Evangelho do dia 25 setembro sexta feira 2026
25 SETEMBRO – Busca sempre a perfeição em tudo, até nas pequenas coisas. (S 237). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 9,18-22
"Certa vez Jesus estava sozinho,
orando, e os discípulos chegaram perto dele. Então ele perguntou:
- Quem o povo diz que eu
sou?
Eles responderam:
- Alguns dizem que o
senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é um dos profetas
antigos que ressuscitou.
- E vocês? Quem vocês
dizem que eu sou? - perguntou Jesus.
Pedro respondeu:
- O Messias que Deus
enviou.
Então Jesus proibiu os
discípulos de contarem isso a qualquer pessoa. E continuou:
- O Filho do Homem terá
de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus, pelos chefes dos
sacerdotes e pelos mestres da Lei. Será morto e, no terceiro dia, será
ressuscitado."
Meditação:
Nos três evangelistas sinóticos encontramos esta narrativa sobre a
identidade de Jesus. Contudo, cada evangelista lhe dá uma interpretação
particular.
Em Marcos, o primeiro a escrever seu evangelho, a narrativa é como que uma
introdução à segunda parte de seu evangelho, caracterizada pelo caminho de
Jesus em direção a Jerusalém. Nela temos o primeiro "anúncio da
paixão", o qual seguido de mais outros dois, que virão, demarcarão este
caminho cujo desfecho é a crucifixão e morte de Jesus.
Enquanto que em Marcos o diálogo entre Jesus e Pedro é tenso, Lucas ameniza
este diálogo, colocando-o em um momento de oração de Jesus e removendo a troca
de repreensões entre Pedro e Jesus. Está em questão a identidade messiânica
davídica de Jesus. Na narrativa de Marcos, e aqui, em Lucas, a identificação de
Jesus como o messias davídico é rejeitada por Jesus.
Em Mateus esta identificação é exaltada. Pode-se perceber que Mateus se adapta
às comunidades de cristãos judeus para as quais escreve seu evangelho.
Lucas nos apresenta hoje a preocupação de Jesus sobre o conceito que as pessoas
tem e fazem da Sua pessoa e então faz aos discípulos a inquietante pergunta:
“Quem dizem as pessoas sobre quem é o Filho do Homem?”
O interessante disso tudo é que os discípulos escutavam os mesmos
comentários que chegaram aos ouvidos de Herodes: que Jesus era ou João Batista,
ou Elias, ou algum dos profetas antigos, que ressuscitou.
O que Jesus realmente queria saber era o que os seus discípulos
pensavam a respeito dele. E nesse momento é Pedro quem toma a iniciativa da
resposta e erguendo a voz diz: Tu és o Cristo de Deus!
A palavra Cristo vem do grego, é uma tradução literal de Messias, e significa
ungido. Esta resposta de Pedro tem todo um significado, e é sobre isso que
vamos refletir hoje.
Os livros proféticos do Antigo Testamento falam da vinda do Messias, o
Salvador. E atribui a Ele o poder de curar os doentes, expulsar demônios, e
trazer a paz ao povo. João Batista sabia disso.
É por isso que quando ele mandou seus discípulos perguntarem a Jesus se Ele era
o Messias, Jesus pediu que os discípulos de João o acompanhassem durante aquela
tarde enquanto Ele realizou a cura de cegos e aleijados.
Depois disso, Jesus disse aos discípulos de João que voltassem para dizer o que
tinham visto. Jesus não queria dizer, neste momento, que Ele era o Messias,
pois muitas coisas ainda precisavam acontecer antes do seu martírio.
João Batista, como conhecedor das Escrituras, sabia desses sinais. Se Jesus já
afirmasse desde esse momento que era a Promessa de Deus, o alvoroço e a
polêmica seriam ainda maiores do que este que já estava acontecendo. E isso
poderia encurtar a sua trajetória no meio de nós.
Mas então as pessoas da época não sabiam que Ele era o Ungido de Deus? O Filho
de Deus? Que não deveriam esperar que viesse outro? Pois é, não sabiam. Somente
os discípulos sabiam disso. E foram severamente proibidos de comentar isso com
alguém até que Ele passasse pelo martírio, morte e ressurreição.
Ainda hoje os judeus esperam a primeira vinda do Messias. Para eles, Jesus foi
apenas mais um profeta, que teve a sua importância, mas que não libertou o
povo, como eles esperavam. O entendimento deles não permite que vejam a
libertação que Jesus veio trazer… A libertação da escravidão do pecado.
Essa libertação vai muito além da libertação que eles esperavam, que era a
libertação da servidão aos romanos da época, e depois a tantos outros povos ao
longo da história.
A libertação que Jesus veio trazer é de dentro para fora. Você pode estar
acorrentado numa prisão, e ser livre. Você pode estar doente em um leito de
hospital, rejeitado pelos seus pais e estar em um orfanato ou um asilo, pode
ter perdido a saúde, a dignidade, o dinheiro, a liberdade de ir e vir… e ainda
ser livre.
Parece contraditório, mas é a Verdade. E a Verdade vos libertará.
Nem a morte causa medo a quem tem essa liberdade. E essa é a maior prova de fé:
não temer a morte.
Para Pedro, Jesus é Filho do Homem. É o Deus que se faz humano, convivendo no
dia-a-dia comum entre as multidões e comunicando-lhes seu amor divino e eterno,
que permanece para sempre, além da morte. E para ti quem é Jesus? A pergunta: E
vós quem dizeis que Eu sou ?, exige um comprometimento pessoal.
Pedro corajosamente mostrou sua crescente lealdade, ao afirmar que Jesus era o
Cristo de Deus. Nesta confissão Pedro quis dizer que Jesus era o único Deus,
Filho ungido para seus propósitos. Quais propósitos?
A maioria não tinha idéia, portanto Jesus não queria que seus discípulos
divulgassem o que Pedro havia dito. Ao invés de um Rei ungido para sofrer e
morrer por pecadores, a maioria dos judeus estavam à procura de um rei que
trouxesse libertação política.
Jesus então deixou claro o preço que teria que pagar para seguir a confissão de
Pedro num mundo que não apenas estava confuso a seu respeito, como também era
contra seu ministério. Concordar com a confissão de Pedro significa causar
conflito entre os crentes e o mundo e os levaria a negar a si mesmos, ao
carregarem a cruz do discipulado.
Reflexão Apostólica:
Ontem
refletimos o texto que relata a curiosidade de Herodes em torno da pessoa de
Jesus. Nesse contexto, podemos situar a passagem de hoje; agora é Jesus quem
pergunta a seus discípulos sobre a opinião que as pessoas tinham dele.
Aqueles
que o viram ou ouviram têm a mesma opinião de Herodes de que pode ser Elias, ou
um dos profetas, ou inclusive João Batista ressuscitado.
Contudo, interessa
a Jesus saber o que pensam seus discípulos, seus mais próximos seguidores.
Pedro responde em nome do grupo: reconhecem-no como Messias, quer dizer, o
Ungido de Deus, esperado por todos como o grande libertador do povo.
Jesus
ordena silêncio a seus discípulos acerca de sua identidade, pois não quer fama
e ainda não tinha chegado o momento da revelação de sua identidade.
Será
na cruz; é o sentido do primeiro anúncio da paixão que fecha esta passagem. O
messianismo de Jesus não se revelará no poder e no prestígio humano, mas na
cruz, sinal de salvação para toda a humanidade. Também a pergunta é para nós:
para nós quem é Jesus? E que conseqüências traz a resposta que dermos para
nosso compromisso como pessoas que acreditam nele?
Enquanto que para muitos Ele é apenas um muro de lamentações ou um refúgio em
suas necessidades, para poucos Ele representa o Senhor de suas vidas, aquele
que deve direcionar todas as suas ações, e a quem submetemos o nosso corpo e a
nossa alma.
Jesus adverte aos discípulos que seu seguimento é, muitas vezes, espinhoso:
"O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos
sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar ao terceiro
dia".
Essa mesma advertência é válida para nós nos dias de hoje, onde o seguimento de
Jesus exige de nós momentos de renúncia, de mansidão, de humildade e de
compreensão, como nos previne o livro do Eclesiastes: "Tudo
tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo que acontece debaixo do céu.
Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta".
O discipulado de Cristo lá e aqui tem seu preço, seu custo. Dar a sua vida por
amor aos seus irmãos. Esta é a mensagem para o dia de hoje.
Peçamos e oremos ao Senhor para que nos ajude a abrir mão, se preciso for, da
segurança, conforto e diversões deste mundo para O seguir.
Dia 25
Assim como
a andorinha encontra na cumeeira do templo um lugar seguro para fazer seu
ninho, da mesma forma, quem habita com Deus está seguro em todos os momentos da
vida.
Por isso,
procure construir sua casa em rocha firme, onde o vento que sopra não lhe cause
nenhum mal.
Construa
sua morada na rocha firme do amor de Deus.
“Para mim
um dia nos teus átrios vale mais que mil em outro lugar; estar na porta da casa
do meu Deus é melhor que morar em tendas dos ímpios”.
(Sl
84[83],11).

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