11 Jan - “Loquere, Domine!” Fala, Senhor! Qual é o meu dever? Nenhuma curiosidade? Aceito o sacrifício. Nenhum pensamento em que o "eu" se intrometa? Empenhar-me-ei com todas as forças. Nenhuma afeição desordenada? Ah! de hoje em diante quero amar só a Vós, fonte de todo amor! Somente Vós em vossos santos, em Maria, em São José, nos meus Anjos protetores. Somente Vós em vossa Igreja! (S 19) São José Marello
EVANGELHO: Mateus 3,13-17 11 jan 2026
– O
Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio
de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Mateus.
– Glória a vós,
Senhor.
Naquele
tempo, 13Jesus veio da Galiléia para o rio Jordão, a fim de se
encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João
protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”
15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque
nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois
de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito
de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.
17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no
qual eu pus o meu agrado”.
Palavra
da Salvação
– Glória a vós Senhor.
Reflexão para festa do Batismo do
Senhor - Mateus 3, 13-17 (Ano A)
Concluindo o tempo do natal, a Igreja celebra neste domingo a festa do batismo do Senhor. Por estarmos vivenciando o “ano A” do ciclo litúrgico, o evangelho proposto neste ano é Mt 3,13-17. O batismo de Jesus é o marco inaugural da sua vida pública, ou seja, do seu ministério. Porém, sua maior relevância não é cronológica, mas salvífica. Se trata de um evento programático, no qual são reveladas, antecipadamente, a identidade de Jesus e as principais coordenadas da sua missão. A nível de introdução e contexto, é importante recordar que o batismo é um dos eventos narrados pelos evangelhos que os estudiosos vêem com maior probabilidade de ter sido, realmente, um fato histórico da vida de Jesus. Contribui para essa visão o fato de ser um dos poucos acontecimentos presentes nos quatro evangelhos: explicitamente nos sinóticos (Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22) e implicitamente em João (1,19-34).
Além dessa pluralidade literária, o que mais tem
contribuído para a aceitação do batismo de Jesus como um fato real são os
problemas de interpretação deste evento desde as primeiras gerações cristãs.
Ora, se não se tratasse de um fato histórico e importante da vida de Jesus, certamente
os evangelistas o teriam omitido em seus escritos. Os principais problemas e
questionamentos suscitados pela presença do batismo nos evangelhos, observados
por teólogos e exegetas, inclusive, são os seguintes: sendo o batismo,
sobretudo o de João, um rito de purificação destinado aos pecadores
arrependidos, porque Jesus passou por esse rito se não era pecador? Supondo que
o ministro do batismo tem autoridade sobre a pessoa batizada, porque Jesus
aceitou ser batizado por João, se era superior a ele? Questões desse tipo
surgiram muito cedo, inclusive na comunidade de Mateus. Por isso, entre as três
versões do batismo nos sinóticos, a de Mateus é a mais rica; é a única que
contém um diálogo entre João e Jesus, que funciona como resposta a questionamentos
como aqueles recordados acima.
Olhemos para o texto, partindo o seu início: “Jesus
veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser
batizado por ele” (v. 13). Essa informação é muito significativa, pois relata a
primeira ação-movimento de Jesus no Evangelho de Mateus. Até então, no chamado
“evangelho da infância” (Mt 1 – 2), Jesus não tinha feito nada por conta
própria; todo o seu movimento fora conduzido por José e Maria, como na fuga
para o Egito e o retorno à Galileia, para viver em Nazaré (cf. Mt 2,13-19).
Aqui, ele está saindo da vida anônima, vivida supostamente em Nazaré, e começa
a assumir um protagonismo. É relevante que o primeiro movimento de Jesus é em
direção aos pecadores, pois eram esses que estavam sendo batizados por João, no
Jordão (cf. Mt 3,6). A passagem dele pelo batismo é um pretexto para estar
junto dos pecadores, antecipando quem serão os destinatários prediletos da sua
missão: as pessoas pecadoras, pobres e marginalizadas da sociedade e da
religião.
A atividade batizadora de João estava gozando de
grande aceitação popular, atraindo pessoas de toda a Judeia, inclusive gente da
cidade de Jerusalém, o centro do poder político e religioso (cf. Mt 3,5). A
saída das pessoas de Jerusalém indo ao encontro de João para serem batizadas
por ele, confessando os pecados (cf. Mt 3,6), é um verdadeiro atestado de
falência da religião centralizada no Templo. Até mesmo fariseus e saduceus,
membros dos grupos religiosos mais influentes da época buscavam o batismo de
João (cf. Mt 3,7). De acordo com o evangelista, João tinha plena convicção da
provisoriedade do seu batismo: era apenas um rito de purificação e um sinal de
conversão (cf. Mt 3,11). Ora, João sabia que estava para vir o Messias,
portador de um batismo definitivo no Espírito Santo e no fogo, quer dizer, com
uma grande força transformadora, capaz de penetrar no íntimo da pessoa, o que
as águas do rio Jordão não eram capazes.
O evangelista faz de tudo para deixar claro que
Jesus não tinha necessidade de receber o batismo de João, mas o fez em
solidariedade aos pecadores e em obediência ao projeto libertador do Pai.
Inclusive, mostra que até mesmo João reconhecia isso: “Mas João protestou,
dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (v. 14). Mateus é o
único evangelista que traz essa objeção de João, o que dá uma riqueza ímpar ao
seu relato, certamente para responder às necessidades de sua comunidade e
destacar a superioridade de Jesus em relação a João. De fato, esse protesto de
João deixa ainda mais claro que Jesus não tinha necessidade do batismo, pois
não havia pecado nele. Quis recebê-lo em solidariedade aos pecadores, deixando
claro desde o início de seu ministério que toda a sua práxis seria direcionada
especialmente às pessoas mais necessitadas.
À objeção de João, Jesus responde com uma síntese
de todo o seu ministério: “Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Por enquanto deixa
como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!’ E João concordou” (v.
15). Além do rico conteúdo, essa frase contém as primeiras palavras de Jesus no
Evangelho de Mateus. E são palavras programáticas, bastante significativas,
pois contém uma verdadeira síntese da sua missão: “cumprir toda a justiça”. O
verbo “cumprir” e o substantivo “justiça” são duas palavras-chaves para Mateus e
sua comunidade. Cumprir refere-se ao conjunto das Sagradas Escrituras judaicas
(o Antigo Testamento) que encontra sua plenitude na vida e missão de Jesus. Da
concepção até a paixão de Jesus, Mateus diz que as Escrituras se cumprem nele
(cf. Mt 1,22; 2,15.17.23; 4,14; 5,17; 8,17; 12,17; 13,35; 21,4; 26,54.56;
27,9). Se trata de um dos verbos mais repetidos ao longo do Evangelho. Não
significa a execução de ações, mas de levar o projeto libertador de Deus à
plenitude. Em outras palavras, é fazer a vontade do Pai. Justiça é a
conformidade à vontade de Deus; é todo o plano divino de salvação,
compreendendo a predileção de Deus pelos pecadores, pobres e marginalizados. E
João concordou com as palavras de Jesus, como deve concordar também a
comunidade cristã em todos os tempos: é Jesus o cumpridor da justiça, por
excelência.
Na continuidade, afirma o texto que “Depois de ser
batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito
de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele” (v. 16). A abertura dos
céus é uma imagem comum na literatura judaica bíblica e extra bíblica.
Significa, antes de tudo, a disposição de Deus em se comunicar com a
humanidade. Quando os tempos estavam muito difíceis, imaginava-se que Deus
tinha fechado os céus e não mais se comunicava com a humanidade. Quando o
profeta Isaías (Terceiro Isaías) se lamenta do julgo da dominação persa, após o
exílio, expressa o desejo de ver “os céus se rasgando para Deus descer em
socorro” (Is 63,19). A abertura do céu no evangelho de hoje, portanto,
significa que em Jesus a comunicação entre Deus e a humanidade é restabelecida
definitivamente. Já a imagem do Espírito de Deus descendo como uma pomba é uma
novidade na linguagem bíblica, embora alguns estudiosos tenham tentado conciliar
essa imagem com o “pairar” do Espírito de Deus sobre as águas no princípio da
criação (cf. Gn 1,2), ou com a pomba que Noé soltou da arca durante o dilúvio
(cf. Gn 8,8); essas interpretações, no entanto, já não são mais convincentes. O
acontecimento é inovador em tudo, até mesmo na simbologia.
As imagens mais usadas para o Espírito de Deus na
Bíblia são o fogo e o vento (cf. At 2,1-13). Porém, tanto o fogo quanto o
vento, simbolizam o Espírito Santo pela força e capacidade de criação e
transformação; em Jesus essas imagens não teriam sentido, pois o Espírito não
desceu sobre ele para transformá-lo, mas apenas para confirmá-lo como o Filho
amado do Pai, e para tornar pública essa confirmação. O Espírito preenche e
transforma quem é carente dele; em quem já o possui em plenitude, como Jesus,
apenas confirma. Desde a sua geração na eternidade e encarnação no ventre de
Maria, Jesus já possuía o Espírito Santo em plenitude. A pomba evoca
serenidade, tranquilidade, paz e consolo; não causa assombro algum; é esse o
sentido da manifestação do Espírito com essa forma no batismo de Jesus: ele não
foi transformado pelo Espírito naquele momento, porque já era fruto desse mesmo
Espírito.
Mais importante que a imagem em si é a comunicação
restabelecida entre a humanidade e Deus, não passando mais pela mediação das
lideranças religiosas de Jerusalém, mas somente pela pessoa de Jesus. O céu se
abre, Deus fala e afirma que o “seu bem-querer”, ou seja, a sua satisfação, não
está nos inúmeros sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, mas no seu
Filho Amado. Mesmo com ecos antico-testamentários (cf. Is 42,1; Sl 2,7), a
afirmação de Deus aqui é completamente nova de significado, superando todas as
expectativas e promessas: “E do céu veio uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho
amado, no qual eu pus o meu agrado’” (v. 17). O messias que povo esperava era
apenas um servo de Deus e filho de Davi, o que seria um mediador a mais. Deus
envia o seu próprio Filho como único mediador. A voz que sai do céu significa
Deus falando diretamente com a humanidade e que tem prazer por Jesus realizar a
sua vontade; é isso o que significa pôr o agrado nele. Isso é realmente a
inauguração de um novo tempo.
Que a recordação do batismo de Jesus reforce em nós
a necessidade de estarmos em sintonia com o Pai, ouvindo a sua voz com
sensibilidade aos impulsos do Espírito Santo que se manifesta nas diversas
situações cotidianas. Que sejamos confirmados como filhos e filhas de Deus, em
seu amor, para viver como irmãos e irmãs.
Dia 11
Quando
você reza, mas nada acontece, qual é a melhor atitude a ser tomada?
Desistir
ou continuar?
Saiba que,
muitas vezes, essa demora não significa negação; talvez ainda não seja o
momento certo de ser atendido.
Você pode
ainda pensar que seus pedidos são feitos de modo egoísta ou que não fazem parte
da vontade de Deus para sua vida.
Lembre-se
de que ele concede a cada pessoa o tempo e a oportunidade para se preparar
adequadamente.
Por isso,
nunca perca a esperança.
É
importante ser bom para si mesmo.
Encontre
algo que se goste de fazer e dedique-se a isso.
“O temor
do Senhor é o conhecimento iluminado pela piedade.
A piedade
guarda e justifica o coração, e lhe traz alegria e gozo.”
(Eclo
1,17-18)


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