Evangelho do dia 04 dezembro quarta feira 2024
São João Damasceno
São João Damasceno foi um grande doutor na história
da Igreja universal. Nasceu em 675, em Damasco (Síria), de uma rica família
cristã. Ainda jovem assumiu o cargo – talvez ostentado também por seu pai – de
responsável econômico do califado. Bem cedo, contudo, insatisfeito pela vida da
corte, amadureceu a escolha monástica, entrando no mosteiro de São Sabas, perto
de Jerusalém. Era por volta do ano 700.
Não se afastando nunca do mosteiro, dedicou-se com
todas as forças à ascese e à atividade literária, sem desdenhar da atividade
pastoral, da qual dão testemunho sobretudo suas numerosas homilias. Sua memória
litúrgica se celebra em 4 de dezembro. O Papa Leão XIII o proclamou Doutor da
Igreja universal em 1850.
Dele se recordam no Oriente, sobretudo, os três
Discursos – “A fonte da ciência”, “A fé ortodoxa”, “Sacra paralela” e “Orações
sobre as imagens sagradas” – contra quem calunia as imagens santas, que foram
condenados, após sua morte, pelo Concílio iconoclasta de Hieria (754). Estes
discursos, contudo, foram o principal motivo de sua reabilitação e canonização
por parte dos Padres ortodoxos convocados no II Concílio de Niceia (787),
sétimo ecumênico. Nestes textos é possível encontrar os primeiros intentos
teológicos importantes de legitimação da veneração das imagens sagradas, unindo
a estas o mistério da Encarnação do Filho de Deus no seio da Virgem Maria.
Por causa desta obra, “Orações sobre as imagens
sagradas”, onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos
iconoclastas, João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges.
Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava,
junto com os cristãos, contra ele. Mandou prendê-lo a aplicar-lhe a lei
muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais.
Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria
tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. E foram
inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou, especialmente, a Nossa
Senhora. Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia
mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas. Tão
importante foi sua contribuição para a Igreja que o papa Leão XIII o proclamou
doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam “são Tomás do Oriente”.
Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja, ocorre no dia 4 de
dezembro.
A Igreja também celebra hoje a memória dos santos:
Bernardo de Parma e Bárbara
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 15,29-37
"Jesus saiu daquela região e voltou para perto do mar da Galiléia.
Subiu a uma colina e sentou-se ali.
Então numerosa multidão aproximou-se dele, trazendo consigo mudos, cegos,
coxos, aleijados e muitos outros enfermos. Puseram-nos aos seus pés e ele os
curou,
de sorte que o povo estava admirado ante o espetáculo dos mudos que falavam,
daqueles aleijados curados, de coxos que andavam, dos cegos que viam; e
glorificavam ao Deus de Israel.
Jesus, porém, reuniu os seus discípulos e disse-lhes: “Tenho piedade esta
multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não
quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho”.
Disseram-lhe os discípulos: “De que maneira procuraremos neste lugar deserto
pão bastante para saciar tal multidão?’
Pergunta-lhes Jesus: “Quantos pães tendes?” “Sete, e alguns peixinhos”,
responderam eles.
Mandou, então, a multidão assentar-se no chão,
tomou os sete pães e os peixes e abençoou-os. Depois os partiu e os deu aos
discípulos, que os distribuíram à multidão.
Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que restaram, encheram sete
cestos."
Meditação:
É difícil acolher quando nosso coração já se
encontra cheio de tantas coisas. Neste Tempo do Advento é preciso ter um
“coração vazio” de si mesmo, como o de José e o de Maria, como o de João
Batista e o dos pobres e simples do evangelho, que acolheram e reconheceram em
Jesus o Filho de Deus que veio para nos salvar.
Se outras coisas ocuparam o lugar de Deus em nós,
então Deus não tem lugar em nosso coração. Mas, em sua misericórdia, podemos
mudar nosso jeito e nosso modo de ser. Agora a decisão é nossa.
O traço marcante da ação de Jesus foi a sua capacidade de acolher a todos. Os
pobres e marginalizados foram os que melhor captaram esta predisposição do
Messias. Houve quem o hostilizasse, o rejeitasse e assumisse contra ele postura
de inimigo. Neste caso, jamais a iniciativa partiu do Mestre. Ele tinha
consciência de ter sido enviado para a salvação de todos.
Os coxos, aleijados, cegos, mudos e toda sorte de gente flagelada por doenças e
enfermidades, levados a Jesus para serem curados, retratam a imensa misericórdia
contida de seu coração, e seu desejo de comunicá-la à humanidade sofredora. Por
seu amor eficaz, os mudos começavam a falar, os aleijados, a sarar, os coxos, a
andar, os cegos, a enxergar. Nenhuma necessidade humana passava-lhe
despercebida.
O Messias Jesus, apesar de sua condição de Filho de
Deus, preocupava-se com os problemas materiais do povo, como foi o caso da
falta de alimento para os que tinham vindo escutá-lo, numa região bastante
afastada.
O episódio da multiplicação dos pães serviu-lhe para ensinar às multidões a
lição da solidariedade e da partilha. Este, sem dúvida, foi seu milagre maior:
eliminar o egoísmo presente no coração de seus ouvintes, e movê-los a colocar
em comum o que cada um possuía para sua própria alimentação, de modo que todos
pudessem ser igualmente saciados. Desta forma, a acolhida do Messias estava
dando os seus primeiros frutos nos corações dos que o seguiam.
A multidão aproxima-se de Jesus para escutá-lo. Aproximam-se os pobres, os
coxos, os aleijados, os abandonados e a todos Ele curava física e
espiritualmente.
E de mim se aproximam as pessoas quando abro a minha boca para falar? Minhas
palavras salvam, curam, libertam ou matam, oprimem e condenam?
O Deus que vem e permanece entre nós é aquele que traz a vida e liberta. Quando
nós cristãos nos tornamos semelhantes a Jesus e bem próximos de sua missão,
certamente nos aproximaremos dos mais pobres, dos sofredores e dos
marginalizados.
Que a fé verdadeira me desacomode e me leve ao encontro dos que estão à margem
de oportunidades e da vida. Pois, louvor maior que agrada a Deus é a
misericórdia que faz viver.
Reflexão Apostólica:
Existem ótimos
fatos nessa narrativa de hoje, mas em especial temos duas.
(…) primeira…
A primeira multiplicação dos pães aconteceu na Galiléia em meio aos judeus e
esta segunda multiplicação acontece em uma região próxima ao mar da Galiléia,
mas estas terras pertenciam aos gentios, ou seja, povos de outras nações,
estrangeiros, não-judeus e lá Jesus opera milagres que pela falta de fé dos seus
(nossa), deixou de operar em sua terra.
De certa forma, se não vemos os MILAGRES EXTRAORDINÁRIOS de Deus é por que não
temos os olhos e a fé para ver os ORDINÁRIOS, ou seja, aqueles que acontecem no
cotidiano, mas não percebemos. O período que vivemos, o advento, é repleto de
sinais ordinários, em especial os de mudança de vida, conversão, retorno,
retomada, ressurgimento, (…). Conseguimos vê-los em nós?
Vejo na TV e em muitos lugares a preocupação em se ver os milagres
extraordinários. As pessoas parecem querer ver cegos voltar a enxergar,
paralíticos voltar a andar, mas não mudam uma vírgula de sua própria vida para
voltar a enxergar. Não abandonam os próprios interesses, debruçando-se em
pedidos e pedidos, mas não param ou pelo menos se propõem a parar de mancar com
julgamentos maldosos, falsidades, hipocrisia, dissimulação, (…)
É uma grade verdade, Jesus disse para pedirmos, mas a sabedoria de um monte em
Israel explica um fato que esquecemos. Um monte batizado por Abraão, após ter
sido poupado seu filho Isaac, de Javé-Yiré, cuja tradução significa “O
Senhor dará o que for preciso”
Abramos nossa casa como são Francisco ao irmão sol, irmã lua, a irmã vida… As
demais coisas serão dadas por acréscimo e realmente será dado o que é preciso.
(…) Segunda…
Entre os seus, na primeira multiplicação ele pegou os pães e os
abençoou, como ainda é feito nas nossas missas como memória viva e presente do
Cristo.
Em meio aos gentios, não negou quem fosse ou sua missão, mas, talvez preferindo
não assoprar o monte de folhas secas (veja reflexão do evangelho de ontem),
Jesus dá Graças a Deus, faz o milagre acontecer e partilha o pão.
Quantas pessoas ainda hoje se preocupam em moldar as pessoas a sua forma de
pensar, deixando de amá-las, pois são “gentios” que pensam diferentes? Esquecem
então de dar Graças a Deus por elas, não se fazem milagre e tão pouco partilham
o pão. Esses irmãos são aqueles que se enterram em suas pastorais e movimento,
ou só no trabalho, ou só na oração, em modos de pensar onde “quem congrega
comigo é irmão, caso contrário pagão”. Esquecem que Jesus também operou
milagres nos gentios
Pedimos nessa primeira semana do Advento o perdão pelas vezes que
separei e não conciliei; pelas rusgas ou invés do agregar, pelos partidarismos
e panelinhas ao invés de viver o Ato dos Apóstolos.



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