Evangelho do dia 21 setembro segunda feira 2026
21 set - Quando a paixão enfurece por dentro, é preciso calar. (S 177). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 9,9-13
"Jesus saiu
dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no
lugar onde os impostos eram pagos. Jesus lhe disse:
- Venha comigo.
Mateus se levantou e foi com ele. Mais tarde,
enquanto Jesus estava jantando na casa de Mateus, muitos cobradores de impostos
e outras pessoas de má fama chegaram e sentaram-se à mesa com Jesus e os seus discípulos.
Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos:
- Por que é que o mestre de vocês come com os
cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama?
Jesus ouviu a pergunta e respondeu:
- Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim
os doentes. Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras
Sagradas: "Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam
sacrifícios de animais." Porque eu vim para chamar os pecadores e não os
bons."
Meditação:
O Evangelho de hoje nos fala sobre a vocação de
Mateus, ou seja, sobre Jesus que o chama para ser seu discípulo. Precisamos
perceber que Jesus chama um pecador público. Isto era algo de extraordinário.
Mas, o que significa esta expressão “pecador público “? Significa
que alguém era considerado publicamente pecador, pois todos conheciam a sua
conduta de pecado.
Os capítulos depois do Sermão da Montanha, ou
seja, os capítulos 8 e 9, narram a atividade de Jesus. Diríamos assim que se
trata do programa de vida que proclamou no Sermão da Montanha como felicidade e
paz para o povo é o que ele realiza com suas atitudes e obras.
Dessa maneira, Mateus apresenta a atividade
messiânica de Jesus no seio de seu povo. No meio desta atividade está situado o
texto que a Igreja nos oferece para refletir neste dia. Cabe-nos perguntar por
que o evangelista situa o chamado de Levi neste momento de sua narrativa.
Talvez a resposta esteja no último versículo que
hoje lemos: Aprendam, pois, o que significa: ‘"Eu quero que as pessoas
sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais." Porque eu
vim para chamar os pecadores e não os bons, ou seja, o evangelista
acha necessário esclarecer que o centro da missão do Messias é buscar o que estava
perdido, curar os doentes, libertar os cativos, proclamar o ano de graça de
misericórdia do Senhor! (Lc 4, 18-19).
O que é certo é que no chamamento de Mateus o que
interessa mesmo é perceber QUEM ele chama… Que Mestre estranho este, o de
Nazaré, que começou por escolher discípulos entre pescadores iletrados da
Galiléia quase pagã, e agora se vira até para os malditos, os impuros…
Depois disso testemunha-nos o próprio Mateus que
houve festança lá em casa dele, sentados à mesa com Jesus comendo e bebendo ele
e os seus amigos, aquela “laia” de gente…
E, terceiro ato desta peça, aparecem também os fariseus
do costume… Chamavam-se a si próprios “fariseus”, que significa em hebraico
“separados”, porque era assim que construíam o caminho da santidade e da perfeição
piedosa que o deus deles lhes propunha… E chamavam-lhe o “Deus de Israel”, sem
sequer se darem conta da história do seu próprio povo, cheia de infidelidades e
impurezas, fugas e idolatrias com as quais o Deus de Israel sempre teve que
lidar sem Se enojar ou separar deles…
Mas pronto, às vezes esquecem-se estas coisas que
parece que só são evidentes para os sábios e para os profetas.
Não podiam aproximar-se da laia de Mateus… ficariam eles próprios impuros e
precisariam de realizar depois os seus rituais de purificação. Não podiam de
maneira nenhuma entrar em casa de um maldito! Seria chamar sobre si a maldição…
Mas também não podiam deixar de “picar” o novo e estranho Rabbi de Nazaré que
se comportava como Profeta e que alguns começavam a dizer ser o Messias das
esperanças judaicas…
Então, diz o evangelista, foram ter com os
discípulos de Jesus e perguntaram-lhes: “Por que é que o mestre de vocês come
com os cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama?"
E isto toca-me muito… Mas onde raio estavam os
discípulos de Jesus para os fariseus poderem falar com eles?!
Não estavam na festa! Não eram só os fariseus a
terem dificuldade em entender as escolhas de Jesus… os seus próprios discípulos
ainda ficavam à porta! No início dos relatos evangélicos isso é claro. A
dinâmica do Reino de Deus a acontecer diante dos seus olhos provocava neles um
desconforto e uma incompreensão que só compreende bem quem já a sentiu na pele.
A novidade do Reino de Deus a acontecer parecia
enigmática quando Jesus o propunha na forma de algumas parábolas… parecia uma
utopia exigente demais, às vezes, quando Jesus o propunha em forma de
ensinamento, como quando proclamou as Bem-Aventuranças… parecia uma força
interior inexplicável quando Jesus o testemunhava nos seus encontros
libertadores com as pessoas… mas o Reino de Deus parecia um escândalo quando
Jesus o proclamava presente pela convivialidade com os impuros, pelo perdão aos
pecadores públicos, pela amizade com os malditos.
Por isso é que os fariseus foram ter com eles…
porque sabiam que eles eram discípulos daquele Mestre, mas viam que não estavam
lá dentro com ele…
Vamos dar um salto de dois mil anos… Hoje…
Jesus… quanta espécie de “malditos” há por aí… quantos “impuros” ainda segundo
as leis, lógicas e preconceitos dos “puros” … quantos “pecadores públicos” no
contexto de um povo que ainda tem presenças farisaicas muito fortes…
Mateus e a sua “laia” continuam aí… Jesus, tenho a
certeza absoluta que também! E que continua a sentar-se à mesa com eles depois
de os visitar nas suas próprias bancas quotidianas… Os fariseus, ui
ui… que também ainda por aí andam… e os discípulos de Jesus… esses também…
e parece-me que, na maior parte das vezes, ainda no mesmo sítio. Somos dele,
mas não estamos com ele…
Vamos, mas é voltar lá para trás, para o relato de
há dois mil anos porque sempre é mais “confortável” … Jesus sabia bem os
discípulos que tinha… Amava-os assim e confiava neles.
Por isso estava sempre atento, e o que encontramos
muitas vezes na primeira etapa dos evangelhos é que os fariseus vão fazer
perguntas venenosas aos discípulos de Jesus, e ele NUNCA os deixa responder.
Ele bem sabia que não estavam preparados… Que as
perguntas dos fariseus andavam a bailar também dentro deles, com a única
diferença de que era sem veneno…
Jesus deu-se conta do “burburinho” e pôs-se do lado
dos seus. Quem eram os seus? Os que estavam consigo à mesa e os discípulos…
defendeu os dois grupos: “Não são os sãos que precisam de médico, mas os
doentes! Eu não vim para chamar os piedosos, mas os pecadores” …
Jesus respondeu-lhes de maneira a que eles
entendessem, pelo menos os que tivessem Coração capaz disso. Por isso é que usa
palavras claramente deles, não suas, como a palavra “pecadores”.
Jesus não gostava desta palavra. NUNCA a usa nos
evangelhos a não ser para responder aos fariseus quando o “picam” com estas
coisas dos “pecadores”, como eles lhes chamavam… Jesus responde-lhes numa linguagem
que eles entendam, responde-lhes com as suas próprias palavras… Mas não a
encontras na boca de Jesus em nenhum outro contexto!
Interessante, não é?...
Reflexão Apostólica:
Jesus chamou para ser dos
seus um tal de Mateus, cobrador de impostos, o que na altura significava ser
pecador público, considerado maldito e impuro.
Eram traidores do seu povo,
pois cobravam os impostos para os colonizadores romanos… Além disso, naqueles
tempos parece que abundava essa antiga arte de “meter ao bolso”, coisas próprias
dos antigos, claro, que hoje isto não acontece, não senhor…
O Evangelho de hoje nos diz
que Jesus viu primeiro. Referindo-se a Mateus, é vê-lo na sua situação
cotidiana: Jesus saiu dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado
Mateus, sentado no lugar onde os impostos eram pagos.
O olhar de Jesus é capaz
de ir além do que um simples olhar enxerga de um judeu cobrador de impostos.
Ele reconhece em Mateus um filho muito querido de Deus, e isso é o que Ele
comunica primeiro para o cobrador de impostos. Seu olhar sobre Mateus está
carregado da ternura e misericórdia de Deus Pai-Mãe, que cura as feridas e
perdoa os pecados, amando-o incondicionalmente.
Jesus continua e diz para
ele: “Segue-me!”. Abre-se diante de Mateus a possibilidade de um caminho novo,
impensável até esse momento. É convidado a deixar de ser uma engrenagem do
império opressor, para passar a ser íntimo colaborador na construção de um
reino de liberdade, justiça e solidariedade.
Deixemos que Jesus passe e
nos olhe no nosso dia-a-dia e, como Mateus, tenhamos a coragem de acolher esse
olhar e a proposta que dele brota.
Sem dúvida, nossa vida passará
a ser diferente e poderemos também ser parte deste círculo aberto, inclusivo e
integrador de amigos e amigas de Jesus que continuam lutando pela sua mesma
paixão: o ser humano e a casa em que ele habita!
Propósito:
|
Senhor Jesus, faze-me trilhar
o caminho da solidariedade, para que eu me aproxime daqueles aos quais deve
ser levada a salvação. |
A
existência humana pode ser comparada a um livro, cuja introdução vem pronta no
momento do nascimento.
Quando
ainda são crianças, os primeiros capítulos são escritos pelos pais e
educadores.
Com o
passar dos anos, cada um deve assumir a autoria da própria história.
No
entanto, ficar preso ao passado significa permanecer na introdução, sem passar
para o próximo capítulo.
Por isso,
abra o livro de sua vida e veja em que página e capítulo você está.
Seja você
mesmo o autor do livro da própria vida!
“Eu te
farei sábio, eu te indicarei o caminho a seguir; com os olhos sobre ti, te
darei conselho”. (Sl 32[31],8)

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