EVANGELHO DO DIA 7 JUNHO 2026 - 10º DOMINGO DO TEMPO COMUM
07 junho - Em sua generosidade, muitas vezes Deus prefere ficar na retaguarda e estender a mão aos outros, fazendo passar os atos de caridade à frente daqueles de piedade, ou ainda se digna atribuir aos primeiros o valor e o merecimento dos segundos. (L 202). São Jose Marello
"Mateus 9,9-13 07 jun 2026 (Ano A) - 10º DOMINGO DO TEMPO COMUM
"Naquele
tempo, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do
pagamento das taxas. Disse-lhe: Segue-me. O homem levantou-se e o seguiu. Como
Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores
vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos. Vendo isto, os fariseus
disseram aos discípulos: "Por que come vosso mestre com os publicanos e
com os pecadores?" Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: "Não são os
que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide e aprendei o que
significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6).
Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.
Com a retomada do tempo comum, a liturgia dominical retoma também a
leitura semi-contínua do Evangelho de Mateus, como é característico do ciclo
litúrgico A, após a longa interrupção para a vivência do ciclo pascal com as
solenidades que lhe seguem. Como este já é o décimo domingo, a leitura do
respectivo Evangelho já se encontra bastante avançada. O texto proposto para
hoje – Mt 9,9-13 – faz parte da seção narrativa intermediária entre o primeiro
e o segundo discurso de Jesus nesse Evangelho, a saber, o discurso da montanha
(Mt 5–7) e o discurso missionário (Mt 10,5–11,1). A alternância entre narrativa
e discurso constitui uma das principais características literárias de Mateus,
além de revelar importantes elementos da sua teologia. Com os discursos, ele
mostra Jesus ensinando, apresentando sua mensagem libertadora, assumindo sua
identidade e autoridade de mestre; com as narrativas, ele mostra Jesus em ação,
manifestando o Reino dos Céus mediante o seu agir misericordioso, se
relacionando com as pessoas, libertando-as e humanizando-as. Desse modo, o
evangelista apresenta Jesus como um Messias que diz e faz, promete e cumpre,
com total coerência entre o discurso e a prática.
Ainda
a nível de contexto, é importante recordar as características da seção
narrativa da qual é tirado o texto de hoje (Mt 8,2 –10,4), para compreendê-lo
melhor. Trata-se de uma seção marcada por uma série de curas, começando com um
leproso e terminando com um mudo. Nesse intervalo, foram realizadas diversas
curas, que são gestos de libertação e humanização, nas quais Jesus, movido por
seu amor misericordioso, restitui vida e dignidade às pessoas que se encontram
oprimidas, tanto por condicionamentos físicos quanto pelos preconceitos e
segregações impostos pela sociedade e a religião. É nesse contexto que se
insere o evangelho deste domingo, que corresponde ao chamado de Mateus e suas
consequências imediatas: o banquete festivo com cobradores de impostos e
pecadores, a crítica dos fariseus e a declaração de Jesus sobre a misericórdia
como essência da sua missão. É importante ter em mente tudo isso, pois o
chamado de Mateus se insere num contexto de demonstração da grande misericórdia
de Deus pela humanidade, e assim acontece com toda pessoa chamada a colaborar
na edificação do Reino de Deus, que o Primeiro Evangelho prefere chamar de
Reino dos Céus, por opção teológica.
Feita
a devida contextualização, olhemos para o texto, buscando a sua compreensão. E
começamos pelo primeiro versículo, que é muito significativo e até impactante:
«Partindo dali, Jesus viu um homem chamando Mateus, sentado na coletoria de
impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’. Ele se levantou e seguiu a Jesus» (v.
9). Como se vê, Jesus se encontra em ação, andando cumprindo sua missão de
enviado de Deus como profeta itinerante. Isso lhe permite contemplar a
realidade, ver as situações e, consequentemente, intervir para transformar.
Enquanto passa, Jesus vê um homem chamado Mateus. É importante fazer algumas
considerações a propósito desse primeiro dado. Ora, durante muitos séculos, esse
episódio foi considerado um relato autobiográfico, por causa desse primeiro
versículo, pois atribuía-se a autoria do Primeiro Evangelho ao apóstolo Mateus.
Atualmente, considera-se essa teoria superada. Embora este Evangelho seja fruto
de tradições ligadas ao apóstolo Mateus, é quase certo que ele não foi o
escritor direto, tendo em vista a época em que a obra foi escrita: anos 80 do
primeiro século, quando já não havia mais nenhum apóstolo vivo. Inclusive, nos
outros evangelhos que narram esse mesmo episódio, o personagem aqui chamado de
Mateus recebe o nome de Levi (Mc 2,13-17; Lc 5,27-32). O nome Mateus significa
“Dom de Deus” e, aqui, prefigura todas as pessoas acolhidas e chamadas para
integrar e edificar o seu Reino.
O
chamado de Mateus segue o modelo de vocação dos quatro primeiros discípulos
chamados por Jesus, as duas duplas de irmãos pescadores: Simão – chamado Pedro
– e André, Tiago e João (Mt 4,18-22; Mc 1,16-21; Lc 5,1-11). Isso evidencia a
importância do personagem, pois a tradição sinótica narra o chamado vocacional
de apenas cinco dos doze apóstolos: os quatro pescadores e ele, Mateus. Jesus
passa, vê e chama. E a pessoa chamada deixa o que estava fazendo para segui-lo.
Jesus não vai no espaço religioso, como a sinagoga, por exemplo, recrutar as
pessoas mais fiéis para o seu seguimento. Ele chama cada pessoa no seu
cotidiano, na sua situação existencial própria, sem exigir um atestado de boa
reputação ou conduta. Como eram pescadores os quatro primeiros, dois deles
estavam lançando as redes ao mar, enquanto os outros dois estavam consertando
as redes, quando Jesus passou e os chamou. No caso de Mateus, como era cobrador
de impostos, estava sentado na coletoria quando Jesus passou, viu e lhe chamou,
com o clássico imperativo vocacional: “segue-me” (em grego: ἀκολούθει μοι – akolúthei moi). Esse verbo não significa um
mero caminhar atrás, mas um seguimento convicto e pleno. A primeira grande
novidade do texto é, portanto, a profissão de Mateus: ele era um cobrador de
impostos, um publicano.
Apesar
do bem-estar econômico que a profissão propiciava, os cobradores de impostos
(em grego: τελῶναι – telonai) eram pessoas totalmente rejeitadas em
Israel. Eles eram colaboradores diretos do poder opressor, o império romano. Além das altas taxas exigidas pelo império, eles ainda cobravam grandes proporções a mais,
enriquecendo ilicitamente às custas do povo mais pobre, principalmente; além do
salário, ainda retinham para si o que cobravam em excesso. Por isso, eram
odiados pelo povo e totalmente excluídos da religião, pois a condição de
servidores do poder dominante não permitia que observassem a Lei. Não eram
sequer classificados entre os pecadores comuns. Eram tratados como ladrões
públicos, tão rejeitados quanto as prostitutas, na época. Por isso, tanto é
surpreendente a iniciativa de Jesus ao chamá-lo quanto a decisão de Mateus: «Ele
se levantou e seguiu a Jesus». Aqui, percebemos a grande transformação
provocada pelo olhar e o chamado inclusivo de Jesus. Mateus estava sentado,
numa posição que indica comodismo e bem-estar. De repente, se põe em pé e passa
a seguir Jesus. Mais do que um movimento corporal, o evangelista está mostrando
uma mudança de estilo de vida. De uma vida cômoda e fraudulenta, ele passa a
uma vida itinerante, desafiadora, pois passou a ser seguidor de alguém que não
tinha onde repousar a cabeça (Mt 8,20). Ele deixou o bem-estar econômico para
viver da providência, em sinal de plena confiança em Jesus. Ele deixou tudo,
abandonou a profissão para viver uma nova vida, tornando-se um autêntico
discípulo de Jesus. Certamente, ele se sentiu amado pelo olhar e pelas palavras
de Jesus. Ele recebeu o chamado como fonte de sentido para a vida e
ressignificou a sua existência daquele momento em diante.
Para
marcar o início da sua nova vida, Mateus ofereceu uma festa, um grande
banquete. Esse banquete, por sinal, antecipa e sintetiza o modelo de Igreja
desejado pelo evangelista Mateus para sua comunidade e as comunidades de todos
os tempos, que é o modelo querido pelo próprio Jesus. Participaram da festa
Jesus com seus discípulos e os antigos colegas de profissão de Mateus, com
outras categorias de pecadores, conforme a classificação imposta pela religião
da época, como informa o texto: «Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de
Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa
com Jesus e seus discípulos» (v. 10). O chamado de Mateus abriu as portas
para outras pessoas iguais a ele também se encontrarem com Jesus e, assim,
experimentarem a misericórdia de Deus, sentindo-se acolhidas e amadas por ele.
Com isso, quebram-se barreiras, superam-se distâncias. No mundo semita, a
refeição não significa apenas uma simples degustação e consumo de alimentos;
significa partilhar a própria vida. Sentar-se à mesa com alguém, conforme a
mentalidade bíblica, é sentir-se próximo, é um gesto de intimidade. Na partilha
dos alimentos e bebidas, todos tocavam na mesma comida e nos mesmos utensílios.
Ao sentar-se com os cobradores de impostos e pecadores, portanto, Jesus se
tornava impuro perante a Lei. Inclusive, esse era um dos principais motivos
pelos quais ele era tão criticado pelos fariseus, como mostra o versículo
seguinte. O importante para Jesus, no entanto, era acolher, transmitir amor,
humanizar as pessoas. Por isso, ele não se importava com os rótulos e críticas
que recebia.
Já
fazia tempo que o comportamento de Jesus vinha sendo observado e denunciado
pelos fariseus e outros grupos defensores da moral e dos bons costumes da
época. Mas parece que chamar um cobrador de impostos para o seu seguimento e
comer na casa dele com outros cobradores de impostos e pecadores foi visto como
ápice de seu mau comportamento, para as pessoas muito devotas da época. Eis o
que diz o evangelista: «Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos
discípulos: ‘Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e
pecadores?’» (v. 11). Como se vê, Jesus é questionado e denunciado por
causa de suas companhias, por se juntar com quem a religião e a sociedade
tinham excluído. Enfim, por suas escolhas, Jesus estragava sua própria
reputação perante as pessoas consideradas de bem na sua época, como os
fariseus. Inclusive, os fariseus poderiam questioná-lo diretamente, mas não o
fazem por covardia, e questionam os discípulos. No entanto, «Jesus ouviu
pergunta e respondeu: ‘Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os
doentes» (v. 12). A pergunta foi feita aos discípulos, mas Jesus se
antecipa para respondê-la, afinal, o tema do questionamento era sua própria
pessoa com seu comportamento. E ele responde com um provérbio popular de grande
circulação na época, que põe o médico a serviço dos doentes, como parábola do
seu agir misericordioso em favor dos mais necessitados de acolhida,
compreensão, perdão e amor. Nisso, ele se apresenta como o médico de um mundo
doente, ferido, carente de humanização. E a doença mais grave identificada por
ele foi a hipocrisia religiosa.
Na
verdade, a resposta de Jesus à crítica dos fariseus é praticamente uma síntese
da sua mensagem e da sua missão. Começa com um provérbio com valor de parábola
(v. 12), passa por uma citação do profeta Oseias e termina com um
esclarecimento do que ele veio fazer no mundo: «Aprendei, pois, o que
significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para
chamar os justos, mas os pecadores”» (v. 13). A citação de Oséias é
exclusiva do Evangelho de Mateus. Quando Marcos e Lucas narram a vocação de
Levi, personagem correspondente a Mateus no Primeiro Evangelho, eles não citam
o texto profético. Isso revela uma familiaridade maior do primeiro evangelista
com o Antigo Testamento. O comportamento de Jesus revela o rosto misericordioso
do Pai, e Oséias foi o profeta que mais antecipou essa revelação, com sua
pregação e sua própria experiência matrimonial. Com essa citação – ‘Quero
misericórdia e não sacrifício’ (Os 6,6) –, Jesus revela quem é Deus e
denuncia a hipocrisia dos fariseus: a religião deles, baseada no cumprimento
dos preceitos e carente de misericórdia, não estava de acordo com a vontade de
Deus. Acima de tudo, Deus quer amor, compaixão e misericórdia, ao invés de
ritos, preceitos e sacrifícios. Com isso, ele indica que a misericórdia deve se
sobrepor a qualquer rito ou preceito na comunidade cristã. Na conclusão, Jesus
dá a razão da sua vinda ao mundo, o que justifica o seu comportamento: «eu
não vim ao mundo para chamar os justos, mas os pecadores» (v. 13b). Ora, se
sua missão é salvar, é justo que ele busque quem era considerado perdido, e foi
isso que ele fez em sua vida terrena. E a Igreja, como continuadora da sua
missão, deve também fazer o mesmo. Por isso, é necessário agir com
misericórdia, acima de tudo. Só se converte quem antes se sente amado,
acolhido, compreendido. Foi assim que Mateus se sentiu quando Jesus olhou para
ele.
É
muito relevante que, neste domingo de retomada do tempo comum, o
evangelho seja mesmo esse. É um texto que nos adverte sobre o que é essencial
na vida de uma comunidade cristã, recordando-nos que nenhum tipo de exclusão e
preconceito condiz com a mensagem de Jesus. O chamado de Mateus é um alento de
esperança. Significa mais uma demonstração de que o Reino dos Céus inaugurado
por Jesus é aberto a todos e todas. Ninguém deve se sentir excluído e muito
menos autorizado a excluir alguém. E, ainda inebriados pela beleza e
sofisticação de tantas celebrações e cortejos em honra ao Corpo e Sangue de
Jesus Cristo, a refeição festiva celebrada na casa de Mateus vem nos recordar o
verdadeiro tipo de banquete em que o Senhor realmente quer se fazer presente,
seja como alimento, seja como partícipe.
Dia 07
Em alguns
momentos, é necessário que sua paciência seja redobrada, para que o nervosismo
não tome conta de você.
Nesses
instantes, é importante não perder a calma.
Para isso,
tente manter pensamentos positivos, evite o acúmulo de atividades profissionais
e pratique exercícios de meditação.
Principalmente,
mude a maneira de encarar a vida.
Se agir
desse modo, você se tornará novamente dono de seus atos.
Esteja
sempre atento para que seus atos sejam condizentes com suas palavras.
“Alegre-se
meu coração na tua salvação e cante ao Senhor, pelo bem que me fez”. (Sl
13[12],6b).



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