15 fev - Realizando as obras de Deus em silêncio, sem confiar nos homens e nem em nós mesmos, mas cheios de esperança nos auxílios sobrenaturais, tudo se encaminhará para o bem. (L 95). São José Marello
Mateus 5,17-37 (5,27-32)
- Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de
Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas
para dar o seu sentido completo. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: enquanto
o céu e a terra durarem, nada será tirado da Lei - nem a menor letra, nem
qualquer acento. E assim será até o fim de todas as coisas. Portanto, qualquer
um que desobedecer ao menor mandamento e ensinar os outros a fazerem o mesmo
será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem obedecer à Lei e
ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado grande no Reino do Céu.
Pois eu afirmo a vocês que só entrarão no Reino do Céu se forem mais fiéis em
fazer a vontade de Deus do que os mestres da Lei e os fariseus.
- Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: "Não mate. Quem
matar será julgado." Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva
do seu irmão será julgado. Quem disser ao seu irmão: "Você não vale
nada" será julgado pelo tribunal. E quem chamar o seu irmão de idiota
estará em perigo de ir para o fogo do inferno. Portanto, se você estiver
oferecendo no altar a sua oferta a Deus e lembrar que o seu irmão tem alguma
queixa contra você, deixe a sua oferta ali, na frente do altar, e vá logo fazer
as pazes com o seu irmão. Depois volte e ofereça a sua oferta a Deus.
- Se alguém fizer uma acusação contra você e levá-lo ao tribunal, entre em
acordo com essa pessoa enquanto ainda é tempo, antes de chegarem lá. Porque,
depois de chegarem ao tribunal, você será entregue ao juiz, o juiz o entregará
ao carcereiro, e você será jogado na cadeia. Eu afirmo a você que isto é
verdade: você não sairá dali enquanto não pagar a multa toda.
- Vocês ouviram o que foi dito: "Não cometa adultério." Mas eu lhes
digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no
seu coração. Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o
e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo
inteiro ser atirado no inferno. Se a sua mão direita faz com que você peque,
corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o
corpo inteiro ir para o inferno.
- Foi dito também: "Quem mandar a sua esposa embora deverá dar a ela um
documento de divórcio." Mas eu lhes digo: todo homem que mandar a sua
esposa embora, a não ser em caso de adultério, será culpado de fazer com que
ela se torne adúltera, se ela casar de novo. E o homem que casar com ela também
cometerá adultério.
- Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: "Não quebre a sua
promessa, mas cumpra o que você jurou ao Senhor que ia fazer." Mas eu lhes
digo: não jurem de jeito nenhum. Não jurem pelo céu, pois é o trono de Deus;
nem pela terra, pois é o estrado onde ele descansa os seus pés; nem por
Jerusalém, pois é a cidade do grande Rei. Não jurem nem mesmo pela sua cabeça,
pois vocês não podem fazer com que um só fio dos seus cabelos fique branco ou
preto. Que o "sim" de vocês seja sim, e o "não", não, pois
qualquer coisa a mais que disserem vem do Maligno.
Reflexão para
o 6º domingo do tempo comum - Mateus 5, 17-37 (Ano A)
Neste sexto domingo do tempo comum, continuamos a leitura do discurso da montanha, o principal e mais longo dos cinco grandes discursos que Mateus atribui a Jesus em seu Evangelho, compreendendo três capítulos inteiros (cc. 5 – 7). O texto proposto para hoje – Mt 5,17-37 –é bastante longo, o que nos impede de comentar versículo por versículo. Procuraremos, portanto, colher a mensagem central, embora seja indispensável evidenciar alguns versículos em particular. Só é possível compreender qualquer trecho do discurso da montanha tendo em mente a sua introdução, ou seja, as bem-aventuranças (Mt 5,1-12), que correspondem ao programa de vida realizado plenamente por Jesus e proposto também para os discípulos. Tudo o que é apresentado ao longo do discurso da montanha é, portanto, desdobramento das bem-aventuranças.
A vivência das bem-aventuranças pressupõe uma
maneira nova de interpretar a Lei de Moisés, bem como todo o conjunto das
Escrituras hebraicas, sintetizadas no evangelho de hoje pela expressão “a Lei e
os Profetas” (v. 17). De acordo com o evangelista, no discurso da montanha,
Jesus apresenta uma interpretação nova de seis casos ou aspectos concretos da
Lei, apresentados em sequência, diferente das interpretações vigentes na época,
superando o mero legalismo e a interpretação literal tão defendida pelos
fariseus. Destes seis casos, quatro são lidos hoje, enquanto os outros dois
serão lidos no próximo domingo, o sétimo do tempo comum. É oportuno recordar
que, assim como em todo o Evangelho de Mateus, a interpretação da Lei atribuída
a Jesus e as controvérsias com os fariseus refletem mais as questões da época
da redação do evangelho (década de 80 do primeiro século) do que propriamente o
tempo do ministério de Jesus.
A sequência dos casos ou aspectos concretos da Lei
tratados no discurso da montanha, logo após Jesus ter conferido aos discípulos
a responsabilidade de “dar sabor ao mundo e iluminá-lo”, através das imagens do
sal e da luz (cf. o evangelho do domingo passado, Mt 5,13-16) é precedida de
uma pequena introdução (vv. 17-20) que, de certo modo, ajuda a compreender o
contexto de todo o texto. Eis o primeiro versículo: “Não penseis que eu vim
abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno
cumprimento” (v. 17). Essa afirmação dá a entender que tanto Jesus quanto os
cristãos da comunidade de Mateus eram acusados pelo judaísmo oficial de
relativizarem a Lei e até de a revogarem. Para os grupos mais rígidos do
judaísmo, Jesus com a sua práxis tinha destruído a Lei. Diante disso, a comunidade
de Mateus reage afirmando que, com a sua atividade libertadora, Jesus levava a
Lei à plenitude, uma vez que sua interpretação colocava o bem do ser humano
acima de qualquer legalismo. É importante observar que “cumprimento”, aqui, não
se refere à simples execução de uma tarefa, mas tem o sentido de
aperfeiçoamento, tornar algo pleno e perfeito. Ou seja, Jesus não veio ao mundo
para destruir a Lei, e nem tampouco para cumprir preceitos e executar normas,
mas para tornar perfeita a Lei de Deus; é isso que significa o verbo grego
empregado pelo evangelista: plerôo (πληρόω) = aperfeiçoar,
dar acabamento, tornar pleno.
Na sequência, ainda em preparação à apresentação
dos casos concretos da interpretação da Lei, temos mais afirmações que reforçam
o apreço de Jesus pela Lei, afirmando inclusive a sua perenidade (v. 18), bem
como a exclusão do Reino a quem deixar de observá-la e ensinar os outros a
fazer o mesmo (v. 19), culminando com o confronto direto com os mestres da Lei
e os fariseus: “Porque eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a
justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus”
(v. 20). Ora, os mestres da Lei e os fariseus eram exemplo de fidelidade à Lei,
obedecendo, quase cegamente, preceito por preceito. Para eles, a Lei era um fim
em si mesma, pouco importando o bem das pessoas e as situações concretas do
dia-a-dia. Dos discípulos de Jesus, espera-se muito mais, começando por uma
adesão interior à vontade de Deus, o que corresponde à verdadeira justiça: conformidade
à vontade de Deus, compreendendo a predileção pelos pecadores, pobres e
marginalizados; é fazer o bem em qualquer circunstância, independentemente se
há ou não um preceito que determine, e sem deixar de fazer, mesmo quando for
necessário contrariar certos preceitos.
Os seis exemplos (casos concretos) que seguem, dos
quais leremos somente quatro hoje, mostram como é que a justiça dos discípulos
e discípulas de Jesus deve superar a dos mestres da Lei e dos fariseus.
Conforme o evangelista, Jesus apresenta um ponto específico da Lei que os
fariseus interpretavam literalmente, e em seguida apresenta a sua interpretação
pessoal que ultrapassa a interpretação convencional. Alguns comentadores
intitulam estes casos de “antíteses”, já que são construídos segundo a fórmula
“Vós ouvistes o que foi dito...; Eu, porém vos digo...”. No entanto, não se
trata propriamente de antíteses, pois o ensinamento de Jesus não contradiz o
convencional, mas alarga o horizonte, inclusive, propondo uma interpretação até
mais radical, ao invés de relativizar a Lei.
O primeiro caso diz respeito ao quinto mandamento
do decálogo (cf. Ex 20,13): “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não
matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal” (v. 21). De acordo com uma
interpretação literal, como faziam os fariseus, bastava não cometer homicídio
para observar este mandamento. Para Jesus e a dinâmica do seu Reino, não é
suficiente não tirar a vida de outra pessoa para transgredir o mandamento, mas
há muitas maneiras, as quais devem ser radicalmente observadas para agir em
conformidade com a vontade de Deus, superando, assim, a justiça dos fariseus e
mestres da Lei. Alimentar ódio e preconceitos contra o próximo, bem como
dirigir-lhe palavras ofensivas (v. 22), são também maneiras de transgredir o
mandamento; na verdade, são maneiras diferentes de ameaçar a vida e a dignidade
do outro e, por isso, é inadmissível que aconteça, especialmente na comunidade
cristã. Uma boa relação com Deus passa necessariamente pela relação com o
próximo. Na verdade, a relação com o próximo é tão indispensável, que tem
primazia até mesmo sobre o culto e os ritos religiosos (vv. 23-24). Portanto,
não basta não matar; é necessário amar, respeitar e viver reconciliado com o
outro para estar bem com Deus. Assim, de um mandamento que apenas proibia
assassinatos, Jesus amplia o seu significado e faz uma ampla catequese sobre a
importância de se cultivar relações harmoniosas e fraternas na comunidade.
O segundo caso também parte de um mandamento do
decálogo, o sexto (cf. Ex 20,14): “Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás
adultério’. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o
desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (vv. 27-28).
Novamente, a interpretação de Jesus excede a prescrição, superando, assim, a
justiça dos fariseus e dos mestres da Lei. Para Jesus, o adultério não consiste
somente na consumação do ato, mas os pensamentos e desejos, mesmo que não levem
a nenhuma ação concreta, são também transgressão do mandamento. Novamente, é
evidenciada a necessidade de relações saudáveis entre todas as pessoas, com
pureza de coração, segundo o espírito das bem-aventuranças (cf. Mt 5,8). A
perspectiva de Jesus também denuncia a cultura machista e patriarcal
predominante na época; a mulher não pode ser tratada como um objeto de consumo.
O reconhecimento da dignidade da mulher é indispensável na comunidade cristã.
Os olhares e pensamentos maliciosos devem ser evitados. É necessário cortar o
mal pela raiz; a ordem para arrancar ou cortar os membros do corpo que levam a
pessoa a pecar é simbólica (vv. 29-30), uma vez que é do coração que saem os
desejos e as más intenções. Significa que a vida não tem sentido quando é
marcada pelo mal.
O terceiro caso está relacionado ao segundo. Não é
tirado do Decálogo, mas do chamado “código deuteronômico” (Dt 12 – 26),
precisamente da lei sobre o divórcio (cf. Dt 24,1-4), que dava liberdade ao
homem para divorciar-se da mulher por qualquer motivo, inclusive se a achasse
“sem graça”, ou seja, “feia” (cf. Dt 24,1). Era uma lei totalmente favorável ao
homem e danosa para a mulher. De todos os exemplos levantados por Jesus, esse é
de mais difícil compreensão, pois não é muito claro: “Foi dito também: ‘Quem se
divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união
irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher
divorciada comete adultério” (v. 32). Aqui, infelizmente, a tradução litúrgica
não favorece uma interpretação adequada; ao invés da expressão “faz com que ela
se torne adúltera”, o correto seria “faz com que ela cometa adultério”, sendo o
homem culpado por isso. Dando a certidão de divórcio por qualquer motivo, o
culpado pelo adultério da mulher é o homem, na perspectiva da comunidade de
Mateus, contrariando a interpretação dos fariseus e as práticas vigentes na
época. Visando manter a sacralidade do matrimônio, a interpretação de Jesus
alivia o peso e a culpabilidade da mulher, responsabilizando também o homem. Em
outras palavras, o homem deixa de ter poderes absolutos no matrimônio.
O último caso lido hoje diz respeito aos
juramentos. No mundo antigo, onde prevalecia a cultura oral, como em Israel, os
juramentos tinham muita importância. Embora não esteja diretamente no Decálogo,
havia muitas prescrições sobre os juramentos em toda a Lei (cf. Lv 19,12; Nm
30,3-15; Dt 5,20; 23,21), sobretudo exigindo fidelidade e cumprimento da
palavra quando fosse feito um juramento. Era uma prática recorrente fazer
juramentos como sinal de compromisso com Deus e com o próximo, em Israel. Isso
acontecia em todos os âmbitos da vida: relações interpessoais, política,
negócios e religião. A posição de Jesus é de total repúdio à prática dos
juramentos: “Vós ouviste também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás
falso’, mas cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Eu, porém, vos
digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus” (v.
34). É importante recordar que a Lei não determinava que as pessoas jurassem;
porém dava permissão para tal, exigindo, no entanto, que, uma vez feitos, os
juramentos fossem cumpridos. A necessidade de jurar, porém, pressupõe a
desconfiança. Por isso, Jesus repudia completamente essa prática (vv. 35-37).
Ora, na comunidade cristã, embrião do Reino dos céus, cuja regra de vida é as
bem-aventuradas, todas as relações devem ser sinceras. Necessita-se de
juramentos onde não há confiança absoluta; onde predomina a fraternidade, as
relações são todas transparentes, fala-se somente a verdade em todas as
circunstâncias. Por isso, não há necessidade de juramentos, pois todos devem
viver segundo o amor recíproco.
No próximo domingo teremos a continuidade da
leitura dos casos ou exemplos concretos que Jesus apresenta como demonstração
de como a justiça dos seus discípulos e discípulas deve superar a dos fariseus
e mestres da Lei. Como vimos, isso não se faz cumprindo com mais rigor os
mínimos detalhes da Lei, mas superando-a, indo além daquilo que é prescrito, considerando
sempre que o bem do ser humano deve estar acima de tudo. A assimilação das
bem-aventuranças torna as normas da Lei até desnecessárias; é a vivência delas
que permite faz a Lei chegar à sua plenitude, a ponto de não ser mais
transgredida, pois, interiorizando as bem-aventuranças, já não há mais
necessidade sequer de olhar para as normas e regras da Lei. Quem absorve no
coração os ensinamentos de Jesus, torna-se incapaz de fazer o mal, por isso,
nada lhe pode ser proibido.
Dia 15
Assim como
as demais pessoas, você possui dons e talentos.
Nenhum
obstáculo físico, mental ou emocional é capaz de destruir suas energias
criativas inatas.
Para
canalizá-las, procure estar disposto a explorar seus interesses e aptidões.
A
persistência vai ajudá-lo a utilizar seu potencial ao máximo.
As
atitudes e reações em relação a si mesmo e aos outros criam suas experiências
pessoais.
Procure
sempre pensar de modo positivo.
Lembre-se
de que a perseverança faz a diferença em qualquer situação.
“Pois os
pensamentos perversos afastam de Deus, e seu poder, posto à prova, confunde os
insensatos” (Sb 1,3a).
“A
Sabedoria é um tesouro inesgotável para a humanidade” (Sb 7,14 a).



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