Evangelho do dia 04 fevereiro quarta feira 2026

SANTA JOANA DE VALOIS

04 fevereiro - Os músculos se retesam, o coração pulsa, o espírito se (eleva) expande nas asas da oração, no horizonte do futuro; combateremos, arrastando esta pobre carne na luta sanguinolenta, sem que a boca pronuncie palavras de lamúria ou o pé se arrede minimamente do caminho do martírio! (L 23). São José Marello


Marcos 6,1-6

Jesus voltou com os seus discípulos para a cidade de Nazaré, onde ele tinha morado. No sábado começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o estavam escutando ficaram admirados e perguntaram:
– De onde é que este homem consegue tudo isso? De onde vem a sabedoria dele? Como é que faz esses milagres? Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria? Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não moram aqui?
Por isso ficaram desiludidos com ele. Mas Jesus disse:
– Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa.
Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé que havia ali.

 Meditação:

 Os estudiosos costumam dizer que a primeira parte do Evangelho de Marcos (que termina da “Confissão de Pedro”) se divide em várias partes menores; cada uma destas partes começa com um resumo – normalmente chamado “sumario” – da vida de Jesus; depois de cada uma delas vem uma referência aos apóstolos. Nesse esquema, o evangelho de hoje é o fim da segunda das três pequenas partes que se caracterizam por um aumento progressivo no conflito que Jesus provoca ao encontrar-se com ele.

 O texto marca o ponto chave: Jesus – que é apresentado aqui como profeta – se encontra com a absoluta falta de fé dos seus amigos e parentes. O “fracasso” de Jesus vai se acentuando: na terceira parte já começa a pressentir a “derrota” do Senhor antecipada na morte do Batista. É característica do Evangelho de Marcos apresentar a seus destinatários o aparente fracasso, a solidão, o escândalo da cruz de Jesus. Essa cruz é partilhada com todos os perseguidos por causa do seu nome, como o é a comunidade de Marcos.

 Em toda a segunda parte do Evangelho encontramos Jesus tratando – a sós com os seus – de revelar-lhes o sentido de um “Messias crucificado” que será plenamente descoberto pelo centurião – na ausência de qualquer sinal exterior que o justifique – como o “Filho de Deus”. Os habitantes de Nazaré não dão crédito a seus ouvidos: de onde lhe vem isso que ensina na sinagoga? “A este nós o conhecemos e também a seus parentes”. A sabedoria com a qual fala, os sinais do Reino que saem de sua vida, não parecem coerentes com o que eles conhecem. Aí está o problema: “com o que ele s conhecem”.

 É que a novidade de Deus sempre está mais além do conhecido, sempre mais além do aparentemente “sabido”; porém, não um mais além do “celestial”, mas um “mais além” do que esperávamos, porém “mais aqui” do que imaginávamos; não estamos longe da alegria de Jesus porque “Deus ocultou estas coisas aos sábios e prudentes e as revelou aos simples”, não estamos longe da incompreensão das parábolas: não por serem difíceis, mas precisamente ao contrário, por serem simples.

O “Seus sempre maior” desconcerta e isto leva a que falte a fé se não estamos abertos à gratuidade e à eterna novidade de Deus, à sua proximidade. Por isso, pela falta de fé, Jesus não pode fazer ali muitos milagres. Quem não descobre nele os sinais do Reino, não poderão crescer em sua fé e não descobrirão então, que Jesus é o enviado de Deus, o profeta que vem anunciar um Reino de Boas notícias. Isto é escândalo para quem não pode aceitar Jesus porque nenhum profeta é bem recebido em sua própria pátria.

 Talvez também a nós nos escandalize. Jesus é olhado com os olhos dos seus conterrâneos como uma pessoa a mais. Não souberam ver nele um profeta. Um profeta é alguém que fala em nome de Deus. Custa muito reconhecer em quem é visto como um de nós: é difícil reconhecer nele alguém que Deus escolheu e enviou. Custa pensar que estes tempo em que vivemos são tempos especiais e preparados por Deus (kairós) desde sempre. Porém, nesse momento específico, Deus escolheu um homem específico, para que pronuncie sua palavra de Boas Notícias para o povo, cansado e abatido por tantas notícias más.

 Não é fácil reconhecer a passagem de Deus pela nossa vida, especialmente quando essa passagem se reveste de roupagem comum, como um de nós. Às vezes gostaríamos que Deus se manifestasse de maneira espetacular, tipo “Hollywood”, porém o enviado de Deus, seu próprio Filho, participa de nossas mesas, caminha nossos passos e veste nossas roupas. É alguém que conhecemos, porém não o reconhecemos. Sua palavra é uma palavra que Deus pronuncia e com a qual Deus mesmo nos fala. Suas mãos de trabalhador comum são mãos que realizam sinais, porém com muita frequência nossos olhos não estão preparados para ver nesses sinais a presença da passagem de Deus em nossa história.

 Muitas vezes não conseguimos perceber a passagem de Deus em nossa história, não conseguimos reconhecer nossos profetas. É sempre mais fácil esperar os casos extraordinários e espetaculares ou olhar alguém de fora. É muito mais “espetacular” olhar um testemunho em Calcutá do que cem mil irmãos e irmãs pelas terras da América Latina que trabalham, se gastam e se desgastam trabalhando pela vida, ainda que lhes custe a vida.

É muito mais maravilhoso olhar os milagres anunciados pelos pregadores itinerantes e televisivos, que aceitar o sinal cotidiano da solidariedade e a fraternidade. É muito mais fácil esperar e escapara para uma manhã que talvez venha, do que ver a passagem de Deus em nosso tempo e semear a semente de vida e esperança no topo e no espaço de nossa própria história. Tudo isso será mais fácil, porém, não estaríamos deixando Jesus passar longe?

Reflexão Apostólica:

Sempre é importante enaltecer e convidar-nos a eterna vigilância. Não somente a vigilância da oração, mas das coisas que saem da boca. Jesus um dia mencionava que pior são os males que saem da boca e não aqueles que entram. É um fato: quantos desistem de caminhar sucumbindo pela inveja e pela maldade dos que nos cercam?

Não sei bem se serve de conforto, mas notem a situação de Jesus no evangelho de hoje: Ele incomoda por fazer o bem. Seria mesmo por que ele fazia o bem ou por que fazia?

 Como vemos isso no nosso dia a dia! Quando menos percebemos, já falamos… É contra isso e tantas outras que devemos nos monitorar, pois sem perceber ela nos arrasta a uma série de outros problemas e complicações. Essa inveja, disfarçada de “ciúme” esta dentre as coisas que devem ser banidas do nosso coração está a inveja (CIC §2538).

 Vamos iniciar nossa reflexão de hoje desejando muita paz para você conterrânea e conterrâneo amigo. Conterrâneo... essa palavra é bastante utilizada no norte e nordeste do Brasil e tem o mesmo significado de concidadão, compatriota ou patrício. São pessoas nascidas na mesma terra, na mesma cidade.
No evangelho de hoje, Jesus aparece entre seus amigos de infância. Rodeado por pessoas, de todas as idades, que o conheciam desde pequeno. Muitos dos presentes devem ter frequentado a mesma escola e partilhado, com Ele, dos mesmos brinquedos.
Sabendo de tudo isso, não conseguiam aceitar que um "conterrâneo", alguém nascido e criado ali, pudesse demonstrar tanta sabedoria e realizar milagres. É muito difícil de aceitar que as virtudes possam estar presentes nas pessoas humildes ou num simples carpinteiro da região.
Assim como eu, você também já deve ter comprado eletro-eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, relógios, brinquedos e outras centenas de produtos importados, crente que eles nunca iriam quebrar. Infelizmente é assim que pensamos. O simples fato de serem importados traz a sensação de serem superiores em qualidade e resistência.
Parecem até mais bonitos e bem acabados que os nossos. Chega a ser desleal a concorrência quando comparamos esses produtos com os nacionais. Por mais que se queira disfarçar, existe um grande preconceito quanto aos produtos fabricados internamente em relação aos importados.

O mesmo acontece com as pessoas, profissões e entidades. Não vamos contestar os recursos técnicos e a capacidade de alguns profissionais, mas a verdade é que esperamos verdadeiros milagres dos médicos do exterior e, diante de uma simples dor de cabeça, não acreditamos no poder de cura do analgésico, só porque foi receitado pelo médico do Posto de Saúde.
Os mais abastados fretam avião, hospedam-se em hotéis luxuosos e pagam "fortunas" por uma consulta médica no exterior, enquanto em sua terra estão excelentes profissionais, muito conhecidos e afamados lá fora.
Mas, pelo visto, não é novidade esse modo de pensar e agir. Jesus também foi rejeitado, teve que exercer seu ministério longe da sua terra.
O evangelista diz que: "Ficaram escandalizados por causa dele". Seus amigos e vizinhos se escandalizaram com a sabedoria, com as palavras e com os milagres que estava fazendo um simples jovem, filho daquela terra.
Também não é novidade que o profeta não é bem aceito, pois suas palavras incomodam, machucam. Geralmente, não é bem-vindo quem diz verdades, quem luta por igualdade e prega honestidade e amor. Generalizando: esse nos afastamos, ou dele nos afastamos.
Não quero parecer maldoso, mas quantas vezes recebemos como verdadeiro herói aquele mau caráter de colarinho branco, aquela “ficha suja” comprovado e confesso. Cheios de admiração enaltecemos aquele que lesa pessoas e o patrimônio público (vejam a "turminha" da Comissão de Ética do Senado e de certos integrantes da CPMI). Batemos palmas quando os ouvimos falar. Não raro, até banda de música está presente na recepção.
Jesus fica admirado com a falta de fé que encontra ali e, diante da incompreensão do povo, deve ter dito para si próprio: “Só mesmo tentando nos povoados da redondeza, pois em lugar como este, não dá para fazer milagres!”

 Sejamos vigilantes para podermos admirar no irmão coisas que vem de Deus e denunciar a bandidagem que circula livremente entre nós.

Dia 04

Certos dias, talvez você sinta uma angústia profunda no coração.

Nesses momentos, tem a impressão de que tudo fica mais difícil e as adversidades parecem não ter fim.

Até que um dia tudo melhora.

Por isso, nos momentos difíceis, é fundamental manter a calma.

De nada adianta perder a paciência.

Enfrente as adversidades com paciência e amor.

“Com efeito, a insignificância de uma tribulação momentânea acarreta para nós um volume incomensurável e eterno de glória. Isto acontece porque miramos as coisas invisíveis e não as visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno” (2 Cor 4,17-18).



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