quarta-feira, 25 de março de 2026

Evangelho do dia 27 março sexta feira 2026


27 março - São José praticava as virtudes humildes e obscuras, mantendo-se sempre calmo, sereno e tranquilo, observando em tudo perfeita conformidade com a Vontade Divina. (S 228).
São Jose Marello


João 10,31-42
"
Então eles tornaram a pegar pedras para matar Jesus. E ele disse: - Eu fiz diante de vocês muitas coisas boas que o Pai me mandou fazer. Por causa de qual delas vocês querem me matar? Eles responderam: - Não é por causa de nenhuma coisa boa que queremos matá-lo, mas porque, ao dizer isso, você está blasfemando contra Deus. Pois você, que é apenas um ser humano, está se fazendo de Deus. Então Jesus afirmou: - Na Lei de vocês está escrito que Deus disse: "Vocês são deuses." Sabemos que as Escrituras Sagradas sempre dizem a verdade, e sabemos que, de fato, Deus chamou de deuses aqueles que receberam a sua mensagem. Quanto a mim, o Pai me escolheu e me enviou ao mundo. Então por que vocês dizem que blasfemo contra Deus quando afirmo que sou Filho dele? Se não faço o que o meu Pai manda, não creiam em mim. Mas, se eu faço, e vocês não crêem em mim, então creiam pelo menos nas coisas que faço. E isso para que vocês fiquem sabendo de uma vez por todas que o Pai vive em mim e que eu vivo no Pai. A essa altura tentaram novamente prendê-lo, mas Jesus escapou das mãos deles. Ele voltou de novo para o lado leste do rio Jordão, foi para o lugar onde João Batista tinha batizado antes e ficou lá. E muita gente ia vê-lo, dizendo: - João não fez nenhum milagre, mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade. E naquele lugar muita gente creu em Jesus."

Meditação:

Estamos próximos da Semana Santa, em que comemoraremos e atualizaremos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

 Nos capítulos 8 a 11 de seu evangelho, João narra exacerbados conflitos entre os judeus e seus chefes e Jesus. É destacada no texto, de maneira repetida, a decisão de matarem Jesus.

Desde a quarta semana da Quaresma, os textos dos evangelhos diários são tirados exclusivamente do Evangelho de João, dois capítulos que sublinham a tensão dramática entre revelação progressiva, de um lado, que Jesus apresenta do mistério do Pai que o preenche completamente, e do outro o fechamento progressivo por parte dos judeus que se tornam cada vez mais impenetráveis à mensagem de Jesus.
Ante o interrogatório oficial, Jesus define a si mesmo como Filho de Deus, consagrado pelo Pai por meio do Espírito para uma missão salvadora.

Ele cumpre a missão salvadora de Deus; por isso sua atividade é igual ao Pai. As mãos de Jesus, que curam, levantam, perdoam, acariciam, são as do Pai, cujo amor comunica vida ao ser humano. Jesus não ensina doutrinas sobre Deus, mas mostra com gestos concretos quem é através de sua ação libertadora.

O aspecto trágico deste fechamento é que é feito em nome da fidelidade a Deus. Eles rejeitam Jesus em nome de Deus. 

Esta maneira que João tem de apresentar o conflito entre Jesus e as autoridades religiosas não é só algo que aconteceu no passado.
É também um espelho que reflete o que acontece também hoje. Em nome de Deus, algumas pessoas se transformam em bombas e matam outras pessoas.

Em nome de Deus nós membros das três religiões do Deus de Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, nos condenamos mutuamente, lutamos entre nós, ao longo da história.
Entre nós o ecumenismo é difícil, e ao mesmo tempo necessário. Em nome de Deus foram cometidos muitos erros e continuamos a cometê-los ainda hoje. A Quaresma é um tempo importante para parar e se perguntar: que imagem de Deus mora em meu ser?
Os judeus preparam pedras para matar Jesus e Jesus pergunta:"
Eu fiz diante de vocês muitas coisas boas que o Pai me mandou fazer. Por causa de qual delas vocês querem me matar? Eles responderam: - Não é por causa de nenhuma coisa boa que queremos matá-lo, mas porque, ao dizer isso, você está blasfemando contra Deus." Querem matar Jesus porque blasfema. A lei ordenava apedrejar estas pessoas.
A Bíblia chama todos Filho de Deus. Eles querem matar Jesus porque afirma ser Deus. Jesus responde citando a mesma lei de Deus: "
Na Lei de vocês está escrito que Deus disse: "Vocês são deuses." Sabemos que as Escrituras Sagradas sempre dizem a verdade, e sabemos que, de fato, Deus chamou de deuses aqueles que receberam a sua mensagem. Quanto a mim, o Pai me escolheu e me enviou ao mundo. Então por que vocês dizem que blasfemo contra Deus quando afirmo que sou Filho dele?"
Estranhamente Jesus afirma: "
na lei de vocês". Deveria ter afirmado: "na nossa lei". Por que fala deste modo? Aqui aparece novamente a trágica divisão entre judeus e cristãos, irmãos, filhos do mesmo pai Abraão, que se tornaram inimigos irremediáveis até ao ponto que os cristãos afirmam "a lei de vocês", como se não fosse a nossa lei. 

Os dirigentes judaicos respeitam Deus da boca para fora, mas na realidade são opressores do povo. Há dois projetos opostos: o da vida e o da morte.

O projeto do Deus-amor que produz vida e o dos dirigentes cuja atividade, o ódio, produz morte. Jesus não tem outro certificado para mostrar que é Filho de Deus além de suas obras.
Jesus fala novamente das obras que realiza e que são a revelação do Pai. "
Se não faço o que o meu Pai manda, não creiam em mim. Mas, se eu faço, e vocês não crêem em mim, então creiam pelo menos nas coisas que faço. E isso para que vocês fiquem sabendo de uma vez por todas que o Pai vive em mim e que eu vivo no Pai. " As mesmas palavras que disse na última Ceia (Jo 14,10-11). 

"A essa altura tentaram novamente prendê-lo, mas Jesus escapou das mãos deles." Ninguém tirará sua vida antes que Ele tenha decidido livremente entregá-la.

Não houve nenhum sinal de conversão. Eles continuam a dizer que Jesus blasfema e insistem em matá-lo. Não existe nenhum futuro para Jesus.

A morte dele já foi decidida, mas ainda não chegou sua hora. "Ele voltou de novo para o lado leste do rio Jordão, foi para o lugar onde João Batista tinha batizado antes e ficou lá. "

Aponta, assim, a continuidade de sua missão com a missão de João. Ajuda as pessoas a tomarem consciência da linha de ação de Deus na história. As pessoas reconhecem em Jesus aquele que João tinha anunciado. 
Os judeus condenam Jesus em nome de Deus, em nome da imagem que tem de Deus. Condenei alguma vez alguém em nome de Deus e depois descobri que eu estava errado? Jesus se problema "Filho de Deus". Quando professo no Creio que Jesus é o Filho de Deus, qual é o conteúdo que dou a esta minha profissão de fé?

Reflexão Apostólica: 
A Igreja dá muita ênfase à missão evangelizadora do cristão, à necessidade e obrigação que temos de levar a Palavra de Deus até onde nos for possível.
O acolhimento da Palavra é essencial para desenvolvermos nossa fé. "
Deus chamou de deuses aqueles que receberam a sua mensagem."
O sinal efetivo de nossa fé se reflete nas obras que realizamos, que brotam segundo os critérios divinos, nos identificando como criaturas semelhantes a Deus. "
Na Lei de vocês está escrito que Deus disse: 'Vocês são deuses.' "
A verdadeira fé nos induz à disponibilidade a Deus, semelhante a de Maria na Anunciação do Anjo, tornando-nos instrumentos para Sua ação junto aos nossos irmãos.
Deus sempre age através dos homens, mas nós só teremos méritos quando nos colocamos conscientemente disponíveis à sua ação.
Creio que, ao final de tudo, o que fazemos ou despendíamos em prol da construção do Reino de Deus deve se resumir em fazer que outros creiam e também conheçam a verdade que liberta.
Se isso for a síntese do que é ser um discípulo missionário devemos, portanto, ter em mente que se fizermos o que for possível, sem medir esforços para que aconteça, o Espírito Santo que habita em nós e que da testemunho que tudo isso é verdade, se manifestará e fará assim resplandecer Deus de nós para o irmão.
Em outras palavras: Somente refletindo Jesus conseguiremos convencer da verdade. “(…) Ele voltou de novo para o lado leste do rio Jordão, foi para o lugar onde João Batista tinha batizado antes e ficou lá. E muita gente ia vê-lo, dizendo: – ‘João não fez nenhum milagre, mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade’“.
Quando aceitamos o chamado trino (profeta, rei e sacerdote) em prol do irmão estamos cientes que estaremos pondo nossa “cara à tapa” para os julgamentos, acusações e também aos elogios das pessoas.
Também é um fato que passaremos a ser também tentados no limite das forças para que também o reneguemos três vezes ou mais.

Teremos que enfrentar a nossa própria falta de fé, nossos questionamentos e pouca confiança ao não perceber ou receber de volta os testemunhos confirmando tudo o que aconteceu. Mas nada disso deve nos esmorecer. Não é motivo para se perder a fé.
Toda essa fala inicial vem de encontro com a mensagem implícita no evangelho de hoje. Jesus sendo Deus e mesmo declarando abertamente essa divindade é ameaçado de apedrejamento. Se com Jesus isso foi possível, por que não acontecia o mesmo conosco?
Vivemos hoje um tempo em que a falta de fé em alguns segmentos talvez seja ainda maior que no tempo de Jesus. Vemos jovens cada vez mais distantes de Deus e de suas famílias; cada vez mais pais temem exercer a paternidade ou a maternidade responsável e em virtude disso e de outros fatores quantos se voltam contra a igreja, contra a fé, contra Deus.
Deus, em sua infinita sabedoria, nos convida a fazer “propaganda” do seu amor para que outros também ganhem a vida, mas essa missão como já falamos, só tem efeito se a pedagogia do amor de Jesus conseguir MUDAR A NÓS MESMOS. Não dá pra convencer ninguém se a própria pessoa não conseguir acreditar.
Equivocamo-nos quando nos apegamos aos milagres e curas como “cabos eleitorais” de Deus, pois como o próprio texto narra, João Batista não operou milagres, mas tudo que falou de Jesus convenceu que era verdade. Lembre-se que leprosos foram curados e quantos voltaram?
Novamente enfatizo: Já que nossa missão é buscar quem se perdeu, ALGO PRIMEIRAMENTE DEVE MUDAR EM MIM. Preciso deixar essa posição cômoda que minha fé se encontra e abraçar o bem por opção. Essa ação vale apena.
Cada um de nós, criado à imagem e semelhança de Deus, tem como sentido de vida fazer obras e viver de acordo com esta condição de criaturas perfeitas, porém seres humanos.
Errar é um direito que o homem tem pela sua própria condição frágil, e aceitar esse erro é um dever, pois só Deus não erra.
Jesus foi o único Homem e também Deus. Ele não errou nunca, nunca pecou e nem cometeu faltas, mas só Ele teve esta condição.

Precisamos ter consciência de que somos frágeis, fracos e que podemos errar sim.

Assumir o próprio erro é a virtude da humildade. O orgulho de achar que somos perfeitos e que não erramos nunca nos deixa cegos e, então, tropeçamos e caímos.
Jesus, que é Deus, quando estava carregando o peso do orgulho da humanidade na Cruz, caiu para não permitir que o último tropeço dos homens fosse eterno! Neste momento, a queda de Deus Homem é transformada no único degrau para o homem chegar a Deus.

Edifique, construa, cuide, agregue, projete, coordene, levante, (…). Gestos concretos atraem mais que apenas palavras.
As boas obras decorrentes de nossa fé são elementos importantes de evangelização, servindo de testemunho às nossas palavras, o que levou os contemporâneos de Jesus a afirmarem convictamente: "
João não fez nenhum milagre, mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade."

Propósito: Tornar presente o evangelho de Jesus, como forma de demonstrar que O sigo. 

Dia 27

Saiba que o fato de investir no ter mais que no ser é uma tendência natural do ser humano.

Possuir bens materiais é a meta principal de todos, objetivando a segurança no futuro.

Muitas vezes, as pessoas prendem-se tanto à aparência externa, que até conseguem ocultar suas limitações.

Lembre-se de que o mais importante é viver o essencial.

Mais que ter, é preciso ser.

“Mandaram os seus discípulos, junto com alguns partidários de Herodes, para perguntar: ´Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. Não te deixas influenciar por ninguém, pois não olhas a aparência das pessoas´”. (Mt 22,16).

 


domingo, 22 de março de 2026

Evangelho do dia 26 março quinta feira 2026


26 março - São José foi sempre tão humilde que quis ser considerado sem valor algum, mantendo-se sempre silencioso e oculto, atribuindo todo merecimento a Maria, a sua Esposa imaculada e santíssima. (S 327). São Jose Marello


João 8,51-59

"
Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem obedecer aos meus ensinamentos não morrerá nunca. Então eles disseram: - Agora temos a certeza de que você está dominado por um demônio! Abraão e todos os profetas morreram, mas você diz: "Quem obedecer aos meus ensinamentos não morrerá nunca." Será que você é mais importante do que Abraão, o nosso pai, que morreu? E os profetas também morreram! Quem você pensa que é?
Ele respondeu:- Se eu elogiasse a mim mesmo, os meus elogios não valeriam nada. Quem me elogia é o meu Pai, o mesmo que vocês dizem que é o Deus de vocês. Vocês nunca conheceram a Deus, mas eu o conheço. Se eu disser que não o conheço, serei mentiroso como vocês; mas eu o conheço e obedeço ao que ele manda. Abraão, o pai de vocês, ficou alegre ao ver o tempo da minha vinda. Ele viu esse tempo e ficou feliz. - Você não tem nem cinqüenta anos e viu Abraão? - perguntaram eles. - Eu afirmo a vocês que isto é verdade: antes de Abraão nascer, "EU SOU"! - respondeu Jesus. Então eles pegaram pedras para atirar em Jesus, mas ele se escondeu e saiu do pátio do Templo."

Meditação:

O capítulo 8 parece uma exposição de obras de arte, onde é possível admirar e contemplar quatros famosos, um ao lado do outro.

 O evangelho de hoje nos apresenta um quadro, e um diálogo entre Jesus e os judeus. Não existe muito nexo entre um e outro quadro.

É o expectador que graças à sua observação atenta e orante, consegue descobrir o fio invisível que une os vários quadros, os diálogos. Assim, penetramos o mistério divino que envolve a pessoa de Jesus. Este texto de João é a conclusão, de modo contundente, do conflitante diálogo entre Jesus e os dirigentes judeus. 
Jesus faz uma solene afirmação. Os profetas diziam: Oráculo do Senhor! Jesus diz: “EM verdade, em verdade vos digo!” E a afirmação solene é esta: “Quem guarda a minha palavra, jamais verá a morte!”
Em muitos momentos este mesmo tema aparece e reaparece no evangelho de João. São palavras de grande profundidade. • João 8,52-53: Abraão e os profetas morreram. A reação dos judeus é imediata:
Agora sabemos que está fora de si. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte’. Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes tu ser?” Eles não entendiam a dimensão da afirmação de Jesus. Diálogo de surdos.
Como sempre, Jesus insiste na mesma tecla: está tão unido ao Pai que nada daquilo que diz e faz é dele. Tudo é do Pai. E ele afirma: “
Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus!  No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia; e ele o viu e alegrou-se
Estas palavras de Jesus devem ter sido como uma espada que fere a auto-estima dos judeus. Dizer às autoridades religiosas: “
Vós não conheceis o Deus que dizeis conhecer. Eu o conheço e vós não o conheceis!”, é como acusá-las de ignorância total, exatamente sobre o tema sobre o qual pensavam serem doutores especialistas.

A palavra final aumenta a medida: “Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia; e ele o viu e alegrou-se”.  Não tens cinqüenta anos e viste Abraão? Pegavam tudo literalmente, mostrando assim que não entendiam nada daquilo que Jesus estava dizendo. 

 Jesus faz uma nova afirmação solene: “Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, EU SOU”. Para os que acreditam em Jesus, eis que se chega aqui ao coração do mistério da história. Novamente pedras para matar Jesus. Mas nem desta vez conseguiram, porque ainda não tinha chegado a hora.

 Quem determina a hora é o próprio Jesus. Para uma avaliação pessoal • Diálogo de surdos entre Jesus e os judeus. Já fizeste a experiência de falar com uma pessoa que pensa exatamente o contrário de ti e não se dá conta? • Como entender esta frase: “Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia; e ele o viu e alegrou-se”?
O conflito de Jesus com seus adversários cresce e se agrava. Os ouvintes de Jesus não entendem sua linguagem. São dois níveis de linguagem que não encontram coincidências.

Jesus fala com uma linguagem profunda, simbólica, transcendente. Seus adversários se movem no nível da linguagem convencional, formal, superficial.
Por isso é impossível que se entendam. Também nós podemos cair no erro de ficarmos no superficial e convencional e não abrir a mente e o coração à linguagem profunda, existencial e sobrenatural de Jesus.
Trata-se de reconhecer que Jesus não é um líder a mais na história, mas a figura visível do mesmo Deus Pai. Portanto, para compreendê-lo temos que contemplá-lo como rosto de Deus.

Ele se revela para nos abrir caminho para a vida plena, a paz e a comunhão com ele. De alguma maneira, nós também somos chamados a viver essa profunda experiência de comunhão vital com Deus para mostrar seu rosto à humanidade.
A missão evangelizadora, portanto, não consiste em elaborar e pronunciar discursos a respeito de Deus, mas de mostrar nas atitudes humanas a ação salvadora e libertadora de Deus.

Reflexão Apostólica: 
Se existia alguma coisa ou frase que irritava aos doutores da lei era dizer “EU SOU”. Parece uma frase simples, mas era uma declaração, na visão deles, herética, ou seja, uma mentira mortal.
Era mortal, pois esta era a frase que Deus sempre usava ao aparecer aos patriarcas. Dizer, portanto, “EU SOU” era dizer que era Deus. Oh rapaz peitudo esse Jesus de Nazaré!

Adoro ver aqueles debates em que as pessoas ficam batendo numa tecla só para tentar “mostrar serviço” ou conhecimento.
Aqueles debates que começam assim: “Segundo a corrente filosófica tal não podemos contextualizar essa forma assim, mas conforme a visão da linguagem neurolinguística, a percepção de mundo pode ser alterada (…) risos! Entendeu? Nem eu!
Note a situação: Alguém pergunta nossa religião ai respondemos – “EU SOU CATÓLICO”! Lembre que dizer “eu sou” é dizer ESTAR COM DEUS, é atestar que Ele anda comigo, que eu o sigo; que comungo dessa opção que fiz e como Abraão, eu também tenho uma aliança de amor com Ele.
Vejam a primeira leitura de hoje: “
(…) naqueles dias: Abrão prostrou-se com o rosto por terra. E Deus lhe disse: ‘Eis a minha aliança contigo: tu serás pai de uma multidão de nações. Já não te chamarás Abrão, mas o teu nome será Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de nações. Farei crescer tua descendência infinitamente. Farei nascer de ti nações, e reis sairão de ti. ESTABELECEREI MINHA ALIANÇA ENTRE MIM E TI E TEUS DESCENDENTES PARA SEMPRE; UMA ALIANÇA ETERNA, PARA QUE EU SEJA TEU DEUS E O DEUS DE TEUS DESCENDENTES”. (Gn 17, 3-7)
Temos então um choque… quem nunca ouviu: “Eu sou católico, mas não vou à missa, pois posso rezar em casa”! “Sou católico, mas não praticante”; “Eu sou católico, mas não concordo com isso e isso (…)?
Somos humanos! Discordar faz parte da nossa natureza humana, mas às vezes nossas discordâncias são mais confusas que o próprio texto que citei. Você consegue entender por que agimos assim?
Muitas vezes, por necessidade, pagamos (consultas, cursos, palestras) para que pessoas nos digam o que já sabemos! Não é estranho?
Psicólogos, analistas, terapeutas, (…) empenham-se nos estudos pra no fim dizer o que muitas vezes sabemos e não queremos ouvir.
Temos problemas, sabemos o motivo, causa e conseqüência, mas não conseguimos resolver. Pagamos pessoas para nos ensinar a dizer: EU SOU feliz; EU SOU uma pessoa que precisa mudar; EU SOU forte…
Não esqueçamos o peso da frase EU SOU

Creio que há naus de 2000 anos, Jesus, ao ver o coração do povo vazio e sedento por uma resposta de conforto, dizia: “(…) Quem obedecer aos meus ensinamentos não morrerá nunca”; (…) Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará (Jo 8, 32); “(…) Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei " (Mt 11, 28).
Jesus era o único especialista, nesse tratamento, que atendia pelo SUS, no entanto, mesmo gratuito e de qualidade, o povo se recusava ouvir ou esperar.
Acredite nisso e professe: “EU SOU filho adotivo de Deus”!
Apodere-se disso nesse momento e veja o poder dessas palavras! Observe como “EU SOU” soa diferente! Quando estamos com problemas, angustiados, sem esperanças ou horizontes, poderíamos dizer mais vezes isso e também ler com mais atenção a “apólice” da aliança.
Devemos aprender a ter atitudes pró-ativas e dentre elas, definir no que acredito, em quem busco meu refúgio e a solução para minhas angústias e como já afirmei anteriormente, o duro é que a gente sabe quem é que nunca nos abandona, mas somos temerosos em afirmar isso, principalmente em público!
Creia em Deus, pois Ele nunca deixou de crer em você!
Comece hoje: EU SOU uma nova criatura quando estou perto de Deus! Descobri e reconheço que o Ele me ama!

Propósito: Ter a Palavra de Deus como ensinamento para do dia a dia

Dia 26

Procure agir com naturalidade, analisando minuciosamente cada ação praticada.

Ponha a razão e a lógica na frente de seus impulsos inconseqüentes, que, muitas vezes, causam aborrecimentos e decepções.

Lembre-se de que a maneira de se comportar vai determinar como será seu futuro.

Reflita quantas vezes refez sua vida por causa de erros passados; por isso, seja o mais sensato possível.

Peça que Deus lhe conceda o discernimento entre o que é certo e errado.

As experiências adquiridas com os erros cometidos são as maiores aliadas das pessoas, para que suas atitudes sejam sensatas.

“Jesus respondeu: ´Acaso não estais errado, por que não compreendeis as Escrituras, nem o poder de Deus ?´” (Mc 12,24).

 


Evangelho do dia 25 março quarta feira 2026

25 - Festa de Nossa Senhora da Anunciação e, por participação, também de São José, que recebeu de Deus muitas graças em comum com sua Esposa, mesmo não conhecendo o grande mistério. (L 185).


EVANGELHO

Lucas 1,26-38 25 de março de 2026

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”. 38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

MEDITAÇÃO

Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28)

Nove meses antes do Natal, celebramos, hoje, a solenidade da Anunciação do Senhor – o dia em que a iniciativa de Deus se encontra com a adesão de sua humilde servidora. É o mistério da encarnação do Verbo.

Primeiro, Maria ficou assustada. De repente, o anjo com uma saudação estranha. “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo”. O que está acontecendo? O que isso significa? ‘Não tenha medo, Maria. Deus está muito feliz com você. Você vai conceber e gerar o filho dele, o filho que vai herdar o trono de Davi’. Maria ainda estava assustada, mas já tinha uma resposta. Deus estava feliz com ela e comunicando-lhe uma grande missão.

Depois do susto, veio a dúvida. ‘Não é possível uma coisa dessas... eu nem casada sou. Como é que uma virgem pode ser mãe?’ E o anjo: ‘Para Deus não tem isso não, Maria, tudo é possível para ele. Quer um exemplo? Izabel. Estéril, idosa, agora está grávida de seis meses’. ‘Como Deus é grande, como ele é bom’, pensou Maria. Desvaneceu-se a dúvida. Ele é o todo-poderoso. Ele faz maravilhas.

Passado o susto, ela dialogou responsavelmente para ver o alcance do que lhe estava sendo comunicado. A dúvida foi esclarecida. Vem agora a entrega. “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Entrega-se ao cumprimento da vontade do Senhor manifestada na palavra do anjo. Realizará a sua vontade, como serva. Entrega humilde, generosa, total.

É, Deus sempre nos surpreende. Manda-nos seus recados. Ele nos pega de surpresa. Suas propostas alteram profundamente a normalidade do nosso caminho, de nossa vida. Ele tem planos diferentes dos nossos. Mas, não é uma ordem do dia, uma distribuição aleatória de tarefas que se dá a qualquer um. É, antes de tudo, uma escolha amorosa. É um voto de confiança de quem ama a quem ele cumulou de toda graça, de toda bênção. A escolha é antes de tudo um sinal distintivo do seu amor. “Não foram vocês que me escolheram, fui eu que escolhi vocês”, afirmou Jesus.

O “sim” de Maria foi muito especial. Depois do susto, ela procurou saber o alcance daquele convite tão especial da parte de Deus. Convenceu-se de que ele pode tudo e que, com ele, ela poderia vencer qualquer obstáculo, começando por fazer fecunda a sua virgindade. Teve fé. Izabel fez-lhe um elogio por sua fé: “Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor se cumprirá”. A primeira reação à entrada surpreendente de Deus em nossa vida, integrando-nos ao seu projeto de salvação, é o susto, a surpresa. Depois vem a dúvida. E por fim, a resposta. Às vezes, ela não é como a de Maria, a de entrega generosa e humilde. Às vezes, é presunçosa e egoísta. É, muitas vezes, Deus tem recebido um “não”. ‘Não vou, porque já tenho o meu projeto, vou cuidar da minha vida ao meu modo’... Mas, hoje, dia da Anunciação do Senhor, não é dia de ‘não’, hoje é dia de ‘sim’, do ‘sim’ de Maria e do seu ‘sim’ generoso e fiel, meu irmão, meu irmã.

Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28)

Nesta data, o Papa Francisco fez a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria.

 

Rezamos agora um trecho deste ato de consagração:

ó Mãe, acolhei esta nossa súplica: Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra; Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação; 

Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus; Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão; Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear; Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar; Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade; Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo. 

Podendo, reze, hoje, o Terço Mariano, elevando preces a Deus, pelas mãos de Maria, pelo fim da guerra. Não sendo possível, recite, pelo menos, uma dezena do terço (1 pai nosso, 10 ave-marias e a glória ao Pai).

Dia 25

Existe a solidão construtiva e a não construtiva.

Tudo depende de como é encarada.

Se pensar que estar sozinho vai lhe causar tristeza, você se sentirá deprimido; ao contrário, se aproveitar o tempo disponível para ler um livro, ouvir músicas, escrever ou dormir, terá uma sensação de bem-estar.

Nesse momento, pergunte-se de que maneira está aproveitando os momentos dedicados a si mesmo.

Nos momentos de solidão, é possível chegar ao autoconhecimento e ao enriquecimento existencial.

“Tudo tem seu tempo.

Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu”.

(Ecl 3,1).

 


Evangelho do dia 24 março terça feira 2026


24 março -
É preciso procurar em São José as próprias inspirações, ele que foi na terra o primeiro a cuidar dos interesses de Jesus; tratou dele quando criança, protegeu-o menino, fez-lhe papel de pai nos primeiros trinta anos de sua vida na terra. (L 76). São José Marello


João 8,21-30

"Jesus disse outra vez: Eu vou embora, e vocês vão me procurar, porém morrerão sem o perdão dos seus pecados. Para onde eu vou vocês não podem ir. Os líderes judeus disseram: Ele diz que nós não podemos ir para onde ele vai! Será que ele vai se matar? Jesus continuou: Vocês são daqui debaixo, e eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo, mas eu não sou deste mundo. Por isso eu disse que vocês vão morrer sem o perdão dos seus pecados. De fato, morrerão sem o perdão dos seus pecados se não crerem que "EU SOU QUEM SOU". Quem é você? Perguntaram a Jesus. Ele respondeu: Desde o começo eu disse quem sou. Existem muitas coisas a respeito de vocês das quais eu preciso falar e as quais eu preciso julgar. Porém quem me enviou é verdadeiro, e eu digo ao mundo somente o que ele me disse. Eles não entenderam que ele estava falando a respeito do Pai. Por isso Jesus disse: Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que "EU SOU QUEM SOU". E saberão também que não faço nada por minha conta, mas falo somente o que o meu Pai me ensinou. Quem me enviou está comigo e não me deixou sozinho, pois faço sempre o que lhe agrada. Quando Jesus disse isso, muitos creram nele."

Meditação:

Na semana passada, a liturgia nos levou a meditar o capítulo 5 do evangelho de João. Esta semana nos apresenta o capítulo 8 do mesmo evangelho. Como o capítulo 5, também o capítulo 8 traz profundas reflexões sobre o mistério de Deus que envolve a pessoas de Jesus.
O evangelho usa a linguagem cifrada, polêmica e simbólica. Deste texto ressaltamos alguns aspectos que chamam a atenção: em primeiro lugar, a oposição que estabelece o autor entre acima e abaixo; Jesus pertence ao mundo de cima, quer dizer, ao mundo de Deus; os judeus e seguidores de Jesus pertencem ao mundo de baixo, mundo limitado, temporal e imperfeito.
Por isso, os do mundo de baixo não podem entender a mensagem que Jesus anuncia, porque este pertence ao mundo de cima. Em segundo lugar, Jesus se declara como “Eu Sou” que nos remete ao livro do Êxodo 3, onde Deus revela seu nome a Moisés “Eu sou o que sou”. Desta maneira, Jesus se identifica com o próprio Deus.
Aparentemente, trata-se de diálogos entre Jesus e os fariseus (Jo 8,13). Os fariseus querem saber quem é Jesus. Eles o criticam porque dá testemunho de si sem nenhuma prova ou outro testemunho para se legitimar diante do povo (Jo 8,13). Jesus responde que não fala por si mesmo, mas sempre pelo Pai e em nome do Pai (Jo 8,14-19).
Na realidade, os diálogos são sempre a expressão de como era feita a transmissão catequética da fé nas comunidades do discípulo amado nos últimos anos do primeiro século da nossa era. Espelham a leitura orante que os cristãos faziam das palavras de Jesus, considerando-as expressão da Palavra de Deus.
O método de pergunta e resposta ajudava a encontrar a resposta aos problemas que, no final do século, os judeus levantavam aos cristãos. Era uma maneira concreta de ajudar a comunidade a aprofundar sua fé em Jesus e em sua mensagem.
João enfrenta um tema novo ou outro aspecto que interessa a pessoa de Jesus. Jesus fala de sua partida e afirma que aí onde ele for os fariseus não poderão segui-lo. "Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado".
Eles procurarão Jesus, mas não o encontrarão, porque não o conhecem e os procuram com critérios errados. Eles vivem no pecado e morrerão no pecado.
Viver no pecado é viver longe de Deus. Eles imaginam deus de um modo, mas Deus é diferente daquilo que eles imaginam.
Por isso não são capazes de reconhecer a presença de deus em Jesus. Os fariseus não entendem o que Jesus quer dizer e entendem tudo à letra: "Por acaso, vai-se matar?"
Os fariseus se orientam em tudo pelos critérios deste mundo. "Vós sois de baixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo!" O que orienta Jesus em suas palavras e gestos é p mundo alto, isto é, Deus, o Pai, e a missão que recebeu do Pai.
A referência dos fariseus é o mundo daqui, sem abertura, fechado em seus critérios. Por isso vivem no pecado. Viver no pecado é não ter o olhar de Jesus sobre a vida.
O olhar de Jesus é totalmente aberto a Deus até ao ponto de Deus estar todo nele com toda sua plenitude (cfr. Cl 1,19). Nós afirmamos: "Jesus é Deus". João nos convida a dizer: "Deus é Jesus!"
Por isso, Jesus afirma: "Se não acreditais que EU SOU, morrereis nos vossos pecados". EU SOU é a afirmação com a qual Deus se apresenta a Moisés na hora de libertar seu povo da opressão do Egito (Ex 3,13-14).
É a máxima expressão da certeza absoluta do fato que Deus está em nosso meio na pessoa de Jesus. Jesus é a prova definitiva do fato que Deus está conosco, o Emanuel.
O mistério de Deus em Jesus não entra nos critérios com os quais os fariseus olham Jesus. Novamente perguntam: "Quem tu és?" Não entendem porque não entendem a linguagem de Jesus.
Jesus fazia questão de lhes falar tudo o que experimentava e vivia em contato com o Pai e pela consciência que ele tinha de sua missão.

Jesus não faz autopromoção. Simplesmente afirma e expressa o que ouve do Pai. Ele é a pura revelação porque é pura e total obediência.
Os fariseus não entendem Jesus; em tudo o que ele faz e afirma, é a expressão do Pai. O entenderão só depois que o Filho do Homem for levantado. "Então sabereis que EU SOU". A palavra levantar tem um duplo sentido de levantar sobre a Cruz e ser elevado à direita do Pai.
A Boa Nova da morte e ressurreição revela quem é Jesus, e eles saberão que Jesus é a presença de Deus no meio deles.
O fundamento desta certeza da nossa fé é duplo: de um lado, a certeza que o Pai está sempre com Jesus e ele jamais ficar sozinho e, do outro, a radical e total obediência de Jesus ao Pai, que se torna abertura total e total transparência do pai para nós.
Quem se fecha em seus critérios e pensa saber já tudo, jamais poderá entender o outros. Assim eram os fariseus diante de Jesus. E eu como me comporto diante do outros? Jesus é obediência radical ao Pai e por isso é revelação total do Pai. E qual é a imagem que eu transmito de Deus?

Reflexão Apostólica: 
O Pai é quem revelou todas as coisas ao Filho; por isso, se não acreditarem em Jesus, tampouco podem crer em Deus. A alegria de Jesus está em fazer totalmente a vontade do Pai.
Quem é este Homem cujo nome é o mais procurado nas mídias virtuais, cujo tempo cronológico corre antes e depois do seu nascimento?
Quem é Ele que é o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o servo e o Senhor?
Jesus é o Filho do Homem, Aquele cuja divindade de Deus está presente na sua humanidade. Ele é Deus e é Homem. Não é meio Deus e nem meio Homem. É Deus por inteiro no Homem por inteiro, totalmente humano e totalmente divino. É Aquele pelo qual Deus se dá a conhecer.
O homem é imanente e somente Deus é transcendente, e Jesus é tanto um quanto outro. A humanidade imanente busca a Deus transcendente, mas a transcendência não cabe na imanência, e é aqui que mora o mistério que não consegue ser revelado, porque Deus não cabe na compreensão do homem.
Jesus, o Filho do Deus vivo, é aquele que sempre existiu como Deus, mas que nasceu Homem, gerado no ventre de uma mulher pela vontade do Seu Pai, e isso é mistério.

Ele não é deste mundo, Ele é do alto, é o próprio Deus que se encarnou para nos ensinar a viver a plenitude do Amor e abrir os céus para nossa morada eterna.
Se Ele é Deus, Deus está nele como Homem, e Ele não está nunca sozinho e faz tudo o que é do agrado do Pai.
Chegar à comunhão com Deus através de Jesus é a missão principal de todo cristão. Quem chega a essa comunhão plena buscará sua felicidade na realização da vontade de Deus.

Você O conhece?

Propósito: Responder e também perguntar a outras pessoas: "quem é Jesus para você?

Dia 24

Você já reparou que existem pessoas que falam muito em doenças, dores, tragédias e morte?

Evite abordar esses assuntos, para não atrair energias negativas.

Em vez disso, cultive a saúde, a alegria, uma vida mais saudável.

Confie sempre no Senhor, que está com você em todas as circunstâncias da vida.

Diariamente, ouça com amor a Palavra de Deus.

A despeito de qualquer circunstância que lhe ocorrer, considere somente o lado bom da vida.

“Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade”. (Ef 4,23-24).

 

 

Evangelho do dia 23 março segunda feira 2026


23 março -
Que o nosso Santo Patriarca obtenha de Deus para todos, as graças mais necessárias. (L 205). São José Marello


João 8,1-11

"Depois todos foram para casa, mas Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada ele voltou ao pátio do Templo, e o povo se reuniu em volta dele. Jesus estava sentado, ensinando a todos. Aí alguns mestres da Lei e fariseus levaram a Jesus uma mulher que tinha sido apanhada em adultério e a obrigaram a ficar de pé no meio de todos. Eles disseram: 
- Mestre, esta mulher foi apanhada no ato de adultério. De acordo com a Lei que Moisés nos deu, as mulheres adúlteras devem ser mortas a pedradas. Mas o senhor, o que é que diz sobre isso? 
Eles fizeram essa pergunta para conseguir uma prova contra Jesus, pois queriam acusá-lo. Mas ele se abaixou e começou a escrever no chão com o dedo. Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, Jesus endireitou o corpo e disse a eles: 
- Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher! 
Depois abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão. Quando ouviram isso, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, de pé. Então Jesus endireitou o corpo e disse: 
- Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você? 
- Ninguém, senhor! - respondeu ela. 
Jesus disse: 
- Pois eu também não condeno você. Vá e não peque mais! "

Meditação:

O centro da narrativa não é o pecado, mas o coração de Deus que quer que nós vivamos. É esta a imagem de Deus amor que Jesus quer dar a conhecer: que a mulher experimente que Deus a ama assim como ela é. Deste modo, a mulher, sentindo-se respeitada, amada e protegida, é capaz de acolher o convite de Jesus a não voltar a pecar (v.11). O amor é o primeiro, o único mandamento. Deus salva amando. Só o amor é capaz de converter e salvar! 
Este texto ‘incômodo do Evangelho teve uma histórica difícil: é omitido em vários códices antigos, e é deslocado em outros. Há mesmo quem pense que o autor não seja João, mas Lucas, dado o seu estilo e a mensagem muito semelhante à “parábola do pai misericordioso” (ver Lucas 15), no Evangelho do 14 passado), com vários personagens: a mulher, no papel do filho mais novo; os escribas e os fariseus em linha com o filho mais velho; e Jesus que entra perfeitamente no papel do Pai. Tal possibilidade é sublinhada também por um autor moderno: “Texto insuportável, que falta em vários manuscritos. A consciência moral e também a consciência religiosa dos homens não pode admitir que Cristo se recuse a condenar a mulher... Foi surpreendida em flagrante delito; cometeu um dos pecados mais graves que Lei conheça... Cristo confunde os acusadores recordando-lhes a universalidade do mal: também eles, espiritualmente, são adúlteros; também eles, de um ou de outro modo atraiçoaram o amor. ‘Quem estiver sem pecado...’ Ninguém está sem pecado, e ele conclui dizendo: «Vai, e não voltes a pecar»: uma frase que abre um futuro novo” (Ollivier Clément).
Este texto evangélico constitui uma página intensa de metodologia missionária para o anúncio, a conversão, a educação à fé e aos valores da vida. O amor gera e regenera a pessoa, torna-a livre; Jesus educa ao amor vivido na liberdade e na gratuidade. Somente com estas condições se compreende porque devemos deixar cair as pedras que trazemos nas mãos para atirar contra os outros. O fato que sejam os mais velhos quem começa a ir embora (v. 9) revela neles um sentido de culpa, de vergonha, mostra que entenderam a lição? Enfim, fica bem claro que quem luta pela igualdade de oportunidades entre a mulher e o homem, seja qual for o contexto específico, encontra em Jesus um precursor ideal, um pioneiro e um aliado. 

Vemos, neste Evangelho que os líderes da igreja, traiçoeiros, com hipócrita manifestação de respeito, com fingida reverência, que encobria uma trama astutamente urdida para Sua ruína, trouxeram uma mulher, arrastada por eles, apanhada em adultério, e ela estava apavorada. Eles a acusaram de ter violado a lei de Moisés que dizia que uma mulher apanhada em adultério deveria ser apedrejada. E perguntou a Jesus o que Ele dizia do caso.
"Se Jesus absolvesse a mulher, seria acusado de desprezar a lei de Moisés. Se a declarasse digna de morte, poderia ser acusado aos romanos como alguém que pretendia autoridade que unicamente a eles pertencia."

A saída de Jesus diante do espinhoso dilema apresentado pelos doutores da lei não podia ser mais inteligente e clara: quando todos esperavam por uma resposta que o comprometesse, Jesus os leva, a eles próprios, a darem a solução, de acordo com sua própria consciência e justiça.

Se a morte era a pena prevista para a pecadora, poderiam começar o castigo, mas sob a condição de que o aplicassem somente aqueles que não tivessem pecado. Mas os ouvintes se foram retirando, um a um, começando pelos mais velhos até o último.

Todos os acusadores se retiram, deixando claro a qualidade de suas consciências; somente fica a mulher ao lado de Jesus, que age com ela de forma incrivelmente compreensiva e misericordiosa.

Poder-se-ia dizer que aquela mulher “voltou a nascer”; libertou-se das mãos de pecadores talvez piores do que ela, mas também ficou libertada em sua consciência por Jesus, que somente podia transmitir-lhe a vida, o amor, a misericórdia e o perdão divinos.

Os desvios ou faltas de nossos semelhantes nunca podem ser motivo para condená-los; essas atitudes nos devem recordar que talvez sejam mínimos se os compararmos com os nossos, e que, portanto, tanto eles como nós necessitamos do amor e da misericórdia divinos. A posição de Deus para com o pecado é a rejeição, mas para com o pecador é o perdão e a restauração.

Reflexão Apostólica:

Mais uma vez Jesus mostra que a pessoa humana está acima de qualquer lei. Os homens não podem julgar e condenar, porque nenhum deles está isento de pecado. O próprio Jesus não veio para julgar, pois o Pai não quer a morte do pecador, e sim que ele se converta e viva.

Cristo é aquele que «sabe o que há no homem» (cf.Jo 2, 25), no homem e na mulher. Conhece a dignidade do homem, o seu valor aos olhos de Deus. Ele mesmo, Cristo, é a confirmação definitiva deste valor. Tudo o que diz e faz tem o seu cumprimento definitivo no mistério pascal da redenção.

O comportamento de Jesus a respeito das mulheres, que encontra ao longo do caminho do seu serviço messiânico, é o reflexo do desígnio eterno de Deus, o qual, criando cada uma delas, a escolhe e ama em Cristo (cf. Ef 1, 1-5) … Jesus de Nazaré confirma esta dignidade, recorda-a, renova-a e faz dela um conteúdo do Evangelho e da redenção, para a qual é enviado ao mundo…

Jesus entra na situação concreta e histórica da mulher, situação sobre a qual pesa a herança do pecado. Esta herança exprime-se, entre outras coisas, no costume que discrimina a mulher em favor do homem, e está enraizada também dentro dela.

Deste ponto de vista, o episódio da mulher «surpreendida em adultério» (cf. Jo 8, 3-11) parece ser particularmente eloquente. No fim Jesus lhe diz: «não tornes a pecar»; mas, primeiro ele desperta a consciência do pecado nos homens … Jesus parece dizer aos acusadores: esta mulher, com todo o seu pecado, não é talvez também, e antes de tudo, uma confirmação das vossas transgressões, da vossa injustiça «masculina», dos vossos abusos?

Esta é uma verdade válida para todo o gênero humano… Uma mulher é deixada só, é exposta diante da opinião pública com «o seu pecado», enquanto por detrás deste «seu» pecado se esconde um homem como pecador, culpado pelo «pecado do outro», antes, corresponsável do mesmo. E, no entanto, o seu pecado escapa à atenção, passa sob silêncio…

Quantas vezes a mulher paga pelo próprio pecado, mas paga ela só e paga sozinha! Quantas vezes ela fica abandonada na sua maternidade, quando o homem, pai da criança, não quer aceitar a sua responsabilidade? E ao lado das numerosas «mães solteiras» das nossas sociedades, é preciso tomar em consideração também todas aquelas que, muitas vezes, sofrendo diversas pressões, inclusive da parte do homem culpado, «se livram» da criança antes do seu nascimento. «Livram-se»: mas a que preço?

Todos nós conhecemos a história da mulher adúltera e ficamos sempre na mesma idéia: Jesus acolheu a pecadora que fora surpreendida em flagrante adultério. Todos já sabiam que ela teria que ser apedrejada, segundo a lei de Moisés. Estava escrito e não poderia ser diferente, mas Jesus nem precisou argumentar muito nem debater com os acusadores.

Somente com o gesto de escrever no chão e de falar aos circunstantes: “quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”, conseguiu com que o povo se afastasse, a começar pelos mais vividos, mais experientes.

Nós pensamos que somente adultera o homem ou a mulher que trai um ao outro. Olhamos para os “adúlteros” e as “adúlteras” públicos e nos sentimos superiores a eles (as) porque não fazemos o mesmo. Porém, existe o adultério espiritual, quando negamos a Deus a origem da nossa criação, quando damos ouvidos de mercador aos Seus mandamentos, quando recusamos a Jesus o Seu Senhorio e prevaricamos em busca de outros deuses para tentar preencher o nosso vazio espiritual.

Jesus falou para todos de uma maneira bem clara: “quem não tiver pecado”, isto é, quem não for pecador atire a primeira pedra. O pecado, seja ele qual for é uma traição a Deus.

Somos, sim, homens e mulheres adúlteros e necessitados de misericórdia. Precisamos ter consciência disso. Quando Jesus escreveu no chão Ele estava pensando também em nós!

Com quem você tem traído a confiança de Deus? Qual o seu menor pecado? Será que o pecado tem tamanho? Como você se sente no seu dia a dia diante das suas injustiças?

Propósito:

Pai, tira do meu coração a maldade e a hipocrisia que me tornam juiz iníquo do meu semelhante, não me permitindo ver a necessidade de pôr em ordem a minha vida.

23

«A conversão nunca é de uma vez para sempre, mas é um processo, um caminho interior de toda a nossa vida. Este itinerário de conversão evangélica certamente não pode limitar-se a um período particular do ano: é um caminho de cada dia, que deve abraçar toda a existência, todos os dias da nossa vida. Nesta óptica, para cada cristão e para todas as comunidades eclesiais, a Quaresma é a estação espiritual propícia para se treinar com maior tenacidade na busca de Deus, abrindo o coração a Cristo. Santo Agostinho certa vez disse que a nossa vida é uma única prática do desejo de nos aproximarmos de Deus, de nos tornarmos capazes de deixar entrar Deus no nosso ser». (Bento XVI)

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 22 MARÇO 2026 - 5º DOMINGO DA QUARESMA


22 março - São José nos ensine o modo de cuidar de nossos alunos, aliás, seja ele mesmo o seu Cuidador. (L 170). São José Marello


Evangelho da ressurreição de Lázaro
- João 11,1-45

Ora, havia um doente, Lázaro, de Betânia, do povoado de Marta e de Maria, sua irmã. As irmãs mandaram avisar Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. Disse Jesus: “Esta doença não leva à morte, mas é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. [...] E acrescentou: “Nosso amigo Lázaro está dormindo. Vou acordá-lo”. Os discípulos disseram: “Senhor, se está dormindo, vai ficar curado”. [...] Jesus então falou abertamente: “Lázaro morreu! E, por causa de vós, eu me alegro por não ter estado lá, pois assim podereis crer. Mas vamos a ele”. [...] Jesus disse então: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto?” Ela respondeu: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo”. [...] “Onde o pusestes?” Responderam: “Vem ver, Senhor!” Jesus teve lágrimas. Os judeus então disseram: “Vede como ele o amava!” Alguns deles, porém, diziam: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra. Jesus disse: “Tirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia”. Jesus respondeu: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o alto, disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas digo isto por causa da multidão em torno de mim, para que creia que tu me enviaste”. Dito isso, exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus, então, disse-lhes: “Desamarrai-o e deixai-o ir!” Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.

 

Reflexão para o 5° Domingo da Quaresma - João 11, 1-45 (Ano A) 22 março 2026

 


Com a liturgia deste quinto domingo da quaresma, concluímos a sequência de três domingos de leitura de episódios exclusivos do Quarto Evangelho. O texto proposto hoje é o relato do sétimo e último sinal cumprido por Jesus nesse Evangelho: a reanimação de Lázaro, seu amigo – Jo 11,1-45. Esse é um episódio muito significativo para toda a obra joanina, pois é a conclusão do ciclo dos sinais realizados por Jesus. É importante recordar que João não chama as obras extraordinárias de Jesus de milagres, mas de sinais. Como se trata de um texto de grande extensão, totalizando quarenta e cinco versículos, não analisaremos todos os versículos, mas procuramos colher a mensagem central e destacar apenas os versículos principais. Os sete sinais narrados por João foram criteriosamente escolhidos, como ele mesmo afirma no final do Evangelho, para despertar a fé em Jesus e transmitir a vida em plenitude que dessa emana (cf. Jo 20,30-31), sendo esse da reanimação de Lázaro o maior de todos. Por isso, é o sétimo, cuja número evoca perfeição, e prefigura a ressurreição do próprio Jesus, o sinal por excelência.

Convém recordar que o sinal narrado não se trata propriamente de uma ressurreição, mas de uma “reanimação”, considerando que ressurreição é a passagem da morte para uma vida definitiva e plena, graças à ressurreição de Cristo. O que João narra é Jesus realizando a reanimação de um corpo que já se encontrava em estado de decomposição, foi recuperado, mas que continuou corruptível. Jesus apenas prolongou os dias de Lázaro com esse sinal extraordinário. Esse não é o único milagre do gênero narrado na Bíblia. Ainda no Antigo Testamento, Elias e Eliseu realizaram prodígios semelhantes: Elias restituíra a vida ao filho da viúva de Sarepta (cf. 1Rs 17,17-24), e Eliseu fizera o mesmo com o filho da sunamita (cf. 2Rs 4,8-37). Nos demais evangelhos temos outros dois episódios semelhantes: Jesus reanima o filho da viúva de Naim (cf. Lc 7,11-17) e a filha de Jairo (cf. Mc 5,22-43).

Como sempre, não dispensamos a contextualização, mesmo que breve, para que o texto possa ser melhor compreendido. Esse relato da reanimação de Lázaro está inserido entre duas ameaças de morte a Jesus da parte dos dirigentes ou chefes da religião oficial. Daí, já surge um dado interessante: à morte, Jesus responde com o dom da vida. No capítulo anterior, por ocasião da festa da dedicação do templo, os judeus quiseram apedrejar Jesus, acusando-o de blasfemador (cf. Jo 10,31-33), mas Ele conseguiu escapar e fugiu (cf. 10,39-40). Após restituir a vida de Lázaro, os chefes judeus, incluindo o Sumo Sacerdote, fizeram o plano definitivo para o aniquilamento de Jesus, pois Ele tinha ido longe demais dessa vez (cf. Jo 11,46-54). Portanto, em meio a duas situações de morte, Jesus manifesta a vida e a apresenta como resposta a toda e qualquer situação em que essa é ameaçada.

Voltemos agora o nosso olhar para o texto partindo do primeiro versículo, muito significativo, por sinal: “Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta” (v. 1). O evangelista apresenta Betânia, cujo nome significa “casa da aflição”, como o espaço de uma comunidade cristã ideal, onde a fraternidade, de fato, reinava. Essa fraternidade é evidenciada pela apresentação que o evangelista faz de seus membros: Lázaro, Maria e Marta são apresentados apenas como irmãos, não há hierarquia entre eles, não há pai nem mãe, marido ou esposa, mas apenas pessoas irmão e irmãs, ou seja, pessoas iguais; essa é a comunidade ideal para o cultivo do amor e das relações fraternas e sinceras. Embora a comunidade de Betânia fosse ideal, ao mesmo tempo era vulnerável por dois motivos, principalmente: primeiro, por ser um povoado; segundo, porque estava próxima a Jerusalém (v. 18). Ora, o povoado na linguagem dos evangelhos (em grego κώμη kôme), é sinônimo de mentalidade fechada, resistência e conservadorismo, pois é o lugar de preservação da tradição, onde a novidade não é bem recebida.

O segundo motivo para a vulnerabilidade da comunidade de Betânia só é apresentado no versículo 18, mas já adiantamos aqui: “Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém”. Infelizmente, a tradução litúrgica omite o advérbio “perto” (em grego: εγγύς enghys), presente no texto original; a tradução mais justa seria, portanto, “Betânia estava perto de Jerusalém cerca de três quilômetros”. Para a proximidade geográfica, a indicação dos três quilômetros (quinze estádios) seria suficiente. O advérbio faz falta porque a ênfase que o evangelista está dando é à proximidade ideológica. Estando próxima a Jerusalém, essa comunidade era facilmente influenciada pela ideologia e o poder dominantes, ou seja, pelo judaísmo oficial. A influência de Jerusalém sobre a comunidade de Betânia se evidencia ao longo de todo o texto pela reação dos personagens diante do fenômeno da morte (vv. 19.21.24.31.33.37), e diante de Jesus. Diz o texto que “Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão” (v. 19), quer dizer que a morte era vista como causa de desespero e medo, e Jesus não era conivente com essa mentalidade. Por isso, Ele prefere não entrar no povoado: Marta vai ao encontro dele e, depois, também Maria, pois Jesus a tinha chamado (vv. 20.28.30).

No povoado, concebia-se a morte com o respaldo da religião oficial: as irmãs choravam desesperadamente, sendo consoladas pelos judeus que tinham ido de Jerusalém. Por isso, Jesus fica fora do povoado (v. 30), porque somente saindo das antigas estruturas e mentalidade é possível vivenciar o triunfo da vida: de fora do povoado, Jesus chama as irmãs a saírem; Ele não entra e as conduz tomando-as pela mão, mas dá a liberdade de escolha; ao seu convite, as irmãs de Betânia e os cristãos de todos os tempos podem responder positiva ou negativamente. De Lázaro, o doente-morto-vivo, pouco se diz, pois, o objetivo do evangelista não é apresentar uma biografia sua, mas convidar a comunidade a escapar das estruturas de morte e despertá-la para Aquele que é “a Ressurreição e a Vida” (vv. 25-26), Jesus. Como o significado do nome Lázaro é “Deus ajuda”, podemos compreender o episódio narrado em torno da sua pessoa como um convite de Jesus à comunidade a buscar ajuda e consolo fora da Lei e das antigas instituições, por isso, Ele diz: “essa doença é para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (v. 4). Em Lázaro, Deus está ajudando a comunidade a sair da antiga mentalidade.

Como o texto é também um pré-anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus, o evangelista ressalta alguns aspectos importantes da sua vida, sobretudo, no que diz respeito à sua humanidade: um homem de afetos e emoções! Cultivava amizade (v. 5), amava e se deixava ser amado, a ponto de ter o amor como a característica maior das relações recíprocas com seus discípulos: “Senhor, aquele que amas, está doente” (v. 3a); aqui, o evangelista apresenta Lázaro como o discípulo ideal, cuja relação com o Senhor é simplesmente o amor. Ser discípulo é sentir-se amado por Jesus e amar ao próximo com a mesma intensidade do amor recebido de Jesus. O afeto e a seriedade de Jesus nas relações com seus discípulos são muito bem apresentados por João nesse relato. Não poderia passar despercebido em nossa reflexão o registro marcante do versículo 35: “E Jesus chorou”. A interpretação para essa expressão tem sido muito questionada e variada ao longo do tempo. É inegável que foi uma demonstração de afeto e prova do seu amor pelo discípulo ideal, Lázaro.

Aqui, se faz necessária mais uma observação semântica. As irmãs choravam (vv. 31.33) e certamente outros amigos que foram ao encontro delas em solidariedade. Há, no entanto, uma distinção entre as duas maneiras de chorar, o que não se percebe na tradução litúrgica. Em relação a Maria, o evangelista emprega um verbo que significa chorar desesperadamente e com lamentos (em grego: κλαίω klaío). Para afirmar o choro de Jesus, o evangelista emprega um outro verbo, que significa simplesmente derramar lágrimas, lacrimejar (em grego: δακρύω dakryo), e expressa uma reação natural, sem desespero. Portanto, enquanto os demais, principalmente as irmãs, choravam desesperadamente, derretendo-se em prantos e lamentações, Jesus apenas derramou lágrimas porque, para Ele, a morte nunca é o fim. As lágrimas de Jesus causam admiração entre os judeus: “Então os judeus disseram: Vede como ele o amava” (v. 36). Ora, eles não conheciam a gratuidade do amor nas relações; viviam aprisionados pelo rigor da Lei; concebiam a relação com Deus a partir do modelo patrão-servo, dominador-dominado. Por isso, a Boa-nova de Jesus não tinha boa aceitação no povoado. Por onde Jesus passa, o amor o acompanha e só quem ama e se sente amado pode acolhê-lo.

Jesus foi ao encontro das irmãs porque não abandona sua comunidade aflita e amava incondicionalmente Lázaro, a ponto de derramar lágrimas por ele (v. 35), mesmo não compactuando com a mentalidade delas. Porém, sua ida é pedagógica. Ao invés de alimentar aquela mentalidade, ainda influenciada pela religião oficial, Ele a combate: chega somente no quarto dia após a morte (v. 39) e não entra no povoado. A chegada no quarto dia foi proposital: Ele tinha consciência do que deveria fazer e já tinha expressado isso aos discípulos mais próximos: “o nosso amigo Lázaro dorme” (v. 11). Merece atenção aqui o possessivo plural: tudo o que Ele tinha e tem é compartilhado com os seus, inclusive as amizades e todas as relações. Na sua comunidade não há espaço para o individualismo: bens e afetos existem para a partilha. A chegado após quatro dias tinha como objetivo desmascarar uma falsa crença judaica de que até três dias após a morte, ainda era possível que o defunto voltasse a viver, pois acreditava-se que o espírito do morto ainda sobrevoava ao redor do cadáver. A partir do quarto dia, começava a decomposição e, portanto, o espírito ia embora. Realizando o sinal até o terceiro dia, a “glória do Filho de Deus” não seria manifestada, pois os presentes reconheceriam como algo natural, conforme a crença.

A ida de Jesus teve, portanto, um objetivo muito claro: libertar a comunidade da morte física, por um momento, e principalmente, da doença e morte ideológica, da qual a comunidade estava ameaçada. Chamou Lázaro para fora do túmulo (v. 43), ordenando que fosse retirada a pedra (v. 39). A pedra representa aqui, tudo o que separa a vida da morte: o medo, a violência, a opressão e tudo o que a Lei causava de mal no seio da comunidade. Para Jesus, a antiga Lei era sinal de morte. A ordem “Lázaro, vem para fora” (v. 43) é o convite final que Jesus faz para a liberdade. É necessário “desatar” (v. 44) o ser humano de tudo o que o impede de caminhar livremente em busca da vida plena e da dignidade. É necessário sair dos povoados e dos túmulos para caminhar com Jesus em busca de um mundo novo onde, de fato, reine o amor e a vida triunfe!

Dia 22

Lembre-se de que a existência humana é construída dia a dia.

Deus concede suas dádivas aos seres humanos, por isso cabe a cada pessoa usá-las com sabedoria, para que se transformem em dons a serviço dos irmãos.

Seja, pois, semeador do bem e da paz!

Todas as pessoas recebem sementes de Deus; no entanto, cabe a cada uma a missão de preparar o terreno, semear, irrigar e fazer que dê frutos.

“E o que semeias não é a planta já desenvolvida – como será mais tarde - mas um simples grão, digamos, de trigo ou de qualquer outro cereal; e, de acordo com sua vontade, Deus dá um corpo e esse grão, como dá o seu corpo particular”.  (1Cor 15,37-38).



Evangelho do dia 27 março sexta feira 2026

27 março - São José praticava as virtudes humildes e obscuras, mantendo-se sempre calmo, sereno e tranquilo, observando em tudo perfeita con...