segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Evangelho do dia 01 fevereiro 2026 - 4º Domingo do tempo comum


01 Fevereiro - Apaixonemo-nos pelos grandes modelos e comecemos a agir! (L 10)
São José Marello


Mateus 5,1-12ª

Naquele tempo, 1Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3”Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.

REFLEXÃO PARA O 4º DOMINGO DO TEMPO COMUM – MATEUS 5,1-12  01 fev 2026 (ANO A)

 A liturgia deste quarto domingo do tempo comum propõe a leitura de um dos textos mais importantes do Novo Testamento: Mt 5,1-12. Trata-se da introdução do primeiro dos cinco discursos de Jesus no Evangelho de Mateus, conhecido como “discurso ou sermão da montanha” (Mt 5–7). Inclusive, a leitura desse discurso será continuada nos próximos domingos, uma vez que, na estrutura do ano litúrgico A, ele é distribuído numa sequência de  seis domingos do tempo comum: do quarto ao nono, além de algumas festas, como a solenidade de todos os santos, por exemplo, quando se lê também o texto das bem-aventuranças, como hoje, que corresponde à introdução do discurso. Essa introdução ficou conhecida como “bem-aventuranças”, devido à repetição contínua do termo grego makárioi (μακριοι), cujo significado é benditos, felizes ou bem-aventurados. Sem dúvidas, essa é uma das passagens mais lidas e conhecidas de todo o Novo Testamento, apreciada por cristãos e não cristãos. Gandhi, por exemplo, definiu as bem-aventuranças como “as palavras mais altas que a humanidade já escutou”.

De todas as palavras atribuídas a Jesus que encontramos ao longo dos evangelhos, as bem-aventuranças são as mais interpelantes e revolucionárias, embora sejam as mais fáceis de serem deturpadas, passando de uma mensagem de transformação a uma de resignação. Por isso, é necessário compreendê-las bem, para que sua mensagem seja sempre de encorajamento e transformação, como exige o Reino dos Céus. E as bem-aventuranças são as condições para o ingresso nesse Reino. O Novo Testamento contém duas versões das bem-aventuranças: uma em Mateus e outra em Lucas. Certamente os dois evangelistas tiveram acesso à mesma fonte, e cada um adaptou de acordo com as necessidades de suas respectivas comunidades, tendo em vista as diferenças entre as versões, facilmente constatadas numa leitura paralela (cf. Mt 5,1-12a // Lc 6,20-26).

Na versão mateana, encontramos oito bem-aventuranças, embora alguns comentadores considerem nove, devido à ocorrência do termo grego makárioi (μακριοι) por nove vezes. Porém, a nona ocorrência do termo (v. 11) não deve ser considerada como uma nova bem-aventurança, mas como uma recapitulação e síntese das oito, reforçando a exigência para que todas elas sejam intensamente vividas. Enquanto isso, a versão de Lucas contém apenas quatro bem-aventuranças, que são contrastadas com a fórmula de maldição “ai de vós”, aplicadas às situações de oposição às bem-aventuranças. Também o cenário é diferente nos dois evangelhos: enquanto em Mateus elas são proclamadas na montanha, em Lucas a proclamação se dá na planície. Essa diferença se deve à perspectiva teológica de cada evangelista. Mateus quer apresentar Jesus como o novo legislador e mestre que supera Moisés. Assim como foi na montanha que Moisés recebeu a Lei, também é da montanha que Jesus proclama as bem-aventuranças, que são consideradas a nova Lei para a comunidade cristã, infinitamente superior à antiga.

Para compreender melhor as bem-aventuranças em seu sentido original, é necessário fazer mais uma consideração semântica. Como já foi dito anteriormente, o termo grego empregado no Evangelho é makárioi (μακριοι), o qual pode ser traduzido por benditos, felizes ou bem-aventurados; é uma fórmula que introduz uma mensagem de felicitação. É importante recordar que, embora escritos em grego, os evangelhos foram construídos segundo uma mentalidade semítica, principalmente o de Mateus. Por isso, é importante recordar o sentido da palavra na língua original de Jesus, o hebraico. Ora, o termo correspondente ao grego “makárioi” (μακαριοι) em hebraico (אשרי = asherêi), além de uma felicitação, corresponde também a uma forma imperativa do verbo caminhar, seguir em frente, avançar ou pôr-se em marcha. Há estudos recentes que vêem uma confluência dos dois sentidos no texto de Mateus. De fato, sem esse segundo sentido, as bem-aventuranças podem ser facilmente transformadas em mensagem de conformismo ou resignação; com ele, fica mais clara sua dimensão subversiva e transformadora, que caracteriza toda a mensagem de Jesus.  

Ainda a nível de contexto, é importante recordar a dinâmica do Evangelho de Mateus, que distribui os principais ensinamentos de Jesus em cinco grandes discursos, sendo que o discurso da montanha é o primeiro deles e o mais importante. Trata-se, portanto, do discurso inaugural de Jesus. Até então, o evangelista tinha feito duas breves referências ao ensinamento de Jesus, dizendo apenas que ele ensinava e qual era o tema da sua pregação: o Reino dos Céus (cf. Mt 4,17.23), mas sem mostrar o conteúdo propriamente. Por isso, o discurso da montanha é a primeira exposição do programa do Reino que Jesus anuncia. Isso se constata pelas diversas vezes em que o Reino (em grego: βασιλεα – basileia) é mencionado ao longo do discurso, mas o mais importante é a natureza desse Reino e seus destinatários primeiros: pobres, humildes, aflitos, injustiçados, perseguidos.

Iniciamos o estudo do texto propriamente considerando os dois primeiros versículos que funcionam como introdução às bem-aventuranças e ao inteiro discurso da montanha: «Vendo Jesus às multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los» (vv. 1-2). O evangelista já tinha dito que Jesus ensinava e realizava curas, libertava as pessoas e, por isso, grandes multidões o acompanhavam (cf. Mt 3,17.23-25). E isso é surpreendente porque a vida pública de Jesus está apenas começando. Inclusive, só tinha chamado os quatro primeiros discípulos, até então (cf. Mt 3,18-22). Isso mostra a urgência do Reino. Ele tinha um núcleo de base para iniciar uma comunidade, sendo que o mais importante era a natureza da comunidade, cujo retrato é delineado nas bem-aventuranças. O gesto de sentar-se indica a autoridade de mestre que ele possuía. Mas, ao contrário dos mestres judeus da época, ele não abre um rolo de leis para transmitir. Simplesmente, ensina, sendo ele mesmo o conteúdo. Por isso, pode-se dizer que ele é o Reino em pessoa.

Olhemos, pois, para cada uma das situações contempladas por Jesus como necessitadas de transformação. Ao ler e contemplar cada uma delas, devemos recordar que elas retratam as situações vividas pelo próprio Jesus. Por isso, elas representam o retrato de Jesus e o ideal de discípulo e discípula. Eis a primeira bem-aventurança: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus» (v. 3). De todas, tem sido essa a bem-aventurança que tem recebido as interpretações mais equivocadas ao longo da história, infelizmente. Longe de ser um convite ao conformismo, é um impulso à transformação. Na língua grega a palavra pobre (πτωχς – ptôkós) deriva do verbo acocorar-se de medo, dobrar-se, abaixar-se, encurvar-se; designa, portanto, uma condição de humilhação extrema.

O convite de Jesus é para que não desanimem, mas sigam em frente, não desistam, coloquem-se em marcha para alcançarem o Reino que foi criado para eles, o Reino dos Céus, mas não no céu, aqui mesmo na terra, como sinônimo de vida digna e plena. Aqui o termo espírito (em grego: πνεμα – pneuma) é empregado como sinônimo de consciência da situação em que se encontram os pobres, encurvados de medo pela opressão do império romano e pela religião oficial da época. A esses, Jesus convida a perder o medo e, conscientemente, seguir em frente lutando pelo Reino. O pobre que se encontra encurvado pelo sistema, deve tomar consciência da sua situação insuportável e lutar, seguindo em busca de seus direitos de herdeiro do Reino.

A segunda bem-aventurança diz: «Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados» (v. 4). Ora, jamais será consolado o aflito que se fecha em suas aflições, mas sim aquele que consegue mover-se, apesar do sofrimento. Ser consolado na mentalidade bíblica é ter o sofrimento eliminado por completo, por isso, consolar é diferente de confortar. De fato, confortar significa encorajar a suportar uma situação difícil, enquanto consolar é eliminar o sofrimento. A implantação do Reino dos Céus em um mundo tão hostil traz muitas aflições para os discípulos de Jesus. Mesmo assim, eles devem avançar, jamais recuar, para encontrar a consolação. Por isso, mais do que aceitação da aflição, essa bem-aventurança convida as pessoas aflitas a não se fecharem, não se acomodarem e buscarem a consolação. E isso não se faz sem mobilização e sem luta perseverante.

Na terceira bem-aventurança, Jesus diz: «Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra» (v. 5). O termo manso equivale a humilde, e significa a pessoa que reivindica alguma coisa sem violência. Nesse caso particular, equivale às pessoas que lutam pela terra sem fazer uso da violência. A luta sem violência se torna mais lenta e, aparentemente, mais difícil de conseguir o objetivo. Por isso, Jesus encoraja, pede paciência, determinação e ação; em outras palavras, é como se ele dissesse: «não parem, continuem caminhando e lutando». Era muito comum os pequenos camponeses perderem suas terras por dívidas, com possibilidade de resgate. À medida que o tempo passava, as esperanças de resgate diminuíam e muitos desanimavam. Por isso, Jesus os consola e os encoraja. A terra é dom de Deus, mas sua posse pelos mansos e pequenos é conquista, fruto da confiança em Deus e da luta perseverante.

Como não poderia deixar de ser, Jesus coloca para os discípulos, conforme ele mesmo o fez em toda a sua vida, a justiça como uma busca incessante. Por isso, a quarta bem-aventurança é tão interpelante: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados» (v. 6). A fome e a sede são as necessidades básicas que mais incomodam o ser humano. Assim como o alimento e a bebida são essenciais para a vida, também deve ser a luta por justiça entre seus discípulos. A comunidade cristã não tem vida quando não se alimenta cotidianamente de justiça. Onde não há justiça, não há dignidade, não há paz. É preciso seguir em frente na luta por justiça.

Na quinta bem-aventurança, temos: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (v. 7). É importante recordar que misericórdia, na Bíblia, não é um sentimento, mas uma ação em favor dos necessitados. Com isso, Jesus pede que seus discípulos prossigam sempre no caminho do bem. A misericórdia é uma das principais características do Deus de Jesus, por isso, deve ser também para os seus seguidores. Ser misericordioso, portanto, é reproduzir o agir de Deus no mundo, cuja misericórdia é destinada a todas as pessoas, embora tenha sempre as pessoas mais necessitadas como destinatárias primeiras. Portanto, seguir fazendo o bem ao próximo, com opção preferencial pelos mais necessitados, é uma das principais exigências do discipulado.

Com a sexta bem-aventurança, Jesus se contrapõe claramente aos ritos de purificação da religião judaica: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (v. 8). Os antigos ritos de purificação do judaísmo tinham escondido o rosto verdadeiro de Deus. Jesus proclama a nulidade daqueles ritos e pede para seus discípulos caminharem em outra direção, avançarem por outro caminho que não seja o da religião que divide, exclui e até mata. Só há um tipo de pureza: aquela interior, e essa não é proporcionada por nenhum rito, mas somente pela disposição do ser humano em seguir os propósitos de Deus. Vê a Deus quem olha para o próximo com os olhos de Deus. É nessa direção que o discípulo de Jesus deve marchar, avançar, pois a verdadeira pureza consiste em assimilar os sentimentos de Deus e transformá-los em ação, conforme as circunstâncias e as necessidades.

A sétima bem-aventurança diz: «Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus» (v. 9). Na marcha da comunidade formada por discípulos e discípulas de Jesus, a promoção da paz é requisito básico e essencial. Não se trata de uma falsa paz como aquela imposta por Roma, intitulada “pax romana”. A paz que Jesus propõe não é uma mera ausência de conflitos, mas um retorno ao ideal hebraico expresso pela palavra (שלום) shalom: paz como bem-estar total do ser humano, harmonia com Deus, com o próximo e consigo mesmo. É por essa paz que a comunidade de discípulos e discípulas deve lutar enquanto caminha, fazendo dessa paz o rumo da caminhada. Não há prêmio para quem caminha promovendo a paz, mas há consequências: ser chamados filhos de Deus. Na tradição bíblica, ser filho é ser parecido com o pai. Quando alguém caminha promovendo a paz, se torna parecido com Deus, por isso, será chamado seu filho.

A oitava bem-aventurança funciona como uma espécie de credencial para o reconhecimento do discípulo e sua pertença ao Reino: «Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus» (v. 10). É claro que todas as bem-aventuranças estão interligadas, não se pode separar uma da outra. Mas esta oitava é uma recapitulação mais explícita da quarta: deve-se buscar a justiça como algo indispensável à vida, a exemplo do alimento cotidiano. Mas a justiça não apenas sacia, e sim traz perseguição, pois implica no combate às injustiças. E é certo que quem luta contra injustiças recebe perseguição como resposta. Quem adere plenamente à dinâmica do Reino será certamente perseguido(a), pois a busca pelo Reino é inseparável da busca por justiça, como vai dizer o próprio Jesus na sequência do discurso: «buscai, primeiro de tudo, o Reino de Deus e sua justiça» (Mt 6,33). Então, tendo em vista que a perseguição é consequência lógica da busca pelo Reino e a justiça, a palavra de Jesus continua sendo de ânimo e encorajamento: continuai caminhando, avançando, marchando em busca do Reino que é vosso! E foi isso o que ele mesmo fez.

Viver as bem-aventuranças é, portanto, abraçar um projeto de sociedade alternativa que, inevitavelmente, entra em conflito com os sistemas dominantes baseados na exploração, no lucro, na sobreposição de uns sobre os demais e pela violência. Mas é diante de tudo isso, ou seja, no conflito, que a comunidade cristã deve avançar, seguir em frente sem jamais desanimar. Por isso, Jesus reforçou todo o ensinamento anterior, direcionando diretamente para os discípulos a conclusão com as consequências do abraçar o seu projeto: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (vv. 11-12a). Alguns estudiosos vêem essa afirmação como uma nova bem-aventurança, enquanto outros –  a maioria – a vêem como um reforço e síntese conclusiva das oito anteriormente apresentadas. Aquelas oito são inseparáveis. Jesus não as apresenta como sugestões para os discípulos escolherem uma ou outra. É preciso viver todas elas para ser discípulo e discípula de Jesus, pois nelas ele traça o seu próprio retrato, diz como ele mesmo viveu, caminhou ou avançou; e o discípulo deve, inevitavelmente, viver como ele.

As bem-aventuranças nos desafiam a compreender e reconhecer se, de fato, seguimos a Jesus, se somos seus discípulos e discípulas. Para seguir Jesus é preciso estar em estado permanente de marcha, caminhando contra tudo o que impede a realização do Reino já aqui na terra. A comunidade cristã não pode mais aceitar que uma mensagem tão encorajante e transformadora se transforme em sinal de resignação e aceitação passiva diante de tudo o que impede o advento do Reino. A mensagem das bem-aventuranças é libertadora porque convida o discípulo e a discípula a sair de si, colocar-se em movimento rumo a um mundo melhor, mais justo e mais fraterno.



Evangelho do dia 31 janeiro sábado 2026

 


31 janeiro - Por que fugir da luta, sabendo que é o nosso legado? Ou sofrer ou morrer, diziam os santos; e nós digamos, pelo menos: ou trabalhar ou morrer! (S 30). São Jose Marello


Marcos 4,35-41

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

Meditação:

Após o período inicial de seu ministério pela Galileia, Jesus se volta também aos territórios gentílicos vizinhos. A expressão "Passemos para a outra margem" significa a nova meta do anúncio do Reino, na outra margem do mar galileu.

Na narrativa da travessia do mar, temos um "milagre da natureza", com a curiosa imposição de silêncio ao vento. Há o contraste entre a tranquilidade de Jesus e a angústia e perturbação dos discípulos diante do mar agitado.

Jesus dá andamento a sua proclamação, ao enfrentar serenamente os conflitos oriundos de seus adversários. Contudo, os discípulos estão atemorizados ante esse novo contexto criado por Jesus, em particular agora em que vão para missão em território exclusivamente gentio. Ele, provocativamente, questiona-os quanto a seu medo e falta de fé. Por sua vez, os discípulos questionam entre si a natureza da missão de Jesus.

A Bíblia nos ensina que é possível que sejamos atingidos por três tipos de “tempestades” em nossas vidas: (1) as “tempestades” que nós mesmos criamos (como aquelas que Sansão viveu por causa de seu envolvimento com Dalila e por não ter domínio próprio); (2) as “tempestades” que são causadas por Deus (como esta passagem do Evangelho de hoje); (3) as “tempestades” criadas por outras pessoas (como a que Paulo e Silas viveram quando foram levados ao cárcere).

Algumas histórias pagãs antigas mencionavam indivíduos poderosos capazes de subjugar as forças da natureza, estes eram considerados deuses. O Evangelho nos mostra que Jesus é Deus porque Ele tem poder e autoridade sobre todas as coisas incluindo as forças da natureza.
Jesus convidou seus discípulos a passarem para a outra margem do Mar da Galiléia. Após um dia cansativo, o Senhor precisa recompor suas forças; descansar; e Ele sabia bem que seus discípulos precisavam fazer isso também a fim de ter uma vida equilibrada.

Vamos para a outra margem!” Foi o convite do Senhor. Jesus olhou aqueles homens que haviam trabalhado duramente, sem descanso e os convida a se retirarem.

Imaginemos o quão estressante seria a vida de Jesus, se Ele não separasse tempo para descansar. Sem privacidade, sem uma casa sua, em seu ministério itinerante, dia após dia o Mestre ia de um lugar a outro, atendendo a todos aqueles que a Ele se achegavam com suas dores, seus problemas de quaisquer ordens.

Facilmente o Mestre teria se esgotado se Ele não soubesse QUANDO devia descansar. Não raro Ele ia ao deserto ou às montanhas refazer-se, por meio da oração, conectando-se ao Pai.

Jesus sabia que o descanso NÃO era algo opcional, por isso Ele sobreviveu ao stress bem como à ansiedade e ao pânico que tantas vezes poderiam ter assolado Sua vida e seu ministério.

Enquanto Jesus dormia tranqüilo, levantou-se grande temporal de vento; o que era bastante comum na região do Mar da Galiléia, o qual era considerado muito perigoso.

Embora fossem homens experientes no lidar com o mar, os discípulos encheram-se de pavor e de ansiedade, pois nunca tinham estado com o barco à deriva, longe da costa. Estavam certos da morte, do naufrágio que os abateria por causa daquela tempestade. Então acordaram a Jesus, porque as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já começava a encher-se de água.

A verdade é que ninguém gosta de tempestades. E nós, que somos cristãos, apesar de sermos advertidos de que seremos provados, muitas vezes enfrentamos grandes problemas ao nos depararmos com as “tempestades” da vida, com nossas dificuldades.

Como permanecer calmos, manter a coragem e a confiança em Deus, não importando as circunstâncias, quando estou em crise em meu casamento, meu trabalho ou com alguém na própria igreja? Como não sucumbir, se forças para além das minhas teimam em me ameaçar?

Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” Assim perguntaram os discípulos. Assim perguntamos tantas vezes a Deus. “Senhor, não te importas comigo? Com meu casamento, com minha saúde, com minha vida espiritual, com minhas finanças?”, “Senhor, eu vou perecer!” gritamos assustados e ansiosos pelo “socorro divino”! (Sl 121,1-2)
Os discípulos viviam com Jesus, viam seus feitos todos os dias e ainda assim se angustiaram. É, amados irmãos, a incredulidade é a mãe do pânico e faz parte de nossa natureza humana, principalmente se esta não estiver submetida continuamente a Deus.

Jesus levanta-se, chama a atenção de seus discípulos. Chama-os à razão! “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”, Ele afirma convictamente.

De fato, com Jesus em nosso barco, é preciso que dominemos nossas emoções, nossos temores. A Bíblia nos adverte que nossas emoções são enganosas. (Pv 23,7)

Jesus, então, repreende os ventos e o mar e faz-se GRANDE bonança. Não somente bonança, amados! Porém GRANDE bonança. O que aprendemos com isto? Aprendemos que o Senhor Jesus é Deus! É o Senhor da criação! Ter poder sobre as forças da natureza era para os judeus uma evidência da Divindade. Somente Deus poderia dominar as forças naturais. Todavia sua visão espiritual estava vedada. 

E, ao clamarem por socorro, os discípulos demonstravam que ainda não conheciam o Senhor! Eles ainda não sabiam QUEM Jesus era! Porque o mero conhecimento de Deus é insuficiente para vencermos em tempos difíceis. É necessário passar do limite! É necessário que o conheçamos não apenas de ouvir falar, como bem disse Jó, mas de experimentarmos seu amor real, sua misericórdia que nos resgata sempre!

Será que sabemos QUEM Ele é? Será que quando as adversidades nos assolam, dormimos tranqüilamente, repousando em Deus, crendo que, com Ele em nosso barco, nada poderá nos abater? Ou será que temos perguntado “Mestre, não te importa que morramos?”, incrédulos ainda do grande poder que o Senhor tem para acalmar TODAS as tempestades, sejam elas terríveis como forem?

Quando o Senhor se levanta, a tempestade cessa, a agitação pára, os ventos se acalmam, porque Ele é Deus! E então experimentamos GRANDE bonança.
Tendo Jesus ordenado que o mar e que os ventos se acalmassem, aqueles homens maravilhados perguntavam-se entre si: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”

Vejamos que a preposição ATÉ em nossa língua é usada para dar a idéia de inclusão. Implicitamente, eles diziam “Ele pode fazer tudo, INCLUSIVE ordenar ao mar e aos ventos que se acalmem!” 

Para que Deus Pai permitiu aquela tempestade? A fim de dar a conhecer aos discípulos QUEM era Jesus.

Vejamos, o que significam, então, para Jesus, os meus problemas, os seus problemas? Sabemos QUEM Ele é? Temos confiado completamente nossa vida a Ele?

Jesus é o amado filho de Deus, que morreu por nós, a fim de nos dar vida em abundância! Ele está aqui hoje e deseja entrar no barco da sua e da minha vida para mudar completamente a nossa sorte!

Você crê nisso? Receba hoje a Ele e você verá que, mesmo em meio às muitas lutas e às tempestades da vida, com Jesus no barco, tempestade alguma nos abaterá!

Reflexão Apostólica:

Às vezes Jesus também nos chama a ir com Ele para a “outra margem” e nós temos que sair da tranqüilidade da nossa vida e enfrentar a tempestade. Nesses momentos nós até achamos que “procuramos sarnas para nos coçar”, como diz o ditado.

O seguimento de Jesus implica em que saiamos da comodidade da nossa “vidinha” para entrar na Sua barca que na maioria das vezes enfrenta o mar bravo onde a ventania lança ondas fortes e tenta nos afogar. Mesmo sabendo que Jesus está conosco, nós deduzimos que Ele dorme e nos deixa entregue à nossa sorte.

A nossa falta de fé em Jesus que está presente na nossa vida é a causa do medo que nós sentimos nos nossos momentos difíceis. Como o próprio Jesus falou, “Ainda não temos fé”, ou melhor, ainda não nos apossamos deste dom precioso.

Por isso, acordamos Jesus e reclamamos a sua assistência com revolta: “e tu não te importas?” Entretanto, o homem novo, cheio de fé tem confiança em que Jesus está perto, no barco da sua vida e embora que às vezes pareça estar “dormindo”, nunca o abandonará. O medo, embora faça parte da nossa humanidade, não deve, porém, dominar nossa nova criatura.

A fé é como uma ponte que se move debaixo dos nossos pés quando atravessamos as dificuldades com Jesus 

De que você tem medo? Você confia que Jesus está perto de você? Você também costuma argüir a Deus porque as coisas não são diferentes? Você suporta o sofrimento confiando no poder e no Amor de Deus? Qual é a sua reação diante dos seus fracassos? Você já entrou na barca com Jesus?

O Reino de Deus exige seguidores com uma fé profunda e resistente. Ela deve superar todo temor. É o convite que o texto do Evangelho de hoje nos faz. Jesus está dormindo, enquanto os discípulos sentem medo do vento, que é impetuoso.

Os discípulos correm para acordar Jesus: é uma memória da ressurreição e de seu senhorio. É por isso que Jesus fala com o vento como se fosse uma pessoa e o faz com autoridade. Diante de sua Palavra o vento não tem outra saída a não ser obedecer.
No relato, o vento é sinal do maligno e outra vez se demonstra que os espíritos do mal reconhecem o senhorio de Jesus e o obedecem. No Reino, Jesus está ao lado dos que aderem à sua proposta. Não há o que temer! Deus dá a garantia de que seu amor não abandona nunca o crente.
O que o crente deve fazer é convencer-se da companhia sincera de Jesus na história. Deus mesmo caminha e avança com o povo até levá-lo ao porto seguro. Compreendamos algo extremamente importante: Deus não falha!

Propósito:

Pai, apesar da minha fraqueza, sei que contas comigo para o serviço do teu Reino. Vem em meu auxílio, para que eu seja um instrumento útil em tuas mãos.

Dia 31

Por que odiar se só o amor preenche os corações?

Por que não dobrar os joelhos se rezar é tão importante?

Por que fechar o semblante, quando você pode sorrir?

Por que criticar se pode oferecer ternura?

Por que caminhar sozinho se pode contar com Deus?

Por que temer se pode ter coragem?

Por que a tristeza e as lágrimas se pode ser alegre?

Por que a pressa se pode ser mais calmo?

Por que a guerra se pode haver a paz?

Um bom exemplo de vida vale mais que simples palavras.

“O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio.

Contra essas coisas não existe lei.” (Gl 5,22-23).

 


 

Evangelho do dia 30 janeiro sexta feira 2026


30 janeiro - O espírito humano, como os fluídos, se coloca sempre no nível dos objetos que o rodeiam. (L 5). São Jose Marello


Marcos 4,26-34

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão:
“O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.
30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

Meditação:

A semente que germina e cresce por si mesma exprime a ação de Deus que comunica amor e vida a todos, suplantando os poderosos deste mundo que semeiam a fome e a morte. A segunda parábola, da inexpressiva semente que se transforma em uma árvore acolhedora dos pássaros, exprime que a fé dos discípulos, desprezível diante do mundo, pode gerar o mundo novo de fraternidade e paz. A prática e o ensino de Jesus são caminho e luz.

Marcos mostra Jesus como Mestre do Reino ensinando às multidões desde a barca de Pedro (4,1). Seu ensino é na base de parábolas ou exemplos. A parábola é uma narração que sob o aspecto de uma comparação, está destinada a ilustrar o sentido de um ensino religioso.

Quando todos os detalhes têm um sentido e significado real, a parábola se transforma em alegoria. Como em Jo 10,1-16, no caso do bom pastor. No A T as parábolas são escassas, um exemplo é 2 Sm 12, 1-4 em que Natã dá a conhecer seu crime a Davi.

Porém no NT Jesus usa frequentemente as parábolas especialmente como parte de seu ensino do Reino dos Céus, para iluminar certos aspectos do mesmo. No dia de hoje temos duas pequenas parábolas, a primeira própria de Marcos e a segunda compartida por Mateus (13, 21+) e Lucas (13, 18).

Na parábola da semente, Jesus indica que o Reino tem uma força intrínseca que independe dos trabalhadores. Na segunda que o Reino, minúsculo nos tempos de Jesus, expandir-se-á de modo a se estender pelo mundo inteiro. Vejamos versículo por versículo as palavras de Jesus.

 E dizia: assim é o Reino do Deus, como se um homem lançasse a semente sobre a terra (26). Que significa Reino de Deus? No AT Jahvé, o Deus de Israel, era o verdadeiro rei e seu reino abrangia todo o Universo.

Os juízes eram praticamente os seus representantes. Por isso, o seu profeta Samuel, último juiz, escutou estas palavras: Não é a ti que te rejeitam, mas a mim, porque não querem mais que eu reine sobre eles (I Sam 8, 7).

A partir de Davi o reino de Deus tem como representante um rei humano, mas a experiência terminou em fracasso, e o reino de Deus acabou por ser um reino futuro escatológico como final dos tempos e transcendente, como sendo Deus mesmo o que seria ou escolheria o novo rei.

Esse reino está chegando e tem seu representante na pessoa de Jesus e dos apóstolos. Nada tem de material ou geográfico, e é formado pelos que aceitam Jesus como Senhor, caminho, verdade e vida.

Por isso dirá Jesus que o reino está dentro de vocês. A Igreja fundada por Jesus é a parte visível desse reino, que não é como os do mundo, mas tem sua base em servir e não em ser servido (Lc 22, 27).

O oposto do amor, que é serviço no reino é o amor ao dinheiro ( Mt 6, 24), de modo que podemos afirmar que o dinheiro é o verdadeiro deus deste mundo.

A primeira comparação que revela como atua o Reino é esta parábola de Jesus, facilmente entendida como tipo, e que finalmente veremos como protótipo nas observações.

E durma e se levante noite e dia; e a semente germine e cresça de um modo que ele não tem conhecido. É importante unir este versículo ao anterior para obter o sentido completo da parábola.

O agricultor faz sua vida independente e a semente nasce e cresce sem ter nada que ver com o agricultor fora o fato de ser semeada por ele no início.

Deste modo Paulo pode afirmar: Eu plantei, Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa somente Deus, que dá o crescimento (1 Cor 3, 6-7). Assim, a continuação dirá Jesus: Pois por si mesma a terra frutifica primeiramente a erva, depois a espiga, depois o trigo pleno na espiga.

Quando, porém, tiver aparecido o fruto, rapidamente ele envia a foice porque tem aparecido a ceifa. Não há nada a comentar a não ser que o trabalho do agricultor. Vemos como se reduz a semear e ceifar. A terra e a semente fazem o resto.

E dizia: a que compararíamos o Reino do Deus, ou em que parábola o assemelharíamos? Parece que Jesus medita antes de afirmar ou escolhe uma comparação apropriada.

Seu estilo é de chamar a atenção dos ouvintes, um simples recurso oratório que indica por outra parte uma memória viva dos ouvintes e não uma posterior reconstrução. É possível que estas palavras formem parte do método de ensino de Jesus.

Como com a semente da mostarda, a qual quando sendo semeada na terra é a menor de todas as sementes sobre a terra. A mostarda é uma planta da família da couve ou repolho, de grandes folhas, flores amarelas e pequenas sementes, que tem duas espécies principais: branca e preta. A branca chega até atingir 1,2 m de altura e a preta pode chegar até 3m e 4 m de altura. A negra é comum nas margens do lago de Tiberíades e seu tronco se torna lenhoso. Por isso os árabes falam de árvores de mostarda. Esta variedade só cresce ao longo do lago e nas margens do Jordão. Os pintassilgos, gulosos de suas sementes chegam em bandos para pousar nos seus galhos e comer os grãos. As sementes não são as menores entre as conhecidas, mas parece que eram modelo, na época, de coisas insignificantes.

A mais comum é a branca não tão ardente como a preta, precisamente por sua maior facilidade em recolher os frutos. E quando está semeada surge e se torna maior do que todas as hortaliças e produz galhos grandes de modo que podem, sob sua sombra, as aves do céu habitar. Temos visto como chegam até 3 ou 4 m de altura, suficientes para aninhar os pássaros em seus galhos.

E com muitas parábolas semelhantes falava a eles a palavra do modo que podiam ouvir. Temos aqui uma discriminação feita sem saber a razão de por que foi escolhida por Jesus.

Os discípulos tinham ocasião de saber o significado verdadeiro das comparações, por vezes não muito claras para o ouvinte geral. O caso mais evidente é o do semeador e os diversos terrenos em que a semente cai.

O público em geral podia ficar com a idéia de que a semente da palavra era recebida de formas mui diversas pelos ouvintes, mas a razão destas diferenças só era explicada aos que, interessados, perguntaram junto aos doze pela explicação da mesma (Mc 4, 13-20).

O encontro com a palavra é um dom de Deus, mas a resposta à mesma depende da vontade e do interesse de cada um. A explicação correspondente sempre a receberá quem esteja interessado em saber a verdade.

Na primeira destas parábolas do dia de hoje temos a exposição de como o Reino se expande com uma força que não depende dos homens, mas do próprio Deus. Poderíamos dizer que descreve a força interna do Reino.

Na segunda parábola encontramos a visão externa do Reino. Seu crescimento seria espetacular desde um pequeno grupo insignificante como é a semente da mostarda que se parece com a cabeça de um alfinete, até uma árvore que nada tem a invejar os carrascos da Palestina.

Uma certeza é evidente: o Reino é uma realidade que não se pode ignorar. Em que consiste? Jesus não revela sua essência, mas devido ao nome estamos inclinados a afirmar que o Reino como nova instituição é uma irrupção da presença de Deus na História humana, que seria uma revolução e uma conquista, não violenta, mas interior do homem, e que deveria mudar a religião em primeiro lugar e as relações sociais em segundo termo.

Numa época em que revoluções externas e lutas pelo poder estavam unidas a uma teocracia religiosa era perigoso anunciar a natureza verdadeira do Reino. Daí que só as externas qualidades do Reino tenham sido descritas e de modo a não levantar reações violentas. O reino sofrerá violências, mas não será o violentador (Mt 11, 12).

Se quisermos apurar as coisas, poderíamos atribuir ao Reino uma universalidade que não tinha a Antiga aliança. Mas isto é esticar as coisas além do estado natural das coisas e da narração de hoje no evangelho de Marcos.

Reflexão Apostólica:

As duas parábolas do evangelho de hoje são estímulo e fortalecimento da esperança nas comunidades. O lavrador aplica-se com esforço à semeadura e ao cultivo de sua plantação. Porém, a vida que se desenvolve a partir da semente é obra de Deus. E uma insignificante semente já tem certa grandiosidade, revelada com o tempo.

Os sistemas opressores defendem o progresso que os beneficia, mas sacrifica o povo e a natureza. Contudo, estas parábolas das sementes revelam o projeto do Reino de Deus de resgatar a vida sobre a terra.

Tal projeto parece frágil diante dos poderes deste mundo. Todavia, seu desabrochar e crescimento, como obras de Deus, não serão tolhidos por ninguém. O Reino de Deus é o banquete da celebração da vida plena para todos, a qual se vai manifestando até atingir a plenitude.

As religiões querem se sentir com todo poder e auto-suficientes, crendo que a tarefa da salvação está nelas e, pior ainda, afirmam que fora delas não há salvação. Mas Deus age com outros parâmetros. O que nos recorda a parábola de hoje é que as plantas crescem pela força da terra e não pelo poder do semeador. Esta grande comparação é aplicada por Jesus ao Reino.
Quer dizer, o Reino é obra de Deus. Para conseguir entender esta grande lição que sai da alma de Jesus, primeiro temos que perceber que Deus, ao assumir a dimensão humana, não tem medo de impulsionar, desde esta dimensão, sua grande obra de divinização da humanidade. O evangelho deixa claro que, é Deus e não os instrumentos de nenhuma instituição, quem torna possível que o Reino cresça.
Da pequenez, Deus faz que uma realidade tão majestosa como o Reino aconteça. O Reino é a simplicidade, a humildade, o resgate do irmão, a inclusão dos que são diferentes, a dignificação do pobre. Por isso o Evangelho o expressa com o símbolo do grão de mostarda. A Igreja será cada vez mais parecida ao Reino se nos voltarmos às pequenas comunidades, sementes de uma nova maneira de ser Igreja e de ser cristão.

O reino de Deus é como uma semente que é lançada no nosso coração por meio da mensagem que Jesus Cristo veio nos trazer. Quando nós acolhemos a Palavra de Deus com a consciência de que é Ele próprio quem nos fala e nos oferece salvação e conversão, começa a acontecer em nós o processo de germinação e fecundação do reino de Deus, uma vida nova que iremos oferecer ao mundo.

É Deus quem no nosso próprio coração vai fazendo brotar a Sua mentalidade sem que nem nós mesmos percebamos. A cada dia, mais e mais nós vamos ficando plenos do Espírito Santo, que opera em nós e, por isso, os nossos valores vão mudando, as nossas concepções, nossos pensamentos e as nossas ações vão se afeiçoando aos ensinamentos de Jesus.

Isto significa que o reino de Deus cresce dentro de nós de mansinho, silenciosamente, de tal maneira que um dia nós estamos tão cheios de alegria, paz e felicidade que não dá mais para conter, por isso, é imperioso que o levemos ao mundo às outras pessoas que ainda não tiveram a mesma experiência. É o momento da colheita!

O reino de Deus também se manifesta em nós quando, mesmo que ainda nem entendamos a Sua Palavra, nós experimentamos apenas uma gotinha do Seu amor e da Sua misericórdia.

Às vezes, em momentos de sofrimento, de dificuldades, de provação, o terreno do nosso coração fica mais acessível para acolher o amor de Deus. E, assim acontece como a semente de mostarda que é a menor de todas, mas é capaz de crescer tornar-se uma grande árvore e abrigar os pássaros do céu.

Quando a terra do nosso coração acolhe a semente da Palavra e do Amor de Deus e nós a deixamos germinar nós teremos como conseqüência, uma vida frutuosa, plena de abundante utilidade.

Mesmo que tenhamos pouca fé, Deus vai realizando em nós o grande milagre do amor. E ninguém que haja sido tocado pelo Amor de Deus, poderá ficar estagnado, infeliz e descrente.

A Palavra de Deus nos fará ser árvore que dá abrigo a muitas pessoas e a nossa luz brilhará nas trevas do mundo. Assim nós haveremos de sair semeando a semente do amor por onde passarmos. 

Você tem notado o crescimento do reino de Deus em você? Quais as mudanças que aconteceram em você? Você se sente mais feliz, hoje do que antes? Você já está sendo árvore que dá sombra? Você se sente amado (a) por Deus?

Propósito:

Pai, dá-me sensibilidade para perceber teu Reino acontecendo no meio de nós, aí onde lutamos para a construção de uma sociedade mais humana e fraterna.

Dia 30

Está doente? Então não se assuste, pois toda enfermidade é passageira.

Muitas vezes, é pela dor e pelo sofrimento que as pessoas encontram Deus.

Às vezes, ele usa algumas circunstâncias para nós fazer parar e encontrá-lo.

Deus é a fonte de todo bem, da saúde, da felicidade e da alegria.

Se estiver passando pela experiência de uma enfermidade, saiba que o Senhor está perto de você; ofereça-lhe seus dias ou horas de sofrimento ele é a vida plena de Pai.

Deus é o Deus que cura, liberta e salva. Na hora da tribulação, diga: “Louvado seja Deus”!.

“Cura-me, Senhor, e ficarei curado, salva-me e serei salvo, porque és tu a minha glória.” (Jr 17,14).

 


Evangelho do dia 29 janeiro quinta feira 2026


29 janeiro - Temos que sofrer muitas contradições na carne e no espírito. Mas esta é a nossa missão: carregar generosamente a cruz seguindo as pegadas do Mestre. Ele certamente nos dará a força necessária para que possamos chegar, sem desvios, à grande meta do Paraíso. (L 52). São Jose Marello


Marcos 4,21-25

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21“Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24Jesus dizia ainda: “Pres­tai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.

Meditação:

O povo de Israel também teve essa vocação de iluminar o mundo inteiro, mas os interesses mesquinhos e o fanatismo fizeram com que se extinguisse a chama da humanidade nova, em torno do Deus libertador e humanizador. Por isso Jesus assume o compromisso de convidar seus discípulos e discípulas a tomar a chama que Israel não manteve acesa e reiniciar um processo novo de iluminação de toda a humanidade.
Nessa linha evangélica, a tarefa de todo cristão é fazer com que a luz de Cristo que emana, que inclui, que redime, que humaniza, que valoriza e respeita toda diferença, que faz possível a justiça, os direitos dos povos e salvaguarda a criação, chegue a todos os rincões do mundo e se possa conseguir a grande civilização do amor. Esta é uma grande responsabilidade que todo crente em Jesus tem ante a história. Ser luz!
A pessoa que recebeu a Palavra de Deus de bom grado em seu coração há de frutificar grandemente, de maneira que todos possam ver os seus frutos. Daí a parábola da candeia, que revela a posição que ocupará no reino espiritual aquele que se deixou transformar completamente pela semente da Palavra.

Marcos apresenta alguns ditos de Jesus que são encontrados, dispersos, em Mateus e Lucas. O dito a respeito da lâmpada sobre o candelabro é encontrado no evangelho de Mateus, introduzido pela proclamação: “Vós sois a luz do mundo!” no início do Sermão da Montanha.

Assim, o testemunho dos discípulos deve ser uma luz para o mundo. No ensinamento de Jesus, não há nenhuma falsidade oculta, como na doutrina dos fariseus, nem ensinamento reservado a grupos elitizados, como no gnosticismo.

“E disse-lhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não vem antes para se colocar no velador?” (Mc 4,21)

O candelabro era a lâmpada dos tempos de Jesus. Na parábola, a candeia significa a luz de Deus que brilha através de alguém que realmente teve uma experiência pessoal com Jesus. Sua vida vai manifestar um brilho especial como que dizendo ao mundo que se achou o caminho da paz, da alegria, da fé, que as pessoas tanto procuram.

O papel da Palavra de Deus no coração do homem é justamente este, o de tirar o homem das trevas do ódio e da amargura, e coloca-lo na luz do amor de Deus.

Uma vez que o indivíduo teve essa experiência e vai crescendo mais e mais no conhecimento de Deus, a luz de Cristo no seu interior vai brilhar cada vez mais intensamente a fim de se manifestar aos homens que ainda vivem nas trevas (Jo 1,4-5; I Jo 1,5-7)

“E disse-lhes: Vem porventura o candelabro para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não vem antes para se colocar no velador?” (Mc 4,21)

O texto diz que a lamparina não vem para ser deixada num lugar qualquer da casa, mas sim no velador que sempre era posicionado em lugares altos de onde podia iluminar toda a casa.

Jesus está dizendo que aquele que teve uma experiência genuína com Deus e que está crescendo em maturidade através da semente plantada em seu coração, certamente será posicionado em lugares cada vez mais estratégicos no reino espiritual de maneira que possa abençoar as pessoas de forma mais eficaz.

Quem nos posiciona em lugares altos é o Senhor nosso Deus. Ele conhece o nosso coração e sabe se de fato temos frutificado e sido abençoadores de outras vidas. Aquele que é fiel no pouco sobre o muito será colocado (Mt 25,23).

“Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto” (Mc 4,22). Jesus disse que nada está encoberto senão para vir à luz.

Ele está querendo dizer que assim como uma semente plantada na terra permanece oculta por um certo tempo, vindo depois à luz, da mesma forma, toda semente divina plantada no coração do homem, tende a manifestar-se no seu devido tempo, revelando sua espécie.

Aquele que tem recebido pela fé a Palavra de Deus em seu coração, mais cedo ou mais tarde, terá a alegria de ver esta Palavra manifestada aos homens, pelas novas atitudes e obras praticadas. A luz de Deus deixará de estar no oculto do coração, para ser algo notório a todos os homens (Gl 5,22-23)

“Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” - Marcos 4,23. Os versículos seguintes aos mencionados acima mostram que, para que a luz venha a de fato manifestar-se, é necessário que o homem, canal da luz, seja um bom ouvinte da Palavra. Os versículos 23 e 24 dizem: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Também lhes disse: Atendei ao que ouvis”.

Os ouvidos precisam atentar a toda palavra que sai da boca de Deus, porque destas viverá o homem (Dt 8,3 b). O solo que frutificou na parábola do semeador foi aquele que, antes de tudo, ouviu a Palavra e a recebeu, e só então pôde dar o fruto esperado. Antes da frutificação vem o receber, e antes do receber vem o ouvir.

A pergunta que queremos deixar aqui é sobre como temos ouvido a Palavra. Não o ouvir com os ouvidos naturais, mas com os ouvidos do coração. Porque toda frutificação depende de ouvidos sensíveis e receptivos ao que Deus está falando.

 “E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada a vós que ouvis.” (Mc 4,24-25)

Quem ouve as palavras de Jesus e as acolhe não condena, mas pratica a misericórdia. Quem faz um julgamento usando a misericórdia como medida alcançará, por sua vez, misericórdia em abundância.

A sentença final pode ser um provérbio popular da Antigüidade, que interpreta as relações socioeconômicas daquelas sociedades, no mundo grego-romano e oriental.

O rico acumula cada vez mais riquezas, à custa dos pobres, cada vez mais empobrecidos. Com certo constrangimento, seria aplicado na perspectiva da fé. Quem tem a fé vai se fortalecendo cada vez mais, enquanto aquele que não a tem, vai se debilitando.

Com que intensidade nós queremos ver a manifestação do brilho de Deus em nossas vidas? Qual o posicionamento no reino espiritual que esperamos da parte de Deus? 

Todas estas questões dependem de como nos debruçamos de coração ao que estamos a ouvir da parte de Deus. A medida de unção, revelação e autoridade espiritual dependem de uma atitude cada vez mais positiva em relação à Palavra de Deus a nós ministrada. Se a desprezarmos ela não terá proveito para nós; mas se a valorizarmos, Deus nos acrescentará mais e mais de tudo o que ela oferece (Jr 29,13; 33,3).

Que toda transformação do nosso coração, operada por Deus e por Sua Palavra, possa resultar na iluminação de milhares de pessoas.

Reflexão Apostólica:

A luz é o símbolo mais apropriado para falar da finalidade do anúncio da Boa Nova e do que deve ser a comunidade cristã no mundo. A Boa Nova é como uma lâmpada que deve ser posta em um lugar apropriado para que toda a “casa” (a criação, a comunidade) fique iluminada e possa ver com clareza o mistério de Deus revelado em Jesus e possa perceber suficientemente os perigos, as ausências de luz.
É necessário anunciar a Boa Nova da salvação a toda humanidade, para que seja escutada e vivida, celebrada e compartilhada. Ela não pode ser ocultada, pois ela revela o destino final da pessoa: viver plena e dignamente. Quem é partícipe dessa Boa Nova deve adquirir o compromisso de vivê-la e comunicá-la; do contrário, essa luz, igual à semente em terreno pedregoso, se desvanecerá e morrerá.
Em Marcos não encontramos longas falas de Jesus como, por exemplo, nos evangelhos de Mateus e, principalmente, de João. Contudo, Marcos reúne (Mc 4,1-34) uma coletânea de parábolas e sentenças em formato de um discurso de Jesus, articuladas entre si e inseridas no contexto de formação dos discípulos, na perspectiva de esclarecimentos sobre o Reino e a missão. A lâmpada vem para iluminar, não para ficar escondida: a palavra vem para ser divulgada e testemunhada.
A lâmpada é a palavra que revela e desmascara a ideologia e as práticas escusas dos dirigentes de Jerusalém e das sinagogas. Ouvir é acolher a Palavra e pô-la em prática. Quem ouve as palavras de Jesus e as acolhe, não condena, mas pratica a misericórdia.
Quem faz um julgamento usando a misericórdia como medida alcançará, por sua vez, misericórdia em abundância. A alusão ao "ter" e "não ter" é um dito realista da sociedade injusta que exclui cada vez mais os pobres. Com certo constrangimento, aplica-se à disposição de acolhida a Palavra (a este "será dado"), questionando o Judaísmo que se fechou (a este "será tirado").
O evangelho de hoje expressa que a melhor maneira de manter acesa a lâmpada da Boa Nova, da presença salvifica de Deus no meio da comunidade, é através de uma entrega sem medida aos demais; deve-se imitar Deus que se entrega por inteiro, oferecer-se todo para salvar as pessoas da escuridão.
As nossas ações devem ser produtos dos nossos pensamentos e também dos nossos sentimentos. Nesta leitura Jesus nos exorta para que elas sejam como lâmpadas acesas colocadas em lugar alto a fim de que todas as pessoas que as vejam sejam iluminadas, isto é, tenham conhecimento. Portanto, as nossas ações devem revelar o que nós cultivamos dentro de nós mesmos (as).

Se, cultivamos em nós bons pensamentos e regamos os nossos bons sentimentos nós poderemos também realizar boas obras as quais são como lâmpadas acesas que podem ser vistas por todas as pessoas.

Quando nós falseamos, quando nós blefamos e escondemos as nossas reais intenções nós também somos capazes de praticar ações duvidosas que por mais que aparentem bondade, são, no entanto, arapucas que nós armamos para que outros caiam.

Aí, nós revelamos, apenas escuridão. Jesus continua nos advertindo em relação às nossas ações e, agora também, quanto aos nossos julgamentos quando diz: “com a mesma medida com que medirdes também vós sereis medidos”.

Muitas vezes nós usamos critérios muito exigentes para com os nossos irmãos e irmãs e não nos apercebemos de que com o mesmo rigor nós também seremos julgados (as), e… por nós mesmos (as)!

A medida, então, é a que nós usamos, isto é, a nossa medida. Existe um ditado popular que expressa muito bem o que o Senhor nos fala: “quem disto usa, disto cuida”.

Portanto, que nós tenhamos cuidado de purificar os nossos pensamentos e sentimentos a fim de que possamos atuar com sinceridade e com transparência irradiando ao mundo a Luz que vem do Senhor. E que as nossas ações e os nossos julgamentos para com os nossos irmãos (ãs) sejam feitos com uma medida ajustada à nossa própria fraqueza, portanto, cheios de misericórdia e compaixão. 

Você é uma pessoa transparente e sincera? As suas ações acompanham os seus sentimentos e pensamentos ou você consegue camuflá-las? Você é muito rigoroso (a) com os erros das pessoas? E com os seus? Você é uma pessoa que se impacienta por qualquer coisa? Qual é a sua medida?

Propósito:

Pai, ensina-me a ser benevolente com quem deve ser evangelizado por mim, para que, no final de minha missão, eu possa também experimentar a tua benevolência.

Dia 29

Jamais se deixe abater pela tristeza, desânimo ou pessimismo.

Tudo passa, tudo muda.

O tempo é como um farol, que guia as pessoas na direção certa.

Além disso, é um bálsamo que cura dores, mágoas e feridas. Por isso entregue tudo nas mãos divinas.

No momento certo, Deus agirá.

Mesmo que experimente dias de pouca luz e esperança, com a sua graça, tudo será diferente!

Nada tema, se você caminhar na verdade e na justiça.

“Quem é paciente resistirá até o momento oportuno; depois, a alegria lhe será restituída.” (Eclo 1,29).

 


Evangelho do dia 06 fevereiro sexta feira 2026

06 fevereiro - Os cavaleiros da Idade Média estavam sempre alerta para que a covardia de um instante não os fizesse perder a glória conquis...