Evangelho do dia 14 setembro segunda feira 2026

 


A Cruz: equívocos de interpretação

No dia 14 de setembro a Igreja celebra a "exaltação da Santa Cruz”. A festa recorda a época em que a fé cristã, tornada religião livre, e aos poucos hegemônica na Europa, propiciou aos cristãos cunharem símbolos de sua identidade, que favorecessem sua afirmação social e cultural.

O contexto histórico da fragmentação do império romano, favoreceu a constituição de uma nova entidade, com as suas diversas dimensões de ordem religiosa, cultural, social e econômica.

No âmbito do antigo império, foi emergindo a Igreja. Ela expressava o grande número de pessoas que passaram a fazer da nova fé religiosa, um elo de vinculação social, com suas práticas e seus símbolos.

Entre estes símbolos, sobressaiu a cruz. Pela maneira como ela evocava acontecimentos fundantes da nova fé, a cruz se tornou o símbolo mais eloquente, com a vantagem de ser ao mesmo tempo simples na sua configuração, e profundo na evocação dos fatos centrais relativos a Cristo.

Foi então que cresceu a curiosidade por encontrar a cruz autêntica usada na execução de Cristo no calvário. Assim, o interesse pelo símbolo, despertou o interesse pelo objeto.

Nos inícios da Igreja primitiva não se encontra nenhum rastro deste interesse pelo objeto concreto da cruz de Cristo. Ao contrário, os fatos testemunham o grande impacto causado pela presença viva do Ressuscitado. Se ele estava vivo, pouco interessavam os instrumentos de sua morte. Não se comprova nenhum interesse em identificar ou guardar objetos que tinham estado em relação pessoal com Cristo. Ninguém se preocupava em saber onde teria ido parar o manto de Cristo, onde estaria o cálice usado por ele na última ceia, e assim por diante.

Só depois de estruturada como entidade, a Igreja passou a cultivar os símbolos de sua identidade. Foi então que emergiu a importância da cruz, como portadora de uma simbologia muito profunda, e bem caracterizada.

Todo símbolo recebe o seu significado do relacionamento concreto com os fatos que o constituíram como sinal. Cultivando esta vinculação, se aprofunda o significado do símbolo. Quanto mais, por exemplo, se relaciona a cruz com o testemunho de amor que Cristo expressou por ela, mais a cruz se torna símbolo de sua mensagem.

Mas, por contraste, quanto mais se vincula um sinal que já tinha o seu significado próprio, com contextos contrários a este significado, o símbolo inverte sua mensagem no novo contexto associado a ele.

Foi o que aconteceu com a cruz. Usada na morte de Cristo, passou por sua primeira grande metamorfose simbólica, deixando de ser sinal de condenação, para se tornar, para os cristãos, sinal de salvação.

Mas infelizmente, os cristãos usaram a cruz como símbolo das "cruzadas” contra os povos que habitavam a antiga "terra santa”. De tal modo que, para esses povos, até hoje a cruz é maldita, pois evoca os equívocos cometidos nestes episódios históricos.

Tanto que os cristãos precisam agora relativizar o uso da cruz no seu relacionamento com os muçulmanos.

Até entre os próprios cristãos, o uso da cruz não é unânime. Viajando pelo interior dos Estados Unidos, dá para distinguir claramente a diferença de cemitérios. Onde os túmulos são encimados pela cruz, o cemitério é católico. Onde os túmulos são desprovidos de cruz, o cemitério é protestante.

Parece que os cemitérios acabaram entrando na conversa de hoje, para dizer que os desentendimentos humanos são quase fatais. Até nossas bandeiras podem se tornar símbolos equivocados, se não soubermos distinguir, afinal de contas, entre o significante e o significado.

A propósito, o sábio provérbio latino nos adverte: "Cave a signatis!”. Isto é, cuidado com os marcados por símbolos.

Dom Demétrio Valentini, Bispo de Jales-SP e presidente da Cáritas do Brasil.

14 setembro - - Exaltação da Santa Cruz.

Amemos a cruz, pois é ela que nos deverá introduzir no Céu. (S 209). São José Marello

Leituras do dia:

Nm 21,4b-9 ou Fl 2,6-11
Sl 78(77),1-2.34-38

Evangelho do dia:
Leitura do santo Evangelho segundo São João 3,13-17

 "Ninguém subiu ao céu, a não ser o Filho do Homem, que desceu do céu.
- Assim como Moisés, no deserto, levantou a cobra de bronze numa estaca, assim também o Filho do Homem tem de ser levantado, para que todos os que crerem nele tenham a vida eterna. Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo.

Meditação:

 Neste texto temos um trecho da resposta de Jesus a Nicodemos que, interpretando ao pé da letra as palavras de Jesus, questiona como um homem, sendo velho, pode nascer de novo. Jesus é a fonte da vida eterna.
A missão de Jesus não é a de condenação do mundo, mas de salvação, pela comunicação da vida divina e eterna a todos. É a missão da misericórdia e do amor, a que todos somos chamados.

(…) Todos os que crêem no Filho de Deus elevado entre o céu e a terra, suspenso na cruz, recebem dele a vida eterna. A cruz, instrumento de suplício e de maldição, torna-se, em Jesus Cristo, instrumento de salvação para todas as pessoas. Por isso, somos convidados a nos associar à cruz de Cristo. Quando falamos em união à cruz, logo pensamos em sofrimento, mas devemos pensar em algo que é mais importante que o sofrimento: Jesus, no alto da cruz, não era nada para si, mas todo para os outros, nos mostrando, assim, que cruz significa não viver para nós mesmos, mas fazer da nossa vida um serviço a Deus e aos irmãos e irmãs. A cruz só pode ser verdadeiramente compreendida sob o horizonte do amor maior” (CNBB)
O valor tão elevado que atingem certos objetos está relacionado diretamente com a importância da pessoa que o usou. Em si mesmos, seu valor é infimamente menor.

 A festa de hoje não teria nenhum valor para nós, se o Cristo não tivesse se doado por amor e por nosso resgate, derramando sua vida em nosso favor. Com certeza, haverá aqueles que, sem entender o verdadeiro sentido, acusar-nos-ão de estarmos adorando um objeto no lugar de Jesus.

 O lenho da cruz, assim como os santos e até Maria, não teria para nós nenhum sentido, se não fosse pelo Cristo que experimentaram e pelo qual se doaram, deixando-nos o exemplo de que sim, é possível, que criaturas imperfeitas e pecadoras - pela sua graça - alcancem méritos diante de seu Criador.
A festa da Exaltação da Santa Cruz é, portanto, como muito bem colocou frei Caetano Ferrari, a festa da Exaltação do Cristo vencedor da morte e do pecado por seu corpo dado e sangue derramado no alto da cruz.

 Para o cristianismo a cruz é o símbolo maior de fé, com cujos traços todos nós nos persignamos desde o momento do levantar até o deitar a cada dia.

 Na cerimônia batismal o primeiro sinal de acolhida à criança recém-nascida é o sinal-da-cruz traçado em sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a para sempre com a marca de Cristo.

 Desde os tempos antiqüíssimos, a Igreja passou a celebrar exaltar e venerar a Cruz, inclusive, como símbolo da árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, e símbolo mais perfeito da serpente de bronze que Moisés levantou no deserto para curar os israelitas picados pelas cobras porque o Filho do Homem nela levantado cura o homem todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que n’Ele crêem e lhes dá a vida eterna.
No Evangelho de hoje Jesus retoma esses símbolos do passado bem conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte) para dizer que no lugar da serpente de bronze pendurada no alto de um poste de madeira Ele mesmo é quem seria levantado no lenho da cruz.

 Se o pecado e a morte advieram da insídia e veneno do demônio, nos símbolos da árvore proibida e da serpente do paraíso e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo levantado no alto da cruz de onde Ele atrai a si os olhares de toda a humanidade.
Eis porque a Igreja canta na Liturgia Eucarística da festa: Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por ti redimidos, te cantamos louvor! E na Liturgia das Horas: Mais altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz triunfal: não traz um fruto de morte, traz a vida a todo mortal.

 Reflexão Apostólica:

 Para nos localizarmos no contexto desse evangelho é preciso ler os versículos abaixo
(…) O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo’.  Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”. (Nm 21, 7-9)

O povo andava pelo deserto murmurando contra Deus e contra Moisés. Se observarmos friamente esse fato, é comum vê-lo ainda hoje.
Voltando… O povo estava muito perto de Canaã, mas precisava passar pela terra de Edom, e como as cidades-estados tinham certa autonomia, eles (Edomitas) não permitiram que o povo passasse por dentro do seu território, restando assim dar um volta imensa para chegar a seu objetivo.
Somos assim também, ao ver um sonho tão próximo, um desejo antigo que não se realiza por detalhes (…), ou como o povo de Israel, tendo que “optar” por outro caminho; aceitar o insucesso. Situações como essas tendem a nos fazer lamuriar, a questionar nossa fé, nosso empenho, (…) Apresentamos então a Deus nossos frutos, nossas virtudes, nossa fidelidade, questionando-O por não entender a dificuldade que estamos enfrentando mesmo sendo fieis.
Como sabiamente diz uma irmã de caminhada “O sofrimento revela o que há de mais egoísta em nós”.
Qual seria o máximo de penúria que alguém poderia ser acometido? O que há de mais valioso que um bandido possa nos roubar? O que a pior das moléstias pode me tirar? Sim! A vida. E foi justamente ela que Ele deu na cruz! “
(…) Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna”.
Jesus por vezes citou que aquele que se apegasse a vida iria perdê-la. Será que posso chamar de apego todas as vezes que resolvo caminhar sozinho, sem orientação e por conta própria?
O trajeto feito pelo povo aliado a desobediência os levaram a uma região repleta de serpentes onde muitos viram a falecer, mas aqueles que se mantiveram firmes e firmavam seus olhos e sua segurança em Deus, mesmo de longe saiam vencedores.
Conhecemos pessoas, amigos, parentes (e às vezes nós mesmos) que, por vontade própria, resolveram caminhar por caminhos cheios de perigos e incertezas. Não estou falando dos desafios naturais como a busca de um emprego, uma nova situação, (…); pessoas por quem rezamos e nos pés do Senhor colocamos sua sorte e seu destino; irmãos que o mundo talvez já tenha dado por causa perdida, criaturas que já tiveram seu julgamento feito e sentenciado por nós.  Mas uma coisa eles talvez não saibam “
(…) Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo”.
Jesus foi colocado onde todos pudessem Vê-lo a distancia, e onde hoje Ele se encontra pode ser também ser encontrado a qualquer momento. Preciso me empenhar mais a levar a mensagem da Boa Nova a todo coração com quem eu conviver, pois esteja ele aflito ou esperançoso, não conseguirá fugir do seu olhar.

 Para se salvar era preciso olhar para serpente, mas hoje para ver Jesus e sua salvação basta abrir o coração.

(O que o Evangelho de hoje me leva a dizer a Deus?)

 Oração: Pai, ao exaltar a cruz de teu Filho Jesus, quero abrir meu coração para que ela frutifique em mim, renovando minha disposição de ser totalmente fiel a ti. Senhor Jesus, nesta festa em que exaltamos o madeiro no qual restaurastes nosso convívio harmonioso com o Pai, te peço que, enquanto caminho neste mundo, cercado por problemas, dores e distrações, nunca me esqueça do teu sacrifício por mim e, da mesma forma, que tu não rejeitas a tua cruz, mas a levaste até ao fim eu contigo aprendendo a não fugir dela mas pedir forças a Deus teu Pai e a me doar aos meus irmãos naquilo que estiver ao meu alcance, até que um dia possa contigo cantar o eterno hino de louvor lá no céu onde viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo.
Propósito: Ter sempre o coração aberto para o perdão.          

Dia 14

O rosto mais belo é aquele que se ilumina com um sorriso franco e sincero, pois reflete a beleza da alma e torna as pessoas agradáveis na convivência humana.

Um sorriso é capaz de dar ânimo e coragem a um coração triste.

Por isso, que sua passagem por este mundo seja repleta de compreensão e ternura para com os demais.

Seja sempre portador da alegria de viver.

“É pela graça de Deus que sou o que sou.

E a graça que ele reservou para mim não foi estéril; a prova é que tenho trabalhado mais que todos eles, não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo”. (1Cor 15,10).

 

Comentários