09 de janeiro - Aniversário de recepção da batina por São José Marello (1864).
Mortifiquemos com ânimo generoso este nosso espírito briguento,
esta nossa carne rebelde, esta nossa natureza corrupta! Eduquemo-nos ao
sacrifício daquilo que o nosso coração possui de mais precioso. ( L 27). São Marello
Lucas 5,12-16
"Estando Jesus numa das cidades, apareceu um homem coberto de lepra. Ao
ver Jesus, ele caiu com o rosto em terra e suplicou-lhe: "Senhor, se
queres, tens o poder de purificar-me". Estendendo a mão, Jesus tocou nele
e disse: "Quero, sejas purificado". E imediatamente a lepra
desapareceu. E ordenou-lhe que não o contasse a ninguém. "Mas",
disse, "vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta por tua purificação a
oferenda prescrita por Moisés. Isso lhes servirá de testemunho". Cada vez
mais, sua fama se espalhava, e as multidões acorriam para ouvi-lo e para serem
curadas de suas doenças. Ele, porém, se retirava para lugares desertos, onde se
entregava à oração"
Meditação:
O Evangelho de hoje nos coloca um milagre de cura aparentemente
diferente das outras curas que Jesus realizou. Na de hoje, o leproso diz a
Jesus: "Senhor, se quiseres, Tu tens o poder de me purificar!" E
Jesus responde: "Quero, sejas
purificado" E imediatamente a lepra o deixou. Parece até que o
homem não precisou fazer nada, mas será que foi assim mesmo?
Sabemos que na época de Jesus, os que tinham doenças contagiosas (a
lepra era uma delas) eram proibidos de entrar nas cidades. E caso precisassem
entrar, a lei os obrigava a sair gritando e fazendo muito barulho, para avisar
às pessoas que não se aproximassem dele. Imagine a humilhação!
O Evangelho de hoje começa dizendo que Jesus estava numa cidade, e um
leproso foi procurá-lo. Quando encontrou Jesus, o leproso caiu aos seus pés e
começou a falar com o mestre. Fico imaginando o quanto esse coitado já havia
sofrido pela sua doença. O simples ato de se atirar aos pés de Jesus já
denotava o desespero que ele já vinha sentindo.
É difícil imaginar como se sente alguém que é privado do convívio social
por causa de uma doença (e naquele tempo, doença era sinônimo de pecado!). A
solidão é uma sensação assustadora! O leproso procurou Jesus porque era a sua
última esperança!
Ao pedir a Jesus a sua purificação (perdão dos pecados), também estava
pedindo a sua cura física. Ao dizer que queria que o leproso ficasse
purificado, estava fazendo algo que transcende ao nosso entendimento
superficial...
Jesus estava fazendo com que o leproso deixasse de se sentir culpado,
independente de qual fosse a razão dessa culpa! Jesus estava dando uma nova
oportunidade de recomeçar a vida a partir daquele momento, deixando o passado
pra trás, e vivendo o presente para preparar o futuro.
É isso que Jesus diz a nós hoje: "Eu quero, fica purificado! Não fique se culpando pelo que já passou!
Gaste suas energias físicas e mentais com aquilo que você pode fazer daqui por
diante para ser feliz, e fazer os outros felizes! Eu quero! O leproso quis! E
você, quer?"
Reflexão Apostólica:
Sabe aquelas lendas que rondam a internet? Histórias que de fato não sabemos
se foram verdade ou não? Vou contar um pedaço de uma pra enfatizar sobre o que
explanaremos hoje.
Dizem que um certo homem chamado Mahatma Gandhi, líder hindu e grande
expressão na Índia e no século passado, era um grande admirador de Jesus.
Relatam que, com muita frequência, usava os ensinamentos do sermão da
montanha em suas colocações diárias. Dizia ele que se vivêssemos o sermão do
monte teríamos a resposta para a paz no mundo.
Por que alguém que tanto admirava a Jesus permaneceu hindu? Relatos
dizem que ficou muito decepcionado conosco (os cristãos), pois não pode entrar
numa igreja.
Se essa estória é verdadeira ou não, talvez não importe, mas algo nos
remete ao evangelho de hoje. Quantos passaram a procurar Jesus pelo que falavam
de bem dele. Não acredito que eram apenas os milagres que traziam as pessoas.
Lembrem de ontem.
Tenho tanta convicção disso que me entristeço pelas pessoas que conduzem
outras a Jesus por coisas passageiras, mas ao mesmo tempo alegro-me por que
vieram.
Como diria um frei da nossa comunidade quando questionado sobre aquele
famoso dizer que acostumamos a ouvir “os piores estão na igreja” ele respondeu:
Sim, pode ser, mas pelo menos são pessoas que reconhecem sua pequenez e dentro
da igreja procuram algo melhor, crescer, amadurecer, enquanto outros acham que
não precisam!
Mas trazendo de volta os primeiros parágrafos dessa reflexão… O que
adianta Deus arrebanhar seu povo se nós mesmos não os deixamos entrar?
Já falei isso e volto a afirmar: criamos regras impossíveis para quem
acabou de ter a epifania de Deus em suas vidas e ardentemente desejam voltar.
Não estou falando das regras que cada igreja tem, mas das “regras” que nós
impomos as pessoas.
Jesus corria dos holofotes e das tapinhas nas costas. Tentava sem
sucesso passar despercebido aos olhos dos mestres da lei, mas algo Nele era uma
santa rotina “Jesus ia para lugares
desertos e orava”.
É estranho ver hoje a exploração da imagem Dele na TV. Vejo um senhor se
dizer apóstolo, marcar hora e lugar e cobrar por um milagre, vejo-o também em
troca dizer que “não precisa ter fé, pois a dele bastará”.
Jesus nas mãos dessas pessoas e de outras muita se tornou uma peça
exposta naqueles canais de compras pela TV.
Virou um “Jesus” comercial que “obedece” às vontades deles. E não é
somente eles que vemos a afastar as pessoas do que é santo e belo em troca de
uma falsa prosperidade. É muito triste, mas muitos usam o sofrimento que passam
as pessoas para facilitar o acesso.
Não posso afirmar e nem me atrever a dizer que ali ou acolá não
aconteceram graças, pois onde abundou o pecado superabundou a graça e nem tão
pouco deixar de crer na fé das pessoas que como o leproso, viram Jesus, se
colocaram aos seus pés e foram curados.
O que cura verdadeiramente não são as mãos do pregador, do pastor, do
padre, mas a misericórdia infinita de Deus sobre aquele que pede e consegue
tocar ao Senhor.
“(…) Aqui entramos no mistério
de Deus. Nós não conhecemos os planos d’Ele na escolha de quem será atendido.
Conceder uma graça ou uma cura é um ato livre do Senhor”. (livro
“Como se faz um santo” –
Cardeal Saraiva Martins)
Em suma, ninguém que viu o Senhor continuou o mesmo depois do encontro.
A epifania muda a rota de uma pessoa. Cura as lepras da alma.
Devemos favorecer esses encontros e não afugentar as pessoas.
Oração:
Pai, que a oração me ajude a descobrir o verdadeiro sentido do serviço
que presto.
Nunca se esqueça de agradecer.
Pela esperança e pelo amor, pelas
alegrias e tristezas; pelo descanso e cansaço; pela oportunidade de aprender;
pela força de vontade e perseverança em todos os momentos da existência.
Agradeça também aos familiares e a
todos os que o ajudam e também àqueles que lutam pela preservação da natureza,
dos valores morais e cristãos e por um mundo melhor.
Finalmente, lembre-se dos que
preservam no caminho do bem, pela coragem de lutar no lugar dos que não sabem
agradecer.
Agradeça a Deus por suas infinitas
bênçãos.
“Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe
agradeceu.
E este era um samaritano” (Lc 17,16).

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