domingo, 29 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 2 ABRIL QUINTA FEIRA 2026 - CEIA DO SENHOR

 


02 - Trabalha, trabalha para o melhoramento da juventude: também o pouco é alguma coisa e, em nossos dias, barrar o mal já é um grande bem. (L 28). SÃO JOSE MARELLO


João 13,1-15
Quinta-feira Santa (Missa do Lava-pés) 2026
"Faltava somente um dia para a Festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a hora de deixar este mundo e ir para o Pai. Ele sempre havia amado os seus que estavam neste mundo e os amou até o fim. Jesus e os seus discípulos estavam jantando. O Diabo já havia posto na cabeça de Judas, filho de Simão Iscariotes, a idéia de trair Jesus. Jesus sabia que o Pai lhe tinha dado todo o poder. E sabia também que tinha vindo de Deus e ia para Deus. Então se levantou, tirou a sua capa, pegou uma toalha e amarrou na cintura. Em seguida pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha. Quando chegou perto de Simão Pedro, este lhe perguntou: - Vai lavar os meus pés, Senhor? Jesus respondeu: - Agora você não entende o que estou fazendo, porém mais tarde vai entender! - O senhor nunca lavará os meus pés! - disse Pedro. - Se eu não lavar, você não será mais meu discípulo! - respondeu Jesus. - Então, Senhor, não lave somente os meus pés; lave também as minhas mãos e a minha cabeça! - pediu Simão Pedro. Aí Jesus disse: - Quem já tomou banho está completamente limpo e precisa lavar somente os pés. Vocês todos estão limpos, isto é, todos menos um. Jesus sabia quem era o traidor. Foi por isso que disse: "Todos menos um." Depois de lavar os pés dos seus discípulos, Jesus vestiu de novo a capa, sentou-se outra vez à mesa e perguntou: - Vocês entenderam o que eu fiz? Vocês me chamam de "Mestre" e de "Senhor" e têm razão, pois eu sou mesmo. Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros. Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz."

Reflexão para Quinta-feira Santa (Missa do Lava-pés) - João 13, 1-15

A liturgia da Quinta-feira Santa propõe, todos os anos, a leitura de João 13,1-15, texto que narra o episódio do lava-pés. Essa cena é exclusiva do Evangelho segundo João e, certamente, é uma das passagens mais significativas de todo o Novo Testamento. Desde os primeiros séculos, tem marcado o cristianismo, recebendo diversas possibilidades de interpretação. Antes de tudo, podemos dizer que é um texto comprometedor, pois mostra que, no ápice da sua existência terrena, Jesus propôs o serviço, motivado pelo amor, como o principal sinal distintivo de pertença a si; o cristianismo, portanto, não pode ignorar esse fato. A localização do texto e o contexto da cena reforçam ainda mais a sua importância: esse episódio serve para delimitar a divisão clássica do Evangelho segundo João em dois livros, “Livro dos Sinais” (Jo 1 – 12) e “Livro da Glória” (Jo 13 – 21), e faz João introduzir a narrativa da paixão com um gesto tão marcante de Jesus.

Apresentamos uma pequena contextualização para, em seguida, nos voltarmos diretamente para o texto. A princípio, pode nos causar espanto a diferença entre João e os demais evangelhos quando se trata da última ceia de Jesus com seus discípulos. Ora, ao contrário dos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), que dedicam poucos versículos à ceia, João dedica nada menos que cinco capítulos: 13, 14, 15, 16 e 17. Ao longo desses capítulos, ele apresenta uma longa e profunda catequese de Jesus, ministrada com gestos e palavras, numa espécie de testamento, cujo tema central é o amor e o serviço, apresentados como únicos sinais distintivos da comunidade cristã. No Evangelho de João, não há nenhum aceno à “consagração” do pão e do cálice, como nos demais; por sinal, durante a ceia, o pão só é mencionado na descrição da traição de Judas (cf. 13,18.17.26.27.30). Essa ausência de referências ao pão e sua “consagração” pode ser explicada pelo fato de que João já havia apresentado em outra ocasião: após o sinal da “multiplicação dos pães” (cf. 6,1-15), o evangelista apresentou um longo discurso de Jesus se auto apresentando como o “pão da vida” (cf. 6,26-66). Por isso, já não havia mais necessidade de fazer uma nova catequese sobre o pão e sobre a entrega de Jesus como alimento, uma vez que essa já tinha sido feita. O texto que a liturgia propõe é a primeira parte do longo relato da ceia.

O texto começa com um indicativo teológico-temporal importante: “Antes da festa da páscoa” (v. 1a). O evangelista não pretende negar o contexto pascal no qual Jesus ceou com seus discípulos, mas pretende diferenciar, ou seja, quer dizer que a páscoa celebrada por Jesus já não é mais a mesma do templo. A páscoa de Jesus não exige ofertas e sacrifícios, não é instrumento de exploração como se praticava no templo. Celebrando antes, Jesus substitui: aquela que será celebrada um ou dois dias depois pelos praticantes da religião oficial perdeu a sua validade, está caduca e vencida. Na páscoa do templo, o centro das atenções é a morte, o sangue derramado com a imolação dos cordeiros, enquanto na páscoa de Jesus com sua comunidade se celebra o triunfo da vida em forma de serviço, a mais eficaz manifestação visível do amor; nessa, não há morte, há doação de vida por amor. Morte é coisa da antiga aliança; na nova aliança, há doação de vida. Com essa introdução, o evangelista alerta para uma novidade: Jesus inaugura uma nova páscoa, subversiva, por sinal; é essa que a comunidade cristã deve celebrar.

Ao longo de todo o Evangelho, João criou um clima de suspense em relação à “hora de Jesus” (cf. 2,4; 12,23). Pois bem, essa hora chegou: “sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora” (v. 1b). É a hora de Jesus glorificar ao Pai, não com ritos, mas com a doação livre da sua própria vida. O Pai que não se sentia glorificado com o falso culto praticado no templo de Jerusalém, uma vez que esse fora transformado em casa de comércio (cf. Jo 2,16ss), recebe de Jesus o verdadeiro culto: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (v. 1c). O amor de Jesus é ilimitado e, por isso, é “até o fim”. “Amar até o fim” significa a intensidade do amor, e não o seu término. Quer dizer que Jesus amou de modo extremo, intenso, e continua amando, uma vez que, ressuscitado, vive entre os seus na comunidade. Das falsas aclamações e ritos vazios celebrados no templo, o Pai estava cansado. Jesus recupera a essência do culto e a transmite à comunidade: o amor-serviço.

Continuando, diz o evangelista que “Estavam tomando a ceia” (v. 2a). A ceia não representa apenas o consumo de alimentos, mas significa comunhão e intimidade, sobretudo no contexto pascal; é o momento primordial da vivência do amor-comunhão. Porém, Jesus realiza uma ceia alternativa ao ritual judaico. Nessa ceia de Jesus e da comunidade não há encenação, tudo é feito na maior sinceridade e transparência; por isso, o evangelista menciona o episódio lamentável da traição de Judas (cf. v. 2b): nada é imposto. A comunidade é livre para acolher ou não o amor incondicional e extremo de Jesus e, portanto, no seio dessa comunidade é possível que alguns o rejeitem, como Judas outrora, e tantos nas gerações sucessivas. No entanto, a oferta de amor não diminui diante do risco de rejeição. Mesmo traindo, Judas continuou entre aqueles “amados até o fim”; ele perdeu a comunhão com Jesus quando abandonou o seu projeto e se aliou ao sistema dominante; o evangelista é enfático nesse sentido: “o diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus” (v. 2bc). Ora, Jesus seria capturado, independentemente da traição de Judas, pois há muito tempo as autoridades religiosas e políticas o almejavam; daquela páscoa ele não passaria. O mal de Judas foi ter sido aliado e cúmplice do poder que gera morte e, ainda mais, movido por dinheiro. Sempre que o cristianismo permite alianças com grupos e sistemas de poder, sempre que silencia diante das injustiças, está permitindo que o “diabo seja posto em seu coração”.

A oferta do amor gratuito e intenso de Jesus pelos seus começou a se materializar quando ele “levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura” (v. 4). Certamente, foram grandes o espanto e a curiosidade gerada nos discípulos com essa iniciativa de Jesus. Tirar o próprio manto em público significava renunciar ao prestígio e à dignidade pessoal, conforme a mentalidade da época; amarrar uma toalha na cintura significava improvisar um avental e colocar-se em atitude de serviço, assumindo a condição de servo. O que se fazia somente por imposição, Jesus o faz voluntariamente. Com essa descrição, o evangelista deixa cada vez mais clara a oposição de Jesus à liturgia oficial do templo: a indumentária dos sacerdotes do templo eram um impedimento ao serviço, com tantos adornos; ao invés disso, Jesus usa um avental improvisado de uma toalha, mostrando que não pode haver impedimento para o serviço. Esse gesto ensina que na comunidade cristã o serviço prevalece sobre o rito.

Na sequência, o texto diz o que Jesus fez após deixar de lado o manto e pôr-se em atitude de serviço: “Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido” (v. 5). Assim como os leitores ainda hoje ficam perplexos com a descrição dessa cena, muito mais ficaram os discípulos que estavam com Jesus. Aqui devemos considerar o ambiente e a situação histórica na época: lavar os pés antes das refeições – embora o evangelista descreva o gesto acontecendo já durante a refeição – era uma regra básica de higiene no antigo Oriente, sobretudo, porque as estradas eram bastante precárias, as sandálias muito simples, o que deixava os pés sempre sujos, empoeirados. Além do estado permanente de sujeira dos pés, devido à simplicidade das sandálias e condições das estradas, as refeições não eram feitas em mesas altas como as de hoje, nem os comensais se sentavam em cadeiras, sobretudo nos ambientes mais simples. A mesa, geralmente, era apenas um tapete ou uma esteira estendida ao chão e, ao seu redor, sentava-se em almofadas ou diretamente no chão, o que deixava os pés muito próximos da comida. Por isso, lavar os pés antes das refeições era uma exigência básica de higiene.

O lava-pés era também um gesto de hospitalidade e acolhida: ao receber uma visita, o dono da casa oferecia, imediatamente, a água para lavar os pés. A grande novidade do gesto de Jesus está na sua autoria: no cotidiano, esse papel era próprio dos escravos; em ocasiões especiais, a mulher lavava os pés do marido, e o dono da casa lavava os pés de convidados ilustres, em sinal de respeito e reverência, mas isso era raro. Às vezes, também alguns mestres (rabis) exigiam que seus discípulos lhe lavassem os pés. Mas, no dia-a-dia, eram os escravos quem cumpriam esse serviço considerado humilhante. Ao fazer voluntariamente, Jesus inverte completamente os valores: sendo ele Mestre e Senhor (cf. vv. 13-14), fez o que era típico do escravo (ou do discípulo). Com esse gesto, Jesus diz que fica abolida a hierarquia na comunidade cristã, e a liturgia, enquanto rito, é substituída pelo serviço. Assim, ele ensinou aos discípulos de outrora e de sempre que eles devem estar dispostos a servir ao próximo em suas necessidades mais simples e básicas do dia-a-dia, inclusive nas mais humilhantes, como lavar os pés.

É claro que houve reação dos discípulos à atitude de Jesus. O primeiro a protestar foi Simão Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés” (v. 8). Ora, para quem tinha deixado tudo, imaginando seguir um futuro “Rei de Israel”, deve mesmo ser chocante deparar-se com um “servo”. Por isso, o espanto e a negação; o que Jesus estava fazendo era inaceitável para quem tinha ambiciosas pretensões de poder. A reação de Pedro revela também a resistência dos oprimidos nos processos de libertação: as relações de igualdade parecem algo impossível para quem conheceu apenas um mundo dividido entre grandes e pequenos, súditos e chefes, e acabou naturalizando essas condições; Jesus com suas palavras e gestos quis exatamente mudar essa realidade e visão de mundo. O mundo desigual, imposto pelo sistema e respaldado pela religião, estava naturalizado na visão de Pedro; a isso, Jesus combate, pois essa mentalidade não cabe na sua comunidade, enquanto embrião de um mundo novo, justo, fraterno, igualitário e solidário.

O outro motivo para a resistência de Pedro foi o medo das consequências do gesto de Jesus: se o mestre lava os pés dos outros, os seus discípulos deverão fazer o mesmo. Por isso, Pedro só aceitou a atitude de Jesus em última instância: se não aceitasse não poderia mais fazer parte da comunidade: “Jesus respondeu: Se eu não te lavar não terás parte comigo” (v. 8b). Aceitar um mestre servo e se fazer servo com ele e como ele é condição para fazer parte da comunidade cristã. Após a insistência de Jesus, Pedro aceitou, mas não compreendeu: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (v. 9). Com essa resposta, Pedro quis desviar o foco da proposta: quis transformar a atitude serviçal de Jesus em um novo rito de purificação, um a mais entre os muitos que os judeus já praticavam e que Jesus tanto combatia. Pedro não aceita a igualdade e não admite ter que servir ao próximo com a mesma intensidade com que Jesus servia. Ora, transformando a atitude do lava-pés em um novo rito de purificação, ele estaria se isentando do compromisso com o próximo e ganhando mais um mecanismo de dominação ideológica, contrariando o ensinamento de Jesus. Para fazer parte da comunidade de Jesus, ou seja, para ter parte com ele, é necessário aceitar a sua proposta de vida com a revolução de valores e as consequências que essa implica.

Mesmo com resistência nos discípulos, Jesus concluiu o seu gesto: “Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus sentou-se de novo” (v. 12). Sentar-se à mesa era um direito exclusivo das pessoas livres. Sentar à mesa e servir eram papéis incompatíveis: quem servia não tinha direito de sentar-se, e quem sentava não se humilhava servindo. Jesus aboliu essas diferenças. Sentar-se de novo após o serviço é a consolidação de uma verdadeira revolução de valores, uma inversão de ordem: no banquete da vida, vivido e celebrado pela comunidade cristã, há espaço para todos, principalmente para os que servem. Não pode haver divisão de classes na comunidade, porque todos são iguais: o que senta à mesa, serve, e o que serve, senta à mesa. O que era papel do escravo, lavar os pés, é agora papel também da pessoa livre que pode levantar-se e sentar-se conforme a necessidade. As divisões hierárquicas não tem espaço na comunidade cristã, porque nessa prevalece o movimento de sentar-levantar-sentar para que as necessidades do ser humano sejam atendidas, desde as mais simples, como tirar a poeira dos pés, até as mais complexas, como dar a própria vida por amor.

Para os discípulos, não era fácil abraçar uma nova mentalidade, ainda mais tão revolucionária quanto a de Jesus. Com essa inversão de papéis, Jesus fazia desmoronar nos discípulos os planos de grandeza e projetos de poder que eles tinham cultivado até então. Ora, eles não sonhavam com uma mudança de sistema, um novo modo de organização para a sociedade e a religião. Queriam que as estruturas de poder continuassem as mesmas, mudando apenas as lideranças: ao invés dos romanos, que fossem eles, os discípulos do Messias, que controlassem a vida do povo, mas com os mesmos mecanismos de dominação: exército, impostos, divisões de classe e uso da violência quando a estabilidade estivesse ameaçada. Até os últimos momentos de convivência essa mentalidade prevaleceu. Por isso, Jesus dedicou tanto tempo na última ceia para catequizá-los e promover neles a consciência de uma nova ordem, partindo do seu exemplo: “portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (vv. 14-15).

Jesus em sua liberdade fez o papel do escravo para mostrar que na sua comunidade não pode haver distinção de classe: não há mais espaço para a escravidão, pois todos e todas são livres. O medo de Pedro consistia em não aceitar essa mudança de paradigma, como hoje muitos ainda resistem, preferindo fechar-se a uma mentalidade mais alinhada à religião do templo, duramente combatido por Jesus, e distante dos valores do Evangelho. Jesus celebrou, assim, a páscoa da subversão: substituiu o rito pelo serviço, criou uma comunidade alternativa igualitária, na qual tudo deve ser orientado a partir do amor-serviço. Dessa comunidade não pode fazer parte quem prefere alinhar-se aos poderes que impedem um mundo e uma sociedade compatíveis ao modelo igualitário e fraterno proposto por Jesus.

Dia 02

Por que sofrer por antecipação?

Não é bom imaginar dores e problemas futuros, que só causam angústia e sofrimento.

Lembre-se de que o medo paralisa, fecha caminhos de sucesso e saúde e acaba com a tranquilidade mental.

Quem anda pelos trilhos da confiança se sente fortalecido e revigorado para enfrentar as adversidades.

É preciso se abandonar em Deus e confiar nele, sem nenhum receio.

“Isso, porque eu sou o Senhor, o teu Deus, eu te pego pela mão e digo: ´Não temas, que eu te ajudarei´”. (Is 41,13).

 

Evangelho do dia 01 abril quarta feira 2026


01 - Trabalhemos todos da maneira e com a intensidade que Deus quer; Ele sabe muito bem coordenar as nossas fadigas para os seus desígnios. (L 22).  SÃO JOSE MARELLO


Mateus 26,14-25
"
Então um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi falar com os chefes dos sacerdotes. Ele disse: - Quanto vocês me pagam para eu lhes entregar Jesus? E eles lhe pagaram trinta moedas de prata. E daí em diante Judas ficou procurando uma oportunidade para entregar Jesus. No primeiro dia da Festa dos Pães sem Fermento, os discípulos chegaram perto de Jesus e perguntaram: - Onde é que o senhor quer que a gente prepare o jantar da Páscoa para o senhor? Ele respondeu:- Vão até a cidade, procurem certo homem e digam: "O Mestre manda dizer: A minha hora chegou. Os meus discípulos e eu vamos comemorar a Páscoa na sua casa." Os discípulos fizeram como Jesus havia mandado e prepararam o jantar da Páscoa. Quando anoiteceu, Jesus e os doze discípulos sentaram para comer. Durante o jantar Jesus disse: - Eu afirmo a vocês que isto é verdade: um de vocês vai me trair. Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a perguntar: - O senhor não está achando que sou eu; está? Jesus respondeu:
- Quem vai me trair é aquele que come no mesmo prato que eu. Pois o Filho do Homem vai morrer da maneira como dizem as Escrituras Sagradas; mas ai daquele que está traindo o Filho do Homem! Seria melhor para ele nunca ter nascido! Então Judas, o traidor, perguntou:- Mestre, o senhor não está achando que sou eu; está? Jesus respondeu: - Quem está dizendo isso é você mesmo."

Meditação:

O tom dramático e doloroso das narrativas dos últimos dias de Jesus, em Jerusalém, marca as celebrações da Semana Santa.
A tradição da Paixão, elaborada na ótica da religião sacrifical do AT, apresenta o sofrimento como caminho necessário para a salvação.
Contudo, atentos à prática de Jesus, vemos que sua vida foi a plena manifestação do amor que liberta, removendo o sofrimento e promovendo a vida.
Em consequência foi perseguido até a morte. Tanto o sofrimento das multidões de excluídos como de Jesus resultam do sistema opressor sob controle de minorias que cooptam pessoas como Judas.
Ontem o evangelho falava da traição de Jesus e da negação de Pedro. Hoje temos o tema da traição de Judas na versão de Mateus.
A Palavra de Deus nos convida hoje a aprofundar a temática da traição de Judas. Os Doze estão à mesa, simbolismo de um novo projeto de humanidade a partir da comunhão do pão e do vinho. Quando Jesus anuncia que um vai traí-lo, todos dizem: “Serei eu, Senhor?”, reconhecendo Jesus como Senhor de suas vidas. 

Judas, ao contrário, pergunta: “Mestre, o senhor não está achando que sou eu; está?” Judas segue a mesma mentalidade dos que não entenderam o projeto messiânico de Jesus, que não é do poder, mas sim do Servo Sofredor que o torna Senhor, Filho de Deus. Em todo grupo humano sempre há alguém que tem preço; alguém que se vende e trai.

Na narração da paixão de Jesus, o evangelho de Mateus acentua muito o fracasso dos discípulos. Apesar de terem convivido três anos com Jesus, nenhum deles defende Jesus. Judas o trai, Pedro o nega, os outros fogem.
Mateus narra tudo isto não para criticar ou para condenar, nem para desanimar os leitores, mas para destacar que a acolhida e o amor de Jesus superam a derrota e o fracasso dos discípulos!
Esta maneira de descrever a atitude de Jesus era uma ajuda para a Comunidade do tempo de Mateus. Por causa das freqüentes perseguições, muitos desanimaram e tinham abandonado a comunidade e se perguntavam: "Será possível voltar?
Deus nos acolherá e perdoará?" Mateus responde sugerindo que nós podemos quebrar a relação dom Jesus, mas Jesus nunca rompe seu amor para conosco.
Seu amor é maior da nossa infidelidade. Esta é a mensagem importante que captamos no evangelho durante a Semana Santa.
Judas tomou a decisão após Jesus não ter aceito a crítica dos discípulos contra a mulher que desperdiçou um perfume muito caso só para ungir Jesus (Mt 26,6-13).
Foi procurar os sacerdotes e perguntou: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. Mateus cita as palavras do profeta Zacarias para descrever o preço combinado (Zc 11,12).
Ao mesmo tempo, a traição de Jesus por trinta moedas faz lembrar a venda de José por parte dos irmãos, decidia com os compradores por vinte moedas (Gn 37,28). Lembra também o preço de trinta moedas a ser pagas pelo ferimento de um escravo (Ex 21,32).
Jesus chegava da Galileia. Não tinha casa em Jerusalém. Passava as noites no Jardim das Oliveiras (Jo 8,1). Nos dias de festa da páscoa a população de Jerusalém triplicava por causa do grande número de peregrinos que chegavam de todas as partes.
Para Jesus não era fácil encontrar uma grande sala onde celebrar a páscoa junto com peregrinos vindos da Galileia, como ele.
Manda seus discípulos encontrar uma pessoa em cuja casa decidiu celebrar a Páscoa. O evangelho não oferece mais informações e deixa que a imaginação complete o que falta nas informações.
Era uma pessoa conhecida de Jesus? Um parente? Um discípulo? Ao longo dos séculos, a imaginação dos apócrifos soube completar esta informação, com pouca credibilidade.
Jesus sabe que será traído. Apesar de Judas fizesse tudo às escondidas, Jesus sabia. Mas, apesar disso, quer confraternizar com o grupo dos amigos a que Judas pertence.
Quando estavam reunidos pela última vez, Jesus anuncia quem é o traidor "aquele que comigo põe a mão no prato". Esta maneira de anunciar a traição torna ainda mais claro o contraste.
Para os judeus, comunhão ao redor da mesa, molhar junto o pão no mesmo prato, era a maior expressão de intimidade e confiança. Mateus sugere que, apesar da traição, realiza por alguém muito íntimo, Jesus é maior da traição!
O que impressiona em Mateus é maneira como descreve os fatos. Entre a traição e a negação insere a instituição da Eucaristia (Mt 26,26-29): a traição de Judas, antes (Mt 25,20-25); a negação de Pedro e a fuga dos discípulos, depois (Mt 25,30-35).
Assim, ele destaca para todos nós a incrível gratuidade de Jesus, que supera a traição, a negação e a fuga dos amigos. O amor dele não depende daquilo que os outros fazem a ele.
Até entre os eleitos por Jesus isso aconteceu. Ai Judas, “seria melhor que não tivesse nascido”! Teria sido mais útil não ter feito o caminho de Jesus se fosse terminar dessa maneira tão dolorosa e vergonhosamente triste.

Quanto nós temos de Judas em nossas vidas? Quantas vezes traímos o Senhor pela nossa falta de amor radical e de serviço generoso?

Nesta Semana Santa é importante que tenhamos algum tempo para tomar consciência da incrível gratuidade do amor de Deus por nós.

Reflexão Apostólica: 
Acredito muito na simbologia e na magia de fé que existe nessa semana, por isso, nesses anos que faço a reflexão diária do Evangelho, não me atrevo, por respeito, a acrescentar qualquer tipo de interpretação, pois a mensagem por si se explica.

Certa vez ouvi uma fábula, que pode ser contada a adultos e crianças:
“(…) Deus havia encarregado um dos seus anjos mais próximos de cuidar do seu rebanho de estrelas. Cada uma da sua cor e cada cor representava um dom de Deus.
Certa vez as estrelas pediram para o anjo que as deixasse vir a Terra e conhecer as maravilhas do criador. O anjo não vendo problema as autorizou sob a condição que após uma hora estivesse de volta. E assim aconteceu.
Uma hora mais tarde uma a uma voltavam ao céu. O anjo foi conferi-las. Não podia faltar nenhuma. Notou que uma delas não voltou – a estrela verde.
Procurando no glossário celeste, descobriu que a ESPERANÇA não voltou para o céu e, desde aquele dia, no rebanho dos dons de Deus, faltaria a Esperança, pois como Deus tudo sabe, não tem esperança.
Deus preocupado com o destino da humanidade enviou o anjo para trazer de volta a esperança que insistia em ficar na terra.
Ao descer a terra o anjo encontrou a esperança sentada numa pedra a chorar. Dizia que estava inconsolável, pois viu o AMOR morrer numa CRUZ traído pela AMIZADE e pela falta de FÉ. O Anjo olhou nos olhos daquela pequena estrela e disse: Não se preocupe! O AMOR nunca morrerá.
Sem perceber, as lágrimas da ESPERANÇA caíram na terra. O anjo a pegou pela mão e disse: Vamos! Não tenha medo!
Do céu o anjo via admirado que pontos verdes apareciam na terra. A suprema entrega do AMOR na cruz fez brotar a ESPERANÇA."
O AMOR sempre teve ESPERANÇA na AMIZADE se convertesse e não o levasse para Cruz.
Não creio que Judas era “predestinado” a ser o traidor de Cristo. Creio que Deus revelava dia-a-dia o que Jesus deveria saber, prova é que Ele em certo momento diz não saber o dia da sua volta Gloriosa. Não é difícil de acreditar que isso só foi revelado pelo Pai a Jesus apenas na Santa Ceia.
O anjo levou a ESPERANÇA de volta para Deus. O AMOR devolveu a DEUS a esperança na conversão da criatura.
É um fato: A AMIZADE selou com um beijo a traição ao AMOR. Durante três dias a ESPERANÇA permaneceu inconsolável e escondida por uma pedra, mas ao raiar do dia, um anjo revelou que o AMOR NUNCA MORRERIA.

(…) Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor. Mas o anjo disse às mulheres: NÃO TEMAIS! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. NÃO ESTÁ AQUI: RESSUSCITOU COMO DISSE. Vinde e vede o lugar em que ele repousou”. (Mt 28,1-6)

Propósito: Pedir perdão a Jesus, por todas as traições que hoje Ele sofre no mundo, quando as pessoas se deixam vender

Dia 01

É preciso aceitar que os fracassos e as dificuldades fazem parte da existência sem perder a fé nem a esperança.

Preservar, eis a chave para a conquista da felicidade.

Por isso, trabalhe com amor e alegria; reze com fé e perseverança; dedique-se mais à família, e faça o propósito de melhorar a cada dia.

Mesmo que, no caminho, encontre muitos desafios, jamais desanime!

Prossiga irradiando coragem de viver.

Construa hoje um amanhã melhor.

Confie sempre em Deus!

“Em Deus confio, não temerei: o que um homem me pode fazer?”

(Sl 56[55],12).

 

Evangelho do dia 31 março terça feira 2026


31 - Que São José cubra com o seu manto paterno os seus filhos devotos. (L 272). SÃO JOSE MARELLO


João 13,21-33.36-38

"
Depois de dizer isso, Jesus ficou muito aflito e declarou abertamente aos discípulos: - Eu afirmo a vocês que isto é verdade: um de vocês vai me trair. Então eles olharam uns para os outros, sem saber de quem ele estava falando. Ao lado de Jesus estava sentado um deles, a quem Jesus amava. Simão Pedro fez um sinal para ele e disse: - Pergunte de quem o Mestre está falando. Então aquele discípulo chegou mais perto de Jesus e perguntou:- Senhor, quem é ele? - É aquele a quem vou dar um pedaço de pão passado no molho! - respondeu Jesus. Em seguida pegou um pedaço de pão, passou no molho e deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. E assim que Judas recebeu o pão, Satanás entrou nele. Então Jesus disse a Judas: - O que você vai fazer faça logo! Nenhum dos que estavam à mesa entendeu por que Jesus disse isso. Como era Judas que tomava conta da bolsa do dinheiro, alguns pensaram que Jesus tinha mandado que ele comprasse alguma coisa para a festa ou desse alguma ajuda aos pobres. Judas recebeu o pão e saiu logo. E era noite. Quando Judas saiu, Jesus disse: - Agora a natureza divina do Filho do Homem é revelada, e por meio dele é revelada também a natureza gloriosa de Deus.E, se por meio dele a natureza gloriosa de Deus for revelada, então Deus revelará em si mesmo a natureza divina do Filho do Homem. E Deus fará isso agora mesmo. Meus filhos, não vou ficar com vocês por muito tempo. Vocês vão me procurar, mas eu digo agora o que já disse aos líderes judeus: vocês não podem ir para onde eu vou. Eu lhes dou este novo mandamento: amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros. Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus discípulos. Simão Pedro perguntou a Jesus: - Senhor, para onde é que o senhor vai? Jesus respondeu: - Você não pode ir agora para onde eu vou. Um dia você poderá me seguir! Pedro tornou a perguntar: - Senhor, por que eu não posso segui-lo agora? Eu estou pronto para morrer pelo senhor!
- Está mesmo? - perguntou Jesus. - Pois eu afirmo a você que isto é verdade: antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece."

Meditação:

Estamos no terceiro dia da Semana Santa. Os textos do Evangelho destes dias nos colocam diante de fatos terríveis que levarão à captura e à condenação de Jesus.
Os textos não nos apresentam só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, mas também as traições e as negações dos discípulos que possibilitaram a prisão de Jesus por parte das autoridades e contribuíram a aumentar mais ainda o sofrimento de Jesus.
Na última Ceia, com seus apóstolos, logo antes de ser entregue aos inimigos, Jesus senta-se à mesa lado a lado com o traidor.
Ao contrário do que pintaram muitos artistas, ao longo da História, inclusive na célebre tela de Leonardo da Vinci, não é Pedro que está junto a Jesus. É Judas Iscariotes.
O Evangelho de João apresenta um longo discurso de Jesus, após ter lavado os pés dos discípulos (Jo 13,2-11) e ter falado da obrigação que temos de nos lavar os pés uns dos outros (Jo 13,12-16), Jesus se comove profundamente. E não deve causar maravilha.
Ele estava realizando aquele gesto de serviço e de dom total de si, enquanto a seu lado um dos discípulos estava tramando como traí-lo naquela mesma noite.
É um do círculo íntimo de Jesus que fará a traição fatal. Uma cena chocante e tão real, que não poderia ser fruto da imaginação.
Jesus expressa sua emoção dizendo: "
Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará!" Não diz: "Judas me trairá", mas "um de vós". É algum de seu grupo de amizade que o trairá.
O anúncio de Jesus sobre a traição iminente desconcerta seus discípulos. Eles ficam assustados. Não esperavam esta declaração, isto é que um deles teria sido o traidor.
Pedro faz um sinal a João, o discípulo a quem Jesus ama, para pedir a Jesus quem dos doze teria cometido a traição. Sinal este que não se conheciam bem, não conseguiam entender quem pudesse ser o traidor. Sinal que a amizade entre eles não tinha chegado à mesma transparência de Jesus em relação a eles ( Jo 15,15). João inclina-se perto de Jesus e lhe pergunta: "
Quem é?"
Jesus diz: é aquele para quem vou molhar um pedaço de pão e vou lhe dar. Em sinal de amizade, acena com um gesto acolhedor, pega um pedaço de pão, o molha e o dá a Judas. 
Era um gesto comum e normal que os participantes numa refeição costumavam fazer. E Jesus disse a Judas: "
O que tens a fazer, executa-o depressa!"
Judas guardava a bolsa comum. Era o responsável para comprar as coisas e dar a esmola aos pobres. Por isso, ninguém intuiu nada de especial no gesto e nas palavras de Jesus.
O amor de Jesus é um amor que não julga, que não conhece limites, que se estende ao inimigo mortal, que não força ninguém, que desiste da possibilidade de rechaço.
Para quem está com Ele não há inimigos a serem delatados. O Seu propósito não é denunciar o traidor nem o delatar diante de seus companheiros, mas oferecer a última oportunidade de se arrepender. É em vão. A tentativa de Jesus fracassa.  
Nesta descrição do anúncio da traição encontra-se o eco do salmo em que o salmista se lamenta do amigo que o traiu: "
Até mesmo o meu amigo, em que confiava e que comia do meu pão, é o primeiro a me trair" (Sl 41,10; Sl 55,13-15).
Judas toma consciência que Jesus estava a par de tudo ( Jo 13,18). Mas, apesar de sabê-lo, não volta atrás e mantém sua decisão de trair o Mestre.
É este o momento em que se dá a separação entre Judas e Jesus. Jesus manifesta seu total respeito pela liberdade humana, ao preço de sua própria vida. João afirma que satanás entrou nele. Judas se levanta e sai. Posiciona-se do lado do adversário (satanás). João comenta: "
Era noite". Era escuridão.
É como se a história tivesse esperado este momento de separação entre luz e trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entram em Judas quando ele decide de executar o que estava tramando.
Naquele momento se fez luz em Jesus que declara: "
Agora foi glorificado o Filho do homem, e Deus foi glorificado nele".
Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará logo!" Tudo o que acontecer por diante é por contagem regressiva.
As grandes decisões já foram tomadas seja por parte de Jesus (Jo 12,27-28) e agora por parte de Jesus. Os eventos se precipitam.
Jesus o anuncia: "
Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo como eu disse também aos judeus: 'Para onde eu vou, vós não podeis ir'". Falta pouco para a passagem, para a Páscoa.
Junto com a traição de Judas, o evangelho fala também da negação de Pedro. São os dois fatos que mais contribuem para a dor de Jesus. Pedro afirma que está disposto a dar a vida por Jesus. Jesus o chama à realidade: "
Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo, o galo não cantará ante que me tenhas negado três vezes".
Marcos escreveu: "
Antes que o galo cante duas vezes, tu me terás negado três vezes" (Mc 14,30). Todos sabem que o galo canta rapidamente. Quando pela manhã o primeiro galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os galos cantam juntos. Pedro é mais rápido em sua negação que o galo a cantar!
Judas, o amigo, se torna traidor. Pedro, o amigo, nega Jesus. E eu? Fico no lugar de Jesus e penso: como enfrentar a negação e a traição, o desprezo e a exclusão?

Reflexão Apostólica: 
No Evangelho de hoje, não necessitamos de muitos esclarecimentos. A própria leitura já nos apresenta a VERDADE.
A traição anunciada nas Palavras do próprio Jesus e também através dos Profetas para a nossa glória. O Pai tudo faz com perfeição, embora não saibamos como Ele decide. Ele é Deus!
Pelas palavras do evangelista nós percebemos que Jesus “ficou profundamente comovido” quando testemunhou que um deles O trairia.
Mesmo sabendo que iria ser traído por Judas e que Pedro o negaria Jesus prosseguia na sua missão e não desanimava diante da perspectiva de que seria abandonado pelos Seus servos. Afinal, fora para aquele momento que Ele viera ao mundo e nele o Pai seria glorificado.
Trazendo esta reflexão para a nossa vida pessoal, nos parece, que dentro do contexto das ações humanas sempre haverá alguém que terá a função de trair e, por isso, nós precisamos nos manter atentos (as), até quando servimos a Deus, para que a nossa fraqueza não nos imponha o papel de traidores (as).
Nós também temos dificuldades de entender os sinais de Deus e, por isso mesmo, muitas vezes, nós olhamos para as “evidências” e julgamos os outros, sem nos apercebermos de que também nós somos capazes de trair a Deus.
Nunca achamos que podemos ser nós, os responsáveis pelas coisas que não dão certo, todavia, o Senhor que conhece os nossos corações, sabe, de antemão, quando o havemos de trair, de negar, mas também tem ciência de quanto nós O podemos glorificar quando cumprimos com a nossa missão.
Está nas Palavras que também seremos provados, assim como Pedro foi. Hora nós agimos como Pedro, hora nós somos como Judas.
Sigamos Jesus até o fim e seremos salvos, mesmo nas maiores provações, pois assim diz o Filho de Deus. Os JUDAS de hoje, continuam matando a Jesus, trocando a Ele pelo dinheiro, pela ciência e pelo reconhecimento dos homens.
Há vidas entregues livremente para que seja possível o Reino. Fruto desta entrega é o dom do Espírito de Deus que dá ao ser humano a capacidade de amar sem limites, fazendo-o plenamente humano, ao estilo de Jesus.

Você sabia que trai a Deus quando não está vivendo segundo a Sua vontade? Você sabe que negar a Deus é não dar testemunho dos dons e das graças de Deus na sua vida? Você acha que o Senhor conhece o seu coração? Nós nos abrimos incondicionalmente ao amor sem limites?
Peçamos ao Senhor a graça de sermos como João, o discípulo amado, que se recostava no peito de Jesus e a quem o Mestre confidenciava os Seus segredos a fim de que não estejamos entre os infiéis.

Propósito: Acolher Jesus na pessoa dos irmãos. Deixar de ser como Pedro: distante e sem compromisso

Dia 31

Deus não se satisfaz somente com ritos, leis e cerimônias.

Embora isso seja necessário, a vida terá sentido somente se for cultivada uma profunda vida interior.

De acordo com os ensinamentos do Mestre, todos devem seguir seu exemplo não olhando a aparência externa

das pessoas, mas o coração.

A purificação interior é obra do Espírito Santo, que vai ocorrer à medida que as pessoas permitirem que ele aja em suas vidas.

A simplicidade de coração aproxima as pessoas de Deus e dos demais.

“Mas o Senhor disse-lhe: ´Não te impressiones com sua aparência, nem com sua grande estatura; não é este

que eu quero. Meu olhar não é o dos homens: o homem vê a aparência o Senhor vê o coração´”. (1Sm 16,7).

 


Evangelho do dia 30 março segunda feira 2026


30 - Se São José não concedesse graças, não seria mais São José. (S 173). São Jose Marello


João 12,1-11
"Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi ao povoado de Betânia, onde morava Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado. Prepararam ali um jantar para Jesus. Marta ajudava a servir, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria pegou um frasco cheio de um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela derramou o perfume nos pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e toda a casa ficou perfumada. Mas Judas Iscariotes, o discípulo que ia trair Jesus, disse: - Este perfume vale mais de trezentas moedas de prata. Por que não foi vendido, e o dinheiro, dado aos pobres? Judas disse isso, não porque tivesse pena dos pobres, mas porque era ladrão. Ele tomava conta da bolsa de dinheiro e costumava tirar do que punham nela. Então Jesus respondeu: - Deixe Maria em paz! Que ela guarde isso para o dia do meu sepultamento. Os pobres estarão sempre com vocês, mas eu não estarei sempre com vocês. Muitas pessoas ficaram sabendo que Jesus estava em Betânia. Então foram até lá não só por causa dele, mas também para ver Lázaro, o homem que Jesus tinha ressuscitado. Então os chefes dos sacerdotes resolveram matar Lázaro também; pois, por causa dele, muitos judeus estavam abandonando os seus líderes e crendo em Jesus."

Meditação

Na iminência de sua morte em Jerusalém, seis dias depois, também com a ceia da vida, Jesus celebra com os discípulos o cumprimento fiel de seu ministério.
Betânia quer dizer “casa do oprimido”. Trata-se da comunidade de Jesus reunida depois da ressurreição de Lázaro. A comunidade celebra no serviço (Marta), mostrando o amor a Jesus (Maria) e compartilhando a mesa (Lázaro), a vida que Jesus lhes comunicou.
Os membros da comunidade demonstram sua identificação com Ele, o que os leva a se entregarem, também eles, para dar vida aos demais.
Judas não compreende nem o serviço, nem o amor, nem o compartilhar. Há dois projetos opostos: o de Judas que com seu afã de apropriação, cria pobreza e sob o pretexto da solidariedade, utiliza os pobres em proveito próprio. E há o projeto de Jesus, para quem a solução para a pobreza está na doação total de si aos demais.
Não é a fria beneficência que liberta, mas a calorosa reação pessoal, que dá aos oprimidos dignidade e igualdade integrando-os à comunidade fraterna.
 Entramos na Semana Santa, a semana da páscoa de Jesus, de sua passagem deste mundo ao Pai (Jo 13,1). A liturgia de hoje coloca diante de nós o início do capítulo 12 do evangelho de João, que tem a tarefa de fazer a ligação entre o Livro dos Sinais (cc 1-11) e o Livro da Glorificação (cc.13-21).
No final do "Livro dos Sinais" aparecem com clareza a tensão entre Jesus e as autoridades religiosas da época (Jo 10,19-21.39) e o perigo que corria Jesus.
Várias vezes tinham tentado matá-lo (Jo 10,31; 11,8.53; 12,10). Tanto é verdade que Jesus viu-se obrigado a levar uma vida clandestina, porque podia ser preso a qualquer momento (Jo 10,40; 11,54).
Estamos na Semana Santa. Oportunidade única para perguntarmos sinceramente: como eu pessoalmente vivo e como vive em nossa comunidade o serviço, o amor e a caridade?
Ontem, Domingo de Ramos, demos início, como Igreja, à Semana Santa. Esta é a semana mais importante de todo o ano litúrgico.
Dia-a-dia a liturgia nos convidará a viver com mais intensidade os últimos momentos da vida de nosso mestre Jesus, antes de sua gloriosa ressurreição, através da qual Ele inaugura um novo modo de presença entre nós, seus súditos.
Ontem, Jesus entrou em Jerusalém, aclamado pelo mesmo povo que irá gritar o "crucifica-o!" na sexta-feira próxima! Ao longo desta semana as leituras nos conduzirão a entender melhor porque Jesus foi tão firme e fiel até o fim.
A primeira leitura, do livro do profeta Isaías, trará o que chamam os estudiosos bíblicos de CÂNTICOS DO SERVO. São 4 cânticos que, se atualizados em Jesus, nos fazem compreender com mais profundidade sua missão.
Os salmos serão sempre de apelo ao PAI, como que buscando forças para não fraquejar diante dos eminentes desafios do sofrimento e da morte.
E as leituras do Evangelho, traçarão os últimos momentos de Jesus.
Portanto, com a liturgia, somos convidados pela Igreja a estarmos mais próximos de Jesus, a não o abandonarmos como farão quase todos os seus queridos, a mostrarmos a Ele que pode contar conosco.
A presença d'Ele é muito mais importante que qualquer bem, dinheiro ou posição social que este possa nos dar.
Por isso, a começar de hoje, possamos gastar todo o "perfume" do nosso tempo para aproveitarmos a presença do Mestre!
Meditemos: Maria foi mal interpretada por Judas. Você já foi mal interpretado (a) alguma vez? O que nos ensina o gesto de Maria? O que nos diz a reação de Judas?

Reflexão Apostólica: 
Antes de tudo reflita essa frase. Pode até parecer um grande jargão, mas O MUNDO AO NOSSO REDOR MUDA QUANDO RESOLVEMOS, DE FATO, MUDAR TAMBÉM.
Voltando… Esse evangelho nos apresenta diversas possibilidades de reflexão entre elas: ATITUDE, DEDICAÇÃO e o VALOR REAL e APARENTE das coisas.

ATITUDE: “Então Maria pegou um frasco cheio de um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela derramou o perfume nos pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos

Quando realizamos ou desempenhamos uma função seja ela no trabalho, em casa, na igreja, (…) temos que ter a idéia se isso vale a pena, pois se tivermos a convicção que isso tem um grande valor teremos mais motivação para dar o máximo para que este se concretize.
Ninguém joga um jogo (nem palitinho) pensando e perder. Quem entra num jogo sem vontade de dar o seu máximo, não conseguirá motivar ninguém a jogar com você novamente. Nossas pastorais carecem de gente de atitude e motivada.
Note que a vontade de Maria era agradar seu ilustre hóspede, por isso não mediu esforços para que isso acontecesse. Não estou falando do valor do frasco de perfume, mas na atitude de ter oferecido o seu melhor para agradar. E nós? Ofertamos o nosso melhor no que fazemos?
DEDICAÇÃO: “E toda a casa ficou perfumada”.
Quando de fato nos entregamos a algo de todo coração, não há como, o que está a nosso redor também não se “contaminar”.

Fazer algo com prazer e focado nas pessoas nos gratifica ao ponto de vermos a graça de Deus pairando sobre o que estamos fazendo.

Isso não se estende somente à Igreja, a um Grupo, a uma Equipe, a uma Comunidade. Esse gesto intenso de amor tem grandes frutos nos ambientes de trabalho e de convívio social.
VALOR REAL e VALOR APARENTE: “Este perfume vale mais de trezentas moedas de prata. Por que não foi vendido, e o dinheiro, dado aos pobres?
Boa parte das grandes idéias e ações não sai do papel ou no primeiro ano de aplicação por falta de convencimento pessoal ou de fé em si mesmo.

Pergunte-se: O que faz ou está fazendo atualmente lhe agrada? Consegue ver os frutos do seu trabalho nascer? Está convencido que não está sozinho ou que o pensamento ou idéia não é só seu? Consegue manter um projeto, ideal ou sonho sozinho? Todo esforço já empenhado valeu a pena?
Conheço pessoas que tem a sensação que carregam seus Grupos, suas Equipes, suas Comunidades nas costas. E assim também são no trabalho, em casa, na rua, (…). O que procuram? Refletem sobre isso?
O zelo pode também esconder a necessidade que temos de valorização. Ninguém conseguirá, sem conhecer bem sobre o assunto, apresentar o devido valor a algo ou a alguém.
Para um simples leigo, um quadro de Van Gogh não deixará de ser uma tela qualquer ou um emaranhado de tintas, mas aos olhos de que de fato nos conhece, sabe o que fazemos e como estamos fazendo.
Maria, do evangelho de hoje, soube, através da simplicidade, a quem deveria agradar. Não podemos esperar de quem não conhece ou ama, o devido valor pelas coisas que fazemos.

Não fazemos e nem podemos fazer algo apenas por A ou B, pois a essência do nosso trabalho deve perfumar a casa toda onde todos habitam.
Um canto, o arranjo de uma música, como o Magnificat, não pode agradar apenas a mim, "meu" Movimento, "minha" Pastoral.

Minhas decisões não podem ser tão individualistas que neguem a entrada dos irmãos. A idéia pode ser minha, mas a obra é de Deus e por Ele que nos empenhamos: “(…) Pois toda casa tem seu construtor, mas o construtor de todas as coisas é Deus. Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo e testemunha das palavras de Deus. Cristo, porém, o foi como Filho à frente de sua própria casa. E sua casa somos nós, contanto que permaneçamos firmes, até o fim, professando intrepidamente a nossa fé e ufanos da esperança que nos pertence”. (Hb 3,3-6)
O que faço vale muito! Derrame-se por completo!

Propósito: Ter o comportamento de Maria, de humilhação, obediência e sujeição a Cristo.

Dia 30

Sempre é bom recomeçar!

Em vez de procurar desculpas para os erros e fracassos, reflita e siga em frente.

Quando se lastima, o maior prejudicado é você mesmo.

Quem se esforça e persevera consegue superar os limites e atinge as metas a que se propôs.

À medida que têm perseverança, todos amadurecem.

 “No entanto, qualquer que seja o ponto a que tenhamos chagado, continuemos na mesma direção”. (Fl 3,16).

 


quinta-feira, 26 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 29 MARÇO 2026 - DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR


29 março - É necessário pedir a São José a tranquilidade e a igualdade de espírito; ele era sempre igual a si mesmo, tanto quando dava ordens a Jesus, a Sabedoria do Pai, como quando exercia a sua profissão, ocupando-se com os trabalhos mais humildes e grosseiros. (S 173). São José Marello


"Este era verdadeiramente Filho de Deus!” - Mateus 26,14–27,66
29 março 2026

[...]. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da condenação: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. Com ele também crucificaram dois ladrões, um à sua direita e outro, à esquerda. Os que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: “Tu que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” Do mesmo modo zombavam de Jesus os sumos sacerdotes, junto com os escribas e os anciãos, dizendo: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel: desça agora da cruz, e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que o ama! Pois ele disse: ‘Eu sou Filho de Deus’”. Do mesmo modo, também o insultavam os dois ladrões que foram crucificados com ele. Desde o meio-dia, uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde. Pelas três da tarde, Jesus deu um forte grito: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o disseram: “Ele está chamando por Elias!” E logo um deles correndo, pegou uma esponja, ensopou-a com vinagre, colocou-a numa vara e lhe deu de beber. Outros, porém, disseram: “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!” Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. Nisso, o véu do Santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitas pessoas. O centurião e os que com ele montavam a guarda junto de Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: “Este era verdadeiramente Filho de Deus!” [...].

Reflexão para o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor - Mateus 26,14 – 27,66 (Ano A)

Todos os anos, na liturgia do domingo de ramos, faz-se a leitura de uma das narrativas da paixão de Jesus. Neste ano, temos a oportunidade de ler e refletir a partir do relato de Mateus. Pela sua extensão, a liturgia salta alguns versículos, propondo a leitura já à partir da traição de Judas, e terminando com o sepultamento: Mt 26,14 – 27,66; mesmo assim, a leitura proposta continua longa, totalizando 128 versículos; essa longa extensão, obviamente, nos impede de fazer um comentário mais pormenorizado. Por isso, procuraremos colher a mensagem global do texto e, na medida do possível, enfatizar os aspectos mais relevantes, destacando alguns detalhes que pertencem exclusivamente ao relato de Mateus.

Os relatos da paixão e morte de Jesus constituem o núcleo de base da redação dos evangelhos. Embora o nosso foco nesse ano seja especificamente o relato de Mateus, os aspectos introdutórios que abordamos aqui valem também para os demais evangelhos. Ora, as primeiras páginas escritas dos livros que hoje conhecemos como evangelhos, foram exatamente as narrativas da paixão e morte de Jesus. Como a catequese e a vida litúrgica das primeiras comunidades giravam em torno do anúncio do Cristo Ressuscitado, aos poucos, surgiram muitas dúvidas a seu respeito, tipo: “Como ele viveu? Como foi a morte daquele que ressuscitou?”. Diante de tais questionamentos, a primeira necessidade foi contar como se deu a morte de Jesus, pois só ressuscita quem passa pela morte. Logo, era necessário contar como Jesus morreu.

Com as primeiras perseguições, tanto das autoridades romanas quanto dos líderes religiosos judeus, a morte se tornava cada vez mais presente nas comunidades, e o anúncio e a adesão ao nome de Jesus passava a ser sinal de perigo. Para quem não tinha convivido com Jesus, tornava-se cada vez mais difícil perseverar na fé, acreditar no seu nome e na sua ressurreição. E, para animar e fortalecer uma comunidade ameaçada pela perseguição, nada melhor do que reconstruir a história da perseguição e morte de Jesus, enaltecendo sua fidelidade aos propósitos do Pai e sua resistência. Os evangelhos, enquanto livros, surgiram, portanto, como resposta às dúvidas e crises vividas pelas primeiras comunidades. É claro que toda a vida de Jesus, desde o início com a pregação do Batista, é edificante para as comunidades cristãs. Mas, a memória da sua paixão foi a primeira necessidade para dar credibilidade ao anúncio da ressurreição. Ao ler o relato da paixão, portanto, estamos lendo o ponto de partida do evangelho escrito.

Tendo acesso hoje aos textos inteiros dos evangelhos, percebemos que o relato da paixão que estamos lendo mostra a conclusão de uma vida que não poderia ter um fim diferente. Ora, desde o início, a mensagem de Jesus foi uma alternativa aos sistemas vigentes, político e religioso. Logo, seu desfecho final foi o rechaço por parte desses sistemas. Durante a sua trajetória terrena, Jesus praticou e pregou o que a religião e o sistema político da época não aceitavam: o amor incondicional ao próximo, a justiça, a gratuidade nas relações, o perdão ilimitado, o cuidado com os mais necessitados, a solidariedade, a acolhida aos excluídos e marginalizados, e o bem acima de tudo. Uma vida marcada por estas características não poderia ter outro fim, senão a condenação e morte precoces, pelos sistemas que não compactuavam com essa mensagem. É importante perceber que a cruz, a pior das penas aplicadas na época, não foi predestinação e nem acidente, mas consequência de uma trajetória marcada pelo inconformismo diante das atrocidades do sistema. Jesus não se adequou aos padrões de comportamento da época: não foi um cidadão exemplar, como exigia o poder romano, nem um devoto fiel, como exigia a religião judaica, pois sua obediência e fidelidade estava toda voltada para o Pai do céu.

O relato é situado em Jerusalém, onde Jesus já se encontrava com seus discípulos para a celebração da páscoa, a festa dos judeus por excelência. Ao entrar em Jerusalém, Jesus foi acolhido triunfantemente como o profeta de Nazaré da Galileia (cf. Mt 21,1-11). Ali, desenvolveu o seu ministério por alguns dias em meio à tensões e conflitos com os comerciantes do tempo (cf. Mt 21,12-14) com os grupos e autoridades religiosas, especialmente os fariseus, saduceus, sacerdotes e escribas (cf. Mt 21,23-27,45; 22,23-33; 23,13-36), como preparação para o confronto final. Foi, portanto, na cidade santa que Jesus foi condenado, o que não lhe surpreendera, pois ele mesmo já tinha alertado: “Jerusalém, Jerusalém, que matas profetas e apedrejas os que te são enviados” (Mt 23,37a). Inclusive, ele mesmo tinha prevenido os seus discípulos com os três anúncios da paixão, que seria condenado e morto em Jerusalém, pelos sumos sacerdotes e escribas (cf. Mt 16,21; 17,22-23; 20,17-19).

Assim, a morte trágica de Jesus, foi consequência de uma inteira existência marcada por uma opção radical pelas causas do seu Pai, a quem foi fiel e obediente até às últimas consequências. Durante seu ministério na Galileia, houve conflitos doutrinais com os fariseus e outros grupos; mas é em Jerusalém que as disputas passam do campo doutrinal para a esfera do poder. A páscoa, como sabemos, é a festa em que os judeus faziam memória da libertação da escravidão do Egito, tinha como ponto alto a ceia pascal, na qual comia-se o cordeiro imolado, símbolo da festa. Ciente de que era a sua última, estando à mesa com os discípulos, Jesus mesmo se apresenta como cordeiro, doando a sua existência (Mt 26,26-30).

Como um relato edificante para a comunidade, a narrativa da paixão serve de alerta e denúncia, não apenas às autoridades que executaram Jesus, mas também às incoerências da comunidade. Por isso, recordamos um dado bastante negativo que, certamente, levou a comunidade do evangelista a refletir e ponderar quando sofria perseguição, que é a dispersão e abandono dos discípulos no momento da sua prisão: “Então, todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram” (Mt 26,56). Os discípulos ficam com medo e sentem-se frustrados ao perceber que o projeto de Jesus não corresponde às suas expectativas. São os mesmos que, no início do Evangelho, deixaram barco, família, redes e até coletoria de impostos para segui-lo (cf. Mt 4,20.22; 9,9). Agora, é a Jesus que eles abandonam. É uma advertência à comunidade e, ao mesmo tempo, um consolo: deve haver resistência e força para não desistir, mas sendo composta de seres humanos, a comunidade será sempre passível de medos e incoerências.

O duplo julgamento de Jesus, um religioso e outro político, ou seja, diante do sinédrio (26,57-68) e de Pilatos (27,11-26), mostra a covardia e a hipocrisia da união das forças hostis quando tem um inimigo em comum, pois os poderes romano e judaico não se suportavam. O sinédrio, órgão jurídico máximo do judaísmo, o acusa de blasfêmia, e ao poder romano ele será denunciado como subversivo e agitador, alguém que pretende ser rei. Esses dois poderes estavam viciados na corrupção, no suborno e na mentira; mantinham um relacionamento de conveniência, tendo o povo pobre como alvo de suas cobiças. O movimento de Jesus surgiu como alternativa a tudo isso; logo, a repressão seria inevitável. Aqui, é importante recordar um detalhe: como a comunidade de Mateus vivia mais tensões com o judaísmo do que qualquer outra, ele enfatiza mais a culpa do sinédrio do que a do poder romano. Um dado do texto que enfatiza isso é o fato de ser somente o seu evangelho a mencionar Pilatos lavando as mãos, querendo, com isso, isentar-se de culpa pela condenação de Jesus (27,24).

A cruz é decretada como pena exemplar para Jesus (27,26.35). Em plena páscoa, sua festa máxima, a religião oficial não hesita em ser conivente com a condenação de um inocente e justo. Os líderes religiosos, mais do que nunca, colocaram a Lei e a doutrina acima da vida. Não obstante tanto sofrimento, Jesus manteve-se firme em seus propósitos e na confiança no Pai. Não hesitou, mesmo não escondendo a sua humanidade. Gritou de dor, lamentou-se, mas não abriu mão de suas convicções (27,46-48). Em meio ao suplício e ao abandono dos seus, Jesus faz prevalecer as convicções de seguir até o fim. Aquele projeto de vida nova, com justiça, igualdade e amor sem distinção não poderia ser jogado fora de repente. O rosto amoroso do Pai que ele veio revelar não poderia ser escondido.

A cruz veio, portanto, como consequência de uma vida toda marcada pelo amor. E, nele, ao invés de ser simplesmente sinal de condenação, a cruz se tornou sinal de salvação e de reconhecimento do seu amor e de sua pertença a Deus. Na cruz ele foi escarnecido e humilhado, mas também reconhecido em sua mais profunda identidade: “Ele era mesmo era o mesmo Filho de Deus!” (27,54). Surpreende que essa declaração não saiu de nenhum discípulo, mas daqueles que executaram a pena: o oficial e os soldados. Isso é significativo em dois aspectos, principalmente: primeiro, porque é na morte de cruz que a identidade de Jesus é plenamente revelada; segundo, porque daquele momento em diante, todos, independentemente da etnia e da religião, puderam conhecer o rosto verdadeiro de Deus revelado no seu filho amado.

O reconhecimento do oficial e dos soldados é mencionado logo após o evangelista dizer que “a cortina do santuário se rasgou de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se abriram” (27,51). O rasgar-se do véu do santuário é um dado comum aos três sinóticos (cf. Mt 27,51; Mc 15,38; Lc 23,45); já o sucessivo terremoto, cuja descrição continua nos versículos seguintes (cf. Mt 27,51-53), é exclusividade de Mateus. Esse dado simbólico significa a falência completa da religião e do sistema político que tinham acabado de matar Jesus. A cortina ou véu do santuário marcava a divisória do espaço sagrado do templo: somente os sacerdotes podiam ultrapassar a divisória demarcada pelo véu. Jesus, mesmo morrendo, mostra sua força; consegue abolir as divisões e rótulos impostos pela religião. De agora em diante, conhece a Deus quem segue o seu filho até as últimas consequências, quem vê na cruz instrumento de libertação e não mais quem frequenta o templo e pratica a Lei. A imagem do terremoto, exclusiva de Mateus, simboliza a instauração de uma nova ordem no mundo; significa a renovação completa da humanidade, compreendendo a destruição das antigas estruturas e o surgimento de um mundo novo, fundado no amor de Deus revelado por Jesus.

Compreendendo a fidelidade com que Jesus abraçou o projeto de tornar o Reino de Deus acessível a todos, é possível perceber que a morte não é capaz de destruir a vida de quem se dedica dessa maneira ao bem de todos. Em meio ao suplício e ao abandono dos seus, Jesus faz prevalecer as convicções de seguir até o fim. Aquele projeto de vida nova, com justiça, igualdade e amor sem distinção não poderia ser jogado fora de repente. O rosto amoroso do Pai que ele veio revelar não poderia ser escondido. A cruz veio, portanto, como consequência de uma vida toda marcada pelo amor. E, nele, ao invés de ser simplesmente sinal de condenação, a cruz se tornou sinal de salvação e de reconhecimento do seu amor e de sua pertença a Deus.

Dia 29

Qual é o real significado da oração?

Talvez pareça que é somente recitar, repetir as preces decoradas na infância.

No entanto, significa muito mais que isso.

É falar, dialogar com o Senhor, apresentar-lhe tudo o que existe no coração.

Por isso, reze, peça e insista.

Mesmo que não possa ir a uma igreja, reze sozinho no quarto, em casa ou em qualquer lugar.

Ore em todas as circunstâncias e em todo lugar.

“Pedi e vos será dado!

Procurai e vos encontrareis!

Batei e a porta vos será aberta!

Pois todo aquele que pede recebe, quem procura encontra, e a quem bate, a porta será aberta”. (Mt 7-8).

 


EVANGELHO DO DIA 2 ABRIL QUINTA FEIRA 2026 - CEIA DO SENHOR

  02 - Trabalha, trabalha para o melhoramento da juventude: também o pouco é alguma coisa e, em nossos dias, barrar o mal já é um grande bem...