terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Evangelho do dia 13 fevereiro sexta feira 2026


13 fevereiro - Renovemos o espírito a cada instante e repousemos na misericórdia de Deus, que absorve todas as fraquezas da nossa natureza doentia. (L 19). São José Marello


Leitura do santo Evangelho segundo São Marcos 7,31-37

"Jesus saiu da região que fica perto da cidade de Tiro, passou por Sidom e pela região das Dez Cidades e chegou ao lago da Galiléia. Algumas pessoas trouxeram um homem que era surdo e quase não podia falar e pediram a Jesus que pusesse a mão sobre ele. Jesus o tirou do meio da multidão e pôs os dedos nos ouvidos dele. Em seguida cuspiu e colocou um pouco da saliva na língua do homem. Depois olhou para o céu, deu um suspiro profundo e disse ao homem:
- "Efatá!" (Isto quer dizer: "Abra-se!")
E naquele momento os ouvidos do homem se abriram, a sua língua se soltou, e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus ordenou a todos que não contassem para ninguém o que tinha acontecido; porém, quanto mais ele ordenava, mais eles falavam do que havia acontecido. E todas as pessoas que o ouviam ficavam muito admiradas e diziam:
- Tudo o que faz ele faz bem; ele até mesmo faz com que os surdos ouçam e os mudos falem!

Meditação: 

Na tradição profética, a menção aos cegos que vêem, surdos que ouvem, mudos que falam, aleijados que pulam, "águas vão correr no deserto... e o seco vai se encher de minas d'água", é uma simbologia literária que indica uma nova situação do povo que é erguido de sua exclusão e de seu abatimento e recupera sua dignidade, com novo ânimo de vida.
Com este mesmo caráter simbólico teriam sido elaboradas as diversas narrativas de cura encontradas nos evangelhos. Não são transformações milagrosas, mas resultam do empenho em promover a vida, restaurando a justiça e a paz no mundo.
O Evangelho nos relata a história de um homem que não ouvia, por isso, falava com dificuldade. Quando o apresentaram a Jesus para que Ele lhe impusesse as mãos, a primeira coisa que Jesus fez foi afastá-lo para fora da multidão.
Jesus teve condições de colocar os dedos nos seus ouvidos e tocar a língua daquele homem com a sua saliva. Depois que os ouvidos daquele homem se abriram a sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade, diz a Palavra.
Nós também somos como esse homem que quase não conseguimos falar e expressar as nossas ideias porque também não conseguimos ouvir Jesus.
Não conseguimos falar nem entender as coisas de Deus porque não costumamos ouvi-Lo nem nos deixamos ser tocados por Ele, uma vez que vivemos, no meio da multidão, mas às voltas com os nossos problemas, nossos interesses, nossos planos e, na verdade, não sabemos nem expressar o que queremos e desejamos.
A nossa surdez também nos impede de nos comunicar uns com os outros e entramos no mutismo, nós conosco mesmos, não conseguimos interagir. Jesus quer nos tirar do meio do burburinho do mundo, abrir os nossos ouvidos espirituais e dar livre acesso ao Espírito Santo que é quem sopra nos nossos ouvidos as mensagens de Deus para nossa vida e para aqueles a quem queremos ajudar.
Ele deseja nos levar para um lugar onde possamos escutá-lo, onde Ele possa nos tocar e nos fazer sentir o Seu amor, a Sua essência.

Como aquele homem nós também precisamos nos afastar com Jesus do meio da multidão e ter um encontro e uma experiência pessoal com Ele por meio da Sua Palavra.

Um coração surdo à voz de Deus é um coração que não sabe se expressar, não sabe contagiar, não sabe atrair as pessoas, não sabe dialogar e será sempre alguém de poucos amigos.
Alguém que não pode ajudar nem aconselhar ninguém ou dizer alguma palavra de conforto àqueles que necessitam. Depois desse encontro, então, tornar-se-á mais fácil para nós soltarmos nossa língua a fim de divulgar as coisas que o Senhor tem feito bem na nossa vida. “Efatá”, (Abre-te), é a palavra chave que Jesus ordena aos nossos ouvidos e boca espirituais.
Só conseguiremos deixar de ser mudos quando deixarmos de ser surdos à Palavra de Deus que são os ensinamentos de Jesus.
Você é alguém que escuta mais a multidão ou que sabe escutar mais a Deus? O que a sua boca tem falado mais: de Deus ou dos homens? Você precisa ser tocado por Jesus em relação a isso? Jesus já tocou os seus ouvidos ou você continua no meio da multidão daqueles que não “ouvem”, por isso, não entendem a Palavra de Deus? Você acha que não fala em nome de Deus porque você é tímido (a) ou porque você não para pra escutar o que Ele tem a lhe dizer?

Reflexão Apostólica:

Interessante perceber que Jesus se encontrava em território pagão, ou seja, de pessoa excluídas, marginalizadas pelos Romanos, pelos sacerdotes, enfim, pela sociedade em geral, mas isto não O impede de realizar curas, de ensinar, porque o que importa na verdade é a fé das pessoas que Jesus encontrava, afinal a cura só é possível para quem acredita verdadeiramente que pode ser curado.
Bastou uma palavra para que isto acontecessem: "Efatá!" que quer dizer: "Abra-se!". E como podemos levar isso pra nossa vida!

Quantos de nós ainda têm o coração fechado, os olhos, a mente, os ouvidos? E mesmo assim, exigimos, pedimos, gritamos pela voz de Deus, pelas curas, pelos milagres, mas se quer acreditamos que isto pode ser possível. Simplesmente estamos fechados para Ele.

Hoje, Cristo vem humildemente pedir; ABRA-SE. Para o Amor, para o serviço, para o perdão. Abra seu coração para que Ele possa entrar e fazer as maravilhas que somente Jesus é capaz.
Nosso coração é Sacrário inviolável, mas muitas vezes nos trancamos de uma forma que não conseguimos perceber a ação de Deus na nossa vida, mas hoje Ele diz: ABRA-SE. Porque se você deixar, tudo que desejas vai acontecer se for para seu bem, se for para sua salvação.
Peçamos a graça de não nos fecharmos em nossos mundos, alheios aos nossos irmãos, como se não fosse de "nossa conta". Estamos no mundo, mas não somos do mundo, devemos cuidar para que este pedaço de terra seja um céu para todos. E principalmente, que Deus nos dê a graça de termos o coração, olhos, ouvidos, mentes abertos para Seu Imenso Amor.

Propósito:

Reconhecer nas pessoas com quem me relaciono a ação criadora e libertadora de Deus. 
Dia 13

Inicie as atividades com o pensamento voltado para Deus, que é bom, que é Pai, princípio e fim de todas as coisas.

A cada minuto do dia, confie seus atos a ele.

Não tenha medo da derrota, das enfermidades, dos inimigos, de tentar algo novo, de viver novas emoções, dos obstáculos e do amanhã.

Nada vai atingi-lo, nem o fazer desanimar se a beleza da vida, o amor, a força do bem e a paz de Deus estiverem com você.

Não tenha medo do amanhã!

O ontem não mais existe e o hoje deve ser vivido plenamente na presença de Deus.

“Quando te invoco, responde-me, ó meu Deus... na angústia liberta-me; tem piedade de mim e ouve minha oração.” (Sl 4,2).

 


Evangelho do dia 12 fevereiro quinta feira 2026


12 fev - A todo instante encontramos de que nos humilhar, a todo instante sentimos agravar- se o nosso mal de origem... Ousaremos, por acaso, levantar ainda com ridícula altivez a nossa cabeça orgulhosa? Por que não confessar, ao contrário, as nossas fraquezas? (L 8). São Jose Marello


Marcos 7,24-30

Jesus saiu dali e foi para a região que fica perto da cidade de Tiro. Ele entrou numa casa e não queria que soubessem que estava ali, mas não pôde se esconder. Certa mulher, que tinha uma filha que estava dominada por um espírito mau, ouviu falar a respeito de Jesus. Ela veio e se ajoelhou aos pés dele. Era estrangeira, de nacionalidade siro-fenícia, e pediu que Jesus expulsasse da sua filha o demônio. Mas Jesus lhe disse:
- Deixe que os filhos comam primeiro. Não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo para os cachorros.
- Mas, senhor, - respondeu a mulher - até mesmo os cachorrinhos que ficam debaixo da mesa comem as migalhas de pão que as crianças deixam cair.
Jesus disse:
- Por causa dessa resposta você pode voltar para casa; o demônio já saiu da sua filha.
Quando a mulher voltou para casa, encontrou a criança deitada na cama; de fato, o demônio tinha saído dela. 

Meditação:

Os destinatários do evangelho de Marcos são, em sua maioria, comunidades pagãs, por isso o autor se empenha em mostrar a fé firme e simples daqueles que não são judeus. A mulher que recorre a Jesus representa toda essa comunidade que não seria herdeira direta da salvação de Deus. Ela deveria contentar-se com as “migalhas”, pois a promessa de Deus era unicamente para o povo judeu.

Jesus, em um primeiro momento, assume esta maneira de compreender a salvação. Entretanto, a mulher Cananéia, graças à sua fé sincera e forte, faz com que Jesus realize sinais de salvação em terras pagãs. É importante a confissão de fé dessa mulher. Ela chama Jesus de “Senhor”, reconhece-o como salvador.

A salvação trazida por Jesus não é privilégio de um povo determinado, mas é para todos os que acreditam nele e na sua missão, mesmo que sejam considerados como cães, isto é, estrangeiros. Não é mais a raça e o sangue que unem as pessoas a Deus, mas a fé em Jesus e no mundo novo e transformado que ele desperta.

A mulher, protagonista do evangelho, representa uma síntese de todas as marginalizações possíveis. Antes de tudo é mulher, desde o ponto de vista religioso é pagã, não aparece um homem que a represente, é estrangeira e tem uma filha enferma, só falta falarmos que também era pobre e viúva. O quadro é completo no sentido de uma leitura a partir dos marginalizados. E nesse contexto nos encontramos com Jesus, que se o analisarmos, bem nos parecerá um pouco estranho.
Está buscando privacidade para afastar-se da multidão, só quer trabalhar primeiro pelos seus, os de seu povo e, ademais, é grosseiro no trato com a mulher, não tem receio em comparar os que não são judeus com os cães, beirando ao complexo de superioridade.

Vemos um Jesus muito humano, quase "limitadamente humano" nesta história. Mas a resposta astuta desta mulher o deixa sem outra opção a não ser conceder-lhe o milagre solicitado em favor da sua filha.

A mulher aceita a resposta de Jesus, mas a discute reivindicando o direito dos cachorrinhos de comer, ainda que migalhas. Ela se conforma com as migalhas.
Aquela mulher humilde denuncia, de uma maneira sutil, os preconceitos de Jesus e reclama seus direitos. E o faz com sua palavra, porque não fica calada diante da negativa de Jesus.

Aquela mulher evangelizou e deu uma lição a Jesus: a situação social não pode ser obstáculo para fazer o bem a quem necessita. E Jesus aprendeu e foi capaz de mudar, foi seu processo de mudança e conversão. Também nisso temos Jesus como modelo.

O exemplo de fé da mulher pagã nos leva a refletir sobre o tamanho da nossa confiança de cristãos e cristãs, batizados (as) na força e no poder do Espírito Santo.

Jesus admirou-se com a fé daquela mulher que se ajoelhara aos seus pés pedindo simples migalhas para a sua filha doente. A sua fé era tamanha que ela não se importava de ficar com o que sobrasse dos outros para a sua filha.

Ser filho de Deus e irmão de Jesus Cristo, pela Fé, nos credencia a que, mesmo reconhecendo a nossa fraqueza e a nossa impotência nós nos apoderemos de tudo quanto Ele veio nos trazer, isto é, vida e santidade.

Jesus veio nos dar tudo, mas às vezes, nós vivemos à espera apenas de migalhas. Jesus fez um teste com aquela mulher: na verdade Ele queria dar a ela a vida plena, mas ela estava se contentando apenas com a cura da sua filha.

Muitas vezes também nós nos bitolamos nos pequenos pedidos quando Ele nos quer dar muito mais. Porém, precisamos estar conscientes de que não necessitamos ter a atenção de Jesus voltada somente para nós e os nossos problemas pessoais.

Muitas vezes, porque estamos servindo a Deus, ou porque oramos muito, nós queremos a atenção Dele só para nós. Desconfiamos quando a oração não é feita somente pelas nossas necessidades, queremos prioridade, exigimos muito, quando Deus pode fazer grandes coisas em nós somente pela nossa fé e confiança Nele. Aquela mulher não era de dentro da “Igreja”, mas sua súplica foi atendida por causa da sua humildade e fé no poder de Jesus.

O que você tem suplicado a Jesus para a sua vida? Você se contenta com as migalhas que sobrarem para você na obra de Deus? Será que Ele não pode dar a você muito mais ainda? Reveja agora os pedidos que você tem feito ao Senhor!  

Reflexão Apostólica:

Com esta narrativa Marcos dá início a uma série de episódios em territórios gentílicos, região de Tiro, depois Decápolis e Betsáida, inserindo também uma narrativa da partilha do pão entre os gentios. Nestas regiões fica manifesta a acolhida de Jesus pelas populações locais. Fica assim bem caracterizada a dimensão universal da encarnação como a comunicação da vida divina a todos os povos e nações.

Aqui, com a linguagem e o estilo do evangelista Marcos, percebe-se como a confiança e a humildade da mulher siro-fenícia moveu Jesus a atendê-la. Jesus liberta não somente os corpos adoentados pela situação de exclusão mas também o espírito submisso às falsas ideologias dos opressores. A humanidade de Jesus é solidária e partilhada com a nossa humanidade. Deus respeita e acolhe nossas iniciativas humildes a favor da vida.

A intenção de Marcos é clara: também os pagãos têm direito ao pão da salvação, porque também eles se beneficiam da piedade do Senhor. A intenção de Marcos é exortar a comunidade eclesial a abrir as portas ao mundo, pois a mensagem de salvação é para todos, sem exclusão.

Até o momento de seu encontro com a mulher pagã, provavelmente Jesus não tinha ainda plena consciência de sua missão universal: como judeu que era, seguia ainda as normas da educação e instrução de seus compatriotas.

Foi preciso o aparecimento inesperado (mais inesperado, por certo, na versão de Mateus que na de Marcos) de uma pagã, para impulsionar Jesus a abrir o horizonte da consciência que tinha de sua missão e incorporar à sua função uma perspectiva verdadeiramente missionária.

Seria necessária uma circunstância aparentemente casual para que o apóstolo Pedro se decidisse, por sua vez, na pessoa do pagão Cornélio, a sair do reduzido círculo da simples presidência da comunidade judeo-cristã para chegar até os pagãos.

Fatos como o da cananeia e o de Cornélio manifestam que a missão não é tão-somente centrífuga: a vocação missionária não procede de um apego à propaganda ou à difusão, mas do encontro entre o cristão e o incrédulo, entre a Igreja e o mundo; da acolhida que os primeiros dispensam aos segundos, e da atitude de escuta em que se colocam para receber antes de dar.

A cananéia manifesta fé, diferente de outras pessoas que viam nele um fazedor de milagres. A mulher conseguiu ver em Jesus alguém que verdadeiramente pode trazer a salvação.

Ela foi sincera e breve. O momento não era para usar muitas palavras, mas para dizer apenas a razão que a levara à presença de Jesus.
“Não é pelo muito falar qie somos ouvidos” (Mat. 6:7). O publicano que Jesus citou como exemplo, também fez uma oração curta: “Ó Deus, sê propício a mim pecador”. (Lucas 18:13). E foi justificado, não pela quantidade de palavras, mas pela sinceridade.
Foi humilde. O evangelista Marco declara que ela se prostrou aos pés de Jesus. Ela estava em público e não se importou com os que a presenciavam naquele seu gesto de tão profunda humildade.
Foi fervorosa. A mulher cananéia fez a súplica com fé, com a certeza de que Jesus podia todas as coisas e não deixaria de atender aos rogos de uma mãe que desejava ardentemente a cura de sua filha. A ciência médica é impotente para expelir demônios, mas onde termina o limite humano, começa a ação sobrenatural de Deus na vida dele. Ela sabia que só Jesus poderia valer-lhe naquela situação.
Ela foi modesta. Limitou-se a pedir a Jesus o que mais necessitava naquele momento. Nenhuma outra coisa a preocupava mais que a cura de sua filha.
Foi reverente, quando usou a expressão “Filho de Davi”, chamando-o de Rei.
Ela creu. Essa expressão, que talvez pra nós não diga nada, mas para o contexto dela (em que todos esperavam a chegado do Messias) estava dizendo: “eu creio que Tu és o Messias, filho de Davi, enviado por Deus, e que tens poder para libertar minha filha”.
Mostrou conhecer a misericórdia divina. Reconheceu seu Demérito, mas confiou nos méritos de Cristo Jesus, quando disse: “Tem misericórdia de mim”.
Foi perseverante. Não obstante o aparente desinteresse do Mestre pelo seu pedido, ela insistiu, permaneceu perseverante, crendo que seria atendida. Ficamos pensando porque Jesus não a atendeu logo?
Será porque era gentia? Não! É porque a conhecendo profundamente, quis dar-lhe a oportunidade de publicamente revelar sua grande fé, no imenso poder dele, para que hoje nos servisse de lição.
Quando Cristo lhe disse: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-los aos cachorrinhos”, ela disse: “...mas os cachorrinhos também come das migalhas que caem da mesa de seu Senhor”. Diante disso Jesus disse: “Ó mulher, grande é a tua fé. Faça-se contigo como queres”. A bíblia diz que desde aquele momento a filha dela ficou sã.

Será que temos esses predicados da mulher Cananéia? Peçamos agora ao Senhor que nos ajude através de Seu Santo Espírito.

Propósito:

Pai, cria em meu coração uma fé profunda como a da mulher pagã que demonstrou total confiança em Jesus. Por isso, foi atendida por ele.

Dia 12

Diariamente, você é convidado a trabalhar seu interior, vencendo, aos poucos, as paixões que, algumas vezes, atrapalham o crescimento pessoal.

Observe um diamante para constatar o quanto foi burilado até chegar à forma tão bela.

Do mesmo modo, se dominar seus impulsos e se orientar para o bem,

você vai se tornar forte.

A pessoa de caráter tem autodomínio e equilibra as reações.

As provações diárias fortalecem as pessoas no caminho do bem.

“Mas Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora faz saber à humanidade que todos, em todo lugar, devem converter-se.” (At 17,30).

 


domingo, 8 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DIA 11 FEVEREIRO QUARTA FEIRA 2026 - NOSSA SENHORA DE LOURDES - PADROEIRA DE APUCARANA - PARANÁ

 


11 fevereiro - - Nossa Senhora de Lourdes.

A humildade de Maria Santíssima é quase infinita e não podemos sequer imaginá-la. Ela se rebaixou tanto na humildade que só um Deus feito homem pode superá-la. E, depois de Jesus Cristo, a criatura mais humilde foi certamente Maria. (S 358). São Jose Marello


Marcos 7,14-23
"Jesus chamou outra vez a multidão e disse:
- Escutem todos o que eu vou dizer e entendam! Tudo o que vem de fora e entra numa pessoa não faz com que ela fique impura, mas o que sai de dentro, isto é, do coração da pessoa, é que faz com que ela fique impura. [Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam.]
Quando Jesus se afastou da multidão e entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram o que queria dizer essa comparação. Então ele disse:
- Vocês são como os outros; não entendem nada! Aquilo que entra pela boca da pessoa não pode fazê-la ficar impura, porque não vai para o coração, mas para o estômago, e depois sai do corpo.
Com isso Jesus quis dizer que todos os tipos de alimento podem ser comidos.
Ele continuou:
- O que sai da pessoa é o que a faz ficar impura. Porque é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, as imoralidades, a inveja, a calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas consequências. Tudo isso vem de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras."

Meditação:

Os escribas e fariseus vindos de Jerusalém haviam entrado em conflito com Jesus porque seus discípulos comiam com mãos impuras, isto é, não praticavam as abluções rituais. Então Jesus dirige-se à multidão e aos discípulos explicando: não é o que está fora que torna a pessoa impura, mas sim o que sai da pessoa.
O choque se dá no dualismo "sagrado" e "profano", criado pelas religiões e muito presente na tradição do judaísmo. O mundo não se divide em duas zonas: uma, sagrada, onde se encontra tudo que goza do favor de Deus; e outra, profana, da qual Deus está ausente.
Jesus vem afirmar a bondade fundamental da criação e o amor universal de Deus. Não é o espaço exterior que define a presença de Deus, mas sim nossas ações.
A passagem evangélica revela um elemento fundamental para a vida de todo cristão: o importante não é o comportamento religioso exterior, manifestado em rituais e normas, mas sim o que habita no coração do ser humano. O que importa é ter boa vontade, consciência e o coração desejoso de fazer o bem.
Hoje, Marcos nos mostra que o processo de contaminação pela impureza era uma questão grave! E ultrapassava toda a imaginação dos escribas e fariseus. Eles temiam tornarem-se impuros pelo contato físico com coisas e pessoas. Assim conduzidos pelo pensamento tão equivocado estavam impedidos de perceber os verdadeiros agentes de contaminação.

Era urgente que Jesus apontasse para eles onde estavam e em que consistiam os elementos contaminadores. Desta maneira, para Jesus o que contamina o homem não está fora de si. Mas sim está radicado no mais intimo do coração humano.

Infelizmente, não é fácil se precaver quando não se tem um coração puro. Dai provêm às impurezas que incapacitam o ser humano para um relacionamento adequado com Deus.

É relativamente fácil segregar-se das coisas e pessoas tidas como transmissoras de impureza. Pelo contrário, é extremamente difícil manter a devida distância do que saí de dentro da pessoa e tem o poder de contaminar.

Vigilância e discernimento são duas atitudes imprescindíveis. Sem elas, a hipocrisia apodera-se da ação humana. Não raro, a pessoa fiel às regras de purificação acaba sendo a mesma que nutre maus pensamentos contra o próximo.

O discípulo do Reino previne-se contra esta falta de autenticidade. Dele se exige, em primeiro lugar, a purificação das motivações de sua ação.

Seu agir deve brotar de um coração puro, sem dolo nem má-fé e buscar unicamente o bem do próximo. Esta é a pureza requerida por Deus. A outra se reduz à mera questão de higiene, sem a menor relevância.

Portanto, e como dizia no ontem, só se é verdadeiro discípulo, quando trazemos e nutrimos no coração uma experiência inspirada nos sentimentos do coração de Deus.

A interioridade é, na verdade, a força sustentadora da autêntica experiência de fé, de culto a Deus e de sinceridade no relacionamento com os outros.

Jesus pede dos seus discípulos esta construção e esta conquista. O de fora se sustenta autenticamente a partir do que está no fundo do coração. Manter as aparências e enganar é hipocrisia.

 O discípulo de Jesus não pode descarrilar e viver na superficialidade, nas coisas externas. Isto só é possível na medida em que o discípulo compreende que o impuro não é o entra nele vindo de fora, explicou Jesus chamando para perto de si à multidão.

Impuro é o que sai do interior. Ele recorda em linguagem bem direta que o que sai do interior é que é impuro: as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Jesus conclui: "Tudo isso vem de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras.".

É fácil colocar capas, roupas e cores que indicam outras coisas, até nobres. O que vale é verificar o fundo do coração, diante de Deus e da própria consciência.

Deus, não se engana. Ele, mais do que qualquer outro, mesmo a própria pessoa, conhece o mais escondido do coração. Ao discípulo só resta uma alternativa.

Passar a limpo a própria interioridade, permanentemente, e escolher sempre o caminho do amor que resgata, nos recria, nos perdoa e nos reconcilia com Deus. Outra opção de que devemos a todo custo fugir é hipócrita. Isto é, a condição de um povo que ‘louva com os lábios, mas o coração está longe de Deus’

 "A mais longa jornada é a jornada interior”, escreveu Dag Hammerskjold. Como isto é verdade! Jesus entendeu as condições do coração humano. O que é em nossos corações pode realmente nos fazer necessitar uma cirurgia espiritual do coração.

De nossos corações vêm os maus pensamentos, imoralidade sexual, crimes, violência, cobiça, más intenções, fraudes e muito mais. Corramos ao cirurgião de todos os tempos para que Ele faça um novo transplante do nosso coração.

Tire-nos o de pedra e nos dê o coração de carne! Tire-me o coração velho e me revista do teu sempre novo, capaz de amar e perdoar até os meus inimigos e perseguidores.

Capaz de compreender, acolher, dialogar e, sobretudo a não olhar somente pelo exterior, mas sim para o meu interior, preocupando-me com a sua purificação continua.

 

JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI O MEU CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO. FAZEI-ME VIVER O AMOR E A RECONCILIAÇÃO!

Reflexão Apostólica:
Ontem refletimos da quantidade de justificativas que damos ao invés de ouvirmos ou assumirmos nossas falhas e esse evangelho de hoje trás uma dura e profunda conclusão do que começamos a conversar ontem: reconhecer nossa covardia!
Vamos reler o evangelho de hoje para podermos conceber a natureza e o poder da exortação de suas palavras. Notaremos que elas resumem aquilo que mais tentamos ocultar: QUE TEMOS MUITA “CULPA NO CARTÓRIO” SOBRE NOSSOS ATOS. “(…) Porque é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, as imoralidades, a inveja, a calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas conseqüências.”.
A vontade de prevalecer sobre as situações que provocamos ou que não temos domínio coloca-nos de frente com um profundo dilema: AMADURECER E RECONHECER OU JUSTIFICAR E PROCURAR ALGUÉM QUE RECEBA A CULPA. É dessa covardia que falo
Nenhum de nós têm tratamento diferente perante o Pai e tão pouco, são marcadas por ele por seus erros, mas sim pela vontade insistente que querer entender sua vontade.
Preocupamo-nos demais com coisas que às vezes são tão passageiras nos esquecendo assim daquilo que pode durar para sempre como os gestos. Rezamos, louvamos, fazemos novenas e preces, mas de fato pedimos nessas preces a coisa certa?
Muitas vezes nossos louvores e suplicas conseguem tocar ao céu e ai de fato somos agraciados por Ele com um milagre, uma cura, uma benção (…), mas o que muda em mim como pessoa após tão profundo contato com o Senhor?
Sentamos, ajoelhamos, nos prostramos obstinados a trazer o Senhor à nossa causa, mas não o convidamos a ficar em nossa companhia.
Como estava escrito ontem: “(…) Deus disse: Este povo com a sua boca diz que me respeita, mas na verdade o seu coração está longe de mim. A adoração deste povo é inútil, pois eles ensinam leis humanas como se fossem mandamentos de Deus
Ano passado discutíamos numa reunião a o quanto as pessoas perderam ou abandonaram pelo caminho a essência da Quaresma, do santo, do sagrado.
Valorizamos o quanto conseguimos ficar sem comer carne, mas não o quanto estou disposto a mudar. As pessoas cada vez menos se entregam a compromissos (principalmente de mudança pessoal) e sim a realizações de objetivos pessoais, que geralmente não passam de necessidades pequenas.
Vejo e acompanho pessoas indo em “igrejas” que prometem a salvação e milagres extraordinários pagando valores que variam de R$ 50,00 a R$ 100,00 para que alguém reze por ele e consiga pagar uma dívida impagável no banco.
Pagam para ver “milagres” sem compromisso e sem fé. Buscam um deus comercial de realizações de quimera e que “ama” fazer suas ações ao vivo pela TV. O mais chato é que muitos desejam copiar esses modelos em seus grupos, movimentos e em suas vidas…
Milagres extraordinários custam a acontecer talvez por nos tornamos iguais aos fariseus e aos discípulos: justificativas e covardias
Padre Joãozinho muito sabiamente afirma sobre algumas situações não dá para “lutar com as mesmas armas”; nosso trabalho de evangelizador não é comercio ou uma lojinha de shopping que “vence” a “concorrência” por promoções melhores e longos pagamentos. Jesus nunca disse que seria fácil a vida dos seus seguidores. O convite era ser pescador de homens e não comerciantes da graça.
Para que tudo isso mude eu preciso mudar minha concepção sobre as pessoas. Preciso assumir meus erros e de fato corrigi-los. Preciso buscar a santidade de pensamentos principalmente quanto aos pré-julgamentos que afastam meu irmão da graça de Deus.
Peçamos a Jesus que purifique nossos corações de qualquer impureza, dos pensamentos ruins... Que Ele nos dê um coração puro, um coração novo que saiba amar, perdoar, acolher. Um coração que não critica, que não julgue e não persegue. Peçamos um coração justo, que respeite o próximo, que saiba dialogar e compreender os necessitados, os excluídos. Peçamos um coração humilde, misericordioso e agradável a Deus.
Propósito: Abraçar o bem que está dentro de nós e prestar mais atenção naquilo que sai do nosso coração.

Dia 11

Felicidade... fé... confiança... amor... esperança...

Tenha fé em si mesmo, porque Deus habita em seu coração.

Confie em sua capacidade pois, com a graça de Deus, você vai superar os obstáculos!

Tenha a certeza de que pode corresponder à confiança que Deus em você depositou quando entregou os talentos para que fossem desenvolvidos e colocados em prática.

Plante sempre as sementes do amor por onde passar.

Alimente a esperança e tenha a certeza de que sua vida vai mudar para a melhor!

“Feliz aquele que encontrou a Sabedoria, e que alcançou grande prudência.”  (Pr 3,13).

 


Evangelho do dia 10 fevereiro terça feira 2026


10 Fevereiro - Que Deus nos inspire e nos assista, pois ai de nós se formos soldados despreparados no campo de batalha. (L 15).
 São Jose Marello


Leitura do santo Evangelho segundo São Marcos 7,1-13

"Alguns fariseus e alguns mestres da Lei que tinham vindo de Jerusalém reuniram-se em volta de Jesus. Eles viram que alguns dos discípulos dele estavam comendo com mãos impuras, quer dizer, não tinham lavado as mãos como os fariseus mandavam o povo fazer. (Os judeus, e especialmente os fariseus, seguem os ensinamentos que receberam dos antigos: eles só comem depois de lavar as mãos com bastante cuidado. E, antes de comer, lavam tudo o que vem do mercado. Seguem ainda muitos outros costumes, como a maneira certa de lavar copos, jarros, vasilhas de metal e camas.)
Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram a Jesus:
- Por que é que os seus discípulos não obedecem aos ensinamentos dos antigos e comem sem lavar as mãos?
Jesus respondeu:
- Hipócritas! Como Isaías estava certo quando falou a respeito de vocês! Ele escreveu assim:
"Deus disse: Este povo com a sua boca diz que me respeita, mas na verdade o seu coração
está longe de mim.
A adoração deste povo é inútil, pois eles ensinam leis humanas como se fossem mandamentos de Deus."
E continuou:
- Vocês abandonam o mandamento de Deus e obedecem a ensinamentos humanos.
E Jesus terminou, dizendo:
- Vocês arranjam sempre um jeito de pôr de lado o mandamento de Deus, para seguir os seus próprios ensinamentos. Pois Moisés ordenou: "Respeite o seu pai e a sua mãe." E disse também: "Que seja morto aquele que amaldiçoar o seu pai ou a sua mãe!" Mas vocês ensinam que, se alguém tem alguma coisa que poderia usar para ajudar os seus pais, mas diz: "Eu dediquei isto a Deus", então ele não precisa ajudar os seus pais. Assim vocês desprezam a palavra de Deus, trocando-a por ensinamentos que passam de pais para filhos. E vocês fazem muitas outras coisas como esta."

Meditação:

Temos aqui um longo texto de contestação das observâncias judaicas. O questionamento é sobre a lei de pureza no comer com mãos impuras. A resposta de Jesus é abrangente, removendo o mérito das leis de pureza e das demais tradições opressoras. Abandonam a lei de Deus, lei do amor, pelas tradições dos homens, isto é, tradições ideologizadas, criadas para garantir interesses pessoais.

Hoje nos encontramos com duas classes de pessoas: Jesus, um homem livre e libertador, e alguns fariseus e mestres da lei que criticam a conduta dos discípulos de Jesus.

Marcos nos apresenta o problema que alguns fariseus e mestres da Lei vindos de Jerusalém colocaram a Jesus.  Estamos ante uma polêmica da época de Jesus, mas também de nossos dias.

A intenção dos fariseus era descobrir se, na formação dada por Jesus a seus discípulos, ele os incitava à não-observância da Lei. A fama do Mestre havia chegado à capital onde se supunha que a prática da religião fosse irrepreensível. Pelo que se dizia dele, parecia que seu ensinamento não se enquadrasse nos padrões religiosos da época, e suas orientações rompiam com o sistema religioso estabelecido.
Quem tinha se aproximado do Mestre com o intuito de desmascará-lo, acabou sendo desmascarado por ele. Tudo começou com a crítica feita aos discípulos: Por que se sentam à mesa sem antes terem lavado cuidadosamente as mãos?

Era um costume fundado numa série de preconceitos. Um deles é que o contato exterior com as coisas pode tornar impuro o coração humano. Outro era o medo de ter tido contato com algum pagão e, por isso, ter contraído alguma impureza. A impureza interior explicava-se, pois, por um gesto puramente exterior.

Jesus pôs-se a demonstrar como a tradição considerada exemplar era, em última análise, caduca, e podia ser inescrupulosamente manipulada. Exemplo disso era a forma desumana como muitos mestres da Lei e fariseus “piedosos” tratavam seus pais, distorcendo a Lei, a ponto de interpretá-la a seu favor. A impiedade era, assim, acobertada por uma falsa piedade. O Mestre Jesus procurava evitar que seus discípulos fossem contaminados por esta mentalidade.
É muito grave quando Deus não apenas faz advertências a respeito da conduta do seu povo, mas o acusa da gravidade de suas escolhas.

Quando Jesus diz que ‘vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens’ está apontando o núcleo inspirador de atitudes comprometedoras de um povo que se apresenta como religioso, guardião da prática religiosa correta.

 No entanto, desloca, friamente, e com uma convicção inquestionável, a Deus do seu lugar insubstituível de centro da vida dos que crêem. Nada é tão grave. Nada é tão grave quando o coração humano e sua inteligência passam a ser a única medida correta de arbitragem do que é certo e do que é errado.

Tudo é possível quando cada pessoa, ancorada em práticas religiosas, ritualmente obedecidas com rigor, se torna a medida única e última de tudo.

 Os resultados são arbitrariedades e insolências, impiedades e maldades que eliminam tudo e todos os que não se localizam no enquadramento estreito desta pretensão humana.

O absurdo deste procedimento alcança o ápice de pretender envolver a Deus, colocando-se ao seu redor, como os conterrâneos religiosos de Jesus fizeram com Ele, certos de sua condição moral questionável, para apresentar questionamentos de tal modo a assumirem o próprio lugar de Deus quando o julga e aos seus como incorretos, desrespeitosos e sem autoridade.

O centro da questão para a disputa estabelecida com Jesus Mestre, fruto da posição pretensiosa assumida pelos fariseus e mestres da lei, é o fato de os discípulos de Jesus comer sem lavar as mãos.

 A tradição incluía abluções rituais. Havia um escrúpulo de se ter tocado coisas impuras antes da refeição com o conseqüente risco de contaminação.

É bom entender que a higiene focalizada não se refere àquela necessária para que não se corra o risco de comprometimentos sanitários.

 A preocupação e a ritualidade assumida se deve a uma concepção de puro e impuro, segundo critérios muito próprios que chegam às raias de doentios e até perversos, criando preconceitos e transformando a vivência religiosa em maldosa consideração dos outros para verificar a quem condenar ou criar condições de desmoralizações.

Jesus reage à tentativa de desmoralização que buscar aplicar sobre ele. Na verdade, em Israel um Mestre não tinha autoridade se não conseguisse que os seus discípulos obedecessem à risca todos os preceitos e ritos previstos pela prática religiosa.

Certamente, com satisfação, que é o sentimento dos perversos e dos convencidos de sua oca dignidade moral, os interlocutores de Jesus pensavam ter encontrado um meio de desmoralização do Mestre e condenação dos seus discípulos.

 Este é o único caminho comum e sempre muito explorado dos hipócritas. Buscam conquistar autoridade e validar suas posições com a desmoralização dos outros, ainda que seja fruto de suas perversas e obscuras pretensões.

Os honestos, de verdade, não necessitam atacar, destruindo os outros, para encontrar o seu próprio lugar de autoridade e reconhecimento.

 Jesus chama todos estes de hipócritas. Não são poucos. A hipocrisia se vence com algo mais que ultrapassa o simples cumprimento de ritos e normas que encobrem mentiras e interesses pessoais.

Hipócrita é, pois, uma condição que define aquele que é capaz de fazer e falar sem deixar transparecer os enganos, critérios perversos e mentiras que estão sempre guardadas com força de cálculo no fundo do coração.

A hipocrisia é uma verdadeira cultura que muitos dela vivem sem perceber, outros a adotam como artimanha para conseguir seus propósitos e não poucos se gabam das práticas que engambelam os outros para se alcançar os próprios interesses, tantas vezes imorais, prejudiciais ao bem comum, perversos e maldosos para com os outros.
Jesus contrapõe a proposta de prática religiosa dos seus conterrâneos. Não é uma simples contestação dos ritos, menos ainda um desleixo e ou uma atitude de simplesmente contestar e desconsiderar, como ato de insolência e de arbitrariedade.

O coração de Deus é misericórdia, amor, sinceridade a toda prova. Deus não usa artimanhas. Quem usa artimanhas não é capaz de amar de verdade. Interessa alcançar os próprios propósitos, mesmo que estes sejam destrutivos e comprometedores do bem de instituições e de pessoas.

 Jesus reorienta o sentido da prática religiosa mostrando que sua essência, para dar vida aos ritos de não os deixar cair numa complicada esterilidade, supõe um cuidado especial com o próprio coração.
O discípulo, então, é aquele que nutre no coração uma experiência inspirada nos sentimentos do coração de Deus. A interioridade é, na verdade, a força sustentadora da autêntica experiência de fé, de culto a Deus e de sinceridade no relacionamento com os outros. Jesus pede dos seus discípulos esta construção e esta conquista.

 O de fora se sustenta autenticamente a partir do que está no fundo do coração. Manter as aparências e enganar é hipocrisia.

 O discípulo de Jesus não pode descambar na direção da hipocrisia. Isto só é possível na medida em que o discípulo compreende que o impuro não é o entra nele vindo de fora, explicou Jesus chamando para perto de si a multidão. Impuro é o que sai do interior.

Ele recorda em linguagem bem direta que o que sai do interior é que é impuro: as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo.

 Jesus conclui: ‘Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem’. É fácil colocar capaz, roupas e cores que indicam outras coisas, até nobres.

O que vale é verificar o fundo do coração, diante de Deus e da própria consciência. Deus, não se engana. Ele, mais do que qualquer outro, mesmo a própria pessoa, conhece o mais escondido do coração. Ao discípulo só resta uma alternativa.

Passar a limpo a própria interioridade, permanentemente, e escolher sempre o caminho do amor que resgata, nos recria, nos perdoa e nos reconcilia com Deus. Outra opção, de que devemos a todo custo fugir, é hipócrita. Isto é, a condição de um povo que ‘louva com os lábios, mas o coração está longe de Deus’. O nosso coração como os Apóstolos deve ser verdadeiramente íntimo de Deus.

Reflexão Apostólica:

Quantas vezes lemos esse evangelho, mas como é interessante vê-lo ser novo todo dia.

Vocês já repararam a quantidade de justificações que damos e temos dado sem ninguém ter pedido? Parece estranho, mas é uma coisa importante a ser observada hoje.

Um irmão exclama: “você andou sumido”! Reparemos que não é uma pergunta que ele nos fez, mas rapidamente a justificamos: “Sim! Mas foi por causa disso e disso” …

A justificativa parece brotar como um meio natural de se defender do que achamos que pensarão ou falarão de nós, mas viver se justificando pode parecer que somos inseguros, imaturos ou neuróticos.

Um segundo exemplo: recebendo uma crítica construtiva!

Esse mesmo irmão diz que ficou perfeito o que fizemos, mas deixamos passar despercebido um ou outro detalhe, que no fim, ninguém viu ou reparou.

Nossa percepção imatura, insegura ou neurótica, esquece o elogio recebido primeiro passando a se defender do pequeno erro visto, pois é inadmissível que haja algo a melhorar.

O padre, o pregador, o músico que não aceita um comentário relevante sobre seu trabalho; o chefe que se abraça ao orgulho para não reconhecer uma falha; uma mãe ou pai que descarrega o cansaço do dia nos filhos e mesmo assim orgulhosos não pede desculpas; o funcionário que se esqueceu de fazer uma tarefa; o troco dado errado; a trombada dentro do ônibus lotado; a batida por desatenção no trânsito…

Jesus não incomodava a ninguém, mas era preciso encontrar defeitos para atacá-lo. As mãos sujas eram a justificativa que precisavam para ocultar de suas mentes os milagres, os prodígios, os ensinamentos. Para o medíocre não é preciso muito para tampar os olhos – um dedo basta.

Um dedo era suficiente para ocultar toda a bondade realizada e operada naquele povo. Um grão de areia e suficiente para cegar um cético, um descrente, um invejoso que não precisa de muitos argumentos para difamar, caluniar… basta um grão chamado QUERER para poder seu cérebro VER APENAS O QUE DESEJA VER.

Os fariseus bordavam ou estampavam em suas vestes as leis que seguiam, mas o que estava escrito nem sempre era seguido.

Vale aqui lembrar as pessoas que ainda hoje pegam a Bíblia e "sorteiam" palavras que lhes agradam. Retiram a mensagem que lhes convém ou agrada e que muitas vezes pode agredir aos irmãos.

Quem não conhece alguém que parece conhecer a Bíblia de “trás pra frente”, mas usa suas mensagens apenas para justificar seus atos, inclusive os errados?

Às vezes parece que estamos no caminho certo, mas Deus sempre nos convida a olhar novamente onde já havíamos procurado, lançar novamente as redes onde já havíamos jogado e nos surpreender com o resultado.

Justificar é normal, mas é preciso ter disciplina também quanto a isso. Sejamos mais humildes às correções e menos "doutores" em algum assunto, ousemos a jogar novamente a rede.

Não fechemos nossos olhos facilmente. Limpemos constantemente o que limita nosso olhar.

Precisamos saber se somos cristãos de palavras ou de coração. O cristão de palavras é aquele que vive uma religiosidade de cumprimento de preceitos, normas e rituais, que em nada difere dos rituais de alquimia e bruxaria que existem por aí; o que muda é que no lugar de abracadabra, fala frases bonitas com efeitos especiais.

O cristão de coração é aquele que ama a Deus, ama os seus irmãos que são templos dele e procura servir a Deus no serviço aos irmãos e irmãs, na valorização da pessoa humana e promoção da sua dignidade. O cristão de coração fala pouco e nem sempre sabe falar bonito, mas ama muito, é solidário, generoso e fraterno. 

Propósito: Servir a Deus no serviço aos irmãos e irmãs, na valorização da pessoa humana e promoção da sua dignidade. Ser mais misericordioso (a) para com o meu semelhante, a partir da minha própria casa.

Dia 10

A existência humana é somente uma passagem para a verdadeira vida com Deus no céu.

Embora sinta saudades de um ente querido que partiu, não fomente uma tristeza exagerada.

As pessoas são dignas de esperança, pois crêem naquele que deu a vida para salvar a humanidade e ressuscitou para lhes mostrar o caminho.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Ninguém vai ao Pai, se não for por mim”, disse Jesus (cf. Jo 14,6).

A única certeza da vida é que, um dia, todos morrerão e viverão em Deus.

Deus preparou para todos um lugar no céu.

“Na cada de meu Pai há muitas moradas.

Não fosse assim, eu vos teria dito.

Vou preparar um lugar para vós.

E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais também vós.”

(Jo 14,2-3).


 

Evangelho do dia 09 fevereiro segunda feira 2026


09 fevereiro - Preparemos as armas, fortaleçamos o espírito, purifiquemos os afetos, treinemo-nos para qualquer tipo de luta, para que, na hora do aperto, a nossa coragem não vacile e não vacilem as nossas forças no confronto com as armas do inimigo. (L 31). São Jose Marello


Marcos 6,53-56
"Jesus e os discípulos atravessaram o lago e chegaram à região de Genesaré, onde amarraram o barco na praia. Quando desceram do barco, o povo logo reconheceu Jesus. Então, eles saíram correndo por toda aquela região, começaram a trazer os doentes em camas e os levavam para o lugar onde sabiam que Jesus estava. Em todos os lugares aonde ele ia, isto é, nos povoados, nas cidades e nas fazendas, punham os doentes nas praças e pediam a Jesus que os deixasse pelo menos tocar na barra da sua roupa. E todos os que tocavam nela ficavam curados."

Meditação:

As pessoas que procuravam chegar ao lugar onde ouviam falar que Jesus estivesse eram tocadas por Ele e curadas das suas enfermidades.
O lugar onde Jesus está é o local aonde as coisas acontecem, por isso, nós agimos com sabedoria quando buscamos coerentemente estar presentes nos ambientes em que se vivencia o Evangelho.
Muitas pessoas pregam que todos os caminhos considerados bons nos levam a ter uma experiência com Deus, porém, quando conhecemos a Jesus e temos acesso a Sua Palavra nós descobrimos que Ele é o Único Caminho que nos leva ao Pai.
Esta experiência com Jesus nos faz ter um conhecimento Dele e do Seu amor que cura, que liberta e que dá sentido a tudo, até ao nosso sofrimento.
Assim como no tempo em que Jesus pregava a boa nova do reino e os doentes eram curados de toda espécie de enfermidades, hoje também, nós recebemos a cura e a libertação interior dos males que nos escravizam.

Este pequeno relato é uma síntese, formada por três elementos fundamentais no ministério de Jesus: a pregação, o anúncio da Boa Nova, a cura das enfermidades e os exorcismos, a libertação dos oprimidos por espíritos imundos ou espíritos do mal. O texto narra que os moradores de Genesaré reconheceram Jesus assim que chegou no lugar.

Será que conseguimos dimensionar o tamanho do desespero dessas pessoas? Conseguimos imaginar o quanto a pessoa de Jesus fazia renascer a esperança em quem já se dava por vencido, derrotado, desiludido? Entretanto é preciso destacar um fato que antecede toda essa narrativa de hoje.

Um pouco antes das pessoas praticamente se acotovelassem POR TÊ-LO RECONHECIDO ao aportar, seus próprios discípulos, momentos antes, não o haviam reconhecido caminhar pelas águas durante o mar revolto.

As pessoas SIMPLES e as mais SEDENTAS conseguem reconhecê-lo com maior facilidade em suas vidas do que aqueles que andam ao “seu lado”.

Os SIMPLES sempre foram exaltados POR Jesus. São pessoas cuja fé parece cercá-los, torná-los repletos… conseguimos ficar bem perto deles mesmo no olho da tempestade. Geralmente são pessoas serenas, sorridentes, espontâneas que muitas vezes não tiveram as oportunidades que tivemos de estudar; vêem beleza onde vemos falhas; conseguem ver Deus mesmo acamadas, doentes, limitadas… Nas missas tentam ajudar no que podem; muitos são desafinados ao cantar (mas para Deus isso pouco interessa), e o que melhor os caracteriza é que raramente caem! Passam-se anos e anos e olha ele (a) lá ainda!
Os SEDENTOS buscam por algo que a sacie! Isso parece óbvio, mas o fazemos? Os sedentos não são aqueles que esperam o maná cair do céu e sim que como Moisés “rufam” o cajado na rocha e fazem brotar água pela fé em Deus.

Os que tem sede são aqueles que cercam o Senhor de todos os lados e dele se revestem; são pessoas que abandonam as vaidades, as picuinhas, as discussões de lado e abraçado ao irmão que discorda, continuam a caminhar juntos; são aqueles que batem boca pelo caminho, mas não desistem de caminhar naquela direção.

Sedento não é aquele que mortifica sua alma na quaresma em busca de um milagre que novamente o torne puro, mas aquele que purifica sua alma na quaresma e faz o tempo comum um milagre; sedentos são aqueles que ainda têm a “roupa de missa”; que não trocam um encontro semanal com o Senhor, que insistem mesmos cansados, a rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria antes de dormir; são aqueles que ainda acreditam na catequese, na crisma, no casamento. Sedento não é o que apenas planta, é o que zela, cuida, monitora, (…) mesmo que veja outra colher.?
Tem uma canção que resume esse sentimento sobre quem conseguirá reconhecer o Senhor ao vê-lo chegar: “(…) Senhor, quem entrará no santuário pra te louvar? Quem tem as mãos limpas, e o coração puro, quem não é vaidoso, e sabe amar…”.

Reflexão Apostólica: 
Cada dia mais, as relações humanas vêm se tornando superficiais, formais; as pessoas se comunicam pela internet, telefone, mas quando a conversa é olho no olho, as palavras somem.
Nesta Palavra de hoje, Jesus deixa-se tocar, Ele vai na ferida de todos que o buscavam, sem medo, sem restrições. Doentes, marginalizados, excluídos, todos queriam chegar perto daquele Homem que não discriminava, mas ao contrário, acolhia a todos dando-lhes a cura e mais que isso, oferecia-lhes a libertação do mal que os retirava da sociedade, pois naquela época os doentes eram vistos como os castigados por Deus, pelos seus pecados ou pecados de seus antepassados.
Jesus mostra que devemos ir para o meio da multidão, tocar as pessoas, mostrar afetuosidade; hoje em dia, nas escolas os professores são proibidos de tocar nos alunos, os chefes não se aproximam de seus funcionários, porque tudo é muito distorcido e para a sociedade que se acostuma cada vez mais com o virtual, o toque muitas vezes é interpretado com malícia.
Se Jesus vivesse nos tempos de hoje, Ele certamente se deixaria ser tocado por prostitutas, travestis, moradores de rua e mais uma vez seria mal interpretado, julgado erroneamente.
Não podemos deixar a frieza limitar nosso comportamento. Precisamos "chegar junto" daquele que sofre, seja com um abraço, com um tapinha nas costas, uma palavra de força, mas sempre utilizando a generosidade de nossos atos para abençoar, curar, perdoar.
O Cristo que é verdadeiro Homem viveu os sentimentos humanos e se compadeceu e Ele que também é verdadeiro Deus, amou com Amor divino, curando a todos que o buscavam com fé.
Que o Senhor nos dê a Graça de ir além das relações superficiais, que nos dê a sensibilidade de se aproximar dos irmãos que necessitam de um toque de Amor.

Propósito: Demonstrar, pela vida, que o amor de Deus se revela no amor ao próximo.

Dia 09

Cada pessoa é única e recebe de Deus dons inigualáveis.

Trabalhe com aquilo que você possui, com suas habilidades, capacidades e talentos naturais.

Utilize tudo isso plenamente e seja determinado a alcançar as metas.

Procure sempre ter objetivos espirituais e profissionais.

Faça tudo com muito amor e viva um dia de cada vez, mudando e acreditando em si mesmo.

Procure aprimorar o que existe de bom em você, caminhando rumo à perfeição.

“Teu coração não inveje os pecadores, mas persevera no temor do Senhor o dia inteiro: assim tens a descendência garantida, e a tua esperança não se frustrará.” (Pr 23,17-18).

 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DIA 08 FEVEREIRO 2026 - 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM


08 fev - Coragem, coragem, o tempo urge. Ai de nós se nos encontrarmos desprovidos para o dia da batalha! (L 26). São José Marello


Mateus 5,13-16

 Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam.
- Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.

 

REFLEXÃO PARA O 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 08 fev 2026 MATEUS 5,13-16 (ANO A)

 Na liturgia deste quinto domingo do tempo comum, continuamos a leitura do grande discurso programático de Jesus no Evangelho de Mateus, conhecido como o “discurso da montanha” (Mt 5–7). No domingo passado, fora lida a introdução desse discurso, que corresponde às bem-aventuranças (Mt 5,1-12), um texto que é considerado o coração do primeiro evangelho. O texto proposto para hoje – Mt 5,13-16 – é exatamente o que sucede imediatamente às bem-aventuranças. De acordo com o evangelista Mateus, continuando um ensinamento vital para a comunidade de seus seguidores, Jesus emprega duas imagens bastante fortes e interpelantes, o sal e a luz, para demonstrar o quanto a vivência das bem-aventuranças é indispensável na vida dos seus discípulos e, consequentemente, para a comunidade cristã. Por isso, é importante recordar que tudo o que é desenvolvido ao longo do discurso da montanha é, na verdade, consequência ou desdobramento das bem-aventuranças.

Consideradas pela maioria dos exegetas como o autorretrato de Jesus, as bem-aventuranças são, ao mesmo tempo, o programa de vida que ele propõe para os seus discípulos e discípulas de todos os tempos. A vivência delas devem ter um efeito transformador no mundo, comparável aos efeitos do sal e da luz, empregados para suas finalidades mais básicas: dar sabor e iluminar, respectivamente. Ora, é da vivência das bem-aventuranças que depende a instauração do Reino dos Céus na terra. Para que esse Reino, de fato, aconteça, é necessário que as pessoas, começando pelos discípulos, assumam um estilo de vida semelhante ao de Jesus, ou seja, que pratiquem as bem-aventuranças. Por isso, o emprego das imagens do sal e da luz são seguidos de advertência sobre o perigo de que estes elementos não sejam bem utilizados.

As imagens do sal e da luz são, assim, uma síntese da missão dos seguidores de Jesus e, ao mesmo tempo, uma demonstração do efeito dessa missão. Eis, pois, a primeira imagem com a consequente advertência: «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens» (v. 13). Embora seja possível identificar diversas funções para o sal, sobretudo na antiguidade, o texto deixa muito claro que faz referência ao seu uso para a alimentação, seja como condimento, quanto como conservante. Mesmo assim, é importante recordarmos também outras funções atribuídas ao sal ao longo da Bíblia. Era símbolo de qualquer coisa duradoura e preciosa, tornando-se, inclusive, sinal da indissolubilidade da aliança, de modo que uma aliança eterna era chamada de “aliança de sal” (cf. Nm 18,19). Outro significado para o sal é a purificação, sendo um elemento utilizado nos sacrifícios cultuais (cf. Lv 2,13; Ez 43,24), e empregado também por Eliseu para purificar as águas das fontes de Jericó (cf. 2Rs 2,19-22).

Aqui no texto de Mateus, no entanto, como já acenamos anteriormente, e considerando o inteiro versículo, a referência ao sal está relacionada ao seu uso no alimento, pois o texto indica o dar sabor como função primordial. É importante perceber também o universalismo atribuído aos seguidores de Jesus: ser sal de toda a terra, ou seja, marcar presença e fazer a diferença em todo o mundo, e não apenas dentro das fronteiras de Israel. Essa dimensão universalista da missão cristã será evidenciada ao longo de todo o Evangelho de Mateus, e encontrará o seu ápice no envio missionário pós-pascal, quando o Ressuscitado ordenará que seus discípulos devem ir a todas as nações para ensinar, batizar e discipular (cf. Mt 28,19-20). Seja para dar sabor, seja para conservar alimentos, o sal é indispensável na vida dos ser humano. Assim também é indispensável a presença de cristãos e cristãs no mundo, para que o projeto libertador de Jesus seja realizado e o Reino se instaure. Ao falar do risco de o sal tornar-se insosso e, consequentemente, inútil, se faz uma advertência ao risco de omissões e falta de testemunho dos cristãos no mundo. Assim como não tem sentido um sal sem sabor, também não tem sentido cristãos sem a prática das bem-aventuranças, ou seja, sem fome e sede de justiça, sem mansidão no coração, sem misericórdia e sem amor.

A segunda imagem empregada ocupa todo o restante do texto e, aparentemente, é mais simples ou, pelo menos, mais compreensível, já que é uma imagem mais frequente ao longo da Bíblia: «Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte» (v. 14). A imagem da luz, de fato, atravessa toda a Bíblia, muito mais do que a do sal, bem como o seu efeito é muito mais visível. Inclusive, a própria missão de Jesus na Galileia foi apresentada por Mateus como luz, como refletimos há dois domingos (cf. evangelho do terceiro domingo do tempo comum: Mt 4,12-23). Como extensão e continuação da missão de Jesus, também a missão dos seus discípulos é apresentada como luz. Isso mostra que a missão dos discípulos é a mesma de Jesus. Novamente, a dimensão universalista da missão é recordada: os cristãos não devem ser luz somente para um determinado grupo de pessoas ou de uma determinada região, mas de todo o mundo. A segunda parte do versículo é, certamente, uma crítica à cidade de Jerusalém e às autoridades de Israel, como um todo. Ora, Jerusalém fora construída sobre um monte (cf. Is 2,1) exatamente para de lá resplandecer a luz de Deus; porém, fora corrompida pelos poderes religioso e político, ofuscando a luz de Deus. Temos aqui, portanto, uma clara denúncia a Israel e, especialmente, a Jerusalém que falhara na sua missão de ser luz das nações (cf. Is 42,6; 49,6). Por isso, Deus transferiu sua luz para a marginalizada Galileia, onde Jesus iniciou seu ministério como uma luz que brilha nas trevas (cf. Mt 4,12-23). Como consequência, Jesus transfere a missão que outrora fora de Israel para os seus discípulos.

Na continuidade do texto, vemos novamente o tom de advertência, como no uso do sal: «Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos, que estão na casa» (v. 15). Tão inútil quanto um sal sem sabor e uma lâmpada escondida é a vida cristã sem testemunho, ou seja, sem a prática das bem-aventuranças. Aliás, isso nem vida cristã seria, mas apenas um teatro, um fingimento. Seria hipocrisia, como Jesus vai mostrar, com outras palavras, ao advertir a comunidade dos seus seguidores sobre a necessidade de diferenciar-se dos fariseus. Temos aqui mais um alerta sobre o risco da omissão dos cristãos no mundo, diante das injustiças e de todas as formas de manifestação do mal. O cristão não pode se omitir onde há trevas, onde há negação da vida.  Uma lâmpada debaixo da mesa é a imagem do discípulo omisso e medroso, incapaz de denunciar as injustiças que estão ao seu redor, e conivente com as situações de opressão e negação da vida. Uma vez que a luz acesa não tem outra função que não seja iluminar, também os cristãos não podem omitir-se de testemunhar o Evangelho, cuja condição é a vivência das bem-aventuranças, que são o programa de Jesus.

O versículo conclusivo consiste em mais uma exortação e advertência. Assim como houve com Israel, também havia na comunidade cristã uma tendência ao envaidecimento e ao orgulho, o que é totalmente incompatível com o ensinamento de Jesus. É necessário que os discípulos sejam sinal de luz diante das outras pessoas, mas que não sejam recompensados ou elogiados por isso, pois é ao Pai que está nos céus que devem ser dirigidos todos os louvores; é esse o sentido do versículo: «Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus» (v. 16). Os cristãos de todos os tempos devem cumprir boas obras, devem “fazer o bem” como fez Jesus (cf. At 10,38), de modo que revelem o Deus em quem acreditam. Em outras palavras, o versículo quer dizer que o reconhecimento e o louvor de Deus pela humanidade dependem essencialmente do estilo de vida dos cristãos. E isso é uma grande responsabilidade. O mundo conhece Deus à medida em que os cristãos dão sabor ao mundo e o iluminam com as ações e os gestos concretos que praticam. O Deus que é Pai, portanto, não se torna conhecido pelo ensino de uma doutrina, e sim pelo testemunho dos cristãos.

Dia 08

Às vezes, os seres humanos correm tanto e ficam tão absortos em seus problemas que não enxergam o próximo.

Não é preciso muito esforço para oferecer um sorriso ou uma palavra amiga aos demais.

É impossível calcular quanta alegria essa atitude pode trazer ao dia de uma pessoa.

Esforce-se para que seu sorriso envolva os que o rodeiam.

Um sorriso franco e sincero tem o poder de animar os semelhantes.

“O insensato, quando ri, levanta a voz; o sábio apenas sorri calmamente.”

(Eclo 21,23).

 


Evangelho do dia 13 fevereiro sexta feira 2026

13 fevereiro - Renovemos o espírito a cada instante e repousemos na misericórdia de Deus, que absorve todas as fraquezas da nossa natureza d...