14-23;
24,41-43). Das refeições de Jesus que Lucas descreve, três foram em casa de
fariseus (cf. Lc 7,36ss; 11,37ss; 14,1ss), sendo a de hoje a última. Por sinal,
sempre havia conflito quando Jesus comia na casa de um fariseu.
Eis o
texto: “Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos
chefes dos fariseus. E eles o observavam” (v. 1). Nos dias de sábado, após o
culto matinal da sinagoga, as famílias almoçavam festivamente; a comida tinha
sido preparada na véspera, a sexta-feira, o “dia da preparação”, como eles
chamavam, uma vez que nenhum trabalho poderia ser feito no sábado, dia de culto
e repouso. Nos povoados, os judeus mais influentes costumavam oferecer
verdadeiros banquetes, convidando com frequência o pregador daquele dia na
sinagoga, de modo que o almoço fosse uma extensão do culto. Assim, à mesa se
discutia o assunto da pregação, tirando as dúvidas suscitadas. Isso nos faz
supor que, naquele sábado, Jesus pregou na sinagoga do lugar por onde passava
e, após o culto, recebeu o convite para uma refeição na casa de um chefe dos
fariseus, alguém importante do lugar. Como a fama de Jesus já tinha se
espalhado bastante, os primeiros interessados em conferir o teor de sua
mensagem eram os fariseus, como guardiães da sã doutrina na época. Ao dizer que
“observavam” Jesus, o evangelista denuncia qual era a intenção deles com o
convite: observar cuidadosamente seus gestos e palavras para o acusarem de
blasfemo e transgressor da Lei de Deus, uma vez que a interpretação de Jesus
geralmente trazia elementos novos que eles não aceitavam.
Podemos
dizer que havia uma dupla malícia: os fariseus convidavam Jesus para observá-lo
e depois acusá-lo, e Jesus aceitava tais convites para desmascará-los, muito
mais que para desfrutar da fartura do banquete, como evidencia o próprio texto:
“Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então,
contou-lhes uma parábola:” (v. 7). Com base em suas observações, Jesus faz
sérias advertências, tanto aos convidados, quanto ao anfitrião, especificamente
sobre a humildade (vv. 8-11) e a generosidade-gratuidade (vv. 12-14). Destas
advertências a pessoas específicas, os fariseus, surge um ensinamento
universal, direcionado inicialmente aos discípulos de primeira hora, mas
estendido aos cristãos de todos os tempos: o cultivo da humildade e da
gratuidade nas relações, ou seja, um estilo de vida baseado em novos critérios,
em discordância com os valores defendidos pelas tradições ultrapassadas e
excludentes do judaísmo da época.
Ao
advertir os convidados (vv. 8-11), Jesus recorre à tradição sapiencial e
constrói uma pequena parábola, baseada em uma citação do livros dos Provérbios:
“Não te vanglories na frente do rei, nem ocupes o lugar dos grandes; pois é
melhor que te digam: ‘Sobe aqui!’ do que seres humilhado na frente de um nobre”
(Pr 25,6-7). Ora, tendo notado que os convidados escolhiam os primeiros
lugares, foi muito oportuna a chamada de atenção. A princípio, parece um
convite à esperteza: como lograr de sucesso na frente dos demais ao ser
promovido, passando do último para o primeiro lugar (v. 10). Era essa a
mentalidade do autor sapiencial. Mas, Jesus usou o texto de Provérbios apenas
como ilustração. O que, de fato, Ele quer apresentar é a dinâmica do Reino de
Deus e, ao mesmo tempo, prevenir seus discípulos para não imitarem o
comportamento dos fariseus. Por isso mesmo, Ele continuará essa observação em
outras ocasiões: na parábola do fariseu e o publicano (cf. Lc 18,9-14) e, já em
Jerusalém, no discurso contra os escribas (cf. Lc 20,45-47). Portanto, o
contexto é o da formação dos discípulos. Ora, a busca pelos primeiros lugares,
característica do grupo dos fariseus, não pode fazer parte do discipulado de
Jesus. A atitude do cristão deve ser sempre a do serviço, e quem serve não
pensa nos lugares de honra, mas nas necessidades do próximo. Certamente, esse
texto reflete também a preocupação de Lucas com a tendência hierarquizante nas
suas comunidades. O banquete dos fariseus é, aqui, apresentado como o
anti-modelo do banquete cristão, o qual deve prefigurar o banquete do Reino.
Assim, renunciar aos lugares de destaque é, mais que humildade, um gesto de
amor. É dar espaço para o outro, optando por uma modelo de sociedade
alternativa, renunciando a qualquer indício de concorrência e egoísmo. É uma
atitude inclusiva, como será desenvolvido na sequência do texto.
A segunda
advertência completa a primeira: “E disse também a quem o tinha convidado:
“Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus
irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também
convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma
festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos” (vv. 12-13). Ora,
tendo antes “observado como os convidados escolhiam os primeiros lugares” (v. 7a),
Ele percebeu também as características destes convidados, e os critérios usados
pelo dono da casa para convidá-los. Estava muito clara a lógica da retribuição
naquele ambiente. Aqui, Ele retoma o discurso das bem-aventuranças: “fazei o
bem e emprestai sem esperar nada em troca” (cf. Lc 6,35). Esse conselho dado ao
dono da casa é completamente contrário aos costumes da época. Trata-se de algo
revolucionário. O convite à generosidade e gratuidade nas relações é, aqui,
apenas um dos ricos significados desse trecho. Fazer o bem sem esperar
recompensa é, de fato, uma atitude necessária para a comunidade dos discípulos.
Há um
forte apelo a uma revolução social, ao conceber as novas relações, e um convite
para uma luta da qual nenhum cristão pode fugir: a superação de todas as formas
de exclusão e marginalização. Ele observou, naquele ambiente, quatro categorias
de convidados: “amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos” (v. 12), e todas com
capacidade de retribuir. Para reverter essa situação, Ele propõe outros critérios,
sendo o primeiro a impossibilidade de retribuição. Por isso, sugere também
quatro categorias: “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” (v. 13). É
aqui onde se encontra a máxima da novidade de Jesus neste episódio. Ora, é
inegável que a religião dos judeus pregava uma atenção especial aos pobres,
juntamente com os órfãos e as viúvas, sobretudo nos livros proféticos; mas a
prioridade aos “aleijados, coxos e cegos” é uma exclusividade de Jesus; essa
atenção é fruto do seu amor infinito pelos últimos. Inclusive, de acordo com a
Lei, quem fosse portador de qualquer deficiência física, incluindo “cegos,
coxos e aleijados”, não podia sequer entrar no templo (cf. Lv 21,18-20),
enquanto Jesus diz que eles devem ser os convidados principais do banquete.
Para
aquele fariseu e seus convidados, o que Jesus disse foi apenas uma sugestão.
Para os cristãos, isso é compromisso e exigência: não há vida cristã sem luta
pela inclusão e pela superação de todas as formas de discriminação e
preconceitos. É interessante observar a fórmula “quatro por quatro”: tirar os
privilégios de quatro grupos específicos, e incluir quatro grupos que
representam todas as categorias de excluídos, inclusive da vida religiosa, uma
vez que os aleijados, os coxos e os cegos nem entrar no templo podiam. Assim, o
projeto do Reino, anunciado no Evangelho de Lucas, logo no cântico de Maria,
prevendo a ascensão dos humildes e a queda dos poderosos (cf. Lc 1,52), vai
ficando cada vez mais claro. Não podemos deixar de perceber aqui uma antecipação
da Eucaristia e seu sentido mais profundo: banquete para todos, motivado por
amor-doação, sem exclusão alguma.
Na
conclusão, Jesus proclama uma bem-aventurança destinada a quem aceitar o seu
projeto de inversão de ordem nas estruturas e nos costumes exclusivistas,
conservados pela religião e a sociedade da época: “Então, tu serás feliz!
Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição
dos justos” (v. 14). É feliz quem assimila a lógica do Reino. A única
recompensa para quem acolhe os mais necessitados, e excluídos em geral, é a
certeza do amor de Deus em demasia. A expressão “ressurreição dos justos”,
aqui, não é uma definição doutrinal, mas significa uma relação tão íntima com
Deus que nem a morte consegue interromper. E, aquilo que garante essa relação é
o amor e a solicitude para com os mais necessitados.
Dia 31
Na vida,
tudo muda com rapidez impressionante.
Para
enfrentar os imprevistos, é importante manter o autocontrole, a serenidade e o
pensamento firme.
Quem está
mais bem preparado consegue driblar os problemas e se adaptar com facilidade às
novas circunstâncias.
Tudo pode
servir para o aperfeiçoamento pessoal.
“Bendito
seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!
Em sua
grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele
nos fez nascer de novo para uma esperança viva”. (1Pd 1,3).
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