EVANGELHO DO DIA 17 MAIO 2026 - ASCENÇÃO DO SENHOR
17 maio - Se devemos declarar excomungado quem ousa diminuir a devoção à Virgem Mãe, por outro lado, devemos multiplicar os nossos esforços para divulgar o seu culto. (S 32). São José Marello
EVANGELHO - Mateus 28,16-20
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-no;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações,
batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
REFLEXÃO PARA A SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR – Mateus
28,16-20 (Ano A) 17 maio 2026
O
evangelho da solenidade da ascensão do Senhor, neste ano, por ocasião do ciclo
litúrgico A, é Mt 28,16-20. Esse texto corresponde aos últimos versículos do
Primeiro Evangelho. Por isso, contém as últimas palavras de Jesus na respectiva
obra, funcionando como uma espécie de testamento. Dos pontos de vista litúrgico
e teológico, pode-se dizer que a ascensão é a consumação da ressurreição, a
plenitude da Páscoa: o Ressuscitado penetra no mundo do Pai e, ao mesmo tempo,
garante a sua presença perene entre os seus seguidores, confiando-lhes a missão
de continuarem a sua obra. É importante destacar, logo de início, que o
evangelho segundo Mateus não chega a descrever a ascensão. Aliás, essa vem
descrita apenas na obra lucana (Lc 24,50-51; At 1,6-11) e no acréscimo
redacional de Marcos (Mc 16,19). Em Mateus, o que é narrada é a manifestação do
Ressuscitado aos discípulos na Galileia, dando-lhes as últimas recomendações e
garantindo continuar com eles para sempre. E esse detalhe é muito significativo
para a compreensão de todo o Evangelho de Mateus e, consequentemente, para a
vida da Igreja em todos os tempos.
Podemos
dizer que o texto de hoje é uma síntese conclusiva de todo o Evangelho de
Mateus. À medida em que escreve suas últimas linhas, o evangelista e sua comunidade
fazem questão de resumir a essência de tudo o que já tinha sido apresentado ao
longo da obra, sobretudo em relação aos ensinamentos de Jesus. É isso que
percebemos hoje. Portanto, para compreendê-lo bem é necessário que o leitor
esteja familiarizado com o conjunto da obra. Na impossibilidade de recordar o
Evangelho todo, recordamos, pelo menos, os últimos acontecimentos narrados: o
relato da ressurreição com a manifestação do anjo e do próprio Ressuscitado às
mulheres (Mt 28,1-10), e o suborno dos guardas pelos sacerdotes com a mentira
do roubo do corpo de Jesus pelos discípulos (Mt 28,11-15). O texto de hoje
sucede imediatamente a esses acontecimentos. Tanto o anjo do Senhor (28,5-7),
quanto o próprio Jesus (28,10) ordenaram às mulheres que avisassem aos
discípulos que retornassem à Galileia para, ali, fazerem também eles a
experiência do encontro com o Ressuscitado. Por isso, além de recordar, é
importante ressaltar que o encontro dos discípulos com o Ressuscitado, narrado
no evangelho de hoje, é fruto também do anúncio das primeiras apóstolas da
ressurreição: aquelas mulheres que, na madrugada do primeiro dia, foram visitar
o sepulcro e receberam o mandato de convencer os discípulos a retornarem a
Galileia para encontrarem o Ressuscitado (Mt 28,1-10).
É à luz
das informações recordadas anteriormente que podemos compreender o que o
evangelho de hoje diz logo em seu primeiro versículo: «Os onze discípulos foram
para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado» (v 16). A menção aos
onze recorda a perda de Judas, que já não fazia mais parte do grupo dos
discípulos, mas possui também um outro significado: o número doze representava
um projeto de reconstituição do antigo Israel, alimentando a ideologia
nacionalista e triunfalista. Esse projeto faliu, devido à rejeição de Israel ao
projeto de Jesus, cujo ápice foi à morte escandalosa na cruz. À luz da
ressurreição, a comunidade mateana, fazendo uma releitura dos últimos
acontecimentos, percebe que a missão universal confiada à Igreja não precisa
mais ser configurada às tradições de Israel. O projeto do Reino dos Céus que
Jesus anunciou ao longo do Evangelho não coincide com a restauração do reino de
Israel. Por isso, o número onze não significa incompletude da comunidade, mas é
sinal de uma nova perspectiva e ruptura com os antigos esquemas. Não podemos
esquecer que a eleição de Matias para recompor o número doze é um elemento
exclusivo da teologia de Lucas (At 1,15-26). Na perspectiva de Mateus, para a
comunidade do Ressuscitado sobreviver e crescer, é necessário abandonar os
esquemas tradicionais do judaísmo. A base fornecida por Israel – a Lei e os
profetas – não perderam o seu valor, mas receberam o cumprimento (Mt 5,17). De
Jesus em diante, o que conta é o anúncio e a construção do Reino, cujas bases
são as bem-aventuranças.
Segundo a
recomendação, os discípulos foram para a Galileia, ao monte indicado. Ora, em
Jerusalém acontecera a grande tragédia para a comunidade dos discípulos. Além
de ter sido o cenário da paixão e morte de Jesus, a capital não oferecia
nenhuma perspectiva para a comunidade do Ressuscitado ali florescer. Basta
recordar o conluio dos poderes religioso, militar e político para desacreditar
a ressurreição, com a ideia do roubo do corpo de Jesus pelos discípulos
(28,11-15). Aliás, Jerusalém foi hostil a Jesus desde o seu nascimento, com a
matança dos inocentes decretada por Herodes (Mt 2,16). O retorno à Galileia,
portanto, era essencial para a sobrevivência da comunidade e, ao mesmo tempo,
para o reencontro dos discípulos com as motivações e bases originárias. Além
das incompreensões ao longo da caminhada, marcada inclusive pela rivalidade
entre os discípulos (Mt 20,20), os acontecimentos envolvendo a paixão e a morte
de Jesus deixaram a comunidade profundamente abalada. Daí a necessidade de um
retorno ao ideal primeiro para fazer a experiência do monte. Ora, de acordo com
as tradições do Antigo Testamento, o monte é, por excelência, o lugar do
encontro com Deus e com a sua palavra.
Ao longo
de todo o seu Evangelho, Mateus situou Jesus no monte em diversas ocasiões,
desde às tentações (Mt 4,8-10) até a paixão (Mt 26,30). Inclusive, foi no monte
que Jesus proferiu o mais importante dos seus cinco discursos: o discurso da
montanha (Mt 5–7), que se constitui como o seu programa de vida, cujo centro é
as bem-aventuranças (Mt 5,1-12). De fato, nas bem-aventuranças está o centro da
mensagem de Jesus, ou seja, a essência de tudo o que ele ensinou aos seus
discípulos. Foi também no monte que Jesus se transfigurou diante de alguns
discípulos, revelando antecipadamente sua identidade crucificado-ressuscitado.
Logo, o convite para os discípulos retornarem à Galileia para o monte é
exatamente para voltarem à essência do projeto de vida proposto por Jesus,
percorrendo o seu mesmo caminho e fazendo as mesmas opções dele. É também um
modo de indicar a continuidade entre a mensagem de Jesus de Nazaré, o galileu,
e o Ressuscitado. E a Galileia como região desprezada entre os judeus é também
uma advertência aos discípulos quanto aos destinatários primeiros da missão: os
pobres e marginalizados.
Na
sequência, o texto descreve a reação dos discípulos: «Quando viram Jesus,
prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram» (v. 17). A princípio,
parecem duas posturas opostas diante da ressurreição, mas o evangelista as vê
como complementares. Prostrar-se é sinal de adoração e de convicção na
ressurreição e na divindade de Jesus. Aqui, o evangelista emprega o mesmo verbo
já empregado para indicar a atitude dos magos quando visitaram Jesus
recém-nascido em Belém (Mt 2,2.11) e para descrever o gesto das mulheres quando
viram o Ressuscitado pela primeira vez (Mt 289); Esse verbo (em grego:
προσκυνέω – proskinêo) tanto indica adoração quanto sujeição a alguém, como
deve ser a postura da comunidade: adorar e sujeitar-se somente a Jesus e ao que
ele deixou como ensinamento, assumindo completa autonomia e emancipação em
relação aos preceitos da Lei e às imposições do imperador romano. Assim como os
magos e as discípulas mulheres, também os onze discípulos aceitam os valores do
Reino como universais e, por isso, lutarão para que cheguem a todos lugares da
terra, indistintamente. Ao contrário do que parece, a dúvida não faz mal à
comunidade. Tanto é que Jesus não repreende os discípulos por isso. A dúvida é
sinal de busca, e não de rejeição. Ao longo da missão universal da Igreja,
muitas dúvidas surgirão, tanto em quem anuncia quanto nos destinatários do
anúncio. As dúvidas abrem espaço para o Espírito Santo iluminar a comunidade e
conduzi-la à verdade. Enquanto as certezas geram autoritarismos e imposições,
as dúvidas dão margem ao diálogo, à abertura ao diferente. O antídoto à dúvida
não é a certeza, mas a fé e o amor. Quanto maiores forem as dúvidas, maior será
a necessidade da fé e do amor na comunidade.
Diante da
reação dos discípulos, Jesus toma a palavra e profere seu breve discurso que,
de certo modo, sintetiza todo o Evangelho de Mateus (vv. 18-20). É importante
perceber que não são palavras de despedida, mas de envio e comissionamento.
Para Mateus, Jesus nunca se despediu da comunidade, pois na sua essência está
sua presença, o “estar com”. Ao dizer «Toda autoridade me foi dada no céu e
sobre a terra» (v. 18), Jesus está decretando a falência dos poderes sediados
em Jerusalém (religioso, militar e político), e estabelecendo uma nova ordem.
Está também reivindicando para si a identificação com a figura do “Filho do
Homem” (Dn 7,13-14) e, ao mesmo, tempo corrigindo-a: ao Filho do Homem do livro
de Daniel, foram dados poder e domínio. Jesus trocou o domínio pelo serviço (Mt
20,28), preferindo exercer sua autoridade no amor. A verdadeira autoridade,
motivada pelo amor, parte da periferia – a Galileia –, enquanto em Jerusalém
tem apenas força de morte, uma vez que lá o poder é exercido com base na
mentira, no medo, no suborno e na violência, conforme o relato da paixão
mostrou claramente. “Céu e terra”, aqui, significam a totalidade da criação
submetida a Jesus Ressuscitado; quer dizer que o Pai lhe entregou tudo.
Significa que tudo o que é de Deus passa por Jesus e está com ele, porque foi
entregue em suas mãos.
O discurso
prossegue com o envio universalista e inclusivo: «Portanto, ide e fazei
discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo» (v. 19). Aqui, Ele está, de fato, fazendo uso da sua autoridade
e, mais uma vez, mostrando a diferença da sua para outras formas de exercício
de poder. Ele não envia seus discípulos para impor e nem dominar, mas para
fazer novos discípulos, uma vez que no seu Reino não há súditos, mas irmãos.
Essa é, sem dúvidas, uma das maiores novidades de seu projeto de vida e de
mundo. Não envia os discípulos para doutrinar ninguém, mas para apresentar um
programa de vida, delineado ainda no início do Evangelho, com a proclamação das
bem-aventuranças (Mt 5,1-12). Destacamos aqui a força do verbo empregado pelo
evangelista para a expressão “fazer discípulos”: no grego, idioma original do
evangelho, há o verbo “discipular” (μαθητεύω – matheteuô); com ele, o
evangelista consegue distinguir o discipulado de uma simples tarefa, o que não
distinguimos com facilidade em nossa língua, com as traduções que temos. Gerar
discípulos ou discipular é, antes de tudo, viver o discipulado plenamente para
torná-lo fecundo e, consequentemente, gerar mais discípulos. Também é importante
recordar que os discípulos enviados para formar mais discípulos não deixam de
ser discípulos; não recebem títulos que os distingue dos demais, novos e
futuros discípulos. Sejam de os de primeira hora, sejam os que vierem depois,
os seguidores de Jesus não mais do que discípulos, tendo em vista que Ele é o
único mestre e Senhor.
O novo e
universal discipulado deve nascer do testemunho, ou seja, da maneira de viver
dos discípulos de primeira hora, os quais não são cumpridores de tarefas, mas
seguidores de Jesus de Nazaré, o Ressuscitado. O conjunto do ensinamento de
Jesus é sua forma de viver. Logo, é vivendo à sua maneira que se ensina e,
consequentemente, faz nascer novos discípulos e discípulas. À missão de
“discipular”, é intrínseca a função de batizar, como sinal de pertença à
comunidade dos discípulos. Mateus pensa na sua comunidade, obviamente, marcada
pela tensão entre os adeptos e os contrários à prática judaica da circuncisão.
Dos novos discípulos, não deve ser exigido nenhum sinal externo além do
batismo. A fórmula trinitária expressa a preocupação do evangelista para que o
batismo de ingresso na comunidade cristã não seja confundido com o rito
penitencial praticada por João Batista. A expressão “Em nome de/do” indica a
força do batismo. Na tradição bíblica, o nome de uma pessoa é a sua própria
identidade e essência, expressa a totalidade do seu ser. Portanto, ser batizado
em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, é ser impregnado da essência
mesma de Deus.
Como
última recomendação do mandato, Jesus apresenta uma advertência, mais do que
uma ordem: «E ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!» (v 20a). Em
nenhum outro Evangelho essa expressão teria a profundidade que tem em
Mateus. Ora, Mateus é, por excelência, o Evangelho do ensinamento (em
grego: διδαχή – didakê), tanto que está estruturado em torno de cinco
discursos: o discurso da montanha (Mt 5–7); o discurso missionário (Mt 10); o
discurso em parábolas (Mt 13); o discurso comunitário (Mt 18) e o discurso
escatológico (Mt 24–25). Nesses cinco discursos está totalidade do ensinamento
de Jesus, para a comunidade de Mateus, e é isso o que deve ser ensinado; dos
cinco, destaca-se o primeiro, o discurso programático, chamado de “discurso da
montanha”. A comunidade cristã tem a missão de ensinar tudo, sem distorção
alguma, do que Jesus ensinou e ordenou. Essa totalidade do ensinamento de
Jesus, no entanto, não passa de um jeito de viver, ou seja, é um programa de
vida. Por isso, não pode ser distorcido e nem substituído por uma doutrina ou
ideologia. E o efeito de ensinar a observar o conjunto da mensagem de Jesus é a
construção de um mundo novo, uma humanidade nova. Em outras palavras, é a
humanização do mundo.
Finalmente,
olhamos para a última frase de todo o evangelho, que é, na verdade, uma síntese
da obra de Mateus enquanto livro e da missão mesma de Jesus: a certeza da sua
presença permanente na comunidade: «Eis que eu estarei convosco todos os dias,
até ao fim do mundo» (v. 20b). Embora a tradução do texto litúrgico apresente o
verbo “estar” no futuro, o evangelista o emprega no presente, conforme o texto
grego. Isso significa que Jesus nunca se ausentou da comunidade, ou seja, Ele
não foi embora para voltar depois, mas permaneceu sempre. Aqui, ele diz «Eu
estou convosco». Por sinal, a presença é um tema teológico central no Evangelho
de Mateus: no início, Jesus é apresentado como Emanuel, cujo significado é
“Deus está conosco” (1,23); Ele mesmo garantiu estar presente quando a
comunidade estivesse reunida em seu nome (18,20), e garante, aqui na conclusão,
permanecer para sempre com os discípulos. Por isso, com essa certeza, Mateus
não tinha motivos para descrever Jesus subindo para o céu, como fez Lucas. O
importante é que a comunidade possa sentir sua presença e que essa a estimule a
viver e ensinar somente o que Ele ensinou.
O
Ressuscitado está, de fato, presente na comunidade que vive o ideal de vida
proposto nas bem-aventuranças. Nessa comunidade todos são discípulos e
discípulas e, portanto, irmãos e irmãs. Essa comunidade celebra, acolhe,
convence pelo testemunho e coloca-se em saída para, com alegria, compartilhar
tudo o que Ele ensinou. Ao colocar-se em saída, essa comunidade cumpre a missão
de humanizar o mundo, não impondo doutrinas, mas vivendo intensamente o amor.
Dia 17
Sempre
haverá oportunidades e circunstâncias reveladoras de que Deus existe e está bem
próximo de nós.
Cabe a
todos perceberem sua presença no dia-a-dia.
É
importante mostrar ao mundo que Deus existe, não tanto com as palavras, mas sim
com obras, dando testemunho desse Deus vivo, presente em cada um de nós.
Você foi
enviado por Deus para ser missionário da bondade, da compreensão e do perdão.
A partir
de seu testemunho, a demais pessoas perceberão a presença de Deus e sentirão a
paz que se origina dele.
“Que
beleza, pelas montanhas, os passos de quem traz boas-novas, daquele que traz a
notícia da paz, que vem anunciar a felicidade, noticiar a salvação, dizendo a
Sião: ´Teu Deus começou a reinar! ´” (Is 52,7).



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