EVANGELHO DO DIA 05 JULHO 2026 - 14º DOMINGO DO TEMPO COMUM
05 julho – Vós estareis no mundo, mas não pertencereis ao mundo, nem o mundo poderá reclamar direito algum sobre vós. Vós vos achareis rodeados pelas perversidades da terra, mas vos conservareis sempre puros e sem mancha. (S 355). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 11,25-30
"Naquela
ocasião, Jesus pronunciou estas palavras: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu
e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as
revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi
entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece
o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim,
todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso.
Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde
de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu
fardo é leve"."
Reflexão para o 14º Domingo do Tempo
Comum - Mateus 11, 25-30 (Ano A) 05 jul 2026
Neste décimo quarto domingo do tempo comum, a
liturgia retoma a leitura sequenciada do Evangelho segundo Mateus, interrompida
de novo no domingo passado, por ocasião da solenidade dos santos apóstolos
Pedro e Paulo. O trecho lido hoje – Mt 11,25-30 – faz parte da seção narrativa
intermediária entre o discurso missionário (Mt 10) e o discurso em parábolas
(Mt 13). Como já afirmamos em outras ocasiões, a alternância entre discurso e
narrativa é uma característica literária marcante do Evangelho segundo Mateus.
A recordação dessa dinâmica é importante para a compreensão da obra em seu
conjunto, bem como de cada texto lido separadamente, como o de hoje, por
exemplo.
No discurso missionário (Mt 10), Jesus preparou
seus discípulos e os enviou em missão para ajudar a sanar a situação de
abandono e exploração em que se encontravam as multidões (Mt 9,36–10ss). Diz o
evangelista que, após instruir os discípulos para a missão, também Jesus saiu
para ensinar e pregar nas cidades da Galileia (Mt 11,1). De fato, sempre que
Jesus conclui um discurso, Mateus o mostra tomando iniciativas, agindo
concretamente em favor da libertação do povo sofrido. Isso serve de advertência
para a comunidade cristã de todos os tempos: os discursos só têm sentido se
forem acompanhados de ações e gestos concretos. A maneira como Jesus conciliava
discurso e práxis é o parâmetro para a comunidade.
Embora o evangelista não fale nada sobre o retorno
dos discípulos e o resultado da missão deles e do próprio Jesus, tudo indica
que não foram bem-sucedidos. O contexto e as entrelinhas dão a entender que
houve rejeição e hostilidades. Inclusive, o própria João Batista, já preso,
desconfiou da autenticidade do ministério de Jesus, a ponto de enviar seus
discípulos para tirar algumas dúvidas, afinal, o comportamento de Jesus não
correspondia às suas expectativas (Mt 11,2-19). Ora, João tinha anunciado um
messias juiz e vingador, alguém que vinha ao mundo para premiar os bons e
condenar os pecadores (Mt 3,7-12), enquanto Jesus se misturava com os
pecadores, bebendo e comendo com eles (Mt 11,18).
Além das dúvidas de João, o evangelista registra o
desgosto de Jesus com as cidades que Ele escolheu como primeiras destinatárias
da sua missão: “Então começou a recriminar as cidades onde tinha realizado a
maioria dos seus milagres, porque elas não tinham se convertido” (cf. Mt
11,20-24). Essas cidades eram Corazim, Betsaida e Cafarnaum, escolhidas a dedo
para o anúncio da chegada do Reino dos céus. Com a sua reputação posta em
dúvidas pelo seu próprio mentor, João Batista, e a rejeição de seus
compatriotas galileus, Jesus tinha tudo para decretar a falência do seu
projeto. Porém, fez exatamente o contrário: louvou ao Pai por tudo o que estava
acontecendo. É esse o contexto do Evangelho de hoje.
Feita a devida contextualização, voltamos nossa
atenção para o texto de hoje, que apresenta a resposta de Jesus a tudo isso que
acabamos de recordar: “Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: ‘Eu te louvo, ó
Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e
entendidos, e as revelastes aos pequeninos” (v. 25). A primeira observação
importante que fazemos diz respeito à expressão “Naquele tempo” que, dessa vez,
faz parte mesmo do texto bíblico, e tem uma importância relevante. Como a
liturgia praticamente banalizou essa expressão, colocando-a sempre como fórmula
de introdução ao Evangelho, corremos o risco de não perceber seu real
significado no texto de hoje. Ora, ao precisar temporalmente o episódio,
“Naquele tempo” (em grego: έν έκείνω τω καιρω – En
ekeíno tô kairô), o evangelista relaciona diretamente o texto com os
acontecimentos anteriormente narrados. O que Jesus está para dizer é reação ou
resposta aos últimos acontecimentos.
E a reação de Jesus não foi o desespero e nem o desânimo,
mas uma oração de louvor e ação de graças ao Pai. Ao invés de sentir-se falido
em suas pretensões, diante das rejeições sofridas e desconfiança do seu mestre,
João Batista, Jesus sente-se realizado porque, de fato, os propósitos de Deus,
o Pai, começam a concretizar-se: o mundo novo só pode ser construído com a
adesão dos pequeninos (em grego: νηπίοις –
nepióis), o que significa também inocentes, indefesos, humildes e pobres. É a síntese
dos verdadeiros necessitados de vida nova e libertação. O Reino dos céus,
que implica no desmoronamento dos sistemas de poder vigentes, por isso é ameaça
para os ricos e poderosos, os detentores de poder político e religioso, só tem
sentido e só é possível se o programa de vida de Jesus for abraçado. Esse
programa consiste na vivência das bem-aventuranças” (Mt 5,1-12). Os pequeninos
que estão conhecendo “estas coisas” são: os pobres, os mansos, os aflitos, os
famintos e sedentos de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os
promotores da paz e os perseguidos, ou seja, os bem-aventurados. Essas pessoas,
sim, percebem em Jesus o advento de um novo mundo, um novo tempo.
Quanto aos “sábios e entendidos”, para eles os
valores do Reino permanecem ocultos devido à soberba, orgulho, avareza,
legalismo e uso da força e da violência, tanto física quanto simbólica,
incluindo os sistemas religiosos que se impõem pelo medo. Esses são os
dirigentes, a elite política e religiosa, principalmente. São aqueles que não
tem coragem de tornar-se pequenos e, por isso, não entrarão no Reino dos céus
(Mt 18,3). Quem assume o poder como meio de dominação, seja econômica, política
ou ideológica, tende a rejeitar um projeto de sociedade justa, igualitária e
fraterna, como é o Reino dos céus. Não resta dúvida de que a crítica de Jesus
aqui se aplica mais ao campo religioso: os “sábios e entendidos” que não
conhecem “as coisas do Pai” são os representantes oficiais da doutrina e da Lei
– escribas, mestres da Lei, sacerdotes e fariseus – aqueles que passam a vida
impondo normas e vigiando quem está cumprindo ou não. Esses, como
representantes de um Deus juiz, severo e vingativo, não estão aptos a aceitar
os propósitos de um Deus-Pai, o Deus de Jesus, que nada impõe, mas apenas
oferece amor.
Diante disso, Jesus não se desespera, mas expressa
mais uma vez a sua convicção de que os desígnios de Deus, o Pai, estão
acontecendo: “Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” (v. 26). O rechaço à
vontade de Deus por quem deveria abraçá-la primeiro, os conhecedores da Lei, já
era previsto, por mais paradoxal que pareça. E a comunhão íntima de Jesus com o
Pai lhe permitia conhecer os seus desígnios. Ninguém pode conhecer o Pai e seus
propósitos a partir de códigos e doutrinas, mas somente amando e sentindo-se
amado, fazendo-se pequeno para sentir a grandeza do amor de Deus. E Jesus fala
do seu Deus-Pai com propriedade porque é o Filho. Por isso, pode dizer
convictamente: “Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho,
senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o
quiser revelar” (v. 27). Essa declaração reforça a intimidade de Jesus com o
Pai e ao mesmo tempo denuncia a ilegitimidade da religião vivida pelos
considerados grandes da sua época, os fariseus, mestres da lei e sacerdotes.
Aquela religião não tinha legitimidade porque anunciava sem conhecer, pois, se
baseava em códigos legais e doutrinas e, assim, ao invés de revelar, escondia o
rosto do verdadeiro Deus.
Os pequeninos podem conhecer o que Jesus revela – o
amor do Pai – porque não é fruto de especulações, mas de uma relação íntima
entre um Pai e um Filho que se amam reciprocamente. Jesus não propõe uma
teoria, mas o resultado de uma experiência de amor; por isso, é compreensível
pelos pequeninos, os seus prediletos. Ainda a respeito dessa declaração que
fala claramente da relação Pai-Filho, convém recordar a novidade que ela
representa aqui, pois se trata de uma linguagem muito característica das
tradições ligadas ao Evangelho de João. Por isso, é muito significativa a sua
presença nesse texto, exatamente quando Jesus expressa a sua satisfação em ver
os pequeninos compreendendo a dinâmica do Reino. Esses pequeninos são aquelas
mesmas multidões cansadas e abatidas, que provocaram a compaixão em Jesus,
porque estavam como ovelhas que não têm pastor, ou seja, estavam abandonadas e
exploradas, sobretudo pelas lideranças religiosas da época (Mt 9,36).
Inconformado com o abandono do povo e a exploração
da qual era vítima, especialmente pelo peso da Lei, Jesus faz um solene e
ousado convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o
peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (v. 28). A ousadia de Jesus
aqui consiste em convidar à ruptura com todos os sistemas de opressão, que
negam liberdade e vida plena. E era exatamente a religião quem mais deixava o
povo cansado e fatigado, impondo fardos que nem mesmo os chefes religiosos
conseguiam carregar (Mt 23,4). Além da opressão do império romano, com a
cobrança excessiva de impostos, o povo ainda era submetido à coerção de uma
religião vazia e hipócrita. Daí o convite de Jesus para a verdadeira
libertação: “Vinde a mim... e eu vos darei descanso”. É claro que o descanso
que Jesus promete não é uma vida cômoda e fácil, mas sim uma vida livre das
imposições Lei e do peso da doutrina. Em outras palavras, esse descanso é a
liberdade e a capacidade de amar e sentir-se amado; é sinal de realização do
Reino dos céus e da vocação originária do ser humano, pois evoca a perfeição e
a completude de uma obra boa, como a criação (cf. Gn 2,2).
E o convite é ampliado: “Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis
descanso” (v. 29). Tomar o jugo de Jesus é trocar a observância rígida da Lei
pela prática das bem-aventuranças. É preciso aprender de Jesus porque somente
Ele, como Filho, pode revelar plenamente o rosto amoroso do Pai, e somente
fazendo uma experiência profunda de amor-comunhão, é possível libertar-se do
jugo imposto pelos guardiões da lei e da doutrina. Se as bem-aventuranças em si
resumem o perfil de Jesus, as suas duas características que Ele cita aqui
constituem uma boa síntese da sua pessoa: manso e humilde de coração. É
importante ressaltar que a mansidão vivida por Jesus não pode ser confundida
com resignação, nem comodismo. Pelo contrário, essa consiste na coragem de
lutar pelo Reino mesmo na adversidade, sem, no entanto, recorrer aos mecanismos
do opressor, como a violência e o ódio.
Ao contrário do peso das prescrições legais
impostas pela religião do seu tempo, Jesus dá uma garantia aos seus seguidores:
“O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (v. 30). É claro que ele não está
prometendo facilidades na vida para aqueles que abraçarem o seu projeto. O seu
fardo consiste exatamente na vivência das bem-aventuranças, o que implica em
muitas dificuldades e desafios. Inclusive, o principal critério para reconhecer
se alguém está vivendo as bem-aventuranças é exatamente a perseguição (Mt
5,11-12). A proposta de Jesus é suave e leve porque não consiste em regras a
cumprir, mas em um amor a ser experimentado.
Dia 05
Em seus
ensinamentos, Jesus disse que todos devem se amar e “amar ao próximo como a
eles mesmos” (cf Mt 22,39).
Com essas
palavras, ele transmitiu o princípio fundamental: antes de amar alguém, é
importante amar a si mesmo.
Se houver
dúvidas sobre esse aspecto, significa falta de valorização pessoal.
É preciso
trabalhar a auto-aceitação; somente assim será possível investir em algo
construtivo.
Para ficar
bem com os demais, é preciso se sentir satisfeito com você mesmo.
“Eu vos
dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também
vós deveis amar-vos
uns aos
outros”. (Jo 13,34).



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