domingo, 22 de fevereiro de 2026

Evangelho do dia 24 feevereiro ter;a feira 2026

 


24 fev - Em meio às dúvidas e ansiedades, estejam os ânimos sempre confiantes e serenos (L 198). São José Marello


Mateus 6,7-15

"- Nas suas orações, não fiquem repetindo o que vocês já disseram, como fazem os pagãos. Eles pensam que Deus os ouvirá porque fazem orações compridas. Não sejam como eles, pois, antes de vocês pedirem, o Pai de vocês já sabe o que vocês precisam. Portanto, orem assim:
"Pai nosso, que estás no céu, que todos reconheçam que o teu nome é santo.
Venha o teu Reino.
Que a tua vontade seja feita aqui na terra como é feita no céu!
Dá-nos hoje o alimento que precisamos.
Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam.
E não deixes que sejamos tentados, mas livra-nos do mal.
[pois teu é o Reino, o poder e a glória, para sempre. Amém!]"
- Porque, se vocês perdoarem as pessoas que ofenderem vocês, o Pai de vocês, que está no céu, também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem essas pessoas, o Pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês."

Meditação:

O evangelho de hoje nos apresenta a oração do Pai Nosso, o Salmo que Jesus nos deixou. Existem duas redações do Pai Nosso: a de Lucas (Lc 11,1-4) e a de Mateus (Mt 6,7-13).

A redação de Lucas é mais breve. Lucas escreve para as comunidades que estavam inseridas entre os pagãos e eram constituídas por pessoas de cultura e mentalidade grego-pagã. Visa ajudar as pessoas que estão iniciando a caminhada da oração.

No Evangelho de Mateus, o Pai Nosso encontra-se inserido no Discurso da Montanha, onde Jesus orienta os discípulos na prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum.

O Pai Nosso faz parte de uma catequese para judeus convertidos. Eles estavam acostumados a rezar, mas tinham alguns vícios que Mateus queria corrigir. No Pai Nosso, Jesus resume todo o seu ensino em sete pontos dirigidos ao Pai.

Nestes sete pedidos, retoma as promessas do Antigo Testamento e manda pedir ao Pai que nos ajude a realizá-las. Os primeiros três se referem à nossa relação com Deus. Os outros quatro tem a ver com a relação comunitária que temos com os outros.

Na introdução, Jesus critica as pessoas para as quais a oração era um repetição de fórmulas mágicas, de palavras fortes, dirigidas a Deus para obrigá-lo a responder a seus pedidos e necessidades.

Quem reza deve buscar, em primeiro lugar, o Reino, muito mais que seus interesses pessoais. A acolhida da oração por parte de Deus não depende da repetição das palavras, mas sim da bondade de Deus que é Amor e Misericórdia. Ele quer o nosso bem e conhecer nossas necessidades, antes mesmo das nossas orações.

As primeiras palavras: “Pai Nosso que estás nos céus!” Abbá, Pai, é o nome que Jesus usa para se dirigir a Deus. Expressa a intimidade que ele tem com Deus e manifesta a nova relação com Deus que deve caracterizar a vida das pessoas nas comunidades cristãs (Gl 4,6; Rm 8,15). Mateus acrescenta ao nome do Pai o adjetivo nosso e a expressão que “estás nos céus”.

 A verdadeira oração é uma relação que nos une ao Pai, aos irmãos e às irmãs, à natureza. A familiaridade com Deus não é intimista, mas expressa a consciência de pertencer à grande família humana, da qual participam todas as pessoas, de todas as raças e de todos os credos: Pai Nosso.

Rezar ao Pai e entrar na intimidade com Ele, é entrar em sintonia com os guias de todos os irmãos e irmãs. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar.

A experiência de Deus Pai é o fundamento da fraternidade universal. • Mateus 6,9b-10: Os três pedidos pela causa de Deus: o Nome, o Reino, a Vontade. Na primeira parte do Pai Nosso, pedimos para restaurar a nossa relação com Deus.

Para fazer isso, Jesus pede (a) a santificação do Nome revelado no Êxodo por ocasião da libertação do Egito; (b) pede a vinda do Reino, esperado pelo povo após o fracasso da monarquia; (c) pede a realização da Vontade de Deus, revelada na Lei que estava no coração da Aliança.

O Nome, o Reino, a Lei, são os três eixos do Antigo Testamento que manifestam como deve ser a nova relação com Deus.

Os três pedidos apontam que é preciso viver na intimidade com o Pai, tornando conhecido seu Nome, amando-o, fazendo com que seu Reino de amor e de comunhão se torne realidade, que se faça sua Vontade assim na terra como no céu. No céu, o sol e as estrelas obedecem à lei de Deus e criam a ordem do universo.

A observância da lei de Deus “assim na terra como no céu” deve ser fonte e espelho da harmonia e do bem-estar para toda a criação.

Esta relação renovada com Deus torna-se visível na relação renovada entre nós que, por sua parte, é objeto dos outros quatro pedidos; o pão cotidiano, o perdão das dívidas, e não cair em tentação e a libertação do Mal.

Na segunda parte do Pai Nosso pedimos para restaurar e renovar a relação entre as pessoas. Os quatro pedidos apontam como devem ser transformadas as estruturas da comunidade e da sociedade de modo que todos os filhos e as filhas de Deus vivam com igual dignidade.

"O pão nosso de cada dia" (Mt 6,11): lembra o maná de todo dia no deserto (Ex 16,1-36). O maná era uma "prova" para ver se as pessoas eram capazes de seguir a Lei do Senhor (Ex 16,4), isto é, se era capaz de juntar alimento só por um dia em sinal de fé que a providência divina oferece para a organização fraterna. Jesus convida a caminhar para um novo êxodo, rumo a uma nova convivência fraterna que possa garantir o pão para todos.

O pedido do “perdão das dívidas” (6,12): lembra o ano sabático que obrigava os credores a perdoar todas as dívidas aos irmãos (Dt 15,1-2). O objetivo do ano sabático e do ano jubilar (Lv 25,1-22) era zerar as desigualdades e recomeçar tudo de novo.

Como rezar hoje: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos a quem nos deve”? Os países ricos, todos cristãos, se enriquecem graças à dívida exterior doa países pobres. Não cair em tentação: o pedido de “não cair em tentação” (6,13) lembra os erros cometidos no deserto, onde o povo caiu em tentação (Ex 18,1-7; Nm 20,1-13; Dt 9,7-29), para imitar Jesus que foi tentado e venceu (Mt 4,1-17).

No deserto, a tentação leva as pessoas a seguir outros caminhos, a voltar atrás a não seguir o caminho da libertação e a exigir de Moisés que os guiava.

Libertação do Mal: o mal é o Maligno, Satanás, que procura desviar e que, de muitas maneiras, tenta levar a pessoa a não seguir o caminho do Reino, apontado por Jesus. Tentou Jesus a abandonar o Projeto do Pai e ser o Messias das idéias dos fariseus, escribas e outros grupos judaicos.

O Maligno afasta de Deus e é motivo de escândalo. Entrou também em Pedro (Mt 16,23) e tentou também Jesus no deserto. Jesus o venceu (Mt 4,1-11).

Jesus afirma “perdoa as nossas dívidas”, mas hoje rezamos “perdoa as nossas ofensas”, o que é mais fácil: perdoar as ofensas ou perdoar as dívidas? Como você está acostumado (a) a rezar o Pai Nosso: mecanicamente ou inserindo nele toda a tua vida e teu ardor nas palavras que pronuncias?

Reflexão Apostólica

Esses dias ficou enfatizada a importância do Jejum, hoje falaremos da oração.

Comecemos pela primeira leitura de hoje (Is 55,10-11): (…) Isto diz o Senhor: assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la."

Como rezar? Como saber se nossa prece chegou ao Senhor? Como saber? Saibam que esse é um dos maiores dilemas dos cristãos. Sabemos que Ele nos ouve e que suas palavras não voltam sem cumprir seu destino, mas não sabemos se o tocamos. Como suprimir essa angustia?

Nossa humanidade requer respostas. Viramos o volante, esperamos que o carro mude de direção; pisamos no freio, esperamos que pare; compramos um bilhete de rifa, esperamos pelo menos saber o número sorteado.

Precisamos dessa alimentação, que chamam de feedback para saber se a atitude que tomamos correspondeu ao desejado. Importante salientar: tudo isso faz parte de um conjunto de atos instintivos, primitivos e bem normais.

Um bebê chora esperando assim chamar atenção para algo; uma criança rola no chão esperando a mesma coisa; rezamos esperando ser ouvidos… será que somos ouvidos?

É claro que sim! Mas essa angústia é tão remota que os mais antigos queimavam suas ofertas, imaginando assim, ao ver a fumaça subir ao seu, levava consigo as suas preces. A fumaça era um sinal visível da oração. Ela reforçava a sua fé. Ela ainda é muito usada ainda hoje só que na forma de incenso, mas em nossas orações diárias não vemos fumaça (graças a Deus! risos), mas então o que nos faz ter a certeza que elas chegaram a Deus? Uma resposta simples: A fé!!

No Evangelho de hoje Jesus nos ensina a rezar. Ele diz que não precisamos usar palavras bonitas ou difíceis, pois o Pai já sabe do que precisamos, muito antes de nós abrirmos a boca para pedir.

Você poderia perguntar: "Ora, se Ele já sabe, então por que eu ainda preciso pedir?" Pois é, você também não precisa pedir... O nosso Pai do Céu não exige que você peça.

Você consegue lembrar da última vez que passou 3 dias sem rezar um Pai Nosso? Pense um pouco... Agora tente lembrar... O que foi que aconteceu? Você passou fome? O sol deixou de nascer pra você? A água deixou de lhe molhar? Acredito que não. E por quê? Porque Deus cuida de você como quem cuida de um bebê recém-nascido, que nem sabe do que precisa, mas é cercado de mimos e paparicos sem nem saber de onde eles vêm...

Jesus nos ensinou a oração por excelência, essencialmente comunitária: o Pai-Nosso. A primeira parte da oração tem como centro o desejo da realização do projeto do Pai (teu nome, teu reino, tua vontade). Na segunda parte o centro é a comunidade (pão nosso, nossas dívidas, não nos deixeis), que adere concretamente a este projeto.
Na oração do Pai-Nosso encontramos o projeto da mudança.

Jesus nos deu a matiz de todas as orações: O Pai Nosso. Partindo dela saem e originam as outras orações. Decoradas ou espontâneas o que as diferencia é a fé de quem as proclama. Celina Borges sintetizou numa canção (Hoje eu vou tocar no Senhor) como devemos evocar a Deus em nossa oração: “(…) Vou te buscar com todo o meu coração. E além do véu te encontrar. Face a face te ver, te tocar te sentir. E dizer tudo aquilo, que eu tenho em mim. Hoje eu vou tocar no Senhor, COM MINHA FÉ, VOU RASGAR O CÉU COM A MINHA ORAÇÃO E te ver face a face”.

A oração é uma busca por Deus. É não se contentar de vê-lo passar sem o tocá-LO. Portanto O FOCO DA ORAÇÃO NÃO É O PEDIDO OU O QUE É VISÍVEL E SIM A CONVERSA.

O Apostolo Paulo alertava que não sabemos pedir e em virtude disso o Espírito Santo vem para pedir por nós (Rm 8,26).

Esse mesmo Espírito faz-se agitar pela fé, confiança esta que fez o cego saber que Jesus passava por ali mesmo sem vê-lo ou quando moveu a mulher que sofria de hemorragia a enfrentar as cotoveladas e empurrões da multidão para pelo menos tocar a orla de seu manto.

O PAI NOSSO é a matiz das orações, mas ele muda de acordo com a fé de quem reza. Vamos tentar novamente?

Pai Nosso que estais no céu…

Propósito: Rezar com muita consciência e fé a Oração que Jesus nos ensinou.

Dia 24

Em diversas ocasiões da vida, é sempre possível ajudar alguém.

Um olhar de simpatia, uma palavra de estímulo e consolo reerguem alguém triste e desanimado.

Por menor que seja a semente, se for boa, no devido tempo dará bons frutos.

O que é bom nunca se perde!

Por isso, estenda sempre a mão a quem precisa, erra ou se percebe enfraquecido.

Faça-lhe o convite para levantar-se e prosseguir no caminho.

Tenha a certeza de que, embora pequenas, essas atitudes operam verdadeiros milagres.

Em todas as horas do dia, procure ser testemunho da presença de Deus.

“A respeito do amor fraterno, não é preciso que vos escrevamos, porque vós mesmas aprendestes de Deus a vos amar uns aos outros”

(1Ts 4,9).

 


Evangelho do dia 23 fevereiro segunda feira 2026


23 fev - Rezemos e curvemo-nos resignados diante da vontade do Deus Providência. (C 51).
SÃO JOSE MARELLO


Mateus 25,31-46
"
Jesus terminou, dizendo:
- Quando o Filho do Homem vier como Rei, com todos os anjos, ele se sentará no seu trono real. Todos os povos da terra se reunirão diante dele, e ele separará as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas das cabras. Ele porá os bons à sua direita e os outros, à esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: "Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam na sua casa. Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na cadeia, e foram me visitar."
- Então os bons perguntarão: "Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água? Quando foi que vimos o senhor como estrangeiro e o recebemos na nossa casa ou sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o senhor doente ou na cadeia e fomos visitá-lo?"
- Aí o Rei responderá: "Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram."
- Depois ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: "Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos! Pois eu estava com fome, e vocês não me deram comida; estava com sede, e não me deram água. Era estrangeiro, e não me receberam na sua casa; estava sem roupa, e não me vestiram. Estava doente e na cadeia, e vocês não cuidaram de mim."
- Então eles perguntarão: "Senhor, quando foi que vimos o senhor com fome, ou com sede, ou como estrangeiro, ou sem roupa, ou doente, ou na cadeia e não o ajudamos?"
- O Rei responderá: "Eu afirmo a vocês que isto é verdade: todas as vezes que vocês deixaram de ajudar uma destas pessoas mais humildes, foi a mim que deixaram de ajudar."
E Jesus terminou assim:
- Portanto, estes irão para o castigo eterno, mas os bons irão para a vida eterna."

Meditação:

No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina sobre o Juízo final. Aqui, Mateus usa o gênero literário apocalíptico, a vinda gloriosa do Filho do Homem, com um julgamento terrível, ao estilo do livro de Daniel (Dn 7,13; 12,2). Com esta roupagem literária, ele fala da realidade a ser vivida atualmente.
É uma realidade inegável, que o último dia chegará, quando o Senhor vier pela segunda vez, não mais como o Messias, mas como o justo Juiz de todas as nações.
Embora, este Evangelho se refira ao Julgamento Universal, não devemos esquecer que cada um de nós teremos, o que se chama, o Julgamento pessoal. Ambos estão intimamente ligados. Talvez você se pergunte o "por quê", e a resposta se encontra justamente nas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. Muito claramente, Ele ressalta a importância de todos os cristãos, durante a sua vida terrena, não apenas desejar, mas esforçar-se por alcançar a fé com obras (Tg 2,14-24).
Significa que a vida cristã é uma constante e inabalável certeza de que somos filhos de Deus e de que, ao fim do caminho se receberá a recompensa, de acordo com a promessa de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme a sua palavra: «
Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25,34). E como o Senhor ainda diz:«"O céu e a terra passarão, mas a minha palavra não passará» (Mt 24,35), isso nos indica que não devemos ter a menor dúvida de que assim será, porque Deus é Deus e jamais volta atrás, e que cumpre a sua promessa.
Entretanto, aqui surge a pergunta: como conseguiremos ser partícipes do Reino dos Céus? Já escutaram as santas palavras de nosso amado Senhor Jesus Cristo, ao mostrar em seu Evangelho alguns exemplos de como ir construindo a nossa felicidade, o nosso futuro e eterna alegria de estar com Ele em sua bendita glória?

Ele diz: «Em verdade eu vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes».  (Mt 25, 40).

Quem, então, em seu perfeito juízo, faria mal ao seu semelhante? Creio que ninguém. Mas o Senhor põe ênfase, quando diz: «ao menor dos meus irmãos», ao mais desvalido, faminto, sedento, desnudo, sem abrigo, prisioneiro, e outras carências mais. É a este irmão que sofre, não somente as privações materiais, mas também as espirituais, a quem nós, cristãos, devemos ajudar e acompanhar.

Na medida de nossas possibilidades ou com maiores esforços, se necessário, façamos tudo o que for possível, e ainda mais por aqueles desditados e sofridos.

Estas são as obras que acompanham a nossa fé. Isto o que que ficará, como disse na homilia anterior, evidenciado ante o Justo juiz, Cristo nosso Senhor e Deus, no momento de nosso julgamento pessoal.
Na «sabedoria» popular há um ditado que diz: «
Obras são gestos de amor e não boas razões»; e é, nada mais nada menos, o que se recolhe dos ensinamentos do Senhor em sua Sagrada Escritura.
Esta é a equação:
Fé + Obras = Amor. Esta é a chave para nossa salvação, pois «de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).

Deus se dá a nós por puro amor, e nós, de nossa parte, demo-nos também a Ele através de nosso próximo sofredor pois, é especialmente nele onde está presente Cristo. 

 Se assim o fazemos estaremos cumprindo, não por obrigação, mas por amor ao mandamento que sintetiza o decálogo: amor a Deus e amor ao próximo. Não há outro caminho mais seguro que o amor. «Se eu não tiver caridade, não sou nada». (1Cor 13, 2).
O Senhor nos indica que, aqueles que, sabendo que receberam este grande amor de Deus durante sua vida terrena, agiram ou agem com rebeldia, como o fazem os espíritos do mal, seu destino será o mesmo dos demônios, para toda a eternidade.

 Alguns podem pensar que isto é apocalíptico e alarmante (sinal de secularismo). Bem, se assim pensam, é porque sabem, na profundeza de suas almas, que não estão trilhando o caminho da salvação. Suas consciências, que é a voz de Deus, lhes tocam, mas, desgraçadamente, tentam abafá-la.
Não obstante, ainda há tempo, e é já, agora! a oportunidade para todos, os que estão próximos ou afastados de Deus buscarem garantir seus lugares no Reino dos Céus. Como?

Cristo nos deu a sua Igreja aqui na terra que está com as portas sempre abertas para acolher todo aquele que, como o filho pródigo, deseja voltar ao seio amoroso do Pai Celestial.

É aqui que recebem a cura de seus ferimentos mortais, a libertação total e o fortalecimento mediante a Palavra de Deus, o seu ensinamento e os seus santos Mistérios (sacramentos).

Se Deus nos dá tudo, quem poderia ser tão néscio - como o foram as virgens que consumiram todo o azeite antes da chegada do noivo - de desperdiçar esta oportunidade única para a salvação e a grande felicidade eterna junto de Deus? Espero que ninguém.
Cristo nos convida e nos espera de braços abertos, tal como quando os abriu para se deixar crucificar por nossos pecados e transgressões.

Assim, amorosamente, nos quer estreitar em seu bendito peito, e sentar-nos com Ele em seu grande banquete, onde estaremos com as vestimentas mais brilhante do que o sol e com o anel no dedo, símbolo de nossa filiação divina.
Não é, pois, tempo de inércia; não é tempo de dormir. É tempo de estar em permanente vigília, pois, disso depende o nosso futuro.
Digamos juntos: «
Maran Atha!» «Vem Senhor Jesus!»

Reflexão Apostólica:

Quem poderá hoje dizer quem estará a sua direita e quem estará a sua esquerda?
Enquanto cristãos, esperamos um dia encontrar e descansar na graça, portanto temos um imenso compromisso com a construção do reino e com os que um dia habitarão essa terra.

Isso difere muitas vezes do que alguns podem pensar, pois temos irmãos que se prontificariam até em ficar a porta do céu para “selecionar” quem poderia entrar no céu.

Temos irmãos também que se prontificariam em ficarem as portas do céu de mãos levantadas e louvando por aqueles que adentrarem, mas infelizmente, hoje temos também em menor número, pessoas ajudando a arrebanhar as ovelhas perdidas. É fácil tosquiar a ovelha que está no cercadinho e a que me segue…
Se declarar católico, evangélico, cristão não é atestado de salvação, pois como vimos esses dias, nem todo que diz “senhor, senhor” chega ao céu…

Reparemos o que diz o comentário desse texto segundo a CNBB: “(…) Jesus nos mostra no Evangelho de hoje que a verdadeira religião não é aquela que é marcada por ritualismos e cumprimento de preceitos meramente espirituais, afinal de contas ele não nos perguntará no dia do julgamento final se nós procuramos cumprir os preceitos religiosos, mas sim se fomos capazes de viver concretamente o amor”.
Outro contra censo é estar à frente de um trabalho de evangelização e não acreditar no que prega sendo até assim, mais perigoso que aquele que não acredita em nada. Um exemplo: Jovens, diferentemente do que pensamos, gostam sim de regras. Não gostam de assumir isso, mas sem regras em casa eles costumam seguir as de alguém que admira. Como é decepcionante para um aluno ao ver seu professor, a quem tem como referencia, brigando, xingando, fumando, (…).
Quando deparamos com essa informação sacamos a velha frase “faça o que eu falo e não o que faço” ou aquela outra “não podemos julgar, somos falhos, erramos” …

 Reparem o quanto nos protegemos e relutamos em assumir nossas mazelas. Temos medo de assumir que somos seres em construção. Pessoas que estão a frente deve se empenhar ainda mais e serem melhores, não só nos lindos discursos e sim na vida.
Quanto aos louvores… Muitas vezes tecemos lindas palavras, escrevemos lindos discursos, mas em outros momentos nosso humano ainda não convertido publica outdoors de contra testemunho.

É o irmão, o padre, o pastor que “vive na igreja” e não muda o coração; é aquele que arma um imenso “beiço” quando toma um “não”; é aquela catequista que vai com o “cofrinho” de fora; é o jovem bobo e bêbado no carnaval pra agradar os amigos; é o pai que fura o sinal vermelho; é a mãe que compete com sua filha de 15 anos; (…). Como convencer alguém com palavras se respondo com os gestos que minha vida ainda não acredita nelas?
Hoje o mundo oferece igrejas “a la carte”, onde em qualquer esquina se promete tudo que é imaginário a atender nossos desejos. O que essas “igrejas” ainda não ofereceram o Google oferta a resposta.
Um líder, uma liderança que não sabe acolher, que justifica seus atos contraditórios em relação a sua fala, faz aproximar os que têm dúvidas, dessas falsas igrejas que se “empenham” a dar o que eles querem ouvir.
A teologia da prosperidade só tem tantos adeptos, pois nossa fala de desapego não combina com o ser apegado a riqueza e ao luxo que renegamos abandonar… Como entender alguém cristão ser maçom?
Quero ficar a direita ou à esquerda? Concorda que temos muito ainda por fazerem nós? Enquanto alguns ficam aqui zelando as do cercadinho, alguém tem que ir lá fora buscar na chuva quem não voltou ainda! Pior ainda é aquele que se põe no cercadinho como vítima apenas para não ter que de fato mudar. “
Eu afirmo a vocês que isto é verdade: todas as vezes que vocês deixaram de ajudar uma destas pessoas mais humildes, foi a mim que deixaram de ajudar.”

Somos chamados a converter-nos à simplicidade e à confiança na vida, abandonando o medo adulto do fracasso, do desprestígio e da pobreza. Somos chamados à fraternidade, à partilha e à comunhão com os irmãozinhos empobrecidos e carentes.

Propósito: Ter os olhos abertos e um coração aberto e uma mão aberta para dar ajuda, para servir outras pessoas.

Dia 23

Existem pessoas que tentam dissimular suas limitações físicas.

No entanto, mais importante que demonstrar um corpo sadio e perfeito é ter o Espírito Santo de Deus no coração, irradiando a luz divina.

Procure amar a todos sem distinção; faça o possível para levar a paz, o amor e a bondade para todos os lugares onde for.

Se agir assim, você só tem a ganhar.

A exemplo de Jesus, evite julgar os outros somente pela aparência.

Só Deus sabe o que está no coração de cada um.

“Não julgueis, e não sereis julgados”. (Mt 7,1).

 


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DIA 22 FEVREIRO 2026 - 1º DOMINGO DA QUARESMA


22 fev - Rezemos e curvemo-nos resignados diante da vontade do Deus Providência. (C 51). São José Marello


Mateus 4,1-11

Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo. Ele jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: "Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!" Ele respondeu: "Está escrito: 'Não se vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'". Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: "Se és Filho de Deus, joga-te daqui abaixo! Pois está escrito: 'Ele dará ordens a seus anjos a teu respeito, e eles te carregarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra'". Jesus lhe respondeu: "Também está escrito: 'Não porás à prova o Senhor teu Deus'!" O diabo o levou ainda para uma montanha muito alta. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua riqueza, e lhe disse: "Eu te darei tudo isso, se caíres de joelhos para me adorar". Jesus lhe disse: "Vai embora, Satanás, pois está escrito: 'Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto'". Por fim, o diabo o deixou, e os anjos se aproximaram para servi-lo.

REFLEXÃO PARA O 1º DOMINGO DA QUARESMA – MATEUS 4,1-11 (ANO A) 22 fev 2026 

Após uma sequência de seis domingos, a liturgia interrompe o tempo comum para viver e celebrar um de seus tempos mais fortes, a Quaresma, iniciada na Quarta-Feira de Cinzas, com o convite à conversão, em preparação à Páscoa do Senhor. Hoje, celebramos o primeiro domingo deste tempo especial. Como acontece todos os anos, o evangelho do primeiro domingo da Quaresma compreende a narrativa das tentações pelas quais passou Jesus no deserto, logo após ser batizado, como preparação para o início de seu ministério. Esse é um episódio presente nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), um dado que confirma a sua grande importância para as primeiras comunidades cristãs. Neste ano, por ocasião do ciclo litúrgico A, nós lemos a versão das tentações do Evangelho de Mateus –  4,1-11. Se trata de um texto bastante rico, muito bem elaborado, tanto do ponto de vista literário quanto teológico, com uso abundante de linguagem simbólica. 

Marcado por forte simbologia, o evangelho de hoje corre o sério risco de ser mal compreendido, devido a nossa tendência equivocada de considerar os evangelhos como livros de crônicas exatas da vida de Jesus, esquecendo o aspecto simbólico que predomina neste tipo de relato. Por isso, é necessário, a nível de introdução, fazer algumas considerações importantes para uma adequada compreensão. A fonte original deste relato é o Evangelho de Marcos, e não dá nenhum detalhe sobre o nível e a modalidade das tentações. Marcos apenas diz que «Jesus esteve no deserto durante quarenta dias sendo tentado por Satanás» (Mc 1,13); dessa informação simples e vaga, o evangelista Mateus, com muita criatividade, e atendendo às necessidades da sua comunidade, ilustrou a história que lemos hoje na liturgia, como fez também Lucas (cf.  Lc 4,1-13).

A nível de contexto, é imprescindível recordar que o relato das tentações segue, imediatamente, ao relato do batismo – cf. Mt 3,13-17 – e, por isso, ambos estão intrinsecamente relacionados. Ainda antes do batismo, João tinha anunciado Jesus como o Messias, em sua pregação. Ora, no batismo o Espírito Santo desceu sobre Jesus e, do céu, o próprio Pai o declarou como o seu “Filho Amado”. Logo, o principal objetivo do evangelista com este episódio de hoje é apresentar o comportamento de Jesus como o enviado de Deus, ou seja, o “Filho amado do Pai”, conforme a revelação no batismo, cena anterior ao texto de hoje. E ele vai mostrar que Jesus permanecerá fiel aos propósitos do Pai, rejeitando todas as propostas que não condizem com os valores do Reino, sintetizadas aqui pelas três tentações apresentadas pelo diabo. Portanto, esse é um texto programático para a comunidade cristã, pois indica como deve agir e resistir ao mal quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo, missão comum a todos os batizados e batizadas.

Iniciamos nossa reflexão considerando os dois primeiros versículos do texto: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome» (vv. 1-2). Ora, o mesmo Espírito Santo que desceu em forma de pomba (cf. Mt 3,16) no batismo, acompanhará Jesus em todos os seus passos e ações; com o batismo, foi inaugurada sua vida pública, e essa, do início ao fim, será marcada pela presença do Espírito Santo, e não apenas quando Ele vai ao deserto. Aqui, o deserto não é um indicativo geográfico, mas teológico. A ida de Jesus ao deserto, antes de tudo, indica que ele está inserido na história do povo de Israel, fazendo parte desse e, portanto, estará sujeito aos mesmos riscos pelos quais Israel passou, desde a saída do Egito até a conquista da terra. Logo, também o caminho de Jesus, do nascimento à ressurreição, será marcado por riscos, perigos e provas, uma vez que Ele, mesmo sendo o “Filho Amado” de Deus, é verdadeiramente ser humano, assumiu a humanidade em todas as suas dimensões. Embora o deserto evoque a provação e a dificuldade, é também o lugar ideal para o bom relacionamento com Deus, por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25). Uma vez que o deserto também é sinônimo de provação e perigo, o evangelista quer dizer que aquele que tem a sua vida conduzida pelo Espírito, não está imune aos perigos da vida, não é uma pessoa blindada. O autor das tentações é o diabo (em grego: διαβολος – diábolos), palavra grega que literalmente significa aquele que divide e atrapalha, como é tudo o que se opõe à concretização do Reino de Deus e ao caminho de Jesus. Logo, o diabo não é uma pessoa ou um ser específico, mas todo percalço posto diante do projeto de Deus; muitas vezes é a própria estrutura das comunidades que teimam em ofuscar o Evangelho.

Se o deserto não é um dado geográfico, assim também os “quarenta dias” que Jesus lá passou não podem ser considerados como um dado cronológico exato. Mais uma vez, trata-se de um dado teológico, e de grande relevância. São muitas as ocorrências do número quarenta relacionado ao tempo no Antigo Testamento: a duração do dilúvio foi de quarenta dias e quarenta noites (cf. Gn 7,4.12.17); Moisés passou quarenta dias sobre a montanha, antes de receber a Lei (cf. Ex 32,28); a caminhada do povo de Deus no deserto durou quarenta anos, sendo esse um tempo de fidelidade e infidelidade, idolatria e prova (Ex 44,28); e o profeta Elias caminhou durante quarenta dias rumo ao monte Horeb (cf. 1 Rs 19,8). Além de evocar acontecimentos e personagens importantes da história de Israel, esse número quer dizer também uma etapa completa, ou seja, uma vida inteira, uma geração (quarenta anos). Quando se trata de dias, é o tempo necessário para assimilar um grande ensinamento. Portanto, significa que toda a vida de Jesus foi marcada pela prova e, assim, é também a vida da comunidade cristã. Isso deve levar os cristãos e cristãs a uma vida vigilante sem, jamais, cair nos comodismos que podem surgir. Quer dizer que a Igreja não pode, em momento algum da história, aceitar qualquer sinal de conforto, principalmente quando ofertado pelos detentores do poder.

A primeira tentação diz respeito à maneira de relacionar-se com as coisas; a lógica do império incentivava o consumo e a satisfação dos desejos, o que Jesus rejeita. Eis o que diz a primeira tentação: «Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: ‘Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães! Mas Jesus respondeu: ‘Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’» (vv. 3-4). Embora faminto, Jesus percebe que não é suficiente saciar-se de pão naquele momento, pois a vida pede muito mais do que pão. Por isso, com base na Escritura (cf. Dt 8,3), Ele não dispensa o pão, mas diz que o homem não pode viver “somente” dele. A vida digna e plena não depende somente do alimento material, mas de todos os valores do Reino contidos na “Palavra que sai da boca de Deus”, que será explicitada no dec0rrer do seu ministério. O messianismo da época previa um messias milagreiro, ao que Jesus se opõe radicalmente; Ele não veio ao mundo para resolver os problemas de maneira fácil e cômoda, como queriam e ainda querem muitos grupos e movimentos religiosos. Por sinal, essa é única vez em que o evangelista Mateus dá ao diabo o nome de “tentador” (em grego: πειράζων – peirazón), uma derivação do verbo tentar (em grego: πειράζω – peirázo), o mesmo verbo que ele aplica aos líderes religiosos, especialmente os fariseus, que põe Jesus à prova durante o evangelho (16,1; 19,3; 22,18.35).

A segunda tentação chama a atenção para a relação com Deus: «Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: ‘Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, mas para que não tropeces em alguma pedra’. Jesus lhe respondeu: ‘Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’» (v. 5-7). Ora, no templo de Jerusalém, onde a religião dizia que Deus morava, o que mais se podia esperar era milagres! Jesus resiste à tentação do milagre fácil, rejeitando o Deus vendido pelo templo; o seu Deus não é aquele que distribui anjos por todas as partes para guiar e proteger os seus “filhos bons” e castigar os maus, como afirmava a religião da época, não é o Deus das visões e aparições nem dos espetaculares prodígios, mas é o Deus da simplicidade, das coisas pequenas, porque age a partir de dentro do ser humano.

A terceira tentação diz respeito à relação com o próximo, sobretudo quanto à maneira de conceber e exercer o poder: «Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, E lhe disse: ‘Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar’. Jesus lhe disse: ‘Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’» (vv. 8-10). A lógica religiosa-imperial incentivava a busca constante por prestígio e poder e, consequentemente, de domínio sobre o outro. Cada vez mais alimentavam-se as expectativas de um messias glorioso e poderoso, capaz de julgar e condenar todos os ‘inimigos’ de Israel. Para decepção de muitos, Jesus apresentou-se como messias servo e sofredor. Por isso, rejeita toda e qualquer forma de poder, pois, mesmo que esse seja exercido em nome de Deus, será sempre de origem diabólica, uma vez que impede a concretização de uma fraternidade universal. O diabo apresenta a Jesus todos os reinos do mundo; significa que há muitos, enquanto Jesus falará de um único Reino, o Reino dos Céus, como sinal de unidade e fraternidade. A multiplicidade de reinos do mundo significa a falta de concórdia e harmonia, decorrente das formas tirânicas e ilegítimas do exercício do poder.

Ao invés de poder, Jesus escolherá o serviço como meio de exercício de sua autoridade, e fruto de suas convicções de Filho Amado do Pai. Ele não quis e nem quer o domínio do universo; quis e quer apenas que o seu amor chegue, através dos seus seguidores e seguidoras, em todos os confins da terra e, assim, que a humanidade seja transformada por esse amor. É claro que o evangelista não descreve o diabo como dono do mundo; mas está denunciando que o poder exercido até então, em todos os reinos, marcado pela exploração, injustiça e opressão, segue a lógica diabólica, à qual o Evangelho se contrapõe com o Reino dos Céus anunciado por Jesus, marcado pelo amor, pelo serviço, a justiça e a fraternidade. 

Na conclusão, diz o evangelista: «Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus» (v. 11). O diabo se afastou porque não encontrou em Jesus um aliado. Devido à sua comunhão de amor com o Pai, Jesus sabia discernir e fazer opção pelo lado do amor e da justiça, inclusive, foi para isso que o Pai lhe enviou ao mundo. Ao falar do serviço dos anjos a Jesus, o evangelista emprega um verbo que significa especificamente o serviço de mesa, ou seja, o serviço do pão. É esse o sentido do verbo grego “diakonêo” (διακονέω), do qual deriva o termo diácono (em grego: διάκονος – diáconos). Ao invés de comer um pão fruto de uma mera demonstração de poder, Jesus recebe o pão como dom gratuito; e aquilo que é dom deve ser partilhado, como ele mesmo fará, seja partilhando o pão com as multidões famintas (cf. Mt 15,32-39), seja doando a sua própria vida como alimento (cf. Mt 26,26-30).

As três tentações ou provas relatadas no evangelho de hoje são proposta e contraproposta de como o ser humano deve relacionar-se com as coisas, com Deus e com o próximo. São como uma parábola da vida de Jesus. O diabo apresenta a lógica da ordem vigente, seja religiosa ou política, e Jesus propõe um caminho alternativo, o que vai caracterizar o Reino dos Céus como uma sociedade alternativa a todas formas de organização social até então experimentadas pela humanidade, amparadas ou não pela religião. Diante disso, parece haver um debate ou disputa de conhecimento da Escritura entre o diabo e Jesus. É uma nítida antecipação do que ocorrerá em toda a vida de Jesus, sobretudo quando terá de enfrentar os líderes religiosos do seu tempo.

A resistência de Jesus, recorrendo sempre à Palavra de Deus é uma indicação para as comunidades cristãs de todos os tempos: a perseverança e a fidelidade ao projeto de Jesus dependem essencialmente da atenção à Palavra. Ao mesmo tempo, há uma clara denúncia ao perigo do uso fundamentalista das Escrituras e tradições religiosas, pois também os argumentos do diabo são fundamentados na Palavra de Deus. É um alerta de que o mal age na história camuflado de diversas aparências, inclusive de pessoas muito religiosas.

Dia 22

É preciso conquistar a felicidade dia a dia, minuto a minuto, meã a mês, ano a


ano; enfim, por toda a vida.

Esse sentimento é encontrado principalmente na paz de coração.

Mas, para chegar à felicidade, é preciso lutar muito, transpor obstáculos, possuir obstinação, vencer barreiras e, em especial, ter paciência.

Esperar sempre, com fé e perseverança, contando com dias melhores.

Cabe a você conquistar a felicidade passo a passo.

“O instruído na palavra encontrará a felicidade; quem espera no Senhor, esse é feliz.” (Pr 16,20).

 

Evangelho do dia 21 fevereiro sábado 2026


21 fev - Deus nos visita, mas não desdenha as nossas orações, com as quais lhe suplicamos que nos trate com amor de Pai, dando-nos antes a força da resignação e depois a graça da consolação. (L 224).
SÃO JOSÉ MARELLO


Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 5,27-32

Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano, chamado Levi, sentado na coletoria de impostos. Disse-lhe: "Segue-me". Deixando tudo, levantou-se e seguiu-o. Levi preparou-lhe um grande banquete na sua casa. Lá estava um grande número de publicanos e de outras pessoas, sentadas à mesa com eles. Os fariseus e os escribas dentre eles murmuravam, dizendo aos discípulos de Jesus: "Por que comeis e bebeis com os publicanos e com os pecadores?" Jesus respondeu: "Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Não é a justos que vim chamar à conversão, mas a pecadores". 

Meditação:

Jesus convida um pecador a segui-lo e, além disso, entra em sua casa para fazer uma refeição com ele. O que é que ele ganha com isso, se sabe que a única coisa que está arranjando é juntar cada vez mais provas contra si, quando o acusarem formalmente em Jerusalém diante do poder romano? (Lc 23,5).

Aí está o segredo de seu modo de proceder: enquanto “perde pontos” com o judaísmo oficial, ganha na tarefa de instauração do reino de Deus; enquanto vai perdendo sua própria vida diante dos que lhe podem matar o corpo (Mt 10,28), vai ganhando vida cada vez que pessoas como estas que o acompanham à mesa se convertem e se abrem àquele acontecimento novo que era a presença do Noivo (vv. 34-35) e do reino, que subverte absolutamente toda a ordem estabelecida e mantida por um frio legalismo dos fariseus e doutores da lei.

Quantas vezes damos as costas aos “pecadores públicos”, deixando-nos levar por preconceitos ou pelo temor de sermos criticados! Jesus nos está demonstrando com fatos reais que eles são na realidade os que precisam dessa presença, desse acompanhamento que lhes fazemos.

Esta passagem descreve a refeição que reúne Jesus e seus discípulos com alguns pecadores, imediatamente depois do convite de Jesus a Mateus. Afirma-se que o próprio Mateus organiza o banquete, e Lucas acentua que o fez de maneira suntuosa.

Alguns fariseus se assombram diante dos discípulos de que seu Mestre coma com pecadores. Jesus declara então que veio para os doentes e os pecadores, e não para os sadios e justos.

Jesus pensa, sem dúvida, nesses “justos” que são incapazes de transcender a noção de justiça para chegar a reconhecer a misericórdia de Deus. Sua atitude lembra a dos operários da vinha que reclamaram do pagamento dos que tinham trabalhado menos, ou a do filho mais velho com ciúmes da bondade do pai para com o filho pródigo que mais precisava dela; ou a do fariseu que se vangloriava de pagar com justiça até o mais insignificante dízimo, mas desprezava o pedido de misericórdia do publicano.

Jesus opõe então, a uma atitude reduzida à mera justiça do homem, outra baseada na misericórdia. Lembra que os profetas já tinham rejeitado o valor dos ritos, declarando-os inclusive totalmente nulos em proveito de uma fé fundamentada no amor e na misericórdia.

A Palavra de Deus é um esteio para a nossa caminhada aqui na terra. Precisamos colocá-la na nossa vida e encarná-la a fim de que possamos produzir frutos bons que alimentem a quem está necessitando.

Assim como viu Levi, Jesus também nos vê, “sentados (as)” no nosso posto de trabalho, na nossa vidinha acomodada fazendo apenas o que nos interessa e quem sabe, somente murmurando e reclamando das coisas que não estão muito boas!

Jesus também nos chama para segui-Lo! Seguir a Jesus é assumir a vida e enfrentar os encargos do dia a dia com o compromisso de construir um mundo novo, não somente esperando que os outros façam, mas participando das ações de justiça e fraternidade.

Os novos discípulos de Jesus devem anunciar o reino a partir do critério fundamental da inclusão, sobretudo para com aqueles que foram marginalizados pelos homens e pelas estruturas sociais, políticas e religiosas.

Ao optar por seguir Jesus, Levi não esqueceu os seus “amigos” do passado. Pelo contrário preparou um banquete para Jesus e convidou-os para que eles também, pudessem ter uma vida comprometida e renovada.

Assim também, nós precisamos fazer quando somos chamados para uma vida nova em Jesus Cristo. Mãos a obra, porque há muitos (as), pecadores (as), como nós, que precisam sentar-se à mesa com o Mestre e também participarem de uma vida nova.

Como Levi, sejamos obedientes ao Mestre que nos chama para a sua missão. Saiba que a obediência ao chamado de Jesus é o único caminho de que dispõe a pessoa humana – ser inteligente e livre – para se realizar plenamente. Quando diz “não” a Deus o ser humano compromete o projeto divino e se diminui a si mesma, destinando-se ao fracasso. Digamos sim ao projeto de Deus em nossas vidas e vivamos eternamente.

Reflexão Apostólica:

O evangelho deste sábado nos apresenta Jesus sentado à mesa com pecadores. Não importa as críticas de seus opositores, Ele não tem dúvidas em se sentar e compartilhar à mesa. Afinal de contas ele veio chamar os pecadores e com eles se senta, sabe qual é sua missão, que para ele é clara e a realiza. 
Podemos fazer uma leitura complementar com Isaias que, prevendo os tempos messiânicos, exige uma preparação para esse tempo de salvação: "Quando tirares de ti a opressão, o gesto ameaçador e a maledicência, quando compartilhar teu pão com o faminto e saciar o estômago do indigente, brilhará tua luz nas trevas, tua escuridão se tornará meio dia". 
Jesus nos acolhe no banquete do Reino, mas exige que tenhamos uma veste de libertação, pessoal e comunitária, gestos e fatos, pão partido, compartilhado e repartido com o faminto. É uma exigência, o tíquete de entrada do banquete e a possibilidade de ver brilhar a luz de Deus. A justiça e a bondade com os demais tornam possível essa luz. 
Quaresma também é tempo propício de conversão e o evangelho de hoje nos dá um modelo de conversão. Sejamos como Mateus, publicano e pecador reconhecido e criticado por seu povo, mas atento e aberto à mudança. Façamos como ele, abramos a porta de nossa casa e a do coração. 
A maior condição para que nós possamos usufruir da misericórdia de Deus é justamente a de nos sentirmos pecadores e necessitados de perdão. Jesus Cristo veio ao mundo para nos revelar o grande amor do Pai por cada um de nós e nos fazer participar do reino dos céus cuja porta é a Sua Misericórdia. 
A cada um a quem Jesus diz, “segue-me” Ele dá oportunidade de conversão e de vida nova. Os fariseus, no entanto, não entendiam assim, pois queriam ser justos com suas próprias forças. O grande segredo de Levi (Mateus), cobrador de impostos, pecador público foi o de reconhecer a sua condição de miséria e mesmo sendo considerado “um caso sem jeito” acolheu o convite de Jesus e O seguiu. 
Quando nós caminhamos aqui na terra seguindo as concepções do mundo, isto é, de como a maioria das pessoas pensam e age, a Palavra de Deus nos confunde porque fala justamente o avesso do que todos pregam. Ao contrário do que todos nós imaginamos, Jesus vem nos dizer que não veio chamar os justos, mas os pecadores e é a estes que Ele procura. Portanto, precisamos nos reconhecer a nossa condição de pecador para que Jesus também nos diga: “segue-me” 
Assim, Ele nos dará oportunidade de conversão e de vida nova. Quanto mais doente estiver uma pessoa maior será a sua cura, por isso Jesus nos diz: “os que são sadios não precisam de médicos, mas sim os que estão doentes!” 
A nossa necessidade de conversão é perene e nós nunca podemos nos contentar com o que já progredimos. A cada dia precisamos ouvir o chamado do Senhor, necessitamos recebê-Lo na nossa casa e sentar-nos na mesa com Ele. Quanto mais reconhecermos a nossa enfermidade mais nós teremos Jesus como médico da nossa alma e conseguiremos a cura do nosso coração. 
Você também se considera doente e necessitado (a) de salvação e de cura? Você já experimentou levar Jesus para sua casa e apresentá-Lo à sua família e aos seus amigos? Os seus amigos são também doentes como você? Há alguém que você conheça que é considerado pelo mundo como um caso sem jeito? Convide-o para cear com Jesus na sua casa.

Propósito:

Pai, estou certo de que, mesmo sendo pecador, sou amado por ti, e posso contar com a tua solidariedade, que me descortina a misericórdia e a justiça como jeito novo de ser.

Dia 21

A vida humana é muito preciosa para ser desperdiçada inutilmente.

Por isso, viva sempre a verdade; lembre-se de que ninguém pode enganar a si mesmo, o tempo todo.

Faça um exame de consciência; se, em seu interior, perceber que existe o predomínio da mentira sobre a verdade, liberte-se!

Somente depois de encarar a verdade é possível encontrar a si mesmo.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres.” (Jô 8,32).



Evangelho do dia 20 fevereiro sexta feira 2026


20 fev - Alegremo-nos por não terem cessado as contradições e por não faltarem os adversários que fazem aumentar em nós a confiança em Deus.(L 253). São José Marello


Mateus 9,14-15

Aproximaram-se de Jesus os discípulos de João e perguntaram: "Por que jejuamos, nós e os fariseus, ao passo que os teus discípulos não jejuam?" Jesus lhes respondeu: "Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão. 
Meditação: 

O evangelho de hoje nos fala da presença. A presença de Deus no Antigo Testamento quando Isaias nos assegura que somente temos que invocá-la para que se faça presente e a presença de Jesus na comunidade que deve suscitar a alegria. Quando essa presença faltar, teremos que assumir outra atitude, mas deixemos para quando esse momento chegar.

Os discípulos de João, atrelados aos dos fariseus, ficavam incomodados com o comportamento dos discípulos de Jesus no tocante à prática do jejum. Ao supervalorizar este ato de piedade, imaginavam estar dando mostras de santidade e de seriedade de vida. Não acontecendo o mesmo com o grupo de Jesus, concluíam faltar-lhes profundidade. Quiçá os considerassem levianos e desregrados.

Estas considerações não chegaram a influenciar a pedagogia de Jesus, no trato com os discípulos. Servindo-se da metáfora da festa de casamento, estabeleceu uma clara distinção entre o tempo de alegrar-se e o tempo de jejuar.

O primeiro corresponderia ao tempo de sua presença, qual um noivo, junto dos que escolhera para estar consigo. Seria o tempo de festejar, comemorar, desfrutar de uma presença tão querida.

O segundo diz respeito ao tempo de sua ausência, a ser consumada por meio da morte de cruz. Figurativamente, seria o tempo da ausência do noivo, no qual todos se preparam para sua chegada, e se privam de alimentos, em vista do banquete que será oferecido.

Portanto, os discípulos não jejuavam simplesmente pelo fato de terem ainda Jesus junto de si. O tempo em que o esposo lhes seria tirado estava se aproximando. Aí, sim, o jejum seria uma exigência, em vista de preparar-se para acolher a segunda vinda do
Senhor.

A passagem evangélica de hoje descreve o banquete que Mateus, o publicano, ofereceu a Jesus e a seus discípulos por causa do convite que o Mestre lhe tinha feito para segui-lo.

Os fariseus, nos versículos 11-13, criticam-no por sentar à mesa com pecadores; os vv. 14-15 tocam no tema do jejum. Entretanto, os interlocutores de Jesus já eram outros. Na passagem de hoje, são os “discípulos de João” que substituem os fariseus.

Estranham que Jesus e seus discípulos não jejuem como eles mesmos o fazem, de uma maneira rigorosa que supera amplamente as observâncias judaicas relativas aos jejuns.

A resposta de Jesus evidencia que os discípulos de João Batista não haviam descoberto ainda em Jesus o “noivo” messiânico. Porque, se tivessem levado isso em conta, teriam compreendido que de agora em diante o jejum não teria o mesmo significado.

Ele quis dizer aos discípulos de João Batista, e todos aqueles que ainda estavam presos ao passado que, jejum é feito em casos específicos, quando queremos servir melhor a Deus, quando estamos passando por tribulações, perseguições, doenças e calamidades, nos arrependimentos de pecados por nós e pelo povo, e conversões em massa.

Alías, Jejum, oração e boas obras são mencionados frequentemente por ambos judeus e cristãos. Oração não fica a frente do jejum, e boas obras, independente deles, mas como algo que os liga de dentro. O mais completo entendimento da oração é particularmente oferecido em conexão com o jejum.

Quando nós olhamos o que é dito sobre a oração, e como ela é definida, nós podemos ver que a ênfase é naturalmente mais no estado do coração e alma que no corpo, como possível expressão da oração em geral.

Segundo são João Damasceno: “Oração é a subida da mente e do coração de alguém a Deus ou o pedido das boas coisas de Deus”.

Primariamente, a conversa com Deus como atividade espiritual é enfatizada. Todavia, há também a prática e a experiência de que não apenas pensamentos, conversa e atos espirituais por si só estão inclusos na oração, mas também é o corpo.

A oração torna-se mais completa por meio do corpo e do movimento, que acompanha as palavras da oração. O corpo e seu movimento tornam a oração mais completa e expressiva para que ela possa mais facilmente envolver a pessoa inteira.

A unificação do corpo e da alma na oração é particularmente manifestada em jejuar e orar. O jejum físico torna a oração mais completa. Uma pessoa que jejua reza melhor e uma pessoa que reza, jejua mais facilmente. Desta forma, a oração não permanece somente uma expressão ou palavras, mas cobre o ser humano inteiro.

O jejum físico é uma admissão para Deus diante dos homens que alguém não pode fazer sozinho e necessita de ajuda. Uma pessoa experimenta sua impotência mais facilmente quando ela jejua, e por isso, por meio do jejum físico, a alma está mais aberta a Deus. Sem jejum, nossas palavras na oração permanecem sem uma fundação verdadeira.

No Antigo Testamento, os crentes jejuavam e rezavam individualmente, em grupos e em várias situações da vida. Por causa disso, eles sempre experimentavam a ajuda de Deus. Jesus confere uma força especial ao jejum e a oração, especialmente na batalha contra os espíritos do mal.

O jejum é um tipo de penitência no qual abrimos mão de algo que nos agrada, e oferecemos esse “sacrifício” por alguma boa intenção. E aqui entra um detalhe: só Deus precisa saber desse jejum! Não precisa sair por aí se gabando de jejuar, ou se mostrando abatido por causa do jejum! Pelo contrário, o verdadeiro jejum é feito escondido, para que somente o nosso Deus, que vê o que está escondido, tome conhecimento.

No evangelho de hoje, Jesus justificou que os seus discípulos não estavam em jejum porque Ele próprio estava presente, e isso era motivo de festa! E festa não combina com jejum! Chegaria o dia em que Jesus não estaria mais com eles. E aí sim, eles jejuariam. Querendo, pois fazer uma caminhada de penitência, sigamos.

Reflexão Apostólica:

Deus conhece o nosso coração e sabe das nossas motivações, portanto quando jejuamos devemos fazê-lo com muita disposição e por amor, sem lamentos nem justificativas.

Jesus Cristo veio dar sentido a todas as nossas ações, assim, Ele nos ensina a praticar os atos religiosos de coração, e não por obrigação. Há momentos na nossa vida que não nos cabe jejuar nem fazer sacrifícios, mas sim aproveitar a ocasião que nos é oferecida.

De que adianta para nós o jejum se o nosso coração não está contrito no sacrifício? Um coração ressentido, vingativo, revoltado não consegue amar nem fazer nada por amor. Para os cristãos o jejum deve ter um significado de vida e de alegria.

Deve haver uma razão de ser para o jejum. Não nos basta jejuar somente por jejuar, sem um motivo que toque o nosso coração. Os discípulos de Jesus partilhavam com Ele de todos os eventos com alegria e submissão à Sua vontade e aos Seus ensinamentos. Eles estavam perto de Jesus e usufruíam da Sua presença e da Sua companhia, portanto, não tinham clima para jejuar, nem precisavam disso.

Há que se ter uma causa nobre e sincera para que nós pratiquemos o jejum e o sacrifício. 

Quando você jejua você se sente em paz? Você gosta de mostrar aos outros que está jejuando? O que Jesus acha do seu jejum? Você é uma pessoa que sabe curtir o momento presente como um presente de Deus?

Hoje somos convidados à alegria; é assim que devemos estar na Quaresma, tempo que tradicionalmente adornamos a espiritualidade com penitências e jejuns. Na primeira sexta da Quaresma, dia penitencial, a liturgia nos apresenta Jesus defendendo seus discípulos que não jejuam; é um convite a buscar o sentido mais profundo de nossos "jejuns e abstinências".
Por um lado poderemos permanecer nos sinais externos e seguir com nossos ritos, sem refletir muito, o que é mais seguro, é mais fácil; ou procuramos nos tornar mais conseqüentes e buscar no amor e na justiça a vontade de Deus: abrir prisões injustas, libertar oprimidos, romper barreiras, partilhar o pão com quem tem fome, hospedar os sem teto, vestir o desnudo, não nos fechar e procurar que chegue a luz e a glória de Deus ao mundo. Deixemos de lado nossa vaidade para que este jejum nos leve a sermos realmente autênticos e verdadeiros cristãos. 

Hoje é o dia esta é a hora da prática do jejum. Abrindo mão de certos prazeres, ou até oferecendo as nossas dores e sofrimentos a Deus, a fim de que Ele amenize o sofrimento nosso ou de outras pessoas.

Propósito:

Pai, desejo preparar-me bem para celebrar a Páscoa, tempo de reencontro com o Ressuscitado. Que o jejum me predisponha, do melhor modo possível, para este momento.

Dia 20

Perdoar a si mesmo é um grande princípio de sabedoria.

Esqueça o que passou e siga em frente.

Não se culpe pelos erros do passado.

O importante é admitir os próprios erros e, a partir daí, tentar mudar seu modo de ser.

Aceite as próprias limitações, para que a vida seja encarada de maneira mais positiva.

O ato de perdoar a si mesmo e aos irmãos é importante para seu crescimento pessoal.

Tenha paciência em relação a si mesmo. Perdoe e será perdoado.

“Vendo a fé que tinham, disse Jesus: ´Homem, teus pecados são perdoados´.” (Lc 5,20).

 


EVANGELHO DO DIA 01 MARÇO 2026 - 2º DOMINGO DA QUARESMA

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