02 março - São José é sempre o “Dirigente de coro” que dá os tons; embora, às vezes, permite alguma nota desafinada. Neste seu querido mês, porém, quer que todos os acordes fluam certos e melodiosos, de modo que arrebatem o nosso espírito para o alto, onde tudo é harmonia. (L 206). SÃO JOSE MARELLO
Lucas 6,36-38
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36“Sede
misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não
julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai,
e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada,
sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida
com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.
Meditação:
Agir
com misericórdia. No evangelho de hoje, Jesus nos fala de como deve ser o modo
de agir do cristão, quais devem ser nossas atitudes com nossos irmãos. Assim
como Deus é misericordioso conosco, também devemos praticar e ser
misericordiosos, e solidários com os outros. A prática da misericórdia nos
aproxima do Reino de Deus, e ao praticá-la estamos praticando o amor, Deus é
amor, o amor que nos salva. Como disse Jesus: "Felizes os misericordiosos,
pois alcançarão misericórdia" (Mt 5,7). A misericórdia deverá ser
praticada pelo cristão diariamente, de coração e com humildade.
Deus
não nos condenará por não sermos misericordiosos, porque Ele misericórdia de
nós. Mas com certeza seria agradável ao Pai, se tentássemos nos aproximar dos
sofrem, dos lutam por seus direitos para ter uma vida mais digna, de tal forma que
pudéssemos sentir o sofrimento do outro. Assim já estaremos praticando a
misericórdia. Deus é misericordioso com todos, não somente com os bons, com os
que O amam, e nós cristãos devemos praticar o amor misericordioso de Deus, sem
esperar retorno, ganharemos nossa recompensa quando nos encontrarmos com o Pai.
Vale a pena tomarmos a iniciativa de perdoar, consolar, ter paciência, orar
pelos outros, ouvir, acolher. Tudo o que fizermos aos nossos irmãos
necessitados e ao Pai que faremos.
Podemos
ser misericordiosos também quando não julgamos, não condenamos, quando
perdoamos, quando doamos e partilhamos. Sejamos humildes, não temos o direito
de julgar ou condenar, isso cabe ao Pai. Como disse Jesus: "Aquilo que vocês desejam que os outros façam a vocês,
vocês devem fazer a eles" ( Mt 7,12). Não julgar, não condenar, perdoar e
doar, exige realmente que tenhamos muita ternura, humildade, e evitará que
cometamos muitas injustiças, "pois a mesma medida que com medirdes os
outros, vós também sereis medidos" (Lc 6, 38)".
Lucas
é o evangelista da misericórdia de Deus. Várias e belas são suas parábolas
sobre a misericórdia. Enquanto que Mateus, referindo-se a uma sentença de
Jesus, escreve: "Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito"
(Mt 5,48), em Lucas temos: "Sede misericordiosos como vosso Pai é
misericordioso".
Lucas prefere destacar a misericórdia como atributo de Deus do que a sua
perfeição. O imperativo, "amai vossos inimigos", é repetido por duas
vezes, como prática concreta da misericórdia. A figura do "inimigo" é
uma presença constante no Primeiro Testamento.
A
própria imagem de Deus fica envolvida com o "inimigo" quando se lê no
livro do Êxodo (23,2) a mensagem de Javé: "Serei inimigo dos teus inimigos
e adversário dos teus adversários". Jesus remove a concepção do
"inimigo", a qual justifica atitudes excludentes e elitistas, que
respaldam a violência e a afirmação do poder.
No imenso tesouro do Evangelho, a misericórdia é como uma gema preciosa: sólida
e delicada ao mesmo tempo; verdadeira e transparente na sua simplicidade;
brilhante pela vida e alegria que difunde. Compaixão, solidariedade, ternura e
perdão são como seus ângulos de polimento, por onde se reflete – em raios
coloridos e acessíveis – o amor regenerador de Deus.
Neste
tempo da Quaresma,
a misericórdia de Deus se traduz em resgate, cura, abrigo, libertação,
sustento, proteção, acolhida, generosidade e salvação – tão marcantes na
caminhada do Povo de Deus.
No
decorrer dos séculos, a comunidade cristã tem atualizado esta experiência em
novos contextos, lugares e relacionamentos. A liturgia a celebra; a prece a
invoca; a pregação a proclama; os místicos a enfatizam; o magistério a propõe;
as obras a cumprem.
Antiga
e sempre nova, a misericórdia de Deus se pode entender em outras palavras sob
três pontos: bem-aventurança, profecia e terapia. Como bem-aventurança, a
misericórdia aproxima o Reino de Deus das pessoas, e as pessoas do Reino de
Deus. É prática que dignifica o ser humano: tanto quem a dá, quanto quem a
recebe. Está repleta de gratuidade e alegria, como disse Jesus: “Felizes os
misericordiosos, pois alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).
As
obras de misericórdia são também profecias da justiça do Reino, que supera toda
fronteira de raça, credo ou ideologia: diante da humanidade ferida e carente,
somos servidores da vida e da esperança, dentro e fora da Igreja, para crentes
e não-crentes, afim de que “todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10).
Jesus
nos indicou o exemplo do bom samaritano para mostrar a todos que a misericórdia
não aceita fronteiras! Enfim, a misericórdia é também terapia: compaixão que
restaura, toque que regenera e cuidado que aquece.
As
obras de misericórdia têm eficácia curadora: socorrem nossa humanidade ferida
pelo pecado e pelo desamor, restaurando em nós a imagem do Cristo glorioso,
para que suas feições resplandeçam na nossa face, na face da Igreja, na face de
toda a humanidade redimida.
Se
a compaixão é um sentir que nos comove na direção do próximo, a misericórdia se
caracteriza como gesto que realiza este sentir solidário. Na compaixão temos um
sentimento que mobiliza; na misericórdia temos o exercício deste sentimento.
Daí os verbos: cumprir, mostrar, fazer e agir – que expressam a eficácia do
amor misericordioso humano e, sobretudo, divino (Ex 20,6; Sl 85,8; Lc 1,72 e
10,37).
A
misericórdia tem caráter operativo: é amor em exercício de salvação. Se o amor
é a qualidade essencial de Deus; a misericórdia é este mesmo amor exercitado
para com a criatura humana, revelando a qualidade ativa de Deus.
Assim,
a misericórdia se mostra muito mais na experiência do dia a dia, do que na
conceituação teológica, catequética ou espiritual. E ainda que tal experiência
se revista de beleza, o lar da misericórdia não é o discurso e nem explicações.
Porque as crianças abandonadas, os andarilhos e os excluídos da sociedade não
comem explicações.
O
lar da misericórdia é a solidariedade. Seu órgão vital é o coração e as mãos:
erguem o caído, curam o ferido, abraçam o peregrino, alimentam o faminto.
Deus
é bondoso para com os ingratos e os maus. Não lhes inflige castigos e
sofrimentos para que se arrependam. Conquista-os pelo amor, pela misericórdia e
pela mansidão. Contudo, isto não deve impedir o uso do discernimento para
reconhecer as responsabilidades diante do mal praticado. Este discernimento,
contudo, não deve levar a um julgamento de condenação. Acima de tudo vigora o
perdão e a misericórdia que reanimam a vida.
A misericórdia que Deus exige de ti e de mim não é outra senão a evangélica,
que consiste em 14 obras: 7 corporais: dar de comer a quem tem fome, dar de
beber a quem tem sede, acolher o forasteiro, vestir quem está nu, visitar os
doentes e assistir aos prisioneiros e sepultar dignamente os mortos.
Sete
obras, centradas na exortação “cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos
mais pequeninos, a mim o fizestes” (25,40). E 7 espirituais: dar bom conselho a
quem necessita, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os
aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo,
rogar a Deus pelos vivos e mortos.
Obras
de misericórdia corporais: dar de comer ao faminto, dar de beber ao sedento,
vestir os maltrapilhos, abrigar os peregrinos, cuidar dos enfermos, visitar os
encarcerados,
Em
Emaús e à beira do lago da Galiléia, Jesus toma o pão, abençoa e reparte: os
discípulos o reconhecem, por causa de seu tato característico (Lc 24,30; Jo
21,12-13). Que gestos tens feito para que as pessoas te reconheçam como
discípulo de Jesus? Os gestos alimentam, curam e restauram! Eles são toques da
misericórdia de Deus.
O
nosso mandato é a prática da misericórdia para com o irmão: “Vai e faze o
mesmo!”
Reflexão Apostólica:
A alegria do perdão é concedida por etapas: primeiro, experimentando
a compaixão que é "sentir com o outro" a carência, a necessidade de
curar seu interior, no dizer do próprio Evangelho, e Jesus ressalta: "como
é compassivo o vosso Pai". O segundo momento que envolve a dádiva do perdão
é não julgar, nem condenar, pois, no sentido mais estrito, nem mesmo Deus julga
ou condena.
Com freqüência nós manifestamos atitudes de julgar e condenar.
Essa atitude não é divina e, portanto, tampouco pode ser nossa; de onde, pois,
inventamos que nós temos poder para tal?
Finalmente, seguindo os passos sugeridos por Jesus, perdoar para
sermos perdoados. A maior parte de nossa vida gira ao redor dessa necessidade
de manter sã a nossa consciência e nossas relações com os demais.
Alguns poderiam dizer que nas relações com os outros, o termômetro
que mede o grau de verdade, o grau de crescimento e até de humanização das
nossas relações, é a capacidade de perdoar ou a incapacidade de pedir perdão e
também de outorgá-lo. Na observação simples e despretensiosa, observa-se que o
mais necessitado de perdão é aquele que tem mais problemas para perdoar.
Neste Evangelho Jesus nos ensina a usar a misericórdia como medida
para todas as nossas ações. Não julgar, não condenar, perdoar e dar são
realidades que nós podemos vivenciar a cada dia da nossa vida e que nos põem em
sintonia com a misericórdia do Pai.
Tudo o que praticarmos será a medida para que também o Pai faça
conosco. Se usarmos a nossa medida com a misericórdia, receberemos
misericórdia, se usarmos a nossa medida com ódio, intolerância, incompreensão,
também assim a receberemos de volta, em porção dobrada.
Se não julgarmos, não seremos julgados; se não condenarmos, não
seremos condenados, se perdoarmos, seremos perdoados, se dermos, também
receberemos. É uma lei natural, a mesma medida de misericórdia que usarmos nos
nossos relacionamentos nós a receberemos, “calcada, sacudida, transbordante”,
isto é, plena, cheia. Isso vale, tanto para o bem como para o mal. Deus ama a
nossa miséria, mas espera que nós também acolhamos a miséria do nosso próximo
da mesma forma como Ele acolhe a nossa.
Por isso, não podemos nos confundir! Se apreendermos os conselhos
do Mestre, nós estaremos sendo misericordiosos como o Pai é misericordioso.
Você tem agido conforme os conselhos de Jesus? Você se acha
uma pessoa misericordiosa? Você faz aos outros o mesmo que você queria que
fizessem com você? Com que você tem transbordado a sua medida: com misericórdia
ou intolerância? O que você espera receber ainda aqui nesta vida: misericórdia
ou intolerância?
Propósito:
Pai, dispõe meu coração para o perdão, pois este é o
caminho pelo qual estabeleço minha comunhão contigo.
Dia 02
Quando for
preciso corrigir alguém, seja paciente, principalmente com os mais simples e
humildes.
Aja com
muita caridade, tendo em vista a correção fraterna proposta por Jesus.
Lembre-se
de que todas as pessoas são passíveis de erros, pois são criaturas limitadas.
Jamais
faça aos outros o que não quer que lhe façam.
Toda e
qualquer advertência deve ser feita com muito amor e respeito.
Tudo,
portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles.
Isto é a
Lei e os Profetas”. (Mt 7,12).



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