12 agosto - Pensemos
no prêmio sublime com que Deus quer recompensar os nossos pequenos sacrifícios
e nos sentiremos mais fortes para aguentar a luta. (S 234). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 19,3-12
"Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e, para experimentá-lo, perguntaram: "É permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?" Ele respondeu: "Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão uma só carne'? De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe". Perguntaram: "Como então Moisés mandou dar atestado de divórcio e despedir a mulher?" Jesus respondeu: "Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio. Ora, eu vos digo: quem despede sua mulher - fora o caso de união ilícita - e se casa com outra, comete adultério". Os discípulos disseram-lhe: "Se a situação do homem com a mulher é assim, é melhor não casar-se". Ele respondeu: "...De fato, existem eunucos que nasceram assim do ventre materno... outros ainda, tornaram-se eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender, entenda". "
Meditação:
A Lei de Moisés dava ao homem o direito de despedir sua mulher e entre os rabinos debatia-se sobre os motivos que o justificariam. Os fariseus, provocativamente, perguntam a opinião de Jesus sobre quais seriam estes motivos.
Descartando a Lei de Moisés, que era conivente com a dureza dos corações
daqueles homens, Jesus, referindo-se à criação do homem e da mulher por Deus, e
sua união em uma só carne, nega, simplesmente tal direito do homem. O
fundamento da união é o amor, em vista da felicidade de ambos.
Para melhor compreender esta passagem, em que os fariseus interrogam Jesus
sobre casamento e divórcio, utilizando a expressão "por qualquer motivo"
(v. 3), e preciso conhecer um pouco do Antigo Testamento.
O código do Deuteronômio estabelece que ao divorciar-se de sua mulher, o homem
deve declará-lo por escrito (24,1), com a seguinte fórmula: "ela não é a
minha esposa e eu não sou seu marido" (Os 2,4).
No período pós exílio, Malaquias censura os que abandonam sua mulher na
juventude (2,14-15) e o Eclesiástico aconselha o divórcio apenas no caso de
mulher má (25,26).
Isto fica muito vago e o Deuteronômio não esclarece, pois fala apenas de um comportamento
inconveniente da mulher (24,1), para justificar o divórcio.
Nada deve ser interpretado como adultério, que era considerado na época, como
ofensa capital. Provavelmente referem-se a causas legais de uso corrente ou até
mesmo prescrições jurídicas que não chegaram até nós.
Jesus sempre se posiciona contra o divórcio. Mas nessa época, duas escolas
rabínicas disputavam a questão não resolvida no Antigo Testamento.
Uma escola permitia o divorcio, por qualquer razão que o marido encontrasse na
mulher e a outra só permitia o divórcio em caso de adultério.
É neste contexto que surge a pergunta dos fariseus, que põe Jesus a prova:
"É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?"
(v. 3)
Tentam fazer com que Jesus se posicione por uma das escolas, mas Ele recorre ao
Gênesis 1,27; 2,24 como base bíblica para sua resposta e afirma que no
plano da criação original de Deus, o casamento e indissolúvel e nada pode
terminar essa união.
Quanto a pergunta sobre a lei de Moisés (v.7), Jesus diz que no Antigo
Testamento o repúdio era permitido apenas como concessão a fraqueza humana, e
reafirma que não é a intenção original de Deus.
A seguir, Jesus interpreta a lei, proibindo, de forma absoluta, o repúdio e o
novo casamento, exceto no caso de união ilegal, que provavelmente seria um
casamento entre pessoas dentro dos graus de parentesco proibidos no Levítico
18,6-18.
A fala final de Jesus é a referência para a tradicional opção pelo celibato
religioso para o exclusivo compromisso com o serviço do Reino
A natureza radical do ensinamento de Jesus leva os discípulos a questionar, se convém
ou não se casar. Jesus afirma que celibato é dom de Deus e não é para todos.
O celibato cristão é a resposta à experiência do Reino dos Céus ensinada e
vivida por Jesus. Esse celibato não se baseia num conceito marxista contra as
mulheres, nem na pureza cultual, nem nas exigências da vida comunitária. É
resposta a Deus! "Quem puder compreender, compreenda".
Reflexão Apostólica:
Deus, que é amor e criou o homem por amor, chamou-o a amar. Criando o homem e a mulher, chamou-os ao Matrimônio a uma íntima comunhão de vida e amor entre eles, “de maneira que já não são dois, mas uma só carne.
Esta é a verdade que a Igreja proclama ao mundo sem cessar. O Papa João Paulo
II dizia que “O homem se tornou “imagem e semelhança” de Deus, não somente
através da própria humanidade, mas também através da comunhão das pessoas que o
varão e a mulher formam desde o princípio”. Tornam-se a imagem de Deus não
tanto no momento da solidão quanto no momento da comunhão (Audiência geral de
14.11.1979).
A família é uma instituição de mediação entre o indivíduo e a sociedade, e nada
a pode substituir totalmente. Ela mesma apóia-se, sobretudo numa profunda
relação interpessoal entre o esposo e a esposa, sustentada pelo afeto e
compreensão mútua.
No sacramento do Matrimônio, ela recebe a abundante ajuda de Deus, que comporta a verdadeira vocação para a santidade.
Queira Deus que os filhos contemplem mais os momentos de harmonia e afeto dos pais e não os de discórdia e distanciamento, pois o amor entre o pai e a mãe oferece aos filhos uma grande segurança e ensina-lhes a beleza do amor fiel e duradouro.
O testemunho fundamental acerca do valor da indissolubilidade é dado com a vida
matrimonial dos cônjuges, na fidelidade ao seu vínculo, através das alegrias e
das provas da vida.
O valor da indissolubilidade não pode ser considerado o objeto de uma mera
escolha privada: ele diz respeito a um dos pontos de referência de toda a
sociedade.
Por isso, enquanto devem ser encorajadas quer as iniciativas que os cristãos
com outras pessoas de boa vontade promovem para o bem das famílias, deve
evitar-se o risco do permissivíssimo em questões de fundo que se referem à
essência do matrimônio e da família.
A família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a
sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida.
É um bem insubstituível para os filhos, que hão-de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais. Proclamar a verdade integral da família, fundada no matrimônio, como Igreja doméstica e santuário da vida é uma grande responsabilidade de todos.
Diante do Senhor, a mulher é inseparável do homem e o homem da mulher, diz o
apóstolo Paulo (1Cor 11,11). Através do Evangelho, o homem e a mulher caminham
em conjunto para o Reino.
Cristo chama conjuntamente, sem os separar, homem e mulher, que Deus une e a
natureza junta, fazendo-os, por uma admirável conformidade, partilhar os mesmos
gestos e as mesmas funções.
Pelo laço do matrimônio, Deus faz que dois seres não sejam senão um, e que um
só ser seja dois, de modo que assim descubra um outro de si, sem perder a sua
personalidade, nem se confundir no casal.
Mas por que é que, nas imagens que nos dá do Seu Reino, Deus faz intervir deste
modo o homem e a mulher? Porque sugere Ele tanta grandeza através de exemplos
que podem parecer fracos e despropositados? Irmãos, um mistério precioso
esconde-se debaixo desta pobreza.
Segundo a palavra do apóstolo Paulo, « É grande este mistério, pois que é o de
Cristo e da Sua Igreja» (Ef 5,32). Isto evoca o maior projeto da humanidade. O
homem e a mulher puseram fim ao processo do mundo, um processo que se arrastava
há séculos.
Adão, o primeiro homem, e Eva, a primeira mulher, são conduzidos da árvore do
conhecimento do bem e do mal para o fogo do fermento da Boa Nova. Esses olhos
que a árvore da tentação fechara à verdade, abrindo-os à ilusão do mal, a luz
da Boa Nova abre-os fechando-os. Essas bocas tornadas doentes pelo fruto da
árvore envenenada são salvas pelo sabor.
O matrimônio “é” indissolúvel: esta prioridade exprime uma dimensão do seu
próprio ser objetivo, não é um mero fato subjetivo.
Por
conseguinte, o bem da indissolubilidade é o bem do próprio matrimônio; e a
incompreensão da índole indissolúvel constitui a incompreensão do matrimônio na
sua essência. Disto deriva que o “peso” da indissolubilidade e os limites que
ela comporta para a liberdade humana mais não são do que o reverso, por assim
dizer, da medalha em relação ao bem e às potencialidades inerentes à
instituição matrimonial como tal.
Nesta perspectiva, não tem sentido falar de imposição por parte da lei humana,
porque ela deve refletir e tutelar a lei natural e divina, que é sempre verdade
libertadora.
Esta verdade acerca da indissolubilidade do matrimônio, como toda a mensagem
cristã, destina-se aos homens e às mulheres de todos as épocas e lugares.
Para que isto se realize, é preciso que esta verdade seja testemunhada pela Igreja e, sobretudo, pelas famílias individualmente, enquanto “igrejas domésticas”, nas quais marido e esposa se reconhecem reciprocamente unidos para sempre, com um vínculo que requer um amor sempre renovado, generoso e pronto para o sacrifício.
Não nos podemos deixar vencer pela mentalidade divorcista: impede-o a confiança
nos dons naturais e sobrenaturais de Deus ao homem.
A atividade pastoral deve apoiar e promover a indissolubilidade. Os aspectos doutrinais devem ser transmitidos, esclarecidos e defendidos, mas são ainda mais importantes as ações coerentes.
Quando um casal atravessa dificuldades, a compreensão dos Pastores e dos outros
fiéis deve ser acompanhada da clareza e da fortaleza ao recordar que o amor
conjugal é o caminho para resolver positivamente a crise.
Precisamente porque Deus os uniu mediante um vínculo indissolúvel, marido e
esposa, usando todos os seus recursos humanos com boa vontade, mas, sobretudo
confiando na ajuda da graça divina, podem e devem sair dos momentos de
perturbação renovados e fortalecidos.
Pai,
infunde nos casais cristãos o desejo de experimentarem a santidade do
matrimônio, porque tu és a causa e a razão da comunhão que existe entre eles.
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