terça-feira, 30 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DIA 04 JANEIRO 2026 - DOMINGO EPIFANIA DO SENHOR


04 jan - Recomecemos, recomecemos) de verdade. Invoquemos o Espírito Santo para que nos ilumine e caminhemos na presença de Deus com a simplicidade da criancinha que se diverte sob os olhos da mãe. (L 23). São José Marello


Mateus 2,1-12 04 JAN 2026

 "Depois que Jesus nasceu na cidade de Belém da Judeia, na época do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: "Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Ele reuniu todos os sumos sacerdotes e os escribas do povo, para perguntar-lhes onde o Cristo deveria nascer. Responderam: "Em Belém da Judeia, pois assim escreveu o profeta: 'E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um príncipe que será o pastor do meu povo, Israel'". Então Herodes chamou, em segredo, os magos e procurou saber deles a data exata em que a estrela tinha aparecido. Depois, enviou-os a Belém, dizendo: "Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo". Depois que ouviram o rei, partiram. E a estrela que tinham visto no Oriente ia à frente deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao observarem a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, passando por outro caminho."

Reflexão para Solenidade da Epifania do Senhor Mateus 2,1-12)

 

Celebramos neste domingo a solenidade da Epifania do Senhor, concluindo o tempo do Natal. Epifania quer dizer manifestação, deriva do verbo grego “epifaino” (επιφαινω), cujo significado literal é manifestar, aparecer, resplendecer. Nesta solenidade celebramos, então, a manifestação de Deus em Jesus como luz, guia e Senhor de todo o universo, embora o texto evangélico proposto, Mateus 2,1-12, apresente um movimento oposto: é o mundo com sua pluralidade de raças e culturas, representado pelos magos do Oriente que manifesta sua adesão e aceitação ao senhorio de Jesus, indo ao seu encontro.

O texto evangélico referido é muito rico em teologia e simbologia e, sobretudo, belo e encantador. Infelizmente, ao longo da história, foi interpretado mais folcloricamente do que teologicamente. Daí a dificuldade de apresentarmos uma interpretação mais fidedigna às intenções do autor, tendo em vista que as interpretações folclóricas, consolidadas pelo cristianismo oficial, estão muito enraizadas no imaginário popular. Nossa reflexão visa adentrar no texto em seu sentido teológico original.

Antes de tudo, devemos esquecer a linda e romântica imagem do presépio para compreendermos bem o texto bíblico, partindo dos primeiros versículos: “Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: ‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (v. 1-2). Percebemos que Mateus, ao contrário de Lucas, não narra o momento do nascimento de Jesus, apenas o menciona como um fato já acontecido, dando, porém, informações importantes de tempo e espaço: nasceu em Belém, no tempo do rei Herodes.

A princípio, já é possível perceber a intenção do autor com essa informação: está surgindo uma alternativa de poder e realeza diferente do sistema vigente; há um deslocamento do centro para a periferia, ou seja, começa uma descentralização, o que vem a indicar que o poder, exercido até então na capital, está ruindo. É claro que é necessário o complemento da informação para termos clareza da oposição que o autor quer apresentar entre o poder centralizado e o projeto alternativo que surge: “nasceu um rei para os judeus” (v. 2). As indicações de tempo e espaço também servem para legitimar a historicidade do homem Jesus de Nazaré. Ora, os cristãos da comunidade de Mateus não tinham conhecido o Jesus terreno e, por isso, poderiam questionar a sua existência. Com esses dados, o evangelista quer reforçar que Jesus foi um homem concreto, gente de carne e osso que nasceu e viveu em um período histórico determinado.

A outra grande novidade do relato, percebida ainda no primeiro versículo, está na peculiaridade dos personagens apresentados pelo autor: “alguns magos do Oriente” (v. 1); Ora, os magos, em grego “magoi” (μαγοι), eram estudiosos orientais, responsáveis pela interpretação dos sonhos e pela leitura dos fenômenos naturais, mas também eram vistos como feiticeiros e charlatões, operadores da magia e sacerdotes de cultos pagãos da Pérsia e Babilônia, portanto, pertenciam a uma categoria condenada pelo judaísmo e pelo cristianismo das origens; de fato, dois episódios nos ajudam a perceber o quanto a magia era condenada pela Bíblia: a saga de Balaão no Antigo Testamento (cf. Nm 22 – 23), e a tentativa de compra do dom do Espírito Santo pelo mago Simão no Novo Testamento (cf. At 8,9-24). Portanto, os magos eram pessoas abomináveis à luz da religião de Israel e dos primeiros cristãos.

Infelizmente, a tradição cristã revestiu os magos de características que não eram suas, ao caricaturá-lo de reis. Ao invés de ajudar na compreensão do texto, esse tratamento real aos magos distorceu completamente o sentido aplicado por Mateus ao criar personagens tão peculiares. É importante reforçar que esses personagens são fruto da inteligência e criatividade teológica do evangelista, ou seja, os magos não são personagens reais, mas simbólicos. A intenção do evangelista e de sua comunidade ao apresentar tais personagens era exatamente mostrar que também aos distantes e sem reputação Deus se revela, e são exatamente esses os que com mais sinceridade buscam o verdadeiro rosto de Deus, tão difícil de ser reconhecido na pessoa de uma frágil e pobre criança, como as elites, religiosa e política, não foram capazes de reconhecer.

Ainda sobre o revestimento dado pela tradição, é importante recordar que o texto bíblico não faz menção alguma ao número dos magos; não diz que eram três, como propagou a tradição, com base apenas no número dos dons por eles oferecidos: ouro, incenso e mirra. Além do número três, sem fundamento algum no texto bíblico, a tradição lhes deu nomes (Gaspar, Baltasar e Melchior) e meio de transporte (camelos). Por isso, como afirmamos no início, é necessário deixar de lado a imagem fantasiosa do presépio para compreender bem o texto de Mateus.

Está mais do que clara a oposição: os magos vieram de longe para adorar ao Deus verdadeiro. Foram a Jerusalém, mas lá não era possível encontrar o verdadeiro Deus porque a elite religiosa o tinha monopolizado e distorcido; como gentios, os magos eram barrados pelas paredes do templo que segregava os pagãos dos judeus piedosos. Com a pergunta “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” (v. 2a), os magos afirmam que não reconhecem a autoridade de Herodes, ou seja, o consideram um rei ilegítimo; com a afirmação “nós vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (v. 2b), eles desafiam também a elite religiosa, mostrando que as paredes do templo já não conseguem mais conter esse Deus que se revela em todo o universo e a todos os povos. Portanto, os poderes político e religioso são ameaçados com o nascimento de Jesus.

Enquanto Herodes exercia o poder pela força e a violência, Jesus exercerá a sua autoridade pelo serviço; enquanto a relação com Deus, monopolizado pela elite religiosa, era mediada por uma casta sacerdotal corrompida e através de sacrifícios e ofertas, em Jesus é Deus quem se manifesta plenamente, sendo Ele mesmo quem à humanidade se oferece, ao invés de exigir oferendas. Por isso, “o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda Jerusalém” (v. 3), pois viam que um novo tempo estava surgindo, novas relações estavam sendo gestadas, uma sociedade alternativa estava nascendo, enfim, o Reino de Deus estava começando e, portanto, todos os reinos humanos deveriam desaparecer.

As preocupações de Herodes e de “toda Jerusalém”, compreendida como a elite política, religiosa e intelectual predominantes, ou seja, sacerdotes e escribas, leva-os a um medíocre pacto (vv. 4-6), o qual se repetirá posteriormente e levará Jesus à morte de cruz, com as mesmas motivações: o medo que as autoridades tinham de um autêntico “Rei dos Judeus”. No nascimento, o pacto é feito entre Herodes e toda Jerusalém; na paixão será entre Pilatos e o sinédrio, mas são as mesmas forças, com as mesmas práticas. Como último recurso, Herodes tenta a fraude e o suborno, exigindo que os magos retornem a ele quando encontrassem o menino (vv. 7-8).

Ajudados pela Escritura e pelo próprio Herodes, os magos foram a Belém e lá, de fato, encontraram o que estavam procurando: Jesus, Deus e luz que ilumina todos os povos, inclusive eles, operadores de práticas abomináveis aos olhos do judaísmo. A reação deles não poderia ser outra: “Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande” (v. 10). A luz de Deus, até então sufocada por uma religião ritualista e segregadora, agora ilumina o universo inteiro e o convida a alegrar-se com isso, pois significa o fim de todas as barreiras, o desmoronamento de todos os muros e sinais de separação.

Certamente, a alegria deles aumentou ainda mais “Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (v. 11a). Por serem pagãos e magos, eles não podiam adentrar mais que o pátio do templo reservado para os gentios e, portanto, não podiam contemplar nem adorar verdadeiramente. Agora, é tudo diferente: eles entram e vêem porque é o próprio Deus quem se deixa ver e conhecer em Jesus e na comunidade cristã, personificada em Maria, a mãe. Essa passagem é muito importante, pois em todo o primeiro capítulo de Mateus houve uma centralidade e importância dadas à figura de José; nessa cena, ele não é mencionado, mas apenas Maria; em Lucas, “os pastores encontraram Maria, José e o recém-nascido” (cf. Lc 2,16). Certamente, Mateus teve uma intenção especial com esse detalhe: quis mostrar que Deus se deixa conhecer parcialmente na criação, através da estrela (vv. 2.9.10), na Escritura (vv. 4-6), mas de modo pleno, só é possível fazer uma verdadeira e autêntica experiência com Ele na comunidade reunida, personificada em Maria (v. 11).

É necessário recordar o que o texto diz, desde o início, sobre o objetivo dos magos: adorar o rei dos judeus (v. 2). Tinham empreendido um longo caminho, inclusive errando a rota, pois foram primeiro a Jerusalém, mas lá não o encontraram, devido a estrutura rígida e decadente da religião oficial. Somente deslocando-se para a periferia puderam, de fato, experimentar o Deus que tanto buscavam. Aqui, está o ápice do contraste que o evangelista quer apresentar: o templo perdeu seu sentido, Deus não habita mais nele; é necessário retirar-se para a periferia, inserir-se na comunidade e, assim, adorar e experimentar a beleza desse Deus que quer apenas misericórdia e amor, e não mais sacrifícios.

Quando perceberam que encontraram aquele que tanto buscavam, “ajoelharam-se diante dele e o adoraram” (v. 11). Essa atitude mostra que, finalmente, saciaram-se, encontraram sentido para suas vidas e, portanto, esvaziaram-se de si, oferecendo tudo o que haviam. Não ofereceram porque lhes fora exigido, como exigia o templo, mas porque sentiram-se confortados e correspondidos. Enquanto os poderes oficiais se uniam para matar, os magos, como figuras dos marginalizados, se prostram unidos para adorar. A adoração verdadeira, ou seja, o autêntico culto, não depende mais de um espaço específico delimitado pela religião; é feita na própria casa; a única exigência é que seja feita em “espírito e em verdade” (cf. J 4,24).

É claro que os presentes oferecidos pelos magos, ouro, incenso e mirra (v. 11b) são simbólicos e revelam, por um lado a identidade de Jesus e, por outro, a nova relação entre a humanidade e Deus. O ouro, revela que Jesus é rei enquanto o recebe, mas ao mesmo tempo diz que todas as nações podem participar do seu reino, enquanto foi oferecido por pagãos; assim, o privilégio de Israel como povo escolhido perde o seu sentido, pois a pertença ao Reino de Deus não é determinada por raça ou cultura, mas pela sinceridade de coração. O incenso representa a divindade de Jesus, ou seja, é o reconhecimento de que Ele é Deus, mas a humanidade não precisa mais dos sacerdotes do templo para se comunicar com Ele, pois qualquer pessoa e em qualquer lugar pode fazer isso. A mirra é o mais ambíguo dos três presentes: é, antes de tudo, o sinal da humanidade de Jesus, uma vez que era um perfume usado pelos judeus para embalsamar os cadáveres, como acontecera com o corpo do próprio Jesus, quando morreu; porém, no Cântico dos Cânticos, em diversas passagens, a mirra é citada como o perfume da esposa amada (cf. Ct 5,5.13) e, com muita probabilidade, Mateus quis dizer que a esposa amada de Deus deixou de ser Israel e passou a ser toda a humanidade.

Na conclusão do texto, encontramos uma afirmação muito significante para a comunidade cristã de todos os tempos: “Avisados em sonho para nãos voltarem a Herodes, os magos retornaram para sua terra seguindo outro caminho” (v. 12). Seguir outro caminho é a primeira atitude de quem faz um encontro autêntico com Deus. Desse encontro, surge uma nova maneira de relacionar-se com Deus e com o próximo. Consequentemente, brota uma nova mentalidade que rejeita qualquer forma de poder que oprime e até mata, inclusive amparado pela religião, como o complô de Herodes com os sacerdotes do templo. Para viver bem a nova relação com Deus é necessário desviar-se das antigas rotas e estruturas, como fizeram os magos, ao perceberem que Jerusalém só oferecia exploração e perigo. A experiência autêntica com Deus, portanto, provoca no ser humano a necessidade de percorrer novos caminhos, o que pode ser compreendido como uma nova maneira de viver, com novas atitudes parecidas com as de Jesus.

Concluindo, podemos deixar como reflexão permanente: uma vez que concluímos o tempo do Natal, quais os caminhos que iremos percorrer de agora em diante? Se serão os caminhos de sempre, ou seja, se continuarmos com as mesmas maneiras de pensar e compreender as coisas, principalmente a nossa relação com Deus e o próximo, Jesus não nasceu em nós... e, se não nasceu, não poderemos manifestá-lo ao próximo!

Dia 04

Lembre-se de que todos colhem somente o que plantam.

Por isso, semear amor, bondade, amizades, otimismo e pensamentos positivos é a melhor prática.

Então plante sementes boas, repletas de amor, para colher frutos de alegria e felicidade.

Senhor, que as pessoas sejam terra fértil e que tua vontade se realize na vida de todos.

Confirmação

Saiu o semeador a semear.

Algumas sementes caíram à beira do caminho;

como não tinham raiz, secaram.

Outras, em terreno pedregoso; quando o sol saiu, ficaram queimadas; outras caíram no meio dos espinhos; no entanto, nenhuma delas vingou.

Por fim, uma parte caiu em terra boa e produziu frutos (cf. Mt 13,3-8)



Evangelho do dia 03 janeiro sábado 2026


03 de janeiro de 2026 -
“Nunc coepi!” Agora começo, diziam os nossos grandes mestres que viveram antes de nós. Repitamo-lo também nós diante de Deus, com sinceridade e firmeza. (L 36). São José Marello


Tempo do Natal antes da Epifania

João 1,29-34 03 jan 2026
29No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”.
32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”

MEDITAÇÃO

Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus! (Jo 1, 34)
A Palavra do Senhor nos aponta a pessoa de Jesus. Os evangelhos são testemunhos sobre Jesus, para que nós o conheçamos, para que o acolhamos. E mesmo o Antigo Testamento é lido pelos cristãos na perspectiva da revelação da pessoa de Jesus, o Messias prometido e já figurado na atuação dos sábios, profetas e reis. A Escritura nos aponta a pessoa de Jesus.
A missão de João Batista foi preparar o povo para receber Jesus e revelá-lo a este mesmo povo por ele preparado. O ponto alto de sua missão foi indicar-lhe Jesus, apontar-lhe o Messias ali presente. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O grande testemunho de João sobre Jesus foi esse: ‘Ele é o Filho de Deus’.
Podemos dizer assim: todo o evangelho é um João Batista indicando Jesus.

O que os evangelhos querem é exatamente apresentar Jesus para que sejamos seus seguidores. Seguir Jesus é tomá-lo como modelo de vida, é tornar-se seu discípulo, para aprender a viver como ele. A imitação de Cristo é possível por causa da encarnação. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele viveu nossa vida humana de maneira plenamente santa. É assim que queremos nascer, viver e morrer. Como ele. Os evangelhos nos convidam ao seguimento de Jesus.
João Batista, os evangelhos, os missionários nos apontam Jesus. “Eis o cordeiro de Deus”. Nós, em atenção a esta palavra, nos pomos no seguimento dele. Seguir Jesus é toma-lo como nosso Mestre, nosso orientador, nosso guia; É abraçar o seu evangelho, os seus ensinamentos. Seguir Jesus é acolher o seu sacrifício salvador na cruz, tomando posse da salvação que ele nos alcançou, o dom de, agora, sermos filhos de Deus. Seguir Jesus é por-se a caminho com ele, imitando seu modo humano de amar e servir, acolhendo-o como caminho, verdade e vida. E, claro, integrar-se no grupo dos discípulos que o seguem e cultivam a sua memória, a sua Igreja. Assim, nos tornamos discípulos do Senhor, seus seguidores.
Nós até que temos bastante informações sobre Jesus. Nós temos, inclusive, ouvido diariamente o seu evangelho. Mas, a Palavra nos aponta Jesus para o seguirmos. Nossa resposta à Palavra de Deus proclamada é nos tornarmos seguidores de Jesus. Segui-lo é tomá-lo como nosso mestre, nosso guia. Segui-lo é imitá-lo no seu amor e na sua fidelidade ao Pai e ao seu povo. Segui-lo é tomar cada dia a cruz de nossas dificuldades e lutas e subir o calvário com ele. E ressuscitar com ele, em cada vitória, em cada conquista, em cada etapa vencida. Nisso consiste a santidade, isto é, em vivermos habitados por sua graça: sermos seus seguidores na normalidade de nossas vidas.
Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus! (Jo 1, 34)
Senhor Jesus,
João Batista, no auge do seu trabalho de preparação do povo para te receber, te revelou como Cordeiro de Deus, como aquele que iria batizar com o Espírito Santo, como Filho de Deus. Esse testemunho, nós o temos recebido pela pregação, pela meditação bíblica, pela evangelização. Senhor, que a nossa resposta à Palavra seja o teu seguimento, como nosso mestre, modelo e guia. Ajuda-nos, Senhor, a sermos, hoje, outros João Batistas, apontando aos outros a tua pessoa, o teu caminho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
No seu momento de oração pessoal, peça a Deus a graça de ser fiel no seguimento de Jesus. Reze também, hoje, pelo descanso eterno do Papa emérito Bento XVI. Suas últimas palavras foram "Senhor, eu te amo!". 

Dia 03

De acordo com o livro de Eclesiastes, para tudo há um tempo debaixo de céu: para nascer e morrer; plantar e colher; demolir e construir; chorar e sorrir; gemer e dançar; procurar e encontrar; guardar e jogar fora; calar e falar; para a guerra e a paz.

Na vida, tudo tem seu tempo.

Nada ocorre nem antes nem depois da hora certa

Mesmo que, muitas vezes, as pessoas se esqueçam de Deus, Ele vem ao nosso encontro.

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu.” (Ecl 3,1).

 


Evangelho do dia 02 janeiro sexta feira 2026


02 - Quando, meu caro amigo, quando é que vamos começar de verdade?
“In nomine Domini Nostri Jesu Christi”, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, agora mesmo. (L24).  São Jose Marello


João 1,19-28

 "Os líderes judeus enviaram de Jerusalém alguns sacerdotes e levitas para perguntarem a João quem ele era. João afirmou claramente: 

- Eu não sou o Messias. 

Eles tornaram a perguntar: 

- Então, quem é você? Você é Elias? 

- Não, eu não sou! - respondeu João. 

- Você é o Profeta que estamos esperando? 

- Não! - respondeu ele. 

Aí eles disseram a João: 

- Diga quem é você para podermos levar uma resposta aos que nos enviaram. O que é que você diz a respeito de você mesmo? 

João respondeu, citando o profeta Isaías: 

- "Eu sou aquele que grita assim no deserto: preparem o caminho para o Senhor passar." 

Os que foram enviados eram do grupo dos fariseus; eles perguntaram a João: 

- Se você não é o Messias, nem Elias, nem o Profeta que estamos esperando, por que é que você batiza? 

João respondeu: 

- Eu batizo com água, mas no meio de vocês está alguém que vocês não conhecem. Ele vem depois de mim, mas eu não mereço a honra de desamarrar as correias das sandálias dele. 

Isso aconteceu no povoado de Betânia, no lado leste do rio Jordão, onde João estava batizando. 

Saudação 

- A nós, a paz de Deus, nosso Pai, 

a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo, 

no amor e na comunhão do Espírito Santo. 

- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo! 

Preparo-me para a Leitura, rezando: 

Jesus Mestre, que dissestes: 

"Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, 

eu aí estarei no meio deles", 

ficai conosco, 

aqui reunidos (pela grande rede da internet), 

para melhor meditar 

e comungar com a vossa Palavra.

Meditação: 

João Batista, o precursor do Messias Jesus, nos ensina a dar testemunho de nossa fé cristã: não somos mais que uma voz que clama, no deserto deste mundo violento e injusto, que em Jesus Deus nos visitou definitivamente, para mostrar-nos seu amor, sua misericórdia e ternura, para desatar as cadeias de nossas opressões, para batizar-nos não com água, mas com o fogo de seu Espírito, que nos transformará em homens e mulheres de paz, justiça e solidariedade.

Também nos ensina o Batista que não devemos interpor-nos entre Jesus, o enviado, o filho de Deus, e tantas pessoas que querem conhecê-lo e segui-lo. Não podemos pregar a nós mesmos, pretender que acreditem em nós, em nossos particulares interesses e propósitos. Não podemos pretender impor nossa mensagem à força ou aproveitando-nos das necessidades dos pobres e dos pecadores que queiram recebê-lo, ou desprezando-os por sua condição.

O profeta do Jordão proclama que Jesus está no meio de nós sem que o conheçamos, sem que o tenhamos descoberto. Até o lugar onde João prega e batiza é significativo: a outra margem do Jordão, uma aldeia perdida que não é a Betânia próxima a Jerusalém, mas o deserto agreste e inóspito para onde vão buscá-lo os que esperam a Deus. É o que hoje denominamos “a periferia”, opondo-a aos centros do poder econômico, político e até mesmo religioso.

Os imensos e super povoados bairros de nossas grandes cidades, cheios de camponeses imigrantes, de pobres trabalhadores informais, sempre beirando a miséria absoluta. Ali estão os que de verdade esperam escutar a voz que clama no deserto.

Reflexão Apostólica:

 Então, quem é você?

Mais um ano começa e quantas promessas foram feitas na virada de 31 para 1º de janeiro! Pessoas foram às praias em suas devoções pessoais; muitos outros passaram em vigília em algum rincão do Brasil; outros tantos passaram a virada trabalhando e outros tantos vendo o show da virada… (Nossa! Ainda tem gente que assiste a esse programa!)

Em meio a uvas, romãs, passas, vestidos ou peças de roupa branca (ou coloridas desejando algo) muitos investiram sua fé no ano que começava, mas não tem como comentar… Por onde anda nossa fé? Quem sou eu?

Temos tanta vontade em sermos felizes que às vezes pomos nossa fé, no que acreditamos muito abaixo do que valem. Somos um povo católico cheio de superstições e crendices que não tem nada haver com que acreditamos. Mais uma vez: Então, quem é você?

Rezamos terços e rosários, mas acreditamos em espelhos quebrados. Vamos à missa, grupos de oração, mas ainda não nos livramos de ler horóscopos, elefantes nas portas, figas, pés de coelhos… colocamos terços nos retrovisores, terço esse que nunca rezei ou aprendi a rezar.

João Batista era fidelíssimo ao plano de Deus e por Jesus vou exaltado como homem nenhum foi e nós: a quantas anda nossa fidelidade?

 

O engraçado é que se seguíssemos a lógica humana, ao ver que nossa fé ATIRA PRA TODO LADO, nós não poderíamos nem ver as sandálias, imagine atá-las? Mas parece que Deus não segue nossa lógica. Sim! Ele premia a fidelidade, mas diferente de nós, Ele sabe esperar…

Jesus pouco demonstrou atração pela crença ou pelas vestes repletas das leis dos fariseus e doutores da lei e tão pouco realizou milagres, pois as pessoas eram pobres ou sem acesso as coisas, mas seu olhar e sua palavra que penetravam o fundo da alma de cada um, era às vezes surpreendidos por pessoas que por mais que errassem, conservavam dentro de si valores e uma grande fé. Aqui estava a diferença: ele não olhava ricos ou pobres e sim o coração de cada um.

Quem está a frente de um serviço da igreja, seja ele sacerdote, ministro, pregador, servo, catequista, (…) deve ter esse exemplo de plena humildade de João Batista e saber que na verdade quem conhece bem nosso coração é Deus. Ele conhece nossa fé, nossos propósitos, valores e sentimentos que cultivamos e se mesmo falhos ainda conseguimos senti-LO e realizar suas obras, imagine se pudéssemos desatar as sandálias?

Abandonemos as crendices e superstições… sejamos homens e mulheres de fé! Pessoas simples, mas fervorosos.

Feliz 2026!

Oração: Pai, teu servo João Batista soube reconhecer o que esperavas dele, e conservou sua postura com extrema humildade. Torna-me teu servidor, nos mesmos moldes de João.

Dia 02

Jamais permita que pensamentos de vingança se instalem em seu coração.

Embora limitados e frágeis, os seres humanos também são fortes e plenos da graça divina.

Peça que Deus lhe conceda um coração repleto de misericórdia.

Lembre-se de seu grande amor por todas as pessoas, apesar dos pecados cometidos.

O Senhor é misericórdia e compaixão.

“A mim pertence a vingança e a recompensa, no tempo em que seus pés resvalarem.

Pois o dia da ruína se aproxima, e já está perto o que os espera”

(Dt 32,35).



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DIA 01 JANEIRO QUINTA FEIRA 2026

 


Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - 1 de janeiro

No Dia Universal da Paz (1 de janeiro) o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima no ministério de sua Maternidade Divina.
Primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental, a festa de Maria Santíssima, substituiu o costume pagão das dádivas e começou a ser celebrada em Roma, no século IV.
A Solenidade da Santa Maria, Mãe de Deus, é um momento especial no calendário litúrgico em que a Igreja Católica se reúne para celebrar e honrar a singularidade e a importância da Virgem Maria como Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste dia sagrado, voltamos nosso olhar para a humildade e a submissão de Maria diante do plano divino de Deus. Ela, escolhida desde toda a eternidade para ser a Mãe do Salvador, aceitou com fé inabalável a missão que lhe foi confiada. Sua resposta ao anjo Gabriel, "Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lucas 1:38), reflete sua total entrega à vontade de Deus.

Maria desempenha um papel singular na história da salvação, sendo a ponte entre o divino e o humano, uma vez que ela trouxe o Filho de Deus ao mundo. Na maternidade divina, ela não apenas concebeu Jesus, mas também O nutriu, educou e esteve ao Seu lado ao longo de Sua vida terrena. Sua fidelidade e amor incondicional são um exemplo inspirador para todos nós.

Além disso, ao ser proclamada Mãe de Deus, Maria recebe a mais alta das honras, pois seu filho, Jesus, é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Nessa dualidade, vemos a união íntima entre o divino e o humano, enfatizando a centralidade de Cristo na nossa fé.

Na Solenidade da Santa Maria, Mãe de Deus, somos convidados a contemplar o mistério da encarnação e a reconhecer o papel único de Maria nesse grande mistério. Através da sua maternidade divina, Maria é uma intercessora poderosa, e podemos confiar nela como nossa Mãe espiritual, pedindo sua ajuda e proteção.

Que neste dia solene possamos renovar nosso amor e devoção a Maria, buscando seguir o seu exemplo de fé, humildade e submissão à vontade de Deus. Que ela interceda por nós, seus filhos, diante do trono divino, e que possamos experimentar a graça e a bênção de seu materno cuidado em nossas vidas.

No dia Mundial da Paz, celebrar a Santidade Maternal de Maria é celebrar Jesus, Reis dos Reis e nosso Salvador. Oremos à mãe de Jesus para abençoar nosso ano novo!

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!

 01 - SOLENIDADE DE MARIA, SANTA MÃE DE DEUS.

01 janeiro - Com grande sabedoria, São Gregório de Nazianzo afirmou que, quem não reconhece Maria como verdadeira Mãe de Deus, não crê na Divindade, é ateu. Prostrados aos vossos pés santíssimos, ó Maria, vos proclamamos como verdadeira Mãe de Deus e, de hoje em diante, vos escolhemos como nossa Mãe celestial! (S 32).  São Jose Marello

 


Lucas 2,16-21

"Eles foram depressa, e encontraram Maria e José, e viram o menino deitado na manjedoura. Então contaram o que os anjos tinham dito a respeito dele. Todos os que ouviram o que os pastores disseram ficaram muito admirados. Maria guardava todas essas coisas no seu coração e pensava muito nelas. Então os pastores voltaram para os campos, cantando hinos de louvor a Deus pelo que tinham ouvido e visto.
E tudo tinha acontecido como o anjo havia falado.
Uma semana depois, quando chegou o dia de circuncidar o menino, puseram nele o nome de Jesus. Pois o anjo tinha dado esse nome ao menino antes de ele nascer."

Reflexão para Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - Lucas 2, 16-21

Apenas um versículo separa o texto evangélico da noite de Natal do indicado para a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, celebrada hoje: Lc 2,15. Na noite de Natal, o evangelho foi Lc 2,1-14, e para a solenidade de hoje o texto proposto é Lc 2,16-21. De início, temos convicção de que o Evangelho de hoje, Lc 2,16-21, não pode ser bem compreendido sem considerarmos o versículo que o antecede: "Quando os anjos os deixaram e foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: 'Vamos já a Belém para ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer'" (Lc 1,15).

Os pastores ficaram maravilhados com a Boa Notícia que o anjo lhes tinha anunciado: um Salvador nasceu para eles! (cf. Lc 2,10). Ao anúncio, seguiu-se o canto dos anjos glorificando a Deus (cf. 2,13-14). Portanto, era inevitável a surpresa e a perplexidade nos pobres pastores e, mais ainda, a dúvida, afinal, conforme os parâmetros religiosos da época, eles seriam os últimos a receber uma mensagem do céu, pois pertenciam à categoria das pessoas impuras e desprezíveis.

Uma das grandes novidades de Jesus, desde o nascimento, foi contradizer o que a sua religião tinha afirmado sobre o Messias. Ora, a religião tinha classificado as pessoas como puras e impuras, piedosas e pecadoras, imaginando que a vinda do Messias seria marcada pelo extermínio das classificadas como impuras e pecadoras, como os pastores, por exemplo. Ao invés de seguir as determinações da religião, Jesus prefere, desde o início, exatamente as categorias excluídas, contradizendo e frustrando muitas expectativas.

É nessa perspectiva que podemos e devemos compreender a reação dos pastores; a eles, a religião tinha dito que estavam fora de cogitação a salvação, eram gente da pior qualidade e, de repente, recebem um anúncio de salvação e sentem-se amados por Deus. Perplexos ainda, decidem ir a Belém para conferir e tirar todas as dúvidas (cf. Lc 2,15).

Diante de uma novidade sem precedentes, é impossível esperar, por isso “Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria, José, e o recém-nascido deitado na manjedoura” (v. 16). Chama a atenção a expressão ‘às pressas’, embora a tradução mais correta, de acordo com o texto original é ‘apressaram-se’; trata-se de uma maravilha que não pode ser adiada! Não há tempo a perder para quem passou toda a vida às margens, na exclusão. Para esses, a inclusão tem que ser agora, hoje! Por isso, foram às pressas.

Se os pastores ficaram surpresos com o anúncio do anjo, talvez ficaram mais ainda com o que viram em Belém: ‘encontraram Maria, José, e o recém-nascido deitado na manjedoura’ (v. 16b). Certamente, pensaram entre si: ‘Que Salvador é esse? Pequeno, frágil, em meio às moscas, com cheiro de esterco?’; ao mesmo tempo perceberam que se fosse um salvador conforme as expectativas da religião oficial, eles não conseguiriam sequer chegar perto. Aos poucos, foram compreendendo que um novo tempo com uma nova ordem estava surgindo, quem estava às margens estava passando para o centro.

Após contemplarem a cena, ainda maravilhados, os pastores “contaram tudo o que lhes fora dito sobre o menino” (v. 17), tornando-se assim, também mensageiros de salvação, portadores de Boa Notícia. Contaram que o anjo lhes aparecera anunciando o nascimento do Salvador, e que depois ‘uma multidão da corte celeste’ baixou perto deles glorificando a Deus e anunciando a paz a quem Ele ama (cf. Lc 2,10-14). Contaram coisas maravilhosas, de modo que quem os escutava também se maravilhava, ou seja, ficavam perplexos, admirados, pois, até então, não se tinha notícia de um Deus que fizesse conta de gente que não presta, conforme os padrões da religião da época.

O texto deixa uma lacuna: diz que os anjos encontraram Maria, José e o menino; em seguida afirma que ‘todos escutavam’ o que os pastores contaram. Inicialmente, podemos imaginar somente os três, mas na descrição da reação do auditório dos pastores, é provável que houvesse mais gente ao redor da manjedoura, sobretudo quando dá destaque à reação diferenciada de Maria: “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (v. 19). No entanto, é mais plausível supor que o autor quer apenas evidenciar a reação diferenciada de Maria, ao invés de procurar outros ouvintes para os pastores.

A reação de Maria é mais profunda que a dos demais, afinal de contas, ela já estava habituada às maravilhas de Deus, pois foi a primeira destinatária do anúncio salvífico através do anjo Gabriel (cf. Lc 1,26-38), assistiu à exaltação de Isabel quando a visitou (cf. Lc 1,39-52). No entanto, ela não deixará de maravilhar-se, pois a trajetória de Jesus lhe trará outras surpresas, como no episódio da apresentação no templo, Maria e José ficaram admirados com o que se dizia do menino (cf. Lc 2,33). Mas, sua reação é diferenciada.

A reação de Maria é de discípula: “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (v. 19). O verbo grego traduzido por meditar é συμβαλλω symbálô, o qual possui um significado muito mais profundo que meditar; literalmente significa colocar junto, unir, reunir. É exatamente aqui que Maria se sobressai sobre os demais ouvintes, porque ela guardava, ou seja, escutava com atenção tudo o que os pastores tinham dito, e juntava com o que já sabia: as palavras do anjo Gabriel e as declarações de Isabel.

Aquela que já era mãe, inicia agora uma nova etapa, o discipulado, e isso ela vai fazer ao longo de toda a vida de Jesus; ao invés de ver os fatos isoladamente, ela vai juntando cada um, unindo as peças e percebendo, no seu coração, que a história da salvação está sendo reescrita com novos parâmetros, uma inversão de ordem: os últimos, como ela e os pastores, passaram a ser os primeiros!

Tendo comprovado e visto que tudo o que lhes tinha sido anunciado era verdade, “os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus” (v. 20). Realmente, não faltavam motivos para os pobrezinhos dos pastores glorificarem a Deus! É importante lembrar que a alegria e o louvor são traços bem característicos de Lucas; quem faz a experiência do amor de Deus reage louvando e glorificando.

O louvor dos pastores é mais um indício de que a distância entre o céu e a terra foi eliminada: cantar glória a Deus era função exclusiva dos anjos no céu, que excepcionalmente desceram à terra e louvaram a Deus diante dos pastores (cf. Lc 1,13-14), mas logo retornaram para o céu. Agora, também aos pastores, os últimos da terra, tem esse direito. Quanta revolução: o que era privilégio dos primeiros do céu, se torna acessível aos últimos da terra!

No final, vem evidenciado o papel importante de José e Maria na educação de Jesus, levando para a circuncisão conforme previa a lei e, ao mesmo tempo, a liberdade que tinham para seguir mais a Deus que a lei que já não comunicava mais a vontade de Deus: “deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido” (v. 21). Ao dar um nome contrário ao que lei previa, nome de parente próximo, Maria e José se declaram a favor da nova história que Deus está começando a escrever com a colaboração de homens e mulheres, principalmente os mais simples e humildes.

O significado do nome é “Deus salva”, porque agora a salvação entrou definitivamente na história, como o anjo tinha anunciado: “Hoje, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (cf. 2,11). Portanto, hoje, especialmente, é mais do que justo recordarmos a Mãe desse Salvador, e seguir seu exemplo de discípula fiel.

 

Que Deus abençoe 2026 assim como o fez em 2025.

Mais um ano tem início...

Conquiste-o a cada dia, enfrentando o desconhecido e o que Deus lhe propuser.

Quais serão as necessidades e as dificuldades que vão surgir?

A cada ano, surge uma possibilidade de aperfeiçoamento e superação de limites.

Lembre-se de que a verdadeira proteção vem de Deus!

Somente nele é possível encontrar a verdadeira vida!

Ele o tomará pela mão e guiará pelos caminhos deste ano novo.

Agradeça a Deus de coração o ano que passou.

Em mais uma nova etapa, peça que lhe conceda a graça de permanecer firme na fé.

“Que louvem o Senhor por sua bondade e por suas maravilhas em favor dos homens”

(SL 107[106],15).


 

domingo, 28 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DIA 31 DEZEMBRO QUARTA FEIRA 2025


31 dezembro - Desejo a todos vocês uma coroa resplandecente de pérolas preciosas, trabalhadas aqui na terra no crisol do sofrimento e da provação. E faço votos que ninguém falte ao encontro feliz onde todos nos encontraremos aos pés do Altíssimo para cantar o hino de louvor eterno e de eterna gratidão. (S 359). São José Marello

31 Dezembro 2025

Tempo do Natal - 7º dia da Oitava do Natal

Primeira leitura: 1 João 2, 18-21

18*Meus filhos, estamos na última hora. Ouvistes dizer que há - de vir um Anticristo; pois bem, já apareceram muitos anticristos; por isso reconhecemos que é a última hora. 19*Eles saíram de entre nós, mas não eram dos nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; mas aconteceu assim para que ficasse claro que nenhum deles é dos nossos. 20*Vós, porém, tendes uma unção recebida do Santo e todos estais instruídos. 21Não vos escrevi por não saberdes a verdade, mas porque a sabeis, e também que da verdade não vem nenhuma mentira.

 

S. João exorta a comunidade cristã à vigilância pela iminência da «última hora» da história, marcado por um violento ataque do «anticristo», símbolo de todas as forças hostis a Deus e personificadas nos heréticos. O tempo final da história não deve ser entendido em sentido cronológico mas teológico, isto, como tempo decisivo e último da vinda de Cristo, tempo de luta, de perseguição e de provação para a fé da comunidade. O agudizar das dificuldades indica que o fim está próximo. Vislumbra-se já no horizonte o perfil de um mundo novo. O sinal mais evidente vem dos heréticos que difundem a mentira. Embora tivessem pertencido à comunidade, mostram-se agora seus inimigos, ao abandonarem a Igreja e ao criar-lhe dificuldades.

É duro verificar que Deus possa permitir a Satanás encontrar instrumentos da sua ação dentro da própria comunidade eclesial. Mas, a esses instrumentos, opõem-se os verdadeiros discípulos de Jesus, aqueles que receberam «a unção do Santo» (cf. v. 20), isto é, a palavra de Cristo e o seu Espírito que, pelo batismo, lhes ensina a verdade completa (cf. Jo 14, 26). Essa verdade refere-se a Jesus, o Verbo de Deus feito carne, como professa o Apóstolo, e não um Jesus aparentemente humano, figura de uma realidade apenas espiritual, como dizem os hereges.


Evangelho: João 1, 1-18

1*No princípio já existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus. 2No princípio Ele estava em Deus; 3*por Ele é que tudo começou a existir; sem Ele nada veio à existência. 4*Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. 5A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. 6*Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João. 7Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. 8Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. 9*O Verbo era a luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. 10*Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. 11*Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12*Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13*Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. 14*E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. 15*João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: 'O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.'» 16*Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. 17*É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. 18*A Deus nunca ninguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e que está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Ao contrário dos evangelhos da infância, o prólogo de S. João não narra os acontecimentos históricos do nascimento e da infância de Jesus. De forma poética, descreve a origem do Verbo na eternidade de Deus e a sua pessoa divina no amplo quadro bíblico do projeto de salvação, que Deus traz para o homem.

Começa pela preexistência do Verbo (vv. 1-5), real e em comunhão de vida com o Pai; o Verbo pode falar-nos do Pai porque possui a eternidade, a personalidade e a divindade (v. 1). Depois fala da vinda histórica do Verbo para meio dos homens (vv. 6-13), de cuja luz deu testemunho João Baptista (vv. 6-8); a luz põe o homem perante a necessidade de fazer uma opção de vida: recusá-la ou acolhê-la, permanecer na incredulidade ou aderir à fé (vv. 9-11); o acolhimento favorável tem por consequência a filiação divina, que não procede da carne ou do sangue, isto é de possibilidades humanas (vv. 12-13). Finalmente, a Incarnação do Verbo (v. 14) como ponto central do prólogo. Este Verbo já tinha entrado na história humana por meio da criação, mas agora vem habitar entre os homens de um modo ativo: «O Verbo fez-se homem», na fragilidade de Jesus de Nazaré, para mostrar o amor infinito de Deus. Nele, a humanidade crente pode contemplar a glória do Senhor, a glória de Jesus, o Revelador perfeito e escatológico da Palavra que nos faz livres, o verdadeiro Mediador humano-divino entre o Pai e humanidade, o único que nos manifesta Deus e no-lo faz conhecer (vv. 17-18).

Meditação

«Todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças», diz-nos João no Prólogo do seu evangelho. Vamos partir desta frase para n os colocarmos numa atitude de ação de graças, neste último dia do ano. Ao longo dele, fomos recebendo cada dia graça sobre graça, cada um segundo as suas necessidades e capacidades de receber. E, as graças que recebemos este ano, preparam as que havemos de receber no ano que vai começar.

Recebemos a graça do perdão misericordioso de Deus para os nossos pecados e para termos coragem de avançar no caminho da santidade. Recebemos luz para avançarmos, dia a dia no ano que termina. Essa luz também não o deixará de brilhar sobre nós no ano que começa. A luz é o próprio Filho de Deus feito homem: «Eu sou a Luz do mundo». Essa luz é-nos dada como força e como amor, sobretudo na Eucaristia. Há que acolhê-la de coração aberto e disponível para todos os dons e surpresas de Deus.

A falta dessa abertura levou alguns cristãos, logo na primitiva Igreja, à heresia. Não aceitavam que Deus se pudesse fazer homem e, mais ainda, homem pobre, homem frágil. Ao longo da história, e ainda em nossos dias, não faltam falsos profetas e mestres de falsidade, que se servem do nome de Cristo para propagar as suas ideias e doutrinas. Muitas vezes, provêm das próprias comunidades cristãs. Há que distinguir o verdadeiro do falso. A verdadeira doutrina traz alegria e paz interior.

O dom e o mistério de pertencer à Igreja têm como única garantia a fidelidade à Palavra de Cristo, em humilde e permanente busca da verdade. Recusar a Igreja é recusar a Cristo, a verdade e a vida (cf. Jo 14, 6). Recusar a Igreja é não acreditar no Evangelho e na Palavra de Jesus, é viver nas trevas, no não-sentido. O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que, tendo recebido a unção do Espírito Santo, se deixa conduzir suavemente pela sua ação e pela sua verdade, reconhecendo os caminhos de Deus, esperando a sua vinda sem alarmismos nem fantasias milenaristas. A Incarnação de Cristo impregnou toda a história e toda a vida dos homens, porque só nele reside a plenitude da vida e toda a aspiração de felicidade e o homem entrou de pleno direito entre os familiares de Deus.

O fim do ano civil recorda-nos que a história humana é guiada por Deus. Para Ele a nossa gratidão e a nossa súplica de vida nova que sempre nos quer oferecer.

Ó abismo de amor! A alma que Te contempla eleva-se admiravelmente acima da terra, eleva-se acima de si mesma e paira, pacificada, no mar da serenidade».

S. João é o pregador do amor. Todo o seu evangelho está neste espírito. A sua primeira página é uma elevação de amor para o Verbo incarnado. «Nós vimos, diz, o Filho de Deus cheio de graça e de glória». Só ele descreve as núpcias tocantes de Canaã, o colóquio com a Samaritana, a grande promessa da Eucaristia, a parábola do bom Pastor, a ressurreição de Lázaro, o lava-pés e os discursos tão ternos do Bom Mestre durante a Ceia e depois da Ceia. Narra a abertura do Coração de Jesus.

As suas epístolas pregam a caridade: «Deus é caridade... amou-nos primeiro... deu- nos o seu Filho por nosso amor. Portanto, amemo-lo também da nossa parte». E sem cessar repete: «Amemo-nos uns aos outros».

Vivendo junto de Maria e da Eucaristia, caminha para a consumação do amor. Chega à união mística mais intensa com Nosso Senhor, às visões, às revelações. O céu está aberto para ele. Descreve-o inteiramente. Mas sobretudo o Cordeiro triunfante retém o seu olhar: o Cordeiro sempre ferido no Coração e imolado, o Cordeiro que é bem o laço de amor entre Deus e nós.

Dia 31

O final de mais um ano é oportunidade para

agradecermos pelo extremo cuidado de Deus

para com a humanidade. Apesar dos desafios

e dificuldades surgidas,

ele nos conduziu pela mão,

oferecendo-nos diversas oportunidades

de crescimento.

Vamos, pois louvá-lo com estas palavras:

“Louvai a Deus no seu santuário,

louvai-o no firmamento do seu poder. Louvai-o

por suas grandes obras. Louvai-o pela

sua imensa grandeza.

Todo ser vivo louve o Senhor. Aleluia!”

(cf. Sl 150[149] 1,-2.5).

Quando mudam a maneira de pensar e agir,

as pessoas podem modificar o mundo.

“Aquele que está sentado no trono disse:

´Eis que faço novas todas as coisas´.

depois, ele me disse:

´Escreve, pois, estas palavras são dignas de fé e

verdadeiras´. E disse-me ainda: ´Está feito!

Eu sou o Alfa e o Ômega,

o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, eu darei,

de graça, da fonte da água vivificante´” (Ap 21,5-6).

 


Evangelho do dia 06 fevereiro sexta feira 2026

06 fevereiro - Os cavaleiros da Idade Média estavam sempre alerta para que a covardia de um instante não os fizesse perder a glória conquis...