06 JANEIRO – Reavivemos (Despertemos) a nossa fé! Ela é a tocha que nos deve abrir os novos e difíceis caminhos da virtude. ( L 8) SÃO JOSE MARELLO
Leitura do Santo Evangelho segundo São Marcos 6,34-44
" Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão
e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor.
E começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. Já estava ficando tarde, quando
os discípulos se aproximaram de Jesus e disseram: "Este lugar é deserto e
já é tarde. Despede-os, para que possam ir aos sítios e povoados vizinhos e
comprar algo para comer". Mas ele respondeu: "Vós mesmos, dai-lhes de
comer!" Os discípulos perguntaram: "Queres que gastemos duzentos
denários para comprar pão e dar de comer a toda essa gente?" Jesus
perguntou: "Quantos pães tendes? Ide ver". Eles foram ver e disseram:
"Cinco pães e dois peixes". Então, Jesus mandou que todos se
sentassem, na relva verde, em grupos para a refeição. Todos se sentaram, em
grupos de cem e de cinquenta. Em seguida, Jesus tomou os cinco pães e os dois
peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia
dando-os aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu, também, entre
todos, os dois peixes. Todos comeram e ficaram saciados, e ainda encheram doze
cestos de pedaços dos pães e dos peixes. Os que comeram dos pães foram cinco
mil homens."
Meditação:
Olhando a multidão Jesus exprimiu
um sentimento de compaixão porque observava que faltava àquele povo, luz e pão.
Jesus olhava para cada uma daquelas pessoas de um modo profundo e as
compreendia de uma forma completa, corpo, alma e espírito.
Ele sabia que a fome do pão
material não era tudo o que lhes incomodava. A ignorância dos mistérios de Deus
também angustiava as suas almas. “Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”.
Somente depois foi que Ele supriu
a sua necessidade material. Com certeza, Jesus falava para aquele povo de tudo
que Ele ouvira de Deus Pai e do Seu Amor por cada um em particular.
Podemos compreender também hoje
que há dentro de nós uma fome espiritual de conhecimento de Deus e das coisas
que dizem respeito ao nosso relacionamento com o Pai.
Mesmo que o povo continuasse
atento aos Seus ensinamentos, Ele preocupou-se em conceder-lhes o pão material.
Aí então, Ele deu mais um
ensinamento aos Seus discípulos e a nós hoje, também quando estivermos sem
saber como alimentar a “multidão” ao nosso redor.
Primeiramente Ele nos instrui:
“Dai-lhes vós mesmos de comer”. Em seguida Ele nos investiga e quer saber de
nós o que nós já temos consciência de que possuímos a fim de ajudar a alimentar
a multidão.
Por último, Ele nos ensina a nos
organizar, a sentarmos, a dialogar, a trocar ideias e partilhar o que nós
temos. Jesus nos instrui a formar grupos, a trocar experiências, a nos
ajudarmos e põe como fundamento para tudo isto, a compaixão.
Ter compaixão é agir com amor e
com misericórdia. Deus ao nos criar sabia que nós iríamos precisar uns dos
outros e, por isso, nos preparou e nos deu bons sentimentos para que nós os
usássemos em favor dos nossos irmãos.
Você tem fome de conhecimento de
Deus? Você sabe o que a sua alma deseja? Você tem consciência dos pães e dos
peixes que você possui? Você é uma pessoa que sabe viver em grupo? Você sabe
partilhar o que tem?
Reflexão Apostólica:
Vamos voltar a aquela citação do catecismo que enfatizamos ontem, pois
vamos precisar dela novamente: “(…)
Uma multidão de pecadores, de publicanos e soldados, fariseus e
saduceus e prostitutas vem fazer-se batizar por ele. JESUS APARECE, O BATISTA
HESITA, MAS JESUS INSISTE“ (CIC §535)
Um discípulo toma a voz e também HESITA: “(…) Este lugar é deserto, e
já é tarde. Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum
alimento”. E nesse caso também, Jesus INSISTE – “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
Por que digo que ele hesita? Quem fala pelos discípulos nesse episódio
da multiplicação dos pães e peixes é Felipe (Jo5,5-7).
O mesmo Felipe que foi discípulo de João Batista e que pouco tempo
atrás havia dito a Bartolomeu (Natanael): “(…) Achamos aquele de quem Moisés
escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José”
(J 1,45-46).
Ele já havia feito a escolha de seguir Jesus; acreditou e proclamou
que Ele era o messias que deveria e estaria por vir, mas quando se deparou com
um problema, questionou a solução dada pelo Senhor.
Quantas vezes também agimos assim? Somos fieis, temos fé, mas ao
depararmos com um problema um pouco maior que nosso conhecimento ou nossas
forças, deixamos de ouvir a solução que Deus sussurra em nosso coração?
Na verdade, essa nossa falta de fé ou de auto-superação nos impede (ou
poderá nos impedir no futuro) de ver a epifania do senhor nesse problema, na
nossa vida, na nossa realidade.
Sim, o Senhor vai insistir novamente, mas crer Nele advém de uma
mudança de comportamento, ou seja, além de ter fé preciso ver o que tenho e
poderá ser ‘multiplicado”, portanto, buscar soluções, alternativas, atitudes…
Partindo disso abro um parêntese para uma afirmação que fiz ontem:
“(…) Se hoje pouco vemos milagres é por que faltam os que tragam os
peixes”. Mas é muito importante explicar algo – O que é graça e o que é milagre?
O cardeal Saraiva Martins diz: “(…) A graça é uma ajuda divina que se
obtém para o bom êxito das atividades do homem… Uma assistência particular que
Deus concede intensificando as potencialidades naturais; O milagre, por sua
vez, manifesta-se precisamente como um acontecimento que se distingue do
habitual desenvolvimento da realidade”. (Fonte: Site da Canção Nova)
Esse mesmo cardeal afirma que “aqui entramos no mistério de Deus. NÓS
NÃO CONHECEMOS OS PLANOS D’ELE NA ESCOLHA DE QUEM SERÁ ATENDIDO. Conceder uma
graça ou uma cura é um ato livre do Senhor. ELE PEDE-NOS TOTAL CONFIANÇA”.
Então a de convir que faltam ainda aqueles que tragam os peixes; que
saiam do campo das palavras e também tenham ações; que não hesitem, que não
temam, que tenham total confiança…; pois é desses, como a diz a canção, os
adoradores, que o Pai precisa. Esta talvez seja a nova epifania que o Senhor
procura
“(…) Eis que é chegada a hora / Os verdadeiros adoradores Adorarão o
Pai em espírito e em verdade / Esses são os adoradores que o Pai procura. E a
força do alto os revestirá e o fogo que abrasa os avivará. Sinais e prodígios
irão demonstrar Que a glória de Deus sobre o seu povo está Brilhará, brilhará,
Brilhará Também neste lugar”. (Brilhará – Walmir Alencar)
Se acreditarmos e não hesitarmos sinais e
prodígios, curas ou milagres, irão demonstrar que a glória de Deus sobre o seu
povo está.
Tudo coopera para o bem daqueles que
amam a Deus (cf. Rm 8,28).
O Senhor é nosso Deus, ele sabe tudo
sobre nós.
Nada está oculto a seus olhos.
Mesmo fatores negativos da vida, como,
por exemplo, dificuldades financeiras, sofrimentos ou falecimento de um ente
querido concorrem para o crescimento pessoal e espiritual.
Sobre isso, escreveu São Paulo: “Se
Deus é por nós, quem será contra nós?
Quem nos separará de Deus?”
Entre diversos caminhos a seguir,
somente a confiança e o amor conduzem ao Pai.
“Sabemos que tudo contribui para o bem
daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio.”
(Rm 8,28)


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