27 fev - Ao sofrer por vontade de Deus em alguns de seus membros, a Congregação reflorescerá com maior saúde em todo o corpo. (L 167). São Jose Marello
EVANGELHO DO DIA
Mateus 5,20-26
"Pois eu afirmo a vocês que só entrarão no Reino do Céu se forem
mais fiéis em fazer a vontade de Deus do que os mestres da Lei e os fariseus.
- Vocês ouviram o que foi dito aos seus
antepassados: "Não mate. Quem matar será julgado." Mas eu lhes digo
que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Quem disser ao
seu irmão: "Você não vale nada" será julgado pelo tribunal. E quem
chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno.
Portanto, se você estiver oferecendo no altar a sua oferta a Deus e lembrar que
o seu irmão tem alguma queixa contra você, deixe a sua oferta ali, na frente do
altar, e vá logo fazer as pazes com o seu irmão. Depois volte e ofereça a sua
oferta a Deus.
- Se alguém fizer uma acusação contra você e levá-lo
ao tribunal, entre em acordo com essa pessoa enquanto ainda é tempo, antes de
chegarem lá. Porque, depois de chegarem ao tribunal, você será entregue ao
juiz, o juiz o entregará ao carcereiro, e você será jogado na cadeia. Eu afirmo
a você que isto é verdade: você não sairá dali enquanto não pagar a multa toda."
Meditação:
O Reino é dom gratuito, mas não de liquidação. Se ao ouvir falar
sobre a gratidão do Reino, pensamos em ficar livres do esforço, nos enganamos.
Se acreditarmos que a Lei era exigente e importante e o evangelho
uma ninharia, nos equivocamos. O reino é gratuito e jamais o mereceremos, mas
exige todo o esforço que brota do coração que ama, com generosidade e alegria.
Onde a sociedade propõe esforço em busca de méritos, êxito ou dinheiro, os
discípulos de Jesus dobram o esforço por “urgência retributiva”. Enquanto
alguns se esforçam por cumprir uma legislação, os discípulos de Jesus ativam
todas as forças na direção do amor, já que Deus está chamando o irmão para ser
tratado sem ressentimento, sem inveja ou competição.
Essa é a radicalidade do Reino, jugo suave que o amor torna uma urgência. E,
como se isto fosse pouco, Jesus ensina que nos reconciliemos com o irmão
ofendido antes de apresentar oferenda no altar.
O perdão é muito mais que uma experiência religiosa, é uma experiência
profundamente humana e libertadora, que ajuda a amadurecer, a crescer na
consciência de nossos limites e a libertar nossas potencialidades de amar.
O texto do evangelho de hoje está dentro da unidade maior de Mt 5,20 até Mt
5,48. Nela Mateus mostra como Jesus interpretava e explicava a Lei de Deus. Por
cinco vezes ele repetiu a frase: "Vocês
ouviram o que foi dito aos seus antepassados..., mas eu lhes digo..."
(Mt 5,21.27.33.38.43).
Na opinião de alguns fariseus, Jesus estava acabando com a lei. Mas era
exatamente o contrário. Ele dizia: “Não pensem que vim acabar com a Lei e os
Profetas. Não vim acabar, mas sim dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5,17).
Frente à Lei de Moisés, Jesus tem uma atitude de ruptura e de continuidade. Ele
rompe com as interpretações erradas que se fechavam na prisão da letra, mas
reafirma categoricamente o objetivo último da lei: alcançar a justiça maior que
é o Amor.
Nas comunidades para as quais Mateus escreve o seu Evangelho havia opiniões diferentes
frente à Lei de Moisés. Para alguns, ela não tinha mais sentido. Para outros,
ela devia ser observada até nos mínimos detalhes. Por isso, havia muitos
conflitos e brigas. Uns chamavam os outros de imbecil e de idiota.
Mateus tenta ajudar os dois grupos a entender melhor o verdadeiro sentido da
Lei e traz alguns conselhos de Jesus para ajudar a enfrentar e superar os
conflitos que surgem dentro da família e dentro da comunidade.
Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação,
pois nas comunidades daquela época, havia muitas tensões entre grupos radicais
com tendências diferentes, sem diálogo.
Ninguém queria ceder diante do outro. Mateus ilumina esta situação com palavras
de Jesus sobre a reconciliação que pedem acolhimento e compreensão. Pois o
único pecado que Deus não consegue perdoar é a nossa falta de perdão aos outros
(Mt 6,14). Por isso, procure a reconciliação, antes que seja tarde demais!
O novo ideal que Jesus propõe é este: "Ser perfeito com o Pai do céu é perfeito!"
(Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro
acolher e perdoar as pessoas da mesma maneira como Deus me acolhe e me perdoa
gratuitamente, apesar dos meus muitos defeitos e pecados.
Jesus nos indica, de uma maneira direta, a necessidade de superar
comportamentos farisaicos. Convida-nos a superar alguns modelos canonizados ou
que nos foram propostos como ideais. Temos fixado normas de conduta e
comportamento que precisam de revisão e que precisam ser superadas a partir da
comunidade cristã.
Quaresma é um momento propicio para fazer esta revisão e para que nos
comprometamos a fazer essa mudança. Esta Quaresma de 2026 deve
proporcionar mudanças radicais, de acordo com o evangelho de Jesus e as
exigências da comunidade. E ainda que o evangelho de hoje pareça redigito em
chave pessoal, não exclui que as mudanças sejam feitas em tom comunitário ou
grupal, uma forma de considerar que os outros também tem propostas de mudança
em sua vida.
Isto dizemos porque qualquer coisa que fazemos ou dizemos tem seu eco e repercussão
na família, no grupo, na comunidade, no ambiente. E é precisamente na
comunidade ou no grupo que temos a responsabilidade e missão de sermos criadores
de harmonia e paz, recompondo relações tortas e abandonando tensões e
discórdias.
A vivência da reconciliação, do perdão, com os irmãos
contribui fundamentalmente para a consolidação da vida e para a construção da
Paz a que todos aspiramos.
Reflexão
Apostólica:
Permitam-me resgatar o último parágrafo da reflexão de ontem: “Estamos
na Quaresma… Quantos pedidos, promessas e renúncias fazemos e o que será de
mudança concreta em nós, apenas as palavras e lindas orações? Estamos
refletindo "A Fraternidade e a Saúde Pública", e eu o que faço?”.
Diz a programação neurolinguística que o corpo “fala”. E como
fala! Vamos então aproveitar o que ela diz e casarmos com a afirmação que o
Senhor nos apresenta: ” (…) Pois
eu afirmo a vocês que só entrarão no Reino do Céu SE FOREM MAIS FIÉIS
O que seria ser MAIS
FIEL? Talvez seja o que João um dia mencionou em uma das suas cartas
(I Jo 4, 20-21): “(…)
Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem
não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é
o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão”.
Dureza não é? Mais creio que ainda temos mais a ver.
O corpo não esconde o que de fato pensamos. Você já reparou,
quando, em uma reunião, não dá pra esconder nossa insatisfação se nosso corpo
torce a boca, franze a testa, se viramos o rosto ou bocejamos?
Não dá pra fingir que prestamos atenção no irmão, no chefe, no
colega se nosso corpo insiste em ficar com os braços cruzados, procurando
defeitos…
Por outro lado também nosso corpo não consegue esconder as
preocupações que se revelam nos cabelos brancos, na cara abatida, no ar
cansado…
Fidelidade também é não envelhecer pelo que não é pra nós. Digo
isso pelas pessoas que lidam com pessoas, em especial nossos irmãos de comunidade
que sofrem com os irmãos “abençoados”, que também são cristãos e que toda
comunidade tem. Pessoas que Jesus nos pede pra amar, mas que ainda não amadureceram
para amar as pessoas.
Ser AINDA mais
fiel é não perder o dia com discussões pequenas e fundamentadas em picuinhas. É
ser devoto, se necessário, de SÃO
GRECIN (aquele shampoo) e não cultivar sentimentos nocivos e tão
poucos cabelos grisalhos por causa deles. É perda
de tempo procurar soluções que só virão com o tempo.
Ser AINDA MAIS FIEL é
exercer a paciência. É entender o que padre Jonas disse certa vez: "O sentimento é seu, mas a cara é dos outros! Como
convencerei que esse mundo que sonhamos vale a pena com cara de abatidos?"
Precisamos estar dispostos e sempre apresentáveis e em dia com a
nossa saúde. Criticados, aporrinhados, citados, apontados sempre seremos, pois
ao abraçar a cruz estamos sujeitos a levar por Cristo as chicotadas do
percurso. O cordeiro não levantou a voz! Ser fiel é prosseguir!
“(…) Eis meu Servo que eu amparo,
meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu
espírito, para que leve às nações a verdadeira religião. ELE NÃO GRITA, NUNCA
ELEVA A VOZ, NÃO CLAMA NAS RUAS. Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá
a mecha que ainda fumega. ANUNCIARÁ COM TODA A FRANQUEZA A VERDADEIRA RELIGIÃO;
NÃO DESANIMARÁ, NEM DESFALECERÁ, até que tenha estabelecido a verdadeira
religião sobre a terra, e até que as ilhas desejem seus ensinamentos”. (Is 42,
1-4)
Reanime e continue!
Propósito: Procurar acolher e perdoar as pessoas, da
mesma maneira como Deus me acolhe e me perdoa gratuitamente, apesar dos meus
muitos defeitos e pecados.
Dia 27
A vida é
um caminho entremeado de sonhos, esperanças, alegrias, tristezas, vitórias,
fracassos, amor, ilusões.
O encanto
da vida, a alegria de viver, vem da multiplicidade de fatos, quando se sabe
extrair o principal, que é aprender a ser feliz...
Ser feliz,
apesar das dificuldades, dos problemas, das tristezas...
Sentir
Deus em cada segundo, em cada minuto da vida...
Quando
colabora para a felicidade do próximo, você também se torna feliz.
A
verdadeira fonte de felicidade está em Deus e nos pequenos gestos do dia-a-dia
“Felizes
os que procedem com retidão, Os que caminham na lei do Senhor.”
(Sl
119[118]).


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