21 fev - Deus nos visita, mas não desdenha as nossas orações, com as quais lhe suplicamos que nos trate com amor de Pai, dando-nos antes a força da resignação e depois a graça da consolação. (L 224). SÃO JOSÉ MARELLO
Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 5,27-32
Depois disso, Jesus saiu e viu um
publicano, chamado Levi, sentado na coletoria de impostos. Disse-lhe:
"Segue-me". Deixando tudo, levantou-se e seguiu-o. Levi preparou-lhe
um grande banquete na sua casa. Lá estava um grande número de publicanos e de
outras pessoas, sentadas à mesa com eles. Os fariseus e os escribas dentre eles
murmuravam, dizendo aos discípulos de Jesus: "Por que comeis e bebeis com
os publicanos e com os pecadores?" Jesus respondeu: "Não são as pessoas
com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Não é a justos que vim chamar
à conversão, mas a pecadores".
Meditação:
Jesus convida um pecador a
segui-lo e, além disso, entra em sua casa para fazer uma refeição com ele. O
que é que ele ganha com isso, se sabe que a única coisa que está arranjando é
juntar cada vez mais provas contra si, quando o acusarem formalmente em
Jerusalém diante do poder romano? (Lc 23,5).
Aí está o segredo de seu modo de
proceder: enquanto “perde pontos” com o judaísmo oficial, ganha na tarefa de
instauração do reino de Deus; enquanto vai perdendo sua própria vida diante dos
que lhe podem matar o corpo (Mt 10,28), vai ganhando vida cada vez que pessoas
como estas que o acompanham à mesa se convertem e se abrem àquele acontecimento
novo que era a presença do Noivo (vv. 34-35) e do reino, que subverte
absolutamente toda a ordem estabelecida e mantida por um frio legalismo dos
fariseus e doutores da lei.
Quantas vezes damos as costas aos
“pecadores públicos”, deixando-nos levar por preconceitos ou pelo temor de
sermos criticados! Jesus nos está demonstrando com fatos reais que eles são na
realidade os que precisam dessa presença, desse acompanhamento que lhes
fazemos.
Esta passagem descreve a refeição
que reúne Jesus e seus discípulos com alguns pecadores, imediatamente depois do
convite de Jesus a Mateus. Afirma-se que o próprio Mateus organiza o banquete,
e Lucas acentua que o fez de maneira suntuosa.
Alguns fariseus se assombram
diante dos discípulos de que seu Mestre coma com pecadores. Jesus declara então
que veio para os doentes e os pecadores, e não para os sadios e justos.
Jesus pensa, sem dúvida, nesses
“justos” que são incapazes de transcender a noção de justiça para chegar a
reconhecer a misericórdia de Deus. Sua atitude lembra a dos operários da vinha
que reclamaram do pagamento dos que tinham trabalhado menos, ou a do filho mais
velho com ciúmes da bondade do pai para com o filho pródigo que mais precisava
dela; ou a do fariseu que se vangloriava de pagar com justiça até o mais
insignificante dízimo, mas desprezava o pedido de misericórdia do publicano.
Jesus opõe então, a uma atitude
reduzida à mera justiça do homem, outra baseada na misericórdia. Lembra que os
profetas já tinham rejeitado o valor dos ritos, declarando-os inclusive
totalmente nulos em proveito de uma fé fundamentada no amor e na misericórdia.
A Palavra de Deus é um esteio para
a nossa caminhada aqui na terra. Precisamos colocá-la na nossa vida e
encarná-la a fim de que possamos produzir frutos bons que alimentem a quem está
necessitando.
Assim como viu Levi, Jesus também
nos vê, “sentados (as)” no nosso posto de trabalho, na nossa vidinha acomodada
fazendo apenas o que nos interessa e quem sabe, somente murmurando e reclamando
das coisas que não estão muito boas!
Jesus também nos chama para
segui-Lo! Seguir a Jesus é assumir a vida e enfrentar os encargos do dia a dia
com o compromisso de construir um mundo novo, não somente esperando que os
outros façam, mas participando das ações de justiça e fraternidade.
Os novos discípulos de Jesus devem
anunciar o reino a partir do critério fundamental da inclusão, sobretudo para
com aqueles que foram marginalizados pelos homens e pelas estruturas sociais,
políticas e religiosas.
Ao optar por seguir Jesus, Levi
não esqueceu os seus “amigos” do passado. Pelo contrário preparou um banquete
para Jesus e convidou-os para que eles também, pudessem ter uma vida
comprometida e renovada.
Assim também, nós precisamos fazer
quando somos chamados para uma vida nova em Jesus Cristo. Mãos a obra, porque
há muitos (as), pecadores (as), como nós, que precisam sentar-se à mesa com o
Mestre e também participarem de uma vida nova.
Como Levi, sejamos obedientes ao
Mestre que nos chama para a sua missão. Saiba que a obediência ao chamado de
Jesus é o único caminho de que dispõe a pessoa humana – ser inteligente e livre
– para se realizar plenamente. Quando diz “não” a Deus o ser humano compromete
o projeto divino e se diminui a si mesma, destinando-se ao fracasso. Digamos
sim ao projeto de Deus em nossas vidas e vivamos eternamente.
Reflexão Apostólica:
O evangelho deste sábado nos apresenta Jesus
sentado à mesa com pecadores. Não importa as críticas de seus opositores, Ele
não tem dúvidas em se sentar e compartilhar à mesa. Afinal de contas ele veio
chamar os pecadores e com eles se senta, sabe qual é sua missão, que para ele é
clara e a realiza.
Podemos fazer uma leitura complementar com Isaias que, prevendo os tempos
messiânicos, exige uma preparação para esse tempo de salvação: "Quando
tirares de ti a opressão, o gesto ameaçador e a maledicência, quando
compartilhar teu pão com o faminto e saciar o estômago do indigente, brilhará
tua luz nas trevas, tua escuridão se tornará meio dia".
Jesus nos acolhe no banquete do Reino, mas exige que tenhamos uma veste de
libertação, pessoal e comunitária, gestos e fatos, pão partido, compartilhado e
repartido com o faminto. É uma exigência, o tíquete de entrada do banquete e a
possibilidade de ver brilhar a luz de Deus. A justiça e a bondade com os demais
tornam possível essa luz.
Quaresma também é tempo propício de conversão e o evangelho de hoje nos dá um
modelo de conversão. Sejamos como Mateus, publicano e pecador reconhecido e
criticado por seu povo, mas atento e aberto à mudança. Façamos como ele,
abramos a porta de nossa casa e a do coração.
A maior condição para que nós possamos usufruir da misericórdia de Deus é
justamente a de nos sentirmos pecadores e necessitados de perdão. Jesus Cristo veio
ao mundo para nos revelar o grande amor do Pai por cada um de nós e nos fazer
participar do reino dos céus cuja porta é a Sua Misericórdia.
A cada um a quem Jesus diz, “segue-me” Ele dá oportunidade de conversão e de
vida nova. Os fariseus, no entanto, não entendiam assim, pois queriam ser
justos com suas próprias forças. O grande segredo de Levi (Mateus), cobrador de
impostos, pecador público foi o de reconhecer a sua condição de miséria e mesmo
sendo considerado “um caso sem jeito” acolheu o convite de Jesus e O
seguiu.
Quando nós caminhamos aqui na terra seguindo as concepções do mundo, isto é, de
como a maioria das pessoas pensam e age, a Palavra de Deus nos confunde porque
fala justamente o avesso do que todos pregam. Ao contrário do que todos nós
imaginamos, Jesus vem nos dizer que não veio chamar os justos, mas os pecadores
e é a estes que Ele procura. Portanto, precisamos nos reconhecer a nossa
condição de pecador para que Jesus também nos diga: “segue-me”
Assim, Ele nos dará oportunidade de conversão e de vida nova. Quanto mais
doente estiver uma pessoa maior será a sua cura, por isso Jesus nos diz: “os
que são sadios não precisam de médicos, mas sim os que estão doentes!”
A nossa necessidade de conversão é perene e nós nunca podemos nos contentar com
o que já progredimos. A cada dia precisamos ouvir o chamado do Senhor,
necessitamos recebê-Lo na nossa casa e sentar-nos na mesa com Ele. Quanto mais
reconhecermos a nossa enfermidade mais nós teremos Jesus como médico da nossa
alma e conseguiremos a cura do nosso coração.
Você também se considera doente e necessitado (a) de salvação e de cura? Você
já experimentou levar Jesus para sua casa e apresentá-Lo à sua família e aos
seus amigos? Os seus amigos são também doentes como você? Há alguém que você
conheça que é considerado pelo mundo como um caso sem jeito? Convide-o para
cear com Jesus na sua casa.
Propósito:
Pai, estou certo de que, mesmo
sendo pecador, sou amado por ti, e posso contar com a tua solidariedade, que me
descortina a misericórdia e a justiça como jeito novo de ser.
Dia 21
A vida
humana é muito preciosa para ser desperdiçada inutilmente.
Por isso,
viva sempre a verdade; lembre-se de que ninguém pode enganar a si mesmo, o
tempo todo.
Faça um
exame de consciência; se, em seu interior, perceber que existe o predomínio da
mentira sobre a verdade, liberte-se!
Somente
depois de encarar a verdade é possível encontrar a si mesmo.
“E
conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres.” (Jô 8,32).



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