EVAGELHO DO DIA 12 JULHO 2026 - 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM
12 julho - Lê, relê, medita! (L 31). São José Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 13,1-23 12 julho 2026
"Naquele
dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Uma grande multidão ajuntou-se
em seu redor. Por isso, ele entrou num barco e sentou-se ali... Ele falou-lhes
muitas coisas em parábolas, dizendo: "O semeador saiu para semear.
Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros
vieram e as comeram. Outras caíram em terreno cheio de pedras, onde não havia
muita terra. Logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol
saiu, ficaram queimadas e, como não tinham raiz, secaram. Outras caíram no meio
dos espinhos, que cresceram sufocando as sementes. Outras caíram em terra boa e
produziram fruto: uma cem, outra sessenta, outra trinta. Quem tem ouvidos,
ouça!" Os discípulos... disseram a Jesus: "Por que lhes falas em parábolas?"
Ele respondeu: "Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos
Céus, mas a eles não... Pois a quem tem será dado ainda mais, e terá em
abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem. Por isto eu lhes falo
em parábolas: porque olhando não enxergam e ouvindo não escutam, nem entendem.
Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: 'Por mais que escuteis, não
entendereis, por mais que olheis, nada vereis... Fecharam os seus olhos, para
não verem..., para não ouvirem com os ouvidos, nem entenderem com o coração,
nem se converterem para que eu os pudesse curar'. Bem - aventurados são vossos
olhos, porque vêem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos
profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram
ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. "Vós, portanto, ouvi o
significado da parábola... A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a
compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o
grão que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado nas pedras é quem
ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo...:
quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele desiste logo.
O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas as
preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica sem
fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende; este
produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta"."
Reflexão para o 15º Domingo do Tempo
Comum
MATEUS 13, 1-13 (Ano A)
Neste décimo quinto domingo do tempo comum, iniciamos a leitura do “discurso em parábolas”, que é o terceiro dos cinco discursos de Jesus no Evangelho segundo Mateus. Nesse discurso, o Reino dos Céus é ilustrado a partir de sete parábolas, ocupando praticamente todo o capítulo treze do Evangelho. A liturgia propõe a leitura desse capítulo por três domingos consecutivos, começando hoje. texto proposto especificamente para esse domingo é Mt 13,1-23. Se trata de um texto bastante extenso, o qual contém a primeira parábola do discurso (vv. 1-9), as motivações do discurso em parábolas (vv. 10-17), e a explicação da parábola para os discípulos (vv. 18-23). Considerando a extensão do texto, não comentaremos versículo por versículo. Procuramos colher a mensagem central do texto em seu conjunto. Para uma compreensão mais adequada do texto, é necessário fazer uma pequena contextualização introdutória, sobretudo por se tratar de uma nova fase na vida e no ministério de Jesus, com uma nova metodologia, como veremos a seguir.
A mudança de metodologia e perspectiva que o texto
reflete faz parte da reação de Jesus às rejeições sofridas pela sua mensagem em
algumas cidades da Galileia após o discurso missionário e o envio dos
discípulos (Mt 11 – 12). Ora, tinha ficado claro que nem todos se interessaram
pelo anúncio da Boa Nova do Reino, tanto por Jesus quanto pelos discípulos por
ele enviados. Diante disso, Jesus apresenta o Reino e seus mistérios a partir
de uma série de sete parábolas, visando tornar a sua mensagem ainda mais
acessível, especialmente para as pessoas simples e humildes (Mt 11,25), que já
lhe tinham dado sinal de adesão, ao contrário dos sábios e entendidos que não
se interessavam pela sua mensagem libertadora. Certamente, diante do aparente
fracasso da missão de Jesus até então, seus discípulos lhe questionaram a
respeito da eficácia e até mesmo da utilidade do seu anúncio: porque anunciar,
se poucos escutam, e dos que escutam, poucos compreendem e acreditam? Por que o
anúncio da Boa Nova do Reino não causa praticamente efeito algum? Vale a pena
continuar? Não temos dúvidas de que as parábolas do capítulo treze, e
principalmente a de hoje, são tentativas de Jesus responder a questionamentos
desse tipo.
Por trás dos prováveis questionamentos dos
discípulos estava também uma concepção distorcida de messianismo, já que o
perfil de Jesus fugia dos padrões e das expectativas mais convencionais do
judaísmo da época: ao invés de um messias potente e guerreiro, Jesus se
apresenta simples, manso e humilde de coração (Mt 11,29); ao invés de
reconstruir o antigo reino de Davi, Ele propõe o Reino dos Céus como
alternativa de sociedade, cujas características principais são a igualdade, o
amor fraterno, a justiça e a solidariedade. Com as parábolas, a dinâmica Reino
poderia ser melhor compreendida pelos discípulos e pelas comunidades
destinatárias de todos os tempos, desde que aceitem a condição de pequeninos/a
(Mt 11,25), disposição essencial para conhecer a mensagem de Jesus e conduzir a
existência a partir dela. Além dos mistérios do Reino em si, as parábolas também
ajudam a compreender a dinâmica de aceitação e rejeição, o que mais inquietava
os discípulos naquele momento de crise vivido pelo grupo. Por último, ainda a
nível de contexto, convém recordar que o texto reflete mais a situação da
comunidade do evangelista do que mesmo a do grupo dos primeiros discípulos de
Jesus.
Assim, voltamos a nossa atenção diretamente para o
texto: “Naquele dia, Jesus saiu de casa para sentar-se às margens do mar da
Galileia” (v. 1). Jesus já estava radicado em Cafarnaum, cidade localizada às
margens do lago da Galileia, chamado de mar pelo evangelista por motivos
teológicos. O mar evoca perigo e hostilidade, é onde habitavam as forças do
mal, segundo a mentalidade da época. As margens do mar significam lugar de
movimento, fluxo de pessoas, abertura, contato com o diferente e exposição aos
perigos. Permanecer em casa é sinal de segurança, fechamento e comodismo. Logo,
o deslocamento de Jesus da casa para às margens do mar significa que, mesmo em
um contexto de hostilidades à pregação do anúncio do Reino, a comunidade cristã
não pode fechar-se em si nem buscar seguranças. Pelo contrário, deve lançar-se,
colocar-se em saída e ir às margens. Com essa atitude de sair de casa e ir às
margens do mar, Jesus convida a Igreja de todos os tempos a ser uma Igreja em
saída.
Se permanecesse em casa, somente os discípulos
ouviriam a pregação de Jesus. Uma vez que saiu de casa, “uma grande multidão
reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se,
enquanto a multidão ficava de pé na praia. E disse muitas coisas em parábolas”
(vv. 2-3). Para romper as bolhas e chegar às multidões é necessário colocar-se
em saída e assumir os riscos de tal opção. Inclusive, o gesto de sentar-se na
barca é a confirmação desses riscos; a mensagem libertadora de Jesus não é um
mero conteúdo para ser explicado de cátedras ou púlpitos, mas um programa de
vida que comporta riscos para quem se dispõe a vivê-lo. Embora já tivesse
contado várias parábolas (Mt 7,24-27; 9,15; 12,43-45), essa é a primeira vez que
o evangelista usa propriamente o termo “parábola” (em grego: παραβολή –
parabolê), cujo significado é pôr lado a lado, ou seja, fazer uma comparação. Ele vai, portanto, apresentar o Reino a partir
de comparações com elementos do cotidiano das pessoas, o que não significa que,
necessariamente, será melhor compreendido por isso, mas pelo menos instigará a
reflexão.
A primeira das parábolas que compõe o discurso é
aquela que o Evangelho de hoje nos apresenta: “o semeador saiu para semear” (v.
3b). Conforme vem descrito, esse semeador lança a semente em quatro tipos
diferentes de terrenos: caminho, pedra, espinho e terra boa (vv. 4-8), sem
distinção. Certamente há, aqui, uma grande discrepância com as práticas
agrícolas modernas. Na antiga Palestina, a terra não era preparada com
antecedência para a plantação. Jogava-se a semente na terra e só se começava a
prepará-la quando as plantas nasciam e cresciam, a ponto de distinguir a planta
boa da árvore daninha (ver o exemplo da parábola do joio e do trigo, Mt 13,24-30).
Perder sementes jogadas em terrenos duvidosos era visto como natural. O
importante era a confiança e a certeza de que em algum lugar a semente haveria
de nascer, crescer e frutificar em abundância.
É importante recordar que, mesmo tendo a multidão
como auditório, o público alvo principal da parábola é o grupo dos discípulos
de outrora e a comunidade cristã de todos os tempos. A comunidade anunciadora
do Reino não pode escolher a quem anunciar, assim como o semeador não escolhe o
terreno antes de lançar a semente. Inclusive, a maioria das interpretações
fixam a atenção no significado da semente, fazendo passar despercebida a figura
do semeador que, aqui na parábola, é o próprio Jesus; é ele o semeador que
espalha sementes de amor e esperança em todos os tipos de terreno, sem
preocupar-se com os resultados e, por isso, é o modelo para os discípulos. Ora,
diante dos fracassos recentes na missão evangelizadora de Jesus com os doze, a
tendência nos discípulos era selecionar melhor os destinatários do anúncio e
não perder mais tempo. Jesus está, com essa parábola, advertindo a Igreja de
todos os tempos que na sua missão, estará mais presente o fracasso do que o
sucesso, afinal, de quatro tipos de terreno, somente em uma semente frutificou.
A comunidade deve confiar na eficácia da Palavra, e ao mesmo tempo
conscientizar-se das diversas oposições que essa recebe e que podem impedir o
seu crescimento.
De uma coisa a comunidade não pode duvidar: a
Palavra tem força transformadora incrível: quando a semente “cai em terra boa,
é capaz de produzir à base de cem, sessenta e de trinta frutos por semente” (v.
8). Essa imagem exageradamente abundante dos frutos é importante:
convencionalmente, o máximo que se esperava de um cacho (ou espiga) de trigo
eram trinta grãos. Aqui está uma demonstração da vida em plenitude que
receberão aqueles que aderirem ao projeto do Reino. O que parecia ser muito
(trinta frutos) passa a ser mínimo diante da beleza que é a vida de quem se
deixou conduzir pelos frutos do Reino. A colheita surpreendente (cem frutos por
semente) só é possível para quem confia na Palavra e se abre completamente aos
valores do Reino. O que parecia muito, fora da mentalidade nova proposta por
Jesus, é o mínimo na dinâmica do Reino.
Após contar a primeira das sete parábolas, “os
discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: porque falas ao povo em
parábolas?” (v. 10). A resposta de Jesus é bastante longa e enigmática (vv.
11-17), usando, inclusive, o profeta Isaías (Is 6,9-10). Assim como havia
níveis diferentes de adesão à pregação de Jesus e ao seu Evangelho,
posteriormente, também havia diferenças no modo de compreender a sua Palavra.
Nem toda a multidão estava apta a compreender por que isso não é possível sem
uma experiência autêntica com Ele. Inclusive, ele deixa claro que não serve um
conhecimento superficial da sua pessoa: ou se conhece profundamente ou não se
conhece nada d’Ele. Por conhecimento de Jesus, compreende-se a experiência de
amor que se faz com a sua pessoa, e não a abstração de ideias a seu respeito.
No gesto dos discípulos aproximarem-se dele, está o modelo para o discipulado
de todos os tempos: não basta ouvi-lo, é necessário aproximar-se dele, estar ao
seu lado e vice-versa para a palavra, enquanto semente, enraizar no coração e
frutificar.
A Palavra transforma, cria raízes no coração, por
isso “aquele que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa
que não tem, será tirado até o pouco que tem” (v. 12). É claro que Jesus não
está falando de bens ou riquezas materiais, mas do conhecimento de si e dos
mistérios do Reino. Quem o conhece superficialmente, na verdade não o conhece;
quem o conhece verdadeiramente, o conhecerá ainda mais. No coração onde a
Palavra apenas tocou sem criar raízes, ela logo desaparecerá. Mas, onde ela de
fato enraíza e frutifica, os frutos são cada vez mais abundantes. O desejo de
Jesus é que a Palavra seja acolhida por todos e todas, mas a experiência estava
mostrando que não era possível. Nem todos a acolhiam, uns faziam de conta, ou
seja, ouviam, mas não se deixavam transformar por ela. A apresentação do Reino
em parábolas é, portanto, um convite à reflexão: através das imagens usadas, as
pessoas podem refletir com mais calma depois de ouvi-la e, assim, decidir
aderir ou não.
A explicação da parábola aos discípulos (vv. 18-23)
é um acréscimo posterior da comunidade mateana, como forma de manter a mensagem
de Jesus sempre atualizada. Não basta recordar o que o Mestre falou, é
necessário ler a realidade atual à luz da sua mensagem e aplicá-la. Nessa
explicação, Mateus adverte sua comunidade e as comunidades de todos os tempos
para a importância de saber lidar com as diferenças e a paciência no modo de
anunciar e acolher a Palavra. O certo é que a escuta deve ser seguida do aproximar-se.
Mais que descrever quatro categorias de pessoas, os quatro terrenos da parábola
são advertências e indicações de que cada discípulo e discípula pode comportar
em si as quatro situações de acolhida ou resistência à Palavra que é lançada a
todas as pessoas, sem distinção. Por isso, os quatro tipos de terrenos evocam
também a universalidade do evangelho
Estrada, pedra, espinhos e terra boa está no
coração de um. Que a Igreja seja estimulada sair constantemente de si mesma
para lançar as sementes do Reino, a Palavra, em todas as circunstâncias. O
importante é ter coragem de deixar a casa e assumir as margens do mar, sem
medo.
Dia 12
Todo mundo
já sofreu alguma desilusão amorosa.
De
repente, alguém surgiu, preenchendo sua existência de luz.
Foi um encontro
marcante, que abriu seus olhos para o amor, a beleza, a paixão.
Naquele
momento, aquela pessoa especial se tornou indispensável à sua vida.
No
entanto, subitamente, esse encantamento se rompeu.
Agora, é
preciso recomeçar com muita coragem.
Para não
esmorecer, converse com amigos e familiares e, principalmente, entregue-se à
oração.
Abra-se
para a vida e para Deus.
“A alegria
do coração é a vida da pessoa, tesouro inexaurível de santidade, a alegria da
pessoa prolonga-lhe a vida”. (Eclo 30,23).



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