domingo, 15 de março de 2026

Evangelho do dia 18 março quarta feira 2026


18 –
Aniversário do reconhecimento diocesano da Congregação dos Oblatos de São José (1901).

"Filius accrescens Jospeh” José, filho que cresce. Os filhos de São José também devem crescer, pelo menos no culto ao seu Santo Patrono. (L 210). São Jose Marello


João 5,17-30

"Então Jesus disse a eles: O meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho. E, porque ele disse isso, os líderes judeus ficaram ainda com mais vontade de matá-lo. Pois, além de não obedecer à lei do sábado, ele afirmava que Deus era o seu próprio Pai, fazendo-se assim igual a Deus.Então Jesus disse a eles: Eu afirmo a vocês que isto é verdade: o Filho não pode fazer nada por sua própria conta, pois ele só faz o que vê o Pai fazer. Tudo o que o Pai faz o Filho faz também, pois o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que está fazendo. E vai mostrar a ele coisas ainda maiores do que essas, e vocês vão ficar admirados. Porque, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida aos que ele quer. O Pai não julga ninguém, mas deu ao Filho todo o poder para julgar a fim de que todos respeitem o Filho, assim como respeitam o Pai. Quem não respeita o Filho também não respeita o Pai, que o enviou. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem ouve as minhas palavras e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não será julgado, mas já passou da morte para a vida. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vem a hora, e ela já chegou, em que os mortos vão ouvir a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Assim como o Pai é a fonte da vida, assim também fez o Filho ser a fonte da vida. E ele deu ao Filho autoridade para julgar, pois ele é o Filho do Homem. Não fiquem admirados por causa disso, pois está chegando a hora em que todos os mortos ouvirão a voz do Filho do Homem e sairão das suas sepulturas. Aqueles que fizeram o bem vão ressuscitar e viver, e aqueles que fizeram o mal vão ressuscitar e ser."

Meditação

O Evangelho de João é diferente dos outros três. Revela uma dimensão mais profunda que só a fé consegue captar nas palavras e nos gestos de Jesus.

Os padres afirmam que o evangelho de João é “espiritual”, revela o que o Espírito ajuda a descobrir nas palavras de Jesus (Jo 16,12-13). Um exemplo bonito desta dimensão espiritual do evangelho de João é o texto que meditamos hoje.
Criticado pelos judeus por ter curado em dia de sábado Jesus responde: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho!”
Os judeus ensinavam que no sábado não se podia trabalhar, porque até o próprio Deus tinha descansado e não trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11).
Jesus afirma o contrário. Ele afirma que o Pai sempre trabalhou até agora. Por isso, também Jesus trabalha, e até no sábado. Imita seu Pai!

Para Jesus, a obra criadora não está acabada. Deus continua a trabalhar, incessantemente, dia e noite, sustentando o universo e todos nós.
Jesus colabora com o Pai continuando a obra da criação para que todos, um dia, possam entrar no repouso prometido. A reação dos judeus foi violenta. Queriam matá-lo por dois motivos: para negar o sentido do sábado e por se igualar a Deus.
Nem o tempo pode reduzir o espaço da ação divina. Com estas palavras fica deslegitimada aquela interpretação da lei do repouso sabático, o qual, em lugar de ser um tempo de sossego, constrange o praticante, estressa-o talvez até mais do que o trabalho da semana.
Mas também fica estabelecida a íntima identidade que existe entre Jesus e Deus, a quem chama abertamente de "meu" Pai, o que acentua o ódio e a inveja dos judeus.
O que segue não é nem sequer uma tentativa de defesa da parte de Jesus, mas o anúncio aberto e claro de sua identidade como filho de Deus, enviado do Alto.
Os versículos 19-21 revelam algo da relação entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive numa atenção permanente diante do Pai. O que ele vê fazer o Pai, também ele o faz. Jesus é o reflexo o Pai.
É o rosto do Pai! Esta atenção total do Filho ao Pai, faz com que o amor do Pai possa entrar totalmente no Filho e através do Filho possa realizar sua ação no mundo.
De uma forma admirável, o evangelho de João nos mostra a filiação divina de Jesus. Ele não é "filho de Deus" como assim se afirmavam os faraós e imperadores.
Ele é Filho do Deus, Pai e Mãe, carinhoso e misericordioso, autor da vida. Jesus continua a obra criadora de Deus. Esta continuidade implica a libertação dos oprimidos e a restauração da vida, onde ela é ameaçada.
A missão de Jesus é realizar a vontade do Pai. As ações de Jesus estão inspiradas e legitimadas pela ação contínua do Pai: crer, salvar (redimir) e santificar. Em criar, salvar e santificar se manifesta o amor de Deus. E Jesus veio tornar visível, tangível e possível o amor de Deus no meio da humanidade.
A vontade do Pai é que façamos o bem, que coloquemos nossa vida a serviço da vida para todos. A comunhão de vida com o irmão é a comunhão de vida eterna com Deus.
A vontade do Pai é que “todos os seres humanos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” e essa é a missão permanente de Jesus.
É isto que os dirigentes religiosos não podiam compreender: como é possível que Jesus se atreva a chamar a Deus de Pai (Abba, papai) com uma confiança tal que a eles soava como ofensa grave a Deus? Como é possível que se atreva a afirmar que sabe o que Deus pensa, sente e faz e, mais ainda, que ele pensa, sente e age como Deus?
Também hoje os cristãos são chamados a realizar em tudo a vontade de Deus. Essa é, precisamente, nossa missão em meio à vida presente.
Jesus nos chama a participar da vida plena, eterna, de Deus, sempre que estivermos acima do nosso egoísmo, e soubermos amar aos irmãos, depois de crer e honrá-lo. Temos a intenção de viver a vontade de Deus sem medo do ridículo e da hostilidade dos que nos rodeiam? Fazemos da misericórdia e do amor as atitudes mais fundamentais de nossa vida?

Praticando uma vida saudável somos chamados a prolongar a missão salvadora e libertadora de Jesus em nossa história.

Reflexão Apostólica: 
Quantas foram as vezes que sentimos que estávamos sós? Sem ajuda de DEUS? Pois saibam que neste mundo a morte foi vencida para os que crêem em Jesus e em Deus Pai.
Para todos aqueles que só crêem em si mesmo, e colocam os ensinamentos de Deus em segundo lugar, não há salvação, pois Deus sabe aqueles que o servem.
De nada adianta levarmos nossa vida sem os ensinamentos que nos salvam dos piores inimigos. A INJUSTIÇA é o caminho dos que não nos amam. É a VERDADE que carrega nossa vida e não os falsos ensinamentos. Creiam nisso e nos salvaremos.
Creiam em Deus e crerão na VERDADE. Apliquem sobre vocês o conhecimento que Deus lhes provê para julgar as minhas palavras.
Não somos inúteis em nenhum momento, somos o que Deus escolheu para servi-lo. Cada um com um caminho e o mesmo caminho para Deus.
Contudo, só Jesus, aquele que julga pelo Pai, sabe que caminho Ele deixou. Não será a VERDADE desonrada, mas desonrado o que nela não caminha.
Como gostaria que estivessem acordados para verem as desonras com Jesus. São tantas que nem sei contar. São tantas, que não sabemos como o ser humano consegue aplicar em sua vida.
Cada um será cobrado de acordo com o seu trabalho e não haverá misericórdia para aqueles que não amam a Deus Filho pois o Pai, não aceitou ainda o desmando do mundo e nem aceitará.
O próprio Pai, que observa a natureza se destruir em mãos humanas, observa também, o homem se destruir em caminhos errados para o Reino.
Ah, meu Deus não é um Deus somente de AMOR, como muitos ainda crêem. Não provoquem nele a ira e não serão provocados à morte. Ele é Deus! O Dono da Criação, o Senhor da Vida.
Ressuscitem para vida eterna e não para a morte. Não achem que o Pai vai desonrar a Jesus que o honrou e honra, ainda hoje.
Creiam nisto: Para o Pai não há nenhuma importância em condenar ninguém que, de fato, merece ser condenado.
Como gostaria que estivessem acordados! Seria como se pousasse em sua vida uma nova vida de PAZ e AMOR. Não está PAZ que pensamos, mas a PAZ deixada por Cristo. Esta PAZ nos faz maiores do que aqueles que caminham sem conhecê-la.
Tudo o que fazemos é buscar a salvação nos ensinamentos de Deus e, como discípulo, levar aos irmãos o que Deus nos fala, não a minha verdade, mas a VERDADE Salvador.
Enquanto que os homens mais poderosos usam suas palavras de forma hábil, nós aprendemos que nossas palavras se colocam em conformidade com os ensinamentos de Deus. Não fazemos nada por nós mesmos, senão pelo Pai em seu Filho Jesus.
Como seguidores de Cristo, devemos colocar nossa vida a serviço do próximo, e sempre procurar fazer o bem para sermos salvos, para termos a vida eterna, "
Aqueles que fizeram o bem vão ressuscitar e viver, e aqueles que fizeram o mal vão ressuscitar e ser”, ou seja, Jesus com sua prática amorosa, nos deixa livre para escolhermos, entre praticar o bem ou o mal, ser contra ou favor Dele e da vida.
Mesmo quando acharmos que não temos salvação, Jesus é o único que poderá nos salvar, Ele é "
o justo para os injustos, para levar-nos a Deus" (1Pd 3, 18), aquele que deu a própria vida, para que nós saíssemos da morte para vida.

Dia 18

Saiba que, embora o permita, Deus não quer o sofrimento de seus filhos.

Nos Evangelhos, percebe-se com clareza a preocupação de Jesus com os sofredores.

Quando presenciava a fome, a miséria, as doenças, a aflição e o padecimento do povo, ficava comovido e repleto de compaixão.

Em seus ensinamentos, ele explicou que o sofrimento pode ser enfrentado e superado.

Essa atitude de Jesus pode ser aplicada à sua vida.

Jamais esmoreça diante das dificuldades.

Nos momentos mais difíceis, Deus carrega seus filhos no colo.

“Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que há de ser revelada em nós”. (Rm 8,18).

 


Evangelho do dia 17 março terça feira 2026


17 - Que Deus cumule os nossos corações com aquela confiança que guiava o nosso Santo Patrono em todos os passos da sua via. (L 159). São Jose Marello


João 5,1-16

"Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus foi até Jerusalém. Ali existe um tanque que tem cinco entradas e que fica perto do Portão das Ovelhas. Em hebraico esse tanque se chama "Betezata". Perto das entradas estavam deitados muitos doentes: cegos, aleijados e paralíticos. [Esperavam o movimento da água, porque de vez em quando um anjo do Senhor descia e agitava a água. O primeiro doente que entrava no tanque depois disso sarava de qualquer doença.] Entre eles havia um homem que era doente fazia trinta e oito anos. Jesus viu o homem deitado e, sabendo que fazia todo esse tempo que ele era doente, perguntou: " Você quer ficar curado?" Ele respondeu: Senhor, eu não tenho ninguém para me pôr no tanque quando a água se mexe. Cada vez que eu tento entrar, outro doente entra antes de mim. Então Jesus disse: "Levante-se, pegue a sua cama e ande!" No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou a cama e começou a andar. Isso aconteceu no sábado. Por isso os líderes judeus disseram a ele: "Hoje é sábado, e a nossa Lei não permite que você carregue a sua cama neste dia." Ele respondeu: O homem que me curou me disse: "Pegue a sua cama e ande." Eles perguntaram: Quem é o homem que mandou você fazer isso? Mas ele não sabia quem tinha sido, pois Jesus havia ido embora por causa da multidão que estava ali. Mais tarde Jesus encontrou o homem no pátio do Templo e disse a ele: " Escute! Você agora está curado. Não peque mais, para que não aconteça com você uma coisa ainda pior." O homem saiu dali e foi dizer aos líderes judeus que quem o havia curado tinha sido Jesus. Então eles começaram a perseguir Jesus porque ele havia feito essa cura no sábado."

Meditação

Nesta narrativa do evangelho de João destacam-se o seu simbolismo e os detalhes do diálogo.
Este episódio evangélico está perpassado pelo tema da vida e da morte. Aí se fala de doenças e de doentes: uma multidão de enfermos está postada na piscina de Betesda nutrindo no coração a esperança de recobrar a vida. Há entre eles uma verdadeira porfia nesta corrida pela vida, pois quem tocasse primeiro na água borbulhante, seria agraciado com a cura.
Neste contexto, Jesus é presença de vida que passa quase despercebida. Ele transita no meio da multidão abatida pela doença e pela morte. Seu poder vivificador será usado com comedimento e discrição. A vida jorrará não da água da piscina, e sim da força de sua palavra eficaz. Sua pessoa será a fonte da vida.
O homem do Evangelho de hoje, esperava por ajuda há trinta e oito anos e continuava na mesma. Jesus veio sacudi-lo e questionar a sua inércia. Às vezes, nós nem sabemos se queremos o que esperamos acontecer na nossa vida.
Na maior parte do tempo nós vivemos “deitados (as)” nos nossos problemas e dificuldades, acomodados (as) e inertes, somente vendo a banda passar e as coisas “boas” acontecerem com os outros. Jesus também nos interpela: “Queres ficar curado?”
Podemos não ser paralíticos (as), coxos ou cegos (as), fisicamente, mas podemos estar deitados (as), esperando que alguém venha levar-nos para mais perto da piscina do Espírito Santo.
“Não tenho ninguém que me leve”, esta é a desculpa de muitos de nós que ficamos esperando o socorro de alguém que nunca chega. Jesus se aproxima, e ordena: “Levanta-te, pega na tua cama e anda!”
Pegar na cama é fazer a nossa parte, não ficar parado, somente esperando e pondo a culpa nas outras pessoas achando que vida boa é sempre a dos outros.
Nós murmuramos, nós reclamamos, nos maldizemos e, quando vem um anjo nos alertar e mexer na água do nosso coração, nós nem notamos e continuamos na mesmice.
Não percebemos a hora da graça. Jesus, porém, aproxima-se de nós, nos alerta e nos questiona para que demos o passo decisivo.
Ao homem que ficou curado Jesus recomendou: “Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior” O pecado nos paralisa e nos deixa presos a nós mesmos (as).
Precisamos, pois, dar o passo para o arrependimento e para isso, não precisamos da ajuda de ninguém, só de boa vontade.
O pobre paralítico, impossibilitado de mover-se depressa, foi quem experimentou a ação vivificante desta nova fonte, Jesus. E recobrou, para além da vida física, sua vida social e religiosa. Superada a marginalização em que se encontrava, abriu-se para ele uma nova perspectiva de vida.
Entretanto, este cenário de vida foi transtornado pela perspectiva de morte que despontou no horizonte de Jesus. Os judeus decidiram matar quem dera a vida, eliminando-a no seu nascedouro. Quem dera a vida corria o risco de ser morto, pelo fato mesmo de ter-se posto a serviço da vida.
Há quanto tempo você está parado (a) perto da piscina da graça do Espírito Santo? Por quem você está esperando para aproximar-se do banquete que Jesus quer oferecer-lhe? Por que você não se levanta pega a sua cama (sua vida) e segue a Jesus?

Reflexão Apostólica: 
O Evangelho de hoje nos traz a mente uma palavra muito interessante, que ouvimos constantemente, mas poucas vezes colocamos em prática: O DISCERNIMENTO.
No evangelho, vemos que muitas pessoas esperavam o dia em que o anjo ia vir para movimentar a água da piscina e realizar o milagre da cura.
Quantos, dos que estavam deitados, próximo a piscina, necessitavam daquele milagre, ou simplesmente daquela fé que os mantinham vivos?
Pois é, hoje muitas pessoas se encontram "às margens da piscina", mas não por deficiências físicas como os cegos, coxos e paralíticos, e sim, por um vazio espiritual.
Este vazio aparece quando não encontramos motivos e razões para viver a vida de forma plena. Por isto, Jesus veio nos libertar, de nós mesmos, com sua vida.
Dentro de nós existem pecados que nos prendem, nos aprisionam e nos fazem viver às margens da vida esperando sempre por um milagre.
Estando na posição de Jesus, tendo o poder de perdoar os pecados e curar os doentes; o que nós faríamos? Seguiríamos as regras da lei dos judeus, não realizando a cura no sábado e deixando para o "próximo dia útil"? Ou utilizaríamos o "bom senso" e daríamos ao doente uma oportunidade de sentir-se livre após tantos anos?
Pois bem, Jesus sabia que era sábado e que não "poderia" realizar curas, mas Jesus não teve dúvidas que libertar o doente de tudo que o aprisionava seria mais valioso que guardar um dia de sábado sem uma ação de piedade.
O evangelho também chama atenção para o nosso individualismo, cada um buscando a solução para os seus problemas, não se permitindo ser solidário com o próximo.
Muitas pessoas têm fé, mas por viver em pecado, se sentem paralisadas, e não conseguem voltar e caminhar novamente para o Pai.
Às vezes não percebemos que ajudando o próximo estamos resolvendo muitos de nossos problemas. Sozinhos nós não venceremos, ouçamos Jesus perguntando: "Queres ser curado?" A Palavra de Cristo é a luz que nos mostrará o caminho da salvação, da libertação, da vida e da paz.
Transferindo tudo isto para o nosso dia-a-dia... Quantas vezes deixamos outras pessoas aprisionadas ao sofrimento, à tristeza e a tantos outros sentimentos ruins, por ser um dia de descanso nosso, ou porque, simplesmente, "não podemos"?
Você nunca encontrou alguém necessitando de ajuda? Qual sua foi sua atitude? Não deu atenção, porque você também precisava de ajuda? Ou fez como Jesus, que parou, se aproximou, conversou, perguntou oferecendo sua ajuda?
Um sábado, domingo ou feriado em que não queremos abrir mão do nosso descanso para libertar um amigo da própria prisão... Bem talvez nosso discernimento esteja sendo parcial demais, em prol dos nossos benefícios.
Propósito: Tanto nos bons momentos como nos menos bons ter sempre a certeza de que: "Deus está aqui. O Senhor dirige a minha vida! Meu futuro está nas suas mãos." (Sl 16,5) 

Dia 17

Quando trabalham pelo Reino de Deus, geralmente as pessoas são alvo de inveja, ciúmes e críticas.

Se isso lhe ocorrer, lembre-se de que Deus está sempre a seu lado e conhece o mais íntimo do coração.

Fique calmo e confie na misericórdia divina.

Alimente-se da palavra de Deus e pense de modo positivo.

Não se esqueça de que possui dons e talentos para serem colocados a serviço do Reino de Deus.

O Senhor espera isso de você!

Siga em frente com coragem e perseverança!

Deus está sempre a seu lado.

Entregue-se a ele e confie!

“Anunciarei o teu nome aos meus irmãos, vou te louvar no meio da assembleia”. (Sl 22[21],23).

 


Evangelho do dia 16 março segunda feira 2026


16-
Neste mundo sempre se alternam a alegria e a dor. A vida de São José não foi também uma alternância de consolações e de temores? (L 198). São José Marello

Evangelho:


Leitura do santo Evangelho segundo São João 4,43-54

"Depois de ficar dois dias ali, Jesus foi para a região da Galiléia. Pois, como ele mesmo disse: "Um profeta não é respeitado na sua própria terra." Quando chegou à Galiléia, os moradores dali o receberam bem. É que eles tinham ido à Festa da Páscoa, em Jerusalém, e tinham visto tudo o que Jesus havia feito lá. 
Jesus voltou a Caná da Galiléia, onde havia transformado água em vinho. Estava ali um alto funcionário público que morava em Cafarnaum. Ele tinha em casa um filho doente. Quando ouviu dizer que Jesus tinha vindo da Judéia para a Galiléia, foi pedir a ele que fosse a Cafarnaum e curasse o seu filho, que estava morrendo. Jesus disse ao funcionário: 
- Vocês só crêem quando vêem grandes milagres! 
Ele respondeu: 
- Senhor, venha depressa, antes que o meu filho morra! 
- Volte para casa! O seu filho vai viver! - disse Jesus. 
Ele creu nas palavras de Jesus e foi embora. No caminho encontrou-se com os seus empregados, que disseram: 
- O seu filho está vivo! 
Então ele perguntou a que horas o filho havia começado a melhorar. Os empregados responderam: 
- Ontem, à uma da tarde, a febre passou. 
Aí o pai lembrou que havia sido naquela mesma hora que Jesus tinha dito: "O seu filho vai viver." Então ele e toda a família creram em Jesus. 
Esse foi o segundo milagre que Jesus fez depois de ter ido da Judéia para a Galiléia."

Meditação:

Num contexto de “sinais”, que são meios que alimentam a fé porque sabemos descobrir debaixo deles a extraordinária glória de Deus, nos é narrado “o segundo sinal” dos muitos que Jesus fez, mas que João nos seleciona para conhecer a Jesus. 
O fato parece uma simples cura, mesmo sendo à distância, mas nele se pode antecipar a pregação aos pagãos que será importante ao chegar “a hora” (12, 20.23).

A pregação tem como fim conseguir que os destinatários cheguem à fé, pois para isso o evangelho foi escrito. Entretanto, essa fé não basta. Quando o funcionário é beneficiado por um milagre deve descobrir nele um sinal que fale de Jesus.

As referências à morte e à vida nos preparam para a interpretação do sinal: mais que uma cura, somos chamados a ver nele um sinal de que Jesus é portador da vida, e – como veremos com freqüência em João - uma vida que é vida eterna. 

Isso é o que nos ensinará a fé, que nos conduz para a vida, como novamente nos lembra o final do Evangelho. Para João a fé é algo dinâmico que nos conduz “para” Cristo. Por isso o funcionário começa simplesmente crendo em Jesus, para terminar crendo nele. 
A comunidade de João, e nós, leitores do Evangelho, somos chamados a dar com a vida sinais que levem todos à fé. Devemos ser - como comunidade – um sinal pelo qual aqueles que nos vêem descubram uma pregação, um testemunho que os conduza a crer com toda a sua família.

Se aquilo que faz a comunidade joanina, em João, se mostra como sendo feito por Jesus, do mesmo modo nós devemos ser sinais de Jesus, para conduzir à fé, e “para que crendo, tenham vida”.

No texto de hoje mais uma vez estamos diante de um milagre ou simplesmente sinal, característica fundamental do Evangelho de Jesus Segundo São João.

Jesus conforme nos narra o evangelho, sai da sua terra e vai para Galileia. Como era de esperar, depois de tantos milagres e prodígios que fizera em Jerusalém, aquando da celebração da páscoa é bem recebido. E por encontrar receptibilidade continua fazendo milagres.

É de salientar que apesar de Galiléia ser uma região predominantemente gentílica, com presença de descendentes de colonos judeus, fora em Caná da Galileia que tinha transformado a água em vinho por causa da fé daqueles homens.

Hoje neste trecho do Evangelho salienta-se mais um sinal, um milagre. O milagre da vida como sendo o dom de Deus.

Evangelho de São João, respondendo ao apóstolo Tomé, afirma com toda a sua autoridade: “Eu Sou a Vida” (Jo 14,6). Muitas vezes me pergunto sobre o profundo sentido dessa afirmativa.

Em outro tópico Ele parece completar o que ali está dito: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em plenitude” (Jo 10,10). Outra afirmação categórica de Jesus a Maria, irmã de Lázaro, é esta: “Eu sou a Ressurreição e a Vida” (Jo 11,25). Isto vale a dizer: “Sou o princípio, o autor também da nova vida, após a morte”.

Quem n’Ele procura a vida sempre a encontra. Veja a certeza com que pronuncia as belas palavras ao funcionário do rei: Podes ir, que teu filho está vivo.

Para os homens com grande fé como o alto funcionário do rei, novos céus e nova terra existirão. Porque na verdade reconhecem o Evangelho como Palavra de Salvação eterna.

A plenitude da vida que Jesus nos veio trazer não se restringe aos horizontes fechados da vida presente, como pensavam muitos humanistas e utopistas.

A vida humana, acima de tudo, é dom de Deus: vem de Deus e se realiza na posse terrena e eterna de Deus. Foi essa a vida que Deus concedeu a nossos primeiros pais e Jesus nos veio reconquistar pela Encarnação, pelo mistério de sua vida, morte e Ressurreição. Por isso Santo Agostinho afirma, com tanta propriedade: “O nosso coração está inquieto até que descanse em Vós”.

De regresso a casa, «ele creu, com todos os da sua casa». Gente que não viu nem ouviu Jesus acredita n'Ele. Que ensinamento se retira daqui? É preciso acreditar nele sem exigir milagres: não é preciso exigir a Deus provas do Seu poder. Basta acreditar nas Suas palavras: O teu filho vai viver. Os teus serão libertos da situação em que se encontram. Acredite. É Jesus quem está falando! Ele quer curar todas as nossas feridas e enfermidades. Quer libertar os nossos de todos os vícios e pecados. Ele quer ressuscitar os membros do nosso corpo e dar-lhes nova vida.

Nos nossos dias, quantas pessoas mostram um maior amor a Deus depois de seus filhos ou sua mulher terem recebido alívio na doença?

Ontem como hoje Ele continua fazendo milagres e prodígios. Mesmo que os nossos votos não sejam atendidos, é preciso perseverar nas ações de graça e de louvor.

Permaneça ligado a Deus mesmo na adversidade, no abandono, na dor, na tristeza ainda que a morte venha bater a sua porta. Não perca a esperança de que os teus hão de viver, e viver para sempre. Confiar, e esperar com fé firme em Deus é optar pela vida. Por isso, escolha, pois a vida descansando nos braços e no colo de Jesus para que tenha vida e vida em abundância.

Reflexão Apostólica:

O regresso de Jesus à sua terra é marcado pelo crescimento da esperança messiânica, que para muita gente consistia em uma grande etapa de curas, milagres e prodígios.

O centro da mensagem se situa nas razões para crer expostas no texto. Enquanto a multidão espera por sinais maravilhosos para ficar convencida de um novo projeto de vida, um homem a quem o povo rejeita por ser funcionário da corte imperial dominante, necessitado de misericórdia, busca a Jesus, escuta sua palavra e crê. O favor de Deus não se faz esperar: sua situação é transformada, e a isso se segue uma conversão profunda, pessoal, familiar e comunitária.

É importante ter um olhar crítico sobre as razões que temos para crer em Deus e em sua proposta de vida. Nossa fé não pode depender de ações espetaculares, alheias ao processo de crescimento pessoal e comunitário. Ela se deve sustentar na Palavra de Deus e na assimilação amorosa dos clamores com os quais nos encontramos diariamente e que exigem de nós conversões profundas.

Jesus está esperando de nós o sinal da FÉ para poder realizar os prodígios e os milagres de que nós necessitamos na nossa vida. O segundo milagre de Jesus aconteceu em Cafarnaum, cidade da Galiléia, região aonde Jesus vivia. Os seus habitantes duvidavam dos milagres de Jesus por Ele ser “de casa. Os galileus precisavam de sinais e de testes para poder acreditar em Jesus. Mesmo assim, foi lá que Jesus curou o filho de um funcionário do rei. O homem acreditou quando Jesus lhe disse: “Podes ir teu filho está vivo”. A Palavra Dele se cumpriu e por isso, o homem abraçou a fé, ele e toda a sua família.

Quantos milagres nós precisamos que aconteçam na nossa vida e não os alcançamos porque NÃO ACEDITAMOS! PRECISAMOS DE SINAIS! E estamos perdendo tempo precioso sem perceber que Jesus vive no meio de nós e que assim como curou o filho do funcionário do rei tem poder também para nos curar hoje e alcançar para nós os milagres que nós tanto desejamos! Jesus é o mesmo, ontem, hoje e sempre.

Portanto, precisamos abraçar a fé em Jesus e dar testemunho dela dentro da nossa casa para que as Suas maravilhas também aconteçam na nossa família. 

Qual o milagre que você precisa que aconteça na sua vida? Você “acha” difícil isto acontecer? Você está esperando fazer boas obras para receber os presentes de Jesus? 

Peça a Jesus com fé e assim mesmo do jeito que você está, do jeito que você é, Ele também o atenderá e dirá: “Podes ir, teu filho está vivo”!

Propósito:

Espírito de fé, concede-me a confiança necessária que me permita ser atendido por Jesus, quando a Ele eu suplicar.

Dia 16

Retire de sua mente preconceitos, medos, inseguranças, angústias, rancores, enfim, todo sentimento negativo.

Saiba que Deus envia seu Espírito Santo para renovar, transformar e curar todas as áreas de sua vida.

Que ele limpe renove sua memória e purifique seus sentimentos, libertando-o de todas as amarras.

Com isso, você será curado, restaurado e regenerado pelo Espírito Santo de Deus.

Todos os dias, peça que Deus renove, cure, liberte e modifique seus pensamentos.

“Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade”. (Ef 4,23-24).

 


quinta-feira, 12 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 15 DE MARÇO 2026 - 4º DOMINGO DA QUARESMA OU DOMINGO LAETERE


15 março -

Façamos os pedidos ao nosso bom papai São José, que é o Patriarca das pessoas atrapalhadas (ele que passou por tantas atrapalhações!). (L 78). São José Marello


João 9:1-41

1Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.

2Seus discípulos lhe perguntaram: "Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?"

3Disse Jesus: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.

4Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.

5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo".

6Tendo dito isso, cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem.

7Então disse-lhe: "Vá lavar-se no tanque de Siloé" (que significa "enviado"). O homem foi, lavou-se e voltou vendo.

8Seus vizinhos e os que anteriormente o tinham visto mendigando perguntaram: "Não é este o mesmo homem que costumava ficar sentado, mendigando?"

9Alguns afirmavam que era ele.
Outros diziam: "Não, apenas se parece com ele".
Mas ele próprio insistia: "Sou eu mesmo".

10"Então, como foram abertos os seus olhos?", interrogaram-no eles.

11Ele respondeu: "O homem chamado Jesus misturou terra com saliva, colocou-a nos meus olhos e me disse que fosse lavar-me em Siloé. Fui, lavei-me, e agora vejo".

12Eles lhe perguntaram: "Onde está esse homem?"
"Não sei", disse ele.

13Levaram aos fariseus o homem que fora cego.

14Era sábado o dia em que Jesus havia misturado terra com saliva e aberto os olhos daquele homem.

15Então os fariseus também lhe perguntaram como ele recuperara a vista. O homem respondeu: "Ele colocou uma mistura de terra e saliva em meus olhos, eu me lavei e agora vejo".

16Alguns dos fariseus disseram: "Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado".
Mas outros perguntavam: "Como pode um pecador fazer tais sinais milagrosos?" E houve divisão entre eles.

17Tornaram, pois, a perguntar ao cego: "Que diz você a respeito dele? Foram os seus olhos que ele abriu".
O homem respondeu: "Ele é um profeta".

18Os judeus não acreditaram que ele fora cego e havia sido curado enquanto não mandaram buscar os seus pais.

19Então perguntaram: "É este o seu filho, o qual vocês dizem que nasceu cego? Como ele pode ver agora?"

20Responderam os pais: "Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego.

21Mas não sabemos como ele pode ver agora ou quem lhe abriu os olhos. Perguntem a ele. Idade ele tem; falará por si mesmo".

22Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus, pois estes já haviam decidido que, se alguém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso da sinagoga.

23Foi por isso que seus pais disseram: "Idade ele tem; perguntem a ele".

24Pela segunda vez, chamaram o homem que fora cego e lhe disseram: "Para a glória de Deus, diga a verdade. Sabemos que esse homem é pecador".

25Ele respondeu: "Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo!"

26Então lhe perguntaram: "O que fez ele a você? Como abriu os seus olhos?"

27Ele respondeu: "Eu já disse, e vocês não me deram ouvidos. Por que querem ouvir outra vez? Acaso vocês também querem ser discípulos dele?"

28Então, eles o insultaram e disseram: "Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de Moisés!

29Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse, nem sabemos de onde ele vem".

30O homem respondeu: "Ora, isso é extraordinário! Vocês não sabem de onde ele vem, contudo ele me abriu os olhos.

31Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas ouve o homem que o teme e pratica a sua vontade.

32"Ninguém jamais ouviu que os olhos de um cego de nascença tivessem sido abertos.

33Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer coisa alguma".

34Diante disso, eles responderam: "Você nasceu cheio de pecado; como tem a ousadia de nos ensinar?" E o expulsaram.

35Jesus ouviu que o haviam expulsado e, ao encontrá-lo, disse: "Você crê no Filho do homem?"

36Perguntou o homem: "Quem é ele, Senhor, para que eu nele creia?"

37Disse Jesus: "Você já o tem visto. É aquele que está falando com você".

38Então o homem disse: "Senhor, eu creio". E o adorou.

39Disse Jesus: "Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que veem se tornem cegos".

40Alguns fariseus que estavam com ele ouviram-no dizer isso e perguntaram: "Acaso nós também somos cegos?"

41Disse Jesus: "Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado; mas agora que dizem que podem ver, a culpa de vocês permanece.

 

4° Domingo da Quaresma - João 9, 1-41 (Ano A) 15 março 2026

152. Reflexão para o 4° Domingo da Quaresma - Jo 9, 1-41 (Ano A)

Neste quarto domingo da quaresma, continuamos a sequência da leitura de textos do Quarto Evangelho, iniciada no domingo passado com o episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Para hoje, a liturgia propõe o relato da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41), um episódio exclusivo do Evangelho segundo João, e detentor de uma grande riqueza literária e teológica. Convém recordar que os evangelhos sinóticos também trazem relatos de cura de cegos (cf. Mt 12,22-23; Mc 8,22-26; 10,46-52; Lc 18,35-43), mas em nenhum deles há uma riqueza de detalhes tão grande como este de João. Pela extensão do texto, quarenta e um versículos, não comentaremos versículo por versículo, mas procuraremos colher a mensagem central e enfatizar alguns aspectos e trechos mais importantes.

Antes de adentrarmos diretamente no conteúdo do texto, é importante fazer uma breve contextualização. O cenário do relato é a cidade de Jerusalém. Ora, Jesus tinha ido à “cidade santa” para a festa das tendas (cf. Jo 7,1-2.14), uma das três grandes festas de peregrinação dos judeus, juntamente com a páscoa e pentecostes; foi com receio, certamente, uma vez que já estava “jurado de morte” (cf. Jo 7,1) pelas autoridades judaicas, devido à fama que se tinha propagado em decorrências de sua mensagem e, principalmente, por causa dos sinais que estava cumprindo. Por falar em sinais, a cura do cego de nascença, relatada no evangelho de hoje, é o sexto dos sete sinais que Jesus realiza no Quarto Evangelho, a saber: 1) a mudança da água em vinho – Jo 2,1-12; 2) a cura do funcionário real – Jo 4,46-54; 3) a cura do enfermo (paralítico) de Betesda – Jo 5,1-18; 4) a multiplicação dos pães – Jo 6,1-15; 5) a caminhada sobre o mar – Jo 6,16-21; 6) a cura do cego de nascença – Jo 9,1-41; 7) a ressurreição de Lázaro (reanimação) – Jo 11,1-44.

Ao realizar os sinais, Jesus manifestava a glória de Deus, ganhava adesão ao seu projeto e confirmava ser o Cristo, o Filho de Deus (cf. Jo 2,1; 21,30-31). Com isso, o poder religioso o via cada vez mais como uma ameaça e, por isso, queria eliminá-lo. Os sinais de Jesus mostravam que Deus não se deixava manipular pela instituição religiosa. As autoridades religiosas viam desmoronar seus poderes e privilégios; queriam eliminar Jesus porque ele era uma pessoa perigosa para o sistema. Durante a festa das tendas, Ele tinha passado dos limites ao se autoproclamar a “luz do mundo” (cf. Jo 8,12) e o “Filho eterno do Pai” (cf. 8,54-58). Por essa sua ousadia, as autoridades religiosas o consideraram “um samaritano e endemoniado” (cf. Jo 8,48) e, por isso, queriam apedrejá-lo. É, portanto, recordando o último versículo do capítulo anterior que devemos ler o texto de hoje: “Eles pegaram, então, pedras para atirar em Jesus. Mas Jesus se escondeu e saiu do templo” (Jo 8,59).

Uma vez contextualizados, voltemos a atenção para o texto de hoje, o qual começa assim: “Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença” (v. 1). Mesmo apressado, pois estava fugindo da tentativa de apedrejamento, Jesus vê a necessidade do outro e age com solidariedade e compaixão. Para a mentalidade da época, todo tipo de doença e deficiência era sinal de maldição e castigo, pois tudo isso era considerado consequência do pecado, ou da pessoa mesmo ou dos antepassados. Acreditava-se também que uma criança pudesse pecar ainda no ventre materno. Inclusive, os próprios discípulos de Jesus comungavam dessa mentalidade: “Os discípulos perguntaram a Jesus: ‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?” (v. 2). A cegueira se destacava entre todas as deficiências, pois impedia que a pessoa pudesse estudar e conhecer a Lei. Teologicamente, a cegueira era pior até do que a lepra. Ora, o leproso devia isolar-se completamente da sociedade, mas devido às aparências e a exposição das feridas; porém, um leproso poderia ter conhecido a Lei antes de contrair a lepra; já um cego de nascença, não. Como o homem visto por Jesus era cego de nascença, significa que ele nunca tinha tido contado com a Lei, portanto, era um condenado; não vivia, mas apenas vegetava, mesmo não sendo necessário o isolamento do convívio social, por não ter feridas expostas, como os leprosos.

É claro que Jesus não concordava com a mentalidade vigente. Por isso, corrige seus discípulos e expressa a sua pressa em sanar a situação de marginalização vivida pelo homem cego (vv. 3-4). A cegueira não é vontade de Deus e nem punição a possíveis pecados cometidos. Também não é condição para que a glória de Deus se manifeste, como poderia ser interpretada sua afirmação no v. 3. No entanto, onde a vida é escassa, quer dizer, onde a criação não encontrou sua plenitude, há espaço para que a glória de Deus se manifeste sanando a deficiência. Para isso, é necessário que toda a comunidade participe, juntando forças. Por isso, Jesus compartilha com os discípulos a sua responsabilidade de trabalhar para realizar as obras do Pai que o enviou (v. 4), aprimorando a criação. E isso deve ser feito com urgência, ou seja, “enquanto é dia” (v. 4). Considerando que seus dias estavam praticamente contados, depois de tantas ameaças, já não havia mais tempo a perder. A “chegada da noite” (v. 4) significa a sua morte que se tornava cada vez mais próxima. Quando está em questão a liberdade e a dignidade do ser humano, os discípulos de Jesus devem agir com pressa, como Ele mesmo agia, mesmo tendo que contrariar códigos e regras morais, sejam civis ou religiosos.

Destaca-se neste episódio, especialmente, a bondade e a compaixão de Jesus: o cego não pede nada, não lhe faz nenhuma súplica, ao contrário de outras curas em que as pessoas necessitadas lhe suplicam a cura. Para João, o olhar de Jesus já é suficiente para perceber a necessidade do outro, sentir compaixão e intervir, como faz aqui: “Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego, e disse-lhe: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé (que quer dizer: enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando” (vv. 6-7). O gesto de cuspir no chão e fazer lama com a saliva é carregado de um forte simbolismo: o barro alude à criação, é a matéria prima do ser humano, conforme a mentalidade bíblica. De acordo com essa mesma mentalidade, a saliva é gerada pelo hálito, e esse é o sopro, o espírito. Com isso, o evangelista quer dizer que Jesus repete o gesto criador de Deus (cf. Gn 2,7), ou seja, aperfeiçoa a criação do Pai. O homem que até então vegetava, passou a viver de verdade a partir do encontro com Jesus que lhe deu vida. A ordem para o homem lavar-se na piscina de Siloé significa a participação e a responsabilidade humana na criação e na salvação. Deus não quer o ser humano passivo, mas participante ativo de sua obra. Como “luz do mundo” (v. 5), Jesus aponta o caminho e quem o segue encontra a luz, como o cego “voltou enxergando” da piscina ao cumprir a sua ordem. Quem segue a palavra de Jesus encontra luz e sentido para a vida. Ao ir à piscina, conforme a ordem de Jesus, o cego demonstrou adesão ao Evangelho; por isso, passou a enxergar. O relato poderia ser encerrado aqui, mas o evangelista pretende muito mais.

Entre aqueles que conheciam o cego, o espanto é geral: ao invés de um homem miserável e considerado amaldiçoado, eles passam a ver um homem novo, restaurado e íntegro (vv. 8-12). A admiração começa entre os vizinhos, passa pelos que o viam mendigando, até chegar nos fariseus e autoridades religiosas. O motivo de tamanho espanto é compreensível, considerando a afirmação do próprio homem ao defender-se das acusações: “Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença” (v. 32). De fato, em toda a Bíblia, não há registro de nenhum outro milagre de um cego de nascença. Há curas de cegos, sim, mas não com essa indicação. Os fariseus, como representantes do sistema de dominação, reagem com rigor e até com violência, porque veem que a luz de Deus, que eles e todo o sistema ofuscavam, brilha em Jesus e em quem cumpre a sua palavra. A face de Deus, que a religião tinha ofuscado e transformado em mercadoria, é restituída gratuitamente ao povo por Jesus. Por isso, inconformados, os líderes religiosos judeus submetem o homem curado a um longo interrogatório, sem aceitar nenhuma das respostas. E, tudo isso, por causa da rejeição a Jesus e o medo que o seu projeto libertador representava para as elites.

O fato de Jesus ter curado em dia de sábado já era, por si só, motivo de escândalo, ainda mais da forma como fez: “era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego” (v. 14). Ao tocar na terra para fazer lama, Jesus realizou um trabalho braçal em dia de sábado, um pecado abominável para os judeus. Esse foi o principal motivo do cerco contra o homem e contra o próprio Jesus. Os judeus consideravam o mandamento do sábado como o maior de todos, pois é o único que até mesmo Deus observou (cf. Ex 20,110); era assim que eles ensinavam sobre a sacralidade do sábado. Com isso, eles passaram a ter ainda mais motivos para rejeitar Jesus e o seu programa. É importante recordar que João usa o termo “judeus” referindo-se às autoridades religiosas, e não a todo o povo. Neste episódio ele varia entre judeus e fariseus (vv. 13; 15; 16; 18; 22; 24; 34; 40), mas sempre em referência às lideranças, e não a todo o povo.

O ex-cego é literalmente encurralado pelos líderes religiosos porque deixou de ser um dominado; tornou-se um sujeito autônomo, um homem livre. A situação chega ao ponto de ser necessário o depoimento dos seus pais (vv. 18-23). Com medo da repressão, os pais passam a responsabilidade para o filho: é ele quem tem que responder por seus atos (v. 21). Reconhecendo-se incapazes de convencer com argumentos e testemunho, os chefes judeus apelam para a violência, como acontece com todos os sistemas opressores. Por isso, “expulsaram-no da comunidade” (v. 34b), ou seja, o baniram da sinagoga. É a religião agindo com tirania, banindo a vida, ao invés de protege-la. É claro que não havia espaço para Jesus e seu projeto libertador numa religião como aquela. Na verdade, esse conflito reflete o ambiente das comunidades joaninas, e não propriamente o tempo de Jesus. Escrito no final dos anos 90 d.C., o Evangelho segundo João testemunha a separação das comunidades cristãs da sinagoga. Os cristãos foram, de fato, expulsos da sinagoga ao declararem Jesus como o Messias (v. 22). E esse episódio foi a melhor oportunidade que João encontrou para retratar essa realidade, uma vez que “dar vista aos cegos” era um dos principais sinais messiânicos anunciados pelos profetas (cf. Is 29,18; 42,7).

Jesus se manifesta novamente, ao saber que o homem tinha sido expulso da comunidade sinagogal e vem ao seu encontro (v. 35). Embora a versão litúrgica afirme que Jesus “encontrou” o homem, a tradução correta seria “foi encontrá-lo” (v. 35), o que significa que Jesus foi procura-lo. Como sempre, Jesus resgata o que a religião descartou. A religião exclui e Jesus inclui; os sistemas dominantes separam e Jesus junta; a religião do templo oprime e Jesus liberta. No final da discussão, Jesus mostra a grande inversão de valores e de papéis: os verdadeiros cegos são os fundamentalistas que, apegados à Lei e aos mais diversos códigos de conduta, sufocam a vida do ser humano, privando-o da liberdade e da dignidade. Para esse tipo de cegueira, não há justificativa (v. 41).

Assim como João escreveu pensando na sua comunidade, também devemos pensar nas comunidades de hoje em dia: se essas não promovem a vida e a liberdade do ser humano, estão distantes da proposta de Jesus. Se prevalece a norma sobre a caridade, o Evangelho é esquecido. Se o conhecimento continua concentrado em um pequeno grupo que controla tudo, está mais para a sinagoga do que para a comunidade cristã. Se há imposição de ideias, decisões e normas, continua-se a gerar cegos, ao invés de pessoas conscientes e iluminadas.

Dia 15

Do fundo do coração, faça esta prece: “Eu o agradeço, Senhor, por mais um dia.

Concedei-me os dons da fé, esperança e caridade.

Que sua presença seja força em minha caminhada.

Que eu seja fiel, amando-lhe realmente acima de tudo.

Obrigado(a), Senhor, por minha família, meu trabalho, meus amigos e por tudo o que recebi.

Que eu possa ser testemunha de seu amor com gratidão e alegria. Amém!”.

É preciso cultivar no coração um profundo sentimento de gratidão a Deus.

“Nossa alma espera pelo Senhor, é ele o nosso auxílio e o nosso escudo.

Nele se alegra o nosso coração e confiamos no seu santo nome”.

(Sl 33[32],20-21).

 

Evangelho do dia 18 março quarta feira 2026

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