Evangelho do dia 04 setembro sexta feira 2026
04 SET - Banimento aos escrúpulos, que são a peste, repito, a peste da vida espiritual: é preciso sufocar no nascer todo desejo fantasioso; não voltar atrás para refazer o caminho; não correr adiante demais, nem se demorar demais para ver se o passo foi acertado; confiança em Deus que está ao nosso lado para corrigir nossos erros, inevitáveis mesmo quando temos a melhor intenção do mundo. (L 168). São José Marello
Lucas 5,33-39 – 4 de setembro de 2026
Primeira Leitura (1Cor
4,1-5).
Leitura da Primeira Carta
de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos: Que todo o mundo
nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de
Deus. A este respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.
Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal
humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. É verdade que a minha consciência não me
acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo. Quem me
julga é o Senhor. Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o
Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os
projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver
merecido.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Evangelho Lucas 5,33-39
Proclamação
do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas.
—
Glória a vós, Senhor.
Naquele
tempo, os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de
João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem
orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. Jesus, porém, lhes disse: “Os
convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles?
Mas dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias,
eles jejuarão”. Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de
roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e
o retalho novo não combinará com a roupa velha. Ninguém coloca vinho novo em
odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama;
e os odres se perdem. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E ninguém,
depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.
—
Palavra da Salvação.
—
Glória a vós, Senhor.
Refletindo
a Palavra de Deus
Queridos irmãos e irmãs
em Cristo,
Imaginem-se diante de um
espelho. Não um espelho comum, mas um que reflete não apenas sua aparência
exterior, mas também os recônditos mais profundos de seu coração. O que você
veria? Quem seria o verdadeiro “você” refletido nesse espelho? Esta imagem nos
convida a refletir sobre os temas centrais das leituras de hoje: julgamento,
autenticidade e a transformação radical que o encontro com Cristo traz para
nossas vidas.
Na primeira leitura, São
Paulo nos apresenta uma perspectiva profunda sobre o julgamento e a avaliação
pessoal. Ele diz: “Para mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum
tribunal humano. Nem eu julgo a mim mesmo.” Que afirmação surpreendente! Num
mundo obcecado por aprovação e reconhecimento, onde as redes sociais nos
convidam constantemente a nos comparar com os outros, Paulo nos oferece uma
libertação radical.
Ele continua: “Minha
consciência de nada me acusa, mas nem por isso estou justificado. Quem me julga
é o Senhor.” Paulo não está promovendo uma indiferença irresponsável à opinião
dos outros ou uma falta de autocrítica. Pelo contrário, ele está nos convidando
a uma perspectiva mais profunda e equilibrada.
Quantas vezes nos
torturamos com o que os outros pensam de nós? Quantas vezes permitimos que o
julgamento dos outros, real ou imaginário, molde nossas decisões e ações? E,
talvez mais perniciosamente, quantas vezes somos nossos próprios juízes mais
severos, atormentando-nos com autocríticas impiedosas?
Paulo nos lembra que,
embora a introspecção seja importante, não devemos fazer dela nossa prisão.
Nosso valor último, nossa justificação, vem não da opinião dos outros ou mesmo
de nossa própria avaliação, mas do amor incondicional de Deus.
Ele nos adverte:
“Portanto, não julgueis antes do tempo. Esperai que o Senhor venha. Ele
iluminará o que está escondido nas trevas e manifestará os desígnios dos
corações.” Que alívio! Não precisamos carregar o fardo impossível de julgar
perfeitamente a nós mesmos ou aos outros. Podemos confiar no julgamento justo e
misericordioso de Deus.
Esta mensagem de Paulo se
conecta belamente com o Evangelho de hoje. Jesus é questionado sobre por que
seus discípulos não jejuam como os fariseus e os discípulos de João. Sua
resposta é ao mesmo tempo profunda e revolucionária: “Podeis fazer jejuar os
amigos do noivo, enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes
será tirado. Naqueles dias, então, jejuarão.”
Jesus está desafiando uma
compreensão superficial e legalista da espiritualidade. Ele não está abolindo
práticas como o jejum, mas está convidando seus ouvintes a uma compreensão mais
profunda do propósito dessas práticas. O jejum, como qualquer disciplina
espiritual, não é um fim em si mesmo, mas um meio de nos aproximar de Deus.
Cristo se apresenta como
o noivo, e sua presença traz uma alegria que transcende as práticas religiosas
tradicionais. Ele está inaugurando uma nova era, uma nova forma de
relacionamento com Deus que é caracterizada pela intimidade e pela alegria.
Para ilustrar ainda mais
este ponto, Jesus usa as metáforas do remendo novo em roupa velha e do vinho
novo em odres velhos. Estas imagens poderosas nos falam da incompatibilidade
entre o antigo e o novo, entre uma religiosidade baseada apenas em regras
externas e a nova vida em Cristo.
O remendo novo em roupa
velha não apenas fica destoante, mas pode rasgar ainda mais o tecido antigo. Da
mesma forma, tentar encaixar a vida transformadora de Cristo em estruturas
antigas e rígidas de pensamento e comportamento pode levar à ruptura.
O vinho novo, fermentando
e expandindo, estoura os odres velhos e inflexíveis. A nova vida em Cristo é
dinâmica, expansiva, transformadora. Ela não pode ser contida em formas antigas
e rígidas de religiosidade.
Então, o que estas
leituras significam para nós hoje? Como podemos aplicar estas verdades
profundas em nossas vidas?
Primeiro, somos
convidados a uma libertação do julgamento excessivo – seja dos outros, seja de
nós mesmos. Isto não significa que não devamos ser responsáveis ou buscar
crescer. Significa que podemos descansar na certeza do amor e do julgamento
justo de Deus, libertando-nos da tirania da opinião alheia e da autocrítica
destrutiva.
Segundo, somos chamados a
examinar nossa espiritualidade. Nossas práticas religiosas são meros hábitos
externos ou expressões autênticas de um relacionamento vivo com Cristo? Estamos
abertos à novidade e à alegria que o encontro com Jesus traz, ou estamos presos
a formas antigas e inflexíveis de pensar e agir?
Terceiro, somos
desafiados a ser “odres novos” – flexíveis, expansíveis, capazes de conter a
vida nova e efervescente que Cristo oferece. Isto pode significar abandonar
preconceitos, repensar tradições que perderam seu significado, estar abertos a
novas formas de expressão da fé.
Quarto, somos convidados
a viver na alegria da presença do “noivo”. Embora haja certamente momentos para
práticas como o jejum e a penitência, nossa vida cristã deve ser
fundamentalmente caracterizada pela alegria do Evangelho, pela celebração da
presença de Cristo em nossas vidas.
Finalmente, somos
chamados a ser agentes de transformação em nosso mundo. Assim como o vinho novo
transforma os odres, nossa fé deve nos transformar e, através de nós,
transformar nossas famílias, comunidades e sociedade.
Meus queridos irmãos e
irmãs, hoje somos convidados a uma jornada de autenticidade e transformação.
Uma jornada que nos liberta do peso do julgamento excessivo e nos abre para a
novidade de vida em Cristo.
Imaginem como seria se
cada um de nós vivesse plenamente nesta liberdade e novidade. Se em cada
interação, cada decisão, cada momento de adoração, nos apoiássemos não em
expectativas externas ou tradições vazias, mas na presença viva e
transformadora de Cristo.
Que possamos ser como
odres novos, flexíveis e expansíveis, prontos para receber e conter a vida
abundante que Cristo oferece. Que possamos ser reflexos autênticos do amor de
Deus, não distorcidos pelo medo do julgamento ou presos a formas antigas e
inflexíveis.
E que a graça de nosso
Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai, e a comunhão do Espírito Santo estejam
com todos vocês, transformando-os de glória em glória à imagem de Cristo. Amém.
Dia 04
É preciso
rezar sempre, sem desistir.
Na hora
certa, no momento oportuno, Deus vai atender a seus pedidos.
Por isso,
cultive uma relação amorosa com ele.
É bom
lembrar que, antes de ser resultado de seu esforço, o Reino é a graça de Deus.
Quando
reza, você fica perto de Deus, que ouve suas orações. Quando você sofre, ele se
aproxima e o carrega no colo.
“E Deus,
não fará justiça aos seus acolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que
vai fazê-los esperar?“ (Lc 18,7).

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