Evangelho do dia 11 outubro 2026 - 28 Domingo do tempo comum
11 out - A questão do "dinheiro" já nos deteve por demais inclinados para o baixo e é tempo de proclamar o “sursum corda”: corações ao alto. (L 158). São José Marello
EVANGELHO – Mateus 22,1-14 11 outubro 2026
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele
tempo,
Jesus dirigiu-Se de novo
aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo
e, falando em parábolas, disse-lhes:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei
que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas,
mas eles não quiseram vir.
Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes:
‘Dizei aos convidados:
Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos,
tudo está pronto. Vinde às bodas’.
Mas eles, sem fazerem caso,
foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;
os outros apoderaram-se dos servos,
trataram-nos mal e mataram-nos.
O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos,
que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
Disse então aos servos:
‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.
Ide às encruzilhadas dos caminhos
e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.
Então os servos, saindo pelos caminhos,
reuniram todos os que encontraram, maus e bons.
E a sala do banquete encheu-se de convidados.
O rei, quando entrou para ver os convidados,
viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial.
E disse-lhe:
‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.
Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos:
‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores;
aí haverá choro e ranger de dentes’.
Na verdade, muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos».
Reflexão para o 28º Domingo do Tempo
Comum – Mateus 22,1-14 (Ano A)
Com o evangelho deste vigésimo oitavo domingo do
tempo comum – Mt 22,1-14 – conclui-se a leitura da série de três parábolas
consecutivas, contadas por Jesus em seu primeiro confronto direto com as
lideranças religiosas e políticas de Jerusalém. O contexto, portanto, é o mesmo
dos dois últimos domingos. Jesus se encontra em Jerusalém, vivendo a última
etapa de seu ministério, e enquanto estava ensinando no templo, foi questionado
pelos sacerdotes e anciãos a respeito da sua autoridade para ensinar (Mt
21,23-23). Como resposta, Jesus contou três parábolas sobre o Reino de Deus (ou
dos Céus, como prefere Mateus), sendo a de hoje a terceira. Como a
contextualização já foi bastante enfatizada nos dois últimos domingos, não é
necessário repeti-la minuciosamente hoje. A parábola lida hoje se destaca sobre
as outras duas da série, lidas na liturgia dos dois últimos domingos: a de “um
pai que tinha dois filhos e uma vinha” (Mt 21,28-32) e a dos “vinhateiros
homicidas” (Mt 21,33-43). Na de hoje, o Reino dos Céus é comparado a um
banquete, mais precisamente a uma festa de casamento do filho de um rei.
Enquanto a imagem da vinha, predominante nas duas primeiras, possuía um
significado mais restrito, impactante apenas para a cultura semita, a imagem de
um banquete possui um significado bem mais universalista, podendo ser
compreendida com mais facilidade também em outras culturas. Convém recordar,
ainda, que essa parábola encontra-se também no Evangelho de Lucas, embora
localizada num contexto diferente e com algumas modificações internas (Lc
14,15-24). O primeiro versículo nos insere diretamente no contexto, e nos faz
perceber que essa parábola é a continuidade de um discurso já iniciado, embora
a tradução do texto litúrgico não expresse bem isso, ao afirmar que “Jesus
voltou a falar em parábolas” (v. 1). Essa expressão dá a entender que houve uma
interrupção no discurso. Conforme o contexto narrativo do Evangelho e a língua
original do texto, o grego, a tradução mais adequados para essa expressão
introdutória seria “Jesus continuou falando em parábolas”. O auditório é o
mesmo das duas parábolas anteriores: os sumos sacerdotes e anciãos do povo, ou
seja, a elite religiosa de Jerusalém, e não houve interrupção entre a parábola
anterior e a de hoje que conclui a sequência. A propósito do auditório, deve-se
recordar sempre que independente de quem sejam os interlocutores diretos de
Jesus na narrativa, neste caso os sacerdotes e anciãos, os destinatários
primeiros do ensinamento são sempre os discípulos e discípulas de todos os
tempos. Eis a parábola: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou
a festa de casamento do seu filho” (v. 2). Apesar de impactante, essa imagem
não chega a ser novidade na linguagem bíblica. Os profetas já tinham anunciado
a consumação dos tempos messiânicos com a imagem do banquete (Is 25,6-10). É
uma imagem que evoca amor, alegria, fraternidade. Aqui, Jesus dispensa a
linguagem litúrgico-religiosa. Não faz menção a sacrifício, nem a culto, nem a
peregrinações, nem a um templo, mas a uma festa comum a todos os povos e culturas.
E a festa por excelência na antiguidade, era a festa de casamento, sobretudo no
mundo oriental. Era uma festa que durava em média sete dias, podendo ser ainda
prolongada, a depender das condições econômicas dos noivos. No caso da
parábola, sendo o casamento do filho de um rei, a duração seria bem maior.
Dessa imagem usada por Jesus, evocamos, de imediato, duas das mais importantes
características do Reino: a alegria, o amor e a perenidade. A festa em si, é
sinônimo de alegria e fartura, ainda mais preparada por um rei. É certa a
abundância de comida e bebida, música e muita alegria entre os convivas. O fato
de ser uma festa de casamento, lembra o amor, elemento indispensável para a
vida da comunidade. Sendo uma festa com duração de sete dias ou mais, lembra a
perenidade: um tempo completo e perfeito, que transmite uma ideia de
eternidade. Por isso, a festa de casamento (em grego: γάμος –
gamos) era a mais bela de todas as festas, inclusive sonhada por tanta gente.
As pessoas, na antiguidade, aguardavam com ansiedade um convite para uma festa
assim. Era o momento de exagerar na alegria, inclusive na bebida (Jo 2,1-12),
como atesta a própria Bíblia. É surpreendente que seja com esse tipo de festa
que Jesus comparou o Reino, ao invés de uma reunião litúrgica ou vigília. Além
de um ensinamento para o presente, com essa parábola Jesus dá uma verdadeira
aula sobre a história da salvação aos seus interlocutores. Diz ele que o rei
“mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes
não quiseram vir” (v. 3). Aqui, Jesus recorda aos seus interlocutores que foi
Israel o destinatário predileto de Deus, a quem foram enviados os profetas, os
quais não foram ouvidos. A recusa ao convite de um rei equivale a uma rebelião.
Nesse caso, Jesus enfatiza a rebelião de Israel aos apelos de seu Deus. Um povo
fechado, de coração duro, que não escuta o seu Senhor. Como Deus não desiste do
seu povo, e nem da humanidade, eis que o convite continuou sendo feito até que,
aborrecidos pela insistência do rei, os primeiros convidados passaram da
indiferença à violência, chegando a matar os emissários do rei (vv. 4-5). Com a
insistência do convite e a recusa dos destinatários, Jesus apresenta uma
síntese de toda a história da salvação, denunciando Israel e advertindo os seus
seguidores de outrora e de sempre. O versículo sétimo é, certamente, um
acréscimo posterior da comunidade de Mateus, uma vez que ele não consta na
versão desta parábola no Evangelho de Lucas (Lc 14,15-24). Na época da redação
do Evangelho de Mateus, Jerusalém já tinha sido destruída pelas tropas romanas
e, no auge do conflito da comunidade de Mateus com a sinagoga, a destruição da
cidade e do templo servia como resposta e explicação para a rejeição dos judeus
à mensagem cristã. A própria lógica temporal interna da parábola não comporta
tal atitude da parte do rei: se todo o reino estava concentrado e voltado para
a festa, e a comida já estava à mesa, não teria sentido algum parar tudo de
repente para guerrear e depois recomeçar a festa.\r\n\r\nA parábola continua a
sua sequência natural no versículo oitavo: “Em seguida, o rei disse aos
empregados: a festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram
dignos dela” (v. 8) A conclusão do rei é uma acusação ao fechamento dos
primeiros convidados – Israel – à não aceitação do convite, ou seja, à
conversão. De fato, é notório que, ao longo da história, o quanto a mensagem
profética foi rechaçada em Israel, sobretudo pelas autoridades religiosas. A
falta de dignidade dos convidados fora comprovada pela indiferença e violência
com que trataram os enviados do rei. Porém, a rejeição dos primeiros convidados
não muda os propósitos salvíficos de Deus para com a humanidade inteira, ou
seja, não levam o rei a desistir da festa. A nova determinação do rei corresponde
à insistência de Deus e à continuidade de sua oferta de vida para toda a
humanidade: “Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a
festa todos os que encontrardes” (v. 9). Podemos considerar esse o versículo
central de toda a parábola. Aqui está o embrião de uma Igreja-comunidade em
saída! A expressão “encruzilhadas” significa o encontro com as periferias. A
expressão usada na língua original do texto significa a literalmente a saída da
cidade (em grego: διεξόδος – diecsódos).
Era lá onde ficavam todas as pessoas de
atividades “vergonhosas”, ou seja, o que era considerado escória da sociedade, como prostitutas,
mendigos, assaltantes e doentes considerados impuros. Quem não tinha acesso aos
bens que a cidade oferecia, incluindo os serviços religiosos. Esse versículo é
um convite claro para que os seguidores e seguidoras de Jesus se voltem para as
margens, para as periferias. Aqui, de modo definitivo, é apresentada a nova
dinâmica do Reino, destacando seu aspecto inclusivo: todos os que forem
encontrados devem ser convidados! Acabou o tempo das distinções, dos rótulos,
das separações. Finalmente, o convite tornou-se efetivo: quando foi endereçado
a todos, sem distinção: a maus e bons. O resultado foi a sala cheia de
convidados (v. 10). Enquanto os enviados dirigiam-se a uma elite privilegiada e
indiferente, a sala permaneceu vazia. Somente quando saíram para as margens o
convite encontrou adesão. Aqui está um alerta da comunidade de Mateus para as
comunidades de todos os tempos. O convite, ou seja, o anúncio, deve ser feito a
todos e todas, sem distinção alguma. Maus e bons são convidados para o Reino.
Porém, aceitar o convite-anúncio comporta exigências e compromissos da parte do
convidado. Ninguém é excluído do Reino, mas alguém pode se auto excluir, ao não
fazer comunhão com os demais. É esse o sentido do convidado que não portou o
“traje de festa” (v. 11). Caso se tratasse de uma veste real, nenhum dos
convidados estaria apto, afinal, todos foram pegos de surpresa com o convite feito
de última hora. Através da percepção do rei, o evangelista, chama a atenção da
sua comunidade, fazendo uma advertência que serve para as comunidades de todos
os tempos: não basta estar na sala, participar de reuniões e atos litúrgicos,
receber sacramentos, sem disposição para a vida comunitária. O traje de festa
é, aqui, o sinal de unidade entre os convivas do banquete e, portanto, dos
membros da comunidade cristã: a prática das bem-aventuranças, o conteúdo
programático do discipulado no Evangelho de Mateus. Todas as pessoas são
convidadas e podem entrar na sala de festa, mas só permanece quem se abre ao
espírito das bem-aventuranças. É o “revestir-se” de Cristo, expressão que foi
inserida nas fórmulas de batismo desde as primeiras comunidades cristãs (Rm 13,14;
Gl 3,27). A reação do rei ao convidado sem o traje de festa parece violenta
(vv. 12-13), mas apenas reflete o uso do gênero literário apocalíptico, tão
empregado na época entre os rabinos e utilizado também pelos pregadores
cristãos. Não significa castigo, mas a auto exclusão do próprio convidado. A
ausência do traje de festa é a falta de disposição para “revestir-se” de
Cristo, ou seja, é o fechamento ao espírito das bem-aventuranças (Mt 5,1-12).
As bem-aventuranças são o caminho da felicidade e da realização plena; quem não
as vive, priva-se de viver plenamente feliz e realizado, e é isso o que a
imagem tão forte indica: perder o sentido da vida. Ter os pés e as mãos
amarrados, chorar e ranger os dentes (v. 13), é a imagem do desespero último do
ser humano. Só é desesperado quem não aceita participar do banquete da vida.
Não se trata de uma descrição, mas de uma comparação, como é toda a parábola.
Não aceitar participar do banquete com alegria, amor e justiça é privar-se da
vida em plenitude. O evangelista ensina, com tudo isso, que o simples fato de
alguém participar de uma comunidade ou igreja não é sinal de nenhuma garantia
de vida. Só vive plenamente quem aceita fazer comunhão e pratica o programa de
vida de Jesus. A parábola é concluída com uma nota proverbial explicativa:
“Porque muitos são os chamados, e poucos são os escolhidos” (v. 14). Mesmo
dentro da comunidade, lugar do início da concretização do Reino, há sérios
riscos de alguém ficar privado de vida plena. O evangelista enfatiza exatamente
isso: não basta ter sido convidado ou convidada, afinal, todos são,
indistintamente: bons e maus. O importante é, ao sentir o chamado, conduzir a
vida segundo o programa de vida daquele que chama. Portanto, que ninguém se
sinta seguro por estar na Igreja. Todos são chamados, mas só participa
plenamente da festa, ou seja, do Reino, quem porta o traje das
bem-aventuranças, sinal único e distintivo dos cristãos e cristãs. O certo
mesmo é que Deus quer a sala cheia; para as igrejas e comunidades eclesiais precisam
ir às encruzilhadas e fazer o convite com amor, alegria diálogo e espírito de
acolhimento.
Dia 11
Saiba que
nem todos os dias são iguais!
Por isso,
mesmo que surjam muitos obstáculos em sua trajetória, tenha fé em Deus e jamais
desista de seus objetivos.
Em João
14,6, Jesus disse que é o caminho, a verdade e a vida, por isso jamais se
afaste dele.
Caminhe
seguro e pleno de sua luz.
Se Cristo
for sua luz, você jamais andará na escuridão.
“Jesus
falou ainda: Eu sou a luz do mundo.
Quem me
segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida´”.
(Jo 8,12)


Comentários
Postar um comentário