EVANGELHO DO DIA 10 MAIO 2026 - 6º DOMINGO DA PÁSCOA
10 Maio - A alma de Maria é um conjunto (complexo) de todas as perfeições, uma harmonia doce e agradável das virtudes mais lindas, de modo que, ao contemplá-la, nos sentamos estimulados a amá-la e a imitá-la. (S 235). São José Marello
João 14,15-21
"Se me
amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um
outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o
mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece. Vós o conheceis,
porque ele permanece junto de vós e está
REFLEXÃO PARA O 6º DOMINGO DE PÁSCOA
João 14,15-21 (Ano A) 10 de maio 2026
Neste sexto domingo de Páscoa, continuamos a leitura do capítulo quatorze do Evangelho segundo João, iniciada no domingo passado. A liturgia de hoje propõe os versículos de 15 a 21. O contexto continua sendo o da última ceia de Jesus com seus discípulos em Jerusalém. Como se sabe, esse texto faz parte do discurso de despedida de Jesus, considerado um verdadeiro testamento, uma vez que contém a síntese de seus principais ensinamentos. João é o único evangelista que fez essa síntese final dos ensinamentos de Jesus, respondendo às necessidades concretas das suas comunidades, ameaçadas pelas perseguições e por problemas internos, quando o Evangelho foi escrito, já na última década do primeiro século. Propositadamente, a liturgia prioriza a leitura de trechos desse discurso nos domingos que antecedem à solenidade da ascensão, para que as comunidades cristãs tenham clareza da essência da mensagem de Jesus e não interpretem o seu retorno para junto do Pai como ausência, mas como início de uma presença ainda mais intensa entre os seus seguidores. Como a contextualização mais ampla já foi feita no domingo passado, não é necessário repeti-la hoje.
Eis o que o texto afirma logo em seu início: «Se
me amais, guardareis os meus mandamentos» (v. 15). Enquanto o primeiro
versículo do evangelho do domingo passado cobrava fé nos discípulos (Jo 14,1),
o de hoje faz praticamente a mesma exigência com o amor. De fato, fé e amor são
duas características indispensáveis para uma comunidade cristã. Essa é a
primeira vez que Jesus pede amor para si, e o faz empregando o verbo que
expressa o amor em sua máxima dimensão. Ora, no grego, idioma da redação do
Evangelho, há quatro verbos que significam amar, mas somente um expressa um
amor ilimitado e incondicional, capaz de doar a vida: é o verbo agapáo (άγαπάω), empregado aqui. O amor cristão tem um parâmetro que é o amor de Jesus, e os cristãos não
podem amar de outro jeito que não
seja esse. Quem ama Jesus guarda os seus mandamentos, o que aqui significa a
totalidade de sua mensagem, uma vez que ele deixou um único mandamento: o
mandamento do amor (Jo 13,34-35). Assim, mandamento no plural significa a
totalidade da mensagem de Jesus, o que não consiste em preceitos e normas
morais, mas num estilo de vida.
É importante perceber e recordar que o amor é
exigência para pertencer a Jesus, mas não uma imposição, o que fica claro no
texto: «se me amais…». Isso quer dizer que o amor deve ser livre, não
imposto. Logo, trata-se de uma exigência condicional. Quem escolhe segui-lo só
pode fazê-lo amando-o e vivendo à sua maneira. E a consequência do amor a Jesus
é a observação e vivência efetiva dos seus ensinamentos. Ele não fala de
obediência aos seus mandamentos, mas de guardar, o que significa preservar algo
em sua essência, sem adulterações. Inclusive, o evangelista usa aqui o mesmo
verbo guardar (em grego: τηρήω – terêo)
colocado na boca do mestre-sala no episódio
das bodas de Caná, ao
elogiar o vinho novo, desconhecido para ele, como se estivesse «guardado até agora»
(Jo 2,10). Portanto, quem ama Jesus vive e mantém a sua mensagem autêntica e
intacta ao longo do tempo, não obstante as adversidades, como as enfrentadas
pela comunidade do evangelista. E para conservar a mensagem de Jesus em sua
integridade, no entanto, a comunidade precisa ler os sinais dos tempos, à luz do
Espírito Santo, já que é uma mensagem dinâmica e viva. Logo, guardar os
mandamentos de Jesus não significa apego a tradições e costumes estéreis, mas
abertura e disposição para viver sempre conforme o seu amor, o que se faz
somente abrindo-se ao Espírito Santo, o seu dom maior.
Estando prestes a retornar ao Pai, Jesus reconhece
a vulnerabilidade dos seus discípulos, que se encontravam angustiados e com
medo (Jo 14,1). Por isso, lhes faz uma promessa: «E eu rogarei ao Pai e ele
vos dará um outro defensor, para que permaneça sempre convosco» (v. 16).
Aqui, Jesus está se referindo ao Espírito Santo como o outro defensor, sendo
que o primeiro defensor é ele mesmo (1Jo 2,1); o outro atuará na vida dos
discípulos com uma presença semelhante, embora mais intensa, à do próprio Jesus
em sua vida terrena. O termo grego correspondente a defensor é “Parákletos” (παράκλητος), corresponde ao
termo latino “advocatus”, do
qual provém a palavra advogado; se trata de uma
palavra composta (παρά – pará = “junto a” + κλητος – klétos
= chamado), cujo significado literal é “chamado a estar junto ou do lado” para defender, consolar e encorajar.
Adaptada ao português e
outras línguas modernas como “Paráclito”, esse termo foi praticamente
transformado em título do Espírito Santo, quando na verdade expressa a sua
função vivificante na comunidade. Ora, angustiados e aflitos pelo medo, os
discípulos temiam exatamente que a partida de Jesus os deixasse desamparados; a
essa situação, Jesus responde prometendo o outro defensor. Assim, ele antecipa
que, através do Espírito Santo, estará para sempre presente na vida dos seus
seguidores de todos os tempos, com uma presença até mais efetiva do que aquela
terrena, uma vez que não estará mais condicionado aos limites do espaço e do
tempo.
A presença do Espírito Santo é decisiva e vital
para a comunidade; por isso, Jesus continua referindo-se a ele, mostrando agora
uma função clara, aquela de ajudar a manter a comunidade na Verdade, que é o
próprio Pai e Jesus, já que, quem vê a um vê ao outro (Jo 14,9), uma vez que os
dois são Um (Jo 10,30): «O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de
receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece
junto de vós e estará dentro de vós» (v. 17). Aqui, evangelista faz a
contraposição, típica da sua teologia, entre a comunidade cristã e o mundo. O
mundo, nesse caso, não significa a criação ou o cosmos, mas toda a oposição ao
Evangelho; é a negação do amor de Deus comunicado por Jesus, o que geralmente é
o sistema opressor – religioso, político ou econômico – mas também as
contradições e incoerências internas da própria comunidade. Enfim, é toda
realidade que rejeita o amor de Deus, que são os sistemas que se alimentam da
mentira, do ódio, da violência e de tudo o que é contrário ao Evangelho. A
comunidade só resiste a tudo isso se acolher o Espírito da Verdade, a quem ela
conhece, porque Jesus a deu a conhecer, inclusive enviando-o para dentro de
cada discípulo.
A presença do Espírito na comunidade garante
proteção e amparo aos discípulos; por isso, Jesus lhes assegura: «Não vos
deixarei órfãos. Eu virei a vós» (v. 18). Os discípulos temiam exatamente
viver como órfãos num mundo hostil e injusto, após a partida de Jesus. Ora, os
órfãos, juntamente com as viúvas e os pobres, formavam a categoria de pessoas
mais vulneráveis e frágeis em Israel, sujeitos à exploração dos poderosos. Eram
os protótipos das pessoas abandonadas. Por isso, eram destinatários de atenção
especial na própria Lei de Moisés (Dt 14,28-29). Com essa afirmação, Jesus
declara que não os abandonará; pelo contrário, virá a eles; essa vinda não é a
parusia, ou seja, a vinda definitiva no final dos tempos, mas o seu retorno à
comunidade após a ressurreição (Jo 20,19.24); inclusive, nos relatos das
aparições, o evangelista João não dirá que Jesus apareceu aos discípulos, mas
que ele veio onde eles se encontravam e, por sinal, eles estavam com medo (Jo
20,19.24). Talvez essa garantia de não deixar seus discípulos órfãos seja uma
das promessas mais significativas de Jesus. É a certeza de uma presença afetiva
e efetiva para sempre. Associada à promessa do Espírito Santo e à sua comunhão
com o Pai, essa garantia revela os cuidados maternos e paternos do Deus que ele
veio revelar. Trata-se de um Deus que ama e cuida com os amor de pai e mãe.
Na sequência, com muita clareza, Jesus fala da sua
morte ressurreição, certamente com os discípulos já mais tranquilos, após o
anúncio do outro defensor e a certeza de que eles não ficariam órfãos. Eis o
que ele diz: «Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me
vereis por que eu vivo e vós vivereis» (v. 19). Ao contrário do mundo, para
quem a morte de Jesus será uma partida permanente, porque não se abriu para conhecer
o seu amor, os discípulos não deixarão de vê-lo, pois, ressuscitado, estará
para sempre vivo entre eles. A relação com Jesus é fonte de vida, pois quem lhe
vê, vive. Ver, aqui, significa a relação de intimidade com ele, e essa relação
é geradora de vida. Naquela ocasião, os discípulos confirmarão a união íntima
entre Jesus e o Pai e poderão também participar dessa mesma união, como ele
mesmo promete: «Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e
eu em vós» (v. 20). Logo, a presença de Jesus no Pai e do Pai em Jesus se
realiza também na vida dos discípulos, eliminando, assim, toda distância entre
o humano e o divino. A comunidade cristã aberta ao Espírito da Verdade é,
portanto, morada de Jesus e do Pai, pelo Espírito Santo.
No último versículo, é retomada a temática dos
mandamentos, e novamente associados ao amor: «Quem acolheu os meus
mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu
Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele» (v. 21). O termo mandamento (em
grego: έντολή – entolê),
tanto no singular quanto no plural, aparece vinte e seis vezes nos evangelhos,
sendo dezesseis nos sinóticos (Mt 5,19; 15,3; 19,17; 22,36;38;40; Mc 7,8.9;
10,5.19; 12,28.31; Lc 1,16; 15,29; 18,20; 23,56) e dez em João (Jo 10,18; 11,57;
12,49.50; 13,34; 14,15.21; 15,10.12); enquanto nos sinóticos sempre faz
referência aos mandamentos da Lei, embora ressignificados por Jesus, em João os
mandamentos são somente seus, não aludem à antiga Lei. Com isso, o evangelista
reforça que é Jesus com seu amor o único parâmetro para a comunidade. Nesse
versículo, o evangelista abre uma nova perspectiva; enquanto nos versículos
anteriores o discurso foi todo construído em segunda pessoa, com Jesus falando
diretamente aos discípulos reunidos com ele (“vós”), agora ele fala em terceira
pessoa. Ele passa então, a dirigir-se a toda pessoa, de qualquer lugar e de
qualquer época (quem, aquele, qualquer um...). Logo, a experiência que os
discípulos de primeira hora estavam vivendo pode ser vivida por qualquer pessoa
que cumpre o mandamento do amor. Isso significa que toda pessoa, sem distinção,
pode ser discípula de Jesus. Isso foi um conforto que o evangelista transmitiu
aos membros da sua comunidade, especialmente àqueles chegados por último,
vítimas de preconceito e discriminação, e serve de alento para as comunidades
de todos os tempos.
Convictos da presença ativa de Jesus na comunidade
que vive o seu amor e o aceita como única regra de vida, somos animados a
acolher o Espírito Santo para estreitar cada vez mais os laços com Ele, com o
Pai e com o próximo, o primeiro destinatário do seu amor. Dessa presença emana
a força necessária para resistir aos obstáculos e as convicções para perseverar
na verdade do Evangelho, como único parâmetro para a vida cristã.
Dia 10
A
maternidade é um dom divino.
Você, que
é mãe, lembre-se de que a melhor lição que pode dar ao seu filho é o bom
exemplo.
Quando
corrigir seus filhos, faça-o sempre com amor e ternura, pois esse é o melhor
momento para dialogar.
Procure sempre
transmitir-lhes conceitos éticos e cristãos.
Jamais
deixe que aprendam valores incorretos, que, muitas vezes, são apresentados como
normais.
Em um lar
onde não faltam o amor e o perdão, a festa e a alegria são permanentes.
Faça do
diálogo uma prática constante.
“Cada ano
sua mãe fazia uma pequena túnica e lhe trazia, quando vinha com seu marido
oferecer o sacrifício anual”. (1Sm 2,19).


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