Evangelho do dia 13 agosto quinta feira 2026
13 ago - Encorajemo-nos, pois um dia todos os nossos sofrimentos e amarguras se transformarão em outras tantas consolações: por enquanto nos ajudam a viver aqui o nosso purgatório, para que, depois da morte, possamos voar imediatamente para o Céu. (S 234). São José Marello
Primeira
Leitura (Ezequiel 12,1-12)
Leitura
da Profecia de Ezequiel.
A
palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Filho do homem, estás morando
no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para
ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. Quanto a ti, Filho do homem,
prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás
do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são
um povo rebelde. Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se
fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como
quem vai para o exílio. À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro,
pelo qual sairás; deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro.
Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a
casa de Israel”. Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o
dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no
muro. Saí ao escuro, carregando a bagagem às costas, diante deles. De manhã, a
palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Filho do homem, não te
perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo?
Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de
Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. Dize: Eu sou um sinal
para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o
exílio. O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá ao
escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto
para não ver com seus olhos o país”.
–
Palavra do Senhor.
–
Graças a Deus.
Evangelho Mateus 18,21-19,1
Proclamação
do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.
—
Glória a vós, Senhor.
Naquele
tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo
perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Não
te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é
como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou
o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado
não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo,
junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um
prazo! E eu te pagarei tudo’. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o
empregado e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali aquele empregado encontrou um
dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou
a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. O companheiro, caindo aos seus
pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. Mas o empregado não quis
saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes,
procuraram o patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe
disse: “Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me
suplicaste. Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu
tive compaixão de ti?” O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado
aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que
está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.
Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território
da Judeia além do Jordão.
—
Palavra da Salvação.
—
Glória a vós, Senhor.
Meditação
Queridos irmãos e irmãs
em Cristo,
Imaginem por um momento
que estão assistindo a uma peça de teatro. O palco está escuro, e de repente,
um feixe de luz ilumina um homem solitário. Ele está empacotando seus
pertences, preparando-se para uma jornada. Mas há algo diferente nesta cena. O
homem está vendando os próprios olhos, carregando sua bagagem às cegas,
tateando seu caminho para fora de sua casa. Esta imagem surreal e
desconcertante é exatamente o que Deus pede ao profeta Ezequiel para fazer em
nossa primeira leitura de hoje.
“Filho do homem,” diz o
Senhor a Ezequiel, “prepara a tua bagagem de exilado e emigra em pleno dia, à
vista deles.” Que pedido extraordinário! Deus está transformando a vida do
profeta em um teatro vivo, um drama silencioso que grita uma mensagem poderosa
para um povo que se recusa a ouvir.
Mas por que essa
encenação elaborada? Ezequiel nos dá a resposta: “Pois eles são uma casa
rebelde.” O povo de Israel tinha se tornado espiritualmente cego e surdo.
Tinham olhos, mas se recusavam a ver; tinham ouvidos, mas se negavam a ouvir.
Estavam tão entorpecidos em sua rebeldia que as palavras já não eram
suficientes. Era necessário um gesto dramático, uma parábola viva para sacudir
suas almas adormecidas.
Quantas vezes nós também
nos tornamos essa “casa rebelde”? Quantas vezes fechamos nossos olhos para as
verdades inconvenientes, tapamos nossos ouvidos para os chamados de Deus que
nos desafiam a sair de nossa zona de conforto? Talvez, como o povo de Israel,
precisemos de um Ezequiel em nossas vidas – alguém ou algo que nos sacuda de
nossa complacência espiritual.
Mas a mensagem de
Ezequiel não é apenas um alerta; é também um chamado à mudança. Deus não deseja
a destruição de seu povo, mas sua transformação. A bagagem do exílio que
Ezequiel carrega não é apenas um símbolo de julgamento, mas de esperança. É um
lembrete de que, às vezes, precisamos deixar para trás o familiar, o
confortável, para encontrar uma nova vida em Deus.
E é aqui que nossa
leitura do Evangelho se entrelaça belamente com a mensagem de Ezequiel. Pedro
se aproxima de Jesus com uma pergunta que todos nós já fizemos em algum
momento: “Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele pecar contra
mim? Até sete vezes?”
Pedro provavelmente
achava que estava sendo generoso. Afinal, a tradição rabínica da época sugeria
perdoar três vezes. Pedro dobrou isso e ainda acrescentou um. Sete, o número da
perfeição na tradição judaica. Certamente isso seria suficiente, não é?
Mas a resposta de Jesus é
de tirar o fôlego: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”
Jesus não está sugerindo que mantenhamos um contador e paremos de perdoar na
491ª ofensa. Ele está dizendo que o perdão deve ser ilimitado, assim como o
amor de Deus por nós é ilimitado.
Para ilustrar este ponto,
Jesus conta a parábola do servo impiedoso. Um homem que devia uma quantia
astronômica – dez mil talentos, uma soma que levaria várias vidas para pagar –
é perdoado de sua dívida. Mas em vez de deixar que essa graça incrível
transforme seu coração, ele imediatamente sai e exige pagamento de uma dívida
muito menor de um colega servo.
Esta parábola é um
espelho para nossas almas. Quantas vezes agimos como esse servo impiedoso?
Recebemos o perdão ilimitado de Deus – uma dívida que nunca poderíamos pagar
por conta própria – e ainda assim nos recusamos a estender essa mesma graça aos
outros?
O perdão, meus irmãos e
irmãs, não é uma opção para o cristão. É o próprio ar que respiramos no Reino
de Deus. É a essência do Evangelho. Cristo morreu na cruz não apenas para
perdoar nossos pecados, mas para nos capacitar a sermos agentes de perdão em um
mundo ferido e dividido.
Mas o perdão não é fácil.
Às vezes, parece impossível. As feridas são profundas demais, a dor é intensa
demais. É aqui que a imagem de Ezequiel volta a nos falar. Assim como o profeta
teve que sair de sua zona de conforto, vendado e carregando sua bagagem, às
vezes precisamos dar passos de fé no escuro quando se trata de perdão.
Perdoar não significa
negar a dor ou fingir que a ofensa nunca aconteceu. Não significa
necessariamente restaurar um relacionamento ao que era antes. O perdão é uma
decisão, um ato de vontade alinhado com a vontade de Deus. É escolher liberar o
outro da dívida que eles têm conosco, assim como Deus nos liberou de nossa
dívida com Ele.
E aqui está o paradoxo
maravilhoso: quando perdoamos, somos nós que somos libertados. O rancor, a
amargura, o desejo de vingança – todos esses são pesos que nos prendem,
bagagens pesadas que nos impedem de avançar em nossa jornada espiritual. O
perdão é a chave que destranca essas correntes.
Imaginem por um momento
que vocês são Ezequiel, carregando sua bagagem, os olhos vendados. Cada passo é
um ato de fé, confiando que Deus os está guiando mesmo quando não podem ver o
caminho à frente. O perdão é assim. Às vezes, não conseguimos ver como será
possível, não sabemos para onde nos levará. Mas damos esse passo de fé,
confiando que Deus nos guiará.
E à medida que damos
esses passos de perdão, algo maravilhoso começa a acontecer. Nossos corações,
antes endurecidos como a “casa rebelde” de Israel, começam a se abrir. Nossos
olhos espirituais, antes cegos, começam a ver o mundo de uma nova maneira.
Começamos a enxergar os outros não como inimigos ou ameaças, mas como irmãos e
irmãs, todos necessitados da graça de Deus.
O perdão é transformador.
Não apenas para quem é perdoado, mas principalmente para quem perdoa. É um
reflexo do caráter de Deus em nós. É um testemunho poderoso em um mundo que
muitas vezes se alimenta de ódio e divisão.
Então, meus queridos
irmãos e irmãs, eu os desafio hoje. Quem são as pessoas em sua vida que você
precisa perdoar? Que bagagem de mágoa e ressentimento você está carregando que
precisa ser deixada para trás? Talvez seja um membro da família que o magoou
profundamente. Talvez seja um colega de trabalho que o traiu. Ou talvez seja
você mesmo, lutando para aceitar o perdão de Deus por algo que fez no passado.
Dê esse passo de fé hoje.
Como Ezequiel, você pode se sentir como se estivesse caminhando às cegas. Mas
lembre-se: você não está sozinho. O mesmo Deus que guiou Ezequiel, o mesmo
Cristo que ensinou Pedro sobre o perdão ilimitado, está com você a cada passo
do caminho.
E à medida que você
perdoa, observe como sua própria vida se transforma. Observe como o peso é
levantado de seus ombros. Observe como sua visão espiritual se clareia,
permitindo que você veja o mundo e as pessoas ao seu redor através dos olhos
compassivos de Cristo.
Que possamos ser uma
comunidade marcada pelo perdão radical. Que nossas vidas sejam um testemunho
vivo da graça transformadora de Deus. Que, como Ezequiel, estejamos dispostos a
sair de nossa zona de conforto, confiando que Deus está nos guiando para uma
nova vida de liberdade e amor.
E que a paz de Deus, que
excede todo entendimento, guarde seus corações e mentes em Cristo Jesus. Amém.
Dia 13
O momento
presente é único; o agora é o instante da suprema criatividade, porque
significa a busca do verdadeiro sentir.
Viver o
presente é tomar consciência dos próprios sentimentos e pensamentos, a fim de
conectar-se à verdade que está em Deus.
O passado
não volta mais; o presente está sendo vivido agora; o futuro a Deus pertence.
“Fixa teu
pensamento nos preceitos de Deus e sê muito assíduo nos seus mandamentos: ele
confirmará teu coração e o desejo da Sabedoria te será dado”. (Eclo 6,37).


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