quinta-feira, 12 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 15 DE MARÇO 2026 - 4º DOMINGO DA QUARESMA OU DOMINGO LAETERE


15 março -

Façamos os pedidos ao nosso bom papai São José, que é o Patriarca das pessoas atrapalhadas (ele que passou por tantas atrapalhações!). (L 78). São José Marello


João 9:1-41

1Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.

2Seus discípulos lhe perguntaram: "Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?"

3Disse Jesus: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.

4Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.

5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo".

6Tendo dito isso, cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem.

7Então disse-lhe: "Vá lavar-se no tanque de Siloé" (que significa "enviado"). O homem foi, lavou-se e voltou vendo.

8Seus vizinhos e os que anteriormente o tinham visto mendigando perguntaram: "Não é este o mesmo homem que costumava ficar sentado, mendigando?"

9Alguns afirmavam que era ele.
Outros diziam: "Não, apenas se parece com ele".
Mas ele próprio insistia: "Sou eu mesmo".

10"Então, como foram abertos os seus olhos?", interrogaram-no eles.

11Ele respondeu: "O homem chamado Jesus misturou terra com saliva, colocou-a nos meus olhos e me disse que fosse lavar-me em Siloé. Fui, lavei-me, e agora vejo".

12Eles lhe perguntaram: "Onde está esse homem?"
"Não sei", disse ele.

13Levaram aos fariseus o homem que fora cego.

14Era sábado o dia em que Jesus havia misturado terra com saliva e aberto os olhos daquele homem.

15Então os fariseus também lhe perguntaram como ele recuperara a vista. O homem respondeu: "Ele colocou uma mistura de terra e saliva em meus olhos, eu me lavei e agora vejo".

16Alguns dos fariseus disseram: "Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado".
Mas outros perguntavam: "Como pode um pecador fazer tais sinais milagrosos?" E houve divisão entre eles.

17Tornaram, pois, a perguntar ao cego: "Que diz você a respeito dele? Foram os seus olhos que ele abriu".
O homem respondeu: "Ele é um profeta".

18Os judeus não acreditaram que ele fora cego e havia sido curado enquanto não mandaram buscar os seus pais.

19Então perguntaram: "É este o seu filho, o qual vocês dizem que nasceu cego? Como ele pode ver agora?"

20Responderam os pais: "Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego.

21Mas não sabemos como ele pode ver agora ou quem lhe abriu os olhos. Perguntem a ele. Idade ele tem; falará por si mesmo".

22Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus, pois estes já haviam decidido que, se alguém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso da sinagoga.

23Foi por isso que seus pais disseram: "Idade ele tem; perguntem a ele".

24Pela segunda vez, chamaram o homem que fora cego e lhe disseram: "Para a glória de Deus, diga a verdade. Sabemos que esse homem é pecador".

25Ele respondeu: "Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo!"

26Então lhe perguntaram: "O que fez ele a você? Como abriu os seus olhos?"

27Ele respondeu: "Eu já disse, e vocês não me deram ouvidos. Por que querem ouvir outra vez? Acaso vocês também querem ser discípulos dele?"

28Então, eles o insultaram e disseram: "Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de Moisés!

29Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse, nem sabemos de onde ele vem".

30O homem respondeu: "Ora, isso é extraordinário! Vocês não sabem de onde ele vem, contudo ele me abriu os olhos.

31Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas ouve o homem que o teme e pratica a sua vontade.

32"Ninguém jamais ouviu que os olhos de um cego de nascença tivessem sido abertos.

33Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer coisa alguma".

34Diante disso, eles responderam: "Você nasceu cheio de pecado; como tem a ousadia de nos ensinar?" E o expulsaram.

35Jesus ouviu que o haviam expulsado e, ao encontrá-lo, disse: "Você crê no Filho do homem?"

36Perguntou o homem: "Quem é ele, Senhor, para que eu nele creia?"

37Disse Jesus: "Você já o tem visto. É aquele que está falando com você".

38Então o homem disse: "Senhor, eu creio". E o adorou.

39Disse Jesus: "Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que veem se tornem cegos".

40Alguns fariseus que estavam com ele ouviram-no dizer isso e perguntaram: "Acaso nós também somos cegos?"

41Disse Jesus: "Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado; mas agora que dizem que podem ver, a culpa de vocês permanece.

 

4° Domingo da Quaresma - João 9, 1-41 (Ano A) 15 março 2026

152. Reflexão para o 4° Domingo da Quaresma - Jo 9, 1-41 (Ano A)

Neste quarto domingo da quaresma, continuamos a sequência da leitura de textos do Quarto Evangelho, iniciada no domingo passado com o episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Para hoje, a liturgia propõe o relato da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41), um episódio exclusivo do Evangelho segundo João, e detentor de uma grande riqueza literária e teológica. Convém recordar que os evangelhos sinóticos também trazem relatos de cura de cegos (cf. Mt 12,22-23; Mc 8,22-26; 10,46-52; Lc 18,35-43), mas em nenhum deles há uma riqueza de detalhes tão grande como este de João. Pela extensão do texto, quarenta e um versículos, não comentaremos versículo por versículo, mas procuraremos colher a mensagem central e enfatizar alguns aspectos e trechos mais importantes.

Antes de adentrarmos diretamente no conteúdo do texto, é importante fazer uma breve contextualização. O cenário do relato é a cidade de Jerusalém. Ora, Jesus tinha ido à “cidade santa” para a festa das tendas (cf. Jo 7,1-2.14), uma das três grandes festas de peregrinação dos judeus, juntamente com a páscoa e pentecostes; foi com receio, certamente, uma vez que já estava “jurado de morte” (cf. Jo 7,1) pelas autoridades judaicas, devido à fama que se tinha propagado em decorrências de sua mensagem e, principalmente, por causa dos sinais que estava cumprindo. Por falar em sinais, a cura do cego de nascença, relatada no evangelho de hoje, é o sexto dos sete sinais que Jesus realiza no Quarto Evangelho, a saber: 1) a mudança da água em vinho – Jo 2,1-12; 2) a cura do funcionário real – Jo 4,46-54; 3) a cura do enfermo (paralítico) de Betesda – Jo 5,1-18; 4) a multiplicação dos pães – Jo 6,1-15; 5) a caminhada sobre o mar – Jo 6,16-21; 6) a cura do cego de nascença – Jo 9,1-41; 7) a ressurreição de Lázaro (reanimação) – Jo 11,1-44.

Ao realizar os sinais, Jesus manifestava a glória de Deus, ganhava adesão ao seu projeto e confirmava ser o Cristo, o Filho de Deus (cf. Jo 2,1; 21,30-31). Com isso, o poder religioso o via cada vez mais como uma ameaça e, por isso, queria eliminá-lo. Os sinais de Jesus mostravam que Deus não se deixava manipular pela instituição religiosa. As autoridades religiosas viam desmoronar seus poderes e privilégios; queriam eliminar Jesus porque ele era uma pessoa perigosa para o sistema. Durante a festa das tendas, Ele tinha passado dos limites ao se autoproclamar a “luz do mundo” (cf. Jo 8,12) e o “Filho eterno do Pai” (cf. 8,54-58). Por essa sua ousadia, as autoridades religiosas o consideraram “um samaritano e endemoniado” (cf. Jo 8,48) e, por isso, queriam apedrejá-lo. É, portanto, recordando o último versículo do capítulo anterior que devemos ler o texto de hoje: “Eles pegaram, então, pedras para atirar em Jesus. Mas Jesus se escondeu e saiu do templo” (Jo 8,59).

Uma vez contextualizados, voltemos a atenção para o texto de hoje, o qual começa assim: “Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença” (v. 1). Mesmo apressado, pois estava fugindo da tentativa de apedrejamento, Jesus vê a necessidade do outro e age com solidariedade e compaixão. Para a mentalidade da época, todo tipo de doença e deficiência era sinal de maldição e castigo, pois tudo isso era considerado consequência do pecado, ou da pessoa mesmo ou dos antepassados. Acreditava-se também que uma criança pudesse pecar ainda no ventre materno. Inclusive, os próprios discípulos de Jesus comungavam dessa mentalidade: “Os discípulos perguntaram a Jesus: ‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?” (v. 2). A cegueira se destacava entre todas as deficiências, pois impedia que a pessoa pudesse estudar e conhecer a Lei. Teologicamente, a cegueira era pior até do que a lepra. Ora, o leproso devia isolar-se completamente da sociedade, mas devido às aparências e a exposição das feridas; porém, um leproso poderia ter conhecido a Lei antes de contrair a lepra; já um cego de nascença, não. Como o homem visto por Jesus era cego de nascença, significa que ele nunca tinha tido contado com a Lei, portanto, era um condenado; não vivia, mas apenas vegetava, mesmo não sendo necessário o isolamento do convívio social, por não ter feridas expostas, como os leprosos.

É claro que Jesus não concordava com a mentalidade vigente. Por isso, corrige seus discípulos e expressa a sua pressa em sanar a situação de marginalização vivida pelo homem cego (vv. 3-4). A cegueira não é vontade de Deus e nem punição a possíveis pecados cometidos. Também não é condição para que a glória de Deus se manifeste, como poderia ser interpretada sua afirmação no v. 3. No entanto, onde a vida é escassa, quer dizer, onde a criação não encontrou sua plenitude, há espaço para que a glória de Deus se manifeste sanando a deficiência. Para isso, é necessário que toda a comunidade participe, juntando forças. Por isso, Jesus compartilha com os discípulos a sua responsabilidade de trabalhar para realizar as obras do Pai que o enviou (v. 4), aprimorando a criação. E isso deve ser feito com urgência, ou seja, “enquanto é dia” (v. 4). Considerando que seus dias estavam praticamente contados, depois de tantas ameaças, já não havia mais tempo a perder. A “chegada da noite” (v. 4) significa a sua morte que se tornava cada vez mais próxima. Quando está em questão a liberdade e a dignidade do ser humano, os discípulos de Jesus devem agir com pressa, como Ele mesmo agia, mesmo tendo que contrariar códigos e regras morais, sejam civis ou religiosos.

Destaca-se neste episódio, especialmente, a bondade e a compaixão de Jesus: o cego não pede nada, não lhe faz nenhuma súplica, ao contrário de outras curas em que as pessoas necessitadas lhe suplicam a cura. Para João, o olhar de Jesus já é suficiente para perceber a necessidade do outro, sentir compaixão e intervir, como faz aqui: “Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego, e disse-lhe: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé (que quer dizer: enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando” (vv. 6-7). O gesto de cuspir no chão e fazer lama com a saliva é carregado de um forte simbolismo: o barro alude à criação, é a matéria prima do ser humano, conforme a mentalidade bíblica. De acordo com essa mesma mentalidade, a saliva é gerada pelo hálito, e esse é o sopro, o espírito. Com isso, o evangelista quer dizer que Jesus repete o gesto criador de Deus (cf. Gn 2,7), ou seja, aperfeiçoa a criação do Pai. O homem que até então vegetava, passou a viver de verdade a partir do encontro com Jesus que lhe deu vida. A ordem para o homem lavar-se na piscina de Siloé significa a participação e a responsabilidade humana na criação e na salvação. Deus não quer o ser humano passivo, mas participante ativo de sua obra. Como “luz do mundo” (v. 5), Jesus aponta o caminho e quem o segue encontra a luz, como o cego “voltou enxergando” da piscina ao cumprir a sua ordem. Quem segue a palavra de Jesus encontra luz e sentido para a vida. Ao ir à piscina, conforme a ordem de Jesus, o cego demonstrou adesão ao Evangelho; por isso, passou a enxergar. O relato poderia ser encerrado aqui, mas o evangelista pretende muito mais.

Entre aqueles que conheciam o cego, o espanto é geral: ao invés de um homem miserável e considerado amaldiçoado, eles passam a ver um homem novo, restaurado e íntegro (vv. 8-12). A admiração começa entre os vizinhos, passa pelos que o viam mendigando, até chegar nos fariseus e autoridades religiosas. O motivo de tamanho espanto é compreensível, considerando a afirmação do próprio homem ao defender-se das acusações: “Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença” (v. 32). De fato, em toda a Bíblia, não há registro de nenhum outro milagre de um cego de nascença. Há curas de cegos, sim, mas não com essa indicação. Os fariseus, como representantes do sistema de dominação, reagem com rigor e até com violência, porque veem que a luz de Deus, que eles e todo o sistema ofuscavam, brilha em Jesus e em quem cumpre a sua palavra. A face de Deus, que a religião tinha ofuscado e transformado em mercadoria, é restituída gratuitamente ao povo por Jesus. Por isso, inconformados, os líderes religiosos judeus submetem o homem curado a um longo interrogatório, sem aceitar nenhuma das respostas. E, tudo isso, por causa da rejeição a Jesus e o medo que o seu projeto libertador representava para as elites.

O fato de Jesus ter curado em dia de sábado já era, por si só, motivo de escândalo, ainda mais da forma como fez: “era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego” (v. 14). Ao tocar na terra para fazer lama, Jesus realizou um trabalho braçal em dia de sábado, um pecado abominável para os judeus. Esse foi o principal motivo do cerco contra o homem e contra o próprio Jesus. Os judeus consideravam o mandamento do sábado como o maior de todos, pois é o único que até mesmo Deus observou (cf. Ex 20,110); era assim que eles ensinavam sobre a sacralidade do sábado. Com isso, eles passaram a ter ainda mais motivos para rejeitar Jesus e o seu programa. É importante recordar que João usa o termo “judeus” referindo-se às autoridades religiosas, e não a todo o povo. Neste episódio ele varia entre judeus e fariseus (vv. 13; 15; 16; 18; 22; 24; 34; 40), mas sempre em referência às lideranças, e não a todo o povo.

O ex-cego é literalmente encurralado pelos líderes religiosos porque deixou de ser um dominado; tornou-se um sujeito autônomo, um homem livre. A situação chega ao ponto de ser necessário o depoimento dos seus pais (vv. 18-23). Com medo da repressão, os pais passam a responsabilidade para o filho: é ele quem tem que responder por seus atos (v. 21). Reconhecendo-se incapazes de convencer com argumentos e testemunho, os chefes judeus apelam para a violência, como acontece com todos os sistemas opressores. Por isso, “expulsaram-no da comunidade” (v. 34b), ou seja, o baniram da sinagoga. É a religião agindo com tirania, banindo a vida, ao invés de protege-la. É claro que não havia espaço para Jesus e seu projeto libertador numa religião como aquela. Na verdade, esse conflito reflete o ambiente das comunidades joaninas, e não propriamente o tempo de Jesus. Escrito no final dos anos 90 d.C., o Evangelho segundo João testemunha a separação das comunidades cristãs da sinagoga. Os cristãos foram, de fato, expulsos da sinagoga ao declararem Jesus como o Messias (v. 22). E esse episódio foi a melhor oportunidade que João encontrou para retratar essa realidade, uma vez que “dar vista aos cegos” era um dos principais sinais messiânicos anunciados pelos profetas (cf. Is 29,18; 42,7).

Jesus se manifesta novamente, ao saber que o homem tinha sido expulso da comunidade sinagogal e vem ao seu encontro (v. 35). Embora a versão litúrgica afirme que Jesus “encontrou” o homem, a tradução correta seria “foi encontrá-lo” (v. 35), o que significa que Jesus foi procura-lo. Como sempre, Jesus resgata o que a religião descartou. A religião exclui e Jesus inclui; os sistemas dominantes separam e Jesus junta; a religião do templo oprime e Jesus liberta. No final da discussão, Jesus mostra a grande inversão de valores e de papéis: os verdadeiros cegos são os fundamentalistas que, apegados à Lei e aos mais diversos códigos de conduta, sufocam a vida do ser humano, privando-o da liberdade e da dignidade. Para esse tipo de cegueira, não há justificativa (v. 41).

Assim como João escreveu pensando na sua comunidade, também devemos pensar nas comunidades de hoje em dia: se essas não promovem a vida e a liberdade do ser humano, estão distantes da proposta de Jesus. Se prevalece a norma sobre a caridade, o Evangelho é esquecido. Se o conhecimento continua concentrado em um pequeno grupo que controla tudo, está mais para a sinagoga do que para a comunidade cristã. Se há imposição de ideias, decisões e normas, continua-se a gerar cegos, ao invés de pessoas conscientes e iluminadas.

Dia 15

Do fundo do coração, faça esta prece: “Eu o agradeço, Senhor, por mais um dia.

Concedei-me os dons da fé, esperança e caridade.

Que sua presença seja força em minha caminhada.

Que eu seja fiel, amando-lhe realmente acima de tudo.

Obrigado(a), Senhor, por minha família, meu trabalho, meus amigos e por tudo o que recebi.

Que eu possa ser testemunha de seu amor com gratidão e alegria. Amém!”.

É preciso cultivar no coração um profundo sentimento de gratidão a Deus.

“Nossa alma espera pelo Senhor, é ele o nosso auxílio e o nosso escudo.

Nele se alegra o nosso coração e confiamos no seu santo nome”.

(Sl 33[32],20-21).

 

terça-feira, 10 de março de 2026

Evangelho do dia 14 março sábado 2026

 


14 - Aniversário da Fundação da Congregação dos Oblatos de São José (1878). Vivam todos bem dispostos sob o manto paterno de São José, lugar de absoluta segurança "in tribulationibus et angustiis”, nas tribulações e nas aflições. (L 287). São Jose Marello


Lucas 18,9-14

"Jesus também contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros: Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: "Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho." Mas o cobrador de impostos ficou de longe e nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: "Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!" E Jesus terminou, dizendo: Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido."

Meditação:

No Evangelho de hoje, Jesus nos revela o segredo de uma oração verdadeira e também eficaz. Ele nos conta uma parábola sobre a oração de dois homens que pertencem a duas categorias completamente opostas. Na verdade, o Evangelho quer provocar em nós a pergunta: com qual dos dois me identifico? Com o fariseu ou com o publicano?
Prestemos bem atenção a como cada um dos homens reza e assim iremos descobrir. Podemos nos encontrar no lugar do publicano (pecador), que foi justificado; mas também com muita probabilidade, podemos nos encontrar no lugar do fariseu, que por sinal, não foi justificado; este último é aquele que regularmente vai ao templo, ou seja, pode ser que sejamos nós, que regularmente vamos à igreja.
Enfim, a parábola em questão é direcionada para todos aqueles que julgam ser bons e desprezam os outros, diz o evangelista Lucas.

O fariseu é aquele que se acha justo, certinho, pelo fato de conseguir freqüentemente cumprir os preceitos da lei: “eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de toda a minha renda”.

A atitude dele é aquela de uma pessoa egoísta, cheia de si mesmo. Usa sempre o pronome “eu”. E o que agrava a sua presunção é o fato de desprezar os outros.

Não se pode rezar e, ao mesmo tempo, desprezar; dialogar com Deus e ser duros com as pessoas; no fundo, nos deleitamos com os defeitos dos outros para agradar a nossa presunção (Nossa! Comparando-me com fulano de tal, como eu sou bom e correto!). Uma vida assim é cheia de suspeitas e de medos, uma vida triste num mundo corrompido. A oração do fariseu, no final das contas, é um julgamento.
De fato, esta parábola é muito inquietante! Mostra como na oração podemos nos separar de Deus e dos outros quando falsificamos a nossa consciência, enganando-nos quanto a Deus e ao nosso próximo.

Quando estamos falando coisas negativas sobre os outros como aquele fariseu (“não sou como os ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos”); na verdade, estamos envenenando as nossas vidas. Deus está interessado no nosso interior e não naquilo que aparentamos ser.

Precisamos nos conscientizar que não é impressionando uns aos outros que interessa a Deus, mas é nossa vida interior que interessa a ele.
O orgulho é uma cegueira que nos impede de ver nossos próprios erros. É difícil ser humilde. Se nos consideramos humildes, isso já pode ser uma presunção.

Ser humilde significa nunca pensar que somos melhores que as outras pessoas, mas que somos humanos, e por isso, limitados tanto quanto os outros. Esta consciência é o que nos estimula a sempre buscar o amadurecimento espiritual.
Às vezes, a única maneira pela qual aprendemos a tratar bem as pessoas, é quando somos maltratados, para que possamos ver como isso machuca e aprender a não fazer com os outros. A pessoa orgulhosa nunca acha que é orgulhosa, porque o orgulho facilmente se esconde.

O orgulho é uma máscara que encobre realmente quem somos. O orgulho é um julgamento: julgamos porque somos orgulhosos; julgar, na realidade, é tentar achar um caminho para nos sentirmos melhores em relação a nós mesmos, apontando os erros dos outros. 

Deus é um juiz que não faz discriminação de pessoas. Deus não discrimina ninguém; como isto deve doer ao ouvido orgulhoso do presunçoso!
Outra coisa também muito freqüente existir é um entendimento errado da humildade: quando ficamos passivos diante de tudo ou quando sempre estamos dizendo que não somos capazes para isto ou para aquilo.

Esta é a falsa humildade. A humildade é uma das virtudes mais difíceis de se obter, mas também é uma das mais necessárias.

O publicano é realmente um pecador; ele não arranja uma desculpa para o que fez. Uma transgressão típica dos publicanos era trapacear os outros e ser conivente com as tramóias do império romano.

A oração simples do publicano é reconhecer-se pecador. Não julga ninguém, nem mesmo o fariseu, por quem já foi julgado, insultado e excluído.
Deus “jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas”. Mas, temos que nos entregar totalmente a ele.

O publicano foi perdoado não porque fosse melhor que o fariseu, pensar isso seria cair na mesma atitude do fariseu, mas porque com sinceridade mostrou e admitiu sua fraqueza e abriu seu coração a um Deus que é imensamente maior que o seu pecado, a um Deus que nos acolhe, que nos abraça com a sua misericórdia infinita. “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”. Que nossa oração humilde atravesse as nuvens e chegue ao Altíssimo.

Reflexão Apostólica:  

Ao ler o evangelho de hoje, fiquei muito feliz porque acredito que essa mensagem seja capaz de mudar de forma concreta as nossas vidas, pois, uma vez que passamos a compreender o sentido real e concreto do ATO DE SER HUMILDE e não apenas do CONCEITO DE HUMILDADE, podemos ser transformados interiormente e executar gestos no nosso cotidiano que irá nos proporcionar sentimentos bons e alegres. A SIMPLICIDADE é irmã da HUMILDADE e inimiga do JULGAMENTO.

 Nesta parábola, de sua exclusividade, Lucas faz um confronto entre duas atitudes fundamentais. Ele aborda especificamente o ato da oração.

 Ela mostra dois pontos: falta de HUMILDADE terrível na vida de uma pessoa que gera: a soberba, o orgulho, a presunção. O outro ponto é a SIMPLICIDADE do coração na oração que gera: humilhação e temor.
Os dois modelos usados são os fariseus e os publicanos. O fariseu (homem da religião) se postava em pé, sem nenhuma reverência a Deus, provavelmente estufando o peito e orava para si mesmo!

Em algumas traduções temos escrito “orava de si para si”. Apesar de começar sua oração pronunciando o nome de Deus, ele não estava dirigindo suas palavras ao Senhor.

Aquela cena não passou de um monólogo, onde sua oração não passou do teto do templo. Porque o único objetivo daquele homem era se auto-proclamar justo e se vangloriar de seus feitos.
O publicano talvez fosse a pessoa menos respeitada da sociedade. Era o judeu escolhido pelo Império Romano para cobrar impostos do povo e por isso era visto como traidor.

No texto, a postura inicial é que de longe sequer ousa olhar para os céus, num sinal de humildade e ainda batia no peito pedindo graça para o seu coração. Na cultura judaica, bater no peito era um sinal externo de demonstrar a dor na sua alma. Ele reconhecia sua natureza pecaminosa e estava angustiado por isso.
A dica para nós é que tomemos cuidado, mas muito cuidado com a nossa presunção no coração. Muitas vezes somos moralistas e demonstramos ser os santarrões da comunidade.

Somos, na prática, como esse fariseu que louvava a Deus por não ser igual aos outros homens. Ele dizia: "Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho."
Santa hipocrisia e soberba terrível deste homem! E como somos assim, como nos achamos os santarrões da vida. Humilhamos pessoas, condenamos os outros.
A grande verdade é que somos iguais a este fariseu do texto de Lucas. Muitas vezes agrademos ao criador por não sermos iguais a alguns pecadores. 

É bom que saibamos, somos roubadores, injustos, adúlteros, somos mentirosos em potencial. Somos uma natureza corrupta, somos todos sem exceção filhos de Adão. Filhos do pecado!

Precisamos da fala no coração do publicano que compreendeu espiritualmente a dinâmica de Romanos 2,1: "Ó homem, quem quer que sejas, tu que julgas, não tens desculpa. Pois julgando os outros condenas a ti mesmo, já que fazes as mesmas coisas, tu que julgas."
Vale lembrar que este homem reconhece que não pode fazer nada para ser salvo, ele é humilde de coração na presença do Senhor com estas palavras: "Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!" E neste processo Jesus declara: "Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido."
Como vimos, esse Evangelho é lindo e TRANSFORMADOR, ele vem ensinar para nós que a nossa oração é um meio de comunicação eficaz com o Pai, mas só subirá aos céus se nascer de um coração humilde, simples e puro!!!
Se quisermos ser justificados e elevados diante de Deus, precisamos diminuir para que Deus cresça em nós!!! Então, faça sua oração agora, com a voz baixinha, ou alta ou até mesmo em seu pensamento, mas faça para que essa palavra possa dar fruto na sua vida hoje, não deixe a graça passar.

Propósito:

Olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Viver meu dizer com o coração agradecido ao Pai e na alegria de poder testemunhá-lo. 

Dia 14

Se perdeu o emprego, ficou decepcionado com alguém, foi desprezado, humilhado e rejeitado, passa por problemas financeiros, lembre-se de que a vida sempre oferece novas oportunidades.

Mas você precisa fazer sua parte, pois nada cai do céu.

Por isso, olhe para o horizonte, com muita fé e esperança.

Cultive em seu interior a força capaz de enfrentar qualquer adversidade.

Não permita que tristezas, frustrações e obstáculos coloquem fim a seus sonhos, ideais e objetivos.

“O anjo respondeu: ´O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra´”. (Lc 1,35a-b).

 


Evangelho do dia 13 março sexta feira 2026


13 março -
Queira Deus que possamos manter-nos sempre dignos de pertencer à Família bendita de São José e merecedores de receber o sustento diário das mãos do seu Chefe. (L 206). São José Marello


EVANGELHO DO DIA:

O mandamento mais importante - Marcos 12,28b-34

Então um escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus respondeu: “O primeiro é este: ‘Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é um só. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força!’ E o segundo mandamento é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo!’ Não existe outro mandamento maior do que estes”. O escriba disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: ‘Ele é o único, e não existe outro além dele’. Amar a Deus de todo o coração, com toda a mente e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, isto supera todos os holocaustos e sacrifícios”. Percebendo Jesus que o escriba tinha respondido com inteligência, disse-lhe: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha 

MEDITAÇÃO:

A crítica que Jesus faz à hermenêutica bíblica dos escribas, busca deslegitimar a teologia subjacente que condena e discrimina os pobres, as mulheres, os estrangeiros, os enfermos. Considerados impuros, sua condição social é ainda mais precária e desumana. Não somente são pobres, mas são considerados impuros, ou seja, excluídos da comunhão social judaica tornando ainda mais pesada sua dor e seu sofrimento, pois para perder esta "impureza" deviam pagar uma oferenda ao Templo e aos sacerdotes. Romper este “jugo ideológico” será um dos objetivos propostos por Jesus quando entra em controvérsia com escribas e fariseus. No evangelho de hoje, o escriba se dirige a Jesus de forma interrogativa, talvez esperando dele um progresso no terreno do conhecimento, mas Jesus o convida a sair do mundo dos “saberes” e lhe abre a possibilidade de centrar sua vida na única coisa que importa.

Temos nesta narrativa de Marcos um caso único de diálogo de um escriba com Jesus, sem atritos. Os escribas eram intelectuais, minuciosos conhecedores dos textos da Lei. Este que dialoga com Jesus chega a afirmar que o amor a Deus e ao próximo supera todos os holocaustos e sacrifícios. Reconhece, assim, os dois maiores mandamentos. Jesus, então, afirma que ele não está longe do Reino de Deus.

Por seus detalhes, esta narrativa assemelha-se à cena do jovem rico, ao qual apenas faltou dar tudo aos pobres e seguir Jesus. Com isso se percebe que ao escriba faltava romper com as doutrinas e observâncias legais e desapegar-se de suas riquezas. A expressão de nossa adesão ao amor de Deus não é o culto religioso, mas sim o amor concreto e solidário ao nosso próximo.

Quando um dos escribas pergunta a Jesus sobre o primeiro mandamento, tenta arrastar Jesus a seu “campo” onde é especialista e ali então quebrar sua “popularidade” e sua autoridade. Mais de seiscentos mandamentos requer certa profissionalização jurídica. O escriba quer saber se Jesus é um "perito" naquilo que todo judeu ortodoxo — muito mais se se trata de um mestre — deve ser, no conhecimento, interpretação e cumprimento da Lei.

Jesus responde que há dois, vinculando assim experiência teológica (amarás a Deus…) e social (e a teu próximo…). Sua resposta não é dirigida a ampliar seus conhecimentos, mas a provocar nele uma mudança de vida... O Reino continua se aproximando também de nós quando aceitamos que ao amor não se chega pelo caminho das generalidades, mas por meio da realidade tangível e concreta dos fatos.

Quando o escriba considera acertada a resposta, dentro de um contexto pós-pascal conflitivo entre judaísmo e cristianismo, o relato quer ressaltar um princípio comum, mas também uma diferença —” Não estás longe do reino de Deus”. Contudo, esta é a base permanente de unidade entre judaísmo e cristianismo. A diferença está na maneira de entender quem é Deus, quem é Israel, quem é o próximo e aplicar suas conseqüências.

O diálogo se fecha quando se afirma a primazia da vida humana junto com a adoração a Deus. Tal afirmação constitui o ponto de contraste com o desenvolvimento dos acontecimentos posteriores. Paradoxalmente, a teologia que afirma a primazia da vida humana é a mesma que legitimará a morte de quem reivindica a primazia da vida humana, crendo defender a primazia da adoração a Deus.

 Contra uma prática da religião meramente externa, fria e legalista, como era a dos escribas e fariseus, Jesus ensina que na verdadeira religião o amor é que tem a primazia, tanto na relação com Deus como com o próximo. Reconhecer isso, como fez o escriba, é já estar próximo do Reino de Deus.

Religião é re-ligação, é Deus chamando o homem para comunhão consigo ou é o homem tentando se auto-preencher, abafando o chamado interior. O homem tem dentro de si um vazio que só é preenchido por Deus. Deus o criou assim, deixando um espaço para comunhão com o ser humano. Mas quando Adão pecou, em suma, disse a Deus: "Não o quero em minha vida." Desde então o homem vem tentando preencher esse vazio, que o incomoda, para que se sinta em paz.

 Entretanto, quando se acentua somente o amor a Deus, cai-se no espiritualismo ou no descuido com o próximo, aparecendo todo tipo de mecanismos e sofismas alienantes, como o excessivo apego ao culto (AT), o excesso de devoções carentes de fundamento.

Essa atitude foi a luta constante da corrente deuteronomista e dos profetas, e é o que também Jesus denunciará; mas se o acento principal recair somente no amor ao próximo, as atitudes podem ser muito bonitas, podem, por exemplo, surgir todo tipo de “ajudas” materiais e econômicas para os pobres, mas não passarão de simples filantropia que logo desembocará em assistencialismo e no sentimento estéril de unicamente ter pena dos outros, mas sem nenhum compromisso efetivo e ativo para lutar contra tudo que gera injustiça e desigualdade.

O critério de Jesus é, então, combinar ambos os mandamentos, os dois amores, de tal forma que um seja o termômetro do outro e, sobretudo, buscando que quem escolhe levar a cabo o cumprimento de ambos os mandamentos seja cada dia mais humano, mais fraterno, mas solidário, e mais filho de Deus e irmão dos outros.

No entanto, pô-lo em prática é que é de fato entrar no Reino. Evitemos o perigo da mecanização da nossa vivência da fé. Que ela não se reduza a uma prática litúrgica na qual estamos presentes de corpo, mas não de espírito. Tal atitude não pode deixar de ter sérias conseqüências para as nossas vidas.

As palavras de Jesus, hoje, trazem-nos a essência, o centro do que é ser Cristão: Amar a Deus e amar o próximo. Nestes dois mandamentos se resumem o que deve ser um cristão e o que deve ser a comunidade cristã. São estas as únicas leis que um cristão deve seguir: amar a Deus e amar ao próximo. E estas duas vêem juntas, são um único mandamento, o mandamento do amor que vem de Deus e nos faz amá-Lo em resposta, mas também o próximo, como diz a carta de João: «Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro. Se alguém diz que ama a Deus, mas tem ódio ao seu irmão, é um mentiroso. De fato, aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê? O mandamento que Jesus nos deixou é este: aquele que ama a Deus deve também amar o seu irmão.» Quem assim o conseguir fazer na sua vida, será um verdadeiro cristão, um fiel verdadeiro, se a comunidade cristã fizer isso, será verdadeiramente Igreja.

Nada disto é novo para nós pois sabemos que o grande e único mandamento que Jesus trouxe é o do Amor. A resposta que Jesus dá ao Fariseu, não terá sido novidade também para ele. Jesus não terá sido o único do seu tempo a dizer que toda a Lei (Torah) e os profetas mais não fazem do que exemplificar, desenvolver o fundamental, o central que é amar a Deus e ao próximo. Só em relação ao próximo, na Lei (Torah), existem mais de 50 mandamentos.

O próprio apóstolo Paulo, um judeu fariseu de formação o diz na sua carta aos romanos: «A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. Pois os preceitos: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e ainda outros mandamentos que existam, eles se resumem nestas palavras: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei.». E, quanto ao mandamento de amar a Deus, ele aparece no texto talvez mais lido e sabido de cor pelos judeus: « Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. Os mandamentos que hoje te dou serão gravados no teu coração. Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado em tua casa, seja andando pelo caminho, ao te deitares e ao te levantares. Atá-los-ás à tua mão como sinal, e os levarás como uma faixa frontal diante dos teus olhos. Tu os escreverás nos umbrais e nas portas de tua casa.» Cristãos e Judeus, temos isto em comum: Sabemos que temos o dever de cumprir o grande mandamento de amar a Deus e ao próximo.

Mas, o centro do texto de hoje, o que Jesus nos vem dizer, não está no saber esse mandamento, está no compreende-lo verdadeiramente, e sobretudo: Pô-lo em prática.

Em relação à compreensão, temos de ter em atenção que Jesus usa o verbo amar num tempo que pode ser traduzido no indicativo futuro: “amarás” ou no imperativo presente: “Ama!”. Amar a Deus e ao próximo é simultaneamente uma tarefa para o futuro, mas também, não podemos esquecer um imperativo presente. Há que começar já, agora, neste momento a amar, e não esperar para começarmos amanhã. O amor de amanhã não espera, ele começa já! É imperativo agora amar. Contudo, os medos, as prisões, os sofrimentos fazem-nos muitas vezes adiar para o futuro uma intenção de amar.

O mandamento diz também para amar a Deus com todo o coração, toda a alma e todo o entendimento. Três palavras que no original são todas femininas (alusão ao amor de mãe). Coração, no original grego: kardia. Esta palavra não significa somente coração, sentimento, não, ela significa o centro do nosso ser, a nossa vontade, o nosso desejo, a nossa intenção. Amar a Deus com todo o coração, não quer dizer amar com o sentimento, mas com o centro do nosso ser, com toda a nossa vontade, com todo o nosso desejo, com toda a nossa intenção; Alma, no original grego: Psyché, não quer dizer apenas alma, quer dizer vida, o que nos faz viver.

Amar a Deus com toda a alma é amar como respiramos, como se para nos mantermos vivos, dependesse disso o amar a Deus. Amar a Deus é o que nos faz viver. Entendimento, no original grego: dianoia, não quer dizer apenas entendimento, mas também propósito, atitude. Amar a Deus com todo o entendimento, significa amá-lo em todo o momento, em qualquer coisa que façamos, onde quer que estejamos, significa que todas as nossas atitudes são sempre de amor, quer estejamos ao domingo dentro da Igreja, ou ao sábado à noite com os nossos amigos e colegas.

Quanto a pôr em prática esta compreensão do mandamento, quem o pode cumprir verdadeiramente? Gandhi, dizia: “Mostrem-me um Cristão e eu serei um.” Dizia ele isto, porque não conseguia ver em nenhum que se dizia cristão a concretização na vida do seguimento do mandamento do amor. O livro do êxodo alerta para isso.

 

Quantos se dizem cristãos e oprimem os estrangeiros, (veja-se os que criticam a presença de estrangeiros neste país, como se nunca ninguém tivesse saído de Brasil para tentar uma vida melhor no estrangeiro, veja-se o que estão a fazer com aqueles que tentam entrar em território espanhol).

Quantas vezes nós, nos portamos como usurários, e precisamente nestes tempos de crise não temos remorsos em emprestar dinheiro com juros altíssimos sem pensarmos que essas pessoas podem vir a ficar sem dinheiro até somente para se protegerem do frio nas ruas úmidas das grandes capitais. Não, o amor misericordioso de Deus com que o texto do livro do Êxodo conclui, muitas vezes não é o amor que nós dizemos que seguimos quando dizemos que seguimos a Cristo. Sim, quem ama a Deus e ao próximo com todo o coração, com toda a alma e todo o entendimento? Quem amou, quem amará?

Jesus Ama!! Jesus amou, Jesus amará, sempre!! É esta a grande novidade que o Cristão trás dentro de si. Cristo, pela sua vida, pela sua paixão, pela sua morte, demonstrou que é possível viver até às últimas conseqüências o amor a Deus e ao próximo. Ele amou a Deus e ao próximo com todo o seu coração, todo o seu ser, como toda a sua alma, toda a sua vida, com todo o seu entendimento, em todos os momentos, mesmo na morte. E este seu amor que brotava do Pai e que vivia nele por ação do Espírito, ele nunca desistiu dele.

Jesus também teve medo, ao ponto de suar sangue no Monte das Oliveiras; ele também esteve preso; ele sofreu o abandono do Pai, mas o amor, ele nunca o abandonou, pois sabia com o todo o seu coração, com todo a sua alma e todo o seu entendimento que vivendo esse amor que vem de Deus, jamais iria morrer, pelo contrário, iria vencer a morte e viver para todo o sempre. E mais: Jesus com essa obediência de vida em amor, trouxe assim, por meio da fé nele a possibilidade de também nós participarmos dessa Vida Eterna, do Reino de Deus.

O cristão pode de fato amar a Deus e ao próximo com todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento. Disso é testemunha Paulo, nesta carta que escreve aos Tessalonicenses. Eles são o modelo para todos os crentes da Macedônia e Acaia. A sua fé espalhou-se por toda a parte. E ao longo da história da Igreja, embora pareça raro, encontram-se inúmeros exemplos de homens e mulheres, de comunidades cristãs, que viveram o mandamento do amor com todo o coração, toda a alma e todo o entendimento. (Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King, os apóstolos, irmão Roger de Taizé, aqueles que nós conhecemos: pilares da igreja).

Temos sentido o mesmo sentimento que Paulo pela comunidade de Tessalônica (acolhimento de comunidade cristã-igreja). Temos sentido que em nossas vidas temos vivido o mandamento do amor com todo o nosso coração, toda a nossa alma e todo o nosso entendimento. Sim, é possível viver esse amor. Quando deixamos entrar Cristo, quando deixamos que ele viva em nós, então podemos viver o mesmo amor que ele viveu e assim participar da Vida plena, que um dia há de vir.

Amar a Deus e amar ao próximo. Um dia, um certo doutor da Lei perguntou: E quem é o meu próximo? E então Jesus contou a parábola do Bom Samaritano.

Que possamos nós lutarmos enquanto seres humanos plenos de fé e também enquanto igreja viva de Cristo, apesar dos sofrimentos, das prisões, dos medos, por vivermos o mandamento do amor, e que pela nossa vida, em obras e também em palavras levemos ao mundo inteiro esse mandamento do amor, para que todo o mundo participe um dia da Vida Eterna!

 Amar é a segunda razão da nossa existência. Muitos pensam que amar consiste em possuir algum sentimento bom em relação às pessoas. Não! Amar não é somente sentimento, pois se assim fosse, Jesus não teria nos ordenados amar até os nossos inimigos: “mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês”. Amar é atitude, é querer fazer o bem, mesmo que a pessoa não mereça, como o caso dos inimigos. O apóstolo João diz: “Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações”. A Palavra de Deus deixa bem claro como devemos amar e diz também porque devemos amar: “Nós amamos porque Deus nos amou primeiro”; e “Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos”.

A Igreja existe para levar amor de Deus ao seu povo e isso é realizado por meio de um ministério que é demonstrar o amor de Deus aos outros, atendendo suas necessidades e curando suas feridas, em nome de Jesus. Cada vez que você está tocando a vida de alguém com amor, está ministrando a essa pessoa.

Muitas são as necessidades das pessoas e muitos são os modos de ir ao encontro dessas necessidades; por isso, Deus tem dado a cada um de nós um ou mais dons para que possamos levar o seu multiforme amor a todos. Para isso, é preciso descobrir nossos dons espirituais e habilidades. Assim, nosso ministério será mais eficiente e eficaz quando estivermos usando nossos dons e habilidades na área em que nós mais nos sentimos tocados e que mais expresse nossa maneira de ser.

Como já vimos, o mandamento do amor de Deus é complementado, já no Antigo Testamento, pelo segundo: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Por seu lado, no Novo Testamento, o amor ao próximo aparece sempre como indissolúvel do amor de Deus. Os dois mandamentos não são na realidade senão um só.

A caridade fraterna torna-se, assim, o conteúdo e a realização prática de toda e qualquer exigência moral: «Fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a Lei se encerra num só preceito, que é o seguinte: amarás o próximo como a ti mesmo». É, em definitiva, o único mandamento: «O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei». «Quem não ama o seu irmão que vê, como pode amar a Deus que não vê? ... Quem ama a Deus ame igualmente o seu irmão». Não se podia afirmar com mais clareza que, em substância, não há senão um único amor: o amor do próximo, porque é através do amor ao próximo que põe em prática o amor a Deus.

Mas, atenção! O amor ao próximo não é apenas um sentimento. É essencialmente religioso. Não é simples filantropia. É religioso pelo seu modelo: o cristão ama o seu próximo para imitar a Deus, que ama a todos sem distinção. Mas é sobretudo pela sua fonte, ou seja, porque é obra de Deus em nós. Como poderíamos, de fato, ser misericordiosos como o é o Pai Celeste se o Senhor não no-lo tivesse ensinado e se o Espírito não o difundisse nos nossos corações?

 

O amor a Deus e ao próximo está acima de qualquer outro mandamento e não pode ficar preso e amarrado, mas circular livremente entre os irmãos como sangue nas veias.

Não existem cristãos bonzinhos e perfeitos. Todos nós estamos a caminho da perfeição e se quisermos receber a eterna salvação, o primeiro passo é reconhecermos a nossa incapacidade de fazer a vontade de Deus. Somente assim, reconhecendo honestamente que o nosso amor é falho, reconhecendo e confessando as nossas dificuldades, que podemos entender como precisamos da presença do Espírito Santo em nossas vidas. Somente assim, podemos entender como precisamos do poder e da graça de Deus para sermos salvos. Pois é somente pela graça e pelo poder do Espírito Santo, será possível que sejamos transformados! É somente pelo poder e pela graça do Espírito Santo de Deus que podemos ser mudados em pessoas que amam a Deus e que amam a seu próximo.

A questão da relação entre o amor de Deus e o amor dos homens está sempre no centro da vida cristã. É uma questão tão clara e precisa na sua formulação teórica quanto é problemática e instável na sua tradição prática e existencial.

Em todas as épocas da história da Igreja, essa realidade essencial corre o risco de ser parcialmente escondida e até distorcida, inclinando o fiel da balança quer para um quer para o outro pólo. Hoje, por exemplo, alguns cristãos são levados a pôr em evidência as exigências do amor fraterno sem fronteiras, preocupando-se menos com saber em que o verdadeiro amor fraterno é «idêntico» ao amor de Deus.

Quando o amor ao próximo é separado do amor a Deus, pode acontecer que haja enganos sobre as dimensões integrais do próprio amor ao próximo em si, porque facilmente o próximo passa de sujeito a objeto e, nesse caso, o «interesse» que o próximo merece pode nada ter a ver com o real amor, mas descair na exploração.

Estou convencido que, onde Deus não ocupa mais o lugar que lhe compete, começa a perder importância também a relação para com o próximo. Frente à fome, à injustiça e à opressão, há o risco de uma resposta de «violência que gera violência». Para resolver os problemas causados pela superpopulação, sugere-se uma planificação indiscriminada dos nascimentos e à adoção do aborto legalizado. Frente à crise da família, propõe-se logo como remédio o divórcio. Perante a imutabilidade do fim dum doente incurável, propõe-se a eutanásia.

As considerações feitas não impedem, porém, que se possa continuar a dizer que o amor ao próximo requer inevitavelmente um empenho concreto no mundo e na luta pela libertação do homem de hoje de toda a forma de escravidão...

Houve, num passado não muito distante, uma espiritualidade e uma mística que, para sublinhar o pólo do amor de Deus, pregou a fuga do mundo e o desprezo das coisas do mundo; uma espiritualidade que falou duma escolha nítida entre Deus e o mundo, arriscando-se a dilacerar o coração e a alma do cristão em dois amores antitéticos.

 

Ora, essa visão do problema não é evangélica. Os cristãos na Igreja têm a responsabilidade de manifestar aos homens os sinais autênticos do amor que salvou o mundo. Como «corpo» de Cristo que é, a Igreja nunca cessa de ser esse sinal. Mas depende da fidelidade dos cristãos que esse sinal tenha significado.

O homem moderno, mais do que o que o precedeu, aspira a uma maior paz e justiça e, para essa finalidade, mobiliza as suas energias. Todavia, querer a justiça e a paz significa também querer os meios necessário para as atingir. A reta intenção e as belas palavras não bastam. É necessário fazer opções, no plano da ação individual e coletiva, em função duma análise realística dos dados do problema em toda a sua complexidade. Se calhar, é neste campo que se joga o futuro da Igreja, a sua credibilidade perante o mundo e a sua fidelidade ao Evangelho.

Para "fechar " a nossa reflexão de hoje, colocamos duas perguntinhas bem simples para serem respondidas, com muita lealdade, para nós mesmos:

 

            1 - Qual sua maneira de servir ao próximo?

            2 - Em que área da vida das pessoas você leva o amor de Deus (espiritual, emocional, física e/ou social)?

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Por mais inteligente sábio e importante que seja, ninguém é tão livre para fazer o que bem entender, sem se importar com os semelhantes.
Cada pessoa tem uma missão a cumprir.
Ao término da jornada, todos serão chamados para a casa do Pai.
De certo modo, estão definitivamente comprometidos com a vida eterna.

domingo, 8 de março de 2026

Evangelho do dia 12 março quinta feira 2026


12 março - Tu, ó José, ensina-nos, assiste-nos, torna-nos membros dignos da Sagrada Família. (L 35). 
São Jose Marello


Lucas 11,14-23

"Jesus estava expulsando de certo homem um demônio que não o deixava falar. Quando o demônio saiu, o homem começou a falar. A multidão ficou admirada, mas alguns disseram: É Belzebu, o chefe dos demônios, que dá poder a este homem para expulsar demônios. Outros, querendo conseguir alguma prova contra Jesus, pediam que ele fizesse um milagre para mostrar que o seu poder vinha de Deus. Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: O país que se divide em grupos que lutam entre si certamente será destruído; a família que se divide em grupos que lutam entre si também será destruída. Se o reino de Satanás tem grupos que lutam entre si, como continuará a existir? Vocês dizem que é Belzebu que me dá poder para expulsar demônios. Mas, se é assim, quem dá aos seguidores de vocês o poder para expulsar demônios? Assim, os seus próprios seguidores provam que vocês estão completamente enganados. Na verdade, é pelo poder de Deus que eu expulso demônios, e isso prova que o Reino de Deus já chegou até vocês. Quando um homem forte e bem armado guarda a sua própria casa, tudo o que ele tem está seguro. Mas, quando um homem mais forte o ataca e vence, leva todas as armas em que o outro confiava e reparte tudo o que tomou dele. Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando."

Meditação:

O evangelho de hoje pode ser dividido em três partes que também perfazem as três respostas de Jesus.

A primeira parte diz respeito a comparação do reino dividido. Jesus denuncia o absurdo da calúnia escribas. Dizer que ele expulsa os demônios com a ajuda do príncipe dos demônios é negar a evidência.

É o mesmo que dizer que a água é seca, e que o sol é escuridão. Os doutores de Jerusalém o caluniavam, porque não sabiam explicar os benefícios que Jesus realizava para o povo. Estavam com medo de perder a liderança. Sentiam-se ameaçados na sua autoridade junto ao povo.
Já a segunda é uma pergunta sobre por quem expulsam vossos filhos os demônios? Jesus provoca os acusadores e pergunta: “Se eu expulso em nome de Belzebu, em nome de quem os discípulos de vocês expulsam os demônios? Que eles respondam e se expliquem! Se eu expulso o demônio pelo dedo de Deus, é porque chegou o Reino de Deus!”.
Para concluir, vem a terceira parte: chegando o mais forte ele vence o forte. Jesus compara o demônio com um homem forte.

Ninguém, a não ser uma pessoa mais forte, poderá roubar a casa de um homem forte. Jesus é este mais forte que chegou. Por isso, ele consegue entrar na casa e amarrar o homem forte. Consegue expulsar os demônios.

Jesus amarrou o homem forte e agora rouba a casa dele, isto é, liberta as pessoas que estavam no poder do mal. O profeta Isaías já tinha usado a mesma comparação para descrever a vinda do messias (Is 49,24-25). Por isso Lucas diz que a expulsão do demônio é um sinal evidente de que chegou o Reino de Deus.
Jesus termina sua resposta com esta frase: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.

Em outra ocasião, também a propósito de uma expulsão de demônio, os discípulos impediram um homem de usar o nome de Jesus para expulsar um demônio, pois ele não era do grupo dele. Jesus respondeu: “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!” (Lc 9,50).

Parecem duas frases contraditórias, mas não são.

A frase do evangelho de hoje é dita contra os inimigos que tem preconceito contra Jesus: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Preconceito e não aceitação tornam o diálogo impossível e rompe a união.

A outra frase é dita para os discípulos que pensavam ter o monopólio de Jesus: “Quem não é contra vocês é a vosso favor!

Muita gente que não é cristã pratica o amor, a bondade, a justiça, muitas vezes até melhor do que os cristãos. Não podemos excluí-los. São irmãos e parceiros na construção do Reino.
Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (At 2, 22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado.

Os sinais realizados por Jesus testemunham que o Pai O enviou. Convidam a crer n'Ele. Aos que se lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem.

Assim, os milagres fortificam a fé n'Aquele que faz as obras do Seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus. Mas também podem ser «ocasião de queda» (Mt 11, 6). Eles não pretendem satisfazer a curiosidade nem desejos mágicos.

Apesar de os seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns; chega mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demônios.
Todavia, ao libertar certos homens dos seus males terrenos – da fome, da injustiça, da doença e da morte –, Jesus realizou sinais messiânicos; no entanto, Ele não veio para abolir todos os males deste mundo, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os impede de realizar a sua vocação de filhos de Deus e é causa de todas as servidões humanas.
A vinda do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: «Se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demônios, então é porque o Reino de Deus chegou até vós» (Mt 12, 28).

Os exorcismos de Jesus libertam os homens do poder dos demônios. E antecipam a grande vitória de Jesus sobre «o príncipe deste mundo» (Jo 12, 31).
“Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa” como isto acontece na minha e na tua vida?  “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!

Como isto acontece em nossa vida? Temos ciúmes do bem dos outros, das pessoas, que iniciam a sua caminhada de fé e que se destacam na prática do bem e no anúncio do evangelho?

Reflexão Apostólica:

Na vida, não dá para ser radical, porque senão, não é possível equilibrar-se nos relacionamentos, afinal, somos todos diferentes!
Uma hora cedemos aqui, outra hora cedemos ali, e o dia a dia vai sendo vivido conforme driblamos as dificuldades e curtimos a felicidade.
Porém, ser cristão exige uma única radicalidade: estar ‘do lado de Jesus’.
Estar ‘do lado’ não é o mesmo que estar ‘ao lado’.
Quando estamos ‘ao lado de Jesus’, Ele pode se adiantar e nós ficamos para traz por nossa indolência, ou nos adiantamos atropelando o tempo de Deus, ou apenas passamos ao seu lado.

Não dá para deixar Jesus nem um pouquinho à frente ou para trás, porque seria o mesmo que: abandonar a Verdade que garante a vida; afastar-se da Luz que ilumina os passos; não ter o Pão que alimenta o espírito; viver no deserto sem a água que é a fonte da vida; querer amar estando longe do Amor.
Porém, quando estamos ‘do lado de Jesus’, caminhamos no mesmo passo, percorremos o mesmo lado do caminho, com Ele.
Jesus disse: "Quem não está comigo, está contra mim". Com essas palavras Ele nos chama para caminharmos no mesmo sentido d'Ele, e não no sentido contrário.

Quem nunca passou por esse dilema: Se resolve ficar quieto e não trabalha, não produz, ganha a imagem de preguiçoso, incompetente, (…), mas se trabalha muito, mostra frutos e cresce, sofre e ainda é martirizado pela inveja dos outros.
Jesus “importunava” por fazer; foi levado a cruz por trabalhar, curar e fazer o bem não comoveu os corações mais duros. Não teve perdão dos fariseus por não se render às vaidades, ao poder e as bajulações. Não se cercou de poderosos, tão pouco de pessoas influentes; preferiu os humildes em detrimento aos orgulhosos. Nada de errado fez e mesmo assim Pilatos não o absolveu… E o levaram ao calvário.
Não digo que a inveja seja algo comum, mas algo que todo aquele que trabalha ou se expõe está sujeito, pois não temos controle sobre a vida e os pensamentos daqueles que nos cercam.

Quantas vezes nos flagelamos, maltratamos e desistimos de tudo mediante as insistentes e persistentes críticas dos que invejam?

Muitas vezes este não tem noção da maldade que estão fazendo e tão pouco o quanto estão colaborando para a destruição de um sonho, um projeto, uma vida. “(…) Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando”.
Temos que estar atentos, pois a inveja é inerente ao ser humano, o que muda ou difere é o grau de intensidade que ela se manifesta, o “alvo” da inveja e de quem parte. Sim, isso é um alerta, pois nenhum de nós está isento ou imune a essa tentação. Um colega que “se dá bem”, um amigo que recebeu uma promoção; o vizinho que trocou de carro; a segurança e a estabilidade do amigo; o cabelo da vizinha; (…), são motivos de cobiça.
Cobiça? Inveja? Ciúme? Como esse negócio brota!!! O invejoso consegue ver a maldade até nas boas obras e que dão certo, mas como dissemos na reflexão de ontem “A presença de Deus é que torna nossa evangelização forte e ungida; Sua presença é que dará sucesso a nossas obras inclusive em nossas pastorais”.
Lembrei de José e seus irmãos. E como não lembrar? Crescem juntos, resguardados pelo mesmo amor e carinho, mas que motivados pela inveja, resolvem entregar o irmão nas mãos de mercadores como escravo. Mas como na história desse patriarca, mesmo no deserto e escravo, Deus não deixou de enchê-lo ainda mais de realizações.

A inveja dos irmãos não fez sucumbir a graça de Deus. Mas é preciso deixar bem claro uma coisa: José nunca desistiu ou se escondeu!
Quem é perseguido ou que pelo menos sente suas forças se esvaírem pelas perseguições deve bater o pé e permanecer na jornada, pois você faz parte dos quem juntam, portanto Deus está sempre ao seu lado
Mantenha-se firme! Acredite! Continue!

Propósito: Promover da união de todos por onde passo. 

Dia 12

“Se os outros conseguem e são felizes, eu também posso.”

Talvez você tenha pensado nessa frase em diversas ocasiões.

Mas o que se entende por felicidade?

Se quer ser feliz, viva intensamente os bons momentos da vida.

Viver é criar e inventar a própria vida.

Existem dois fatores capazes de mudar sua trajetória: a força da oração e o pensamento positivo.

Por isso, confie em Deus, coloque-o em primeiro lugar e deixe-se guiar por ele.

De acordo com um ditado popular, “cada um dorme na cama que arruma, tanto aqui como na eternidade”.

“Cuidai das coisas do alto, não do que é da terra. Quando Cristo, vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória”. (Cl 3,2.4).



EVANGELHO DO DIA 15 DE MARÇO 2026 - 4º DOMINGO DA QUARESMA OU DOMINGO LAETERE

15 março - Façamos os pedidos ao nosso bom papai São José, que é o Patriarca das pessoas atrapalhadas (ele que passou por tantas atrapalhaçõ...