EVANGELHO DO DIA 16 AGOSTO 2026 - ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
16 agosto - Uma vez fixada a meta, ainda que o céu venha abaixo, é preciso olhar lá, sempre lá. (L 10). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 1,39-56
"Naqueles
dias, Maria partiu apressadamente... Ela entrou na casa de Zacarias e saudou
Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em
seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela
exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu
ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua
saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre.
Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será
cumprido!". Maria então disse: "A minha alma engrandece o Senhor, e
meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade
de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque
o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia
se estende de geração em geração... Ele mostrou a força de seu braço: dispersou
os que tem planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e
exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de
mãos vazias...". Maria ficou três meses com Isabel. Depois, voltou para
sua casa."
Reflexão para a Solenidade da
Assunção de Nossa Senhora - Lucas 1,39-56 16 agosto 2026
Todos os anos, na solenidade da
assunção de Maria, a liturgia propõe para o evangelho o texto de Lucas
1,39-56, trecho que compreende o episódio da visitação de Maria à sua parenta
Isabel, e o cântico do Magnificat. Nesse cântico, que Lucas põe nos lábios de
Maria, está a síntese da história da salvação, cujo ápice acontece exatamente
na pessoa de Maria. Por isso, ela mesma proclama, em louvação, as maravilhas
realizadas por Deus ao longo da história, desde as promessas a Abraão até a
realização em seu ventre. É uma história longa, cujo fio condutor é a
fidelidade de Deus às suas promessas e sua clara opção pelos pobres, pequenos e
desvalidos. Concentraremos a nossa reflexão somente no texto evangélico
proposto, sem colocar em discussão as outras leituras propostas pela liturgia,
nem as afirmações do dogma da Assunção, proclamado em 1950 pelo papa Pio XII.
Este é um dos trechos mais apreciados do Evangelho
segundo Lucas, sobretudo, nas tradições católicas, devido a relevância dada à
figura de Maria. É uma das raras cenas do Novo Testamento que tem somente
mulheres como protagonistas, o que indica sua importância e peculiaridade. Com
isso, o evangelista preconiza o início de uma nova história para a humanidade,
com novas perspectivas e esperanças; trata-se de uma história construída e
escrita a partir dos pobres, desprezados e marginalizados da sociedade, como
eram as mulheres na época em que Evangelho foi escrito. O que Deus sempre
propôs à humanidade, começa a cumprir-se e realizar-se definitivamente a partir
do sim de Maria. Como pessoas simples e humildes, Maria e Isabel, protagonistas
do episódio, são uma prova de que o Deus de Israel tem um lado na história: o
lado dos pobres, humildes e marginalizados, a quem ele dirige o seu olhar
misericordioso (v. 48).
Localizado no chamado “Evangelho da Infância” de
Lucas (Lc 1–2), o próprio texto de hoje, no primeiro versículo, fornece o seu
contexto, através da expressão temporal “naqueles dias”. Essa expressão faz
referência aos eventos anteriormente narrados: a dupla anunciação: do
nascimento de João a Zacarias, esposo de Isabel (Lc 1,5-25), e do nascimento de
Jesus a Maria (Lc 1,26-38), ambos feitos pelo mesmo anjo do Senhor, Gabriel.
Ambos os anúncios mexeram com seus destinatários, deixando-os perplexos,
inicialmente. Maria, ao contrário de Zacarias, mesmo tendo questionado o anjo,
respondeu convictamente com um sim (Lc 1,38), o que não significa que não lhe
tenham ficado dúvidas e até medo.
Certamente admirada com tudo o que estava
acontecendo consigo e com Isabel, pois o anjo lhe informara (Lc 1,36), Maria
tomou a firme decisão de ir visitar sua parenta: “Naqueles dias, Maria partiu
para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia”
(v. 39). Embora a maioria das interpretações apontem o desejo de servir a
Isabel como o motivo da partida apressada de Maria, o texto não fornece nenhum
indício. Sem dúvidas, o serviço ao próximo sempre fez parte do estilo de vida
de Maria, sobretudo após o seu sim a Deus. Mas aqui podemos ver algo além
disso. Ora, quando Maria questionou o anjo no momento do anúncio, sobre como poderia
engravidar se não tinha relação homem algum (Lc 1,34), o anjo disse que tudo
seria obra do Espírito Santo, e ainda deu um exemplo concreto e próximo de que
nada é impossível para Deus: Isabel, uma anciã estéril estava grávida (Lc
1,36). A gravidez de uma anciã estéril seria tão surpreendente quanto a de uma
jovem virgem. É normal e compreensível que Maria tenha procurado Isabel para
confirmar se o que anjo lhe dissera era verdade. Também é normal que tenha
procurado sua parenta para partilhar a alegria do que estava acontecendo com
ambas, como sinal da fidelidade de Deus ao seu povo, Israel, de quem as duas
são imagens.
Ao conceder tanto espaço a Maria no início do seu
Evangelho, Lucas está criando o modelo de discípulo/discípula ideal para Jesus.
Por isso, é importante apresentá-la em movimento, disposta a proclamar, até nos
lugares mais distantes, as maravilhas de Deus e a certeza de que ele está
construindo uma nova história. A partida de uma jovem grávida de Nazaré, na
Galileia, para a Judeia antecipa os desafios e a necessidade dos discípulos de
todos os tempos estarem sempre em estado de saída. Mesmo que a distância não
fosse tão grande, as circunstâncias eram muito adversas para uma mulher jovem e
grávida. É típico da obra lucana o movimento, o sair de si. Essa partida
imediata de Maria faz dela um modelo de discípula e, ao mesmo tempo, inaugura o
primeiro movimento de Jesus: ainda no ventre, Ele já estava inquieto e pronto a
romper qualquer situação de estabilidade e tranquilidade, mesmo enfrentando
adversidades e perigos, como Maria enfrentou ao partir sozinha para uma região
montanhosa e de difícil acesso.
Ao chegar ao destino, Maria “Entrou na casa de
Zacarias e cumprimentou Isabel” (v. 40). Muito mais que cumprimentar, o verbo
“saudar” seria mais apropriado na tradução do texto. A expressão hebraica para
a saudação é o desejo de paz (em hebraico: shalom). Ao enviar os discípulos em
missão, Jesus ordenou que eles desejassem a paz em cada casa que entrassem (Lc
10,5). Aqui, mais uma vez, Maria antecipa a atitude de cada discípulo e
discípula: ser portador(a) da paz! Como mulher inovadora e corajosa, ela ignora
a tradição patriarcal e saúda a mulher ao invés do homem (v. 40). Assim, ela
provoca uma verdadeira revolução e inversão de valores nas relações sociais,
como aprofundará no seu hino, o Magnificat. Na sociedade do seu tempo, quem
deveria ser saudado era o dono da casa; saudando a mulher, ela afirma que um
tempo novo está surgindo, com novas relações e uma nova ordem.
A saudação de Maria irradia paz no ambiente, a
ponto de fazer até mesmo a criança, ainda no ventre, agitar-se (v. 41a). Isso
porque Isabel fica “cheia do Espírito Santo” (v. 41b). Trata-se do mesmo
Espírito prometido pelo anjo a Maria no momento do anúncio: “O Espírito Santo
descerá sobre ti” (cf. Lc 1,35a). Como força vital, o Espírito Santo é luz
irradiante e interpelante, que pode ser sentido quando transmitido por pessoas
cheias dele, como Maria. Quem recebe o Espírito Santo, o irradia por onde passa
e onde chega. A atitude de Isabel não poderia ser outra, senão exclamar,
gritando: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”
(v. 42). É a palavra profética que nela se atualiza. Sabendo que Maria
carregava dentro de si o Messias, isso fazia dela a mais “bendita” entre todas
as mulheres. Assim, Isabel torna-se a primeira a proclamar as
“bem-aventuranças” no Evangelho segundo Lucas. Ora, gerar filhos na mentalidade
bíblica, era sinal de bem-aventurança e bênção; uma confirmação de que se tinha
Deus a seu favor. Logo, gerar o Messias seria prova de uma dignidade
inigualável.
Tendo composto seu Evangelho com muita atenção para
a Escritura hebraica, o Antigo Testamento, Lucas procura atualizá-lo no “evento
Cristo”. Assim, na continuação da exclamação de Isabel, o evangelista desenha
Maria como a nova “Arca da Aliança”. Como sabemos, na arca da aliança eram
guardadas as tábuas da lei, sinal máximo da presença de Deus no meio do seu
povo. Com a exclamação de Isabel: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor
me venha visitar?” (v. 43), Lucas relembra e atualiza as palavras de Davi
quando estava para receber a Arca em sua casa: “Como virá a Arca de Iahweh para
minha casa?” (2 Sm 6,9). Portanto, Lucas percebe em Maria a arca da nova da
aliança, não mais portadora da Lei, mas portadora do amor e da misericórdia de
Deus. Davi exclamou com medo (cf. 2 Sm 6,10), enquanto Isabel exclamou de
alegria, o que mostra que a Lei escraviza e o amor liberta.
E, mais uma vez, Maria é reconhecida como
bem-aventurada: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o
que o Senhor lhe prometeu” (v. 45). Além de exaltar as qualidades de Maria, as
palavras de Isabel são também uma repreensão ao seu esposo Zacarias, o qual, ao
contrário de Maria, não acreditou no anúncio do anjo (Lc 1,20), por isso ficou
mudo até que o menino nascesse. Isabel combate a incredulidade do marido e
reforça a sua fé renovada pela presença de Maria, como ela confessou: “Será
cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (v. 45b). Ao repreender a incredulidade do
esposo Zacarias, um sacerdote, Isabel proclama a decadência da antiga religião
oficial do templo, demonstrando que somente os pobres, simples e humildes são
capazes de acolher as intuições do Espírito Santo, como Maria. Assim, a
religião do rigor e da Lei está completamente falida.
Provavelmente constrangida com tantos elogios da
parte da sua parenta, Maria a interrompe e, exultando de alegria, expressa seu
louvor a Deus com o seu cântico, conhecido como Magnificat (vv. 46-54). Isso
reflete também a preocupação do evangelista com a construção futura da imagem
de Maria na Igreja; o centro do culto e da vida cristã é sempre Deus, pois é
ele o autor das maravilhas operadas e, portanto, é a ele que o reconhecimento e
o louvor devem ser dirigidos. O Magnificat é o primeiro dos cânticos que Lucas
apresenta em seu Evangelho. Trata-se de uma composição que sintetiza todo o
Antigo Testamento. Lucas faz uma construção nova com pedras antigas, pois o
texto é um verdadeiro mosaico de citações do Antigo Testamento. A estrutura
geral é tomada do cântico de Ana (1Sm 2,1-10), o que se explica pela semelhança
das duas situações, uma vez que, assim como Isabel, também Ana era considerada
estéril e concebeu um profeta, Samuel, como Isabel concebeu João Batista. Se
Isabel estava maravilhada por contemplar grandes coisas (vv. 42-45), Maria lhe
ajuda a compreender melhor tal situação, convidando-a a olhar para a história e
perceber que, na verdade, esse Deus de Israel nunca esqueceu o seu povo, sempre
fez grandes coisas em seu favor e, portanto, é a Ele que o louvor deve ser
dirigido. Tudo o que estava acontecendo era dom de Deus.
Maria personifica todo o Israel e resume os grandes
feitos de Deus na história, destacando, sobretudo, a sua predileção pelos
pobres, humildes e humilhados. Quando reconhece que “o Todo-Poderoso fez e faz
grandes coisas” (v. 49), ao mesmo tempo se afirmar que não há outros poderosos,
exatamente porque devem ser derrubados de seus falsos tronos (v. 52). É o
início do cumprimento das antigas promessas, agora sob a responsabilidade de
Jesus e a comunidade dos discípulos, da qual Maria é modelo. A versão lucana
das bem-aventuranças e maldições é também aqui antecipada: a expressão “Encheu
de bens os famintos” (v. 53a) antecipa as bem-aventuranças dirigidas aos pobres
(Lc 6,20-21); já a expressão “Despediu os ricos de mãos vazias” (v. 53b)
antecipa as repreensões – ai de vós – dirigidas aos ricos (Lc 6,24-25). É, sem
dúvidas, a síntese da oração de Israel que deverá ser continuada pela
comunidade dos discípulos, a Igreja cristã.
A conclusão do texto reafirma a imagem de Maria
como nova arca da nova aliança: “Maria ficou três meses com Isabel; depois
voltou para casa” (v. 56). Uma expressão muito parecida aparece em 2Sm 6,11: “A
Arca de Iahweh ficou três meses na casa de Obed-Edom de Gat, e Iahweh abençoou
a Obed-Edom e a toda a sua família”. A presença de Maria na casa de Isabel foi,
com certeza, a confirmação da bênção de Deus sobre ela, seu esposo Zacarias e o
filho esperado, João Batista. Na arca da nova aliança não há tábuas da Lei, não
há norma nem preceito, há apenas Jesus, expressão máxima do amor e da
misericórdia de Deus para com toda a humanidade. O tempo de permanência de quem
irradia o Espírito Santo e a alegria do Evangelho, como fez Maria e assim devem
fazer os discípulos de todas as épocas, é o suficiente para ressignificar a
vida e ler os acontecimentos do presente à luz de tudo o que Deus tem realizado
ao longo da história.
Dia 16
Amanhã
pode ser tarde para dizer que ama, para perdoar ou pedir perdão, para ajudar
alguém, para compreender os outros.
Por isso,
jamais perca as oportunidades de rever suas atitudes e mudar.
Lembre-se
de que somente o hoje é definitivo!
“O
importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos
olhos de quem sabe ver”. (Gabriel Garcia
Márquez).
“Segui em
tudo os caminhos que o Senhor vosso Deus vos prescrever, para que vivais e
sejais felizes por longos anos na terra que ides possuir”.
(Dt 5,33).


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