29 março - É necessário pedir a São José a tranquilidade e a igualdade de espírito; ele era sempre igual a si mesmo, tanto quando dava ordens a Jesus, a Sabedoria do Pai, como quando exercia a sua profissão, ocupando-se com os trabalhos mais humildes e grosseiros. (S 173). São José Marello
"Este era verdadeiramente Filho de Deus!” - Mateus 26,14–27,66 29 março 2026
[...]. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da condenação:
“Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. Com ele também crucificaram dois ladrões, um
à sua direita e outro, à esquerda. Os que passavam por ali o insultavam,
balançando a cabeça e dizendo: “Tu que destróis o templo e o reconstróis em
três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” Do mesmo
modo zombavam de Jesus os sumos sacerdotes, junto com os escribas e os anciãos,
dizendo: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel: desça
agora da cruz, e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é
que o ama! Pois ele disse: ‘Eu sou Filho de Deus’”. Do mesmo modo, também o
insultavam os dois ladrões que foram crucificados com ele. Desde o meio-dia,
uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde. Pelas três da
tarde, Jesus deu um forte grito: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”, que quer dizer:
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Alguns dos que ali estavam,
ouvindo-o disseram: “Ele está chamando por Elias!” E logo um deles correndo,
pegou uma esponja, ensopou-a com vinagre, colocou-a numa vara e lhe deu de
beber. Outros, porém, disseram: “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!” Então
Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. Nisso, o véu do
Santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras
se partiram. Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos
ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, entraram na
Cidade Santa e apareceram a muitas pessoas. O centurião e os que com ele
montavam a guarda junto de Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia
acontecido, ficaram com muito medo e disseram: “Este era verdadeiramente Filho
de Deus!” [...].
Reflexão para o Domingo de Ramos da
Paixão do Senhor - Mateus 26,14 – 27,66 (Ano A)
Todos os anos, na liturgia do domingo de ramos, faz-se a leitura de uma das narrativas da paixão de Jesus. Neste ano, temos a oportunidade de ler e refletir a partir do relato de Mateus. Pela sua extensão, a liturgia salta alguns versículos, propondo a leitura já à partir da traição de Judas, e terminando com o sepultamento: Mt 26,14 – 27,66; mesmo assim, a leitura proposta continua longa, totalizando 128 versículos; essa longa extensão, obviamente, nos impede de fazer um comentário mais pormenorizado. Por isso, procuraremos colher a mensagem global do texto e, na medida do possível, enfatizar os aspectos mais relevantes, destacando alguns detalhes que pertencem exclusivamente ao relato de Mateus.
Os relatos da paixão e morte de Jesus constituem o
núcleo de base da redação dos evangelhos. Embora o nosso foco nesse ano seja
especificamente o relato de Mateus, os aspectos introdutórios que abordamos
aqui valem também para os demais evangelhos. Ora, as primeiras páginas escritas
dos livros que hoje conhecemos como evangelhos, foram exatamente as narrativas
da paixão e morte de Jesus. Como a catequese e a vida litúrgica das primeiras
comunidades giravam em torno do anúncio do Cristo Ressuscitado, aos poucos,
surgiram muitas dúvidas a seu respeito, tipo: “Como ele viveu? Como foi a morte
daquele que ressuscitou?”. Diante de tais questionamentos, a primeira
necessidade foi contar como se deu a morte de Jesus, pois só ressuscita quem
passa pela morte. Logo, era necessário contar como Jesus morreu.
Com as primeiras perseguições, tanto das
autoridades romanas quanto dos líderes religiosos judeus, a morte se tornava
cada vez mais presente nas comunidades, e o anúncio e a adesão ao nome de Jesus
passava a ser sinal de perigo. Para quem não tinha convivido com Jesus, tornava-se
cada vez mais difícil perseverar na fé, acreditar no seu nome e na sua
ressurreição. E, para animar e fortalecer uma comunidade ameaçada pela
perseguição, nada melhor do que reconstruir a história da perseguição e morte
de Jesus, enaltecendo sua fidelidade aos propósitos do Pai e sua resistência.
Os evangelhos, enquanto livros, surgiram, portanto, como resposta às dúvidas e
crises vividas pelas primeiras comunidades. É claro que toda a vida de Jesus,
desde o início com a pregação do Batista, é edificante para as comunidades
cristãs. Mas, a memória da sua paixão foi a primeira necessidade para dar
credibilidade ao anúncio da ressurreição. Ao ler o relato da paixão, portanto,
estamos lendo o ponto de partida do evangelho escrito.
Tendo acesso hoje aos textos inteiros dos
evangelhos, percebemos que o relato da paixão que estamos lendo mostra a
conclusão de uma vida que não poderia ter um fim diferente. Ora, desde o
início, a mensagem de Jesus foi uma alternativa aos sistemas vigentes, político
e religioso. Logo, seu desfecho final foi o rechaço por parte desses sistemas.
Durante a sua trajetória terrena, Jesus praticou e pregou o que a religião e o
sistema político da época não aceitavam: o amor incondicional ao próximo, a
justiça, a gratuidade nas relações, o perdão ilimitado, o cuidado com os mais
necessitados, a solidariedade, a acolhida aos excluídos e marginalizados, e o
bem acima de tudo. Uma vida marcada por estas características não poderia ter
outro fim, senão a condenação e morte precoces, pelos sistemas que não
compactuavam com essa mensagem. É importante perceber que a cruz, a pior das
penas aplicadas na época, não foi predestinação e nem acidente, mas
consequência de uma trajetória marcada pelo inconformismo diante das
atrocidades do sistema. Jesus não se adequou aos padrões de comportamento da
época: não foi um cidadão exemplar, como exigia o poder romano, nem um devoto
fiel, como exigia a religião judaica, pois sua obediência e fidelidade estava
toda voltada para o Pai do céu.
O relato é situado em Jerusalém, onde Jesus já se
encontrava com seus discípulos para a celebração da páscoa, a festa dos judeus
por excelência. Ao entrar em Jerusalém, Jesus foi acolhido triunfantemente como
o profeta de Nazaré da Galileia (cf. Mt 21,1-11). Ali, desenvolveu o seu
ministério por alguns dias em meio à tensões e conflitos com os comerciantes do
tempo (cf. Mt 21,12-14) com os grupos e autoridades religiosas, especialmente
os fariseus, saduceus, sacerdotes e escribas (cf. Mt 21,23-27,45; 22,23-33;
23,13-36), como preparação para o confronto final. Foi, portanto, na cidade
santa que Jesus foi condenado, o que não lhe surpreendera, pois ele mesmo já
tinha alertado: “Jerusalém, Jerusalém, que matas profetas e apedrejas os que te
são enviados” (Mt 23,37a). Inclusive, ele mesmo tinha prevenido os seus
discípulos com os três anúncios da paixão, que seria condenado e morto em
Jerusalém, pelos sumos sacerdotes e escribas (cf. Mt 16,21; 17,22-23;
20,17-19).
Assim, a morte trágica de Jesus, foi consequência
de uma inteira existência marcada por uma opção radical pelas causas do seu
Pai, a quem foi fiel e obediente até às últimas consequências. Durante seu
ministério na Galileia, houve conflitos doutrinais com os fariseus e outros
grupos; mas é em Jerusalém que as disputas passam do campo doutrinal para a
esfera do poder. A páscoa, como sabemos, é a festa em que os judeus faziam
memória da libertação da escravidão do Egito, tinha como ponto alto a ceia
pascal, na qual comia-se o cordeiro imolado, símbolo da festa. Ciente de que
era a sua última, estando à mesa com os discípulos, Jesus mesmo se apresenta
como cordeiro, doando a sua existência (Mt 26,26-30).
Como um relato edificante para a comunidade, a
narrativa da paixão serve de alerta e denúncia, não apenas às autoridades que
executaram Jesus, mas também às incoerências da comunidade. Por isso,
recordamos um dado bastante negativo que, certamente, levou a comunidade do
evangelista a refletir e ponderar quando sofria perseguição, que é a dispersão
e abandono dos discípulos no momento da sua prisão: “Então, todos os
discípulos, abandonando Jesus, fugiram” (Mt 26,56). Os discípulos ficam com
medo e sentem-se frustrados ao perceber que o projeto de Jesus não corresponde
às suas expectativas. São os mesmos que, no início do Evangelho, deixaram
barco, família, redes e até coletoria de impostos para segui-lo (cf. Mt
4,20.22; 9,9). Agora, é a Jesus que eles abandonam. É uma advertência à
comunidade e, ao mesmo tempo, um consolo: deve haver resistência e força para
não desistir, mas sendo composta de seres humanos, a comunidade será sempre
passível de medos e incoerências.
O duplo julgamento de Jesus, um religioso e outro
político, ou seja, diante do sinédrio (26,57-68) e de Pilatos (27,11-26),
mostra a covardia e a hipocrisia da união das forças hostis quando tem um
inimigo em comum, pois os poderes romano e judaico não se suportavam. O
sinédrio, órgão jurídico máximo do judaísmo, o acusa de blasfêmia, e ao poder
romano ele será denunciado como subversivo e agitador, alguém que pretende ser
rei. Esses dois poderes estavam viciados na corrupção, no suborno e na mentira;
mantinham um relacionamento de conveniência, tendo o povo pobre como alvo de
suas cobiças. O movimento de Jesus surgiu como alternativa a tudo isso; logo, a
repressão seria inevitável. Aqui, é importante recordar um detalhe: como a
comunidade de Mateus vivia mais tensões com o judaísmo do que qualquer outra,
ele enfatiza mais a culpa do sinédrio do que a do poder romano. Um dado do
texto que enfatiza isso é o fato de ser somente o seu evangelho a mencionar
Pilatos lavando as mãos, querendo, com isso, isentar-se de culpa pela
condenação de Jesus (27,24).
A cruz é decretada como pena exemplar para Jesus
(27,26.35). Em plena páscoa, sua festa máxima, a religião oficial não hesita em
ser conivente com a condenação de um inocente e justo. Os líderes religiosos,
mais do que nunca, colocaram a Lei e a doutrina acima da vida. Não obstante
tanto sofrimento, Jesus manteve-se firme em seus propósitos e na confiança no
Pai. Não hesitou, mesmo não escondendo a sua humanidade. Gritou de dor,
lamentou-se, mas não abriu mão de suas convicções (27,46-48). Em meio ao
suplício e ao abandono dos seus, Jesus faz prevalecer as convicções de seguir
até o fim. Aquele projeto de vida nova, com justiça, igualdade e amor sem
distinção não poderia ser jogado fora de repente. O rosto amoroso do Pai que
ele veio revelar não poderia ser escondido.
A cruz veio, portanto, como consequência de uma
vida toda marcada pelo amor. E, nele, ao invés de ser simplesmente sinal de
condenação, a cruz se tornou sinal de salvação e de reconhecimento do seu amor
e de sua pertença a Deus. Na cruz ele foi escarnecido e humilhado, mas também
reconhecido em sua mais profunda identidade: “Ele era mesmo era o mesmo Filho
de Deus!” (27,54). Surpreende que essa declaração não saiu de nenhum discípulo,
mas daqueles que executaram a pena: o oficial e os soldados. Isso é
significativo em dois aspectos, principalmente: primeiro, porque é na morte de
cruz que a identidade de Jesus é plenamente revelada; segundo, porque daquele
momento em diante, todos, independentemente da etnia e da religião, puderam
conhecer o rosto verdadeiro de Deus revelado no seu filho amado.
O reconhecimento do oficial e dos soldados é
mencionado logo após o evangelista dizer que “a cortina do santuário se rasgou
de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se abriram”
(27,51). O rasgar-se do véu do santuário é um dado comum aos três sinóticos
(cf. Mt 27,51; Mc 15,38; Lc 23,45); já o sucessivo terremoto, cuja descrição
continua nos versículos seguintes (cf. Mt 27,51-53), é exclusividade de Mateus.
Esse dado simbólico significa a falência completa da religião e do sistema
político que tinham acabado de matar Jesus. A cortina ou véu do santuário
marcava a divisória do espaço sagrado do templo: somente os sacerdotes podiam
ultrapassar a divisória demarcada pelo véu. Jesus, mesmo morrendo, mostra sua
força; consegue abolir as divisões e rótulos impostos pela religião. De agora
em diante, conhece a Deus quem segue o seu filho até as últimas consequências,
quem vê na cruz instrumento de libertação e não mais quem frequenta o templo e
pratica a Lei. A imagem do terremoto, exclusiva de Mateus, simboliza a
instauração de uma nova ordem no mundo; significa a renovação completa da
humanidade, compreendendo a destruição das antigas estruturas e o surgimento de
um mundo novo, fundado no amor de Deus revelado por Jesus.
Compreendendo a fidelidade com que Jesus abraçou o
projeto de tornar o Reino de Deus acessível a todos, é possível perceber que a
morte não é capaz de destruir a vida de quem se dedica dessa maneira ao bem de
todos. Em meio ao suplício e ao abandono dos seus, Jesus faz prevalecer as
convicções de seguir até o fim. Aquele projeto de vida nova, com justiça, igualdade
e amor sem distinção não poderia ser jogado fora de repente. O rosto amoroso do
Pai que ele veio revelar não poderia ser escondido. A cruz veio, portanto, como
consequência de uma vida toda marcada pelo amor. E, nele, ao invés de ser
simplesmente sinal de condenação, a cruz se tornou sinal de salvação e de
reconhecimento do seu amor e de sua pertença a Deus.
Dia 29
Qual é o
real significado da oração?
Talvez
pareça que é somente recitar, repetir as preces decoradas na infância.
No
entanto, significa muito mais que isso.
É falar,
dialogar com o Senhor, apresentar-lhe tudo o que existe no coração.
Por isso,
reze, peça e insista.
Mesmo que
não possa ir a uma igreja, reze sozinho no quarto, em casa ou em qualquer
lugar.
Ore em
todas as circunstâncias e em todo lugar.
“Pedi e
vos será dado!
Procurai e
vos encontrareis!
Batei e a
porta vos será aberta!
Pois todo
aquele que pede recebe, quem procura encontra, e a quem bate, a porta será
aberta”. (Mt 7-8).



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