domingo, 8 de março de 2026

Evangelho do dia 12 março quinta feira 2026


12 março - Tu, ó José, ensina-nos, assiste-nos, torna-nos membros dignos da Sagrada Família. (L 35). 
São Jose Marello


Lucas 11,14-23

"Jesus estava expulsando de certo homem um demônio que não o deixava falar. Quando o demônio saiu, o homem começou a falar. A multidão ficou admirada, mas alguns disseram: É Belzebu, o chefe dos demônios, que dá poder a este homem para expulsar demônios. Outros, querendo conseguir alguma prova contra Jesus, pediam que ele fizesse um milagre para mostrar que o seu poder vinha de Deus. Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: O país que se divide em grupos que lutam entre si certamente será destruído; a família que se divide em grupos que lutam entre si também será destruída. Se o reino de Satanás tem grupos que lutam entre si, como continuará a existir? Vocês dizem que é Belzebu que me dá poder para expulsar demônios. Mas, se é assim, quem dá aos seguidores de vocês o poder para expulsar demônios? Assim, os seus próprios seguidores provam que vocês estão completamente enganados. Na verdade, é pelo poder de Deus que eu expulso demônios, e isso prova que o Reino de Deus já chegou até vocês. Quando um homem forte e bem armado guarda a sua própria casa, tudo o que ele tem está seguro. Mas, quando um homem mais forte o ataca e vence, leva todas as armas em que o outro confiava e reparte tudo o que tomou dele. Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando."

Meditação:

O evangelho de hoje pode ser dividido em três partes que também perfazem as três respostas de Jesus.

A primeira parte diz respeito a comparação do reino dividido. Jesus denuncia o absurdo da calúnia escribas. Dizer que ele expulsa os demônios com a ajuda do príncipe dos demônios é negar a evidência.

É o mesmo que dizer que a água é seca, e que o sol é escuridão. Os doutores de Jerusalém o caluniavam, porque não sabiam explicar os benefícios que Jesus realizava para o povo. Estavam com medo de perder a liderança. Sentiam-se ameaçados na sua autoridade junto ao povo.
Já a segunda é uma pergunta sobre por quem expulsam vossos filhos os demônios? Jesus provoca os acusadores e pergunta: “Se eu expulso em nome de Belzebu, em nome de quem os discípulos de vocês expulsam os demônios? Que eles respondam e se expliquem! Se eu expulso o demônio pelo dedo de Deus, é porque chegou o Reino de Deus!”.
Para concluir, vem a terceira parte: chegando o mais forte ele vence o forte. Jesus compara o demônio com um homem forte.

Ninguém, a não ser uma pessoa mais forte, poderá roubar a casa de um homem forte. Jesus é este mais forte que chegou. Por isso, ele consegue entrar na casa e amarrar o homem forte. Consegue expulsar os demônios.

Jesus amarrou o homem forte e agora rouba a casa dele, isto é, liberta as pessoas que estavam no poder do mal. O profeta Isaías já tinha usado a mesma comparação para descrever a vinda do messias (Is 49,24-25). Por isso Lucas diz que a expulsão do demônio é um sinal evidente de que chegou o Reino de Deus.
Jesus termina sua resposta com esta frase: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.

Em outra ocasião, também a propósito de uma expulsão de demônio, os discípulos impediram um homem de usar o nome de Jesus para expulsar um demônio, pois ele não era do grupo dele. Jesus respondeu: “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!” (Lc 9,50).

Parecem duas frases contraditórias, mas não são.

A frase do evangelho de hoje é dita contra os inimigos que tem preconceito contra Jesus: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Preconceito e não aceitação tornam o diálogo impossível e rompe a união.

A outra frase é dita para os discípulos que pensavam ter o monopólio de Jesus: “Quem não é contra vocês é a vosso favor!

Muita gente que não é cristã pratica o amor, a bondade, a justiça, muitas vezes até melhor do que os cristãos. Não podemos excluí-los. São irmãos e parceiros na construção do Reino.
Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (At 2, 22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado.

Os sinais realizados por Jesus testemunham que o Pai O enviou. Convidam a crer n'Ele. Aos que se lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem.

Assim, os milagres fortificam a fé n'Aquele que faz as obras do Seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus. Mas também podem ser «ocasião de queda» (Mt 11, 6). Eles não pretendem satisfazer a curiosidade nem desejos mágicos.

Apesar de os seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns; chega mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demônios.
Todavia, ao libertar certos homens dos seus males terrenos – da fome, da injustiça, da doença e da morte –, Jesus realizou sinais messiânicos; no entanto, Ele não veio para abolir todos os males deste mundo, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os impede de realizar a sua vocação de filhos de Deus e é causa de todas as servidões humanas.
A vinda do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: «Se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demônios, então é porque o Reino de Deus chegou até vós» (Mt 12, 28).

Os exorcismos de Jesus libertam os homens do poder dos demônios. E antecipam a grande vitória de Jesus sobre «o príncipe deste mundo» (Jo 12, 31).
“Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa” como isto acontece na minha e na tua vida?  “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!

Como isto acontece em nossa vida? Temos ciúmes do bem dos outros, das pessoas, que iniciam a sua caminhada de fé e que se destacam na prática do bem e no anúncio do evangelho?

Reflexão Apostólica:

Na vida, não dá para ser radical, porque senão, não é possível equilibrar-se nos relacionamentos, afinal, somos todos diferentes!
Uma hora cedemos aqui, outra hora cedemos ali, e o dia a dia vai sendo vivido conforme driblamos as dificuldades e curtimos a felicidade.
Porém, ser cristão exige uma única radicalidade: estar ‘do lado de Jesus’.
Estar ‘do lado’ não é o mesmo que estar ‘ao lado’.
Quando estamos ‘ao lado de Jesus’, Ele pode se adiantar e nós ficamos para traz por nossa indolência, ou nos adiantamos atropelando o tempo de Deus, ou apenas passamos ao seu lado.

Não dá para deixar Jesus nem um pouquinho à frente ou para trás, porque seria o mesmo que: abandonar a Verdade que garante a vida; afastar-se da Luz que ilumina os passos; não ter o Pão que alimenta o espírito; viver no deserto sem a água que é a fonte da vida; querer amar estando longe do Amor.
Porém, quando estamos ‘do lado de Jesus’, caminhamos no mesmo passo, percorremos o mesmo lado do caminho, com Ele.
Jesus disse: "Quem não está comigo, está contra mim". Com essas palavras Ele nos chama para caminharmos no mesmo sentido d'Ele, e não no sentido contrário.

Quem nunca passou por esse dilema: Se resolve ficar quieto e não trabalha, não produz, ganha a imagem de preguiçoso, incompetente, (…), mas se trabalha muito, mostra frutos e cresce, sofre e ainda é martirizado pela inveja dos outros.
Jesus “importunava” por fazer; foi levado a cruz por trabalhar, curar e fazer o bem não comoveu os corações mais duros. Não teve perdão dos fariseus por não se render às vaidades, ao poder e as bajulações. Não se cercou de poderosos, tão pouco de pessoas influentes; preferiu os humildes em detrimento aos orgulhosos. Nada de errado fez e mesmo assim Pilatos não o absolveu… E o levaram ao calvário.
Não digo que a inveja seja algo comum, mas algo que todo aquele que trabalha ou se expõe está sujeito, pois não temos controle sobre a vida e os pensamentos daqueles que nos cercam.

Quantas vezes nos flagelamos, maltratamos e desistimos de tudo mediante as insistentes e persistentes críticas dos que invejam?

Muitas vezes este não tem noção da maldade que estão fazendo e tão pouco o quanto estão colaborando para a destruição de um sonho, um projeto, uma vida. “(…) Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando”.
Temos que estar atentos, pois a inveja é inerente ao ser humano, o que muda ou difere é o grau de intensidade que ela se manifesta, o “alvo” da inveja e de quem parte. Sim, isso é um alerta, pois nenhum de nós está isento ou imune a essa tentação. Um colega que “se dá bem”, um amigo que recebeu uma promoção; o vizinho que trocou de carro; a segurança e a estabilidade do amigo; o cabelo da vizinha; (…), são motivos de cobiça.
Cobiça? Inveja? Ciúme? Como esse negócio brota!!! O invejoso consegue ver a maldade até nas boas obras e que dão certo, mas como dissemos na reflexão de ontem “A presença de Deus é que torna nossa evangelização forte e ungida; Sua presença é que dará sucesso a nossas obras inclusive em nossas pastorais”.
Lembrei de José e seus irmãos. E como não lembrar? Crescem juntos, resguardados pelo mesmo amor e carinho, mas que motivados pela inveja, resolvem entregar o irmão nas mãos de mercadores como escravo. Mas como na história desse patriarca, mesmo no deserto e escravo, Deus não deixou de enchê-lo ainda mais de realizações.

A inveja dos irmãos não fez sucumbir a graça de Deus. Mas é preciso deixar bem claro uma coisa: José nunca desistiu ou se escondeu!
Quem é perseguido ou que pelo menos sente suas forças se esvaírem pelas perseguições deve bater o pé e permanecer na jornada, pois você faz parte dos quem juntam, portanto Deus está sempre ao seu lado
Mantenha-se firme! Acredite! Continue!

Propósito: Promover da união de todos por onde passo. 

Dia 12

“Se os outros conseguem e são felizes, eu também posso.”

Talvez você tenha pensado nessa frase em diversas ocasiões.

Mas o que se entende por felicidade?

Se quer ser feliz, viva intensamente os bons momentos da vida.

Viver é criar e inventar a própria vida.

Existem dois fatores capazes de mudar sua trajetória: a força da oração e o pensamento positivo.

Por isso, confie em Deus, coloque-o em primeiro lugar e deixe-se guiar por ele.

De acordo com um ditado popular, “cada um dorme na cama que arruma, tanto aqui como na eternidade”.

“Cuidai das coisas do alto, não do que é da terra. Quando Cristo, vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória”. (Cl 3,2.4).



Evangelho do dia 11 março quarta feira 2026


11 março -
Tu, ó José, que depois da Bendita Virgem, foste o primeiro a estreitar ao peito Jesus Redentor, sê o nosso modelo em nosso ministério que, como o teu, é um ministério de relação íntima com o Verbo Divino. (L 35). São Jose Marello


Mateus 5,17-19

"Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: enquanto o céu e a terra durarem, nada será tirado da Lei - nem a menor letra, nem qualquer acento. E assim será até o fim de todas as coisas. Portanto, qualquer um que desobedecer ao menor mandamento e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem obedecer à Lei e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado grande no Reino do Céu."

Meditação:

Na Palavra de hoje, Jesus ensina a importância dos seus ensinamentos. Ele, que veio para dar cumprimento ao que falavam os Profetas e a lei de Moisés, trouxe para o povo de Israel e para o mundo o seu ensinamento.
Deste ensinamento, do Cristianismo, nada do que foi ensinado será tirado até o último dia. Aquele que conhece o ensinamento será considerado o menor no Reino de Deus.
Aquele que pratica e que ensina será considerado grande. São estas as palavras de Jesus para nós. O que vale dizer que o ensinamento e a prática nos colocam sobre os menores no Reino.
Menores são todos os que crêem em Cristo, que vivem no catolicismo, mas não conhecem as Escrituras. Isso faz deles os menores! Pois, sábio, o Pai lhes mostra como devem pela vida que levaram. E cobra-os envergonhando aos mortos, para que aprendam com quem faz a verdade acontecer em vida.
Porém, para aqueles que sabem e praticam o seu lugar no Reino já esta garantido em uma posição melhor do que aqueles que não praticam.
É necessário que se fortifiquem na Fé e não se deixem destruir pelos mortos com suas enganações, que promovem assim, o sofrimento e dor das almas do purgatório. Almas que necessitam de orações e de comportamentos SANTOS por parte dos ELEITOS DE DEUS.
A simplicidade coloca nas mãos do Pai a escolha do que AMA ensinar pelo Espírito Santo, mas não busca o reconhecimento do homem. Para que não seja acusado de ser mais SANTO do que DEUS e menos SANTO do que devia ser.

O que você acha que mudou no coração do homem? Você é daqueles (as) que acham que certos valores já eram? Qual é o conceito que você tem da Lei de Deus? Como você acha que Deus o (a) considera: menor ou maior no reino dos céus?

Reflexão Apostólica: 
O povo, por longo período de anos, não teve a preocupação de documentar ou guardar sua história em manuscritos ou outra forma concreta de arquivo ao não ser o que era passado de boca a boca, de pai para filho.
Apenas após a passagem de Josias e Esdras, ouve uma preocupação em se compilar as tradições judaicas, mas mesmo tendo sua história e normas guardadas no que chamaram de TORAH, a tradição cultural continuava sendo passada de pessoa a pessoa.

Muitas leis eram locais ou de interpretação conforme a localidade, realidade e situação do povo, é o que popularmente chamamos de “cada caso tem um caso”. Por vezes, as leis eram mais culturais do que escritas por Deus.
Jesus aparece e mostra que a lei continua correta, mas propõe que haja um NORTE na sua interpretação, para que ela não fosse tendenciosa e usada de forma a oprimir, ao invés de libertar e corrigir o seu povo. “(…) Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, MAS PARA

DAR O SEU SENTIDO COMPLETO”.

Esse sentido completo esta na presença de Jesus no meio deles. Se buscarmos a passagem que diz que a fé sem obras é morta, Deus nos ensina e demonstra através da vinda de Jesus que Ele é um Deus que vai além dos ensinamentos ou das tábuas da lei, Ele é presente e sua presença é que torna completa a lei, os dias de tua vida.
A presença de Deus é que torna nossa evangelização forte e ungida; Sua presença é que dará sucesso a nossas obras inclusive em nossas pastorais.

Não conseguirei tocar o coração de alguém com palavras lindas se não forem inspiradas por Deus e ai que está o grande diferencial do cristão e aquele que decora a passagem.
Deus não habita no coração demagogo e prepotente e tão pouco naquele que usa da palavra para promoção pessoal e receber “tapinhas nas costas”.

Deus fica ofuscado quando tentamos “aparecer” mais que sua presença ou quando fazemos a superprodução esquecendo-se da humildade que ainda encanta…

Baseando-se nesse meu breve argumento, será que é correto usar Deus nos discursos políticos ou na justificação dos nossos erros?
Quantas pessoas conhecemos cuja cristandade não vai além do belo discurso?
Uma ação, uma mensagem, uma palavra se não tem a essência de Deus, não convence, não exorta, não corrige, não alimenta… Qualquer ação cristã precisa ter sentido completo.
Se vamos trabalhar pra Deus, que seja mergulhando de cabeça; se vamos falar em Seu nome, que seja de toda alma, de todo coração e com todas as nossas forças.
Nosso Deus é muito próximo. Tudo o que fazemos em Seu nome e por Ele, será abençoado.

Reflexão:
Deus é misericordioso para com todos: pobres ou ricos, sadios ou doentes, oprimidos ou opressores, justos ou injustos, soberanos ou humildes.
O remédio para a cura dos males está em Deus, esperança, verdade e vida.
Muitas vezes, as pessoas são beneficiadas ao se comunicar com os demais por meio de um pequeno gesto, um abraço, uma palavra de gratidão, um sorriso, um carinho, uma palavra de apoio.
As pessoas estão carentes e doentes por falta de calor humano na convivência e nos relacionamentos.

Dia 11

Agradeça a Deus a oportunidade de levantar-se após uma noite de descanso. Seja grato por mais um dia de vida,

pelo ar puro que entra pela janela, pelo sol ou pela chuva.

Lembre-se de que o bom humor é contagiante, por isso espalhe-o!

Não viva de emoções vazias.

Cultive sua vida espiritual. Seja transparente.

Deixe que os outros saibam que são estimados e necessários em sua vida.

Repense seus valores e dê a si mesmo a chance de crescer e ser feliz.

Tudo o que fizer neste dia, faça-o da melhor maneira, com muito amor.

Pense, trabalhe e espere pelo melhor!

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus.

Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor”.

(1Jo 4,7-8).

 

Evangelho do dia 10 março terça feira 2026


10 março - Ó glorioso Patriarca São José, não te esqueças de nós, que vamos arrastando esta carne miseranda em dura terra de exílio. (L 35). São Jose Marello


Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus  18,21-35

 

"Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou:
- Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?
- Não! - respondeu Jesus. - Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu fazer um acerto de contas com os seus empregados. Logo no começo trouxeram um que lhe devia milhões de moedas de prata. Mas o empregado não tinha dinheiro para pagar. Então, para pagar a dívida, o seu patrão, o rei, ordenou que fossem vendidos como escravos o empregado, a sua esposa e os seus filhos e que fosse vendido também tudo o que ele possuía. Mas o empregado se ajoelhou diante do patrão e pediu: "Tenha paciência comigo, e eu pagarei tudo ao senhor."
- O patrão teve pena dele, perdoou a dívida e deixou que ele fosse embora. O empregado saiu e encontrou um dos seus companheiros de trabalho que lhe devia cem moedas de prata. Ele pegou esse companheiro pelo pescoço e começou a sacudi-lo, dizendo: "Pague o que me deve!"
- Então o seu companheiro se ajoelhou e pediu: "Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei tudo."
- Mas ele não concordou. Pelo contrário, mandou pôr o outro na cadeia até que pagasse a dívida. Quando os outros empregados viram o que havia acontecido, ficaram revoltados e foram contar tudo ao patrão. Aí o patrão chamou aquele empregado e disse: "Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você me devia. Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você."
- O patrão ficou com muita raiva e mandou o empregado para a cadeia a fim de ser castigado até que pagasse toda a dívida.
E Jesus terminou, dizendo:
- É isso o que o meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão."
  
Meditação:

No livro do Eclesiástico, escrito sob a influência da cultura grega cerca de um a dois séculos antes de Jesus, temos um texto bem inspirado sobre o perdão, que se aproxima das palavras de Jesus e cuja síntese encontramos na oração do Pai Nosso: "Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido".

O autor, Bem Sirac, mostra como o pecador, vitima da ira e do furor, é conduzida à vingança. E essa vingança se volta contra o vingativo. Por isso, o único caminho que resta é o caminho do perdão.

Aqui aparece a reciprocidade entre perdoar e obter o perdão. Não se pode aspirar ao perdão dos pecados cometidos se não houver disposição para perdoar as ofensas recebidas.

Ter o olhar fixo nos mandamentos da aliança garante a compreensão e a tolerância na vida comunitária. Como vemos, o tema do perdão, de profundo sabor evangélico, já vem sendo proposto desde o século segundo antes de Cristo.

O núcleo da passagem da carta aos Romanos consiste em proclamar que Jesus é o Senhor dos vivos e dos mortos. Há aqui uma bela síntese existencial da vida cristã. Para o fiel, o fundamental é orientar toda sua vida no horizonte do ressuscitado.

Quem vive para Jesus se esforça por assumir na vida prática sua mensagem de salvação integral. Amar o próximo e viver para o Senhor são dois aspectos intimamente ligados. Portanto, não podem estar separados. Quem vive para o Senhor, amará, compreenderá, servirá e perdoará seu próximo

As parábolas em geral são ditos breves relacionados com acontecimentos comuns da vida. As parábolas narrativas, por outro lado, caracterizam-se por uma complexidade maior, em um texto mais longo e bem detalhado.
Elas são mais encontradas em Mateus e Lucas. Têm a particularidade de, quase sempre, envolverem os personagens em uma relação de poder e submissão, característicos da sociedade opressora vigente e, pelas imagens de violência que freqüentemente usam, chegam até a chocar pelo contraste destas imagens com as propostas de mansidão e paz características do Reino.
Podemos até ver nelas, uma certa ironia implícita da sociedade na qual vigoram as relações de poder e opressão. Porém, deste terreno impróprio procura-se extrair uma mensagem positiva.
Nesta parábola de hoje, o rei resolveu ajustar contas com os servos. O ajuste seria cruel. Porém um servo que lhe devia uma quantia enorme lhe implora e ele se comove e perdoa. O servo perdoado vai e sufoca sem compaixão alguém que lhe devia uma quantia irrisória. O rei sabendo disto entrega o servo aos carrascos.

Para Jesus, o perdão não tem limites, sempre e quando o arrependimento seja sincero e verdadeiro. Para explicar esta realidade, Jesus emprega uma parábola. A pergunta do Rei centra o tema da parábola: Não devias ter perdoado como eu te perdoei?

A comunidade de Mateus deve resolver esse problema porque está afetando sua vida. O perdão é um dom, uma graça que procede do amor e da misericórdia de Deus.

Exige abrir o coração à conversão, isto é, a agir com os demais segundo os critérios de Deus e não segundo os do sistema vigente. Como diria o trovador da fraternidade Francisco de Assis, "porque é perdoando que se é perdoado".

A catequese tradicional da Igreja católica exigia cinco passos, talvez demasiado formais, para obter o perdão dos pecados: "Exame de consciência, dor pelos pecados, propósito de emenda, confissão de todos os pecados e assumir a penitencia", assim o expressava um dos catecismos clássicos. 

O perdão e a reconciliação, sendo graça de Deus, também exigem um caminho pedagógico e tangível que colocasse de manifesto o desejo de mudança e um compromisso sério para reparar o mal e evitar o dano.

Em muitos países da America Latina, durante o tempo das ditaduras militares dos anos setenta e oitenta, foram aprovadas leis de anistia e perdão, chamadas "obediência devida" ou "ponto final". Os golpistas e seus colaboradores, responsáveis pelas dezenas de milhares de mortos e desaparecidos em cada um de nossos países, se auto perdoaram, burlando a justiça e a verdade.

Porém, sem verdade e justiça, as feridas causadas pela repressão em muitos lares e comunidades ainda não fecharam. Apesar da pressão de todas das leis do silencio imposto, do ocultamento de provas... a justiça se faz caminho. Chega tarde, porém não deixa de chegar.

No dia 14 de junho de 2005, na Argentina, o Tribunal Supremo declarou nulas, por inconstitucionalidade, as leis de obediência devida e de ponto final.

No dia seguinte a Corte suprema de México declarou "não prescrito" o delito do ex-presidente Echevarria por genocídio na matança de estudantes de 1971...

Pensemos em muitos ditadores e golpistas que, apesar de tudo, estão já sendo julgados, deixando que se dê lugar à verdade e à justiça.

O perdão e a reconciliação são exigências inalienáveis do ser humano e que não podem ser detidas. É um processo de reconstrução que trata de reconstruir, tanto o que vitima como a vítima.

Nesse sentido, nossas comunidades cristãs devem ser espaços propícios e ativos a favor de uma verdadeira reconciliação baseada na justiça, na verdade, na misericórdia e no perdão. Porém, nunca o evangelho convida a tolerar a impunidade.

A Igreja, ou seja, nós, os cristãos e cristãs, devemos apoiar os processos de reconciliação pelo caminho verdadeiro: a verdade e a justiça, e não a impunidade, a reconciliação profunda da sociedade. Assim a Igreja conseguirá o perdão por seu silencio cúmplice em algumas de suas figuras hierárquicas

A conclusão é escatológica: o castigo para quem não perdoar o irmão. Mais positiva é a visão de que pertencemos a Deus e assim devemos viver e morrer para ele, unidos a Jesus. O amor e a misericórdia de Deus seduzem e atraem os corações movendo-os à conversão.

Reflexão Apostólica:

O evangelho de hoje nos faz refletir muito sobre um aspecto de nossa vida que está bastante presente no nosso dia-a-dia: O PERDÃO.
Varias vezes por dia, e com diversas pessoas, nós sentimos a necessidade de pedir perdão. Isto acontece principalmente quando nossas atitudes magoam as pessoas que amamos e/ou quando vemos nos rostos destas pessoas a tristeza que causamos.

Esse pedido de perdão nem sempre é tão simples, principalmente se temos o orgulho latente em nós e não queremos reconhecer o erro. Quando as pessoas magoadas não são as que amamos, esta atitude de humildade torna-se ainda mais difícil. 
O outro lado do perdão, ou seja, a vontade de perdoar, nem sempre é tão freqüente; já que neste último caso, possivelmente, nós fomos as pessoas magoadas da situação. Uma palavra realmente importante neste "lado do perdão" é a sinceridade.
Não há perdão, se não há a verdadeira vontade de perdoar, a verdadeira vontade de passar uma borracha na situação que passou.
Talvez, por isso, seja mais difícil e ao mesmo tempo mais valioso darmos o nosso perdão e deixarmos de lado a mágoa e o rancor. Realmente, perdoar não é uma "tarefa" fácil, mas nos purifica e nos torna pessoas melhores.
Quando Jesus fala a Pedro quantas vezes ele deve perdoar: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete", Ele sabe que esse número é infinito.
Sendo a matemática uma ciência exata, ela não poderia exprimir numericamente a quantidade, infinita, de vezes que devemos perdoar.
Por isso, Jesus em sua extrema sabedoria utiliza o número 7 que aparece diversas vezes na bíblia e é considerado um número perfeito pela teologia.
A Bíblia apresenta este número como um número "perfeito". Aquilo que Deus faz, a favor do homem, traduz-se, inúmeras vezes, na Bíblia pelo número sete).
Podemos desta forma ter a certeza que o nosso perdão não tem limite nem data ou tempo para acabar; devemos amar acima de qualquer orgulho pedindo perdão e perdoando quando necessário. Ou seja: ONTEM, HOJE E SEMPRE!

Propósito:

Ó Deus, nosso Pai e nossa Mãe: faze que descubramos a importância de saber e sentir que somos perdoados e perdoa-nos se ainda te ofendemos, faze também que saibamos perdoar de coração os que nos têm ofendido. Pai, é meu desejo imitar teu modo de agir, no tocante ao perdão. Faze-me ser pródigo e misericordioso em relação ao próximo que precisa do meu perdão.

++++

A vida é cheia de surpresas. Algumas boas e outras não. Dor, perda e sofrimento fazem parte da vida, e, a princípio, não percebemos nada de proveitoso nisso. Quando sentimos a dor, a perda e o sofrimento, toda a nossa vida é afetada. O medo surge nesses momentos. Onde se agarrar? Você se sente perdido? Existe uma solução? Existe sim! A resposta para vencer o medo é agarrar-se em Jesus. A Bíblia afirma: “As tentações que vocês têm de enfrentar são as mesmas que os outros enfrentam; mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm forças para suportar. Quando uma tentação vier, Deus dará forças a vocês para suportá-la, e assim vocês poderão sair delas” (1Coríntios 10.13). Confie nesta promessa de Deus, pois ele é fiel e quer salvar você.

Evangelho do dia 09 março segunda feira 2026


09 março -
Pediremos a Santa Teresa, a predileta de São José, que faça também de nós os seus prediletos. (L 163). São Jose Marello


Lucas 4,24-30

"Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Eu digo a vocês que, de fato, havia muitas viúvas em Israel no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e meio, e houve uma grande fome em toda aquela terra. Porém Deus não enviou Elias a nenhuma das viúvas que viviam em Israel, mas somente a uma viúva que morava em Sarepta, perto de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado. Só Naamã, o sírio, foi curado. Quando ouviram isso, todos os que estavam na sinagoga ficaram com muita raiva. Então se levantaram, arrastaram Jesus para fora da cidade e o levaram até o alto do monte onde a cidade estava construída, para o jogar dali abaixo. Mas ele passou pelo meio da multidão e foi embora."

Meditação: 

Jesus acaba de apresentar seu programa do reinado universal de Deus, gratuito e sem vinganças contra os estrangeiros; e o fez em sua terra, Nazaré, uma comunidade fanaticamente nacionalista. Ele está assumindo a mesma postura universalista de Elias e Eliseu, dos profetas que viveram oitocentos anos antes, nesta região do norte do país.
Sua memória estava viva, pela leitura que faziam a cada sábado na sinagoga e pela tradição oral que continuava nas famílias da Galiléia.

Entre a época dos profetas e a de Jesus se consolidou uma corrente do reinado de um Deus nacionalista e excludente dos estrangeiros, agravada pela ocupação das forças militares romanas. Jesus aparece apresentando Deus, que oferece uma nova etapa de misericórdia e gratidão à humanidade.
Então, aonde iam parar as ânsias de vingança tão cultivadas em Nazaré? Como não iam querer jogá-lo do penhasco? O Evangelho de Jesus continua ressonando hoje entre nós.

Nossa tentação é domesticá-lo e já não provoca escândalo. Se o deixássemos expressar em toda sua radicalidade, quantas comunidades cristãs também iam querer jogá-lo do penhasco!
Estamos na Cidade de Nazaré, o berço onde Jesus foi criado pelos seus pais. E então como fizeram em outros lugares, pôs-se a falar aos homens da cidade na sinagoga.

Apesar de maravilhados com as palavras de Jesus, esses homens não receberam a graça dos milagres de Jesus em suas vidas. Não tinham o coração aberto para receberem tais milagres, e por isso ficaram bastante furiosos quando Jesus afirmou baseado em duas passagens do Antigo Testamento, que a graça vem para aqueles que abrem o coração ao novo, à Boa Nova.
Jesus havia crescido, evoluído em corpo, alma e divindade durante os anos em que passou afastado da sua cidade. E como é revoltante quando queremos trazer algo novo para as pessoas que cresceram conosco, e elas não nos dão credibilidade.

A vontade que dá é de fazer o que Jesus fez: denunciar a falta de abertura daquelas pessoas, e seguir o caminho para outro lugar.
Talvez seja essa sua sensação diante dos seus, quando retornando a sua casa, sua rua, bairro, cidade. O seu marido, esposa, filhos, familiares e muitos de seus vizinhos, ou colegas do trabalho que acham que já lhe conhecem e por isso nada você tem para lhes ensinar, nem prestam muita atenção ao que você diz. Eles acham que você não vai ter muito o que acrescentar às suas vidas.

No fim das contas, parece ser isso mesmo, uma sensação de superioridade em relação à você, que pode até ter crescido em tamanho, mas que não pode ter se desenvolvido tanto como pessoa. É como se fosse vergonhoso aprender ou receber alguma coisa de alguém que você considera igual ou “menor” que você.
Queremos fazer sucesso no ambiente em que as pessoas nos acolhem e nos admiram, porém nem sempre somos acolhidos e admirados porque seguimos os ensinamentos de Deus. Para todos nós é difícil evangelizar às pessoas no lugar aonde todos nos conhecem.

 Assim aconteceu com Elias: num tempo de seca e fome, beneficiou uma mulher estrangeira, da terra dos sidônios. O mesmo sucedeu com Eliseu: curou da lepra um general sírio, ao passo que, em Israel, essa doença vitimava muitas pessoas.
A conclusão de Jesus foi clara: já que o povo de sua cidade insistia em não lhe dar atenção, ele sentiu-se obrigado a ir em busca de quem estivesse disposto a acolhê-lo. Aos duros de coração, no entanto, só restava o castigo.

 Às vezes não fazemos sucesso onde queríamos, mas o Senhor nos envia a alguém a quem nem imaginamos, para que por nosso meio ela possa obter cura e libertação. Por isso, como Jesus insista no anúncio, na cura e na libertação dos seus!
Por outro lado é para nós esta palavra.

 Você acompanhou o crescimento de algum sobrinho, irmão ou primo mais novo? Você não tem a sensação de que conhece tudo ou quase tudo daquela pessoa? Engano seu.
Por isso, a lição de hoje é: não se ache superior a ninguém. Esteja aberto a novas possibilidades. Não é motivo de vergonha aprender ou receber algo de uma pessoa que você considere menos experiente.

Não há nenhum pobre que não tenha nada a dar e também não há nenhum rico que não tenha nada a receber. Precisamos uns dos outros e aprender uns dos outros.
A reação dos habitantes de Nazaré, diante da pregação de Jesus, foi de aberta rejeição. Foi tal o desprezo pelas palavras do Mestre, que eles decidiram eliminá-lo lançando-o de um precipício.
É possível imaginar a decepção de Jesus, diante da rejeição de seus conterrâneos. Ele tentou compreender a situação, rememorando as experiências de profetas do passado que, rejeitados por seu povo, foram bem acolhidos pelos estrangeiros.
Longe de nós seguir o exemplo do povo de Nazaré. Jesus quer encontrar, em nós, abertura para acolhê-lo e disponibilidade para converter-nos.

 Ninguém é obrigado a aceitar este convite. Entretanto, fechar-se para Jesus significa recusar a proposta da vida, de salvação que Ele, em nome do Pai, veio nos trazer.

Reflexão Apostólica: 
Certa vez, ouvi de D. Ávila: “Pela oração vamos ao encontro de Deus e ao sermos expostos ao sofrimento, Deus vem a nosso encontro”.

Sim! Deus bem sabe a quem envia os seus profetas, no entanto, mesmo sendo Deus a enviá-los, nem sempre serão bem recebidos, ouvidos, acolhidos (…).
Levar a palavra de Deus aos irmãos requer muita coragem, pois essa mesma palavra que edifica, consola e renova a vida também pode exortar, chamar a atenção, corrigir. Falo isso, pois enquanto as pessoas ouvirem palavras de edificação, consolo ou vida não terás problemas, mas todas as vezes que o profeta levantar sua voz para denunciar, causará a revolta daqueles que vivem na penumbra.
Devemos omitir a exortação? Não!
Anunciar a Palavra é “acostumar-se” com expressões “santo de casa não faz milagres”, “quem é você”, “quem você pensa que é”, entre outras. É acostumar ouvir críticas sem fundamento, apelidos pejorativos, ofensas, perseguições, deslocamentos e projeções. É “acostumar” com a idéia de isolamento social, fofocas, “disse-me-disse”, no entanto… VALE MUITO A PENA CONTINUAR…
Deus nos manda, portanto devemos ir. Nunca disse que seria fácil. Nunca escondeu as perseguições e as dificuldades pelo caminho. Nunca disse que seria um mar de flores, (…), mas SEMPRE nos alertou.

Alertou dos falsos profetas, das noites mal dormidas, das perseguições por causa do Seu nome. Ordenou que vigiássemos e orássemos; que não pulássemos do barco; que as inconstâncias seriam passageiras (…).

Disse que pela fé caminharíamos sobre as águas, removeríamos montanhas, venceríamos o inimigo. “(…) Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. (Mt 10, 16)
Se tivermos que falar, falemos; denunciar, denunciaremos! Se pudéssemos buscar um culpado para a vida que o povo de Deus leva hoje em relação às diferenças sociais, pobres e ricos, assistidos e abandonados, teríamos muitos personagens, mas se procurássemos cúmplices teríamos de começar por nós.
Reparemos como nos comportamos. Somos bem próximos a aquele povo narrado na primeira leitura. Um povo que dificulta o trabalho de Deus!

Um povo que sabe desestimular mais que ajudar a construir; um povo que fala, mas não consegue pôr em prática. Ainda nos falta coragem em nós pra assumir que DE FATO o REINO DE DEUS É POSSÍVEL.
Você deseja o reino? Então, ponha-se a serviço! A começar em você!
Isso me fez lembrar quando dois discípulos, através de sua mãe, foram citados para ocupar um lugar de destaque perante aos outros: “(…) Jesus lhes disse: ‘Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber? Ou ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?’ Responderam: ‘Podemos’. Jesus então lhes disse: ‘Sim, do cálice que eu vou beber, bebereis, com o batismo com que eu vou ser batizado, sereis batizados. Mas o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não depende de mim; é para aqueles para quem foi preparado”. (Mc 10,38-40)
Propósito: Acolher, de coração aberto, a proposta de Jesus que vai se manifestar de diversas formas. Estar atento para perceber, em tudo que me acontecer, a presença viva do Senhor.



quarta-feira, 4 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 08 MARÇO 2026 - 3º DOMINGO DA QUARESMA


08 março - Quer seja comprido ou curto, quer seja bom ou mau o caminho, quer se enxergue ou não a meta com a vista humana, depressa ou devagar, contigo, ó José, estamos certos de que caminharemos sempre bem. (L 208). São José Marello


Jesus e a samaritana. - João 4,5-42

Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber!” Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” Jesus respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: ‘Dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva”. A mulher disse: “Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?” Jesus respondeu: “Todo o que beber desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna”. A mulher disse então a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água”. [...] A mulher disse-lhe: “Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas”. Jesus lhe disse: “Sou eu, que estou falando contigo”. Nisto chegaram os discípulos e ficaram admirados ao ver Jesus conversando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: “Que procuras?”, nem: “Por que conversas com ela?”. A mulher deixou a sua bilha e foi à cidade, dizendo às pessoas: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será ele o Cristo?” [...] Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: “Ele me disse tudo o que eu fiz”. [...]

REFLEXÃO PARA O 3º DOMINGO DA QUARESMA

 João 4,5-42 (Ano A) 08 março 2026

Com a liturgia de hoje, abre-se uma sequência de três domingos de leitura de textos do Evangelho de João. Para este domingo, o primeiro da série e o terceiro da Quaresma, o texto proposto é Jo 4,5-42, o relato do episódio do encontro e o diálogo de Jesus com a mulher samaritana, um episódio exclusivo do Quarto Evangelho. Trata-se de um dos textos mais ricos de todo o Novo Testamento, tanto do ponto de vista literário quanto teológico, considerado a obra-prima de João. Devido à sua extensão, não o comentaremos versículo por versículo; procuraremos colher a mensagem central, destacando apenas alguns versículos e dados particulares mais significativos. É um texto que corresponde muito bem aos propósitos da Quaresma, enquanto itinerário catequético e processo de descobrimento da identidade de Jesus para dar-lhe adesão decidida e convicta. Nesse texto, o evangelista João mostra, mais do que nunca, o quanto o encontro com Jesus humaniza e liberta as pessoas.

Como sempre, é imprescindível recordar o contexto, tanto literário quanto histórico, para chegarmos a uma compreensão mais adequada do texto. Do ponto de vista literário, convém recordar que o episódio contado no texto faz parte de uma série de acontecimentos importantes do início do ministério de Jesus no contexto do Quarto Evangelho, desde as bodas de Caná (Jo 2,1-22), passando pelo desmascaramento do templo, transformado em casa de comércio (Jo 2,13-21), até o encontro noturno com Nicodemos, um judeu ilustre e reto (Jo 3,1-30), culminando com o encontro, em plena luz do dia, com uma mulher sem reputação, como era aquela samaritana (Jo 4,1-42), que corresponde ao evangelho de hoje. Este episódio, portanto, é o coroamento de uma sequência de eventos significativos do Evangelho de João que visam revelar a identidade de Jesus enquanto Filho de Deus e Messias. Não pode passar despercebido o fato que essa série de eventos começa e termina tendo uma mulher como principal interlocutora de Jesus: a mãe, em Caná, e a samaritana, na Samaria. Em nenhum dos casos o nome da mulher é mencionado, porque em ambas as situações ela é personificação da comunidade, tanto num estágio já de maturidade na fé – a mãe, nas bodas de Caná – quanto num processo ainda de descoberta – o caso da samaritana.

A nível de contexto histórico, é importante recordar a rivalidade que havia entre judeus e samaritanos, como o próprio texto menciona: “De fato, os judeus não se dão com os samaritanos” (v. 9b). Essa rivalidade teve a sua origem com o cisma que dividiu o único reino de Israel em dois, ficando Samaria como capital do reino do Norte, e Jerusalém como capital do reino do Sul. Após o cisma, Jeroboão I, o primeiro rei de Israel do Norte, construiu vários santuários em seu reino, para competir com o culto do templo de Jerusalém, inclusive, proibindo que sua população se dirigisse a Jerusalém para participar das liturgias do grande templo. O culto praticado nestes santuários era, obviamente, considerado ilegítimo pelos judeus. Essa ilegitimidade se acentuou ainda mais após a invasão assíria em 722 a.C.. Ora, além de deportar parte da população local, a Assíria levou povos de suas outras colônias para repovoar a Samaria e todo o reino do Norte, constituindo assim um povo mestiço, plural e sincrético. Os povos estrangeiros levaram seus costumes e tradições para a Samaria, juntamente com suas diversas práticas cultuais (cf. 2Rs 17,24-28). Tudo isso levou os judeus a considerarem os samaritanos como impuros e heréticos. É, portanto, considerando este contexto que devemos ler o evangelho de hoje. E Jesus veio para superar esse abismo histórico-ideológico, quebrando as barreiras, abrindo comunicação, ao revelar o verdadeiro rosto de Deus.

O texto começa afirmando que “Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do poço que Jacó tinha dado ao seu filho José” (v. 5). A recordação dos patriarcas em si, já é sinal de que se trata de um local importante para o povo de Israel. É um lugar que representativo, com significado expressivo para a fé do povo. O poço possui uma rica simbologia na Bíblia; é o lugar do encontro e da renovação das forças, símbolo de vida fecunda e transformação. E o evangelista acrescenta uma informação muito importante sobre o estado em que Jesus se encontrava, para enfatizar ainda mais a importância do poço no contexto do episódio: Jesus estava “cansado da viagem” (v. 6b). Essa é a única vez que um evangelista retrata explicitamente o cansaço de Jesus, o que João faz empregando o termo grego “kekopiakos” (κεκοπιακώς) para cansado. É um dado relevante pois expressa a humanidade de Jesus em sua dimensão mais profunda: um homem cansado e sedento, embora portador de uma água viva, que ao final do episódio será reconhecido como o salvador do mundo (v. 42). Cansado e sedento, Jesus não tem medo de pedir ajuda nem de relacionar-se com as pessoas, mesmo as sem reputação, que a sociedade da época excluía. Por isso, pede de beber a uma mulher samaritana que também se encontrava no poço (v. 7), demonstrando que não estava condicionado às barreiras impostas pela sociedade e a religião. Para os padrões da época, não era aconselhável para um homem conversar com uma mulher sozinha, ainda mais com uma mulher samaritana, personagem duplamente marginalizada: primeiro, por ser mulher, numa sociedade patriarcal; segundo, por ser samaritana, uma raça de gente desprezível, como os judeus consideravam.

A sede de Jesus indica sua mais intensa humanidade. E mais: numa terra quente, em pleno meio-dia, a sede é também sinal de fragilidade, impotência. A princípio, parece ser mais pretexto para abrir um diálogo transformador com aquela mulher, como ele mesmo revela que tinha uma água viva para dar, mas é acima de tudo uma demonstração da sua humanidade (v. 10). Com isso, o evangelista revela a harmonia entre o humano e o divino na pessoa de Jesus: o homem que sente sede e pede água é o mesmo que possui uma água viva, capaz de saciar eternamente. É um paradoxo desconcertante que o evangelista João mostra com uma habilidade brilhante. À medida em que o diálogo flui, a mulher chega a reconhecer Jesus como portador de um dom de Deus, a ponto de pedir-lhe da sua água viva: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir até aqui para tirá-la” (v. 15). Quanto mais o diálogo se estende, mais Jesus ganha a confiança da mulher, levando-a à sinceridade, inclusive, reconhecendo a ilegitimidade de sua união com um esposo ilegítimo, o sexto marido, o que é imagem das diversas divindades com as quais a Samaria já entrou em relação (vv. 16-18). De fato, entre os cinco maridos anteriores daquela mulher e o da época do encontro com Jesus, os estudiosos identificam a idolatria da Samaria, associando os países dominantes e as divindades adoradas. Revelando sua identidade pecadora, a mulher demonstra também o desejo de conversão, embora a religião não lhe seja favorável, causando-lhe confusão acerca da verdadeira adoração; ela não sabe onde e nem como prestar o culto verdadeiro (vv. 19-20). Jesus se interessa cada vez mais pela causa da mulher samaritana, como se interessa pela causa de toda pessoa marginalizada; declara que não importa o lugar do culto, mas a qualidade (vv. 21-24).

Independentemente do lugar de culto que frequentasse, aquela mulher seria vítima de preconceitos e discriminações. Consciente disso, Jesus lhe indica o culto verdadeiro: a “adoração em espírito e verdade” (v. 24). Ao contrário do que muitas interpretações afirmam, essa adoração não significa um culto intimista, pessoal e sincero, mas sim um culto ao Pai que passe pelo Espírito Santo e pelo próprio Jesus, e culmina em obras de amor. O “Espírito”, aqui, é o dom de Deus, a água viva que Jesus possui e a destina à toda a humanidade, é o mesmo Espírito que ele, ressuscitado, soprará sobre os discípulos; a “verdade” é a sua própria pessoa enquanto plenitude da revelação, ou seja, de tudo o que o Pai tem a dizer à humanidade inteira. A adoração em Espírito e em verdade, portanto, é a relação nova que se inaugura entre Deus e a humanidade: não mais intermediada pela Lei e nem pelos sacerdotes dos templos, mas pelo Espírito Santo e Jesus. Esse culto é acessível a todas as pessoas, de todos os tempos e lugares, e terá como sinal de autenticidade as obras de amor geradas a partir dele.

Enquanto a mulher samaritana dava adesão a Jesus, por meio do diálogo fluente, os discípulos que já conviviam com ele há mais tempo continuavam presos à mentalidade antiga, certamente imposta pela religião, por isso, se admiraram com sua atitude dele falar com uma mulher (v. 27). Por sinal, o diálogo é a principal chave de leitura deste episódio e de toda mensagem e vida de Jesus. Enquanto Palavra eterna (Jo 1,1-18), ele veio ao mundo para o Pai dialogar com a humanidade de modo transparente, claro. E ele demonstrou isso com sua práxis, da qual o evangelho de hoje pode ser considerado uma síntese. Os discípulos ainda estavam condicionados aos preceitos da Lei e fechados ao Espírito. Andavam com Jesus, mas não tinham ainda sido saciados pela água viva que ele tinha a oferecer, certamente porque não tinham ainda tanta disponibilidade para dialogar, pois só conhece Jesus quem dialoga com ele. A samaritana dialogou, por isso conheceu e se transformou. Convicta de ter encontrado sentido para a sua vida no encontro com Jesus, a mulher toma uma atitude decisiva e fundamental: “deixou o seu cântaro e foi à cidade” (v. 28) para anunciar a experiência vivida. Deixar o cântaro significa abandonar a Lei para aderir ao Espírito e ao programa de vida de Jesus. É a passagem ao discipulado; de mulher rejeitada e excluída, ela se tornou discípula e anunciou, convidando os demais a fazerem a mesma experiência que ela tinha acabado de fazer, convencendo toda a cidade a buscarem o mesmo (v. 28-30). A fé autêntica e verdadeira é contagiante, inevitavelmente se espalha. É importante recordar que em momento algum Jesus a repreendeu pelos erros passados; levou-a a reconhecer quantos maridos teve, porém, sem incriminá-la; o resultado foi uma conversão autêntica, o que os discípulos pareciam ainda não ter experimentado, como dá a entender pela sutil advertência que Jesus lhes faz com uma pequena parábola da colheita (vv. 34-38). A colheita abundante é a fé dos samaritanos, a adesão dos que estavam distantes, confirmando que Jesus rompe barreiras e todos os muros de separação, religiosos e ideológicos, para quem se deixa encantar pela sua pessoa e a sua mensagem.

O desfecho da história é uma grande adesão causada, inicialmente, pelo testemunho da mulher (v. 39) e, em seguida, pela experiência pessoal que cada um fez (v. 42), culminando com o reconhecimento de Jesus como o Salvador do mundo. Os judeus esperavam um messias nacionalista, restaurador do reino de Israel; os samaritanos reconhecem Jesus como Salvador do mundo. São duas visões bem diferentes entre si, que revelam as diferenças entre quem permanece preso aos preceitos da Lei, sem coragem de abandonar o cântaro, ou seja, de mudar de vida, e quem reconhece a necessidade de beber da água viva que Jesus doa. Enquanto o cântaro da Lei aprisiona, a água viva que Jesus doa liberta e sacia. Os samaritanos, povo marginalizado e impuro para os judeus, proporcionam a primeira adesão comunitária à pessoa de Jesus: o testemunho da mulher contagiou a cidade inteira. Sentindo o peso da rejeição e marginalização impostas pela religião, os samaritanos acolheram o dom de Deus revelado por Jesus e destinado a todos e todas, especialmente aos mais rejeitados.

O encontro transformador de Jesus com a samaritana, portanto, deve ser parâmetro para nossa relação com ele e para todo processo de descoberta e crescimento na fé. A mulher samaritana progrediu na fé gradualmente. Inicialmente, Jesus era apenas um judeu viajante cansado e com sede, visto com suspeitas por ela, inclusive. Com a fluência do diálogo, ela foi transformando sua percepção sobre ele, chegando a reconhecê-lo como um profeta (v. 19), um homem de conhecimentos excepcionais (v. 29) e, finalmente, como o Messias. Ela fez a própria descoberta porque abriu diálogo e Jesus se deixa conhecer por quem dialogo com ele. Que a Quaresma nos ajude a encontrar Jesus e nos abra ao diálogo transformador, deixando-nos humanizar por ele.

Dia 08

Nesse momento, como está se sentindo?

Se estiver triste ou desanimado, não se esqueça de rezar.

Uma pessoa deprimida, mas otimista, melhora mais rápido que uma depressiva e sem esperanças.

Quem pensa e age com pessimismo agrava ainda mais sua enfermidade.

Em suas orações, peça que Deus remova de sua mente as atitudes causadoras de depressão e pessimismo.

Nada lhe é impossível.

Confie sempre em Deus!

Ele tudo pode e quer curá-lo!

Entregue-se a ele e dedique um pouco do seu tempo aos irmãos.

“Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: ´Coragem, filha! A tua fé te salvou´.

E a mulher ficou curada a partir daquele instante”. (Mt 9,22).

 


Evangelho do dia 07 março sábado 2026


07 março - Confiemo-nos ao glorioso São José, guia e mestre da vida espiritual, modelo inalcançável de vida interior e escondida. (S 226). São Jose Marello


Lucas 15,1-3.11-32

Naquele tempo, os publi­canos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queira matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome’. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”’  
Meditação:

Este Evangelho narrado por Lucas, conhecido como “parábola do filho pródigo”, poderia muito bem ser denominado “parábola do pai misericordioso”. Nele temos a revelação do Deus de Jesus que a todos acolhe em seu infinito amor. Respeita plenamente a liberdade de seus filhos e está com o coração aberto para acolhê-los a qualquer momento, sem censuras, independentemente de sua história passada.

Este é o nosso Deus de quem nós devemos aprender todos os dias e horas. Diferencia-se do deus dos escribas e fariseus, que castiga os que dele se afastam, impondo-lhes variados sofrimentos; e, se há arrependimento, reata sua aliança sob ameaças.

É por seu amor misericordioso que o Deus de Jesus move à conversão e ao reencontro com a vida plena. Assim a parábola do Pai Misericordioso vai mostrar como Deus pai age diante do filho pecador. A situação que relata é absolutamente real e facilmente encontrável em qualquer família humana.

O movimento desta parábola é simples: apresentação dos personagens, atitude do filho menor, atitude do pai diante do filho perdido, atitude do filho mais velho.

Como se vê, as três primeiras cenas são paralelas às atitudes do pastor e da mulher diante do objeto perdido, a novidade vê da atitude do filho mais velho.

Certamente a parábola reflete a atitude dos fariseus e escribas diante dos pecadores. Não deixa de ser interessante a linguagem da refeição na parábola, o que nos lembra o contexto: "houve fome" (v. 14), desejava comer vagens (v. 16), os empregados do pai "têm pão em abundancia" (v. 17), o pai manda "matar um novilho gordo: comamos e bebamos, vamos fazer uma festa" (v. 23), "nunca me deste um cabrito para uma festa com meus amigos", queixa-se o irmão mais velho (v. 29) e esclarece "este teu filho que gastou todos os teus bens com prostitutas".

Como se vê, há um contraste entre os personagens em relação a uma mesma situação: o filho irmão menor. Como em outras parábolas de dois personagens, talvez o título deveria refletir estas duas atitudes mais que remeter ao "filho pródigo".

Por outra parte, ocupa-se em mostrar a queda profunda do filho mais novo com uma série de elementos muito críticos para qualquer judeu: "país distante", "vida libertina/prostitutas", "passar necessidade", "cuidar de porcos", não lhe dão sequer vagens para se alimentar, que é comida preferencialmente de animais (deveria roubá-las?), a ponto de pretender voltar "a seu pai" como um assalariado.

É preciso prestar atenção em palavras como "não mereço" (vv. 19.21) e "é bom/convém" (v. 32). Descobrindo sua miséria, o filho parte "de seu pai" (não diz de sua casa, ainda que se suponha "pros" (vv. 18.20), o filho mais velho é quem não entra "em casa" (v. 25).

O movimento de partida e regresso do filho é semelhante ao perder-encontrar e mais ainda à morte-ressurreição, com este paralelismo termina a intervenção do pai que volta a repetir-se ao intervir junto ao filho mais velho.

O filho mais novo preparou um discurso, porém o pai não lhe permite terminá-lo. O pai transborda em generosidade e iniciativa: não somente corre ao encontro do filho ao vê-lo ao longe, mas lhe devolve a filiação que havia "perdido": isso significa o anel (selo), as sandálias, e a melhor veste, tratamento digno de um hóspede de honra. A alegria do pai fica refletida ainda, na festa por "este meu filho".

O irmão mais velho, que retorna depois de cumprir com suas responsabilidades de filho, não quer ingressar na casa e participar da festa. Novamente o pai sai ao encontro do filho e aí escuta a reprovação. O filho mais velho se recusa a reconhecê-lo como irmão ("esse teu filho"), ao que o pai lhe recorda ("este teu irmão").

O pai não lhe nega a razão pelo fato de o filho mais velho "jamais ter desobedecido a uma ordem"; é um "sempre fiel", alguém que "está sempre com o pai" e tudo que é seu lhe pertence, porém o pai quer ir mais além da dinâmica da justiça: o filho mais novo "não merece", porém "é bom" festejar. A misericórdia supõe adiantar-se em relação aos outros.

Os pecadores, por serem tais, não merecem, porém o amor é sempre gratuito e vai mais além dos merecimentos, olha o caído. Os fariseus e escribas são modelos de grupos "sempre fiéis", porém, sua negativa em receber os irmãos que "estavam mortos" e voltam à vida, pode deixá-los do lado de fora da casa e da festa. Os mais velhos também podem sair de casa, se não imitam a atitude do pai, ou podem ingressar e festejar se são capazes de receber os pecadores e comer com eles.

Em nossa vida cristã, costumamos transitar entre caricaturas de Deus; seja pelo que acreditamos, pelo que mostramos ou por aquilo que nos ensinaram. Seja um Deus bonachão, um vingador que a uma falha nossa nos castiga, um distraído ou esquecido das coisas dos humanos aos quais criou "faz tanto tempo", um "pai" autoritário e caprichoso que decide arbitrariamente e não permite discussões na realização de sua vontade. Como é nosso Deus?

É importante saber como é o Deus no qual acreditamos, porém mais importante é saber como é o Deus no qual Jesus acreditou e como é o Deus que ele nos revelou. Como sempre, Jesus nos fala de Deus, não somente com palavras, mas também com o agir. Agindo, Jesus nos mostra a verdadeira face de Deus Pai.

Hoje Jesus nos conta uma parábola, que nos fala de Deus. É uma parábola que nasce de uma atitude de Jesus. Ela quer nos ensinar que, diante dos irmãos desprezados, podemos agir de duas maneiras diferentes: como Deus, que é também uma obra de Jesus, ou também como os judeus religiosos, os "separados" do resto, os puros.

O pecado é o amor-não-praticado e por isso nos distancia de Deus, que é amor; separa-nos da casa paterna. Porém, com seu amor, que continua sendo derramado, e de um modo preferencial pelos pecadores, Deus continua estendendo constantemente sua mão amiga, à espera da volta de seus filhos.

Nós, com nossa freqüente caricaturização de Deus, costumamos rejeitar, julgar e condenar os considerados pecadores. Nós, como Jesus, com nossas atitudes também mostramos o Deus no qual acreditamos; porém, diferentemente de Jesus, também mostramos um Deus que em nada se assemelha ao Eterno Buscador de Filhos Perdidos.

O Jesus que ama e prefere os pecadores, e come com eles, não faz outra coisa que conhecer a vontade do Pai e realizá-la concretamente: partilhada sua mesa, seu alimento nos fala claramente de Deus!

No comportamento de Jesus se manifesta o comportamento de Deus. Jesus mesmo é parábola vivente de Deus: sua ação se transforma assim em uma revelação. Que Deus, que Igreja, que ser humano revelamos com nossa vida?

Com freqüência, como irmãos mais velhos, nos sentimos tão orgulhosos de não ter abandonado a casa do pai, que acreditamos saber mais que o próprio Deus: Deus se torna "injusto" diante da nossa "justiça"; Deus é "de pouco caráter" para nossa imensa sabedoria. Quem sabe, Deus já esteja velho, para dedicar-se à sua tarefa e deveria aposentar-se e deixar-nos.

Diante de tanta gente que rejeita a Igreja ("creio em Deus, mas não na Igreja"); às vezes admitimos: "Deus sim quer a Igreja". É o caso de nos questionar: que Igreja é a que ele quer? Nós mostramos, com nossas atitudes, em que Igreja acreditamos? Esta Igreja, a que nós mostramos é a Igreja que Deus quer? Jesus, com sua vida, e até na forma de se alimentar, mostra o verdadeiro rosto de Deus.

Talvez devamos, de uma vez por todas assumir nosso papel: deixar nossa atitude de filho mais velho e, já que é tão difícil fazer o papel de Deus, deveríamos assumir o papel de filho mais novo; é hora de voltar para Deus, para enchê-lo de alegria, para participar de sua festa; e, participando de sua alegria comecemos a mostrar o rosto misericordioso deste Deus que está sempre de braços abertos para nos acolher. A mesma cena eucarística é expressão da universalidade do amor de Deus: é alimento para o perdão dos pecados.

O Deus da misericórdia não quer ninguém excluído de sua mesa, da mesa da vida; mais ainda, quer convidar especialmente a todos aqueles que são excluídos das mesas dos homens por sua situação social, por sua pobreza, por seu sexo ou por qualquer outro motivo; e vai mais longe, não vê com bons olhos os que acreditam participar de sua mesa, mas excluem de sua mesa os seus irmãos por serem pobres.

O Deus que não faz distinção de pessoas, ama diletamente os menos amados. Contudo, muitas vezes tomamos a atitude do irmão mais velho. Quando é que vamos sentar à mesa dos pobres e abandonar nossa tradicional postura de soberba e divisão de "bons cristãos"?

Quando é que vamos participar da festa de Deus reconhecendo como irmãos os rejeitados e desprezados? Jesus nos convida à sua mesa, uma mesa na qual mostramos, como em uma parábola, como é o Deus, como é a fraternidade nos quais acreditamos. E vamos mostrar que somos irmãos, que somos filhos, na medida da nossa participação da alegria do pai e do reencontro com os irmãos.

Reflexão Apostólica:

Com esta parábola, Jesus faz apelo supremo para que os doutores da Lei e os fariseus aceitem partilhar da alegria de Deus pela volta dos pecadores à dignidade da vida.

Os fariseus e escribas procuram condenar Jesus, escandalizados pela familiaridade com que trata pecadores e publicanos. Estes descobriram em Jesus um caminho de conversão. Alguém finalmente compreendeu sua história e as razões pelas quais viviam em pecado. Isto os tocou, profundamente; agora seguem a Jesus tentando uma profunda mudança de vida

A parábola confronta os que vivem sujeitos à Lei e aos ritos, com os que decidiram voltar à casa do Pai. Este continua com os braços abertos para receber com amor a todos os que decidirem converter-se; quando: desejarem fazê-lo, ou quando suas histórias pessoais os tenham tocado profundamente.
Pensando sobre esta parábola em uma comunidade de base, uma senhora perguntou: “onde estava a mãe do garoto?” E outra contestou: “Rezando para que seu filho voltasse são e salvo”. Nesta parábola é onde Jesus melhor apresenta o Deus Pai-Mãe. Tem dois filhos diferentes e os ama imensamente aos dois. Não quer escolher entre eles.
São eles que devem crer em tanto amor e gratuidade e aceitar-se mutuamente como irmãos. Ambos devem aprender do Pai-Mãe que o amor não faz cálculos mesquinhos, mas que cresce na gratuidade e na aceitação dos outros tal como são. O filho mais velho é reflexo dos fariseus, mesquinhos e calculistas.
O filho menor se assemelha aos pecadores que Jesus está recebendo em sua comunidade. Os fariseus o criticam e se negam a entrar na festa do Reino para não se juntar a eles. Não crêem na capacidade dos demais de arrependerem-se e voltar a amar. No fundo deixaram de crer na capacidade de amar que tem o Pai-Mãe revelado por Jesus. A qual dos três personagens nos assemelhamos mais?
Contemplemos nossa vida pessoal, familiar e comunitária à luz do Evangelho, para reconhecer com humildade nossas limitações e avaliar como tem sido nosso processo de aproximação ou de distanciamento da casa do Pai.
Esta parábola nos leva a refletir na nossa condição de filhos e filhas de Deus, que temos à nossa disposição alimento com fartura para saciar a nossa fome de felicidade e, no entanto, nos apossamos de uma falsa liberdade que nos impulsiona a ir buscar no mundo a mesma comida que os “porcos comem”.
Erroneamente, nós achamos que o Pai quer ter conosco uma relação de patrão e empregado e não percebemos que Ele põe ao nosso alcance, a todo o momento, a nossa herança para que possamos usufruí-la de uma maneira que nos faça desfrutar a vida e ser feliz.
Nós, porém, queremos a nossa parte como se fosse um salário que apenas serve para comprar coisas que não têm serventia e que alimentam exclusivamente os desejos da nossa humanidade. E, se arrependidos pensamos em voltar também achamos que seremos recebidos como um empregado que regressa acabrunhado sem direito nenhum, para somente receber um prato de comida. Jesus nos dá uma demonstração de como é a mentalidade de Deus.
O Pai sempre sente compaixão pelo filho que se arrepende. O processo da volta começa com o arrependimento. Quando nos afastamos de Deus querendo ser donos da nossa vida desejando ter “liberdade” para viver sem restrições e fazer o que nos dá na telha, nós sofremos as conseqüências.
Há um momento em que nos sentimos perdidos, afundados na lama, famintos e humilhados. O Pai nos espera! Podemos voltar! Ele nos receberá, porém precisamos estar arrependidos e humildes, sem razões e justificativas para que o perdão realmente aconteça e faça sentido para nós. Quem não se arrepende não precisa ser perdoado.
Às vezes nós somos o filho mais velho que não compreende o porquê da misericórdia de Deus para com os pecadores. Vivemos na casa de Deus como hóspede que não se sente à vontade nem se acha com livre-arbítrio de provar de tudo que o Pai põe ao seu dispor. E quando retorna o “filho pródigo”, nós também não compreendemos a compaixão que o Pai tem para com ele e queremos que Deus faça tudo de acordo com a nossa “justiça” que é injusta. O Pai, porém, quer colocar à disposição de todos, igualmente, a herança que Ele nos destinou: a nossa salvação.

Você já experimentou voltar para Deus arrependido e humilhado? Como você se sentiu? Quando você erra volta-se pra Deus com o coração de filho (a) ou de empregado (a)? Qual a diferença entre ser filho (o) e ser empregado (a)? Você acha que o filho mais velho se comportou com a mentalidade de filho ou de empregado?

Propósito:

Pai, coloca-me no caminho da vida, banindo todo egoísmo que me afasta de ti, e não permitindo que eu jamais duvide de teu amor.

Dia 07

“É dando que se recebe.”

Os bens e riquezas acumulados na Terra para nada servirão após a morte; o que se leva da vida é a riqueza espiritual de cada um e o aprimoramento rumo à perfeição.

Você é convidado a repartir seus bens com os irmãos menos favorecidos, praticando, assim, a caridade, o segundo maior mandamento dado por Deus.

No entanto, evite anunciar suas boas ações aos quatro ventos.

“Não saiba a tua mão direita o que fez a mão esquerda” (cf Mt 6,3).

Deus, que tudo vê, tudo ouve e tudo sabe, vai acolher seus gestos.

As obras realizadas ensinam mais que milhares de palavras.

“O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei”. (Rm 13,10).

 


Evangelho do dia 12 março quinta feira 2026

12 março - Tu, ó José, ensina-nos, assiste-nos, torna-nos membros dignos da Sagrada Família. (L 35).  São Jose Marello Lucas 11,14-23 ...