EVANGELHO DO DIA 06 SETEMBRO 2026 - 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM
06 agosto - Devemos demonstrar, também exteriormente, a santa alegria que Deus derrama em nosso coração, conservando sempre um aspecto agradável e sereno. Desse modo procuraremos a felicidade para nós e para os outros e, ao mesmo tempo, poderemos avançar a passos largos no caminho da perfeição. (S 238). São Jose Marello
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 18,15-20
""Se
teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a sós! Se ele te ouvir,
terás ganho o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas
pessoas, de modo que toda questão seja decidida sob a palavra de duas ou três
testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à igreja. Se nem mesmo à igreja
ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um publicano. Em verdade vos
digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes
na terra será desligado no céu. Eu vos digo mais isto: se dois de vós estiverem
de acordo, na terra, sobre qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que está
nos céus o concederá. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu
estou ali, no meio deles." "
Reflexão para o 23º Domingo do Tempo Comum - Mateus 18,15-20 (Ano A) 06
setembro 2026
Neste vigésimo terceiro domingo do
tempo comum, o evangelho oferecido pela liturgia
é Mt 18,15-20. Todo o capítulo dezoito do Evangelho segundo Mateus é ocupado
pelo quarto dos cinco grandes discursos de Jesus apresentados nesse evangelho.
Esse discurso é dirigido especialmente aos discípulos, e trata das relações
entre os membros da comunidade, por isso é comumente chamado de “discurso
comunitário” ou “discurso eclesial”. O ensinamento de Jesus nesse discurso tem
como primeiro objetivo apresentar a comunidade cristã como uma comunidade de
iguais, marcada pelo amor, humildade e perdão recíprocos.
Como o texto que a liturgia oferece não compreende o início do discurso, convém
retornarmos ao início para contextualizá-lo e, assim, compreendermos melhor o
evangelho de hoje e o discurso inteiro. Ora, o discurso é a resposta de Jesus a
uma pergunta absurda dos discípulos, conforme o primeiro versículo do capítulo:
“Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: ‘Quem é o maior no
Reino dos céus?” (18,1). A pergunta é absurda para Jesus porque ela revela que
os discípulos ainda não haviam compreendido quase nada do Reino dos céus. Desde
o início da sua pregação, Jesus tinha apresentado o Reino dos céus como uma
sociedade alternativa ao sistema vigente, sem relações de poder, nem hierarquia
entre os seus membros. Se os discípulos ainda perguntavam quem era o maior, é
porque ainda não haviam compreendido nem aceitado essa proposta.
Além da introdução ao discurso, é importante recordar também que, pouco antes,
Jesus havia feito o segundo anúncio da paixão (Mt 17,22-23). Por incrível que
pareça, quanto mais Jesus falava em cruz, perseguição e sofrimento, mais os
discípulos alimentavam seus sonhos de grandeza e poder (Mt 20,20-28),
demonstrando que não estavam ainda vivendo segundo as bem-aventuranças (Mt 5,1-12).
Sem dúvidas, essa era também a crise da comunidade de Mateus, cerca de quatro
décadas após a morte de Jesus. A tendência hierarquizante era cada vez mais
forte, por isso o evangelista faz questão de recordar as palavras de Jesus
contrárias a essa tendência.
Voltando para o discurso em si, convém ainda recordar que o trecho proposto
pela liturgia é precedido pela parábola da ovelha perdida (Mt 18,10-14). Assim,
podemos dizer que o nosso texto é uma espécie de explicação da parábola, uma
vez que, ao tratar da correção fraterna, o texto evidencia o esforço da
comunidade para que o perdão e a reconciliação aconteçam. Os membros da
comunidade devem esforçar-se ao máximo para refletirem em suas vidas o esforço
do Pai: “Vosso Pai, que está nos céus, não quer que se perca nenhum destes
pequeninos” (18,14). Ora, para que nenhum dos pequeninos se perca, a comunidade
não pode medir esforços; deve empenhar-se com todos os meios disponíveis para
que prevaleça o amor, o perdão e haja a reconciliação.
Feita a devida contextualização, voltamos a nossa atenção para o nosso texto
específico (18,15-20), o qual funciona como uma espécie de explicação da
parábola que o precede, como afirmamos antes. Eis o primeiro versículo: “Se o
teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se
ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão” (v. 15). A possibilidade do pecado e da
ofensa já deixa muito claro que a comunidade não é perfeita, pois seus membros
também não são perfeitos. Não obstante as imperfeições, a comunidade é, antes
de tudo, um espaço fraterno, pois seus membros são todos irmãos. De fato, uma
das informações e ensinamentos mais importantes desse versículo é o uso da
palavra irmão (em grego: ἀδελφός – adelfós).
Independentemente da falta cometida, a fraternidade, como regra básica da
comunidade cristã, deve ser buscada em todas as circunstâncias. A correção em particular é o primeiro recurso: nada de exposição e humilhação; entre irmãos, deve haver liberdade para perceber juntos
o erro e a necessidade de correção para o bem da comunidade. Não é a posição de
um superior para com um subalterno, mas de um irmão que busca outro irmão para
recompor a unidade da comunidade. Ganhar o irmão significa recuperá-lo para a
comunidade, ou seja, reatar com ele os laços de fraternidade.
Caso essa primeira tentativa não funcione, novos meios devem ser buscados: “Se
ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas testemunhas para que a questão
seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas” (v. 16). O cuidado com
o irmão continua muito evidente: nada de expô-lo publicamente. Contudo, para
que não se perca, é necessário continuar buscando a sua reconciliação e seu
retorno à fraternidade. Tendo falhado a primeira tentativa, busca-se uma
segunda. Nessa, recorre-se ao princípio judaico do testemunho, ao aconselhar
que se tome uma ou mais testemunhas, para que o testemunho seja válido (Dt
19,15). Aqui, no entanto, não se trata de um recurso jurídico, mas sim da ajuda
mútua. Mais do que mostrar o erro, o esforço da comunidade deve ser um
convencimento para que o irmão não se aparte dela.
Mesmo que a segunda tentativa funcione, ainda há outros recursos e meios, como
sugere Jesus: “Se ele não vos der ouvidos, dize-o à Igreja” (v. 17a). A
terceira tentativa para que o irmão não se perca da comunhão fraterna é levá-lo
à comunidade, ou seja, à Igreja. Essa, não como instância
jurídico-institucional, mas como espaço de comunhão e fraternidade, deve ser
comunicada e ficar a par de todas as situações que envolvam seus membros. A Igreja
aqui, como já falamos, não é uma instituição jurídica ou hierárquica, mas a
comunidade reunida, a assembleia (ἐκκλησίᾳ – ekklesia). Esse conselho de Jesus é mais um sinal da sinceridade e
transparência com que os irmãos e irmãs da comunidade cristã devem viver. Como
um corpo que é a comunidade, seus membros têm direito de saber como andam as
relações entre os demais membros, afinal, o bom funcionamento do corpo depende
da saúde e do bem de todos os membros. A comunidade reunida, como espaço de
comunhão e oração, deve também fazer da celebração uma oportunidade de
crescimento com a reconciliação de seus membros.
É possível que até mesmo a comunidade reunida não seja suficiente para
convencer o irmão da necessidade da reconciliação. Assim como é espontâneo o
ingresso na comunidade, também deve ser o afastamento, o que muitas vezes
ocorre até por falta de compreensão e acolhida. Por isso, Jesus previne: pode
ser que nem mesmo o conselho da assembleia reunida seja suficiente para o
retorno do irmão: “Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse
um pagão ou um pecador público” (v. 17b). Frequentemente, essa passagem é
interpretada como uma espécie de excomunhão, e até utilizada para justificar
esse procedimento. Porém, essa interpretação distorce completamente o sentido
do texto. Contradiz, inclusive, a parábola que antecede o nosso texto, aquela
da ovelha perdida. O real significado dessa expressão é: se aquele irmão não se
convenceu da necessidade de viver em paz com outro, se ele não se deixou mais
convencer pela beleza da vida fraterna e comunitária e, por isso, depois de
várias tentativas, ele precisa refazer o caminho.
Ser tratado como pagão ou publicano é ser, de novo, destinatário do evangelho.
Embora o texto litúrgico use a expressão “pecador público”, é mais adequado
usar “publicano” ou “cobrador de impostos”, pois corresponde melhor ao termo
empregado pelo autor, na língua original (em grego: τελώνης – telónes). Ora, ao
longo de todo o evangelho, os cobradores de impostos e os pagãos são destinatários do
interesse de Jesus e, portanto, do evangelho. Essas duas categorias de pessoas
eram desprezíveis para os fariseus, mas jamais para Jesus. A comunidade cristã não
pode ser pautada pelos mesmos princípios dos fariseus, e sim pelo amor de Jesus
e do Pai, por Ele revelado. Por isso, deve ter coragem de voltar atrás e
recomeçar seu caminho formativo para o discipulado, quantas vezes for
necessário, indo ao encontro daqueles e daquelas que se afastaram. Portanto,
como comunidade inclusiva, a Igreja deve buscar todos os meios para que nenhum
pequenino se perca.
O que já dissera aos discípulos no episódio de Cesaréia de Felipe, Jesus agora
reforça: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que
desligardes na terra será desligado no céu” (v. 18). É claro que não se trata
de uma delegação de poderes, mas de responsabilidade. A comunidade que vive, de
fato, as bem-aventuranças é reflexo do céu. As relações fraternas de amor e
perdão são os distintivos da comunidade cristã. Não é necessário ter poder para
que as coisas da terra sejam confirmadas pelo céu; basta coerência, testemunho
e, sobretudo, amor! Ao Pai, importa apenas amor, concórdia e fé (v. 19). São
esses os requisitos para tornar válida a oração. Antes de dobrar os joelhos e abrir
os lábios para dirigir uma prece ao Pai, a comunidade deve viver a concórdia
interna, respeitando as diferenças, obviamente.
A autêntica comunidade cristã, reconciliadora e orante, é o lugar privilegiado
da presença de Jesus: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu
estou ali, no meio deles” (v. 20). Aqui, o evangelista retoma um dos temas
principais de todo o seu evangelho: a presença do Senhor no meio da comunidade
(Mt 1,23; 18,20; 28,20). Ou seja, do começo ao fim do seu evangelho, Mateus
apresenta Jesus como o “Deus conosco”. Aqui está também a justificativa para
que a comunidade nunca se canse de buscar o retorno daqueles que se afastam: é
a presença do irmão que gera comunhão, e essa comunhão garante a presença de
Jesus. Na época da redação do evangelho, como o templo já havia sido destruído,
os judeus afirmavam que Deus estava presente onde dois ou mais estivessem
reunidos para estudar a Lei. Com essas palavras, Jesus diz que não é o estudo
da lei que garante a presença divina, mas é o seu nome. O evangelista entende
que reunir-se no nome de Jesus não é apenas pronunciar palavras juntos, mas
viver de acordo com o seu ensinamento. Com isso, ele combate as tendências
individualistas que começavam a aparecer na sua comunidade.
Uma comunidade só é autenticamente cristã quando é possível perceber e sentir
nela a presença de Jesus. Essa presença só se manifesta quando há amor, perdão,
reconciliação e compreensão. Havendo esses elementos, independentemente do
número de membros, mesmo que sejam só dois ou três, o Senhor estará presente.
Por isso, a comunidade deve empenhar-se ao máximo possível para recuperar um
irmão ou irmã afastado; mesmo que seja somente um, a sua ausência pode
comprometer a presença do Senhor!
Dia 06
Tenha um
dia feliz!
Elogie as
pessoas; faça novas amizades, mas preserve as antigas.
Guarde
segredos, pois quem confiou em você deve receber toda a compreensão.
Dê às
pessoas uma segunda chance, pois ninguém é perfeito.
Se alguém
o corrigir fraternalmente, aceite a crítica e reflita sobre o que precisa e
pode ser melhorado.
Nos
momentos difíceis, jamais tome nenhuma decisão precipitada.
Por
último, agradeça pela vida, que é um presente de Deus.
A vida é
uma bênção, uma dádiva de Deus.
“Nela
estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.(Jo 1,4).

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