Evangelho do dia 6 junho sábado 2026
06 junho - A caridade é o vínculo da unidade. (L 76). São Jose Marello
Marcos 12,38-44
"Uma grande multidão escutava com prazer o que Jesus ensinava. Ele dizia ao povo:
- Cuidado com os mestres da Lei! Eles gostam de andar para lá e para cá, usando capas compridas, e gostam de ser cumprimentados com respeito nas praças; preferem os lugares de honra nas sinagogas e os melhores lugares nos banquetes. Exploram as viúvas e roubam os seus bens; e, para disfarçarem, fazem orações compridas. Portanto, o castigo que eles vão sofrer será pior ainda!"
Meditação:
Jesus,
em Jerusalém, encerra seu ministério com duras palavras contra o sistema do
Templo. Ensinando no próprio Templo, adverte o povo contra a sua exploração por
parte dos escribas, que "devoram as casas das viúvas".
Estes
ostentam poder e piedade para humilhar o povo simples e mantê-lo sob seu
domínio.
Jesus senta-se em frente ao Tesouro, anexo ao Templo.
As
oferendas que feitas para financiar o funcionamento e a conclusão das obras
ornamentais do Templo eram uma notável mostra de piedade aos olhos da maior
parte dos judeus no temo de Jesus. Enquanto os fanáticos religiosos olharam com
desprezo e os críticos consideraram superficial a oferenda da pobre viúva, Jesus
descobre a sabedoria por detrás desse gesto.
A atitude da viúva, elogiada por Jesus, é a mostra mais extraordinária da
sinceridade e convicção da religião popular. Jesus toma este exemplo, não para
exortar seus discípulos a incrementar suas doações ao Templo, mas como mostra
de piedade e sabedoria que bem podem caminhar para a edificação de outros seres
humanos. A generosidade da viúva é a medida da generosidade do cristão para com
a causa de Jesus.
Já não se trata de dar dinheiro para comprar pedras, mas dar do necessário para
viver para que outras pessoas possam viver. Assim se supera a lógica positiva,
mas insuficiente, do “viva e deixe viver” para “viva e faça viver”. Não há
superioridade entre a religião oficia e a religião popular. Vivencia simples da
fé não significa uma religiosidade deficiente ou alienante.
Marcos
confronta de forma magistral a atitude dos escribas que exibem seu poder, e a
atitude de uma anciã que dá ao Templo tudo que tem para viver.
Aos
primeiros, somente lhes interessa praticar uma religião baseada no dinheiro que
não exige deles esforço nem sacrifício algum.
A
segunda é destituída de solenidade. Para começar, é uma mulher; portanto, deve
se submeter aos homens. É provável que seja anciã, o que a marginaliza mais
ainda.
O
que nos diz o evangelho é que é viúva e pobre; quer dizer, excluída
absolutamente do sistema de pureza legal. Não tem segurança alguma para viver.
O
texto também assinala um contraste diametral entre o que lançavam os ricos no
cofre de esmolas do Templo, e as moedas de muito pouco valor que a mulher havia
dado.
O
evangelho diz-nos que os escribas e fariseus fazem ostentação da sua
suposta bondade. Dão esmolas, tocando a campainha; rezam no templo à frente e
em tom de grandiosidade; ocupam os primeiros lugares, etc.
Acautelai-vos dos escribas. Eles gostam de passear com longas vestes e de
receber cumprimentos nas praças. Querem os primeiros assentos nas sinagogas e
os primeiros lugares nos banquetes.
Logo a seguir conta-nos a história da viúva que, dando a mais pequena das
moedas, dava tudo quanto tinha. Foi uma atitude que Jesus apreciou e dela fez o
elogio aos seus discípulos. A esmola da viúva, modesta no seu valor, foi a de
maior significado. A Misericórdia é uma virtude moral pela qual uma pessoa se
dedica à outra com compaixão, dando ajuda espiritual e material na medida das
suas posses.
O mérito não está na grandeza ou pequenez da nossa oferta à Deus. Mas sim em
como o fazemos.
Os mestres da Lei, por exemplo, prevalecendo-se da estima que gozavam do povo,
tornavam-se vaidosos e inescrupulosos. Sentiam prazer em ser reconhecidos como
pessoas altamente consideradas. Sendo assim, abusavam da boa fé e da
hospitalidade das pobres viúvas, passando longas horas de oração na casa delas,
só para comer do bom e do melhor. Com prazer jogavam consideráveis esmolas no
tesouro do templo, para serem vistos e louvados pelos presentes. Tal esmola,
porém, embora valiosa em termos monetários, não tinha valor para Deus.
Bem diferente era o destino e a situação da pobre viúva que, tendo oferecido
apenas algumas moedinhas, fez um gesto altamente agradável a Deus, porque
marcado pela simplicidade e pela discrição. Talvez, só Jesus a tenha observado.
A viúva não ofereceu do seu supérfluo. Antes, abriu mão do que lhe era
necessário, para fazer um gesto agradável a Deus. Por isso, seu pouco se tornou
muito aos olhos de Jesus. Por que Deus vê o coração, sabe a tua dor, as tuas
aflições e necessidades.
Jesus sabe daquilo que eu e tu podemos doar. Ele acredita no meu e no teu
potencial e preparou muitas coisas que somente eu e tu pode resolver. Mas eu e
você ainda não demos tudo o que podíamos e por isso continuamos amarrado,
muitas vezes infelizes. Não sejamos egoístas, mas generoso. Diga o seu sim e dê
tudo àquilo o que tu podes e deve dar. Siga o exemplo da viúva e veja como ela
agradou a Deus. Se assim fizer também a sua oferta será agradável a Deus!
Reflexão Apostólica:
Muitas vezes temos em nosso coração um desejo sincero de ajudar os
mais necessitados, procurando dar tudo aquilo que elas precisam: construir uma
casa para a não tem teto, dar alimento a passa fome, pagar tratamento médico a
quem é dependente químico, porém não dispomos dos recursos para fazer essas
coisas maravilhosas! A verdade é que a maioria do povo o que a gente ganha, mal
dá para suas necessidades. Muitas vezes construímos castelos na areia “Ah se eu
fosse rico, quanta gente poderia ajudar!”
Essa não é a lógica do Reino de Deus, devemos seguir o exemplo
de São Francisco de Assis, que primeiro livrou-se da riqueza da qual era
possuidor e para doar-se totalmente aos pobres, fez-se mendigo para socorrer os
que tinham necessidades.
Nas campanhas de solidariedade, que são bem vindas por aqueles que
necessitam, geralmente damos aquilo que está nos sobrando, sem sombra de
dúvidas que essa é uma ação válida e de caridade, pois pecado maior comete
quando não se dá nem aquilo que sobra; mas o Evangelho que acabamos de
ouvir nos relata um gesto muito mais grandioso que é DAR DO PRÓPRIO SUSTENTO,
DAQUILO QUE MUITAS VEZES VAI NOS FAZER FALTA!
No tempo de Jesus, viuvez era sinônimo de desamparo, pois quando
morria o marido, todos os seus bens passavam ao parente mais próximo porque as
mulheres não podiam ficar com nada e, elas passavam a viver da caridade dos
outros.
O evangelho conta que a viúva chamou a atenção de Jesus
na hora da oferta, colocou duas moedinhas de menor valor monetário, seria a de
cinco centavos para nós, que era tudo o que possuía.
Quando o gesto de doar, implica em uma perda, então estamos
fazendo o que Jesus nos pede. Na verdade, essa viúva acabou fazendo aquilo
Jesus iria fazer: dar tudo o que Ele tinha - sua própria vida - para garantir a
salvação dos homens.
Portanto, não se trata apenas de dar bens materiais, de dar esmolas,
mas dar tudo aquilo que Deus nos deu, tudo o que somos e temos e que deve ser
partilhado com os irmãos, por exemplo, o nosso tempo, algo que é tão precioso;
vivemos no corre-corre e alegando a falta de tempo quando deixamos de fazer uma
boa obra, não fomos visitar um enfermo, não fomos visitar um amigo que está
passando dificuldades, deixamos de dar um tempo de atenção a quem precisa, não
fomos a um velório levar uma palavra de consolo aos familiares do falecido,
tudo isso deixamos de fazer alegando que não tivemos tempo isso é, só pensamos
em nós e nas coisas de nosso interesse.
Na fé
Se não formos capazes de praticar gestos como este, na nossa
relação com Deus e com o nosso próximo, a nossa conduta está muito parecida com
a dos escribas, que na comunidade se faziam de importantes, aparentavam ser
muito piedosos, orgulhando-se da “Vida cristã” que viviam, mas ainda estavam
muito longe de Deus. E com gente assim o juízo será muito mais rigoroso,
adverte-nos este evangelho.
Dia 06
Dependendo
do modo como são realizadas, as atividades diárias podem se tornar um peso ou
um ato de muito amor.
Por
isso, dedique-se plenamente a seu trabalho, e verá com satisfação o resultado
de seus esforços.
“O
trabalho é amor feito presente” (K. Gibran).
“O
agricultor, que enfrenta o trabalho duro, deve ser o primeiro a participar dos
frutos”. (2Tm 2,6).


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