EVANGELHO DO DIA 14 JUNHO 2026 - 11º DOMINGO DO TEMPO COMUM
14 junho - Vinde, Espírito de verdade, iluminar as nossas mentes! Vinde, Espírito de alegria, consolar os nossos corações! Vinde, Espírito de piedade, despertar em nossas almas sentimentos vivíssimos de amor a Jesus! (S 347). São José Marello
Jesus chamou seus doze discípulos e os enviou.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 9,36-10,8
Naquele tempo:
36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas,
porque estavam cansadas e abatidas,
como ovelhas que não têm pastor.
Então disse a seus discípulos:
37'A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.
38Pedi pois ao dono da messe
que envie trabalhadores para a sua colheita!'
10,1Jesus chamou os doze discípulos
e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus
e para curarem todo tipo de doença e enfermidade.
2Estes são os nomes dos doze apóstolos:
primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão;
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João;
3Filipe e Bartolomeu;
Tomé e Mateus, o cobrador de impostos;
Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes,
que foi o traidor de Jesus.
5Jesus enviou estes Doze,
com as seguintes recomendações:
'Não deveis ir aonde moram os pagãos,
nem entrar nas cidades dos samaritanos!
6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!
7Em vosso caminho, anunciai:
O Reino dos Céus está próximo'.
8Curai os doentes, ressuscitai os mortos,
purificai os leprosos, expulsai os demônios.
De graça recebestes, de graça deveis dar!
Palavra da Salvação.
Reflexão para o 11º Domingo do Tempo
Comum
Mateus 9,36–10,8 (Ano A)14 jun 2026
Neste décimo primeiro domingo do tempo comum, a liturgia retoma a leitura sequencial do Evangelho segundo Mateus, interrompida desde o início da quaresma até a solenidade da Santíssima Trindade, celebrada no domingo passado. O texto proposto para hoje – Mt 9,36–10,8 – compreende o envio dos doze apóstolos em missão, por Jesus, para sanar a situação de abandono do povo de Israel, devido à negligência e corrupção de seus líderes, os dirigentes políticos e religiosos que fugiram das responsabilidades de pastores. Esse envio é fruto do olhar compassivo de Jesus, que não fica indiferente diante das situações de abandono e opressão pelas quais passam os seres humanos. Jesus sempre toma iniciativas que visam a transformação de todas as situações de ameaça à vida. E essa postura deve ser a mesma da comunidade cristã em todos os tempos.
A nível de contexto, podemos observar que se trata
de um texto de transição entre uma seção narrativa e um discurso de Jesus. Por
sinal, a alternância entre narrativa e discurso é uma das principais
características literárias do Evangelho segundo Mateus. O texto compreende,
pois, a conclusão da seção narrativa que sucedeu ao discurso da montanha (Mt
8,1–9,38) e a introdução de um novo discurso, o chamado “discurso missionário”
ou “apostólico” (Mt 10), composto pelo envio missionário e uma série de
instruções e advertências sobre a missão; esse é o segundo dos cinco discursos
atribuídos a Jesus em Mateus. Para compreender melhor o texto, é importante
recordar também o que afirma o versículo que o antecede, que sintetiza a missão
de Jesus até então: “Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em
suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença
e enfermidade” (9,35). O que Jesus irá fazer nos versículos seguintes,
correspondentes ao evangelho de hoje, é habilitar os seus discípulos como
cooperadores da sua missão, para fazer o mesmo que ele fazia.
Podemos perceber, ao longo dos Evangelhos, que são
sempre as situações concretas que motivam a ação e a pregação de Jesus. Ele
nunca parte de meras abstrações, mas da realidade. O texto de hoje é uma boa
demonstração disso. Olhemos, então, para o início, compreendendo os três primeiros
versículos: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam
cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus
discípulos: (v. 36) ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. (v. 37)
Pedi, pois, ao dono da messe que que envie trabalhadores para a sua colheita!”
(v. 38). A itinerância da atividade de Jesus (Mt 9,35) lhe permitia conhecer
com profundidade as situações em que o povo se encontrava. Seu 0lhar nunca era
superficial, mas sempre profundo. Jesus contempla um povo abandonado, oprimido
e maltratado; é isso o que significa a expressão “as multidões cansadas e
abatidas”; não se trata de um cansaço físico e desânimo, mas de uma situação
deplorável de abandono e miséria. A comparação com ovelhas que não tem pastor é
a prova disso. A ovelha era considerada o animal símbolo de vulnerabilidade e
dependência; não possuía nenhum mecanismo de defesa; dependia essencialmente
dos cuidados dos pastores. Logo, ovelha sem pastor é imagem de completo
abandono; com essa imagem Jesus descreve a situação do povo e, ao mesmo tempo,
faz uma dura denúncia às classes dirigentes da época, tanto religiosas quanto
políticas, responsáveis pelo abandono do povo.
Ao ver as multidões abandonadas, “Jesus
compadeceu-se”, ou seja, sentiu compaixão, misericórdia. Não se trata de um
mero sentimento, mas de algo muito mais profundo. O evangelista emprega aqui o
verbo que expressa a máxima misericórdia de Deus (em grego: σπλαγχνίζομαι –
splanknízomai), que significa literalmente “contorcer-se nas entranhas”; para a mentalidade hebraica, as entranhas ou vísceras são o
núcleo mais íntimo e profundo do ser humano. É uma realidade mais profunda até
do que o coração, e é de lá que brota a misericórdia de Deus. E, mais do que
sentimento, a misericórdia de Deus é ação libertadora. Do núcleo mais íntimo de
Deus é desencadeada a missão, incialmente de Jesus, e compartilhada por ele com
toda a comunidade cristã, tendo em vista a libertação do povo abandonado e
explorado pelos sistemas dominantes nos âmbitos da economia, da política e da
religião. Compadecido com a situação das multidões, Jesus não se desespera e
nem se conforma; e é muito importante essa sua postura. Antes de tudo, ele
reforça sua confiança no Pai, o dono da messe, outra imagem aplicada às
multidões, a exemplo de ovelhas. A messe é a lavoura que está pronta para ser
colhida, não pode mais esperar, pois pode perder-se. Aplicada às multidões
abandonadas, significa que aquela situação exige uma atitude urgente; sem uma
intervenção salvadora, o povo perecerá. É importante que os discípulos e
discípulas de todos os tempos tenham a sensibilidade de perceber as situações
que necessitam de intervenção urgente, como a fome, as doenças, as manipulações
ideológicas e tantos outros males. Diante disso, Jesus concilia a confiança no
Pai com atitudes concretas: a designação de operários para a colheita, o que
faz com o envio dos discípulos transformados em apóstolos.
A messe é de Deus, quer dizer, é a Deus que o povo
pertence, mas para que não se perca é necessária a colaboração humana. Por
isso, “Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsar os
espíritos maus e para curar todo tipo de doença e enfermidade” (10,1). A
iniciativa de chamar os discípulos é uma advertência: o discipulado não é puro
voluntarismo e nem hereditário; a iniciativa é sempre de Deus. Jesus está pondo
em prática os efeitos da oração exigida antes: que os discípulos pedissem ao
dono da messe que enviasse operários para a colheita. Como o enviado de Deus
por excelência e intérprete autêntico da sua vontade, Jesus mesmo envia,
compartilhando com seus discípulos a mesma autoridade recebida de Deus.
“Expulsar espíritos maus e curar todo tipo de enfermidade” é uma imagem que
significa o compromisso dos discípulos e discípulos de Jesus, em todos os
tempos, de lutar contra todo o tipo de mal que ameaça a vida humana em sua
integridade. É o esforço da comunidade cristã para abolir as forças do mal do
mundo. Pela primeira e única vez, Mateus chama os doze primeiros discípulos de
apóstolos (10,2), termo que significa “enviados”. Literalmente, apóstolo é uma
pessoa enviada para representar fisicamente aquele que lhe enviou, inclusive em
processos. Antes de ser apóstolos eles são discípulos. Também é a primeira e
única vez em que ele elenca os nomes dos doze, começando por Simão, chamado
Pedro, e terminando com Judas, o qual se desintegrará do grupo após a traição,
durante o processo (10,2-4). Não se trata de uma lista hierárquica, bem como a
designação de discípulos em apóstolos não é uma promoção, mas um compromisso: é
a responsabilidade de todos os cristãos e cristãs de estar com Jesus e, ao
mesmo tempo, ser a sua presença no mundo, especialmente restituindo vida e
dignidade a quem se encontra em estado de abandono.
Após o elenco dos nomes, o evangelista passa às
atribuições dos doze, enquanto enviados, iniciando a sequência de instruções
que se estenderá por todo o capítulo, e hoje temos a oportunidade de ler as
primeiras: “Jesus enviou estes doze com as seguintes recomendações: “Não deveis
ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! (10,5) Ide,
antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!” (10,6). As primeiras
recomendações dizem respeito à circunscrição da primeira missão: os discípulos
devem ir exclusivamente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ora, a
designação de Israel como primeiro destinatário da missão apostólica não
significa um privilégio histórico, tampouco uma tentativa de reconstrução do
povo da aliança, mas uma necessidade. Mais do que qualquer outro povo, eram os
israelitas que estavam abandonados, o que significa que, de todos os dirigentes
do mundo, eram os líderes de Israel os mais pervertidos. Por isso, era Israel o
povo mais abandonado e, consequentemente, o mais necessitado de libertação.
Seus líderes tinham fugido das responsabilidades de cuidar do povo, o que já
era motivo de denúncias há muitos séculos, desde os profetas, como o exemplo de
Ezequiel, que denunciou os pastores que cuidaram de si mesmos, ao invés de
cuidar do rebanho (Ez 34). Ora, de todas as formas de dominação, a pior é a
dominação religiosa, e Jesus tinha consciência disso. Por isso, sua primeira
iniciativa foi promover a libertação de quem estava sendo explorado em nome de
Deus.
Na sequência, o evangelista descreve o conteúdo e o
agir dos apóstolos, deixando claro que não se trata de uma teoria ou doutrina,
mas de um anúncio acompanhado de consequências práticas: “Em vosso caminho,
anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’ (10,7) Curai os doentes, ressuscitai
os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios” (10,8a). A mensagem que
os discípulos devem anunciar é a mesma de Jesus, desde o anúncio do seu
ministério (Mt 4,17): a chegada do Reino dos Céus; o “estar próximo”, aqui, não
significa a temporalidade, mas a materialidade: na pessoa de Jesus, o Reino se
instaura e, enquanto apóstolos, os discípulos são uma extensão da sua pessoa,
logo, neles também o Reino começa a se realizar. Esse Reino é dos Céus porque
sua origem é o amor misericordioso de Deus, mas começa já aqui, onde há pessoas
abandonadas e exploradas, para quem a libertação não pode mais ser adiada. Como
a missão compreende palavras e ações, também os gestos que os apóstolos devem
cumprir são os mesmos que Jesus já estava cumprindo (Mt 4,23; 8,16; 9,35), e
que já tinha sido antecipado no início deste segundo discurso (Mt 10,1): curas,
ressurreição, purificação e expulsão de demônios, ações que evidenciam um mundo
sem males, um mundo onde a vida prevalece.
Os discípulos-apóstolos ou missionários são responsáveis
pela transformação do mundo, sanando as multidões abandonadas e exploradas,
restituindo vida e dignidade. Isso só é possível colocando em prática o
programa de Jesus. Por isso, o evangelista não se cansa de dizer que Jesus
envia os seus discípulos para anunciar e realizar o mesmo que ele fez e pregou,
sem distorções, mas também sem esquecer dos sinais dos tempos. A última
recomendação do evangelho de hoje diz respeito à gratuidade do Reino: “De graça
recebestes, de graça deveis dar!” (8b). Os discípulos e discípulas de Jesus não
são mercadores do sagrado, como tinham se transformado as antigas lideranças de
Jerusalém, e continua acontecendo hoje. Tudo o que a comunidade cristã tem a
oferecer ao mundo é o que recebeu gratuitamente de Jesus. E tudo o que Jesus
recebeu do Pai como dom compartilhou com os seus seguidores e seguidoras que,
por sua vez, também devem compartilhar gratuitamente com o mundo para sanar as
situações de degradação e negação da vida, muitas vezes provocadas por falsos
pastores. É necessário, portanto, olhar o mundo com o mesmo olhar de Jesus,
sentir compaixão e buscar a transformação, na gratuidade do amor misericordioso
de Deus.
Dia 14
Quando
agradece, você demonstra seu valor a quem o favoreceu.
Também
existem outras formas de demonstrar gratidão, como, por exemplo, fazer uma ação
concreta, para ajudar alguém necessitado.
Para
realçar este fato, está a parábola dos leprosos.
Embora
tenham sido dez os curados por Jesus, somente um se lembrou de voltar de
demonstrar seu reconhecimento.
Na carta
de São Paulo aos Efésios, ele se sentiu profundamente tocado por Deus; de seu
coração, brotou este belo hino de ação de graças:
“Bendito
seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e que nos abençoou com toda
bênção espiritual nos céus, em Cristo” (Ef 1,3).
Neste dia,
entoe o belo cântico de ação de graças de Paulo aos Efésios (Ef 1,1-14).
“Prostrou-se
aos pés de Jesus e lhe agradeceu. E este era um samaritano”.
(Lc
17,16).



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