25 - Por que não realizar em nós o que desejamos nos outros? Ó Senhor, ajudai-nos a dar o primeiro passo, que nos introduza definitivamente no caminho da perfeição, até agora apenas margeado e ainda nunca perseguido com resolução. Sim, seja qual for o estado presente da nossa consciência, temos necessidade urgente de mudar de vida. (L 36). SÃO JOSE MARELLO
Mateus 4,12-23
12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a
Galileia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às
margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali,
para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de
Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão,
Galileia dos pagãos! 13O povo que vivia nas trevas viu uma grande
luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí
18Quando Jesus andava à beira do mar da
Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam
lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles:
“Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles
imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
21Caminhando um pouco mais, Jesus viu
outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca
com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles
imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23Jesus andava
por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino
e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
REFLEXÃO PARA O 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – MATEUS 4,12-23 25 jan 2026 (ANO
A)
Com a liturgia deste terceiro domingo do tempo
comum, iniciamos a leitura semi-contínua do Evangelho de Mateus, a qual será
interrompida após o sétimo domingo, para a vivência dos tempos da Quaresma e da
Páscoa, e retomada somente depois da solenidade da Santíssima Trindade, já no
décimo primeiro domingo. Durante esse intervalo – quaresma, páscoa e
solenidades pós-pascais – também serão lidos trechos do Evangelho de Mateus,
mas de modo aleatório, como acontece também nos tempos do advento e do Natal,
intercalando com os demais evangelhos. No ano de 2019, o papa Francisco
instituiu o terceiro domingo do tempo comum como o “Domingo da Palavra de
Deus”, com o objetivo de promover uma aproximação maior das pessoas com a
Palavra de Deus, evidenciando sua centralidade na vida da Igreja e ainda
visando despertar o interesse pelo estudo das Sagradas Escrituras. Na Igreja do
Brasil, particularmente, o “Domingo
da Palavra de Deus” ainda não foi bem assimilado como tal, pois já havia
o “dia da Bíblia”, celebrado no último domingo de setembro, o mês da
Bíblia, uma tradição bastante consolidada em nossas comunidades.
O texto lido hoje – Mateus 4,12-23 – marca, de
fato, o início do ministério de Jesus na Galileia, tendo sido profundamente
preparado pelos episódios anteriores: o batismo no Jordão (Mt 3,13-17) e as tentações
no deserto (Mt 4,1-11). No contexto litúrgico da Igreja no Brasil, o que nos
preparou para lermos o evangelho de hoje foi o testemunho de João, o Batista,
apontando Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” e como “o
Filho de Deus”, conforme o trecho do Quarto Evangelho lido no domingo passado
(Jo 1,29-34). O episódio das tentações (Mt 4,1-11) será lido somente no
primeiro domingo da quaresma. O texto de hoje é programático; nele são
delineadas as principais linhas de todo o ministério de Jesus, ficando muito
claro quais serão os principais destinatários da sua missão libertadora e o
conteúdo da sua pregação. Pela extensão do texto, não conseguiremos comentar de
maneira minuciosa versículo por versículo, mas colheremos a mensagem central.
Partimos do primeiro versículo, pois além de nos
situar no tempo e no espaço, ele apresenta elementos importantes para a
compreensão do restante do texto: «Ao saber que João tinha sido preso,
Jesus voltou para a Galileia» (v. 12). A prisão de João se torna um
divisor de águas na vida de Jesus. Além de marco cronológico para o início da
sua missão, é também um sinal de qual será o seu destino, assim como o de
praticamente todos os profetas: a perseguição. Do ponto de vista geográfico, o
retorno à Galileia está relacionado aos episódios do batismo e das tentações,
vividos no Jordão e no deserto, ambos localizados na região da Judeia. Mas
significa muito mais do que isso. Antes de tudo, significa que a missão de
Jesus não será uma repetição da missão de João. Ora, se João pregou na Judeia e
Jesus vai para a Galileia iniciar lá o seu ministério, significa que há
descontinuidade entre os dois. O programa de vida de Jesus é completamente
novo. A Galileia era uma região periférica, uma terra má afamada, conhecida
pela pouca ortodoxia do seu povo. Logo, o início da missão de Jesus nessa
região indica que os primeiros destinatários da sua mensagem são as pessoas
excluídas e marginalizadas, gente sem boa reputação.
Mesmo ciente da novidade que Jesus inaugura, assim
como fez no “evangelho da infância” (Mt 1–2), o evangelista apresenta a sua
missão, desde o início, como cumprimento das profecias, por necessidade da sua
comunidade. Por isso, ele explica o início na Galileia à luz das
Escrituras: «Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens
do mar da Galileia, no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que
foi dito pelo profeta Isaías» (v. 13-14). A mudança de Nazaré para
Cafarnaum é estratégica. Nazaré era apenas um pequeno povoado, o que na
linguagem bíblica representa fechamento de mentalidade, conservadorismo
exagerado e apego às tradições. Com uma mensagem tão libertadora como a sua,
dificilmente Jesus seria aceito e compreendido lá, como atesta, inclusive, o
evangelista Lucas, ao dizer que após a primeira pregação de Jesus em Nazaré já
quiseram matá-lo (cf. Lc 4,16-30). Já Cafarnaum, cujo nome significa “aldeia da
consolação”, era uma cidade média e um importante entreposto comercial.
Localizada às margens do lago de Genesaré, o que Marcos e Mateus chamam de mar
da Galileia, provavelmente por questões teológicas, Cafarnaum era um centro de
circulação de pessoas, de mercadorias e de ideias. Isso facilitava também os
constantes deslocamentos de Jesus para pregar em outros lugares. Pessoas de
diversas proveniências passavam constantemente por Cafarnaum. Num cenário
assim, a Boa Nova de Jesus circularia melhor, o que não significa que tenha
havido uma acolhida unânime. É interessante recordar que, embora todos os
evangelistas apresentem Cafarnaum como um dos cenários da atuação de Jesus,
somente Mateus diz que ele fixou morada lá.
Como a comunidade de Mateus era fortemente
influenciada pelo judaísmo, ele foi buscar no profeta Isaías (Is 8,23 – 9,1)
uma passagem que justificasse essa opção tão revolucionária de
Jesus: «Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do
outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que vivia nas trevas viu
uma grande luz» (vv. 15-16). Zabulon e Neftali foram as primeiras tribos
invadidas pelos assírios no séc. VIII a.C., onde começou a miscigenação da
população, fazendo a Galileia toda ser chamada de “Galileia dos pagãos”. Ora,
tanto o exército da Assíria deportou parte da população local, quanto levou
povos estrangeiros para habitar na Galileia, fazendo nascer um grande
sincretismo. Isso levou a população de Jerusalém e de toda a Judeia a criar um
preconceito histórico contra os galileus, tratando-os como gente inferior,
pessoas praticamente excluídas da salvação. No entanto, foram as pessoas dessa
região que Deus escolheu para conhecerem primeiro a sua luz que brilha em
Jesus. Isso é um fato bastante revolucionário: A grande luz de Deus não foi
acesa para os judeus considerados puros, frequentadores assíduos do Templo de
Jerusalém, mas para um povo desprezado, para as vítimas de preconceitos e
exclusão, gente considerada impura. O começo do ministério de Jesus na Galileia
significa, portanto, a sua identificação com os marginalizados em geral.
Tendo apresentado o cenário e os destinatários
primeiros do ministério de Jesus, o evangelista apresenta a sua mensagem, o
conteúdo da sua pregação: «Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo:
‘Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo’» (v. 17). O chamado
à conversão e o anúncio do Reino são o centro da mensagem de Jesus. Mateus
chama de “Reino dos Céus” a mesma realidade que os demais evangelistas chamam
de “Reino de Deus”. Provavelmente, ele evita usar aqui o nome de Deus para não
ferir a sensibilidade dos judeus, tão enraizada na sua comunidade. Esse Reino é
uma sociedade alternativa, é o sonho de Deus para a humanidade. Ele é dos céus,
porque foi todo pensado por Deus, mas seu destino é a terra, é a história. Não
se trata de uma vida futura, mas é viver a vida presente conforme o projeto de Jesus.
O Reino dos Céus é, portanto, um projeto de mundo e sociedade onde haja
igualdade, fraternidade, amor, concórdia, solidariedade e paz; é um mundo sem
preconceitos e nem exclusões.
A instauração desse Reino na terra é tão urgente e
necessária que, um pouco mais adiante, o próprio Jesus ensinará os discípulos a
pedirem ao Pai, em oração, que “Venha o teu Reino” (Mt 6,10), ao ensiná-los a
rezar o Pai nosso. Toda a práxis de Jesus é manifestação desse Reino, porque
ele mesmo é o Reino em pessoa. Por isso, ele diz que o Reino está próximo, pois
ele está presente no mundo e está prestes a iniciar a sua missão libertadora,
marcada pela prática do bem. E a sua práxis deve ser continuada pelos seus
discípulos de todos os tempos. Para abraçar um projeto como esse é necessária
uma mentalidade nova. Por isso, o anúncio do Reino é precedido do imperativo
“convertei-vos” (em grego: μετανοεῖτε –
metanoeite). Conversão significa uma mudança radical de mentalidade, e não uma
simples intensidade nas práticas religiosas e devocionais; é olhar o mundo de
maneira nova e adotar um novo estilo de vida. E a lógica do Reino exige isso.
A instauração do Reino é tão urgente, que Jesus
chama logo seus primeiros quatro colaboradores, duas duplas de irmãos, cujos
chamados se tornam paradigma vocacional válido para todos os tempos. Eis o
relato dos dois primeiros: «Quando Jesus andava à beira do mar da
Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam
lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: ‘Segui-me, e
eu farei de vós pescadores de homens’. Eles imediatamente deixaram as redes e o
seguiram» (vv. 18-20). O cenário do chamado dos primeiros discípulos é o
mar, embora se tratasse de um grande lago, apenas. O evangelista chama de mar
por razões teológicas. Para a mentalidade bíblica, o mar era a morada do mal,
sinônimo de perigo e morte. Propositalmente, é nesse ambiente que Jesus escolhe
as primeiras pessoas para o seu seguimento: os irmãos Simão Pedro e André. Ele
não vai a um ambiente cultual recrutar devotos, mas vai onde há gente sem
reputação e sinais de perigo e morte. Embora não vivessem mal economicamente,
pois a pesca era uma atividade rentável, os pescadores não gozavam de nenhum
prestígio social, pois o contato com o mar tornava a atividade depreciativa.
Como se vê, o chamado de Jesus acontece no
cotidiano: os pescadores são chamados enquanto lançam as redes. Isso serve para
ilustrar a necessidade de adotar um novo estilo de vida para seguir Jesus e,
consequentemente, inserir-se no Reino. O deixar as redes imediatamente para
seguir Jesus (v. 20) significa exatamente a passagem de um estilo de vida para
outro. O convite a ser “pescadores de homens” (v. 19) deve ser bem esclarecido,
pois é muito fácil de ser deturpado, como tem sido, inclusive. Ora, muitas
vezes, usa-se essa expressão para justificar proselitismos e até imposição de
crenças, o que não combina com o projeto de Jesus. Como afirmamos
anteriormente, o mar tem um sentido muito negativo para o mundo bíblico; é sinônimo
de perigo, pois evoca o domínio do mal. Ser “pescador de homens” (de gente!),
portanto, é ser sinal de vida, e assim é a missão dos seguidores de Jesus em
todos os tempos: tirar homens e mulheres de condições desumanas; é restituir a
dignidade às pessoas, combatendo todos dos tipos de mal que assolam o mundo,
como a violência, a corrupção, a fome e as injustiças. O seguimento de Jesus
exige o comprometimento com essa causa.
Na continuidade, o evangelista apresenta o chamado
de mais uma dupla de irmãos: «Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros
dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu e seu irmão João. Estavam na barca com seu
pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. Eles imediatamente deixaram
a barca e o pai, e o seguiram» (vv. 21-22). O cenário continua o mesmo,
mas temos algumas novidades, principalmente nas renúncias. Enquanto Simão Pedro
e André deixaram apenas as redes, o texto diz que Tiago e João deixaram a barca
e o pai. Há, portanto, um crescendo nas exigências. O primeiro chamado
enfatiza a ruptura com a ordem socioeconômica, representada pelas redes (v.
20), enquanto o segundo destaca a ruptura com a estabilidade, representada pela
barca, e o mundo cultural e religioso, simbolizado pelo pai, o chefe de
família. Com isso, o evangelista quer dizer que a relação com Jesus deve ter
precedência sobre todas as instâncias da vida. Também é um sinal de que, ao
longo da história, as exigências para o seguimento de Jesus tendem a aumentar
cada vez mais, conforme os sinais dos tempos.
Na conclusão, o evangelista apresenta um primeiro
resumo da missão de Jesus, recordando o caráter itinerante do seu
ministério: «Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas
sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e
enfermidade do povo» (v. 23). Como se vê, é uma atividade dinâmica,
própria de quem não vive acomodado, mas vai ao encontro das pessoas, onde há
necessidade. Além de sintetizar a atividade de Jesus, esse versículo também
exprime a natureza da “pesca de homens” para a qual ele chamou os discípulos:
“curar todo tipo de doença e enfermidade do povo”, o que significa esforçar-se
constantemente para que as pessoas sejam libertadas de todos os males que ferem
a dignidade de filhos e filhas de Deus. E é para isso que aponta a Palavra de
Deus em sua inteireza: o cuidado com a vida.
Dia 25
No
interior de cada pessoa, existe uma energia muito intensa.
Alguém já
pensou no grande poder de realização do pensamento positivo?
Espalhar
ao redor sementes de alegria, otimismo, bondade e amizade; oferecer a mão ao
próximo para ajudá-lo
na
trajetória da vida; ser luz no caminho dos irmãos; proferir palavras
encorajadoras a uma pessoa desanimada; realizar muitas atividades em benefício
próprio e dos semelhantes.
Se você
quiser, tudo é possível, mas sempre com a graça de Deus.
Siga em
frente, ouvindo o que lhe sugere a bondade de seu coração.
“Ensina-me
a cumprir tua vontade, porque és meu Deus. Teu espírito bom me guie por uma
estrada plana.” (Sl 143[142],10).


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