10 março - Ó glorioso Patriarca São José, não te esqueças de nós, que vamos arrastando esta carne miseranda em dura terra de exílio. (L 35). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 18,21-35
"Então
Pedro chegou perto de Jesus e perguntou:
- Senhor, quantas vezes devo
perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?
- Não! - respondeu Jesus. -
Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes. Porque o Reino do
Céu é como um rei que resolveu fazer um acerto de contas com os seus
empregados. Logo no começo trouxeram um que lhe devia milhões de moedas de
prata. Mas o empregado não tinha dinheiro para pagar. Então, para pagar a
dívida, o seu patrão, o rei, ordenou que fossem vendidos como escravos o
empregado, a sua esposa e os seus filhos e que fosse vendido também tudo o que
ele possuía. Mas o empregado se ajoelhou diante do patrão e pediu: "Tenha
paciência comigo, e eu pagarei tudo ao senhor."
- O patrão teve pena dele,
perdoou a dívida e deixou que ele fosse embora. O empregado saiu e encontrou um
dos seus companheiros de trabalho que lhe devia cem moedas de prata. Ele pegou
esse companheiro pelo pescoço e começou a sacudi-lo, dizendo: "Pague o que
me deve!"
- Então o seu companheiro se
ajoelhou e pediu: "Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei tudo."
- Mas ele não concordou.
Pelo contrário, mandou pôr o outro na cadeia até que pagasse a dívida. Quando
os outros empregados viram o que havia acontecido, ficaram revoltados e foram
contar tudo ao patrão. Aí o patrão chamou aquele empregado e disse:
"Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você
me devia. Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena
de você."
- O patrão ficou com muita
raiva e mandou o empregado para a cadeia a fim de ser castigado até que pagasse
toda a dívida.
E Jesus terminou, dizendo:
- É isso o que o meu Pai,
que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu
irmão."
Meditação:
No livro do Eclesiástico, escrito sob a influência da cultura
grega cerca de um a dois séculos antes de Jesus, temos um texto bem inspirado
sobre o perdão, que se aproxima das palavras de Jesus e cuja síntese
encontramos na oração do Pai Nosso: "Perdoai as nossas ofensas assim como
perdoamos a quem nos tem ofendido".
O autor, Bem Sirac, mostra como o pecador, vitima da ira e do
furor, é conduzida à vingança. E essa vingança se volta contra o vingativo. Por
isso, o único caminho que resta é o caminho do perdão.
Aqui aparece a reciprocidade entre perdoar e obter o perdão. Não
se pode aspirar ao perdão dos pecados cometidos se não houver disposição para
perdoar as ofensas recebidas.
Ter o olhar fixo nos mandamentos da aliança garante a compreensão
e a tolerância na vida comunitária. Como vemos, o tema do perdão, de profundo
sabor evangélico, já vem sendo proposto desde o século segundo antes de Cristo.
O núcleo da passagem da carta aos Romanos consiste em proclamar
que Jesus é o Senhor dos vivos e dos mortos. Há aqui uma bela síntese
existencial da vida cristã. Para o fiel, o fundamental é orientar toda sua vida
no horizonte do ressuscitado.
Quem vive para Jesus se esforça por assumir na vida prática sua
mensagem de salvação integral. Amar o próximo e viver para o Senhor são dois
aspectos intimamente ligados. Portanto, não podem estar separados. Quem vive
para o Senhor, amará, compreenderá, servirá e perdoará seu próximo
As parábolas em geral são ditos breves relacionados com
acontecimentos comuns da vida. As parábolas narrativas, por outro lado,
caracterizam-se por uma complexidade maior, em um texto mais longo e bem
detalhado.
Elas são mais encontradas em Mateus e Lucas. Têm a particularidade de, quase
sempre, envolverem os personagens em uma relação de poder e submissão,
característicos da sociedade opressora vigente e, pelas imagens de violência
que freqüentemente usam, chegam até a chocar pelo contraste destas imagens com
as propostas de mansidão e paz características do Reino.
Podemos até ver nelas, uma certa ironia implícita da sociedade na qual vigoram
as relações de poder e opressão. Porém, deste terreno impróprio procura-se
extrair uma mensagem positiva.
Nesta parábola de hoje, o rei resolveu ajustar contas com os servos. O ajuste
seria cruel. Porém um servo que lhe devia uma quantia enorme lhe implora e ele
se comove e perdoa. O servo perdoado vai e sufoca sem compaixão alguém que lhe
devia uma quantia irrisória. O rei sabendo disto entrega o servo aos carrascos.
Para Jesus, o perdão não tem limites, sempre e quando o
arrependimento seja sincero e verdadeiro. Para explicar esta realidade, Jesus
emprega uma parábola. A pergunta do Rei centra o tema da parábola: Não devias
ter perdoado como eu te perdoei?
A comunidade de Mateus deve resolver esse problema porque está
afetando sua vida. O perdão é um dom, uma graça que procede do amor e da
misericórdia de Deus.
Exige abrir o coração à conversão, isto é, a agir com os demais
segundo os critérios de Deus e não segundo os do sistema vigente. Como diria o
trovador da fraternidade Francisco de Assis, "porque é perdoando que se é
perdoado".
A catequese tradicional da Igreja católica exigia cinco passos,
talvez demasiado formais, para obter o perdão dos pecados: "Exame de
consciência, dor pelos pecados, propósito de emenda, confissão de todos os
pecados e assumir a penitencia", assim o expressava um dos catecismos
clássicos.
O perdão e a reconciliação, sendo graça de Deus, também exigem um
caminho pedagógico e tangível que colocasse de manifesto o desejo de mudança e
um compromisso sério para reparar o mal e evitar o dano.
Em muitos países da America Latina, durante o tempo das ditaduras
militares dos anos setenta e oitenta, foram aprovadas leis de anistia e perdão,
chamadas "obediência devida" ou "ponto final". Os golpistas
e seus colaboradores, responsáveis pelas dezenas de milhares de mortos e
desaparecidos em cada um de nossos países, se auto perdoaram, burlando a
justiça e a verdade.
Porém, sem verdade e justiça, as feridas causadas pela repressão
em muitos lares e comunidades ainda não fecharam. Apesar da pressão de todas
das leis do silencio imposto, do ocultamento de provas... a justiça se faz
caminho. Chega tarde, porém não deixa de chegar.
No dia 14 de junho de 2005, na Argentina, o Tribunal Supremo
declarou nulas, por inconstitucionalidade, as leis de obediência devida e de
ponto final.
No dia seguinte a Corte suprema de México declarou "não
prescrito" o delito do ex-presidente Echevarria por genocídio na matança
de estudantes de 1971...
Pensemos em muitos ditadores e golpistas que, apesar de tudo,
estão já sendo julgados, deixando que se dê lugar à verdade e à justiça.
O perdão e a reconciliação são exigências inalienáveis do ser
humano e que não podem ser detidas. É um processo de reconstrução que trata de
reconstruir, tanto o que vitima como a vítima.
Nesse sentido, nossas comunidades cristãs devem ser espaços
propícios e ativos a favor de uma verdadeira reconciliação baseada na justiça,
na verdade, na misericórdia e no perdão. Porém, nunca o evangelho convida a
tolerar a impunidade.
A Igreja, ou seja, nós, os cristãos e cristãs, devemos apoiar os
processos de reconciliação pelo caminho verdadeiro: a verdade e a justiça, e
não a impunidade, a reconciliação profunda da sociedade. Assim a Igreja
conseguirá o perdão por seu silencio cúmplice em algumas de suas figuras
hierárquicas
A conclusão é escatológica: o castigo para quem não perdoar o
irmão. Mais positiva é a visão de que pertencemos a Deus e assim devemos viver
e morrer para ele, unidos a Jesus. O amor e a misericórdia de Deus seduzem e
atraem os corações movendo-os à conversão.
Reflexão Apostólica:
O
evangelho de hoje nos faz refletir muito sobre um aspecto de nossa vida que
está bastante presente no nosso dia-a-dia: O PERDÃO.
Varias vezes por dia, e com diversas pessoas, nós sentimos a necessidade de
pedir perdão. Isto acontece principalmente quando nossas atitudes magoam as
pessoas que amamos e/ou quando vemos nos rostos destas pessoas a tristeza que
causamos.
Esse
pedido de perdão nem sempre é tão simples, principalmente se temos o orgulho
latente em nós e não queremos reconhecer o erro. Quando as pessoas magoadas não
são as que amamos, esta atitude de humildade torna-se ainda mais difícil.
O outro lado do perdão, ou seja, a vontade de perdoar, nem sempre é tão
freqüente; já que neste último caso, possivelmente, nós fomos as pessoas
magoadas da situação. Uma palavra realmente importante neste "lado do perdão"
é a sinceridade.
Não há perdão, se não há a verdadeira vontade de perdoar, a verdadeira vontade
de passar uma borracha na situação que passou.
Talvez, por isso, seja mais difícil e ao mesmo tempo mais valioso darmos o
nosso perdão e deixarmos de lado a mágoa e o rancor. Realmente, perdoar não é
uma "tarefa" fácil, mas nos purifica e nos torna pessoas melhores.
Quando Jesus fala a Pedro quantas vezes ele deve perdoar: "Não te digo até
sete vezes, mas até setenta vezes sete", Ele sabe que esse número é
infinito.
Sendo a matemática uma ciência exata, ela não poderia exprimir numericamente a
quantidade, infinita, de vezes que devemos perdoar.
Por isso, Jesus em sua extrema sabedoria utiliza o número 7 que aparece
diversas vezes na bíblia e é considerado um número perfeito pela teologia.
A Bíblia apresenta este número como um número "perfeito". Aquilo que
Deus faz, a favor do homem, traduz-se, inúmeras vezes, na Bíblia pelo número
sete).
Podemos desta forma ter a certeza que o nosso perdão não tem limite nem data ou
tempo para acabar; devemos amar acima de qualquer orgulho pedindo perdão e
perdoando quando necessário. Ou seja: ONTEM, HOJE E SEMPRE!
Propósito:
Ó
Deus, nosso Pai e nossa Mãe: faze que descubramos a importância de saber e sentir
que somos perdoados e perdoa-nos se ainda te ofendemos, faze também que
saibamos perdoar de coração os que nos têm ofendido. Pai, é meu desejo imitar
teu modo de agir, no tocante ao perdão. Faze-me ser pródigo e misericordioso em
relação ao próximo que precisa do meu perdão.
++++
A vida é cheia de surpresas. Algumas boas e outras não. Dor, perda
e sofrimento fazem parte da vida, e, a princípio, não percebemos nada de
proveitoso nisso. Quando sentimos a dor, a perda e o sofrimento, toda a nossa
vida é afetada. O medo surge nesses momentos. Onde se agarrar? Você se sente
perdido? Existe uma solução? Existe sim! A resposta para vencer o medo é
agarrar-se em Jesus. A Bíblia afirma: “As tentações que vocês têm de enfrentar
são as mesmas que os outros enfrentam; mas Deus cumpre a sua promessa e não
deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm forças para suportar.
Quando uma tentação vier, Deus dará forças a vocês para suportá-la, e assim
vocês poderão sair delas” (1Coríntios 10.13). Confie nesta promessa de Deus,
pois ele é fiel e quer salvar você.


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